EPISÓDIO 16

Os três se sentaram bem embaixo na arquibancada, de modo que pudessem ver nitidamente os dois tatamis e ouvir os ruídos dos lutadores. A Liga Internacional comemorava a venda recorde de ingressos para o Campeonato Asiático, realizado na Arena Olímpica de Ginástica de Seul. Os lugares já estavam quase todos ocupados e havia muitos vendedores de comida e doces.

- O tio Seiya vai lutar hoje, papai? – Ryuho viera com o quimono que June enviara, com o emblema do Dragão nas costas.

O pai conseguira dispensa na escola para o dia de hoje, para ele participar. Faria reposição com a professora de caligrafia e matemática na próxima semana.

- Vai, sim. – Shiryu o colocou no meio dos dois, procurando onde estaria a Zodiac Team. – Você se lembra do que o Mestre Dohko falou? – o garotinho olhou para o rosto do adulto do seu outro lado, que assentiu, sério.

- Uma competição é diferente de um treino. Não podemos tirar a concentração deles. Precisamos ficar quietinhos. – ele se agitou com a expressão de aprovação. - Devo entrar com a cabeça erguida e caminhar decidido como o Mestre ensinou.

- O garoto aprende mais rápido que você, Shiryu. – Dohko assanhou os cabelinhos pretos, apontando quando encontrou a equipe. – Marin, Seiya, Aiolia e mais seis nas categorias semiprofissionais. Talvez no próximo período tenhamos mais alguns na categoria profissional.

Esse campeonato fazia parte do treinamento de Shiryu. O Mestre o instruíra a prestar atenção aos mais novos da equipe, especialmente aqueles seis: as garotas Pavlin e Yuzuriha e os garotos Yato, Teneo, Orfeu e Kiki.

- No próximo ano, teremos novas constelações no time. Além deles, teremos mais gente chegando. Kiki é discípulo daquele meu amigo tibetano. Veio antes para ir se ambientando. – Dohko comentou. – Assim, estaremos presentes em várias faixas etárias. É importante que você memorize as técnicas de todos eles e dos oponentes. – Shiryu sorriu.

- É bom tê-lo de volta, Mestre. – a mente estrategista e empreendedora de Dohko o admirava. Ele podia até aparentar, mas não brincava em serviço.

- Conversei com Camus e Shion. Precisamos garantir o patrocínio da Fundação. Podemos ampliar a equipe em 50% e mais, dependendo do nosso desempenho nas competições. Vamos mostrar que valemos o investimento. – apontou para as câmeras de TV abaixo e acima das arquibancadas. – É a chance da nossa história e o nosso valor serem conhecidos, Shiryu.

Shun apareceu para levar Ryuho e todos os atletas entraram para se prepararem para a cerimônia de abertura, marcada para às 10 da manhã.

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Ela se sentou em um dos cafés na praça do Mercado Monastiraki (1), aproveitando o sol mediterrâneo ao máximo. Colocou as sacolas com as lembrancinhas na cadeira ao lado e pediu uma jarra de chá gelado de hortelã e uma moussaka (2).

"Senti sua falta também." Fechou os olhos por um momento, aspirando o cheiro tão diferente do que estava habituada. "Tudo fica tão brilhante."

Os edifícios de cores terrosas, com os cartazes anunciando as atrações turísticas, as pessoas em suas roupas coloridas circulando incessantemente atrás do próximo monumento e a confusão de idiomas pronunciados lhe transmitiam muita energia.

Ao fundo, dominando a paisagem, a Acrópole de Atenas a fez lembrar da história de apostar corrida nas escadas e rir sozinha.

"Foi bom ter vindo dois dias antes para me acostumar com o fuso horário." A diferença entre Atenas e Seul era de 6 horas a menos. "Aqui são 15 horas e lá já são 9 da noite. Sem contar as 20 horas de vôo."

O celular vibrou.

# Shiryu S2 Suiyama: Conseguiu descansar da viagem? Acabamos de chegar em casa. Foi um dia muito bom para nós, todos os nossos atletas passaram para a próxima fase. Quero te enviar isso. – vídeo da entrada da equipe, com Marin e Aiolia à frente, segurando pelas mãos o mascotinho Ryuho. Eles caminharam ao redor da arena com as outras equipes e Ryuho conseguiu manter a expressão séria e a postura que ensaiara com Dohko.

# Shunrei Nishi S2: áudio – Ryuho, a mamãe está muito orgulhosa de você! Aprendeu direitinho e ficou lindo. Logo, logo vou te dar um beijo. Cuide bem do Mestre e do papai, viu? Não deixe eles ficarem acordados até tarde. Também não se esqueça de fazer os deveres de casa, eles são tão importantes quanto o campeonato, lembra? Boa noite. Te amo, filho!

Texto – Shi, cheguei bem. Aqui está um sol lindo. (foto da vista com a Acrópole) Traz lembranças? =) Vim ao mercado comprar lembrancinhas para vocês. A reunião será amanhã à tarde, mas de manhã vou me encontrar com Sorento. Ele não é nada parecido com o irmão. Foi muito gentil em marcar esse encontro. Que tal se passarmos nossa lua-de-mel num lugar como esse? Diga a Dohko que ele estava certo sobre o café e a moussaka. (foto da mesa) Sinto falta dos seus braços. Amo você. (GIF de coraçõezinhos flutuando.) Boa noite.

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# Shunrei Nishi S2: Shu, sinto falta de você o tempo todo. (emoji de coração) Aproveite o dia para passear. Quando você voltar, teremos novidades. Por favor, me avise quando o encontro com Sorento terminar. O Mestre pediu para você tomar cuidado porque os gregos são todos paqueradores. O_O Amo você, chinesinha geniosa! (meme de beijos)

# Shiryu S2 Suiyama: HAHAHAHA! Bem que notei uns olhares para a minha pessoa por aqui. Também tenho uma surpresa para você. Estou torcendo para você gostar. Não adianta me ligar que eu só conto pessoalmente. (meme enviando beijos e desejando boa noite)

Ele ergueu as sobrancelhas.

- Ela está bem? – Dohko perguntou, sentado na poltrona ao lado. Shiryu soltou o celular na mesa lateral.

- Disse que tem uma surpresa para mim e que só vai contar pessoalmente. – seu Mestre tentou não rir. – Ela faz essas coisas. – ele sorriu, sentindo que estava corando.

- Você sabe a sorte que teve em encontrar uma mulher como ela? – Shiryu assentiu. – Shunrei é muito forte e, ao mesmo tempo, delicada e doce. Ela também teve sorte de encontrar você, sabia? – Shiryu o olhou desconfiado. – Você alimenta a fortaleza dela. Nunca pare de fazer isso. Não a subestime e veja como ela floresce e brilha. E, o mais importante, aja sempre em concórdia. Coração com coração. Veja bem, garoto, - os olhos de Dohko brilharam – não com as emoções, com o coração. Se não sabe a diferença, aprenda logo, você não tem mais idade para cometer desatinos! – Shiryu respirou fundo e disse que sabia a diferença. - Vou te dizer o que vou fazer, porque é algo que sinto que ela precisa.

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Shunrei chegou cedo ao quarto do hotel. Colocou a embalagem com o lanche que comprara para o jantar sobre a escrivaninha e passou a organizar as lembrancinhas na mala, com precaução para não correrem o risco de quebrar.

"Preciso me preparar para amanhã." Despiu-se e entrou embaixo do chuveiro, a água morna arrepiando seus músculos. "É a última oportunidade de permanecer na Coréia."

Lavou os cabelos com o shampoo com cheiro de capim-limão, tentando imaginar os cenários que encontraria. Não conhecia pessoalmente o patriarca da família, suas únicas referências sendo as impressões de Julian.

"Sorento é tão diferente." Lembrava-se do irmão mais velho, que conhecera quando ele fora a Seul para um recital. "Ou, pelo menos, era... Como devo abordar a questão?" O principal obstáculo é que ela sabia que o senhor Solo a desprezava.

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"Essa cama é grande demais." Shiryu sentia que nadava entre as cobertas. "Não que antes já não fosse, só não importava."

Na penumbra, ouvindo o silêncio da madrugada, repassava as lutas do dia, sua mente querendo vagar para as especulações do encontro de Shunrei com o pai de Julian Solo.

"Eu devia ter ido, mesmo a contrariando." Não parava de pensar que devia fazer mais do que estava fazendo. Parecia que ela estava lutando sozinha pelo relacionamento. "Eu trouxe um peso grande demais para a vida dela."

Riu, imaginando o que ela responderia se ouvisse seus pensamentos.

"Você trouxe um filho e eu trouxe um egocêntrico." Ela rebateria, embora ele soubesse que a situação no Hospital não estava boa, mesmo com todo o empenho dele e Dohko. "A internet tirou qualquer possibilidade de privacidade." Já ouvira comentários como 'aquele é o namorado que tem um filho... E ela largou o bilionário para ficar com ele?... Isso é que dá não ter ninguém para aconselhar o que é o melhor para ela'. Por mais que tentasse não se importar com as opiniões alheias, se preocupava com as consequências para Shunrei.

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"Para ele, seria bom voltar ao Japão... Mas a minha carreira, a minha vida está toda ali... Não vou desistir porque uns retrógrados ainda vivem no século 19!" Ela revisava as fichas dos pacientes da Unidade, contente pelos resultados promissores e a interação entre a equipe. "Logo poderemos mudar definitivamente do prédio do Hospital e então terei paz."

O que havia de inovador na sua Unidade é que alguns dos integrantes não estavam na Coréia. Havia profissionais na África do Sul, no Japão, no Canadá e no Sul da França também. Uma intensa troca de vídeos e áudios garantia a integração com a equipe presencial. Não sabia quanto tempo duraria e queria aproveitar ao máximo.

"Sei que faria bem a eles estarem junto com os outros." Pensava em Shiryu e Ryuho afastados da família, logo agora que haviam feito um esforço imenso em estar perto durante aqueles meses. "E que meses! Tudo começando numa manhã simples de ressaca. Foi uma primavera como nunca houve!" Shunrei suspirou. "Quem sabe, pelo menos, verificar a possibilidade de me transferir. Não é justo que eles fiquem só por minha causa... E tem a 'novidade'." Ela sorriu ao lembrar do que teria que contar a ele quando voltasse.

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"Sei que o que mais faria bem a ela é permanecer aqui."

Desde que decidira voltar aos Cavaleiros do Zodíaco, Shiryu estava dividido. A melhor coisa de voltar a lutar era estar com sua família novamente. Ele se empenhava para ter sua confiança e a forma física de sete anos atrás de volta e estava conseguindo. A vitória sobre Julian tivera um grande significado, sublinhado pelo que o grego lhe sussurrara quando ele estava ajoelhado.

'Ela sente pena de você, não amor.' A fúria mal contida da voz ecoando em sua mente. Nunca mais deixaria Julian entrar dentro da sua cabeça.

"Quem tem a mente deturpada não sou eu e muito menos ela." Sorriu ao lembrar do terror nos olhos do adversário.

Estava ansioso para desatar os nós do passado de ambos, para poderem seguir em frente com mais leveza. Queria voltar logo a competir e contribuir mais com as despesas da casa. Virou-se na cama, sentindo falta da resistência do corpo dela.

"Jamais poderia pedir a Shunrei que abandone a sua vida." Ele conseguira amainar suas emoções pensando na nova família que estavam formando. Dohko estar disposto a ficar diminuiu sua ansiedade.

"O Mestre vai fazê-la cair de costas."

O celular brilhou e ele fez as contas de que horas seriam em Atenas.

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"Duas da manhã em casa. Por isso, estou caindo de sono." Shunrei enviou o último áudio para a equipe de enfermagem da Unidade, esforçando-se para ficar acordada um pouco mais. "Tomara que estejam dormindo bem."

Olhou para a roupa que separara para os encontros e seu coração bateu mais forte. Ela estivera em reuniões no Ocidente muitas vezes, já aprendera a forma com que eles negociavam, entretanto, nada que envolvesse suas emoções e seu futuro. Reuniões profissionais, independente do assunto, não causavam tanta tensão. De certa forma, era humilhante falar com uma pessoa com a qual ela não teria mais nenhuma relação.

"Talvez não seja por mim e sim por ele. Julian precisa seguir em frente, ver que o comportamento dele não condiz com sua posição." Shunrei circulava pelo mundo dos Solo há tempo suficiente para saber que não era o dela. "Enquanto ele estiver me seguindo, qualquer coisa que eu faça será em vão."

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# Seiya Ogawara: Prefiro ser eu a te mostrar. Vou contar os minutos e te ligo. (link para um vídeo)

"É isso mesmo, meninas. Mais um solteiro dos sonhos está fora do nosso alcance. O querido Julian Solo, herdeiro da poderosa família controladora dos principais portos do Hemisfério Norte e um dos melhores partidos do mundo, acaba de anunciar o seu noivado com a neurocirurgiã chinesa Shunrei Nishi. Os dois se conheceram há seis anos em Seul e temos acompanhado o conto de fadas. Como já sabemos, a dra. Nishi é nossa Cinderela, pois perdeu sua família na infância e encontrou seu príncipe encantado. Desejamos muitas felicidades ao casal! Logo teremos uma declaração da noiva do ano para a nossa coluna!"

A narração entusiasmada da apresentadora era ilustrada por várias fotos e vídeos de Shunrei e Julian juntos no curso desses seis anos e por uma declaração dele saindo do escritório no porto de Incheon em que dizia que o casamento seria em breve. Shiryu viu as milhares de curtidas e comentários felicitando o casal ou lamentando o comprometimento definitivo de um ou outro. Fechou os olhos, tentando controlar suas entranhas quando Seiya ligou.

- Quer que eu vá até aí? – Shiryu respondeu na hora.

- Você tem o Campeonato. Vai dormir. – Seiya perguntou se ele tinha certeza e o que estava pensando em fazer. – Não se preocupe. Foco nas lutas. Vá dormir ou Marin vai me matar.

Só conseguiu cochilar perto do amanhecer.

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# Sorento Solo: Boa noite, srta. Nishi. Confirmo nosso café da manhã. Envio a localização, que acredito ficar próxima ao seu hotel.

# Shunrei 'Julian' Nishi... correção Shunrei Nishi: Sim, fica perto do hotel. Estarei lá no horário combinado. Obrigada pela disponibilidade. Boa noite, sr. Sorento.

Colocou o celular e o tablet para carregar, sentando-se na janela para admirar o crepúsculo na cidade antiga. Escolhera aquele hotel, no alto de um dos morros, para ter essa vista da cidade baixa, com o mar ao fundo. As luzes cintilavam, o mar azul-turquesa era tingido pelas cores maravilhosas do sol mediterrâneo. Lembrou-se de uma das missões que participara, na Líbia, vendo essas mesmas cores só que do outro lado do Mar.

"Parecia que estávamos em outro mundo." Era uma situação de conflito e a comunidade onde ela prestava atendimento era pouco melhor que um campo minado. "O nascer e pôr-do-sol eram as únicas belezas que nos tocavam ali."

Se lembrou também dos braços do noivo em volta dela em Jeju, o calor deles debaixo da manta.

Foi dormir com um sorriso nos lábios.

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O cais de Tóquio não era um local agradável de madrugada. Embora silencioso, não tinha iluminação suficiente, ambiente propício para testar o quanto a intuição estava afiada. Os sons e movimentações na penumbra, entretanto, estavam distantes do desembarque que ocorria agora.

A carga fora guardada no galpão e agora os tripulantes era trazidos pela pequena embarcação. Os olhos azul-marinho do homem o viram assim que pisou em terra firme. Endireitou a postura, ajeitando o sobretudo verde-musgo e foi até o grupo.

- Milo Andris. – chamou, fazendo o amigo voltar-se para ele. Os longos cabelos azuis apontavam para todos os lados. O recém-chegado despediu-se dos companheiros, recolhendo as duas grandes mochilas com todos os seus pertences.

- Camus Martel. – o forte sotaque italiano fez o francês rir. Os dois seguraram o antebraço um do outro com vigor.

- Bem-vindo ao Japão, meu amigo.

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Shiryu marcou o encontro para depois do almoço, assim poderia assistir ao menos as lutas da manhã.

"Ele deve estar muito seguro de si por aceitar tão facilmente. Como um pavão."

O café estava vazio àquela hora e ele se sentou bem no meio do salão. Não demorou para Julian chegar, ir até o balcão e pedir um ice coffee antes de se acomodar na frente dele. Os dois se encararam por um tempo, o meio sorriso perpétuo nos lábios do grego.

- O que mais você quer saber? – disse, fingindo desconhecer o motivo desse encontro. Shiryu recostou-se na cadeira, precisando ficar o mais longe possível dele.

- Até quando você vai dificultar para a Shunrei? – o som do nome fez um músculo do rosto de Julian dar um espasmo.

- Seu fracassado inútil, não se atreva pronunciar o nome dela na minha frente! – ele rosnou entredentes.

Shiryu mal o esperou terminar de falar.

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O homem de exuberantes cabelos lilases, olhos de um rosa-escuro estonteante e gestos elegantes se levantou para recebê-la com sua voz profunda e grave.

- É um prazer revê-la, srta. Nishi. Sinto que seja nessas circunstâncias. – apontou a cadeira e esperou que ela fizesse o pedido à garçonete.

- Gostaria que fosse para vê-lo tocar novamente, sr. Sorento. – ela sorriu, feliz por ele ter escolhido uma mesa no sol. – Soube que seu último concerto beneficente foi bastante elogiado.

- Infelizmente, a flauta tem estado guardada mais tempo do que eu gostaria. – ele tomou um gole do café forte. – Não é fácil pertencer a uma família como a minha, acredito que a senhorita compreenda. – ela assentiu. – Como encontrou Atenas?

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- O que você pensa que está fazendo com essas mentiras? Você sabe que ela não o ama. – Shiryu disse, em tom baixo. Julian ergueu as sobrancelhas.

- Você é muito corajoso. – a ironia pingava da voz do grego. Shiryu respondeu em cima das palavras.

- E você é muito covarde. – o riso de Julian era de deboche.

- O que você sabe sobre mim? – o japonês endireitou-se na cadeira, colocando as mãos entrelaçadas sobre a mesa.

- De uma coisa eu tenho certeza, você não está fazendo isso por querer a Shunrei, mas para não perder para mim. O que ganha me derrotando? Como você disse, sou um fracassado sem nada de especial. Não sente vergonha por competir comigo fora do tatami? – esperou arrancar o sorriso presunçoso do grego. - Continuar com isso vai nos fazer parecer mais infantis. Pare logo.

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– Bela como sempre! – Sorento serviu mais café para ela, seus olhos aguardando que Shunrei começasse o assunto. - Eu hesitei bastante em vir e peço desculpas por envolvê-lo nessa confusão, mas não sabia mais como agir. – ele ergueu a mão para ela parar.

- Estou ciente do que está acontecendo. Recebi reportes quando vocês começaram a se desentender e regularmente desde então. – ele pareceu pensar em como prosseguiria. – A senhorita sabe como esse assunto é delicado para as nossas relações no Oriente.

Shunrei ficou em silêncio, o fato de ser espionada pairando em sua mente. Deve ter transparecido em sua expressão.

- Como herdeiro da família, eu preciso saber o que meu irmão caçula faz longe de casa. Tudo que ele faz reflete em nós. Não tenho interesse na sua vida pessoal, srta. Nishi. – ele estava sério, olhando para a mão direita dela com insistência. – Você vai falar com meu pai e peço que não ocupe o tempo dele mais que o necessário. Por isso, vou contar o que sabemos.

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- Deve estar bem desesperado para me procurar assim. – o sorriso de Julian desapareceu, mas a expressão irônica permanecia.

- Já te disse para deixá-la em paz. – Shiryu controlou o volume da voz. - O que posso fazer para te excluir da vida dela? Você acha que pode voltar com a Shunrei se eu desistir?

- Eu não disse isso. – Julian riu da confusão que passou pelos olhos de Shiryu. - Por que parece assustado? Sim, meu objetivo é te derrubar. Quem sabe você aprenda o seu lugar. – os olhos do grego emitiram um brilho malicioso. - Mesmo assim, provavelmente aceitaria a Shunrei, como um favor. Finalmente me casaria com ela e tudo aconteceria do jeito certo. Você não a conhece. Shunrei não é do tipo que se satisfaz só com amor. Ver quem ela namorou esse tempo todo não te diz nada? Você não vai dar conta dela. Seu romance ridículo nem chega perto do nível dela.

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- Agradeço por me contar, sr. Sorento. – Shunrei esperava não estar demonstrando a perplexidade que sentia por ele saber inclusive sobre o incidente em Jeju. Apesar de ser muito discreto e delicado, era evidente que sabia até as palavras que trocavam pelo celular. – Entendo, então, que seu pai deve estar feliz com a minha vinda. – ele suspirou.

- Vamos colocar da seguinte forma, meu pai tem um certo tipo de vida, uma certa colocação em mente para Julian desde que o enviou para a Coréia. Ele considera que tem sido paciente e deixado meu irmão à vontade pela sua juventude. Entretanto... – o olhar dele dizia tudo. Ela assentiu.

- Eu gostaria muito que tudo se resolvesse da melhor forma possível. – Shunrei endireitou-se na cadeira. – Pode parecer bobagem, mas não quero terminar seis anos de relacionamento como ele está encaminhando. Julian tem uma qualidade que, em excesso, pode ser difícil. – Sorento riu.

- Não precisa ser tão gentil, srta. Nishi. Conheço meu irmão desde que nasceu, sei que ele não sabe a hora de parar.

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- Vou deixar algo bem claro. – Shiryu ergueu o queixo, enrijecendo o maxilar e tentando manter o tom indiferente e firme. – Você ilegalmente colocou pessoas para nos seguir, está interferindo na vida de Shunrei, tentando destruir a reputação dela, e trouxe Taeko Sato de volta. Só a troca de mensagens entre vocês renderia uma medida restritiva contra você. – tentou não rir quando a expressão do outro mudou para a raiva. - Se quiser, consigo testemunho de vários colegas dela sobre as suas conversas, começando pelo dr. Lee Kang. Se você acha que eu fiquei parado vendo você a tratar como um troféu, está muito enganado. Essa absurda declaração que você fez ontem já vai render um processo e eu não me importaria de te dar uma surra aqui mesmo, se não fosse deixar a Shunrei preocupada. Eu não vou te derrubar só no tatami.

- Está desafiando a mim? – Julian fechou o punho e rilhou os dentes. - Quem você pensa que é para fazer isso?

- Shunrei é delicada e gentil e está tentando resolver tudo apelando para a sua razão e a sua empatia. Eu não sou assim. – Shiryu encostou de novo na cadeira, jogando os ombros para trás e estufando o peito. - Você está mexendo com as pessoas mais importantes para mim e eu não tenho medo de nada quando se trata delas. Se voltar a incomodar qualquer uma delas, o seu nome vai sair das colunas sociais para a seção policial.

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# Shunrei Nishi S2: Foi uma boa conversa, Shi. Sorento me colocou a par do que a família espera e acredito que possa encerrar de vez a questão. Estou confiante para o encontro da tarde com o sr. Solo. Vou passar no endereço que Dohko me pediu para comprar o Ouzo (3). Se tudo der certo, pego o vôo da noite para casa. Amo vocês. (GIF de menina mandando beijos e corações.)

"Tomara que ela não veja nenhum vídeo." Ele sorriu para a mensagem, refletindo que o melhor seria ela saber, pelo menos, após a conversa.

# Shiryu S2 Suiyama: Por favor, tenha cuidado, Shu. Os interesses dessas pessoas podem ser obscuros para nós. Não se exponha mais do que o necessário. Nós daremos um jeito de resolver se eles não quiserem se envolver. Espero que consiga o Ouzo tão falado pelo Mestre. Assim que sair do encontro, por favor me avise. Te esperaremos no aeroporto. Amamos você. (três emojis de corações pulsando.)

Respirou fundo, caminhando até o metrô para voltar à Arena Olímpica.

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Eles aguardavam a restituição de bagagens, os corpos moídos pelas longas horas de vôo.

O garoto mais velho, os cabelos azuis apontando para todos os lados, encostou-se na parede, com os fones de ouvido isolando-o do ambiente ao redor. O mais novo, os enormes olhos cor de mel bem abertos, lutando contra o sono, estava ao lado da mãe, pretendendo ajudá-la com uma das malas.

- Souma, segure o carrinho. – o pai indicou, rapidamente pegando as três malas grandes, empilhando as duas mochilas e a mala pequena em cima.

Esperou a esposa chamar o garoto com os fones.

- Finalmente em casa. – ela comentou ao pisarem no saguão do aeroporto de Tóquio. – June disse que viria... – procurou ao redor, encontrando a amiga acenando em meio à multidão que esperava no portão de embarque.

- Esmeralda! – June apressou-se a abraçá-los. – Éden, como você está grande. – puxou o fone de um dos ouvidos, forçando o garoto a olhar para ela. Souma atirou-se no pescoço da tia. – Pensei que ficariam na América Latina para sempre, Ikki! – não se importou com a expressão fechada do homem alto, abraçando-o também.

- Três anos. – Esmeralda disse, prendendo com um coque os cabelos loiros repicados. – Estávamos com tanta saudade! E eu nem conheço a sua caçulinha!

- Que tal continuarmos com esse sentimentalismo em casa? – Ikki observou, seco, empurrando o carrinho. – Mais de 40 horas em aeroportos e aviões. Onde está o carro, June?

As duas se olharam, trocando idênticas expressões de animação contida, guiando os garotos para reverem sua terra natal.

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A fachada do prédio de escritórios na entrada do porto de Atenas remontava ao início do século 17, continuamente reformado e restaurado como a materialização do império da família Solo. Atualmente, havia outros edifícios, mais modernos, ao redor, mas o sr. Yiannis Solo permanecia fiel às raízes que nutria a expansão dos negócios da família.

Curiosamente, a sala dele no último andar parecia mais uma residência do que um escritório. A copeira a recebeu na porta. E o senhor alto, de ombros largos e olhos azuis, parecidíssimo com o filho mais novo, a convidou a sentar na poltrona em frente a ele.

Shunrei o cumprimentou com uma reverência e depois um aperto de mão.

- Sei que o pedido foi repentino, então agradeço que tenha concordado. – o rosto dele era impassível.

- Não precisa ficar assim. Só me perdoe se te chamar aqui foi inconveniente, mas estou deixando as viagens longas para Sorento. – ela assentiu, descobrindo de onde vinha a voz de barítono de seu primogênito.

- Não tem problema, sr. Solo. – ele ficou um longo tempo em silêncio, observando-a sem disfarçar. A copeira trouxe um chá japonês e ela tomou quase tudo, sem saber como agir diante do escrutínio.

- Te ver aqui me faz desejar tê-la conhecido antes. – ela sorriu brevemente.

- Não se preocupe com isso. Tudo ficou no passado. – ele ergueu as sobrancelhas.

- Passado? É assim que você vê? – ela piscou e gaguejou. Sentia que ele a estava testando.

- Sei que o senhor sabe o que está acontecendo, não preciso explicar. – ele apoiou a boca na mão, sem tirar a atenção dela.

- Não sou de me espantar tão fácil, mas você dá um jeito. – a farta cabeleira branca se moveu quando ele se inclinou para servir mais chá a ela. - Então, por que quis me ver? – ela respirou profundamente.

- Esperava que o senhor me desaprovasse ainda mais. – ele riu.

- Então, é para fazer o Julian desistir? – ela observava atentamente o rosto de pele clara, os olhos azuis muito vivos e questionadores.

- Parece que ele não consegue fazer isso sozinho. Por isso vim aqui, embora seja desrespeitoso.

- Não é desrespeitoso. O ser humano é egoísta mesmo. Mas, nesse caso, não posso deixar alguém partir o coração do meu filho de propósito. – ele a deixava desconcertada, arrancando declarações que ela preferia não proferir. Usou seu tom mais resoluto.

- Ele está se ferindo por vontade própria, sr. Solo. Sempre deixei bastante clara minha decisão. – ela jamais deixou de encará-lo. - Julian e eu não temos futuro. Não quero que haja.

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Shiryu voltara a tempo de assistir às últimas lutas. Ver as disputas seria como uma distração da discussão que tivera com Julian. Sentou-se com Ryuho ao lado de Dohko e Shun.

- Presta atenção como ela resolve essa postura. – Dohko comentou ao seu lado, apontando para o tatami onde Yuzuriha estava pronta para atacar sua oponente uma cabeça maior.

Pelo canto do olho, viu um tumulto na sua fileira da arquibancada. Ouviu seu nome e discerniu Saori tentando chegar até eles, pisando nos pés de quem não saía do caminho em tempo. Ela ia falar alguma coisa, mas reparou em Ryuho.

- Vem comigo agora! – a amiga agarrou seu braço e o puxou. Ele franziu o cenho, notando que ela tremia e sua mão estava gelada.

- O que está havendo, Saori?

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Shunrei saiu na calçada com a cabeça girando.

A reunião já havia terminado e tudo parecia bem encaminhado quando o sr. Solo recebeu uma mensagem no celular. Seu rosto mostrava o desgosto que parecia sentir quando ele mostrou a ela o vídeo que já contava com quase um milhão de visualizações.

"Como ele foi capaz?"

Yiannis Solo ligara para o filho na frente dela.

- Ela não é a única mulher do mundo! – ele afirmara, com sua voz trovejante. - Não seja um perdedor grudento. Pare com essa bobagem imediatamente! Você vai desfazer toda essa confusão agora mesmo!

Entrou no táxi, pensando que precisaria correr até o hotel para conseguir pegar o vôo que reservara. Estava decidindo se era melhor ligar para Shiryu agora ou apenas no embarque.

Não reparou que o táxi parou no sinal vermelho. Nem viu o caminhão que veio, sem freio, e bateu na traseira do carro, que rodou na pista até parar no meio-fio do outro lado da rua. Ela sentiu seu corpo girar, seus membros voarem, sem gravidade, batendo nos bancos e nas laterais do veículo. Foi arremessada contra o banco da frente, depois a porta. Sua cabeça fez vários movimentos de chicote e bateu com força no vidro da janela.

Quando o carro parou, ela já não via mais nada.

FIM

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(1) Mercado Monastiraki: Localizado no centro do que foi a Atenas antiga, é um passeio imperdível. Lojas de antiguidades, comidas típicas, "souvenirs", artesanatos em couro, joias e outros artigos. Galerias que se transforma em um labirinto de cafeterias, bares, restaurantes e casas noturnas à noite.

(2) Moussaka: uma variação de lasanha, só que grega. Feita com carne de carneiro, berinjelas, e tomate, sempre condimentada com azeite, cebola, ervas e fortemente temperada com pimenta.

(3) Ouzo: licor de anis produzido a partir da fermentação da casca de uva e de graduação alcoólica alta. Ervas e especiarias são adicionadas para melhorar o sabor e cada fabricante mantém sua receita em segredo. É apreciada fria servida em copos pequenos com pedras de gelo. Em contato com a água sofre uma reação e fica num tom branco leitoso.

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Eu sei, eu sei. Não me matem ainda, por favor.

Demorei muuuuito a decidir como terminar esse dorama e, enfim, a resolução foi essa.

Ainda há algumas histórias que eu gostaria de tocar e algumas personagens que eu gostaria de ver interagindo, então não há um fechamento ainda. ;-)

Haverá uma 2ª temporada de Conexão Coréia. Preciso de reviews para saber o que deu certo e o que precisa ser corrigido para a próxima fic.

Agradeço demais a todos que acompanharam até aqui! Especialmente quem deixou reviews até agora: Dani Souza, Shiryugoss, Gosshiryu e Lee Moon. Foi uma grata surpresa ver tanta gente interessada nessa história dorama e os comentários tão bacanas me estimularam a continuar escrevendo! Espero que continuem lendo as aventuras de Shiryu e Shunrei e companhia. 3

Para deixar vocês com mais curiosidade sobre a produção da próxima temporada, vai uma ceninha extra.

Beijos,

Jasmin Tuk

o.o – 0.0 – o.o – 0.0 – o.o

CENA PÓS-CRÉDITO

O taxi os deixou em frente ao portão alto nos arredores da cidade. Fora uma viagem longa, avião de Nova Delhi a Tóquio, depois o trem até a bucólica Kamakura e o carro subiu um dos morros verdes até ali. Eles teriam tempo de ver as belas praias e os templos budistas que tornavam a cidade portuária famosa. Naquele momento, só desejavam um banho e uma cama.

Assim que o carro se afastou, o portão se abriu para o caminho arborizado que os levou à casa comprida, de dois andares. As paredes vermelhas se destacavam em meio ao enorme jardim onde estava.

- Ao menos parece silenciosa. – o loiro comentou, puxando as duas malas grandes que começava a se arrepender de ter trazido. – E tem lugar para meditar. – apontou para o telhado do que parecia ser um templo, à esquerda do curto e largo caminho de pedra.

- Ali estão eles. – o outro jovem, de iguais longos cabelos, os seus lilases, apressou o passo para chegar à porta dupla de madeira entalhada, onde estavam seus anfitriões. – Boa tarde. – fez uma reverência para os dois homens e a mulher que os aguardavam. – Sou Mu Varma.

- Bem-vindos, sr. Varma e sr. Pandey. – o mais velho, com os cabelos verdes repicados balançando ao vento, retribuiu o cumprimento. – Sou Shion Mukherjee. É bom ver um conterrâneo aqui. – seus olhos castanhos-claros sorriram para Mu e as manchas cor de vinho redondas no lugar das sobrancelhas, a marca distinta de sua etnia.

- E eu sou Régulus Sollis. – o adolescente de grandes olhos verdes e curtos cabelos castanhos foi até o loiro, ajudando-o com uma das malas. – Fizeram boa viagem?

- Obrigado, jovem. – o loiro conseguiu chegar à porta também. Uniu as mãos em frente ao peito, no cumprimento indiano. – Shaka Pandey. A viagem foi satisfatória.

- Pelos rostos de vocês, devem estar cansados. – a mulher, os cabelos verdes um tom mais escuro que os do homem ao seu lado, comentou, guiando-os para dentro. – Meu nome é Shaina Aniello. A estrutura é bastante simples. Aqui embaixo temos a cozinha, o refeitório, academia, salas de treinamento individual e em grupo. – ela apontou para os dois lados do corredor e eles perceberam que entraram no meio do térreo. - Também sala de TV, biblioteca e sala de estudos. Nas duas extremidades, banheiros e vestiários. – podiam ouvir os sons abafados de pessoas pelo andar, treinando ou assistindo TV.

- No andar de cima estão os alojamentos. – Régulus continuou, puxando a mala para o primeiro degrau. - Cada morador tem sua própria suíte e é responsável pela limpeza e manutenção. Há escalas de limpeza dos ambientes comuns, mas acho que vocês só vão entrar nelas amanhã. – ele emitiu um meio sorriso para as expressões sérias e cansadas.

- Régulus e Shaina levarão vocês aos seus quartos. Quando se reestabelecerem, há uma refeição para vocês na cozinha. – Shion disse. – A propriedade é bem-sinalizada, então não irão se perder. Amanhã pela manhã, aguardo vocês na minha sala para conversarmos com Dohko. – indicou a porta. – Tirem o restante do dia para descansarem. Provavelmente chegarão mais pessoas hoje.

Subiram a grande escada de madeira escura. No patamar superior, havia pelo menos doze portas de cada lado do corredor.

- Lado direito: Amazonas. Lado esquerdo: Cavaleiros. – Shaina anunciou, taxativa. – Não se esqueçam para qual lado virar.

Os dois recém-chegados estavam admirados com a estrutura do local.

Cada quarto tinha uma cama mais larga que a de solteiro normal, um guarda-roupa de três portas, mesa, cadeira e prateleiras, tudo em madeira no mesmo tom da escada. O banheiro era pequeno, mas suficiente. Toalhas, travesseiros e roupa de cama, sabonete e papel higiênico sobre a cama.

- Aqui faz bastante frio à noite. – Régulus mostrou como usar o aquecedor. – Vocês devem sentir mais por virem de um país quente, por isso a minha mãe pediu para colocar esses cobertores extras também.

- Bom, vamos deixar vocês se organizarem. – Shaina chamou Régulus.

- Muito obrigado pela recepção. – Mu saiu à porta do seu quarto. – Será uma jornada interessante, posso sentir. – meneou a cabeça para eles.

- Uma última pergunta, srta. Aniello. – Shaka olhava pela janela que se abria em frente à escada. – A placa no portão de entrada. É o nome da propriedade?

- Sim. – Shaina afirmou. – Aqui é o Santuário.