MoonWiccan: Olá! Já faz algum tempo, te devo milhões de desculpas por fazer esperar, mas aqui estou eu com mais um capítulo, sei quantos ímpetos fazem com que atrase a história, mas como disse antes eu não vou parar até que esteja finalizada. Bom a reação de Sasuke será no próximo capítulo, você já pode imaginar kkkkkk, estou no time em que acha um milagre Itachi se controlar. Pobre Sakura, continua com a idéia de não se deixar levar pelo amor que sente ao Uchiha, será até onde vai sua resistência hahaha. Beijos e até breve.

Capítulo 48: Fascínio

O amanhecer em Konoha parecia diferente dos outros lugares em que viveu. Tinha andado por muitas aldeias e vilarejos nos últimos sete anos, tinha visto de tudo um pouco, admirado cidades e naturezas diversas, lindas, exóticas, inesquecíveis. Mas ali, sentada na varanda de sua casa, enrolada em um lençol para evitar o frio da madrugada, ela via a manhã nascer em um silêncio só seu.

Olhou para o céu onde laranja, amarelo e vermelho se misturavam em uma belissíma aquarela de cores sobre o manto que deixava de ser negro e se tornava azul. Era impressionante e única a beleza do país do fogo, por um tempo ela apenas admirou.

Sempre que chegava aquela estação do ano sentia Itachi presente dentro de si, marcado em sua pele, e seu filho sendo tão parecido com ele não ajudava a esquecer. Ela nunca entendeu aquela dependência, aquele poder que tinha sobre ela, ela o amou acima de tudo.

Naquele momento, não sabia no que pensar. Sua cabeça e coração estavam confusos, e ela sabia que tinha a ver com Itachi. Em seu coração, sabia que ele estava por perto, observando, considerando os próximos passos.. Era a mesma sensação de quando a perseguiu sete anos atrás. Será que a viu na noite passada? Será que viu Itame? Se ele realmente tivesse visto Itame, o que estaria pensando agora? Essas perguntas giravam tanto em sua mente, que a deixava tonta.

A rosada bufou irritada, negando os sentimentos adormecidos. Observou as folhas, sentindo a brisa suave balançar os fios rosas ao redor do rosto, se concentrando em começar o dia, que incluia a tarefa de matricular Itame na academia. Ela se ergueu, disposta a começar os preparativos para a refeição matinal.

Após o café da manhã ambos percorreram as ruas movimentadas, durante todo o percurso, Itame questionou sobre a academia, a rosada mencionou os ensinamentos básicos que já o havia instruído e que aos poucos subiria as classificações. Ele estava muito atento e pensativo, reparando ao redor da aldeia com certo fascínio.

Do lado de fora da academia podia-se distinguir o amontoado de vozes infantis. Sakura parou próxima a uma grande porta, o som abafado de risos e uma voz com autoridade rossoavam. Ela se distraiu com lembranças do passado, mal ouvindo seu nome ser chamado, tirando-a de seu devaneio.

— Então você voltou, já faz um tempo. O rapaz se aproximou com as mãos no bolso.

Sakura moveu a cabeça para a fonte da voz, avistando Kiba, ele parecia o mesmo, exceto pelo cavanhaque evidente.

— Kiba! Ela exclamou surpresa.

Seus olhos captaram uma pequena figura montada sobre Akamaru, que parecia tão grande e peludo como sempre. Tinha longos cabelos espetados em um tom castanho escuro, marcas predominantes nas bochechas e um olhar de cor purpura familiar... Os olhos da rosada se arregalaram em percepção. Kiba tinha uma filha com Kasemaru.

Ele pareceu notar suas suspeitas, corando de imediato. Sakura conteve o riso, identificando pequenos traços semelhantes á mãe na criança, assim como a postura.

— Eu sou Kaena Inuzuka. A voz infantil ressoou.

— Eu sou Sakura Haruno. Ela deu um olhar a Kiba que parecia relaxado. — E esse é meu filho, Itame.

Kiba pareceu não acreditar em seus ouvidos, todos seus sentidos focados na criança que despertou sua atenção.

— Ele me faz lembrar alguém... O moreno semicerrou os olhos com a aparência familiar do menino.

Sakura sentiu uma súbita urgencia de mudar de assunto, seus dedos formigaram e o coração bateu loucamente.

— Acho que não fui a única a dar continuidade a nossa geração tão depressa. Ela disse sorrindo, torcendo para soar o mais calmamente possível.

— Ha, você esteve fora tanto tempo, precisa ver os outros. Kiba disse com um sorriso de canto.

Funcionou, a rosada respirou aliviada. Nos próximos minutos ouviu Kiba a colocar a par das novidades em Konoha, como os gêmeos de Neji e Tenten, o relacionamento de Shikamaru com a princesa da areia, a reconstrução do Clã Uchiha. A última menção fez seu coração palpitar.

Kiba se despediu, partindo com Kaena e Akamaru, deixando um convite para visita no ar. Mas a rosada estava perdida em pensamentos, os Inuzukas eram bons farejadores, e se Kiba sentiu o cheiro de Itachi em Itame... O que isso implica? E sobre a reconstrução do Clã... Teriam encontrado a matriarca Uchiha perfeita? Itachi teria outros filhos? Não. Por algum motivo, aquilo fez seu estômago se comprimir amargamente.

— Mãe? Itame chamou, observando-a com cautela.

Com o corte em seus pensamentos ela olhou a sua volta, se deparando com sobrancelhas escuras enrugadas e um olhar fixo.

— Vamos. Ela sorriu docemente, disfarçando o entorpecimento interno.

No interior da academia, Sakura foi recebida por Iruka, com o seu bom e velho olhar carinhoso de sempre, ele não pareceu curioso a respeito de Itame, e se o fez foi tão discreto que não se notava. Não fez perguntas incovenientes ou supérfulas, a recebeu muito bem e apresentou a Itame a academia com um passeio generoso. Por fim a rosada estava satisfeita e Itame mais animado do que nunca.

Ela estava mais do que surpresa ao saber que Shino era o mais novo recrutado como sensei, mas por dentro sentiu conforto em saber que seu filho estaria nas mãos de um conhecido. O sol do meio dia os atingiu do lado de fora, Sakura prolongou o passeio pela aldeia, parando ocasionalmente em uma loja de doces, sorriu educadamente para a garçonete enquanto Itame examinava o extenso menu pendurado na parede.

— Experimente tudo que quiser. A rosada o tocou no topo da cabeça.

Ela estava preparada para ouvir uma infinidade de coisas, mas ao ouvir "dango" sua expressão incrédula foi inevitável.

Ocuparam uma mesa de madeira refinada, o cheiro adocicado preenchendo suas narinas. Sakura observou Itame comer com satisfação, o que trouxe um sorriso bobo em seu rosto, ela sabia, mas não podia evitar.

— O que é tão engraçado? Ele indagou com uma carranca, muito parecida com a de seu pai.

— Não é nada. Sakura gesticulou desviando o olhar.

A verdade é que ela não se lembrava de Itachi em nenhum momento em sua infância, mas sabia que se o visse, seria exatamente como Itame. Ela fechou os olhos enquanto bebericava o chá, sendo atingida por todos os lados por memóriasque insistiam em torturá-la diariamente.

Ela mordeu o lábio decidida a deixar o passado no passado, olhou em volta o estabelecimento pouco movimentado, até que algo surgiu.

— Quero te apresentar alguém importante. A rosada terminou o chá, pegando a mão pequena com ternura.

— Hn. Itame a olhou com uma bochecha cheia.

Mas já era tarde, ele se viu ser carregado enquanto sua mãe seguia em velocidade pelas ruas movimentadas, no minuto seguinte, ela estava pulando pelos telhados com habilidade nítida. A rosada prosseguiu, se dando conta do quão sentiu falta desses pequenos detalhes.

Sakura concentrou mais chakra, subiu as escadas sentindo uma emoção explodir no peito, fazendo cócegas subir a garganta. Seus pés se tornaram mais rápidos, e ela se deparou com a porta a qual se viu adentrando inúmeras vezes. Por fim parou, tomando uma respiração.

— Bem, aqui estamos. Ela anunciou com um misto de nervosismo.

Itame se posicionou ao seu lado, mãos no bolso e um olhar que dizia "vá em frente", o que a fez engolir em seco, bom, ela só teria de lidar com um temperamento ardente semelhante ao seu.

Vamos você pode fazer isso. Ela se encorajou internamente.

Prendendo o ar, ergueu a mão corajosamente para bater a porta, quando a mesma foi escancarada em um estrondo.

— Já basta! Vou sair para beber algo! A voz aguda reverberou no ar.

Foi como um baque, olhos castanhos límpidos encontraram os seus em choque, os cabelos em tom ouro reluziam, sua aparência juvenil era a mesma, impecável. Seus lábios se abriram brevemente, dizendo seu nome de maneira ríspida.

— Sakura! Tsunade pronunciou em descrença.

A rosada fez a única coisa que julgava possível.

— Shisou! Gomen nasai. Ela se jogou aos pés da loira murmurando incessantemente.

— Por onde andou todos esses anos sem reportar a mim, a Godaime Hokage! Baka! Tsunade vociferou, fechando a mão em um punho, destilando um murro certeiro no topo na cabeça da rosada.

Sakura sibilou com o rastro de dor, mas quando ergueu os olhos se deparou com algo raramente visto nas esferas castanhas, um olhar de afeto profundo, apesar do tom notório de ameaça em sua voz.

— Eu proíbo que passe pelos portões, isso é uma ordem direta. Seus olhos soltavam faíscas, um indício claro que começaria uma briga naquele instante se houvesse recusa.

— Hai. Sakura levou a mão ao peito em reverência.

Itame presenciou a troca surpreso, durante todos esses anos sua kaasan nunca se curvou as vontades de ninguém, pelo contrário, era decidida, agia com autoridade. Aquele rosto... ele mirou a loira atentamente, familiar. Foi quando olhos castanhos fulminantes miraram em si diretamente, como se penetrassem sua alma, a força que exalava de sua mera presença foi o suficiente para se sentir intimidado.

Quando um vislumbre dançou diante seus olhos, seu rosto, era o mesmo que avistou no topo da aldeia, sem dúvidas, a mesma face. Imitando o gesto de sua kaasan ele pronunciou em agitação.

— Hokage-sama. Ele segurou o olhar, impertubável. Apesar do crescente formigamento em seu interior.

— Tsunade-sama, quero que conheça Itame... Meu filho. Sakura anunciou, inconscientemente esperando a aprovação de sua mestra.

A loira piscou incerta, sobrancelhas franzidas ao captar cada detalhe explícito da criança a sua frente. Aquele olhar ousado, com certeza herdara de seu pai. Tsunade mirou Sakura com olhos de águia, uma pergunta não dita.

E a rosada negou, olhos verdes suplicantes. A loira estreitou os olhos em resposta, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios ao fitar o menino.

— Vamos garoto, não precisa de toda essa formalidade. Tsunade ergueu o braço puxando-o para si. — Yosh! Para a churrascaria já! Ordenou com o punho erguido em celebração.

Sakura seguiu o gesto levantando o punho com alegria, sentindo o coração se aquecer.

Depois de uma segunda rodada de churrasco e muito saquê, a Godaime perambulou pelas ruas sem deixar escolhas, arrastando-os consigo. Sentou em um banco cambaleante, sentindo o mundo girar a sua volta.

— Shisou, você ainda é um péssimo bebedor. Sakura a apoiou no banco, vendo de relance Itame se recostar na grama não muito distante.

— Cale-se, eu gostaria de lhe dar uma surra que a faria atravessar os portões pelos ares! A loira resmungou.

— Eu não podia contatar... ele saberia. Ela disse em um sussurro.

— Hn. Tsunade grunhiu com falsa indignação. No fundo, sabia que o Uchiha faria qualquer coisa por tal informação. — Itame já sabe? A loira perguntou em tom baixo.

— Não, tenho que prepará-lo primeiro, quero dizer, ele sabe que viemos até aqui para encontrar o pai... mas não reuni coragem suficiente para dizer. Ela torceu os dedos nervosamente.

— Faça isso, ou as coisas podem piorar. Tsunade a instruiu, soltando um longo suspiro.

— Sei que ele não está na aldeia, mas se mantém perto, posso sentir. Sakura disse um tanto abalada. — Estamos interligados, isso me faz sentir coisas, preciso me livrar disso.

— Um tipo de Jutsu? Isso é perigoso Sakura, há ritos antiquados em que não há nada que possa fazer. A loira disse alerta.

Sakura emudeceu, sentindo um calafrio intenso se esparramar em seu interior. Imagens do ritual a atingiram subitamente, o contato em ambas feridas, a visão do passado sombrio de Itachi, o líquido ardente da taça salpicando sua língua, olhos vermelhos implácaveis...

— Sakura? Tsunade a olhou com preocupação evidente.

— Eu estou bem. Ela podia sentir as batidas erráticas de seu coração, dissipando a névoa anterior.

— Vá até a sala de pergaminhos e dê uma olhada, a troca de guardas é a meia noite. Não deixe rastros. Tsunade ficou de pé, dando um último olhar a criança deitada preguiçosamente sobre a grama.

— Arigatou. Sakura a observou se afastar, mordeu o dedo pensativa, articulando uma maneira de fazê-lo.

Ela se esparramou ao lado de Itame sobre a grama, adivinhando no que parecia o formato inusitado das nuvens, sem ver o tempo passar.

Estava escuro quando chegaram em casa, Sakura estalou os dedos indo até o balcão de madeira.

— Vou preparar o jantar, quer algo em especial? Ela indagou, amarrando o pequeno avental na cintura.

— Não, ainda estou cheio de qualquer maneira. Ele se sentou, cotovelos apoiados na mesa e a cabeça entre as mãos.

Sakura arqueou a sobrancelha enquanto cortava os legumes, tentando decifrá-lo indiretamente, quando isso falhou ela o interrogou.

— O que te incomoda? Seus olhos o buscaram atentamente.

— Nada. Ele desviou o olhar propositalmente.

Os olhos de Sakura se estreitaram ferozmente quando rugiu.

— Não minta pra mim!

Itame a olhou com uma carranca, franzindo o cenho em resposta.

— Amanhã ingresso na academia, mas sou atrasado comparado aos outros da turma. Despejou em aborrecimento.

— Não se sinta inferior por isso, Tio Naruto reprovou diversas vezes e hoje é o Hokage. Sakura se aproximou e deslizou a comida para perto de Itame. — De toda maneira, suas habilidades irão definir seu futuro como Shinobi, e conhecendo-as sei que você pode se formar antes dos outros.

— Mesmo? Ele questionou animado, levando uma porção de molho a boca.

Sakura apenas sorriu, dando uma mordida. Quando terminaram ela se ocupou em lavar os pratos, dando uma olhada ocasional no relógio.

— Já pra cama, amanhã você vai acordar bem cedo e terá um longo dia. Ela ordenou, vendo a relutância nos olhos ônix.

— Mas... Ele protestou.

— Não esqueça o que Tsunade-sama disse, irá lhe apresentar no campo de treinamento amanhã, vindo da Godaime é muito importante, sinta-se privilegiado. Sakura encerrou o assunto, enxugou os utensílios e removeu o avental.

— Eu não vou te decepcionar. Itame garantiu, coçando o sono dos olhos.

— Sei que não. Sakura se aproximou, cutucando-o na testa carinhosamente.

As pequenas bochechas esquentaram e ele logo se despediu com pressa, ansiando pelo amanhecer.

A meia noite se aproximava e Sakura sentia-se pronta, os cabelos ainda estavam úmidos do banho recente, usava um vestido comum e sandálias habituais. Deu um último olhar no quarto onde Itame dormia serenamente, por precaução, deixou um Bunshin supervisionando-o.

Ela se misturou em meio a escuridão, vagando entre as sombras. Era um noite fria e repentinamente sentiu aquele arrepio na nuca, parou em seus pés e se virou para olhar ao redor. Nada. Nada se moveu, não houve nenhum som, nenhuma respiração, mas aquela sensação... ainda estava lá.

Ignorando o alerta incessante em seu âmago, seguiu em frente, adentrando com facilidade. O local estava mal iluminado, estranhamente silencioso demais. A rosada se moveu graciosamente entre as prateleiras, sem fazer nenhum som, seus olhos percorrendo rapidamente pergaminhos com aparência ancestral, quando um em específico chamou sua atenção, com um minúsculo símbolo da lua.

Seus dedos o tocaram ansiosamente, ela removeu o broche, desenrolando devagar. Quando na última volta, ela estalou, a mesma sensação a apunhalou como uma faca, todos os pêlos do corpo se arrepiaram e uma corrente elétrica percorreu sua espinha.

Seu coração de um salto, seus joelhos ficaram fracos e o corpo começou a estremecer. Sakura sabia exatamente quem era sem nem mesmo precisar olhar.

Sabia que devia se virar, mas, por algum motivo, seus pés não se moviam. Estava enraizada no lugar, como se seu coração palpitasse na velocidade de mil quilômetros por hora. Todas suas emoções pareciam emaranhadas umas nas outras, conforme sua adrenalina subia a um patamar altíssimo.

Apertou o pergaminho entre as mãos o máximo que pôde, como se lhe trouxesse algum refúgio.

Tudo dentro de si estava gritando que deveria se proteger, mas não era sua vida que corria perigo. Era seu corpo, coração, mente e alma. Tudo o que sempre pertenceu a ele.