Era com muito orgulho que segurava o convite que tinha nas mãos. Para ser sincera, ainda se recusava a acreditar que, de fato, aquilo estivesse acontecendo. Desde pequena, Clara Oswald já mostrava talento para pintura – talento este que foi muito incentivado e alimentado pelos seus pais. Como resultado, enveredou-se pela Escola de Belas Artes e era uma especialista em História da Arte, título que se orgulhava muito de ter obtido. Entre seus muitos sonhos e objetivos de vida, havia um que se destacava mais do que os outros: trabalhar no The National Gallery, em Londres.
Ela obviamente havia visitado outros museus do Reino Unido e da Europa, no entanto nenhum fascinou a jovem da mesma forma que o National Gallery. A beleza do acervo e a importância daquelas peças faziam seu coração acelerar e apertar no peito, pois Clara sabia bem a importância que aquele lugar tinha. Atualmente, o acervo estava sob a responsabilidade de uma autoridade no assunto e muito respeitada no meio artístico conhecido como "O Doutor". Ou, pelo menos, esse era o nome com o qual John Smith assinava suas obras no início de sua carreira. Sendo um apaixonado pelas Artes, enveredou por esse caminho muito cedo, ainda na adolescência. Foi músico, ator, escritor, desenhista e pintor – era, nas palavras dos críticos, "um artista completo".
De fato, a jovem recém graduada era uma grande fã de seu trabalho, seja como escritor, pintor ou artista abstrato. A animação de saber que era ele o curador responsável pela galeria se mesclava ao medo de não ser considerada boa o suficiente para trabalhar ali. Sem muitas esperanças, enviou seu currículo e portfólio e esperou. Passaram-se dias, semanas sem que recebesse alguma resposta. Já havia desistido, porém, foi naquela manhã ensolarada de 20 de agosto que aquela correspondência chegou. Em um envelope bonito e com as iniciais da galeria, havia um convite impresso onde se podia ler:
Senhorita Clara Oswald,
Está convidada a comparecer à Galeria no próximo dia 23, às 3:00pm.
O sr. Smith estará à sua espera para a entrevista.
Aguardamos sua presença!
O dia 23 parecia não chegar nunca, entretanto, o tão sonhado dia chegou. Clara levantou mais cedo que de costume, vestiu-se com um terno simples, porém profissional e bonito, e se dirigiu à galeria – e lá estava ela com o pequeno papel em uma das mãos e uma pasta na outra. Respirando fundo, foi até o local indicado na carta para a entrevista.
Não demorou muito e o senhor John Smith apareceu, exatamente na hora marcada. Essa era a primeira vez que a jovem o via pessoalmente e, bem, ela estava surpresa. O homem era alto e magro, tinha cabelo grisalho e incríveis olhos claros como o mar aberto. Vestia um terno escuro e sem gravata. Cumprimentou Clara com um aperto de mão amigável assim que entrou na sala.
– Clara Oswald, certo? – Ela meneou a cabeça afirmativamente. – Acredito que iremos fazer um bom trabalho aqui, você e eu, juntos.
