Alice está chateada.
Bom... Eu diria que ela está muito chateada, dava pra notar isso enquanto ela me observava terminar de arrumar meu cabelo. Normalmente ela mesma faria isso, porque por algum motivo apenas o que ela faz fica perfeito.
Mas eu não iria ceder.
Não mesmo.
– Quando? – ela perguntou, a voz seca como um deserto e suspirei.
– Eu não sei – disse e ela cruzou os braços.
– Isso não é justo! – resmungou franzindo o cenho e rolei os olhos.
– Alice, estamos junto há pouco tempo. Eu não quero assustá-lo ainda.
– Por que iria assustá-lo? – basta apenas olhar para você. Claro que não disse isso, ainda não era louca o suficiente, por isso apenas dei de ombros. – Você está indo conhecer os pais dele, pelo amor de Deus! Ele não iria se assustar comigo.
Respirei fundo pela milésima vez. Desde que contei a ela que estaria indo conhecer A família, ela tem infernizado minha vida apenas para conhecê-lo, mas eu ainda não tinha a coragem necessária para isso.
– Vamos fazer assim, iremos combinar um dia para sair ou preparar um jantar na minha casa. Nos reunimos e você finalmente o conhece, tudo bem?
Ela concorda, mas ainda assim não parece estar satisfeita. Claro que ela não estaria, Alice é, e sempre foi, a criatura mais irritante e impaciente que eu já conheci, porém nem mesmo por isso eu iria ceder. Já estava nervosa o suficiente em conhecer os terríveis Cullens e não tinha duvida que eles não iriam aprovar a pobre e simples Isabella.
Edward me preparou para isso e eu realmente não queria ir a essa festa, mas queria mostrar a ele que ficaria ao seu lado independente do que seus pais achavam.
– Você está bonita – disse Rose ao entrar no quarto e sorri.
– É apenas algo natural – dei de ombros e ela balançou a cabeça.
– Está preparada? – perguntou e respirei fundo antes de assentir.
– Seu garoto rico vai vir te buscar? – perguntou Alice finalmente descruzando os braços e vindo me ajudar com o colar.
– Qual o seu problema com gente rica? – soltei um riso e ela fez uma careta. – Ele vem sim – um sorriso se formou em seu rosto e eu sabia o que ela estava pensando. – Nem pense nisso, você vai ficar aqui e eu vou descer.
– Espero que a mamãe rica lhe jogue um cheque na cara – resmungou e foi minha vez de fazer uma careta.
Pelo que me disseram dela, a mulher é uma vadia total.
– Não se preocupe Bella, tenho certeza que tudo irá acabar bem – Rose me tranquilizou e suspirei.
– Eu espero.
Meu celular piscou e abri a mensagem de Edward dizendo que havia chegado.
Eu suspirei e disse.
– Ele chegou.
Alice terminou os últimos ajustes no meu cabelo e eu me levantei, encarando meu reflexo no espelho.
E uau, por um breve momento eu não reconheci a mim mesma, aquela figura bonita vestido um elegante vestido vermelho que Alice havia me emprestado.
Sim, não parecia eu mesma.
– Você está ótima – Alice elogiou e respirou fundo. – Tudo bem, eu sei que tenho sido uma cadela chata, mas você não precisa se preocupar essa noite. Seja apenas você mesma e eu garanto que eles vão amá-la. Se não for o caso, apenas chute o traseiro do papai e da mamãe rica.
Eu soltei um riso e a puxei para uma abraço.
– Obrigada Licinha – brinquei e ela me afastou fazendo uma careta.
– Já disse para não me chamar assim. Agora vamos antes que seu garoto rico fique impaciente.
Elas me acompanharam até o elevador e me despedi das duas e de Jake.
– Bella! – Alice chamou assim que entrei no elevador e a olhei.
Ela parecia um pouco preocupada.
– Não se esqueça. Não importa o que acontecer, estaremos com você.
Eu a olhei surpresa e ao mesmo tempo confusa.
O que foi que aconteceu com ela hoje?
– Eu sei... – sorri. – Obrigada Alice.
Ela assentiu abrindo um sorriso e limpou os olhos rapidamente.
– Boa sorte.
As portas do elevador fecharam e franzi o cenho. Alice está estranha.
Muito estranha.
Segundos depois eu sai do prédio e encontrei Edward encostado em seu caro ridiculamente rico.
Ele arregalou os olhos ao me ver e sorri indo em sua direção, parando a sua frente.
– Peguei a baba – passei o dedo pelos seus lábios e ele pareceu acordar do seu transe.
– Você está... Linda – elogiou e eu corei.
Deus... Eu corei, o que esse homem está fazendo comigo?
– Obrigada. Você também está muito... – olhei para seu corpo, vestido por um terno azul escuro, e abri um sorriso. – Gostoso.
– É sempre um prazer, gatinha – ele beijou delicadamente meus lábios, tomando cuidado para não borrar o batom vermelho e suspirei de prazer. Ele é, como sempre, perfeito.
Abriu a porta do carona para mim e estendeu a mão.
– Vamos?
Sorri aceitando sua mão e ele me ajudou a entrar no carro e rapidamente fechou a porta do carona e entrando logo em seguida do outro lado.
O caminho foi agradável como sempre, ele me falou o que iriamos fazer, quem iriamos encontrar e sobre alguns colegas de trabalho. Não demorou muito para chegarmos, infelizmente o local não ficava muito longe, então em menos de 20 minutos chegamos.
Ele parou o carro e eu respirei fundo. Vamos lá, você consegue Bella.
– Não precisa ficar nervosa – ele disse ao ver meu estado e eu bifei uma risada.
– Eu nervosa? De onde você tirou essa?
Ele arqueou uma sobrancelha na minha direção e revirei os olhos.
– Tudo bem, talvez eu esteja um pouquinho nervosa – ele riu e buscou algo no banco traseiro.
– Fique de costas para mim – pediu e franzi o cenho.
– Por quê?
– Você é muito impaciente, sabia? – fiz uma careta e virei de costas para ele.
– E você é muito chato, sabia?
Ele soltou um riso e um segundo depois colocou uma mascara em frente ao meu rosto.
– Rose não me falou nada sobre ser um baile de mascaras... – comentei e ele ficou em silencio por um segundo.
– Foi uma decisão de ultima hora – apenas disse e não insisti no assunto.
– Por que eu sinto que você está gostando disso? – perguntei tentando conter o riso enquanto ele colocava a mascara em mim.
– Porque você pode estar certa meu amor – disse e um segundo depois sinto um beijo em meu pescoço. – Eu sempre quis ver você assim... Agora só falta um único detalha.
Eu me virei o olhando de boca aberta e tentando conter o riso.
– Oh meu... Por favor, não me diga que é um chicote.
Seus lábios se curvaram e ele escolheu os ombros.
– É meio que uma fantasia.
Não aguentei mais e gargalhei, fazendo-o me acompanhar.
Eu sabia o que ele estava tentando fazer e realmente estava dando certo, mas quando o riso acabou nos ficamos em silencio e tudo que eu podia pensar era no que o que aconteceria a seguir.
Essa não irá ser uma noite fácil.
Então ele me oferece um sorriso fraco e abre a porta do carro, fechando-a logo em seguida e segundos depois a porta do meu lado é aberta.
– Você está pronta? – ele perguntou para mim oferecendo sua mão e por um breve segundo eu hesito.
Se eu estava pronta?
Definitivamente não.
Eu não conseguia sentir minhas próprias pernas, meu estômago está embrulhado e eu sinto que a qualquer minuto vou vomitar. Eu quero voltar para casa, me embrulhar em seus braços e assistir algum filme idiota romântico.
Não, eu não estou pronta.
Mas quando olho para seu rosto percebo a preocupação em seus olhos e sei que ele não quer fazer isso assim como eu. Uma única palavra e estamos fora. É isso que ele está me dizendo.
Eu poderia fugir. Nos poderíamos fugir.
Mas em vez disso eu apenas ofereço minha mão para ele me ajudar a sair e o abraço.
– Eu estou pronta – sussurro e sinto um pouco da tensão do seu corpo desaparecer.
Eu me afasto e ele olha nos meus olhos por um breve momento antes de depositar um curto beijo em meus lábios e sorri oferecendo seu braço e eu o seguro devolvendo o sorriso.
Encaminhando-nos para a recepção do baile. O lugar parecia algo de outro mundo, eu me sentia como se estivesse entrado em um conto de fadas.
O grande ilustre no meio do salão iluminava o lugar de um modo magico. As pessoas se vestiam como naqueles filmes que Alice costumava assistir, elegantes, sofisticados e ao mesmo tempo esnobes.
Era estranho.
Os detalhes, as pessoas, os funcionários, até mesmo a comida! Tudo parecia um mundo diferente, um mundo estranho e irreal, um mundo que eu nunca havia visto.
Eu senti isso assim que pisei naquele sitio, e era até mesmo um pouco humilhante pensar isso, mas foi assim que me senti, como se eu não pertencesse a tal lugar.
Sai dos meus pensamentos quando Edward apertou gentilmente minha mão.
– Eu preciso cumprimentar algumas pessoas – disse e sorriu. – Você me acompanha?
Assenti animada e ele nos conduziu a um grupo de pessoas que conversava mais a frente.
Eu estava animada por conhecer seus colegas e fiquei imensamente feliz quando ele me apresentou a todos como sua namorada, mas então depois eles passaram a conversar sobre trabalho. Eu tentei me manter na conversa.
Por alguns segundos.
Após isso tudo ficou demasiadamente chato e tudo que eu queria fazer era sentar, pois esses saltos estão me matando.
Acho que bocejei sem querer, pois no segundo seguinte Edward me olhou.
– Você está cansada? – sussurrou perto da minha orelha e assenti. Afinal, essa noite eu mal havia dormido preocupada com essa festa. – Podemos sentar se você quiser...
Neguei imediatamente e sorri.
– Não, eu vou procurar um lugar para sentar, você pode ficar aqui.
Ele franziu o cenho preocupado e sorri tranquilizando-o.
– Não se preocupe, eu vou ficar bem – me inclinei para beijar sua bochecha. – Vou procurar algo para comer. Você continue na sua conversa chata. Eu já volto.
– Tudo bem.
Fui em direção a uma mesa repleta de comida. Tudo perfeitamente organizado e com uma aparência de dar agua na boca.
Eu lamentava não ter trazido uma bolsa maior, talvez se eu me colocasse ao lado da mesa dava para pegar alguma coisa...
Peguei uma coisinha preta. Eu nunca havia visto isso na minha vida, parecia uma uva, mas era tão pequeno que era impossível ser uma, do que será que é feito?
Eu tinha que perguntar a Edward.
Suspirei ao ver que ele continuava conversando com seus amigos. Olhei para coisa estranha e dei de ombros. Bom, eles não colocariam nada que seja potencialmente letal, não é?
Coloquei a coisa na boca de uma vez e arregalei os olhos ao sentir o sabor.
Como eu vivi minha vida inteira sem conhecer isso?
Peguei mais uma e enfiei na boca, gemendo ao sentir o sabor. Deus, eu preciso saber o que são essas coisas. Coloquei mais outro na boca e estava quase mastigando-o quando escutei uma voz irritada atrás de mim.
– Não acredito que aquela vadia está usando o mesmo vestido que o meu.
Aconteceu antes que eu pudesse perceber.
Me assustei com a voz, a coisinha preta saltou da minha boca e caiu em cima da mesa, rolando alguns metros para longe de mim.
Merda, merda, merda...
Olhei em volta tentando perceber se alguém olhava para mim, mas todos pareciam distraídos conversando uns com os outros. Sim, talvez ninguém tenha percebido.
– Você viu aquilo?
Meu corpo congelou ao ouvir a pergunta da mesma voz de antes. Ela viu? Oh meu Deus...
– O que? – perguntou outra pessoa.
Oh não, ela vai contar... Eu vou morrer de vergonha. Tenho que sair daqui, preciso comprar uma passagem urgente para o Canada, não, China, para o lugar mais longe que eu puder.
Eu conheço essas pessoas ricas, elas vão fofocar para todo mundo e provavelmente tem uma câmera me filmando. Oh Deus... Eu vou ser uma daquelas famosas do YouTube, todo mundo vai rir de mim e eu vou ter que ficar em casa por no mínimo duas semanas.
Espera! Meu namorado é rico!
Isso! Eu posso suborna-las, ou melhor, posso mandar alguém fazer um "servicinho" para mim e sumir com as duas.
Isso, problema resolvido!
– Você não viu? – perguntou a outra indignada e abri um sorriso diabólico.
Apenas diga e você não verá o sol nascer.
– Edward Cullen – disse exasperada e franzi o cenho. Do que essa louca está falando? – E sua nova namoradinha.
– Pensei que ele estivesse com a Angela.
Quem diabos é Angela?
Me aproximei casualmente fingindo olhar a comida.
– Não... Faz algum tempo que eles terminaram.
– E quem é essa nova namorada? – perguntou a outra confusa. – Nunca ouvi falar dela. Uma tal de Swan... Talvez alguma empresa estrangeira?
Abafei uma risadinha.
Não baby, eu sou a filha do ex chefe da policia mesmo.
– Eu também nunca ouvi falar, mas não importa se ela é ou não herdeira de alguma empresa – disse indiferente. – Aposto que não vai durar um mês.
O que?
– Pobrezinha... Acho que ela não conhece Edward Cullen – debochou e trinquei os dentes.
Bom, vocês também não o conhecem para falar dele assim.
– Ah olha isso – disse animada e uma delas parou ao meu lado. – Eu adoro isso – pegou uma das uvinhas pretas que eu peguei e colocou na boca. – Você tem razão, não vai durar muito – continuou e sorriu. – Talvez nós tenhamos alguma chance com ele.
– Sim, você viu o vestido que ela estava usando? – a outra veio para o lado dela e começou a comer também. – E ela nem era tão bonita assim.
Ah é?
– Ahh acabou... – lamentou ao ver o prato vazio. – Talvez eles tenham mais.
Eu não pensei.
Eu apenas agi.
Procurei à uvinha que havia saltado da minha boca com os olhos e assim que o avistei me estiquei para pegá-lo e me virei para a vadia 1 ao meu lado, sorrindo.
– Aqui – coloquei a coisinha na sua mão e ela sorriu agradecida para mim.
– Obrigada.
Observei atentamente enquanto ela levava a uvinha a boca e mastigava lentamente, como se apreciasse o sabor.
Meus lábios tremeram e eu abri um sorriso.
– O prazer foi meu.
Com um sorriso no rosto e a satisfação tomando conta de mim, eu me virei para trás e caminhei em direção a Edward.
Ele, assim que me viu, abriu um sorriso e eu parei a sua frente, colocando uma mão em seu peito e sentindo suas mãos envolverem a minha cintura, colando seu corpo ao meu.
– O que foi? – ele perguntou ao ver meu sorriso e eu apenas me inclinei para beijar seus lábios.
– Não foi nada.
Então com uma enorme, digo enorme sorriso mesmo, virei a cabeça para o lado e o observei com o maior prazer do mundo as duas mulheres de antes me olhando com a boca aberta e os olhos arregalados.
Então, para completar a maior ação da minha vida, pisquei um olho para elas e falei apenas movendo a boca.
– Ele. É. Meu.
Bom, bom, senhoras e senhores...
Isabella acabou de fazer sua primeira aparição da noite.
Quem diria que eu sou tão possesiva?
Agora só faltava enfrentar papai e mamãe Cullen.
E isso sim vai dar o que falar.
