EPISÓDIO 15
Shunrei tocou o cotovelo de Saori e as duas foram até onde eles estavam.
Shiryu soltou os braços de Taeko, girando o corpo para elas, seu rosto queimando de raiva. Passou a mão na boca para limpar o batom.
- Shunrei, eu... – os dedos dela deslizaram entre os seus. Passou o dedão em seus lábios antes de beijar o cantinho deles.
Um sorriso rápido passou pelo rosto dela, querendo tranquilizá-lo.
– Olá, srta. Sato, meu nome é Shunrei Nishi, sou noiva de Shiryu. – a expressão séria e o olhar sereno.
- Taeko Sato, sou a mãe de Ryuho. – Shiryu sentiu sua paciência evaporar.
- Não, não é! – ele afirmou, categórico. – Você abdicou desse papel quando o abandonou e alienou completamente da sua vida. Não use meu filho como desculpa para o seu comportamento. A mãe de Ryuho, que está com ele todos os dias, cuidando e educando, é a Shunrei. – Taeko fez uma careta de desgosto.
- Isso nós ainda vamos ver. – ela recuperou a postura altiva, erguendo o queixo para eles. – Não se esqueça do que conversamos. Eu quero conhecê-lo. Você não pode me negar isso.
- Eu sei quem está puxando as cordas, Taeko. – ele também endireitou a coluna, embora a voz não se alterasse como a dela. – Enquanto você não estiver disposta a amadurecer, não temos mais nada a conversar.
- E agora que você falhou no que lhe pediram, não tem mais nada a fazer aqui. – Shunrei completou.
- Quando eu crescer, quero ser como vocês. – Saori comentou quando a mulher empurrou os três e bateu a porta de ferro da saída de emergência.
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O dia ensolarado convidava a passeios nos parques às margens do rio Han. E foi o que eles fizeram. Fora um esforço tirarem um dia no meio da semana, mas era o único possível antes da viagem de Shunrei e do Campeonato. Após súplicas e pedidos encarecidos a Dohko, Aiolia e Marin e reorganização das agendas das duas damas, começaram a manhã numa das piscinas públicas. Ryuho puxou Kouga para caírem na água, fazendo Shiryu e Seiya se apressarem atrás dos dois.
"Incrível como eu precisei de uma família inteira para poder aproveitar a vizinhança." O pensamento fez Shunrei sorrir da visão dos quatro jogando água uns nos outros, enquanto se acomodava ao lado de Saori para aproveitarem a luz do sol.
- Eu estava precisando disso. – Saori comentou, esticando o corpo, sentindo as articulações estalarem. – Foi uma semana complicada. – ajeitou os óculos escuros, cruzando as pernas para se sentar de frente para a amiga. – Vai ser a primeira competição deles onde estaremos como patrocinadores e os anteriores ainda aparecerão também... Estou ansiosa. – Shunrei assentiu, mostrando que compreendia. – Além disso, tem a questão de Kouga e como isso vai afetar o nosso relacionamento. – Saori sacudiu a cabeça, fazendo os curtos cabelos lilases esvoaçarem com a brisa morna. – E como o patrocínio vai afetar o nosso relacionamento... Aliás, como tudo vai afetar esse bendito relacionamento. – Shunrei mordeu os lábios.
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- Aquelas garotas não param de olhar para a gente. – Seiya estava encostado na borda da piscina, marcando até onde Ryuho e Kouga podiam nadar sozinhos. Shiryu olhou para onde ele indicara com o queixo e viu três jovens animadas, sentadas na borda.
- Seiya... – o tom de leve repreensão. – Pare com isso. – Shiryu estava de costas para elas, no meio da linha traçada por eles para delimitar a área rasa, os cabelos suspensos por um rabo de cavalo alto.
- Só estou comentando! – o amigo ergueu as duas mãos, se defendendo. – A sua tattoo continua fazendo sucesso. – Kouga veio nadando com dificuldade e apoiou-se nele, rindo e cuspindo água. – Cuidado para não engolir a água, ok? – o ruivinho assentiu, sendo puxado por Ryuho, que se aproximara em silêncio para dar o bote.
- Você tem conversado com Saori? – Shiryu esperou os meninos se afastarem para perguntar. – Pensei que vocês dois estivessem namorando a sério. – viu as faces do amigo enrubescerem.
- Nós estamos, ué. – Seiya fez uma careta. – Já sei o que você vai dizer e pode parar com o sermão, eu não estou fazendo nada demais. – Shiryu observou Ryuho sair da piscina para pular da borda.
- Talvez esse seja o problema.
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- Você tem conversado com Seiya?
- Ele está completamente focado no Campeonato. Quando coloca alguma prioridade na vida, todo o resto perde a importância. – o suspiro de Saori fez Shunrei erguer as sobrancelhas.
- Faltam poucos dias. – Shunrei riu de Shiryu e Seiya atirando os meninos de um para o outro. As risadas das crianças chegavam aonde elas estavam. – Aproveite para ir conhecendo os dois, deixe que eles a conheçam de verdade, Saori. Por trás da mulher de negócios e da salvadora de órfãos. Esse tempo é precioso para vocês, porque depois precisarão tomar decisões muito mais importantes.
- Shiryu contou a conversa que tivemos? – a amiga confirmou. – Ele puxou minhas duas orelhas. – os olhos de Shunrei sorriram.
- Ele faz essas coisas.
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- Lembra da nossa primeira conversa sobre a Saori? – Ryuho e Kouga recuperavam o fôlego depois de servirem de bolas de pingue-pongue, sentados na parte mais rasa da piscina. Os dois adultos trocaram de lugar e Shiryu pôde ver as três jovens com clareza agora. Duas pareciam tristes por não poderem vislumbrar mais o dragão. "Elas realmente estão nos paquerando." – Eu perguntei o que você estaria disposto a fazer por ela. – Seiya confirmou, flutuando na água, deixando apenas a cabeça de fora.
- Não consigo fazer mais do que já estou fazendo, Shiryu. Você sabe como eu sou. O Campeonato é a minha prioridade agora.
- Do que você tem medo, Seiya? – ele viu as sobrancelhas do amigo subirem e depois franzirem. Era a reação que esperava. Seiya era muito passional e essa indecisão não era própria da sua personalidade. – Você é rápido em analisar os adversários no tatami, mas não está fazendo o mesmo com suas atitudes aqui fora.
- Tudo ficou mais complicado agora. – apontou Kouga com os olhos. – É uma responsabilidade enorme. – Shiryu cruzou os braços, escolhendo sua expressão de dar bronca em Ryuho.
- Estou surpreso. Não sabia que além de medroso você tinha se tornado covarde. Desde quando você deixa uma situação como essa se prolongar desse jeito? Não estou te reconhecendo, meu amigo.
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Saori ficou em silêncio e Shunrei sabia que ela estava tentando controlar aquela parte, ainda forte, acostumada a satisfazer todos os seus desejos no momento que surgiam. Essa determinação era uma fortaleza da amiga, embora, em exagero, se tornasse sua principal fraqueza. Agia sem pensar, desencadeando consequências que, até o momento, o dinheiro tinha solucionado.
"Pelo menos ela compreendeu que nenhuma fortuna no mundo vai salvá-la dessa vez."
Depois da piscina, foram passear de caiaque no Han e foi a vez de Saori acompanhar Shiryu e as crianças.
- Se eu forçar demais o pulso, não vai ser bom. – Seiya comentou, sentando-se ao lado de Shunrei no banco em frente ao píer dos barquinhos. – Acha que eles ficarão bem?
- Vão, sim. – ela franziu a testa para o punho que o amigo girava. Se ofereceu para examiná-lo, tirando a faixa que ele sempre tinha nos pulsos e antebraços. – Está um pouco inchado mesmo. Está doendo? Quer ir embora? – ele negou. – Vou apertar alguns pontos que o acupunturista da minha equipe me mostrou para diminuir o inchaço. Localizou e apertou as partes doloridas, liberando o fluxo normal de energia na mão e no braço, cotovelo e ombro.
- Você não ficou com receio, Shunrei? – ela piscou para ele, sem entender. – Quer dizer, você parou para pensar no que significaria entrar na vida de Shiryu, com Ryuho? – os olhos azuis se arregalaram e ela permaneceu em silêncio, executando as manobras.
- Vamos esperar 15 minutos e ativar novamente os pontos. – ela viu expectativa no rosto do amigo. – Se eu disser que é tudo natural para mim, estarei mentindo... - molhou os lábios secos com a ponta da língua. – Um namoro que já começa com uma carga tão grande. Só se eu fosse louca para não ter medo. – pensou um pouco, vendo o caiaque subindo o Han em direção à ponte feita para as Olimpíadas, que à noite se iluminava no espetáculo de cores que eles planejaram ver hoje. – Mas, de alguma forma, o medo veio junto com o desafio, com a curiosidade, com o interesse, com o carinho. Não são vocês lutadores que usam o medo para se impulsionar? Veja o que vem junto com ele dentro de você e vai descobrir se é um medo de alerta ou um medo antes de se dar o primeiro passo rumo a algo novo e desafiante.
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- Tudo bem aí? – Saori perguntou quando eles se afastaram na margem e o caiaque sacudiu perigosamente. Cada adulto sentou-se numa ponta e os meninos receberam um remo cada, para usarem em lados opostos da embarcação.
- Tudo sob controle. – Shiryu afirmou, usando seus dois remos para impulsioná-los para subir um pouco o rio.
Ela se virou para acenar para os dois em terra e viu o exame do pulso.
- Será que não é melhor voltarmos?
- Não, srta. Saori! – Kouga se espantou com a sugestão. – Vamos até a ponte, por favor.
- Não é longe, senhorita. – Ryuho apoiou o pedido. – Por favor, temos só uma hora para usar o barco.
- Pode ficar tranquila. Ele não está sentindo dor. – Shiryu garantiu, instruindo os meninos a remarem também. – Nós exageramos um pouco na piscina, aparando esses dois sacos de arroz tantas vezes. Além disso, acredito que eles estejam precisando desse tempo. – ele piscou para a amiga, fazendo as crianças gritarem ao sacudir o caiaque até as bordas encostarem na água.
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Àquela hora só os dois corriam pelas pistas do Parque Hen Ju. O ar condensava ao sair dos pulmões, embora eles não sentissem o frio que a neblina denunciava devido aos agasalhos e à atividade física.
- Para a quadra. – o Mestre instruiu, aumentando o ritmo das passadas.
Desde que retornara, Dohko o fazia levantar às 4 da manhã para começar os treinos. Cortara pela metade a perspectiva inicial de Shiryu retornar a competir profissionalmente, exigindo que ele estivesse pronto em seis meses. Também alterara a dieta do discípulo, instituindo horários rígidos para alimentação, ajustando a parte da tarde com o almoço, que permanecia sendo no Hospital Graad.
- Dez minutos assim. – Shiryu subia e descia em zigue-zague as arquibancadas. – Se diminuir a velocidade, serão vinte. Estava ansioso para te fazer treinar até perder completamente as forças! – Dohko estava muito animado.
Duas horas de aquecimento pela manhã. Voltavam para levar Ryuho e tomar café da manhã, que Shunrei deixava preparado. Mais quatro horas nos equipamentos do parque, que ficava ao lado da nova escola do garotinho.
- Ela realmente gosta de nos alimentar. – Dohko comentou em uma das pausas rápidas para alimentação, abrindo uma das garrafas térmicas com sopa, que começou a comer com o arroz de jasmim. – E embarcou na sua dieta. Viu como os chineses de Rozan são uma excelente influência na sua vida? - Shiryu sorriu.
- O destino é inexorável. – comeu em silêncio, apreciando a companhia de seu Mestre, feliz pela confiança recém reatada.
O treinamento rigoroso fazia seu corpo protestar, acostumado a ser pouco exigido durante anos.
"Sinto que estou quebrando o casulo onde me coloquei." Era bom ouvir novamente os comandos de Dohko, seus conselhos e suas observações. "Nós temos visões diferentes sobre tantas coisas e mesmo assim suas palavras me mostram o caminho."
- Mestre, o senhor acha que conseguirei retornar no próximo semestre? – Dohko guardava os utensílios do lanche na bolsa térmica.
- Se continuarmos nesse ritmo, sim. Talvez um pouco depois, se vocês mantiverem a data do casamento. – sorriu das faces rosadas de Shiryu. – Em que você está pensando? – conhecia aquele jeito de olhar que estava planejando algo.
- Em como faremos quando o restante da equipe voltar para o Japão. – o Campeonato começaria dali há três dias e o ginásio já estava praticamente desmontado, permanecendo apenas o mínimo para os lutadores que iriam participar continuarem os treinos. – O senhor vai permanecer aqui?
- Não vejo motivos para partir. Não seria a primeira vez que uma parte da equipe estaria em outros lugares. Camus e Marin estiveram anos fora com Hyoga e Seiya, em Vladivostok e em Atenas. – sinalizou para Shiryu começar a se reaquecer. – Conversei em alguns dojos e há possibilidade de alugarmos por algumas horas. Agora que temos patrocínio mais confiável, podemos até ir à Tóquio se houver necessidade. – Shiryu assentiu, focando a mente no próximo exercício.
Banho tomado, os dois seguiam para o Hospital.
- Olá, senhoritas. – Dohko cumprimentava as enfermeiras que insistiam em encará-lo nos corredores, talvez pelos rebeldes cabelos castanhos, a pele bronzeada ou pelo leve sorriso que parecia perpétuo em seu rosto.
Diferente de Shiryu, ele era extrovertido e conversador, com riso contagiante. Shunrei lhes contara que ele fazia cada vez mais sucesso no refeitório, a ponto de algumas médicas terem alterado o almoço para o mesmo horário que ela.
- Cada dia mais cheio isso aqui. – Dohko observou da fila, cumprimentando duas médicas que observavam de uma mesa. – E florido.
- Aquelas duas nunca falaram comigo. São de outro departamento. – Shunrei mordia os lábios, tentando não rir. – Anteontem, vieram me perguntar sobre o meu horário. Quero ver o que farão nos dias que vocês não vierem.
- Talvez a gente venha mesmo na sua ausência. – Shiryu provocou, levando um tapa no ombro. – A comida aqui é boa, pouca gordura, balanceada. – ela emitiu um som irônico.
- Que bom que está fazendo novas amizades, Shunrei. – o tom dele era de um professor aprovando. – Parecem ser boas garotas. Por que não sai com elas de vez em quando? Vocês dois precisam parar de ser tão rígidos. Existem momentos para tudo na vida. O horário das refeições é para expandir nossos horizontes. Ah, olha quem está chegando! – cumprimentou o dr. Lee Kang com entusiasmo. Os dois saíram alguns dias depois do expediente e estavam se tornando amigos rapidamente.
Shiryu conhecia seu Mestre o suficiente para saber que ele estava fazendo mais que amizades ali. Estava não apenas conhecendo o mundo de Shunrei como fortalecendo-a ao apoiá-la, protegê-la e guiá-la.
"Ele já a ama."
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- Mais uma vez! – o tom de autoridade de Marin sempre o impressionara.
Ouvia no outro tatami Dohko incentivando as duas duplas de rapazes a executarem os movimentos de arremesso e rolamento alternadamente.
"Eles são melhores do que nós nessa idade."
- Não se distraia, Dragão! – sua oponente exclamou, pinçando suas pernas com as dela e torcendo o corpo para fazê-lo cair. Shiryu conseguiu se manter de pé jogando o corpo para o lado oposto, segurando Pavlin pela cintura e a forçando a soltá-lo antes de atirá-la ao solo.
- Você melhorou muito. – ela aceitou a mão que ele lhe ofereceu. A última vez que vira as filhas de Aiolia e Marin, havia uma tensão crescente na família. O debate sobre o futuro delas estava no auge.
- Ainda vou te derrubar, Shiryu. – os cabelos loiros de Pavlin soltavam do coque, apontando para todos os lados.
- Primeiro precisa aprender a prender os cabelos. – ele provocou, balançando as madeixas, longas como as dela, firmemente presas no rabo de cavalo.
Pavlin ofereceu um sorriso amarelo. Então, puxou mais forte a mão do oponente, tirando seu equilíbrio e dando uma rasteira.
- Não baixe a guarda! – ela exclamou, a postura semelhante à da mãe, postando-se em cima do peito dele, prendendo seus braços com as pernas.
Ouviram as palmas de Marin.
- Muito bem, pessoal! Final do treino. Vamos organizar tudo antes de sairmos. Podem descansar por agora. Lembrem: sauna às 17 e reunião às 19 horas no salão do hotel!
Aiolia, que estivera treinando com Yuzuriha no mesmo tatami, se aproximou quando as irmãs foram ajudar a mãe a guardar os equipamentos nas caixas.
- As duas estão muito acima da média para a idade delas. – o comentário de Shiryu fez o sorriso do grego aumentar. – E parecem estar se empenhando muito para conseguirem suas próprias constelações.
- Sim, acredito que depois do Campeonato elas possam se tornar Amazonas. – Aiolia as observava com carinho. - Contudo, elas precisam continuar os estudos. – Shiryu apertou os lábios. – É um universo muito atraente para os jovens, nós somos provas disso. Mas cabe a nós insistir com eles a não fecharem outras portas.
- Cada dia entendo mais vocês dois. – eles se juntaram para empilhar as caixas, deixando o material pronto para ser despachado de volta a Tóquio pela transportadora. – Estou pensando como será quando Ryuho conhecer Régulus. – Aiolia soltou uma risada abafada.
- E você, como está? Quase não tivemos tempo de conversar nas últimas semanas. – Shiryu indicou onde deveriam colocar uma caixa grande de cordas e faixas.
- Fazendo planos! – a exclamação fez a expressão do amigo suavizar. – A minha vida está ganhando impulso, movimentando-se. – ele parou um pouco, observando os quatro garotos que estreariam amanhã seu primeiro campeonato internacional. – Quando eu tinha a idade deles, só pensava em ser forte para me proteger. Como se saber lutar e ter músculos fosse me proporcionar a vida que eu sonhava. Depois do bicampeonato, pensei que tinha chegado ao topo do mundo. Agora, descobri o que realmente é ser forte.
- Tem muito pouco a ver com o físico, não é? – Aiolia apontou para sentarem um instante.
- Vocês aí, - Marin chamou, acompanhando as filhas para os vestiários. – não demorem, ok? Shiryu, você vai conosco para a sauna?
- Não, Marin, agradeço o convite. Esse momento é para vocês que lutarão. – ela assentiu, sumindo no corredor. – Pode parecer brega, mas tem a ver com Amor. – ele continuou, sério. - Ser forte significa amar muito e estar lá para quem se ama. – Aiolia sorriu, cúmplice.
- Finalmente você entendeu, Shiryu. – a voz de Dohko atrás dele o fez pular na cadeira.
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- Agora você entendeu? – ela observava os olhinhos do filho comparando a caligrafia dela com a sua própria. – Quanto mais treinar, melhor será. Você vai ver quando completar as linhas até o final.
Os dois estavam no escritório e ela passara a lista com os ideogramas dos nomes da pequena família para ele treinar pulso e punho. Mostrou os alongamentos para ele fazer com as mãozinhas, como se estivesse se preparando para uma batalha.
- Eu nunca vou conseguir fazer como os seus, mamãe Shunrei. – ele balbuciou e ela negou.
- Claro que vai! Precisa treinar com atenção. Vai continuar treinando quando eu estiver fora, não vai? – ele assentiu e ela sinalizou para o lápis. – A mamãe também vai fazer umas anotações aqui porque amanhã tenho uma missão importante logo cedo. – colocou o tablet com as tomografias no suporte e começou a revisar as notas da equipe. Ryuho continuou olhando para ela.
- Amanhã você vai ajudar outro menininho como eu a viver de novo? – Shunrei ergueu as sobrancelhas com essa avaliação. – O papai e o Mestre Dohko disseram que você faz as crianças voltarem a correr e a brincar. – ela engoliu em seco, piscando para não deixar os olhos marejarem.
- A mamãe tenta, filho. Algumas vezes eu consigo e outras vezes ainda não, mas a mamãe tenta até o fim. – ele sorriu, feliz, e voltou ao exercício.
Uma hora depois.
- Hora de dormir, Ryuho. – Shiryu viu os dois absortos nos estudos. – Daqui a pouco venho buscar a senhorita também. – piscou para Shunrei.
Ela pegou o caderno para ver a evolução após a saída deles e seu coração explodiu. Ryuho copiara os ideogramas e, no final da folha, desenhara as pessoas a quem se referiam. Ela identificou-os imediatamente, apesar de serem pessoas-palito.
Ele, pequenininho, no centro de um círculo formado por ela e Shiryu, os braços compridos para envolvê-lo. Ela com um coração na testa e algo que lembrava um estetoscópio no pescoço. Shiryu com uma cobra ao lado, claramente representando a tatuagem do dragão, e o rosto sério de quando estava lutando. Voando com os braços esticados em direção a eles, o palito de cabelos arrepiados e boca risonha, o corpo mais comprido que os outros. Envolvendo os quatro, um grande coração.
Na manhã seguinte, a folha decorava a porta da geladeira.
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Shunrei apreciava que ele viesse para a cama logo após o banho. O corpo dele oferecia toda uma experiência sensorial – fresco, quente, úmido, macio, cheiroso.
- Vou embalar esse edredom em plástico e levá-lo comigo. – ela declarou, acomodando-se bem perto.
- Não vou deixar. – ele sorriu, ajeitando-se para ficar de frente para ela. – Um incentivo para você voltar mais rápido. – acariciou sua face antes de beijá-la. - Conseguiu confirmar a reunião? – ela assentiu. – Não quer mesmo que eu vá? Coloco duas camisas na mochila. O Mestre fica com Ryuho. – Shunrei sacudiu a cabeça.
- Sei que é importante você estar aqui durante o Campeonato. – ele não conseguiu segurar um bocejo. Ela abraçou-o, aspirando o perfume profundamente. – Eu queria estar aqui também, mas não haveria outra oportunidade tão cedo.
- Desculpe, meu corpo ainda não se acostumou à rotina dos treinos. – os dedos dele a apertavam levemente. – Prometo que compensarei quando você voltar. – ela riu de encontro ao seu peito.
- Eu vou cobrar! – seus sentidos tentavam relaxar, mas a mente permanecia ativa. – Não precisa se preocupar, já estive várias vezes em Atenas. Quatro dias e eu estarei aqui de novo. É a última alternativa para pararem de nos importunar. – ela suspirou. – Como foi no ginásio hoje? Deve ser difícil treinar tantas horas todos os dias.
- Não é, não. O Mestre certamente é muito rigoroso quando está me treinando, mas eu senti tanta falta disso. – as mãos dele acariciavam suas costas e quadril, a voz grave como um calmante.
- Desculpe não ter mais ido assistir. Quando a minha rotina voltar ao normal, depois da viagem, conseguirei ver mais suas exibições sexy com quimono. A última vez foi aquela com a Saori. - sentia os músculos dela distensionando sob seu toque.
– Esqueci de dizer que fiquei muito feliz conosco naquele dia. – Shunrei sorriu.
- Aquele tipo de armadilha jamais vai dar certo. – as palavras saíram preguiçosas. – Você não sabe mentir. – a cabeça dela foi sacudida pelo riso abafado. – Tenho pena dela. De certo modo, nós trocamos de lugar, mas não consigo entender como ela desistiu disso aqui. – Shiryu inclinou-se para beijar-lhe o alto da cabeça, acariciando com a ponta do nariz para memorizar seu cheiro.
- Cada relacionamento é diferente. Eu nunca tive isso aqui com ela. E não vou ter com mais ninguém.
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Olá!
Penúltimo episódio! Vemos várias formas de preparação.
E ainda vimos um pouquinho das meninas de Aiolia e Marin e ainda foi citado o caçula deles. Tem gente que não gosta de misturar tantas Sagas diferentes, mas eu pensei mais nas personagens, por isso dêem uma chance para eles aqui. Pavlin e Yuziriha são Amazonas de constelações de aves, por isso achei bacana serem ligadas à Marin. :-)
Contem o que esperam do último episódio.
Até lá!
Abraços,
Jasmin
