Olá, amores!
Voltando com mais um capítulo bonitinho pra vocês! Estamos em um momento de misto de emoções na história, com altos e baixos entre os nossos personagens amados! Espero que estejam gostando do drama, pois eu amo e amo mais ainda escrever sobre. Mas sem mais delongas, vão ler e depois me digam o que acharam!
Boa leitura!
Disclaimer: Eu não possuo Glee, caso contrário a série nunca teria um fim.
"Bom dia", Madison adentrou a cozinha na manhã de quinta-feira e encontrou seus pais já sentados à mesa tomando o café da manhã. Além do típico clima frio de outono, o que fazia a vontade de sair da cama diminuir consideravelmente, seus músculos estavam levemente doloridos do ensaio no dia anterior. E por conta disso aquela estava sendo uma manhã mais lenta do que o normal.
"Bom dia, dorminhoca", Rachel a cumprimentou com os ânimos claramente mais aflorados do que de sua filha. Levando a xícara de café aos lábios, ela observou a menina se jogar em uma cadeira e resmungar enquanto se esticava para pegar a caixa de cereais depositada no centro da mesa.
"Precisa se apressar, Mad. Hoje você demorou a descer", Jesse avisou vendo a velocidade com que ela servia seu próprio café da manhã. Ele olhou o relógio no pulso. "Temos vinte minutos."
A menina apenas deixou um som de entendimento escapar pelos lábios antes de dar a primeira colherada no cereal úmido de leite. Normalmente ela não gostava de se atrasar para a escola, mas naquele momento aquilo pouco importava. Sua vontade era de se arrastar de volta para debaixo do cobertor quentinho e esquecer de suas obrigações.
"Não se esqueça que hoje você tem dentista depois da escola. Eu vou sair do teatro e passo pra te buscar pra irmos direto", Rachel afirmou enquanto se levantava da mesa.
Madison gemeu desgostosa. Ela odiava consultórios médicos, hospitais ou qualquer outra coisa que envolvesse pessoas de jaleco. Sabia que era apenas uma consulta de rotina, mas isso não deixava o lugar menos desagradável. Suspirou e por fim se concentrou em terminar de comer.
Jesse deixou a filha na escola quase trinta minutos depois, fazendo com que Madison tivesse que correr pelos corredores já quase esvaziados. Seu professor de Biologia já estava em sala, esperando com que o restante da turma ocupasse as carteiras para que pudesse dar início a aula. Não deu tempo de passar em seu armário, fazendo com que a menina tivesse que levar a mochila pesada cheia de livros consigo.
Madison bufou, seu dia estava começando maravilhosamente bem.
No almoço, nada que pudesse mudar o humor da jovem havia acontecido. Pelo contrário, ela estava cheia de pesquisas para fazer com prazo para as duas próximas semanas, listas de deveres de casa e uma leve dor de cabeça. Esfregou os olhos após pegar sua bandeja de comida e ocupar um assento na mesa com Zoe, Olivia e Melanie. As três meninas conversavam animadamente, mas pararam de falar ao verem o estado da amiga.
"Nossa, o que tu tem?", Zoe questionou, franzindo a testa.
"Cansaço. To de saco cheio desse dia e estamos só na metade", resmungou, apoiando a cabeça em uma mão enquanto mexia na comida com a outra.
"Sua cara tá péssima", Olivia murmurou, fazendo uma careta.
Madison suspirou, sem se importar em retrucar o "elogio". Até para isso estava cansada.
"Todos os professores resolveram passar trabalho, eu dormi mal noite passada e agora to com uma dor de cabeça que tá me irritando."
"Ah, amiga, me desculpe, mas já eu to animada. Depois de amanhã é Halloween!", Zoe quase pulou no lugar, sorrindo.
Madison a encarou.
"E o que tem demais? Não é como se a gente fosse sair por aí pegando doces", comentou, fechando os olhos por alguns segundos e esfregando a testa.
"A gente pode não ver mais graça em pedir doces, mas é quando acontecem as melhores festas. Já fiquei sabendo de umas três..."
"Na casa do Brian, é claro", Olivia revirou os olhos.
"Também, mas não só essa. Ele me convidou para essa, é claro, mas temos outras opções se não quisermos ir."
"Temos?", Madison a encarou.
"Nem pense em abandonar o barco, sua idosa!"
"Eu nem disse nada... Mas também não confirmei nada. Eu to cheia de trabalho pra fazer, Zoe", reclamou, gemendo desgostosa. "Sem contar o desastre que foi a última festa que fomos..."
Em outra circunstância, Madison não recusaria. Porém aquele era um péssimo dia para marcar qualquer coisa futura com ela, sua primeira resposta seria "não". Não entendia bem de onde vinha o mau humor, talvez a insônia tenha colaborado. Com certeza depois de um cochilo ela se sentiria melhor.
No horário do último tempo, Madison tinha o motivo perfeito para escapar da aula de Educação Física. Sua cabeça ainda latejava, então ela se aproveitou de sua melhor expressão de lamúria para pedir à professora que a liberasse de praticar a aula naquele dia. Ainda desconfiada, mas percebendo a feição abatida e meio pálida da aluna, a mulher suspirou e por fim assentiu, dizendo à Madison que fosse até a enfermaria. Não era nenhuma mentira que ela estava se sentindo mal, então ir até o local não pareceu má ideia.
Grace, a enfermeira, indicou que a menina se sentasse e foi em busca de um termômetro, assim como um remédio para dor após saber da queixa. Não tinha febre, mas se sentia um pouco fraca, então após tomar o remédio a enfermeira deixou que se deitasse na maca encostada na parede. Faltava pouco menos de uma hora para o fim das aulas e a mulher a deixou descansar após ter certeza que Madison não precisava que ligassem para seus responsáveis. A menina garantiu que conseguia esperar aqueles minutos sem precisar fazer seus pais se adiantarem.
Em pouco tempo, o analgésico que tomou começou a fazer efeito e seus olhos se fecharam lentamente, caindo em um sono leve. Grace saiu de sua sala acoplada a aonde Madison dormia para ver como a menina estava e se calou ao observá-la ressonando. Ainda faltava dez minutos para o sinal tocar, talvez Madison escutasse e acordaria sozinha, caso contrário a enfermeira a chamaria.
Dito e feito, quando o sinal tocou, Grace não ouviu nenhum sinal da menina e se levantou de sua cadeira para chamá-la. Madison fez uma careta ao despertar, sua cabeça ainda latejava e se sentia um pouco zonza. Com ajuda de Grace, se sentou na maca e fez um impulso para saltar para o chão, mas o movimento não foi bem vindo e logo teve que fechar os olhos quando a sala girou.
"Opa", a enfermeira estendeu os braços para segurá-la quando viu a menina cambalear. "Acho que vamos precisar de ajuda. Alguém vem buscar você?"
Madison respirou fundo para parar a tontura e quando sentiu que tudo parava de girar, abriu os olhos e encarou Grace.
"Minha mãe tá me esperando lá fora..."
"Eu vou pedir que alguém a chame aqui, ok? Você tá pálida, não vai conseguir ir até lá sozinha."
Madison queria protestar, mas ela não tinha forças e o barulho que aos poucos preenchia o corredor fazia sua cabeça doer mais ainda. Por fim assentiu e voltou a se sentar em uma cadeira. Grace foi até o telefone em sua mesa e discou um número, colocando o aparelho no ouvido e esperando que alguém atendesse. Madison a viu falar com alguém, mas não entendeu muito bem, preferindo fechar os olhos e encostar a cabeça na parede atrás da cadeira. Minutos depois ela escutou batidas na porta e abriu os olhos, vendo Grace se levantar para abrir. Um alívio lhe encheu o peito ao observar sua mãe entrar com a feição preocupada.
"Minha filha, o que houve?", a mulher se apressou até a menina, se inclinando para beijar sua cabeça e, em um movimento involuntário, sentir sua testa.
"Madison veio pra cá quase uma hora atrás se queixando de dor de cabeça. Ela não tinha febre, então a mediquei e ela disse que podia esperar pelo sinal bater ao invés de ligar para a senhora", Grace informou, observando mãe e filha. "Ela dormiu um pouco e quando acordou, estava se sentindo tonta e preferi chamar a senhora aqui para levá-la até a saída."
Rachel assentiu, ainda passando uma mão pelos cabelos da filha, que voltara e encostar a cabeça na parede com os olhos fechados.
"Está sentindo mais alguma coisa, amor?"
Madison apenas negou com a cabeça.
"Quando chegou aqui ela me disse que só a cabeça doía, mais nada. E agora sente-se tonta, mas acredito que seja porque está fraca. Ela me disse que comeu pouco no almoço, medi a pressão dela e estava um pouco baixa, mas nada alarmante, a dor deve estar causando isso juntamente com a falta de comida."
"Ah, sim", Rachel murmurou para a enfermeira. "Vamos pra casa, então. Vou pedir ao seu pai que desmarque o dentista."
Madison quase agradeceu em voz alta, mas preferiu apenas assentir e se levantar com ajuda da mãe. Rachel colocou a mochila da filha nas costas, passou um braço em volta da menina e se despediram da enfermeira, que desejou melhoras à Madison. No corredor, alguns alunos observavam a cena com curiosidade. Madison estava visivelmente mal, ela estava pálida e seu semblante era cansado, mas naquele momento pouco se importava, só queria chegar em casa e dormir pelo resto do dia.
Rachel levou a filha até a saída e desceu calmamente pelas escadas até o estacionamento. Havia alunos espalhados por todo o campus, conversando, rindo alto ou entrando em seus carros ou de seus pais. Em um grupo mais distante dos portões, algumas meninas conversavam e uma delas levantou a cabeça em um movimento distraído, apenas para seu corpo enrijecer e ela fechar os punhos involuntariamente.
Beth encarava aquela cena. Via Rachel caminhando pelo estacionamento com Madison ao seu lado e isso atingiu a menina como se fosse centenas de tijolos sendo jogados sobre sua cabeça.
Não podia ser. Como elas se conheciam?
Elas se aproximaram de um carro e Beth o reconheceu imediatamente, era o carro que ela costumava ver Madison entrar depois da aula. Aquilo não estava acontecendo, não podia ser verdade.
Madison e Rachel eram parentes? Madison era sua parente também?
Sentiu-se tonta de repente. Hailey, que ria ao seu lado, ficou séria ao perceber a expressão da amiga. Seguindo o olhar de Beth, viu quando Madison subiu no carro preto estacionado e bateu a porta. O barulho pareceu despertar Beth de um transe mental e Hailey viu a amiga balançar a cabeça levemente.
"O que aconteceu?"
Beth piscou rápido e encarou a amiga. Seus olhos foram para o veículo novamente, que agora manobrava para sair, e se voltaram para Hailey.
"Nada, só achei ter visto uma coisa."
Hailey ainda uniu as sobrancelhas, completamente confusa, e balançou a cabeça observando Beth. Sua amiga ficava cada dia mais estranha e não falava o que estava acontecendo.
Beth ainda encarava o lugar onde o carro estava antes, sua mente divagando mais uma vez. A possibilidade de Madison ser sua parente a deixava aflita. Porque não era coincidência, Madison não entraria em um carro aleatório, e aquele era o veículo que a buscava todos os dias. No dia da festa em que foi deixada em casa pelo pai da menina, Beth obviamente não havia decorado o modelo do carro, mas já havia visto o mesmo ali na escola. Não havia coincidências, Rachel e Madison estavam envolvidas de alguma forma.
Ela só precisava descobrir o parentesco das duas e no que isso implicaria para o relacionamento seu com a menina mais nova.
BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY
Dois dias depois era sábado de Halloween. As casas estavam enfeitadas e crianças e jovens fantasiados brincavam pelas ruas, alguns pregando peças, outros iam de porta em porta atrás de doces. O clima estava frio naquela tarde, as árvores nas ruas estavam peladas de folhas, o outono trazia um dia nublado, mas nem isso atrapalhava aquele dia trinta e um.
Madison se sentia infinitamente melhor, na verdade havia sido apenas uma indisposição pela noite mal dormida e a má alimentação, juntou-se ao estresse pelo dia agitado na escola e resultou em uma enxaqueca na jovem. Um jantar leve naquele dia e uma boa noite de sono foi o suficiente para fazê-la ir à escola nova em folha no dia seguinte.
Agora, naquele início de tarde, Madison estava em seu quarto sentada em frente ao computador aberto. Na tela, o rosto simpático de Daniel. Os dois estavam em uma chamada de vídeo há alguns minutos, conversando sobre uma variedade de coisas. Havia se tornado um hábito entre os amigos, não só eles, mas com Zoe, Scott, Olivia e Melanie também. Às vezes os seis compartilhavam a chamada e era uma algazarra só com um tentando falar por cima do outro, mas que sempre rendiam muitas risadas. No entanto, naquele momento apenas os dois conversavam, os outros amigos estavam ocupados com suas coisas em casa. Não era estranho os dois entrarem sozinhos naquelas chamadas, já havia acontecido diversas vezes, estavam realmente bem próximos como amigos e ambos sabiam que aquela amizade poderia facilmente se tornar algo a mais. Havia vontade de ambas as partes, só faltava mesmo o primeiro passo de algum lado.
Madison nunca havia namorado. Já havia dado seu primeiro beijo no ano anterior, mas nunca havia despertado nenhuma paixonite por ninguém em Nova York. Perto de Daniel ela ficava até tímida às vezes, porque apesar de nunca ter namorado, ela sentia que ele se aproximava dela cada vez mais, sem contar os flertes que trocavam, não era novidade para nenhum de seus amigos. Daniel, por outro lado, já havia tido uma namorada, algo que durou alguns meses no final do ano anterior e início daquele, mas desde então só havia ficado com algumas meninas, nada compromissado.
Ele estava interessado em Madison e não escondia isso. Não escondia, pois sabia que era recíproco, ele só estava esperando a oportunidade para investir em algo a mais. No momento eles eram muito amigos e gostavam de passar momentos juntos, se divertiam e, por enquanto, isso estava bastando. Ele só não sabia por quanto tempo mais esperaria, talvez quando sentisse Madison pronta. Ele sabia que ela já havia beijado, mas também sabia que ela nunca havia namorado na vida, então estava sendo cauteloso quanto aquilo. Não queria assustá-la e muito menos afastá-la. Mesmo sentindo a reciprocidade, não sabia até onde Madison queria ir e esperaria mais um pouco para entender o terreno que os dois estavam criando.
"Mas e aí, o que vai fazer o resto da noite de Halloween?", Madison perguntou olhando para a tela novamente depois de segundos de silêncio. Ela havia pedido licença para olhar rapidamente uma mensagem que havia chegado em seu celular.
Daniel, do outro lado, estava recostado em uma cadeira giratória, balançando-a lentamente de um lado para o outro enquanto jogava uma bolinha de basebol para o alto e a pegava em seguida.
"Eu prometi levar a Ava e uma amiguinha dela para pedir doces", respondeu calmamente.
"Oh. Que legal!" Madison sorriu, verdadeiramente empolgada. "Você é um ótimo irmão mais velho."
"É, eu tento", riu, dando de ombros.
Madison suspirou, desviando os olhos rapidamente para seu celular e novamente para Daniel.
"Zoe está torrando minha paciência. Ela quer porque quer ir à uma festa hoje na casa do Brian, a qual eu não to com a mínima vontade", bufou.
Daniel soltou uma risada.
"Por que, menina? Vá se divertir... Eu to de babá hoje, vá se divertir por mim", brincou.
"Não sei se é uma boa ideia. Eu meio que ainda tenho pesadelos com a última festa que fomos", se permitiu rir com a lembrança, mas a hesitação era real. Daniel também riu do outro lado. "Imagina se a treinadora Corcoran descobre de novo? Eu não quero estar na pele de um membro da equipe, ainda mais com a proximidade das Seletivas."
"Não é como se ela descobrisse sempre", Daniel brincou, e Madison fez uma careta.
"É, dessa vez a culpa foi minha mesmo."
Daniel encolheu os ombros, sorrindo compadecido.
"Bem, você tava tentando ajudar."
"Não precisa amenizar. Sei que a equipe me odeia até hoje por isso."
Daniel não discordou, apenas deu risada da expressão da garota.
"Mas enfim, eu não to afim de ir nessa festa hoje e já deixei claro, mas Zoe parece que não entende. Ela tem a Olivia e o Scott que já confirmaram que iriam, por que ela não me deixa em paz?"
Daniel torceu os lábios e deu de ombros, a encarando, e por fim deixou um sorriso crescer em sua feição.
"Sabe, eu tenho uma ideia..."
"Que vai me ajudar? Eu aceito o que for!"
"Bem, você gostaria de vir conosco? Ava e eu. Vai ser legal ter uma companhia que não tenha dez anos de idade."
Madison o encarou por alguns segundos, pensando na proposta. Não era uma má ideia, de fato, e ainda por cima era uma desculpa para escapar de Zoe. Afinal, sua melhor amiga era a maior shipper dela com o menino ruivo, segundo palavras da loira.
"Está com medo de duas garotinhas?", não perdeu a oportunidade de caçoar dele.
Daniel bufou fingindo irritação e revirou os olhos.
"Nah. É só que... Elas só falam das mesmas coisas e é irritante na maior parte do tempo", Daniel fez uma careta, em seguida ergueu uma sobrancelha. "Mas se você for vai ser diferente."
De novo, ele estava flertando. A maioria das vezes era assim, e Madison tinha as mesmas reações sempre. O estômago se enchia de mariposas alvoroçadas e podia sentir as bochechas esquentarem.
"Então só quer que eu vá para não ficar sozinho com duas menininhas?", provocou de volta. Apesar de ficar tímida, ela gostava daquele joguinho deles.
"Se você quiser enxergar dessa forma", deu de ombros, mas voltou a ficar sério. "Tudo bem se não quiser ir, sei que pode ser chato pra você."
"Não, tudo bem, eu adoraria ir", respondeu rapidamente, querendo se dar um tapa por isso. Não queria parecer desesperada. "Faz tempo que eu não vou atrás de doces ou travessuras", emendou, sorrindo.
O sorriso de Daniel cresceu novamente e ele então assentiu.
"Ótimo. Então eu posso ir te buscar mais tarde."
"Não precisa, eu vou encontrar vocês. Não vou fazer você vir até aqui. Vai gastar combustível e eu posso andar até aí, não é tão longe."
"Não é problema nenhum, Maddy."
"Eu insisto, Daniel. Eu encontro vocês aí às...?"
"Cinco. Pode vir cinco horas, normalmente saímos nesse horário, que já está escurecendo. Ava insiste para que seja mais divertido."
Madison sorriu e assentiu.
"Pode deixar, estarei aí", confirmou.
Os dois ainda conversaram por cerca de dez minutos antes de se despedirem.
BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY
"Ela chegou!", Ava gritou após abrir a porta de sua casa para a figura de Madison atrás dela. "Podemos ir, Danny Boy!"
Madison riu da inquietação da menina de longos e encaracolados cabelos ruivos, vestida toda de preto com um chapéu pontudo na cabeça e o rosto pintado de verde. Ao seu lado tinha uma menina do mesmo tamanho usando um vestido azul com os cabelos castanhos em duas tranças e um cachorrinho de pelúcia dentro de uma cestinha pendurada em seu braço, sapatos vermelhos enfeitando seus pés. Madison achou adorável que elas eram Elphaba e Dorothy.
"Oi, meninas", Madison sorriu para as duas garotinhas que agora a encaravam com curiosidade.
"Oi", A menina vestida de Dorothy acenou com um sorriso tímido no rosto.
"Você deve ser Ava", Madison se referiu à pequena ruiva, que a observava de cima a baixo.
"Você é a namorada do Danny?"
"Ava!", veio a voz de dentro da casa, e logo Daniel apareceu atrás das duas meninas e abriu mais a porta. "Finja que não ouviu isso, Maddy. Vem, entra."
Madison sustentava um rosto corado pela pergunta de Ava, um sorriso sem graça surgiu em seus lábios. Ela entrou quando Daniel tirou as meninas do caminho e observou a casa muito bem organizada do diretor de sua escola e da conselheira. Era esquisito entrar na intimidade deles assim, mas Madison sorriu para o toque extremamente caseiro e aconchegante que tinha. Havia porta-retratos espalhados e os móveis estavam organizados estrategicamente, algo que apenas a conselheira da escola podia fazer. Madison já havia visitado o escritório da Sra. Schuester, ela sabia como a mulher era. Ela olhou ao redor a procura de mais alguém, mas aparentemente só estavam os três em casa. Por algum motivo Madison achou melhor assim, seria um tanto embaraçoso encontrar o diretor Schuester em outro lugar que não em seu escritório da escola. Mesmo aquela sendo a casa dele.
"Danny! Você prometeu que iríamos assim que ela chegasse!", Ava bateu o pé e cruzou os braços.
"Nós já vamos, pentelha. Sossega!", Daniel revirou os olhos. "Deixa eu apresentar. Essa que você provavelmente já deduziu é a Ava. E essa é a Lily, melhor amiga dela. Meninas, essa é minha amiga, Madison", Daniel fez questão de enfatizar o 'amiga' dando um olhar à irmã.
"Prazer em conhecê-las, meninas. Eu amei suas fantasias. Sabiam que eu amo 'O Mágico de Oz' e 'Wicked'?"
"Obrigada, a gente também ama", veio a resposta em uníssono e as duas meninas se encararam rindo por falarem juntas. Elas faziam muito isso.
"Meus pais não estão em casa, mas acho que você já os conhece bem", Daniel sorriu sarcasticamente.
"Acho que sim", Madison concordou.
"Podemos ir agora?", Ava insistiu, erguendo uma sobrancelha pintada de verde.
"Desculpe por isso, Maddy. Elas estão esperando o dia todo."
"Sem problemas, nós podemos ir sim."
"Finalmente!", Ava ergueu os braços e puxou a mão de Lily até a porta. "Já gostei da sua namorada, Danny Boy."
Se pudesse ficar mais vermelha, Madison ficaria. Daniel também não pode esconder as bochechas coradas e balançou a cabeça em descrença. Ava não tinha nenhum filtro.
"Ava, para com isso!"
Os quatro andavam pelas ruas agora iluminadas pelas luzes dos postes do bairro, assim como muitas outras pessoas, batendo de porta em porta. Ava e Lily iam à frente dos dois adolescentes, conversando animadas sobre os doces que já haviam depositado em sua cestinha e caldeirão de plástico. O vento era cortante e as duas usavam casacos por cima de suas fantasias.
"Eu amava o Halloween quando era mais nova, mas não saía muito atrás de doces", Madison comentou, caminhando lentamente ao lado de Daniel. "O que recompensava eram as festas da escola, eram muito boas."
"Eu aprontava muito nessa época quando era criança, hoje em dia minha função é levar a Ava. Mas eu não me importo", Daniel deu de ombros. "Depois que ela vai para a cama, meus pais deixam eu escolher alguns doces da vasilha."
"Ava sabe disso?", Madison disse entre risos.
"Hoje em dia ela sabe, faz uns dois anos que descobriu. Ficou chateada no início, me acusou de traição. Então temos um trato de que se eu levar ela e a Lily, posso pegar alguns doces", eles riram. "Meus pais não deixam ela comer tudo mesmo, ela pode ser pior do que já é com um alto nível de açúcar dentro daquele pequeno corpo."
"Eu a entendo. Meus pais também sempre controlaram a quantidade de açúcar que eu como porque a consequência pra mim pode ser uma terrível enxaqueca. Tipo uma ressaca depois que o nível de açúcar abaixa", comentou, chutando uma pedrinha em seu caminhar lento pela calçada.
"Sério?"
"Uhum, muito sério. Eu fico realmente mal. Doce e café também, porque eu encho meu café de açúcar. Sou toda errada", brincou.
"Nossa", Daniel ergueu as sobrancelhas. "Já sei que nunca devo te entupir de doce. Mas eu já vi você tomando café no Lima Bean."
"Descafeinado."
"Oh", Daniel fez um som de entendimento. "Agora faz sentido."
"No Halloween normalmente meus pais guardavam os doces e eu podia comer uma vez por semana, às vezes nem isso. Eles são paranoicos porque a consequência é realmente muito ruim. Às vezes eu consigo escapar de uma enxaqueca, não é sempre que acontece, mas os traumas já foram tantos que é melhor evitar."
"Eu imagino. Minha mãe também tem certa nóia com a gente comendo muito doce, meu pai já é mais relax", disse o garoto.
"Sem contar que minha mãe é vegetariana, então pra ela quanto mais legumes eu comer, melhor. Doce é privilégio na minha casa."
"Que chato."
"Eu meio que me acostumei, mas às vezes é um saco", Madison deu de ombros, colocando as mãos no bolso de sua jaqueta.
Daniel a percebeu se encolher sutilmente.
"Tá com frio? A gente pode voltar..."
"Não, que isso. Não vamos estragar a diversão das meninas", ela apontou com a cabeça na direção de Ava e Lily, que caminhavam saltitando. "Mas então, essa é a única coisa que faz no Halloween? Levar sua irmã para pedir doce?"
"Nem sempre. Hoje eu estou de babá oficial porque meus pais foram jantar fora e demorariam a voltar, mas normalmente depois de umas voltas pelo bairro, fico livre da função. Às vezes vou em alguma festa que o pessoal inventa, ou então só vou a algum lugar com alguns amigos", deu de ombros.
"Entendi", murmurou, encarando as casas decoradas por onde passavam.
"Danny Boy! Podemos ir na casa do Sr. Lamonsoff? Ele sempre tem os melhores doces!" Ava gritou alguns metros à frente deles.
Daniel e Madison apertaram o passo e alcançaram as meninas.
"Ok, mas será a última casa, combinado? Já está ficando tarde."
"Ahhh não", a menina choramingou.
"Ava, por favor. Lembra do que o papai disse", Daniel ergueu a sobrancelha para a menina. "Vocês já estão cheias de doces, e aposto que o Sr. Lamonsoff vai encher ainda mais. É o suficiente."
"Tá bom", Ava deu um suspiro resignado e então eles começaram a caminhar novamente.
O Sr. Lamonsoff era um velhinho muito simpático que adorava crianças e adorava ainda mais mimá-las no Halloween. Todo ano ele tinha uma quantidade generosa de doces e sempre que sua campainha tocava, um sorriso surgia em seu rosto enrugado, e a criança sortuda atrás da porta sempre saía saltitando sorridente. Ele era viúvo e seus filhos já estavam casados, então seu passatempo favorito era sentar na varanda de casa vendo as crianças brincarem na rua ao entardecer, ou então pedalar por aí em sua bicicleta. Por vezes algumas crianças se juntavam a ele nas pedaladas, mesmo Ava e Lily já haviam apostado corrida com o velho que sempre deixava as crianças ganharem. Ele era adorado por seus vizinhos que estavam sempre tentando fazer com que ele nunca se sentisse sozinho.
Quando ele abriu a porta, seu sorriso cresceu ao reconhecer aqueles rostos.
"Ora se não temos aqui uma bruxa malvada e uma mocinha com seu cachorrinho Totó. Como andam as coisas no maravilhoso e mágico mundo de Oz, senhoritas?"
Ava e Lily deram grandes sorrisos.
"Está quase perfeito. Só precisamos de alguns detalhes para torná-lo perfeito", Ava disse contente.
"Oh. E o que seriam esses detalhes?", fingiu pensar, levando uma mão ao queixo barbudo. "Hmmm acho que tenho uma ideia do que pode ser... Deixe-me olhar aqui na minha caixa mágica."
Sr. Lamonsoff se virou por alguns segundos e então uma grande caixa surgiu em suas mãos, os olhos de Lily e Ava brilharam com a quantidade de doces que deveria ter ali dentro.
"Doces!"
"Oh claro. Eu não iria apreciar uma bruxa malvada e uma garotinha perdida fazendo travessuras no meu quintal. Aqui está, para tornar Oz perfeito", ele se inclinou para estar na altura delas oferecendo os doces.
Cada menina soltou um gritinho entusiasmado com os pacotes de M&M's, Twix, Toblerone e Twizzlers colocados em suas mãos.
"Muito obrigada, Sr. Lamonsoff!", as duas disseram ao mesmo tempo.
"Por nada, pequeninas. Oh, vejo um novo rostinho nesse grupo", Sr. Lamonsoff observou, ficando de pé novamente. Deu um sorriso em direção à Madison de pé atrás das meninas junto a Daniel.
"Olá, Sr. Lamonsoff. Sou Madison St. James, prazer", ela ofereceu a mão.
"Muito educada, Srta. St. James. Um prazer conhecê-la", o velho estendeu sua própria mão já gasta e balançou a da jovem adolescente. Ninguém perdeu a piscadela que ele lançou a Daniel, que sentiu seu rosto corar.
"Obrigada, Sr. Lamonsoff", Madison agradeceu timidamente.
"Pois bem, crianças. Preciso ir agora, tenho que repor a caixa mágica. Tenham uma boa noite e não aprontem nada por aí."
Os quatro se despediram e caminharam noite adentro de volta até a casa dos Schuester.
"Acho que já vou ligar para meus pais e avisar que podem vir me buscar", Madison informou quando eles já se aproximavam do portão.
"Eu posso te levar se quiser", Daniel ofereceu, não querendo que a noite acabasse.
"Não quero incomodar. Você tem as meninas e meu pai disse para eu avisar assim que quisesse ir embora."
"Então você quer ir embora?", Daniel ergueu uma sobrancelha. Madison ficou vermelha.
"Não foi isso que eu quis dizer."
"Relaxa, eu to brincando", o garoto deu um sorriso para a reação dela.
Madison rolou os olhos, rindo também. Rapidamente ela tirou o celular do bolso do casaco e enviou uma mensagem de texto para Rachel. A mulher respondeu de volta dizendo que Jesse estaria lá em vinte minutos.
"Ainda tenho alguns minutos", ela disse depois de guardar o celular, dando um sorriso mínimo na direção de Daniel.
Eles agora estavam no jardim da casa dele e Daniel sentou-se nas escadas da frente, silenciosamente convidando Madison para se sentar também. Ava e Lily já haviam entrado e estavam provavelmente na cozinha com seus amontoados de doces sobre o balcão.
"Adorei nosso Halloween", Madison comentou depois de alguns segundos em silêncio.
"Eu também não achei nada mal. Apesar de ter que ir atrás dessas duas, foi divertido ter sua companhia. Aliás, muito obrigado por me livrar do tédio."
"Faço o que posso", ela retorquiu, rindo. "E eu também tenho que agradecer por me livrar de Zoe."
"Por nada", riu também. "Eu ia te oferecer alguns doces para levar, mas acho que não vai ser uma boa ideia."
"É melhor mesmo. E eu não quero tirar o doce delas", sorriu desviando o olhar para suas botas, quando algo veio em sua mente. "Então, Danny Boy?"
Daniel jogou a cabeça para trás, rindo, e em seguida balançou-a de um lado a outro.
"Ela me chama assim desde que ouviu meu pai chamar quando era mais novo. Já pedi que parasse, mas não adianta."
"Eu achei fofo", Madison brincou. "Vou te chamar assim de agora em diante."
"Oh, não. Você também não."
"Está em minhas mãos. Danny Boy!", arrastou o nome para implicar com ele.
"Então vou te chamar de Maddie!", devolveu. "Parece ainda mais no diminutivo do que Maddy."
"Eu não me importo", deu de ombros, fingindo descaso.
"Ah, é?", ele ergueu a sobrancelha. "Pois agora você está em minhas mãos, Maddie Girl!"
A gargalhada dela contagiou a noite e Daniel não pode deixar de acompanhá-la. Eles riram até caírem em um silêncio, se encarando enquanto secavam os cantos dos olhos.
"Você é um idiota", brincou, empurrando o ombro dele.
"Agora eu sou um idiota?", fingiu ultraje.
"É. Usando dos meus argumentos para me atacar."
"Você quem começou, e eu só revidei. É proprietária das palavras agora, é?"
"Não sou proprietária, mas são de minha posse. É diferente", ela implicou de volta.
"Diferente como?"
"Adquiri com o tempo, são de minha posse. Não estão no meu nome logo não sou proprietária, mas por usá-las antes de você, estão sob minha posse."
Daniel não pode deixar de rir, ainda a encarando. Ele achava engraçado as vezes em que Madison gostava de dar explicações sérias em momentos nada sérios, apenas para implicar. Era engraçado e ao mesmo tempo encantador.
"Às vezes você é doidinha."
"Fazer o quê, meu avô é advogado. Entendo de posse e propriedade", deu de ombros, sorrindo.
Por instinto, Daniel ergueu uma mão até o rosto de Madison quando uma mecha de cabelo voou sobre o rosto dela, a colocando atrás da orelha. A menina sentiu o rosto esquentar instantaneamente com aquele gesto, sorrindo em agradecimento. Daniel devolveu o sorriso e se aproximou quando a viu se encolher.
"Ainda com frio?"
Ela não disse nada, apenas negou com a cabeça. De fato, não sentia mais frio. Daniel estava próximo demais, seu rosto estava corado provavelmente. A mão que havia colocado a mecha de cabelo atrás da orelha agora estava em sua bochecha, e com o polegar ele fez um leve carinho. Madison involuntariamente inclinou a cabeça na direção da mão e sorriu, apreciando o carinho. Ele estava cada vez mais próximo e agora ambos se inclinavam na mesma direção, as respirações aceleradas e as bocas entreabertas. Madison sentiu as mariposas acelerarem seu bater de asas em seu interior e ergueu uma mão até o ombro do rapaz, sentiu seus olhos se fecharem lentamente e já podia sentir a respiração quente de Daniel contra seu rosto.
"Danny Boy!"
Eles se afastaram rapidamente com aquele chamado abrupto. Erguendo a cabeça, Daniel viu Ava na porta de casa, os observando curiosa. Madison tinha a cabeça baixa e tentava controlar o coração acelerado pelo susto e pelo o que estava prestes a fazer segundos antes.
"Ava...", Daniel quase lamentou, mas suspirou e encarou sua irmãzinha, que segurava a maçaneta da porta aberta e sustentava um sorriso culpado.
"Atrapalhei alguma coisa?"
"Não, Ava. A gente tava só conversando", Madison respondeu rapidamente, colocando o cabelo atrás das orelhas e apertando os braços firmemente sob o peito.
"O que quer, Ava?", Daniel perguntou um pouco impaciente.
"Lily e eu podemos ir comer os doces no quarto enquanto vemos um filme?"
Naquele momento eles ouviram uma buzina. Erguendo as cabeças, viram o carro preto parado em frente ao jardim enquanto o vidro da janela abaixava revelando Jesse que sorria, acenando para eles.
Daniel sentiu a frustração lhe atingir em cheio, e Madison não estava diferente. Ambos se encararam e sorriram, aceitando seu destino.
"Bem, vou indo nessa", ela murmurou, limpando a garganta.
"Tudo bem. E mais uma vez, obrigado por ter vindo."
Eles ficaram de pé e, ainda meio sem jeito, se abraçaram rapidamente.
"Foi um prazer", sorriu, se desvencilhando do abraço. "Tchau, Ava. Diga à Lily que eu disse tchau também."
"Tchau, Madison", a menina acenou de volta.
"Nos vemos na escola?", Daniel sorriu de lado.
"Nos vemos na escola", ela concordou. "Tchau."
"Tchau."
Quando o carro acelerou, Daniel finalmente se virou para sua irmã que ainda o encarava com um sorriso sem graça.
"Foi mal, Danny Boy."
Daniel revirou os olhos e se aproximou dela, bagunçando levemente os cachos da menina antes de entrar em casa.
"O que eu faço com você, hein pentelha?"
BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY
Na semana seguinte, mais precisamente na terça-feira, Beth estava em uma missão crucial.
A porta de entrada de sua casa foi fechada rapidamente atrás de si e ela subiu correndo as escadas, indo até seu quarto para deixar suas coisas. Sua cabeça estava a mil por hora, assim como seus batimentos cardíacos. Hailey havia dado uma carona à amiga e estranhou o comportamento apressado da mesma, mas logo foi cortada quando tentou questionar. Beth tinha pressa, ela não podia dar explicações.
Durante suas aulas naquele dia, a menina havia estado em um conflito interno sobre como dar o passo seguinte em sua procura por respostas. Com a nova descoberta em relação à Madison e sua família, novas perguntas haviam surgido na cabeça da jovem. Uma coisa era certa, Madison e Rachel estavam ligadas, Rachel era filha biológica de sua mãe, e pelo que soube da mulher mais velha, foi na mesma época de sua adoção que Rachel e Shelby haviam tido algum tipo de contato mais próximo. Havia a possibilidade de Rachel saber de alguma coisa envolvendo seu nascimento, mas Beth não tinha tido a coragem ainda de chegar na mulher. E agora, sabendo da relação com Madison, talvez a menina pudesse saber de alguma coisa.
Era um tiro no escuro. Beth nem sabia se Madison estava envolvida naquela história toda. E era um risco questioná-la sobre aquilo e talvez colocar tudo a perder. Mas, Beth pensou, ela não tinha muitos caminhos por agora. Suas únicas opções naquele momento eram chegar em Rachel, perguntar à Shelby ou questionar Madison, e as duas primeiras ela não tinha coragem ainda.
Madison podia ser sua vitória ou derrota naquele assunto, mas ela teria que arriscar. Se quisesse ter alguma resposta para, talvez, finalmente suprir aquela necessidade interior de preenchimento, teria que ir atrás pelos caminhos mais fáceis, pelo menos fácil em sua cabeça.
Porém, naquele momento ela precisava fazer uma coisa antes. E esse era o motivo por ter chegado em casa tão apressada, aproveitando que era dia de terapia para Shelby então ela teria algumas horas sozinha. Depois de largar suas coisas no quarto, lavar o rosto e as mãos para acalmar os nervos, Beth foi até o escritório de sua mãe, ela sabia onde a mulher guardava alguns documentos que ela precisava olhar. Não que Shelby soubesse que Beth sabia, era uma coisa que a menina havia guardado para si mesma em uma de suas investigações curiosas pelas coisas da mulher. Entretanto, havia um certo documento que Beth nunca havia encontrado, e ela precisava dele para seguir com seu plano.
Vasculhando as milhares de pastas de sua mãe, Beth ficava cada vez mais frustrada. Sentada no tapete do escritório rodeada pelos documentos, ela estava em busca daquele que seria crucial. Olhando rapidamente o relógio na parede acima da mesa de mogno, Beth percebeu que já estava ali tinha quase trinta minutos, e se quisesse obter sucesso, teria que se apressar.
O tique-taque do relógio era seu pior inimigo naquele momento. Passando seus olhos minuciosamente por cada papel, um suspiro de frustração deixava seus lábios a cada vez que não encontrava o que queria. Até que uma pasta cheia de papéis pardo sob uma pilha de outras pastas captou seu olhar, ela ainda não havia aberto aquela. Suas mãos voaram rapidamente para ela, abriu e tirou de dentro todos os envelopes ao mesmo tempo, colocando tudo em seu colo para investigar um por um. Deveria ter uns sete ali, e foi apenas no quinto que Beth sentiu as mãos começarem a tremer e um nó se formar em sua garganta. Sua certidão de nascimento.
Obviamente Beth já havia visto sua certidão de nascimento, mas aquela era diferente. Era sua certidão antes da adoção. Sua primeira certidão. Aquela que continha o nome dos seus pais biológicos.
Largando tudo no chão, os olhos verdes se concentraram na leitura daquele documento em mãos trêmulas. Os olhos passavam rapidamente e seus lábios se mexiam lendo cada palavra em silêncio. Sua respiração acelerava a cada segundo e seu rosto começava a ganhar uma tonalidade rosada.
E ali estava.
"filha de Noah Puckerman e Lucy Quinn Fabray"
Noah e Lucy...
As lágrimas vieram automaticamente. Era a primeira vez que lia aqueles nomes, que escutava falar deles ligados a ela. Noah e Lucy. Aqueles eram os nomes das pessoas responsáveis pela sua existência. Seus pais biológicos.
Oh, boy...
E agora, o que Beth vai fazer com essa nova informação? Cenas dos próximos capítulos! Fiquem ligadinhos e não me abandonem, prometo me dedicar ao máximo nesse dramalhão vindo por aí. VEM AÍ GALERA, VEM AÍ!
Espero que tenham gostado e nos vemos no próximo capítulo. Beijo grande, se cuidem e cuidem dos seus!
