Disclaimer: Eu pedi Permissão para fazer essa tradução, e nem eu nem Mistress Malica e Charm1355 são donos de Star Wars Rebels.


Sozinho. Ali, sentado. Somente seus pensamentos para lhe fazer companhia. Enrolar-se no canto da cela fria era tudo que o jovem Ezra podia fazer para se esquentar. Enquanto esfregava os braços numa tentativa futil de se aquecer (mas não muito ou iria piorar seus vários cortes e ematomas) ele olhava ao redor pela milionésima vez, só podendo ver as paredes escuras e cinzas que o prendia dentro daquela suja cela na terrível base Imperial. Ezra olhava ao redor e considerava pela enésima vez que qualquer lugar seria melhor que esse lugar horrível. Pelo menos nas ruas ele era livre, mesmo que sentisse fome e estivesse constantemente com frio, sem nenhum lugar pra dormir e ninguém pra lhe fazer companhia.

Nessa base Imperial ele era forçado a passar por torturantes sessões de treinamento, era espancado não só pelos stormtroopers que o "treinavam" mas também por outros Inquisidores que recebiam ordens do Grande Inquisidor, para tratar a criança sem misericórdia. Se Ezra resistisse treinamento, ele era restringido dolorosamente por algemas, correntes ou jogado em uma jaula dentro da qual não podia quase se mover. O pobre menino especialmente odiava quando o prendiam a uma mesa de tortura, já que isso sempre significava que não só o puniriam restringindo seus movimentos, mas também significava tortura por choques elétricos intensos. Eles pensavam que isso o quebraria, mas não.

As vezes também o prendiam para testar novas drogas. Ezra odiava isso, ele nunca sabia qual efeito um novo medicamento teria nele. As vezes parecia que ele estava pegando fogo, enquanto em outro teste Ezra via imagens psicodélicas que o deixavam tonto.

A prisão quase não o alimentava; as vezes ele não recebia comida alguma como forma de punição. Ezra estava mais magro, e se sentia mais fraco de que quando vivia nas ruas. Seu estômago rugia com apenas o pensamento de comida e água. Estava tão sedento e tão faminto que isso lhe causava fortes dores de cabeça. Quando não era forçado a treinar ou torturado, as vezes Ezra era deixado por longos períodos de tempo congelando na cela solitária que habitava no momento. O isolamento parecia ter um efeito pior no mental do garoto do que tortura física. Nenhum barulho, niguém falando. Era o suficiente para fazer qualquer um perder a cabeça. Não que isso importasse; Ezra podia enlouquecer, podia perder a esperança pela tortura e treinamento, e de nada adiantaria. O pequeno garoto seria enviado a Mustafar para sua execução no dia seguinte de qualquer jeito.

A morte. Ela o assustava. Ezra quase não podia suprimir seus calafrios só de pensar no que o esperava: Mustafar. A dor que sentia agora pelas feridas de seu "treinamento", seriam provavelmente nada se comparada a dor que sentiria lá. A ameaça de ser enviado a Mustafar era algo que o Inquisidor usava há tempos para tentar manter Ezra na linha, e agora ele estava realmente sendo transferido para lá. Tudo isso era culpa dele. Ezra podia sentir seu medo transformar-se em ódio quando pensava nele.


Flashback

Ezra corria rua abaixo, perseguido por vários stormtroopers. O menino rapidamente enguliu o último pedaço da fruta que tinha conseguido roubar, para que, pelo menos, não conseguissem tirá-la dele. Ezra odiava roubar, mas que escolha você tem quando se é um raro de rua? O Império vinha tentando prendê-lo por dois anos, sem sucesso.

"Volte aqui agora!" gritou um dos troopers.

"Hmhm. Ok, como se eu fosse esperar vocês me prenderem!" Ezra pensou, enquanto entrava correndo em um beco com uma parede no fundo.

O pequeno correu em direção ao muro e começou a escalar, esperando que isso jogaria os stormtroopers fora de seu caminho, como já tinha acontecido várias vezes antes.

"Volte aqui agora, seu rato sujo!"

Os troopers gritavam no chão lá embaixo, mas nenhum deles parecia querer escalar atrás do menino. Ezra chegou ao topo e começou a descer pelo outro lado da construção; seus pés tinham quase tocado o chão quando ele sentiu algo frio ao redor de seu pescoço.

"Você já tentou esse truque antes. Agora fique quieto, a não ser que queira que eu te estrangule, rato."

disse a voz que Ezra odiava acima de tudo. Agente Kallus, o homem que tinha sempre tentado prendê-lo, desde o início. Os pais de Ezra sempre lhe disseram que era porque o menino era sensível à Força, um termo que ele não conhecia na época. Era por causa desse homem que o garoto tinha perdido seus pais; porque eles tinham resistido sua prisão e ajudado Ezra a escapar ao custo de sua própria liberdade. O Império tinha descoberto o equipamento de rádio de seus pais, e prendeu-os imediatamente por ajudar o escape de um prisioneiro e por falar contra o Império.

Por dois anos, o Império vinha caçando o pequeno, tentando capturar o menino sensível à Força, e agora eles o tinham.

Ezra chutou e gritou em protesto, o que fez Kallus apertar seu braço ao redor do pescoço do pequeno, fazendo Ezra começar a apagar.

"Aqui é Agente Kallus. Nós temos ele. Alertem o Inquisidor imediatamente" Kallus reportou em seu comunicador.

"Agora, rato, você vai ver o Inquisidor, e se você se comportar, pode ser que a gente deixe você ver seus pais." Kallus, sarcástico, zombou então do menino.

Ser lembrado de seus pais daquele jeito quebrava o coração do pequeno Ezra; ele odiava Kallus tanto por tirá-los dele. Ezra tentava futilmente se soltar, o que fez Kallus apertar seu braço mais ainda.

"Um animal tão selvagem. Vamos ver se um rato pode ser domesticado."

E, com isso, Ezra perdeu a consciência.

Fim do flashback


Quando Ezra acordou mais tarde, se encontrou na mesma cela na qual estava agora, encurralado pelo Império e forçado a passar por treinamentos torturantes e era tudo por causa daquele homem estúpido.

"Agente Kallus é um estúpido" pensou o menino, raivoso, pois tinha sido aquele idiota que o tinha mandado para cá, era culpa dele que Ezra estava na situação em que se encontrava. Oh, como ele odiava aquele homem. Se Ezra ficasse só um pouco mais forte, ele o estrangularia, ele usaria a Força para...

"Não!"

Ezra rapidamente deixou seu estado de raiva, isso NÃO era o que seus pais teriam querido para ele, essa NÃO era a razão pela qual ele continuava resistindo. Seus pais não quereriam isso, eles sempre tinham falado para Ezra sobre não se deixar levar por ódio e raiva. Seus olhos imediatamente se encheram de lágrimas ao lembrar de seus pais.

Onde estavam eles? Como eles estavam? O que estava acontecendo com eles? Será que eles iam saber quando ele morresse? Ezra não pôde segurar as lágrimas que corriam por suas bochechas ao pensar em como ele sentia a falta deles. Outro pensamento então despontou no menino; será que eles ainda estavam vivos?

Eles foram levados quase três anos atrás, Ezra não tinha como saber se eles eram prisioneiros, ou se eles tinham sido executados ou algo pior ainda. Esses pensamentos terríveis faziam o estômago de Ezra revirar, mas era possível. O Império tinha executado pessoas por menos do que falar mal do sistema. A probablilidade era alta que os pais de Ezra se foram. Se foram significando: Mortos.

Mesmo com os lembretes constantes de que o Império os tinha, nunca tinha sido permitido a Ezra vê-los ou descobrir o que aconteceu com eles. Isso fazia que o garoto tivesse quase que total certeza que o Império estava mentindo para ele, e que seus pais estavam mortos, e não presos em outro lugar como Kallus tinha dito.

O menino não pode conter uma risada. Se seus pais estivessem mesmo mortos, Mustafar seria uma bênção. Pelo menos na morte, ele estaria longe do Império, de toda a dor, e de volta com sua mãe e seu pai.

Mesmo assim, a morte o assustava, com sua infinitude escura. Ezra tinha tantas perguntas sobre ela...

Seria doloroso? Sua morte seria pior que seu tratamento aqui? Ele sabia que quem ou o que quer que fosse que estivesse esperando ele em Mustafar, era o suficiente para assustar até os Inquisidores. Quando Kallus mencionava Mustafar aos novos prisioneiros todos pareciam desviar o olhar ou até ter calafrios ao ouvir o nome. E agora ele estava indo lá. Como ele tinha chegado a tal sentença? Porque assim como seus pais, ele falava o que pensava.


Flashback

Ezra caiu no chão e suspirou, mesmo com a nova ferida em seu lado, que protestava a cada movimento, o menino não demorou em se levantar. Se Ezra não levantasse rapidamente, ele receberia um corte do sabre de luz do Grande Inquisidor. O trooper estava ao seu lado, esperando ele continuar outro round em treino de combate. Ezra podia sentir sua raiva para com o trooper fervendo e tentava com todas as suas forças contê-la.

"De novo, e dessa vez, quando atacar, tente MACHUCÁ-LO" disse a fria voz do Grande Inquisidor.

O trooper atacou, e Ezra conseguiu não deixar sua raiva solta; ela voltava e crescia cada vez mais durante os ataques, mas o menino a colocava de lado. Ezra se abaixou quando outro murro vinha em sua direção e teve que lutar contra um impulso que dizia para ele acabar com seu oponente usando a Força.

"Faça o que eu digo ou não terá comida hoje!" O Inquisidor ameaçava.

Infelizmente, isso distraiu Ezra tanto que o trooper acertou outro murro na mandíbula do garoto e ele foi ao chão mais uma vez.

O Inquisidor estava de pé sobre do menino com frustração e raiva espalhadas por sua face, "Ezra Bridger, seu rato de rua inútil, você é incapaz de completar até a mais simples das tarefas!"

A raiva de Ezra chegou ao seu pico.

"Isso é porque eu NÃO vou fazer o que você quer!" Ezra respondeu enquanto se levantava. "Eu NUNCA vou seguir uma ordem sua ou do Império! EU PREFERIA MORRER!" Gritou o menino, soando mais corajoso do que realmente era, Ezra deixou sua raiva guiá-lo para que conseguisse finalmente defender-se a si próprio.

O Grande Inquisidor, carrancudo, levantou sua mão para bater no menino, que cruzou seus braços sobre o rosto como defesa. Então o Pau'aun abaixou sua mão, e esperou Ezra relaxar os braços, então tapeou o menino com força no rosto, tanto que Ezra acabou jogado no chão, cuspindo sangue. Por horas o Grande Inquisidor fez os stormtroopers espancarem Ezra com a intenção de virar o menino para o lado negro, e estavam quase conseguindo, mas Ezra continuava determinado a não utilizar a Força como o Inquisidor queria. No final do dia, Ezra estava ensanguentado e cheio de ronchas e machucões. Seu corpo inteiro doía. Quando o Inquisidor arrastou o garoto de volta para sua cela, o Pau'aun jogou Ezra no chão com força, piorando ainda mais os machucados do pobre garoto.

"Tive o suficiente de você, seu rato." O Inquisidor cuspiu com desgosto em direção a Ezra antes de contar ao menino sua decisão. "Vou te mandar pra Mustafar assim que a nave chegar em três dias. Parece que você vai mesmo escapar disso tudo... NA MORTE."

Fim do Flashback


Já que isso tinha acontecido dois dias atrás (Kallus lembrava o menino de quanto tempo ele ainda tinha), era só uma questão de tempo antes de Ezra ser levado a Mustafar. Ele tinha ficado em sua cela sem nada para comer ou beber, e mesmo que isso o livrasse de ver o Inquisidor e os troopers que batiam nele, Ezra ainda estava faminto e com sede. Quando a sensação familiar de humor consumiu o garoto mais uma vez, Ezra tentou imaginar o que seus pais pensariam dele; estariam orgulhosos que seu filho afrontou o monstro, ou em desespero porque seu único filho ia morrer?

Mas Ezra não teve muito tempo com esse pensamento, sua cela abriu, revelando o velho costeletas.

"De pé, moleque." Kallus ordenou enquanto arrumava as algemas do garoto.

Ezra continuou sentado, se virando de Kallus em afronta. Ezra teve que lutar contra um impulso de chutar Kallus quando ele chegou mais perto. O Agente, de pavio curto, puxou Ezra pelo cabelo até que o menino ficasse de pé, e o jogou contra a parede.

"Você realmente não aprendeu NADA aqui." E com isso, Agente Kallus prendeu as mãos algemadas de Ezra a uma corrente para que o menino pudesse ser arrastado atrás. Kallus parecia gostar de forçá-lo a seguí-lo, acorrentado como um cão.

Kallus então puxou a corrente, forçando o menino para perto de si, e sorriu:

"O Grande Inquisidor tem um visitante que ele quer que você conheça. Se eu fosse você, eu daria minha atenção indisputada, quem sabe, pode até te salvar de Mustafar."

Ezra tentou imaginar o que o Inquisidor tinha em mente para ele, e se valeria a pena, se significasse que ele não ia receber a última punição.


Notas da Tradutora:

Yay! Finalmente consegui terminar o primeiro capítulo!!!

Hello gente, bem vindos a essa obra maravilhosa que é Iluminando o Caminho! Desde que eu li essa fanfic em , eu me apaixonei. Então pedi aos autores; Mistress Malica e Charm1355, para traduzir essa obra maravilhosa. Eles me deram a permissão e bem, cá estou eu.

Thank you, Mistress Malica and Charm1355 for giving me this amazing opportunity to exercise my english by translating your beautiful fic!

-Amanda

P.S. Preparem seus lencinhos porque vocês vão chorar muito nessa aventura!