EPISÓDIO 12

O cheiro do mar estava mais presente agora do que durante todo o dia.

"Ou pode ser apenas porque estou prestando atenção." Acomodou melhor as duas pessoas em seus braços, puxando a manta para cobrir a cabecinha de Ryuho.

- Não vai demorar, filho. – ele disse baixinho ao ver um bocejo. – Aí nós vamos jantar e dormir. – o garotinho assentiu, observando o sol se aproximando da linha do horizonte.

Era o final do primeiro dia deles em Jeju. E que dia!

Chegaram no primeiro voo e saíram de bicicleta pelas estradas de paralelepípedos e terra batida da ilha. Os cinco decidiram ficar juntos nesse dia e pedalaram sob o sol, com a brisa marítima refrescando e as paisagens dignas de filmes limpando as vistas do concreto de Gangseo-gu. Paravam quando perdiam o fôlego, ou quando encontravam uma praia para colocar os pés na água.

"Nunca estive em um lugar de tanta paz." Quando eles faziam silêncio, só se ouviam as ondas quebrando contra as falésias, o vento assobiando entre a vegetação e as rodas das bicicletas.

Tiraram fotos nos campos amarelos de canola e nas escadas que desciam para as praias. As garotas e Ryuho fizeram poses com as pequenas estátuas dos deuses locais, que vigiavam as estradas. Tentaram a todo custo evitar aglomerações de turistas, mas nos restaurantes e pontos de apoio da pista que circulava todo o litoral de Jeju era inevitável.

- Ainda bem que não é por muito tempo. – Hyoga comentara porque eles demoraram a conseguir uma mesa para o almoço.

Assim que souberam do destino das férias de Shunrei, Eiri e ele pediram para ir, prometendo não ficarem o tempo todo juntos.

- Afinal, nós precisamos de uma lua-de-mel. – Eiri se entusiasmara com a ideia. – E saber que vocês estarão lá será ótimo. Vamos nos apoiar.

"E ela estava certa." Shiryu via o casal sentado um pouco à frente, cobertos por uma manta verde. Havia centenas de pessoas ali na praia de Hyeopjae, em silêncio ou falando aos sussurros.

- A natureza é magnífica. – Shunrei disse baixinho, acariciando suas costas por baixo da camiseta. Os olhos dela refletiam o espetáculo que se descortinava na frente deles.

"Agora eu compreendo porque os Deuses tomaram posse desse lugar." Escolheram se hospedar na maior cidade do sul da ilha, Seogwipo, mais próxima dos parques onde iriam fazer piqueniques e das praias de areias douradas onde iriam se refrescar do calor.

"Ryuho já pegou uma corzinha." Beijou o alto da cabecinha do filho, feliz por ele não ter passado mal com as atividades. Em cada parada, Shunrei o monitorava e ao menor sinal de dificuldade dos pulmões, eles o massageavam com cânfora ou usavam o botijãozinho de oxigênio.

- Olha! – o garotinho exclamou, apontando o dedinho fora do calor da manta.

A enorme bola laranja enfim tocava na linha do horizonte; céu e mar tingiram-se de dezenas de cores: tons de azul-escuro, roxo, lilás, rosa, amarelo e branco. Os arredores ficavam escuros, o foco todo no pôr-do-sol. Shiryu ficou tão emocionado que engoliu várias vezes para tirar o nó da garganta. Sentia que deveria memorizar o máximo daquele momento e seus sentidos estavam todos trabalhando incessantemente para isso.

"Nem que eu viva mil anos me esquecerei desse dia." Da companhia dos amigos, da alegria de Ryuho, do carinho de Shunrei, do calor compartilhado ali na manta. Memorizara a descontração tão rara de Hyoga apostando corrida nas bicicletas, Eiri se esforçando para conhecê-los, a risada de Ryuho ao se surpreender com as ondas molhando suas perninhas, o sorriso de Shunrei posando para as fotos ou a sua voz pedindo cuidado para não pisarem nos pés de canola.

O sol sumira há um tempo quando eles se moveram, extasiados diante da pura Beleza da natureza. Ele viu Shunrei secando uma lágrima e soube que a amaria para sempre.

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O garotinho comia tão rápido que a mulher à sua frente se preocupou.

- Coma devagar ou vai passar mal. – ela estranhava o comportamento dele, jogando o arroz dentro da tigela da carne ensopada, comendo sem parar de olhar de um lado para o outro. – Nós temos bastante comida. – Seiya tocou seu ombro, sinalizando para ela deixá-lo.

- Kouga, - escolheu um tom de voz semelhante ao que Marin usava quando ele era criança e estava desatento. Esperou que os olhos castanhos-claros se erguessem. – ninguém vai roubar a sua tigela. Se acalme. Você está perturbando a srta. Saori. – o garotinho, as bochechas estufadas, virou-se para ela, que sorriu.

Parecia não entender muito bem o motivo de estar ali naquele apartamento, com esses adultos lhe dando comida, roupas e brinquedos. Contudo, ele compreendia os gestos de carinho de Saori. Engoliu o grande bocado.

- Desculpe, senhorita. – disse baixinho, depositando os hashi sobre a mesa. Seiya mordeu o lábio.

- Coma devagar, apenas isso. Olhe. – pegou um pedaço de carne e levou à boca, mastigando calmamente. Sinalizou para Kouga experimentar. – Assim mesmo. Mastigue bem antes de engolir.

O braço esquerdo continuava imobilizado e tinham que trocar regularmente as faixas dos ferimentos nas pernas.

Saori descobrira que ele não tinha nenhum parente vivo. Os pais morreram em circunstâncias ainda não esclarecidas e a vizinha que ficara com ele desde os dois anos o colocara para fora há alguns meses, quando o governo cortou a ajuda de custo que lhe dava. Pelo registro de nascimento, ele tinha sete anos. Eiri a aconselhara a entregá-lo para uma instituição que o encaminharia para adoção, mas Seiya pedira que ela não fizesse isso.

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Ela riu baixinho quando sentiu os dedos retornarem, desbravando muito levemente suas costas, caminho seguido pelos lábios úmidos e quentes. Adorava os arrepios provocados quando ele mergulhava o nariz em sua nuca e lambia seu pescoço. Seu coração ainda tentava recuperar o ritmo sereno e os corpos quentes já se atraíam novamente.

"Longe de mim reclamar." Shiryu não tinha pressa, deixando sua mão apalpar o espaço entre os seios, descendo para a pele fina da barriga e subindo os quadris. A estratégia perfeita para fazê-la ofegar.

Um dos motivos de terem escolhido aquele pequeno hotel foi o quarto duplo. Com a porta de comunicação, podiam deixar Ryuho em um quarto separado e ter a privacidade que queriam. O interessante é que não os impediu de se colocarem o desafio de fazerem o mínimo de barulho possível. No princípio, Shunrei pensou que seria motivo de estresse. Depois de duas noites, descobriu o quanto poderia ser prazeroso.

- Não sei o que é isso. – Shiryu sussurrou. – Assim que eu saio de você, meu corpo reclama querendo tê-la de novo.

Ela se virou, beijando-o enquanto acariciava seu tórax e seus mamilos.

- Seis anos. – falou, sorrindo com a boca na dele. A respiração ficou pesada quando a língua dela encostou nos mamilos e foi descendo pelo abdômen trabalhado, fazendo-o gemer. – Ssshhh. Temos que ser silenciosos.

- Isso é... tortura... chinesa... – foram as últimas palavras que ele conseguiu pronunciar antes da respiração mudar mais uma vez, completamente entregue às mãos e à boca dela.

Nos dois dias em Jeju, a estratégia de passear bastante durante o dia funcionara bem. Assim que tomava banho, Ryuho se encostava em algum deles e dormia a noite toda.

Na cabeça de Shunrei, essa semana não deixava de servir como um teste para saber como ela agiria estando 24 horas por dia com eles. Viera disposta a tirar o melhor de cada situação, seja dos três, seja dela com algum dos dois. Ela se afastava em algumas ocasiões, para deixar os dois com os assuntos de rapazes. Estavam costurando uma cumplicidade especial, nesse intensivo de convivência familiar.

Quando Shiryu não suportou mais ser torturado, ergueu o tronco e virou o jogo. Seu peso forçou-a a deitar e ele olhava dentro dos olhos dela enquanto seus dedos a exploravam e tocavam. Shunrei se contorceu e ele a segurou, os seios roçavam no peito dele, os olhos verdes a hipnotizando. Quando ela começou a gemer, ele tapou-lhe a boca com a sua.

- Silêncio. – ela ouviu de muito longe, seu corpo contraindo e retesando de encontro ao dele. – Calma, devagar. – a fez tremer quando diminuiu o ritmo.

Shunrei constatara desde o início do namoro que não sabia a diferença entre fazer sexo e fazer amor. Sexo a satisfazia e ela acreditara que os encontros intensos eram o que havia de melhor. Sua primeira relação com Shiryu não a surpreendera, afinal, era o que se acostumara a ter com Julian. Tudo mudou quando ele pediu desculpas e se ofereceu para fazer amor. A disposição de dar prazer ao outro e terem prazer juntos, atentos e pacientes, aprendendo onde e como tocar, a troca de almas pelos olhos intrinsecamente conectados, o entendimento profundo do outro; isso ela só tivera com Shiryu.

- Vem. – ela sussurrou, puxando-o pela nuca. Os cabelos espessos e cheirosos caíram em volta deles. Shunrei ajeitou o quadril com o dele, conhecendo o ritmo dos dois. Chamou seu nome quando as ondas de prazer batiam em todos os cantos do seu corpo, pequenas descargas elétricas chegando quentes em seu cérebro. Sensação de que desfalecia, mergulhando nele. Amparou-o ao senti-lo unido a ela, corpo, mente e coração.

No silêncio da noite, as respirações, os corações e, lá longe, as ondas do mar.

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Aiolia mostrava os vídeos no seu notebook, os três na mesa do restaurante do hotel.

- Esse foi enviado por Camus.

Dois lutadores estavam no que parecia ser um ringue de terra batida. Ao redor, a plateia gritava nas arquibancadas de madeira.

Um dos lutadores era bem alto e musculoso, a pele escura à mostra, pois ele estava vestido apenas de uma calça branca escura bem colada às pernas grandes e fortes, a cabeça careca. O outro lutador estava à sombra do grandalhão, com a coluna ereta. Esse homem vestia uma calça jeans preta e, apesar de magro, tinha os músculos bem definidos. Sobre os cabelos azuis-escuros ele usava o que parecia um arranjo feito de resina ou ossos, que se curvavam sobre seu rosto como duas presas. Os dois homens rodeavam a arena, mantendo distância. Uma espécie de rabo feito de nós de cordas grossas acompanhava os fios longos até o meio das costas, terminando em uma ponta de metal que brilhou quando a câmera o filmou por trás.

- Nunca vi nada parecido. – a expressão de Seiya era de surpresa e estranhamento. – E a postura dele é tão exótica quanto a decoração. – ele se mantinha com as pernas afastadas e as mãos em posição defensiva, mas os dedos indicador e médio da mão direita permaneciam em riste, suas pontas pintadas de vermelho.

O grandalhão tentava agarrá-lo, sem sucesso. Ele era rápido na movimentação.

- Viram? – Shun apontou o borrão onde devia estar a mão dele. – É a 7ª vez que ele acerta algum ponto apenas com os dois dedos.

Era um vídeo curto, que eles assistiam pela 3ª vez. Após acertar o corpo do adversário 15 vezes, o homem alto simplesmente caía desacordado.

- Camus já havia me falado desse cara. – Aiolia afirmou. - Eles se conheceram em Vladivostok.

Os outros vídeos Dohko enviara na noite anterior.

No primeiro, o homem de cabelos lilases, que nas fotos parecera tão pacífico e sereno, nocauteava seu adversário, desferindo golpes tão rápidos que seus punhos pareciam raios de luz.

- Parece que ele cria um escudo de ar em volta de si. Impressionante! – Seiya exclamou. – Não gostaria de enfrentá-lo.

Ele esperava o oponente atacar, erguia a mão direita para o céu e o acertava com uma efetividade assombrosa. Os olhos cinza-escuros permaneciam serenos todo o tempo.

No segundo, o loiro alto lutava de olhos fechados, depois de iniciar a luta em posição de lótus. Segura os punhos do adversário e o atirava longe, não permitindo que se aproximasse o suficiente para acertá-lo.

- Isso são mudras (1)? – Shun perguntou, vendo as posições das mãos dele antes de cada golpe. Aiolia confirmou.

Quando ele se cansava da brincadeira, abria os olhos azuis e acertava o oponente no meio do peito, atirando-o longe.

- Acho que já temos os candidatos que procurávamos. – Aiolia olhou para os dois e riu das expressões de espanto.

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- Ryuho, cuidado para não cair! – Shiryu exclamou para o garotinho que ia à toda velocidade olhar de perto o riacho.

- Será que é melhor deixá-lo só de roupa de banho? – Shunrei perguntou, terminando de prender a toalha com os quatro potes de comida. Sorriu ao ver Ryuho caminhando com cuidado entre as pedras e agachando-se na beira do curso de água estreito.

O almoço seria em um dos diversos parques entre Seogwipo e Seongsan Ilchulbong, o imenso platô elevado formado por erupções vulcânicas que era a marca registrada de Jeju e o melhor lugar para assistir ao nascer do sol. Depois de acordarem de madrugada para testemunhar outro dos espetáculos da natureza da ilha, passaram a manhã em uma praia com diversas piscinas naturais, ideal para crianças.

- Incrível como ele consegue fazer amizades facilmente. – Hyoga comentou, distribuindo as zabuton em volta da toalha. Estava com a pele dourada do sol. – Lá na praia foi a mesma coisa. – via o garotinho começando a conversar com outras duas crianças, cujas famílias tiveram a mesma ideia de comer em meio à vegetação exuberante.

- A água está fresquinha, uma delícia. – Eiri informou, voltando depois de molhar o rosto e os braços. Seus cabelos estavam mais claros e a pele muito morena. Shunrei reparara como a expressão dela estava mais serena e relaxada.

"Acho que estávamos todos precisando dessa injeção de energia." Ela própria sentia sua vitalidade renovada com o sol, os mergulhos no mar, o ar perfumado de terra úmida e as cores brilhantes de Jeju. "Nunca andei tanto, a pé ou de bicicleta, nem tive tanta atividade noturna e mesmo assim minha energia só aumenta!"

Os cinco estavam passando o dia juntos, depois dos três em que fizeram passeios independentes.

- Gostaram do Jeju Loveland? – Shunrei perguntou, servindo suco de uma espécie de laranja típica da ilha, que se tornara presença garantida nas refeições.

- Bem... – Hyoga ficou com as faces rosadas e Eiri tentou não rir. – Foi educativo, não foi? – olhou para a esposa.

- Muuito educativo! – Eiri usou o copo de suco para esconder os lábios risonhos. – Gente, quem já viu afrescos gregos e romanos tira de letra, mas o Hyoga ficou tímido.

- No início! – ele suspirou, um esboço de sorriso aparecendo. – Pega a gente de surpresa. No final, foi divertido. – Shiryu ergueu as sobrancelhas.

- Vocês tiraram fotos? – Eiri confirmou, passando o celular para eles. – Estou vendo a diversão na sua cara, Hyoga. – Shiryu riu com a expressão do amigo fingindo-se de indiferente e envergonhado ao mesmo tempo nas selfies que Eiri tirara.

- Que coisa interessante! – Shunrei tomou o celular da mão dele, ampliando a imagem. – Nós vamos tentar isso! – afirmou, mostrando para o namorado, que corou furiosamente. As duas riram e os respectivos pares ficaram mais encabulados. – Parem de ser bobos, vocês dois!

- E vocês, onde foram? – Eiri ajeitou os cabelos num coque, tirando-os do rosto. – Pensamos que nos veríamos por aí.

- Vimos algumas cachoeiras. Tem uma enorme perto daqui. Quando está quente, dá para entrar. – Shiryu indicou o caminho. – Em uma das noites, fomos ver as estrelas no alto do Hallasan, com um guia e um telescópio!

- Estava fazendo um friiiooo, mas foi ótimo! – Shunrei comentou, observando Ryuho correndo com as crianças. – Conseguimos ver Saturno, algumas galáxias, Antares. Os dois ficaram tão empolgados que conversaram até de madrugada.

- De resto, caminhando bastante, visitando alguns museus e procurando praias mais calmas. Ryuho adora água. – Shiryu levantou-se para ir conversar com outro pai, que chegava perto das crianças brincando.

- E vocês? – Shunrei perguntou, ajeitando a alça do maiô no vestido rosa leve que usava. O casal se olhou antes de responder em uníssono.

- Praia e trilhas!

- A Eiri estava com saudades do mar.

- O Hyoga é maluco por subidas.

- Ela vira de um lado para o outro na espreguiçadeira a manhã toda.

- Acho que nós já subimos todas as escadas dessa ilha.

Os dois disseram ao mesmo tempo e riram.

- Está sendo indescritível. Com licença, damas. – Shiryu o chamou com um aceno. Shunrei entregou dois copos grandes de suco para ele levar.

- Primeira vez que ficamos sozinhos, amiga. – Eiri esperou-o se afastar. - Só nós dois. – Shunrei viu os olhos claros sorrirem. – Tem sido esplêndido! Finalmente, estamos nos abrindo, nos conhecendo sem pressão de treinos, toda hora alguém chegando, sempre tendo algo para resolver. Estou descobrindo tantas coisas sobre ele e tenho procurado ser honesta também. Aqui estamos conversando, construindo nosso futuro.

- Fui eu que propus viajarmos juntos. – Shunrei disse. – Depois fiquei muito ansiosa. Eu não tinha pensado direito: 24 horas por dia com os dois! – Eiri balançou a cabeça enfaticamente. – Olha, os nossos laços estão ficando cada dia mais fortes. É como você disse, aqui estamos podendo olhar para o outro sem interferência. – sorriu travessamente.

– E na cama...! – Eiri exclamou baixinho, revirando os olhos e mordendo o lábio. - É por isso que chamam de lua-de-mel! No seu caso ainda não. Quando vocês se casarem, exija uma outra viagem. – sugeriu para Shunrei, que abafou um riso. – Nós ficamos com Ryuho para vocês. – piscou um olho.

- Não posso reclamar. – Shunrei corou, sua vez de morder os lábios. – Tem sido um sonho, em todos os sentidos.

- Só de olhar para você a gente percebe, Shu. Aquele vinco que tinha aqui? – Eiri passou a mão entre as sobrancelhas. – Sumiu. E os seus ombros não estão mais tensos. Sei que você ama o seu trabalho, mas tenho que te dizer que agora você está brilhando. – Shunrei suspirou.

- Três anos sem férias.

- Nunca mais faça isso! – Eiri enfatizou as palavras. – Você mora perto de um paraíso desses e não aproveita. Percorre o mundo todo e não curte. – a amiga olhou para os três homens, conversando agitados. - Depois dessa semana, repara como a sua vida melhora e você nunca mais vai querer ficar sem férias.

- Já consigo notar a diferença. – Shunrei sorriu para ela. – Está sendo uma revolução na minha vida.

- Aproveitemos as revoluções! – Eiri brindou os copos de suco. – Você reparou naquele bosque de cerejeiras? – apontou para trás de Shunrei, além das árvores verdes sob as quais estavam. – Belas!

"Como não as vi antes?" Eram umas 30 árvores, as copas carregadas de flores de vários tons de cor-de-rosa e o chão começando a espelhar as mesmas cores.

- Uau! – Shunrei exclamou, vendo as milhares de flores um pouco distantes de onde elas estavam. A brisa trouxe o perfume. – Vamos lá? – virou-se para os rapazes e sinalizou para Shiryu, apontando as árvores e pedindo para eles cuidarem do piquenique.

Havia outras pessoas caminhando entre as cerejeiras altas. Era uma clareira um pouco abaixo do terreno ao redor. Quando elas entraram no bosque, o som onipresente do mar pareceu abafado. Shunrei tocou nos troncos escuros, reverente.

- Sempre passei por elas no parque, a caminho do hospital, e só vi de longe. – murmurou, como se falar alto quebrasse a harmonia do lugar. Caminhou mais para dentro. Os raios do sol entravam pelos espaços entre as flores, criando uma atmosfera rosa e dourada, acolhedora. - São maravilhosas! - Estendeu as mãos para pegar as pétalas que caíam, levando-as ao nariz.

- São a companhia perfeita para você, então. – o coração dela acelerou ao ouvir a voz atrás de si. Shiryu estava sério, os olhos verdes concentrados nela. Ela sorriu, indo até ele.

- Eu não tinha reparado nelas quando entramos no parque. – viu os lábios estremecerem, tentando sorrir sem conseguir. – Aconteceu alguma coisa? – reparou que ele mexia as mãos dentro dos bolsos da calça jeans. – Você está bem, Shi? – tocou o rosto, medindo a temperatura. Sentiu o coração dele batendo loucamente ao encostar a mão no peito por cima da camisa azul-clara.

- Só estou nervoso. – ele respirou fundo, expirando devagar. Shunrei arregalou os olhos. – Eu iria fazer isso num jantar romântico, do jeito convencional. – ela piscou seguidas vezes, sem deixar de encará-lo. – Aí você veio para cá, embaixo dessas cerejeiras tão convidativas. – o rosto dela ardia e toda a cabeça formigava.

Shiryu chegou bem perto e tirou do bolso um saquinho de veludo vermelho. Dentro dele, isso mesmo, duas alianças de ouro: uma lisa e outra cravejada de pequenos brilhantes. Shunrei engoliu uma dezena de vezes, os olhos se afogando em água salgada.

- Aceita? – Shiryu perguntou, a voz sumindo. Sentia seu corpo todo vibrar, o sangue voando rápido em suas veias. Assistia a expressão dela mudar da preocupação com sua saúde para o espanto e agora os olhos azuis estavam grandes como pires. – Não vai falar nada? – ele contraiu os lábios, subitamente inseguro pelo silêncio prolongado. - Eu falei que queria ir devagar com voc... – ela ergueu a mão direita, gelada e trêmula.

- Claro, seu maluco! – exclamou, um riso envergonhado quando as mãos geladas e trêmulas de ambos colocaram as alianças um no outro. – Você me pegou completamente despreven... Ui!

Shiryu a suspendeu no colo, rodando com ela e as pétalas de cerejeira. Shunrei apoiou as mãos em seus ombros, toda a sua atenção focada no homem cujos olhos nem piscavam. Viu, no canto do olho, Eiri e Hyoga fotografando os dois e Ryuho ao lado dos adultos.

- Seu senso de oportunidade é único no mundo, sabia? – ela encostou a testa na dele. Shiryu mexeu a cabeça numa carícia, o sorriso nunca abandonando seus lábios. Shunrei se inclinou para beijá-lo. – Não quer me colocar no chão?

Dentro dele havia um festival de emoções concorrendo para ver quem tomava a frente. A principal candidata era a felicidade pura e absoluta, seguida de perto pela vontade de pular e gritar e o impulso de rodar com ela por horas e horas. Todo esse entusiasmo ele investiu em puxá-la para um beijo quente, que deixou os dois muito vermelhos.

- Sei que eles estão filmando e fotografando. – murmurou para ela, que riu em seus braços. – Daqui há dois minutos, vai estar em todos os celulares.

Shunrei se afastou um pouco, pegando sua mão para voltarem.

- Se você aceita a minha vida, eu aceito a sua. – ela declarou casualmente.

Viram Ryuho correr, atirando-se nas pernas do pai, apertando muito forte. Os dois se assustaram. Shiryu falou com ele, que não quis soltar.

- Preciso saber o que está acontecendo, filho. – não queria forçar os bracinhos a soltarem. – Papai quer conversar com você.

Shunrei viu a confusão dançando nos olhos de Shiryu. Olhou ao redor, pensando.

- Ryuho. – chamou, ajoelhando-se ao lado do garotinho. Ele escondeu o rosto entre as pernas do pai. – Ryuho, você pode me ajudar numa coisa? Tenho uma pergunta que só você pode responder. Posso falar no seu ouvido? – ela se aproximou e cochichou para ele. – Eu gostaria muito de saber a sua resposta.

Shiryu sentiu as mãozinhas afrouxarem, vendo Ryuho se virar para Shunrei, os olhinhos azuis inquiridores. A mão dela colocou alguns fios atrás da orelhinha ficando vermelha e ela assentiu, esperando a reação do garotinho. Ele cochichou para ela, fazendo-a rir com a voz embargada.

- É uma honra para mim, meu pequenininho. Posso abraçar você? – ele balançou a cabecinha, entrando no meio dos braços dela. O coração de Shiryu batucava em todos os lugares. – Vem, vamos almoçar. – Shunrei se ergueu e os três voltaram para onde estavam os amigos.

- O que ela perguntou para você, Ryuho? – o pai quis saber, a mãozinha perdida na sua.

- A srta. Shunrei perguntou se eu quero que ela seja minha mamãe. – Shiryu engoliu em seco, buscando o rosto dela, que piscou um olhar emocionado.

- E o que você respondeu, filho?

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(1) Mudras: do sânscrito, significa gesto das mãos, símbolos capazes de guiar o fluxo de energia para áreas específicas, purificado e equilibrando as emoções e os pensamentos. Funcionam estabelecendo uma conexão direta entre o corpo físico, a mente e o corpo energético. No caso do nosso querido "vocês já sabem quem", a conexão é entre Corpo – Mente – Cosmo. =)

JEJU, conhecida como Ilha dos Deuses ou Ilha do Amor coreana, fica ao sul da península. Procurem sobre ela no site WikiTravel em inglês. As imagens são MARAVILHOSAS! Quando visitar a Coréia, com certeza vou tirar alguns dias para esse lugar mágico e que fez tanto bem aos nossos queridos personagens. Eles estavam precisando dessas férias, não acham?

Jeju Loveland é um parque temático com o tema sexo. Várias esculturas explícitas. Imagina nosso Hyoga passeando pelas ameias de um lugar assim... rssrss!

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Olá!

E esse pedido de casamento, hein? Eles estavam precisando dessas férias, mesmo curtinhas. Enquanto isso, em Gangseo-gu, a vida não pára. O que será que vai acontecer agora? Tem gente chegando, transformando relacionamentos, aprendendo e se descobrindo.

Me contem as expectativas de vocês!

Beijos e até o próximo episódio!

Jasmin Tuk