Capítulo 1 –Início.

"Não te quero senão porque te quero

e de querer-te a não querer-te chego

e de esperar-te quando não te espero

passa meu coração do frio ao fogo.

Quero-te apenas porque a ti eu quero,

a ti odeio sem fim e, odiando-te, te suplico,

e a medida do meu amor viajante

é não ver-te e amar-te como um cego.

Consumirá talvez a luz de Janeiro,

o seu raio cruel, meu coração inteiro,

roubando-me a chave do sossego.

Nesta história apenas eu morro

e morrerei de amor porque te quero,

porque te quero, amor, a sangue e fogo".

-... Neruda. –falei ao terminar de ler as últimas palavras escritas num papel perfumado.

Recostei mais as costas em minha poltrona antes de colocar a folha em cima da minha mesa.

Suspirei pesadamente.

...

A vida é uma grande baboseira. Andei pensando nisso por esses dias. Andei pensando em como existir é algo sem sabor e sem textura.

Viver é como morrer. Morrer todos os dias.

Não costumo ser tão poético, desculpe se pareço um romancista falido de algum século passado, certamente não é minha intenção passar-lhe palavras amenas e afáveis.

Não, não é.

Naturalmente sou um homem frio de poucas palavras. Alguém que gosta de ter sempre seu café quente na mesa e bons resultados nos papéis.

Sou Taishou. Sesshoumaru Taishou. E não me peça para ser simpático com você, porque certamente não serei.

Não gosto dessa coisa que chamam de benevolência. Aos deuses, eles que devem ser solidários. Bondade e compaixão eu deixo para os santos. Que a terra me consuma vivo se estiver pronunciando alguma sandice.

Sou um homem de quarenta anos, e apesar disso todos insistem em dizer que pareço ter muito menos idade. Pra mim, isso nunca significou grandes coisas, pois o dinheiro embeleza a gente, não é verdade? Sou alto e com um porte físico comum. Tento me manter em forma e com uma boa aparência. Afinal, sendo um homem de negócios a aparência é tudo nesse mundo.

Meus cabelos curtos e lisos já foram completamente dominados pelos fios prateados. Meus olhos são castanhos bem claros como o âmbar. Não tenho olheiras e nem cicatrizes, meu rosto é branco, às vezes diria ser pálido.

Não posso dizer que sou uma pessoa infeliz ainda que meu discurso inicial tenha parecido melancólico. Ora, ser infeliz morando no luxo, com um Porsche na garagem para os dias normais, um cigarro no bolso para as horas vagas e um Whisky para relaxar as tensões não parece ser nada mal, não é verdade?

Bem, você não deve saber o que é isso. Porque provavelmente você mora num daqueles apartamentos que mais parecem APERTAmentos em algum canto pobre da cidade. Não, você não vai gostar de mim. Não vai gostar do meu orgulho, da minha ironia amarga, da minha riqueza exacerbada, que provavelmente você nunca vai conseguir nem com um ano de trabalho sem gastar um tostão sequer. O quê você ganha a vida inteira é o que eu ganho em um mês. E o que você ganha em um mês não paga nem o meu almoço.

Mas deixemos isso de lado...

...

Fitava o teto de cor arenosa do meu escritório sem nenhum motivo aparente. As persianas estavam escancaradas mostrando a enorme Tókio que crescia sem parar atrás de mim. Prédios enormes, escandalosos, letreiros brilhando, gente indo e vindo. Não havia sequer um ruído, a não ser do meu ar condicionado moderno que mantinha uma temperatura agradável no meu ambiente favorito.

Já era de noite. Uma noite quente do lado de fora.

Provavelmente todos do escritório tinham ido embora.

Estava cansado. Talvez cansado demais. O dia havia sido cheio. Fiquei pensando se não estava perdendo a astúcia. O meu faro aguçado, meus ouvidos atentos, será que começavam a me trair? Não queria admitir, mas estava exausto. Farto demais para pensar em projetos. Aquilo tudo já me consumia a alma.

Mas o que eu poderia fazer se não prosseguir com os negócios da família? Era o único capaz de tal artimanha. Herdara a grande Siderúrgica Taishou e isso era tudo. De minha pequena família, fui tudo o que restou.

Fui aprisionado ao terno e a gravata de seda que me sufocava, e aos sapatos sociais italianos, que viviam sempre brilhando. Fui aprisionado a isso desde os dezessete anos. Meu pai, antes de morrer, sempre me dizia, quer dizer, gritava "Se não consegue ser um homem bem sucedido, Sesshoumaru, então você nunca será um homem de verdade".

Ele não estava realmente de todo errado, devo admitir. Afinal, o que somos nós se não o resultado de nossas conquistas? Seria possível viver sem qualquer ambição nessa vida? Isso seria mesmo possível? Acordar e dormir todo o santo dia sem cobiçar coisa alguma? Sem almejar chegar ao topo? Não conhecia outro estilo de vida que não fosse vencer. Meu pai incrustou essas ideias em meu corpo com todo ardor possível. Em devoção, assentia sempre. Ele conseguia me convencer a fazer o que ele queria. Afogou-me naquele mundo com toda força. Onde o dinheiro vinha em primeiro lugar, onde não havia espaço para nada sem ser o trabalho.

A Siderúrgica nos sugava, nos consumia. Fazia com que vivêssemos dela.

Aprisionados. Escravos de sua própria existência inanimada.

Mas aquela vida repetitiva, com o passar dos anos, começou a ser tingida de cinza. E paulatinamente me nauseou.

Nada era mais tão interessante. Tudo pareceu ter gosto de borracha.

Olhei para o relógio que anunciou sem grande alarde vinte horas.

Poderia sair, era sexta-feira, afinal. Mas sair pra onde? Ir ao bar tomar uma bebida relaxante enquanto fumava meu cigarro favorito? Aquilo era casual, corriqueiro. Tive vontade de sair pra jantar num bom restaurante. Mas sair sozinho...? E se não fosse sozinho...? Aquela indecisão me deu nos nervos.

Havia uma lista de mulheres em minha agenda. Todas inúteis, superficiais e entediantes que serviam para esquentar minha cama e dar o fora logo depois. Não era aquilo que eu buscava aquela noite...

Olhei novamente para o papel romântico em minha mesa. Neruda gritando tanto amor quase capaz de me ensurdecer.

E como se fosse óbvio voltei-me a Kagura como num estalo. Minha eterna companheira, a reticência da minha monótona vida.

Kagura é uma mulher bonita, popular, de voz amena (quando a convém), sorriso falso e que não fazia escândalos (quando não é preciso). A respeitava por ser quem era. Por ser a mulher mais discreta e mais bem vestida daquela cidade. Já fazia anos que estávamos naquela dança. Uma dança deveras perigosa que preguiçosamente se esparramava por entre as linhas do tempo.

Peguei meu celular do bolso, fui passando os inúmeros contatos da minha lista até chegar no nome dela. Disquei sem pestanejar. Três toques foram o suficiente para ela atender.

-Achei que criaria raízes e você não me ligaria. –a voz feminina do outro lado da linha parecia sorrir.

-Está em casa? –indaguei firme ignorando sua provocação sempre tão ácida.

-Estou. Naturalmente acabei de chegar, mas creio que saiba.

-Vamos jantar juntos. –falei sem pestanejar. –O quê me diz?

-Agora? –ela riu de forma irônica. –Por que acha que eu já não tenho nenhum compromisso, Sesshoumaru?

-Eu não sei se você tem algum compromisso, –sorri irônico e apesar dela não poder ver sabia que havia imaginado meu semblante categórico. –mas se tiver sei que irá desmarcar qualquer coisa para sair comigo essa noite.

-Como você é prepotente. –ela riu como se meu jogo a divertisse.

-Seu bilhete disse o contrário. E, a propósito... Seus olhos ardem mesmo, como intensas chamas.

Ela sorriu, apesar de eu não poder ver.

-... A que horas você vem me buscar?

...

Fiquei parado na frente da mansão dos Miyamoto. Um dos seguranças me reconheceu assim que viu o meu Porsche preto apontando na direção da entrada. Os portões se abriram automaticamente e pude seguir um pequeno caminho, cortando o jardim até a entrada da mansão.

Kagura já estava lá me esperando pacientemente e bem arrumada como de costume. Dona de olhos castanhos-avermelhados. Em chamas! Não estava brincando quando disse aquilo a ela ao telefone. Pois, sempre que a fito tenho a sensação de estar entrando num mar de fogo profundo.

Seu cabelo liso é de um negro brilhoso, mas não são muito cumpridos, chegam somente até uns três dedos após os ombros.

Ela usava uma maquiagem nos olhos que destacavam mais ainda seu mar de lava. Um batom escuro nos lábios polpudos e um tom rosado nas bochechas que lhe tiraram a palidez.

Kagura estava perfeita com seu vestido um pouco justo ao corpo da cor azul marinho parando após os joelhos. O vestido só possuía uma alça grosa e deixava as costas nuas. Usava nos pés uma sandália preta de salto que a fez ficar um pouco mais alta, mas ainda assim nem chegava perto do meu tamanho.

Percebi então quando ela se aproximou do carro que usava os brincos de ouro que havia lhe dado. Duas folhas que pendiam discretamente pela orelha.

Ela sorriu quando me viu. Entrou no carro com delicadeza, fechou a porta e logo se voltou a mim.

-Em ponto! Você nunca se atrasa.

-Queria que eu me atrasasse? –arqueei uma única sobrancelha.

-Estou só implicando em como você é metódico! –ela riu brevemente. -Vamos, estou com fome! E você?

-Sedento... –lhe lancei um sorriso malicioso.

Kagura somente riu do meu comentário recheado de intenções lascivas. A beijei profundamente como de costume nos lábios.

Girei a chave, o motor roncou gravemente e não demorou muito para passarmos pelos portões enormes da mansão.

...

Poderia ter me casado com Kagura quando tive chance. A família Miyamoto tinha construído um império tão vasto e poderoso como o meu. Teria investidores incríveis no meu calcanhar se tivesse me deixado levar pela razão.

Seria fácil, tão fácil viver ao lado dela. Ela estaria preocupada demais com os perfumes mais caros da face da terra que ainda não tinha comprado. Vestiria suas roupas feitas sob medida e não repetiria qualquer um dos inúmeros vestidos de seu closet nada modesto. Esbanjaria em acessórios, lançando tendências pela aristocracia nauseabunda e invejosa. Estaria sempre tão preocupada em se vestir bem, em estar bonita, bem arrumada que não teríamos tempo para brigar. Ela passaria mais tempo lendo a Vogue do que falando comigo.

Não me faria perder tempo com assuntos do dia-a-dia, não me perguntaria se eu me sentia bem, se gostaria de fazer algum passeio num domingo à tarde, se poderia levá-la para viajar nas férias, que pra mim nunca existiram. Ela nunca seria capaz de me sufocar, de me afastar do meu trabalho. Kagura não perderia tempo com essas coisas. Ela as achava tão irrelevantes como eu.

Seriamos um casal silencioso. Teríamos alguns casos extraconjugais, mas não nos odiaríamos por isso. Fingiríamos que nada acontecia, pousaríamos para fotos de revista com um sorriso que não nos é característico e fim de história. Seria vazio, mas muito mais simples.

Mas eu, Sesshoumaru Taishou, acabei seguindo o caminho mais difícil...

...

Jantávamos tranquilamente.

Estranhamente naquela noite ela tagarelava sem parar coisas como o meu trabalho, sua família, seu dinheiro, sua recente viagem a Bali... Não entendi o que ela foi fazer por lá, mas resolvi não perguntar. Ela falaria daquela viagem a noite inteira.

Meu silêncio, minhas palavras monossilábicas apáticas e meu aceno foram o suficiente para ela não ficar frustrada. Não que Kagura fosse uma pessoa desagradável, realmente não era. Mas naquela noite tudo estava tão desordenado...

Chato!

Não fazia ideia que até mesmo Kagura estava na minha lista de coisas que estava cansado.

Seu celular tocou de forma branda. Ela fez menção a não atender, mas eu a liberei das boas maneiras à mesa. Disse que poderia ser algo importante. Não se deve negar uma ligação, eu pelo menos, nunca as ignorei. Se fizesse isso com frequencia provavelmente não teria metade dos investidores que possuo.

-Me desculpe, Sesshoumaru. –ela voltou-se para mim com os olhos arrependidos colocando o celular de volta na bolsa.

-Não é nada grave. Eu compreendo.

-Era um dos empregados... –ela mordeu os lábios inferiores em tensão. –Meu irmão... Ele está tendo outra crise. Preciso ir pra casa.

-Para a casa? –falei um pouco frustrado, mal tínhamos chegado. Mas assenti vendo o quanto ela estava agitada. –Eu a levo.

-Não, não precisa. –ela me interceptou um pouco constrangida. –Vou pegar um táxi aqui na porta e já estarei em casa. Você ainda nem terminou de comer.

-Não tem importância.

-Por favor, vou me sentir péssima se sair daqui correndo por causa do meu irmão... Não irei me sentir à vontade no caminho. Eu ligo quando chegar. Desculpe por sair correndo dessa maneira.

-Kagura.

A chamei em vão, ela já havia se levantado, dado um beijo rápido em meus lábios e saído o mais rápido que podia.

Kagura sentia vergonha do irmão, mas não era pra menos.

Naraku era seu gêmeo e um patético dependente químico. Praticamente um morador das clínicas de reabilitação. Em suma, se morresse ninguém choraria por ele. Exceto ela, obviamente.

Mas, de maneira impressionante, mesmo que o vício o consumisse, e o que talvez fosse a única coisa que o fazia prosseguir nessa vida, conseguia cada dia mais aumentar o império da família, conquistando por meios legais ou não, mais e mais dinheiro. Vez ou outra nos encontrávamos nas reuniões empresariais, nos jantares das quais não podíamos simplesmente recusar ou nas festas desagradáveis. Como um abutre, ele devorava e seduzia tanta gente que às vezes esquecia-me de seu ser tão patético.

Seus olhos eram iguais aos de Kagura. Castanho-avermelhados. Mas os dele tinham um quê a mais. Tão impetuosos e sinistros como o fogo do inferno...

...

Paguei a conta e pensei em ir embora. Aquela noite havia sido perdida.

Mas, por algum impulso interno, não senti vontade de partir...

E até hoje me pergunto: por que não o fiz?

Pois, se assim o fizesse, quem sabe, não tivesse me perdido para sempre.

Resolvi ir até o bar que ficava no fundo do restaurante. Não havia muita gente ali. Os bancos ficavam recostados numa bancada de mogno bem polido e bem cuidado. Sentei-me no canto, longe de qualquer um.

Pedi um Whisky, sem gelo, é claro, ao Barman que usava um uniforme completamente preto e uma bandana vermelho sangue. Ele era jovem, tinha um sorriso sincero nos lábios. Serviu-me em poucos instantes.

Tomei a dose sem pestanejar. A bebida já não descia ardendo com intensidade fazia tempo...

Pedi mais uma dose ao garçom de sorriso sincero que estranhamente passou a sorrir mais fácil ainda em uma direção... Estranhei em súbito a alegria e o cochicho com o outro barman que num estalo de dedos foi para o seu lado.

Segui a linha do seu olhar para entender o motivo de estupefação e claramente compreendi.

Uma jovem sentou-se no banco, ao meu lado. Não imediatamente ao lado, pois ela pulou um assento, mas estávamos próximos o suficiente.

Ela devia ser o que? Uns doze, quinze anos mais nova do que eu?

Não sei se foram seus modos ou o jeito que ela apareceu, mas me fez ficar abismado. Completamente sem fala, sem reação. Como se isso fosse característico de minha parte.

Olhei para ela de relance e pude ver o quanto era assustadoramente bonita e singela.

Possuidora de cabelos longos bem negros e brilhosos que chegavam ao meio das costas. Seus olhos eram castanhos-chocolates. A pele branca, mas rosada nas maçãs do rosto, um toque que parecia natural. Não aparentava estar muito maquiada, só notei um discreto batom nos lábios.

Seu corpo era algo que não poderia passar despercebido aos olhos de ninguém. Era atraente, sem sombra de dúvidas. Usava uma blusa verde musgo sem alça bem justa ao corpo assim como a saia alta preta de couro que passava um pouco dos joelhos. Uma sandália preta de salto fino completava a obra.

Ela nem sequer olhou pra mim. Chamou o Barman, que já havia deixado meu Whisky em cima da bancada.

-Por favor, eu queria muito aquele drink colorido que você fez pra mim agora pouco! –ela falou entre risos e sua voz doce saiu soprando. –Desculpe, não sei o nome! Mas, sei que sabe do que estou falando.

O Barman assentiu sorrindo com ela e não demorou a preparar a bebida que ela queria com toda maestria e piruetas possíveis em sua coqueteleira. De lá, para cá, surgiu um drink realmente colorido que eu provavelmente não teria qualquer interesse em experimentar. Por fim, colocou na frente da menina que agradeceu e pôs-se a saborear aquela bebida como se estivesse esperando por aquele momento o dia inteiro.

E, incrivelmente, percebi que a olhava o tempo todo pelo canto dos olhos...

Ela estava mexendo comigo sem nem ao menos ter falado qualquer palavra. Senti-me acuado, sem rumo. Não gostei daquela sensação que ela me causou. Daquele atordoamento gratuito, se é que posso chamar assim.

Pensei em levantar, sair dali o mais rápido que podia. Talvez fosse falta de nicotina aquela angústia.

E assim que me elevei, ela fez o mesmo movimento tão rápido como eu. E adivinhem só... Ela conseguiu entornar aquele drink todo no meu terno novinho... Poderia ter sido em algum Tweed meu que odiava, mas não. Tinha que ter sido no meu terno recém comprado...

É claro que ela arregalou os olhos completamente sem jeito e deu um espasmo com o susto de me ver com a roupa manchada. E eu, devo ter ficado com aquela cara que tipicamente fazemos quando pensamos Não acredito que isso está acontecendo comigo. Pois bem, não sei descrever essa expressão, mas qualquer um certamente a conhece.

-AIN! Que droga! Me perdoa, por favor! Não foi minha intenção. –ela falou rápido como se estivesse desesperada.

-Esqueça. –falei tentando limpar com um guardanapo de pano o estrago que ela havia feito em minha roupa.

Os olhos ao redor pararam em nós por alguns instantes, inclusive os do barman que pareceu abafar uma risada e que teve que sair do recinto para eventualmente não desatar a rir na nossa cara.

-Eu sinto muito, sinto muito mesmo. Me perdoa! –ela lamentou-se de uma forma engraçada. –Eu sou muito idiota, muito desastrada!

Voltei a fitá-la.

E Maldita hora que fiz.

Fiquei perdido. Completamente atônito.

Ela me causou uma sensação esquisita. Tive vontade de fugir e permanecer.

Que asneira, eu sei. Mas ela sempre me causou sensações como essas... E nada que viesse dela parecia ser tão incomum assim. Nada era uma besteira absurda quando se tratava dela.

A misteriosa mulher tentou me ajudar a limpar a mancha com o guardanapo de pano, mas sabia bem que não sairia. Desvencilhei-me dela, pois a cena começara a ficar mais bizarra do que esperava.

-Eu sinto tanto, de verdade. Nem sei o que dizer. –ela falou completamente sem jeito, extremamente arrependida de ter me causado aquele transtorno.

-Diga seu nome. –peguei o guardanapo de pano de suas mãos e coloquei em cima da bancada de mogno a impedindo totalmente de olhar para o estrago em minha roupa.

-Meu nome? –ela indagou sem entender, apontando para si.

-É. –falei como se fosse óbvio. –Você tem um, não tem?

Watanabe. Rin Watanabe... –ela sorriu um tanto encabulada. –Mas pode me chamar só de Rin.

-Rin.

Ela assentiu em confirmação.

-Sou Taishou. Sesshoumaru Taishou. –sorri de forma irônica. –Já que arruinou a minha roupa e agora já sabemos nossos nomes não há mais nada a se feito. A não ser nos sentarmos novamente e conversar.

-Conversar? Quer conversar comigo? –ela riu e seu sorriso, a melhor curva de seu corpo, moveu-se para cima maliciosamente como de praxe. E num tom sarcástico, a marca de seu ser, prosseguiu. –Por que não? Creio estar em dívida para limpar essa minha cara de tanta vergonha...

...

CONTINUA...