Father
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"Sabe, às vezes penso que fazemos a Seleção cedo demais..."
Alguns anos depois da morte definitiva de Voldemort, Harry finalmente parou para refletir verdadeiramente sobre as memórias de Snape. Quando estava na penseira, entrando nas lembranças do comensal da morte, ele apenas concluiu que aquela era a verdade e que ele teria que morrer.
A notícia de sua própria morte já planejada assustou Harry. Essa verdade foi o que lhe tomou os pensamentos, bloqueando todos os restantes que envolviam Snape.
Harry passou o olhar rapidamente pela noiva deitada ao seu lado na cama de casal. Ele e Gina nunca haviam realmente conversado sobre aquela época. Tinha sido um tempo dele, de Hermione e de Rony.
Mas nem mesmo com Hermione e Rony ele conversou sobre o que havia visto na penseira. E aquilo era tão... Terrível. Snape havia se sacrificado por anos pelo bem dele. Se sacrificado por amor à uma mulher já morta.
Uma mulher que ele amou por pelo menos trinta anos.
"- Depois de todo esse tempo?" Ouve uma longa pausa antes da resposta simples e verdadeira de Severo. ''Sempre.''
Harry devia ter contado para alguém. Pelo menos uma pessoa além dele e de Dumbledore devia saber daquela história. Mas Harry ficara calado depois de descobrir tudo aquilo.
Snape deveria estar amaldiçoando-o em seu túmulo. Talvez não, já que ele mesmo pedira para Dumbledore esconder aquilo ''o que ele tinha de melhor'', como o próprio Alvo havia dito.
Contaria para Gina e para Rony e para Hermione quando fosse possível. Mas não naquela noite, pois ele já colocava suas botas e aparatava em um cemitério familiar em Godric's Hollow.
Aquele lugar lhe trazia lembrança da vez em que havia ido ali com Hermione, anos antes e vira o túmulo de seus pais. Agora não havia neve ali, apenas o comum frio noturno e o silêncio da madrugada.
As lápides em sua volta não eram familiares, e Harry pôs-se a andar pelo cemitério, procurando pelo nome que tanto ansiava.
Severo Snape 1960-1998, dizia a lápide simples. Nenhuma frase brilhante, nenhuma data, apenas o ano de nascimento e o ano da morte. Harry passou a mão quase que carinhosamente sobre o nome, e teve que conter a vontade de chorar que se apoderou de si.
- Eu não sei bem se você queria que eu contasse isso para alguém ou não, mas Hermione, Gina e Rony saberão quem você foi realmente. - Harry tirou a varinha do bolso de seu casaco e apontou para a lápide, escrevendo na pedra.
O homem mais corajoso que já conheci.
Em seguida, ainda com a varinha, o bruxo colocou flores ao redor de toda a lápide. Ele sabia que não importasse quantas colocasse, não seria o suficiente, mas colocar muitas parecia bom.
- Dumbledore estava certo quando disse que eles faziam a Seleção cedo demais. Talvez, se tivessem feito um pouco mais tarde, você teria ficado com minha mãe. Bem, isso mudaria toda a história, não é mesmo? E o que foi feito está feito. - Harry sorriu, meio entristecido. Ele virou-se de costas e começou a andar para longe da lápide.
Como se Snape ainda estivesse vivo, e não morto, Harry se virou, meio risonho.
- Ah, esqueci de dizer. A gente nunca se deu muito bem, mas você foi com certeza quem mais cuidou de mim por todo esse tempo, certo? Bem... Obrigado por ter sido como um pai para mim, então.
E o bruxo se afastou, enxugando as lágrimas que teimavam em escapar de seus olhos devido á emoção. Por trás da máscara que tinha sobre si, Snape havia verdadeiramente cuidado dele, protegido-o. Por mais que tivesse sido por Lílian em grande parte, com o tempo ele havia criado afeição por Harry.
Harry reconhecia e agradecia por isso. E ele visitaria aquele túmulo ao menos uma vez por ano, para colocar flores e se certificar que a escritura na lápide de Severo não estivesse se desfazendo.
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Uma fic de 10/09/2012 que achei aqui no computador. É estranho ter essa fic fofa Snape/Harry com relacionamento de pai e filho e, na mesma pasta, outra 18+ que eu shippo os dois loucamente... Enfim.
