Escarlate: roupas de segunda mão

Prólogo
Fecho


Era incerto - ou ao menos seria assim para a bruxa - como aquele pingente parara em seu pescoço. Para ela, a história sempre começaria com: ele estava no fundo de uma cesta de vime. Pois foi no meio de uma de suas madrugadas de segunda, enquanto revirava as caixas recém-chegadas de roupas velhas, que Ginevra achou a pedra lapidada, quase transparente, que parecia tão nova e tão velha ao mesmo tempo. Não fosse pelo fecho quebrado do colar - e pelo colar em si, que parecia mais velho do que ela algum dia seria -, teria certeza que o item fora posto por engano na caixa de doações.

Ali no meio de seu brechó, a mulher que segurava o cristal tinha duas opções: colocar um preço, ou colocar no bolso. Infelizmente, teria que esperar até a noite para coloca-lo em seu pescoço, e com essa decisão, sua nova bijuteria - pois com certeza aquilo não era uma joia - foi descansar no bolso esquerdo de sua calça jeans surrada.

Naquela primeira segunda do mês de setembro, Ginevra Molly Weasley pensava que aquele seria apenas mais um dia. Nunca imaginaria, especialmente às cinco e meia da manhã, que o amor da sua vida estaria há horas de se mudar para o apartamento que havia acabado de ser desocupado ao lado do seu. Ela já tinha o amor - ao menos pensava o ter. Por muito tempo, para a bruxa dona de um brechó trouxa, aquela segunda feira era apenas outro começo de semana qualquer. Separaria todas as novas mercadorias enquanto acabava com uma caneca de café, abriria a loja às nove em ponto, almoçaria atrás do caixa, esperaria Luna chegar com seu segundo café do dia no meio da tarde e então, às oito em ponto, trancaria a porta da frente após apagar as luzes.

E naquela segunda, tudo correu igual como sempre, ao menos até a bruxa fechar a porta de sua casa atrás de si. Sim, assim que ela pisou no apartamento, sua gata interrompeu seu sono e levantou a cabeça para checar quem era, como sempre. A ruiva também jogou sua bolsa e chave sobre o sofá, chutou seus sapatos e foi direto para o banho, como quase sempre. E xingou assim que lembrou que não havia nada para jantar além de pão e ovo, muito comum nas segundas-feiras, após um final de semana sem ir ao mercado.

Mas após o jantar simples, ela não voltou para o livro que andava devorando, estrategicamente posicionado na cabeceira de sua cama. Naquela noite, mais precisamente às nove e vinte e dois, a bruxa de cabelos vermelhos abdicou as páginas de seu romance para focar no que havia prendido sua atenção no começo de sua manhã. E prender sua atenção aquele colar teimoso conseguiu, se negando a consertar-se com um simples toque de varinha e a obrigando a usar suas habilidades manuais quase nulas.

Às exatas dez horas da noite, Ginevra fechou o colar em volta de seu pescoço, observando com certo prazer seu reflexo no espelho do quarto. Mesmo em seu pijama, aquela peça conseguia ser bonita. O colar cobre combinava perfeitamente com seus cabelos, enquanto o pingente parecia iluminar seu colo. Era lindo. Era perfeito. Era-

"Puta que pariu!"

Extremamente barulhento e mal educado seu novo vizinho, não conseguiu deixar de notar após o xingamento cortar o ar pela já terceira vez. Era o amor de sua vida, e ela se apaixonaria tanto pelas qualidades quanto por sua boca suja. Mas às dez e dez da noite, e com uma longa terça feira à frente, ela não poderia dizer-se feliz com sua nova companhia. Controlou-se muito para não ir bater em sua porta quando às dez e vinte, escutou o barulho de o que parecia ser uma pilha de caixas despencar. E não fosse seu sono pesado combinado com o cansaço que sempre a acompanhava após um começo de semana, teria ido ver que diabos estava acontecendo após um ruidoso pop soar pela vizinhança.


Nota da autora: Oi gente, tudo bem? E aqui estou eu com mais um projeto. Pra quem ainda me acompanha, eu estou QUASE TERMINANDO o final de A Promessa, não desistam dela!

Para quem leu até aqui, vou adorar saber a opinião! Me deixa uma review pra eu ter um feedback ;)

Acabei de perceber que sempre começo uma fic quando estou para acabar a que estou escrevendo - e aí enrolo eternamente pra acabar. So sorry!

Um beijo grande,

Ania Lupin.