Disclaimer: Eu não possuo Glee, caso contrário a série nunca teria um fim.


Rachel entrou no quarto de sua filha em uma manhã chuvosa de quinta-feira e caminhou até a cama, com cuidado para não tropeçar nas caixas empacotadas com os pertences da menina. A garota de quatorze anos estava esparramada em sua cama em um emaranhado de braços e pernas e o cabelo escuro jogado sobre seu rosto tranquilo. Rachel sorriu, com pena de acordá-la, mas era necessário já que eles precisavam sair em pouco tempo.

"Mad" Rachel chamou baixo enquanto balançava a filha para despertá-la, "Madison! Acorda, filha."

"Hmmm", ela gemeu, rolando para longe da mão insistente de sua mãe, "O que foi?"

Rachel riu da menina desorientada e afastou os fios de cabelo que haviam caído sobre os olhos dela.

"Você precisa levantar agora e se trocar. Estamos saindo em meia hora, já deixei você dormir o máximo que eu pude."

Madison abriu um olho e espiou seu relógio na mesa de cabeceira, gemendo em desgosto.

"Mãããeeee... São seis horas..."

"Sim, e precisamos estar no aeroporto até as oito. Tio Kurt e tio Blaine estarão nos esperando com Zoe. Vem, anda logo", Rachel explicou e se levantou da cama, levando consigo o cobertor que Madison usava, recebendo um protesto.

"Me deixa. Tá frio", ela tentou puxar o cobertor de volta, sem sucesso. Então se enrolou na cama como uma bola para proteger suas pernas nuas do frio matinal.

"Se você começar a se mexer, o frio passa. Eu vou descer e preparar alguma coisa que você possa comer no carro, estamos com pouco tempo", Rachel falou enquanto empilhava as caixas para que saíssem do caminho. "Trevor estará aqui às seis e meia para nos levar. Se você não estiver pronta, vamos te arrastar daqui do jeito que estiver."

Madison revirou os olhos e se moveu para levantar. Sua mãe era tão dramática!

A adolescente já não estava contente de ter que deixar para trás sua amada Nova York, sua escola e seus amigos, para ir viver em uma cidade do interior, escondida de todo mundo e, pior, onde todos se conhecem. Ugh! Era patético.

E total escolha de seus pais, Madison fez questão de deixar claro.

Rachel e Jesse, agora com uma pausa nos palcos da Broadway, achavam que Madison merecia uma vida tranquila e poderia terminar seus estudos como uma adolescente normal, sem ter que se preocupar com seu rosto estampado em revistas ou sites de fofoca a cada lugar que ia. Por um lado, isso a tranquilizava que a partir de agora ela poderia ter uma vida normal, sair com as pessoas sem ter que se esconder, poderia ir para a escola sem se preocupar com os interesseiros. Por um lado era uma coisa boa. Mas por outro, era terrível! Ela amava Nova York, tinha crescido em meio ao barulho da cidade grande, à quantidade de pessoas, aos teatros da grande avenida, aos outdoors luminosos da Times Square. E o que Lima tinha? Um teatro comunitário? Adolescentes caipiras que mal sabiam o que era um holofote?

Em Lima eles seriam anônimos, pessoas normais. Madison nunca havia sido normal. Ela estava acostumada a sair da escola e ir direto para o teatro ver seus pais ensaiando, ou ser convidada ao palco para cantar uma música com algum outro ator amigo de seus pais, ou suas atividades extracurriculares como as aulas de dança e de canto. Será que em Lima ela teria tudo isso?

A resposta era óbvia.

Não.

E Madison não estava nada satisfeita com isso.

No entanto, para apaziguar a situação, sua melhor amiga - e praticamente prima - estava passando por isso também. Zoe, a filha de seus tios Blaine e Kurt, também estava se mudando para Lima. Menos mal que ela teria alguém para entendê-la e sofrer junto com ela. Blaine e Kurt também achavam uma boa ideia que Zoe terminasse seus estudos em Ohio, longe do foco das câmeras por causa do trabalho de seus pais. Então ela não estava sozinha naquele barco. Que, na opinião dela, estava prestes a afundar.

Madison desceu as escadas vinte minutos mais tarde com o cabelo preso em um rabo de cavalo, roupas despojadas e a cara de poucos amigos. Jesse riu da expressão de sua filha quando ele entrou na cozinha depois de deixar as malas perto da entrada para Trevor pegar.

"Eu odeio as manhãs."

"Bom dia pra você também", Jesse brincou, dando um beijo no topo da cabeça da menina, "Suas coisas já estão prontas?"

Madison apenas assentiu e ocupou uma banqueta do balcão, trocando mensagens de texto com Zoe, que aparentemente já estava a caminho do aeroporto com seus pais. Rachel apareceu na cozinha e sorriu quando viu a filha.

"Tudo pronto?"

"Sim. Só falta a minha vontade de ir para essa cidade", Madison resmungou sem levantar os olhos do celular. Ela pode ouvir o suspiro de sua mãe.

"Nós já tivemos essa conversa, Madison", Jesse interveio, "É para o s-"

"Para o meu próprio bem. Já sei, já sei", ela interrompeu o pai e revirou os olhos, ganhando um olhar repreensivo de ambos os pais, "Mas eu não preciso ficar feliz com isso. É escolha de vocês, eu sou contra."

"Não vamos discutir isso de novo, não chegaremos a lugar nenhum", Rachel falou, abrindo a geladeira, "Quer uma salada de frutas? É algo que você pode comer no carro."

"Tanto faz", Madison deu de ombros, os olhos presos na tela do telefone.

Trevor, o motorista da família, chegou dez minutos depois e levou as malas para o carro. As caixas com os objetos mais pesados seriam levadas por um caminhão de mudanças até Ohio, enquanto a família ia de avião. Eles não estavam levando tudo, era um plano voltar a morar na cidade novamente, no futuro, talvez depois que Madison se formasse. E também haveria visitas ocasionais na cidade e eles teriam o lugar para ficar temporariamente. Mas, por enquanto, eles ficariam em Ohio pelos próximos quatro anos da menina no Colegial. As carreiras de Rachel e Jesse haviam crescido desde que eles se formaram na faculdade e eles já haviam ganhado bastante dinheiro, sem contar os investimentos que ambos tinham, daria para se manterem pelos próximos anos.

Rachel inclusive já havia estrelado em uma peça dirigida por Jesse e havia ganhado um Tony Award de melhor atriz por conta do papel. Mas isso foi durante sua primeira gravidez.

Madison não havia sido a primeira gravidez de Rachel, ela era a sua primeira filha. Zoe quem havia sido sua primeira gravidez, mas ela não era sua e de Jesse. O óvulo era de Quinn Fabray e hoje a menina era criada por seus únicos pais, Blaine e Kurt. Eles eram o tipo de família confusa que funcionava bem. Madison e Zoe não se consideravam irmãs, na verdade elas eram mais primas do que qualquer outra coisa, e melhores amigas, é claro. Zoe era apenas um ano mais velha que Madison, que havia sido concebida meses depois que Rachel deu à luz. Quinn concordou em doar o óvulo, mas na época ela não poderia carregar o bebê por alguns problemas de saúde devido a um acidente recente na época, e então Rachel se ofereceu. Ela fora a barriga de aluguel, não a mãe do bebê. Claro que hoje Zoe era muito querida por ela, mas ela era apenas a tia Rachel.

Na época de todo o tratamento e da gravidez, Rachel e Jesse haviam se casado recentemente. Ele ficou feliz pela esposa ser tão solidária com os amigos deles, mas no interior do rapaz havia aquele sentimento de que aquele bebê não era seu, e isso doía. Zoe não viria ao mundo para ser deles, ela não era um bebê fruto do amor deles. E então, para surpresa de todos, quando Zoe tinha seis meses, Rachel engravidou novamente e assim Madison aconteceu.

Mas Zoe não era a primeira filha de Quinn. Ainda havia Beth, mas Quinn era apenas sua mãe biológica, não de fato a sua mãe. Shelby Corcoran era hoje a mãe de Beth. Mesmo depois de anos, Rachel ainda sentia a pontada no peito da clara renegação de sua mãe biológica. Havia ficado claro que Shelby trocou Beth por Rachel. Rachel era feliz, claro, tendo um marido maravilhoso e uma filha amada, mas, só às vezes, ela sentia falta de ter uma mãe. Shelby e Beth não tinham contato com eles, nem mesmo com Quinn, que hoje vivia em New Haven com seu namorado e poucas vezes via Zoe, mas elas se falavam por telefone e Skype sempre que podiam, diferentemente de Shelby que não permitia Beth ver Quinn ou mesmo Noah, o pai biológico de Beth, assim como ela não falava mais com Rachel.

Shelby mal sabia que tinha uma neta ou Beth sabia que tinha duas meia-irmãs, mas isso foram as consequências de escolhas erradas no passado. Rachel decidiu não contar sobre Madison no momento em que ela lembrou que sua própria mãe havia afastado-se dela, definitivamente. E Beth não tinha conhecimento de Rachel ou Zoe, por, novamente, decisão de Shelby, mesmo que inconscientemente.

Quem olhasse por fora, podia se confundir, mas eles funcionavam assim e eram felizes da forma que viviam. Ou, aparentemente eram.

Rachel e Jesse fecharam todo o apartamento e desceram de elevador até o carro que os esperavam com Madison seguindo atrás, comendo sua salada de frutas e seu iPod já conectado com seus fones de ouvido nas orelhas, tentando deixar claro sua insatisfação. Havia alguns paparazzi os esperando na portaria do prédio, a mudança da família era um dos assuntos comentados, então rapidamente eles se acomodaram no SUV preto, ignorando os comentários, e Trevor dirigiu para o aeroporto JFK.

Assim que se viram, Madison e Zoe se abraçaram de um jeito dramático que fez seus pais revirarem os olhos. As meninas compartilhavam seus desgostos pela mudança e queriam deixar explícito para os quatro adultos ao redor delas. Madison cumprimentou seus tios rapidamente e logo os seis foram para a fila dos gates para o check-in.

Quando as malas foram finalmente despachadas e todos passaram pela segurança do aeroporto, Madison puxou Zoe pela mão até uma livraria enquanto seus pais se acomodaram na sala de embarque. As meninas haviam ido atrás de seus doces e revistas para se entreterem na viagem.

"Eu não consigo ficar feliz com isso", Zoe reclamou, tentando decidir entre os chocolates Twix e Snickers na prateleira.

"Basta escolher um", Madison rolou os olhos.

"Não estou falando disso", Zoe por fim agarrou uma de cada das barras de chocolate e foi para a prateleira das revistas, "Estou falando sobre a coisa toda da mudança."

"Ah. Eu também não. Meus pais tentaram enfiar na minha cabeça que é a melhor escolha, mas eu discordo", Madison falou, pegando alguns pacotes de gummy bears, "O que há de errado em terminar a escola aqui em Nova York? Nossas vidas sempre foram aqui. Veja onde chegamos, temos ótimos pontos para a faculdade. Um currículo farto."

"Sim, mas eles não entendem!", Zoey concordou com a prima, "O que acha dessa?", perguntou, levantando uma revista.

"Nah", Madison fez uma careta.

"O quê!? Olha quem está na capa!", Zoe exclamou como se fosse algo incrível, "É Adam Levine!"

Madison rolou os olhos com a obsessão louca de Zoe pelo cara. Ela era uma fã apaixonada que, se pudesse, passaria o dia falando sobre como ele era perfeito e como ela o amava. Entediante.

"Oh, grande coisa", Madison desdenhou e Zoe deu língua para a menina mais nova. Madison escolheu ignorá-la e foi pegar uma revista para si, "Vamos pagar por essas coisas e ir procurar algo para comer, vai."

Zoe concordou e a seguiu até o caixa. A garota atrás do balcão sorriu para as duas adolescentes e passou os itens pela caixa registradora.

"Quinze dólares", a atendente disse. Madison catou em sua bolsa transversal as notas de sua mesada e entregou-as para a moça, "Aqui está. Muito obrigada, meninas, e boa viagem."

"Obrigada. Vamos, Zoe."

Rachel conversava com Kurt sobre algo enquanto Jesse e Blaine estavam em seus celulares quando as meninas se aproximaram com as bolsas da livraria. Kurt as observou e ergueu uma sobrancelha perfeitamente para o que elas carregavam.

"Quanto de doce vocês têm aí?"

"Hmmm, não muito", Zoe respondeu, colocando sua sacola atrás de suas costas e longe da vista de seu pai.

"Algumas balas, nada mais que isso", Madison imitou sua prima, desviando o olhar para suas botas, "Nós estamos com fome", ela rapidamente mudou de assunto.

"Ok, que tal se formos até a cafeteria pegar algo até que nosso voo é chamado?", Rachel sugeriu, "Não sei vocês, mas eu preciso de um café agora mesmo."

As meninas assentiram e Kurt deu à Zoe algum dinheiro para ela comer. Rachel levou as duas meninas até a cafeteria e foi para a fila do caixa, atraindo alguns olhares. Zoe e Madison se curvaram sobre o stand de tortas geladas, decidindo o que elas queriam. Quando voltaram para Rachel com grandes sorrisos, a morena mais velha tratou de cortá-las.

"Nada de doce. Eu ainda estou decidindo se vou deixar essas sacolas com vocês", ela observou como os ombros das duas caíram e elas fizeram beicinho. A mulher na frente delas na fila olhou para trás e sorriu para Rachel. Com certeza ela também tinha filhos. "Vou pegar alguns pretzels, vocês querem? Talvez um frappuccino."

"Eu aceito os pretzels", Zoe falou, ainda amuada. Ela realmente estava salivando pela torta de chocolate. Não a culpem, ela era uma chocólatra nata! "E um cappuccino de chocolate sem chantilly e sem canela, por favor."

"Madison?", Rachel olhou para sua filha, que ainda sustentava uma carranca e os braços cruzados.

"Quero um frappuccino de baunilha com chantilly e um croissant", ela murmurou e deu à sua mãe um olhar frio, que Rachel ignorou já que sua vez na fila estava chegando.

Depois que os pedidos foram embalados e entregues, as três voltaram para onde os rapazes esperavam e Rachel se sentou com Jesse para compartilharem a comida, enquanto Madison e Zoe se sentaram juntas e começaram a comer.

"Eu realmente queria aquela torta", Zoe fez beicinho antes de morder seu pretzel.

"Eles vão arruinar tudo nessa viagem", Madison disse sob sua respiração para que os adultos não escutassem. Porém, ela estava contente que eles não tinham tomado seus preciosos gummy bears.

Quando o voo foi chamado, todos se levantaram contentes de finalmente estarem saindo dali. Quer dizer, exceto para duas adolescentes descontentes que tinham os braços cruzados e seguiam seus pais para o finger entre a nave e o aeroporto. Felizmente para Madison e Zoe, sendo filhas de quem elas eram, viajar tinha as suas vantagens. E uma delas eram os assentos na primeira classe. Era muito mais cômodo se sentar em uma poltrona grande o bastante para se sentir confortável e se inclinar para trás o quanto quisesse, ao invés de dividir uma fileira de três poltronas que mal reclinava trinta graus e sempre tinha algum desconhecido ao lado deles.

Quando todos tomaram seus assentos, e depois que Madison e Zoe fizeram um acordo sobre a janela e o corredor, o avião decolou e logo depois que estiveram no ar, começaram a servir as bebidas. Quando a comissária parou o carrinho ao lado das meninas, Madison abriu um largo sorriso espiando o que eles ofereciam. Seus olhos azuis brilharam quando ela viu a garrafa de vidro com a bebida espumante dentro, só para Jesse lhe lançar um olhar mortal e cortá-la.

"Nem pense nisso, Madison Louise!"

A menina encolheu os ombros e pediu uma água, quando na verdade ela queria a champagne. Zoe pediu um suco de laranja depois que Blaine a impediu de pedir a lata de refrigerante e os três rapazes pediram o champagne, enquanto Rachel acompanhou sua filha na água. Depois disso, todos puderam se acomodar para seguir viagem, então Madison e Zoe decidiram juntas o filme que iriam assistir e abriram seus doces para compartilharem durante o resto do voo.

Madison sentiu seu corpo ser sacudido e ela despertou com uma carranca para quem quer que estivesse perturbando seu sono. Só então ela se deu conta que havia caído no sono. A garota abriu os olhos e se deparou com seu pai lhe dando um sorriso.

"Já estamos aqui, Mad. É hora de acordar."

Madison ainda resmungou um pouco pelo sono interrompido, mas ela se levantou e seguiu o pai pelo corredor entre as poltronas. No fim ela se despediu da tripulação que estava na porta e foi com seu pai pelo finger, encontrando o resto de sua família no fim dele. Cada um dos casais alugou um carro para permanecerem na cidade por um tempo até terem que comprar os seus próprios, e todos foram para fora do aeroporto depois de pegarem as malas na esteira e cuidar da papelada de aluguel.

"Que saudade de NYC", Madison pensou conforme o carro passava pela rua à caminho de sua nova casa. "Por que aqui é tão... Vazio?", ela vociferou.

Rachel se virou um pouco para olhá-la nos olhos, "Isso aqui é Lima, querida. Acostume-se."

Com um suspiro, a menina voltou a encarar o lado de fora com o queixo apoiado na mão.

As duas casas que foram compradas eram em ruas diferentes, no entanto próximas uma da outra. Jesse parou o carro em frente a casa grande de estilo vitoriano com dois andares e caminhou com sua família para dentro.

"Bem vindas ao novo lar St. James!", Jesse falou e abraçou Rachel quando ela se juntou à ele para olhar a casa.

Havia o foyer de entrada com um armário embutido para casacos e um aparador com um espelho sobre ele. Logo em frente à porta de entrada estavam as escadas para o segundo andar. À direita das escadas vinha a entrada para a cozinha bem espaçosa e, nela, havia uma escada no canto para o porão, e do outro lado estava uma passagem que dava para a sala de jantar, onde também havia duas portas de correr que davam para o quintal de trás da casa, que Madison soube contente que tinha uma piscina e uma churrasqueira.

À esquerda das escadas vinha a sala de estar, já mobiliada com três sofás, uma mesa de centro, mesas nas laterais dos sofás com abajur, uma lareira e um espaço acima para um enorme quadro familiar, Rachel já estava fazendo planos para aquele espaço. Naquela mesma sala havia outra passagem para a sala de jantar e também para uma outra sala anexada, onde havia mais um jogo de sofás, poltronas e uma enorme TV na parede.

"Eu amo esta casa!", Rachel falou, olhando tudo ao redor.

"Foi uma bela escolha", Jesse sorriu e concordou, "O que acha, Maddie?" ele olhou para a filha. Madison revirou os olhos para o apelido.

"Pai, você não me chama assim há, tipo... mil anos", ela reclamou e Jesse apenas riu, "A casa é legal. Mas agora posso ver o meu quarto?"

"Claro. Vamos todos ver o segundo andar agora."

Os três subiram e encontraram um longo corredor com várias portas. Madison correu para abrir a primeira e encontrou um quarto simples, de cor neutra e com uma cama queen-size no centro da parede oposta à cômoda. Madison fez uma careta.

"Esse definitivamente não será o meu quarto. Parece um quarto que... Vovô LeRoy e vovô Hiram gostariam", Madison disse franzindo o nariz e Rachel apenas riu.

"Bem, eu tenho que concordar. Amor, apenas seus pais gostariam-", Jesse apontou e recebeu um tapa no braço, "Ai!"

"Cala a boca", Rachel ralhou com ele, "Esse será o quarto de hóspedes. Para QUALQUER hóspede que tivermos", ela enfatizou e rolou os olhos para os risinhos de Madison e Jesse atrás dela quando eles saíram para o corredor.

A próxima porta ao lado daquele quarto era um banheiro simples porém espaçoso o suficiente.

"Parece que esse será o banheiro em comum", Jesse disse e Rachel assentiu.

Madison não pareceu interessada e foi diretamente para a porta do outro lado do banheiro. Ela abriu e sorriu abertamente com o tamanho que aquele quarto tinha.

"Esse definitivamente será o meu!", ela olhou ao redor e viu a enorme cama queen-size, o closet embutido, a cômoda e uma porta para um banheiro privativo. Além, claro, do banco de janela.

"Já decidiu?", Rachel perguntou, entrando atrás do marido.

"Sim. Definitivamente, esse!", Madison se sentou na cama e olhou em volta, "Eu só preciso fazer alguns ajustes e ele se tornará perfeito."

"Esse fim de semana vamos escolher as tintas, você poderá pintar da cor que preferir", disse Jesse.

"Eu ainda vou decidir sobre isso. Talvez um azul escuro para uma parede e as outras bege, ou vermelho sangue..."

Rachel estremeceu e balançou a cabeça, "O que há com um bom rosa pastel? Ou lavanda? Lavanda seria perfeito para acalmar você."

Madison rolou os olhos.

"Mãe, sabe que prefiro azul", ela deu de ombros, "Azul escuro é bem mais legal."

Rachel levantou as mãos em rendição e eles saíram para conhecer os outros cômodos. Na porta quase em frente ao quarto que Madison se apropriou estava, na verdade, o maior quarto da casa, também com banheiro privativo e uma hidromassagem. Madison cruzou os braços quando Rachel abriu um largo sorriso. Se ela soubesse, teria entrado aqui primeiro!

"Não é justo!"

"É justo, minha filha. Você escolheu o seu, nós escolhemos o nosso", Rachel falou enquanto passava pela menina e bagunçava os fios soltos do rabo de cavalo dela.

Na porta ao lado do quarto principal estava outro quarto simples que também seria um de hóspedes. Com o tour completo, a família desceu novamente as escadas e quando Madison foi se jogar em um dos sofás, Jesse a fez parar imediatamente.

"Nem pense nisso. Levanta esse traseiro daí e venha nos ajudar a tirar as malas do carro."

"Mas, pai..."

"Hoje, Madison!"

Ele sorriu para a bufada da menina e a levou para fora até o carro estacionado. Por um momento, Madison pensou, que talvez, apenas talvez, os próximos anos não seriam tão ruins assim.

Ela só esperava isso.