Vocês já estavam perdendo as esperanças de encontrarem uma atualização aqui, não é? Mas respirem fundo e relaxem, eu não desisto fácil das coisas que começo.
Então, antes que eu mate alguém de tédio, vamos ao capítulo o/
— Eu tentei parar. Pensei que, se eu não dormisse, os sonhos acabariam. Mas os pensamentos também se tornaram sonhos. Eu estava sonhando acordada e nem percebia.
Uma raposa-vermelha surgiu por entre os arbustos e recuou depressa, fugindo da companhia humana. Uma gralha de peito branco sentou no telhado da casa, indiferente ao tumulto abaixo.
— Não quero machucar ninguém, Saitama-san, mas não posso evitar. Eu até tentei acabar com a minha própria vida, mas não consegui. Minha cabeça não deixa.
Um lampejo de compreensão cruzou as feições do homem.
— Por isso você nos chamou...
Aquele sorriso foi toda a resposta de que precisava.
— Eu tinha esperanças de que um de vocês me salvasse.
O homem se exaltou.
Recuou, negou, quis fugir.
— Salvá-la?! Você está me pedindo para matá-la!
— É necessário. — ela afirmou suavemente. Os longos cabelos caiam ao redor do rosto em ondas macias, os lábios se entreabriram em expectativa. — Algum dia vou decidir sonhar algo mal. Algum dia vou odiar as pessoas e o mundo e então sonharei com o fim e tudo estará acabado. Você precisa me parar antes que isso aconteça. Eu sei que você vai conseguir.
Ela segurou o pulso do herói. Dedos macios manusearam delicadamente a mão, fechando-a em um punho firme, e a direcionou para o próprio peito.
— Me salve antes que eu me torne um pesadelo.
Genos percorreu as ruas da cidade em ritmo acelerado. Ouvia o zumbido do vento em seus ouvidos, via os prédios passando em rápida sucessão no limite da visão, e ainda assim não sentia que ia depressa o bastante, especialmente com a neve acumulada na altura dos joelhos. Suas calças estavam encharcadas, os tênis pesavam uma tonelada em seus pés e a umidade congelava em seus cabelos. Ele se perguntou, sem grande interesse, quanto tempo levaria para os serviços essenciais voltarem a funcionar corretamente na Zona Morta de Z-City — uma preocupação tola, útil apenas para manter sua mente ocupada e longe do remorso crescente.
Quando avistou o pequeno prédio residencial e encarou as janelas do apartamento que dividia com Saitama, ele hesitou. Genos temia a maneira como seria recebido — isto se sequer tivesse uma chance de se aproximar e se explicar.
Ele entendeu tudo errado, interpretou a situação da pior maneira possível e julgou Saitama tão terrivelmente mal que estava apavorado só de pensar nos danos que suas ações haviam causado ao homem.
Genos foi honesto com o Dr. Kuseno. Contou sobre a conversa na floresta, o túmulo sem nome, as palavras ásperas, o engano e o medo que o consumia agora que sabia dos fatos. O cientista foi paciente, porém firme, e o convenceu a enfrentar as consequências e corrigir as coisas da melhor maneira que pudesse.
Era o que pessoas adultas e sensatas faziam, por mais assustador que fosse.
— O mais importante, — o doutor explicara muito seriamente, olhos fixos na tela do computador. — é garantir que Saitama não faça nada estúpido. A saúde mental dele é pior do que eu havia imaginado.
E Genos concordara. De coração partido, mas concordara.
Ver Saitama como um homem descuidado e preguiçoso, talvez um tanto apático com relação aos assuntos do mundo, era uma coisa; incluir tendências autodestrutivas ao conjunto mudava todo o contexto e tornava seu comportamento extremamente preocupante.
Preciso encontra-lo. Preciso consertar tudo... preciso dizer a ele...
Genos respirou fundo e instou-se a avançar. Ficar parado no meio da rua não resolveria nada.
Aproximou-se do prédio, subiu as escadas, entrou no corredor e parou diante da porta. Vasculhou os bolsos, procurando as chaves. Destrancou a fechadura, tomou fôlego, e entrou.
As cortinas estavam puxadas para o lado, os colchões continuavam amontoados no canto da sala — exatamente como os deixara da última vez. Seus olhos vagaram para o banheiro, e não percebeu nada de incomum. Entrou na sala, o sentimento de estranheza crescendo a cada segundo, e ficou nervoso ao notar seus cadernos e livros no mesmo lugar que os deixava. Avançou para a cozinha e seus sistemas entraram em alerta. Nenhuma tigela foi movida, não havia lixo a ser recolhido, a pia estava seca.
Nada havia mudado porque ninguém entrou no apartamento.
Ele não voltou, constatou num pico de ansiedade. Um gosto amargo lhe subiu à garganta, pensamentos desordenados assaltaram suas memórias.
Ele bateu em Saitama.
Não um soco fatal — ninguém além do homem mais poderoso do mundo seria capaz disto —, mas certamente com força o bastante para machucar. Saitama não tinha condições físicas para suportar uma caminhada longa nem nos melhores dias, então, se ele houvesse batido a cabeça em uma pedra... ou estivesse congelado na neve porque ficou desacordado tempo demais...
E se, sozinho naquela floresta, ao lado do túmulo daquela mulher, ele decidisse acabar com tudo...?
Genos sentiu uma reviravolta enjoativa em seus sistemas, uma sensação fantasmagórica de náusea.
Ele está bem. Tem que estar bem. Mas para onde Saitama iria se precisasse de ajuda ou de um lugar para se esconder?, o jovem cyborg mordeu o lábio com força, desejando como nunca ter colocado um rastreador nas roupas do ex-herói.
Saiu do apartamento aos tropeços, sem se preocupar em trancar a porta. Desceu as escadas, atravessou a mureta baixa ao redor do prédio e parou na calçada.
O curso lógico de ação seria entrar em contato com amigos e familiares e só então contatar as autoridades. O problema é que Genos não conhecia — ou ao menos não se lembrava de conhecer — qualquer amigo que tivessem em comum, ou mesmo se Saitama mantinha algum relacionamento em particular.
Havia apenas um lugar, em toda a Z-City, que significava alguma coisa para Saitama: a casa na floresta.
Genos engoliu em seco.
A simples ideia de voltar àquela área, encarar a construção de madeira e os jardins silenciosos, o fazia se sentir doente. Mas se Saitama estivesse lá...
Ele tomou a trilha da montanha. Seus passos hesitantes lentamente se tornaram mais firmes e decididos.
Eu vou encontrá-lo, Genos decidiu.
Ele não desistiria de Saitama... não de novo.
Demorou menos de quinze minutos para encontrar a casa. Parte do caminho desaparecera sob o acúmulo de neve e as árvores pareciam quase iguais agora que perdiam as últimas folhas, mas Genos reconhecia os pontos de referência que criara na primeira visita.
A cabana continuava a mesma, no centro da clareira, marrom e sólida contra o branco macio do inverno.
Genos escaneou a neve, procurando rastros ou qualquer sinal de que havia um corpo soterrado abaixo das camadas frias. Não encontrou nada.
Pequenos flocos de neve caiam ao sabor do vento e nada nem ninguém se moviam em parte alguma daquela floresta.
O que eu faço agora?
Evidentemente Saitama não se deixou enterrar pela neve — uma ótima notícia —, mas onde estaria? Andar pela floresta a esmo seria suicídio. Animais selvagens e hipotermia poderiam matar um homem adulto em questão de horas se não soubesse como se defender ou se abrigar.
Genos avaliou a construção de madeira e, seguindo um impulso desconhecido, se aproximou. Subiu os degraus que levavam à varanda, mal prestando atenção no banco suspenso por correntes, e estendeu a mão para a maçaneta.
Por favor, não esteja trancada..., implorou.
Girou a peça de metal vagarosamente. Ouviu-se um clique baixo. A porta abriu com um rangido longo e desagradável.
Entrou na sala escura devagar, absorvendo o cheiro de poeira e desuso, o vislumbre das cortinas de brocado presas com fitas de cetim e os pequenos enfeites de cerâmica e vidro na cristaleira do outro lado do aposento. Uma lareira, esquecida há muito, acumulava uma pequena pilha de neve sobre as achas de madeira.
Uma tosse baixa e carregada o fez olhar para o lado, para o canto logo atrás da porta. Cobertores em escalas de azul e cinza se amontoavam desajeitadamente contra a parede e, no meio do tecido acolchoado, Genos avistou um punhado de cabelos escuros.
— Saitama-san? — chamou num tom cauteloso.
Um par de olhos cansados espreitou por cima das cobertas.
— Ah...? — o homem piscou algumas vezes, sem foco, e então riu baixinho. — Ei, eu morri?
Genos se obrigou a controlar o nervosismo e se aproximou do abrigo improvisado. A pergunta estranha e a voz arrastada eram preocupantes, mas nem de longe se comparavam ao diagnóstico que seus sistemas formulavam.
Afastou os cobertores gentilmente e segurou o rosto pálido em suas mãos. Estremeceu ao notar o inchaço persistente na mandíbula, o lábio partido e o sangue seco manchando a gola do casaco. Passou os dedos suavemente sobre a pele machucada, certificando-se de que nada se quebrara. Seus sensores enviaram um sinal de alarme. A temperatura de Saitama estava abaixo da média, perto demais de um choque hipotérmico.
Ajustou os cobertores ao redor do homem e o levantou nos braços tão cuidadosamente quanto podia. Saitama murmurou alguma coisa, sonolento, e afundou contra seu ombro, alegremente procurando um pouco de calor.
— Vamos para casa, sensei. — murmurou baixinho.
— É... acho que morri mesmo... — a resposta, meio soluço e meio riso, o acompanhou, pesada como o silêncio.
No tempo gasto para atravessar a floresta e voltar à cidade Saitama descongelara o bastante para recuperar a sensibilidade nas extremidades; o frio se fez sentir outra vez em tremores que o sacudiam da cabeça aos pés e no castanholar dos dentes. Genos não sabia se aquilo era um bom sinal ou se deveria correr para o pronto socorro mais próximo.
O sistema de aquecimento do prédio continuava com defeito e os corredores sombrios lembravam uma caverna abandonada nos confins do mundo. O apartamento que compartilhavam não estava muito melhor.
Genos carregou Saitama até o banheiro, praticamente executando manobras de contorcionismo para equilibrar o homem semiconsciente na borda da banheira enquanto ligava a água quente e lutava para livrá-lo das roupas molhadas.
— Ei... — Saitama murmurou de repente, encarando os azulejos brancos como uma coruja. Genos parou de trabalhar nos cadarços congelados, sua atenção inteiramente focada no companheiro. — Isso está errado. Você não morreu... se você não morreu não pode estar aqui, certo? — as palavras eram desarticuladas, cortadas por suspiros trêmulos, mas o rapaz as compreendeu. — Então eu não morri...
Ele riu, parecendo decepcionado com a novidade.
Curvou-se um pouco.
— Por que não estou morto? Eu devia estar...
Genos balançou a cabeça, os protestos e apelos sufocados em sua garganta.
Queria acreditar que aquelas palavras eram induzidas pelo frio, um tipo de delírio temporário, e que em poucas horas tudo ficaria bem. Mas sabia que estaria mentindo para si mesmo. Aquela era uma confissão sincera, era o pensamento que Saitama vinha engarrafando no peito durante todos aqueles meses, a coisa que vinha alimentando desde a morte daquela mulher.
— Não. — Genos se esforçou para soar firme, para sustentar sua certeza acima das dúvidas de Saitama. — As coisas que eu disse para você na floresta... eu estava errado. — abandonou o trabalho nos laços do tênis e segurou os ombros do outro. — Eu devia ter ouvido você. Devia ter tido um pouco mais de fé. Eu fui precipitado e as coisas que eu disse não foram justas. Você não fez nada de errado, Saitama-san. Você apenas fez o que tinha que fazer.
— O que eu tinha que fazer... — ele repetiu devagar, tremendo horrivelmente. Genos sentiu-se oprimido quando viu as lágrimas correrem pelo rosto machucado. — Eu não queria me tornar esse tipo de herói. Devia ter outra maneira... qualquer maneira...
As palavras desbotaram no ar, os soluços ganharam força e em questão de segundos tudo se reduziu a um murmúrio incoerente e lágrimas profusas. Genos o deixou chorar. Não tentou minimizar sua angústia com discursos otimistas, nem mudou o foco do assunto para almo mais leve; simplesmente permaneceu ali, quieto e paciente, próximo o bastante para Saitama saber que não precisava mais suportar tudo sozinho.
O pranto eventualmente se tornou um queixume exausto, as emoções confusas assentando aos poucos, e por fim restou apenas o cansaço mortiço agarrado aos ossos. Genos enxugou as lágrimas restantes, ofereceu um sorriso reconfortante e retomou a tarefa de despi-lo das roupas molhadas. Não foi tarefa fácil, mas conseguiu livrar Saitama das calças e da camisa antes de colocá-lo na banheira.
O homem afundou na água morna sem o menor sinal de reconhecimento e parecia capaz de permanecer assim até o fim dos tempos se ninguém o incomodasse. Foi Genos quem ensaboou as mãos e — com um pedido de desculpas pela ousadia — lavou os resquícios de sangue e terra que se agarravam à pele e aos cabelos.
— Eu... eu vou buscar roupas limpas. — avisou. — Volto logo, okay?
Permaneceu ao lado da banheira por mais alguns minutos, na esperança de ouvir um pedido adicional ou comentário, mas Saitama continuava mergulhado naquele silêncio impassível. Pôs-se de pé, ainda que relutante, e saiu para procurar roupas quentes e limpas no armário embutido.
Encontrou poucos agasalhos, a maioria tão gastos que mal rebateriam uma friagem de outono. Lembrou, com leve amargura, que pretendia levar Saitama para uma promoção de agasalhos antes de toda aquela bagunça acontecer. O homem mais poderoso do mundo não se incomodava com coisas mundanas como queimaduras de sol ou resfriados, então fazia sentido seu guarda-roupas se encontrar num estado tão deplorável.
Genos fechou os olhos e aboiou a testa na porta do armário.
Sendo honesto, ele sabia que Saitama o havia provocado na floresta; o homem queria ser interpretado da pior maneira possível e se apoiou em sua ignorância para consegui-lo. Também sabia que só podia culpar a si próprio por sua reação violenta naquele dia.
A mulher que Saitama enfrentou, segundo os dados que conseguiram recuperar no disco de memória, desenvolvera um poder psíquico tão elevado que fugira de seu controle. Ela transcendera a barreira da matéria e começou a criar monstros no mundo real. A intensidade desse poder era tanta que não tardaria para ela perder completamente o controle.
Quando a Associação percebeu isso e tentou pará-la sua mente reagiu para protegê-la. Ela se tornou tão inatingível quanto uma deusa. E apenas Saitama conseguiu superá-la.
A gravação de segurança se encerrara pouco depois do golpe fatal. Era impossível adivinhar o que aconteceu com Saitama após o herói se ajoelhar ao lado da mulher e ouvir suas últimas palavras.
O som de água se agitando trouxe Genos de volta à realidade. Recolheu as roupas apressadamente e voltou para o banheiro. Saitama se sentara e, silenciosamente, olhava para as mãos como se as enxergasse pela primeira vez.
O rapaz se aproximou, deixou as roupas no banquinho próximo à pia, e se abaixou ao lado da banheira.
Seus apontamentos diziam que Saitama era completamente careca e que isto, de alguma forma, estava ligado ao seu poder incomparável. O homem a sua frente tinha cabelos escuros, ainda que curtos, e esta talvez fosse a maior prova de que seu poder se perdera.
Cuidadosamente Genos segurou as mãos de Saitama. Sua pele apresentava manchas avermelhadas, queimaduras de frio, e certamente permaneceria sensível por dias até os danos serem curados.
Essa quietude obediente o preocupava. Se houvesse uma maneira de fazê-lo falar então Genos saberia por onde começar a consertar as coisas. Poderia pesquisar, poderia encontrar respostas, e ela faria o que fosse necessário... mas como lugar contra o silêncio?
— Saitama-san? — chamou baixinho. Não houve resposta. — Sensei? — tentou novamente.
O homem piscou devagar e olhou para Genos.
— A água está ficando fria. — informou.
Saitama anuiu. Moveu-se devagar, meio incerto, e fez menção de se levantar. Genos passou o braço ao redor de suas costas e o ajudou. Rapidamente pegou a toalha e o secou, vestindo-o no velho pijama de flanela antes de fazê-lo entrar num velho casaco moletom que encontrara nas zonas esquecidas do guarda-roupa.
Estava trabalhando nos cabelos, determinado a secá-los o melhor que podia, quando Saitama se inclinou contra ele e segurou seus braços.
— Havia algo que eu pudesse ter feito por ela? — perguntou num fio de voz.
Genos não precisava perguntar a quem se referia e não se surpreendeu ao notar a dor em seu tom.
— Não. — murmurou em resposta. — Segundo as informações que tenho, mesmo recebendo treinamento aquela mulher era uma ameaça letal à todas as criaturas vivas. Era tarde demais para tentar ajudar.
Saitama anuiu vagarosamente.
— A culpa não foi sua.
Quando aquelas palavras deixaram sua boca e Saitama estremeceu, apoiando-se nele como se o resto do mundo estivesse caindo, Genos percebeu que era isso que Saitama precisava ter ouvido desde o começo.
— Estou feliz que tenha conseguido encontrá-lo.
Agachado ao lado de Genos, o doutor Kuseno estudou o rosto de Saitama cuidadosamente e aplicou um curativo térmico sobre a bochecha machucada. O inchaço diminuíra, mas nunca era bom deixas essas coisas ao acaso.
— Conseguiu encontra mais alguma informação sobre a mulher? — Genos perguntou.
Kuseno se afastou, sentou-se sobre os artelhos, e suspirou, desanimado.
— Até o momento não encontramos nada. Suspeito que ela tenha apagado seus registros em algum momento, talvez numa tentativa de apagar a si mesma e evitar todos esses problemas.
Genos aquiesceu solenemente. Em seus braços Saitama se encolheu, as mãos escondidas sob o casaco, procurando a área quente nas costelas do cyborg.
— Bem... — Kuseno levantou. — Agora vamos dar um jeito nesse aquecedor.
Após o banho — e tão logo trocou as próprias roupas — Genos preparou um chá quente, sentou-se com Saitama na sala de estar e contatou Kuseno; primeiro para dizer que encontrara o colega, e depois para perguntar se o cientista entendia alguma coisa de aquecedores. O velho poderia ter explicado que engenharia robótica e reparos em aquecedores tinham pouca coisa em comum, mas imaginou que ninguém daria muita importância ao que quer que dissesse no momento.
— Aliás, sua prova de admissão é amanhã, não é?
Genos hesitou, conferiu rapidamente o calendário pendurado na parede e mordeu o lábio. O garoto tinha obviamente esquecido tudo sobre o assunto.
Seu foco voltou para Saitama.
— Talvez eu não deva ir. — disse baixinho.
— Mas você estudou tanto! — Kuseno protestou, chocado. — Eu não aprovo isso. Você deveria ir!
O rapaz trincou os dentes com teimosia.
— Não vou deixar Saitama-san sozinho.
O cientista franziu as sobrancelhas. Em circunstâncias diferentes ele também não teria deixado Genos sozinho se o rapaz precisasse dele... mas também não lhe parecia justo que tanto esforço fosse desperdiçado.
— Eu posso vir e verificá-lo. — notou a objeção vindo e levantou a mão para calá-la. — Sei que estou ocupado, mas posso dar um jeito de estar aqui, mesmo que com intervalos.
— Mas não posso...
— Faça a prova, Genos.
Os dois homens congelaram, surpresos ao escutarem a voz rouca e arrastada. Nos braços de Genos, ainda meio escondido pelo capuz do moletom, Saitama entreabriu os olhos dando.
— Mas... — o rapaz tentou contestar.
— Sem "mas". — cortou. — Se não fizer a prova vou chutar seu traseiro pessoalmente.
Genos estremeceu, não porque estivesse com medo de ser chutado mas porque certamente Saitama seria o único com o pé dolorido se cumprisse a ameaça.
— Tudo bem... eu vou.
Saitama se mostrou satisfeito com a resposta e Kuseno suspirou.
As pessoas eram complicadas; por isso ele preferia as máquinas.
Agora, onde eu estava mesmo?, perguntou-se avaliando o aquecedor.
