Capítulo 36 –Aquiescência.
O coração de Yoshiaki já havia batido forte inúmeras vezes ao longo da sua vida. Quando era criança, na realidade, aquilo acontecia frequentemente. Tendo em vista sua natureza agitada e curiosa, ele estava sempre querendo explorar e conhecer as diferentes nuances da vida que o rodeava. Durantes os treinos intensos com Kenji na adolescência e nas buscas ao redor do castelo com Yashamaru que o abrilhantavam em expectativa vociferante o fenômeno também acontecia.
Mas, dentre tudo que podia pensar nos motivos de seu órgão pulsante se descontrolar, nenhum deles se comparava com o daquele momento da qual estava vivendo. A velocidade e força não eram passíveis de serem comparadas com nenhuma outra experiência remontada.
Talvez por ser tão única.
Yoshiaki bem que tentou, mas não conseguiu produzir nenhum som. Estava impactado demais para discorrer qualquer coisa. E a aproximação do rosto alheio mais uma vez do seu estava fazendo seu peito subir e descer de forma tensa não ajudando em nada a clarear os seus pensamentos conturbados.
Quando ele pensaria que teria um beijo roubado e ainda por cima de... Souichiro!?
Nem nos piores pesadelos e, sendo franco... Nem nos melhores sonhos! Porque mesmo que não quisesse admitir aquilo havia sido no mínimo bom.
Quem sabe fosse esse o grande motivo de estar tudo tão esquisito e confuso...
Puxando-o pela pala do robe novamente, Souichiro inclinou mais um pouco o corpo na direção de Yoshiaki que se retesou para trás sentindo as costas recostarem totalmente na parede fria. Mais encurralado impossível!
Quer dizer... Ele poderia quebrar a parede facilmente atrás de si, ainda que estivesse debilitado aquilo não seria um empecilho caso quisesse evadir. Mas, o que diabos iria dizer para todo mundo se assim o fizesse!? E com que forças o faria? Não conseguia nem mesmo mover um dedo!
Completamente catatônico.
Em contrapartida, Souichiro não demonstrava qualquer abalo. Indo na contramão da coisa, mantinha um semblante torturante aos olhos de Yoshiaki que não conseguia imaginar o que aquele yokai de fato pensava.
O senhor feudal o analisou clinicamente. Movimentando os glóbulos oculares de cima para baixo lentamente, explorou com minúcia todo o rosto liso e pálido do meio-yokai. Pairou seu olhar demoradamente nos lábios umedecidos e entreabertos e a súbita vontade de mergulhar neles voltou a preencher o seu corpo com a devida necessidade.
Mas, como se fosse do seu feitio, Souichiro hesitou. Com um sorriso cheio de intenções, ele desviou os olhos da boca semicerrada para encará-lo dentro dos olhos profundamente.
-Não vai dizer nada?
Yoshiaki se encolheu com o susto de ouvi-lo falar depois de alguns instantes em silêncio.
-Hm... —Souichiro sorriu de forma cínica. —Já que não vai dizer...
Ainda de posse da pala do robe negro, Souichiro o bateu contra a parede num baque seco, terminando de vez de recostá-lo totalmente contra a superfície plana.
Yoshiaki arregalou os olhos ao vê-lo se aproximar outra vez da sua boca, por isso, colocou a mão no peito do outro a fim de afastá-lo.
Tocando justamente na parte desnuda, ele sentiu que a pele de Souichiro estava confortavelmente quente. E aquele calor alinhado a textura ocasionou um arrepio involuntário na sua espinha.
-O que você está fazendo!? —Yoshiaki disse com um tom desesperado, olhando da mão espalmada no peito de Souichiro para a face confusa do outro que estava a centímetros do seu rosto.
Souichiro franziu a testa em confusão. Ele não o tinha correspondido antes? Por que é que agora estava evitando?
Mais do que isso...
Parando para pensar, quando tinha sido a última vez que alguém impedira um beijo seu? Revisitando a mente num rompante, a resposta era mais do que óbvia: nunca!
Por isso tentou outra vez!
Vendo-o impulsionar o corpo para frente, Yoshiaki tremeu com um olhar estupefaciente e, igualmente veloz, colocou a mão nos lábios alheios, tampando a boca do yokai tão perto de si em definitivo.
Por conta do movimento abrupto, seu corpo o lembrou dos ferimentos recentes mal curados, fazendo-o se retrair e gemer baixinho.
O som tilintou como música nos ouvidos de Souichiro. Um misto de piedade e outro tanto de excitação. Ouvi-lo soltar um gemido involuntário remexeu com a sua imaginação mais do que lasciva.
Com os olhos recheados de malícia e ainda tendo a boca tampada, Yoshiaki notou que o senhor feudal sorria por trás dos seus dedos e não demorou muito a sentir a língua úmida passeando por toda sua palma.
O platinado sentiu o rosto queimar com o toque pouco convencional. Puxando a mão de volta, Souichiro o pegou pelo pulso no meio do caminho.
-Que porra! —o yokai franziu a testa confuso. —Por que está fugindo de mim? Há dois segundos estava...
Souichiro não conseguiu terminar a frase, porque num estalo tudo fez o mais absoluto sentido!
"AHHHH! CARALHOOOOO! ELE É VIRGEM!" o yokai dos olhos verdes-oliva pensou abismado consigo mesmo por ter negligenciado aquele detalhe.
Esmorecendo os dedos do pulso do meio-yokai, ele levou a mão ao queixo em ponderação.
Yoshiaki respirou profundamente e não sabia se agradecia por ele ter desistido de atacá-lo ou se ficava preocupado com o que ele refletia.
"Ahm... E ele é mesmo muito jovem..." Souichiro concluiu em pensamento. "Hm... Preciso ir mais devagar..."
Assentindo para si mesmo em decisão, Souichiro o fitou novamente. Entretanto, vendo Yoshiaki na penumbra ajeitar o próprio robe cuidadosamente com os cabelos soltos pendendo por sobre os ombros fez seu coração derreter.
Num suspiro contrariado ele teve que cruzar os braços para não o agarrar ali mesmo.
"Puta que pariu... Isso vai ser difícil pra caralho..."
Yoshiaki se convenceu de que demonstrar estar acuado só tornaria as coisas piores do que já estavam. Por isso, tratou de respirar fundo e buscar a tez plena e séria de sempre. Ainda que estivesse com a face corada tratou de ajeitar a postura, devolvendo o tom alinhado de sempre. Arranhando a garganta, ele voltou para Souichiro que se liquefez ao vê-lo fingir indiferença num semblante notadamente enrubescido.
-Por que... —Yoshiaki tossiu seco não permitindo que o timbre oscilasse. —Por que me beijou?
-Tsc! Por que correspondeu?
A devolutiva da pergunta o pegou desprevenido. Pensando bem, o senhor feudal tinha razão. Souichiro fazer uma coisa como aquelas não era motivo de tanto espanto, afinal, ele não escondia de ninguém o quanto não possuía qualquer pudor e notadamente fazia o que bem entendia. Seja com machos ou fêmeas, ele não discernia e tampouco ocultava quem quer que fosse que se entregasse aos seus encantos.
A verdadeira pergunta, de certo, não era aquela que havia feito. E sim o porquê dele próprio ter cedido ao beijo inusitado!
Aquilo fez seu coração bater novamente forte.
Quantas vezes havia visto Souichiro na vida? Na infância até que recorrente, mas não a ponto de interagir. Depois na adolescência, uma única vez, quando de fato trocaram meia dúzia de palavras e provocações em meio a um jogo que Yoshiaki considerava o mais idiota possível, tendo nunca encontrado um adversário capaz de derrotá-lo. Depois, só mesmo durante os últimos acontecimentos. Um dia inteiro ao lado de Souichiro sobre as diversas adversidades possíveis tinham sido mesmo o suficiente para fazê-lo o notar com outros olhos!? Aquilo era motivo aceitável para entregar o seu primeiro beijo? Pensou que deveria ter ficado maluco... Ou desesperado demais para apreender uma sensação como aquela...
Refletindo sobre, era mesmo verdade que já fazia um tempo que queria descobrir como era a tal sensação. Vendo todo mundo se ajeitando aqui e ali com seus pares, ele bem que tinha comentado a respeito com Yashamaru sobre essas questões íntimas antes de encontrar Souichiro. Como dissera ao comandante amigo, quando alguém na face da terra iria querer fazer aquilo com ele?
Às vezes, ele só aproveitou o momento por imaginar que seria a última oportunidade em vida de tal experiência...
Plausível!
Em partes...
Está certo que o assunto poderia ter ficado gravado no seu subconsciente e por isso seu ser curioso o tenha traído na busca da sensação esperada. Mas, tinha que ser logo com... um macho!? E... JUSTO AQUELE MACHO!?
Ele era tão carente a esse ponto!?
Yoshiaki teve vontade de gemer por se sentir tão patético.
-Porra, você deve estar num conflito fudido! —Souichiro deu uma gargalhada colocando os braços para trás da cabeça.
-Como eu deveria estar? —Yoshiaki ralhou a Souichiro, voltando os olhos ao yokai. —Foi à coisa mais insensata que já me permiti fazer.
-Ahn? —Souichiro juntou as sobrancelhas cruzando os braços. —Por quê?
-Como por quê? —Yoshiaki rebateu incrédulo, mas logo balançou a cabeça em negativa. —Tsc! Não sei por que eu ainda debato com você. É sempre inútil.
-Hm! Depois eu que sou cansativo. —Souichiro sorriu a ele apoiando os braços nos joelhos erguidos numa postura nada elegante. —Vou simplificar pra você. Quis me beijar e gostou. Está vendo como é simples?
Yoshiaki iria rebater, mas desistiu. Era melhor não postergar mais aquele assunto. Quanto menos dissesse a respeito, mais rápido tudo acabaria.
Só que, obviamente, Souichiro não estava muito disposto a terminar com o que havia começado.
-Quer dizer... —Souichiro voltou a dizer com a face cínica. —Para mim ao menos foi beeeeem gostoso! Mas, já imaginava que você teria potencial para isso.
-... Por que diz isso? —Yoshiaki indagou estreitando os olhos.
Claro que ele queria muito que o outro perguntasse. Na verdade, ele já sabia com cem por cento de certeza que Yoshiaki o faria. Aquele garoto podia estar constrangido dos pés a cabeça, mas não conseguiria segurar a sua curiosidade.
Então, tendo baixado a guarda sem que percebesse, Souichiro aproveitou-se do momento de distração e o puxou de uma só vez pela faixa do robe. Com a mão livre emaranhou os dedos nos cabelos prateados e colou seus lábios de uma só vez no pescoço alheio. Um belo de um chupão que os fizera vibrar simultaneamente.
Mais claro do que isso, só a luz do dia...
Se os lábios de Souichiro envolta dos seus já foram capazes de desmontá-lo, no pescoço foi quase que um decreto assinado do seu próprio corpo de que não se moveria. Pois, sentir a língua quente percorrer da base do pescoço até a ponta da orelha o fizera arfar em rendição clara.
Estacionando a boca no lóbulo do meio-yokai, Souichiro prosseguiu num murmúrio pesado.
-Se você me chupar de novo daquele jeito, nem adianta tentar fugir.
Dando uma mordida na orelha de Yoshiaki, o platinado se retesou totalmente para o lado conseguindo resvalar da investida intensa do outro com os olhos mais arregalados do que alguém que acabara de encarar a própria morte. Com a garganta mais seca do que se tivesse comido areia, Yoshiaki colocou a mão no rosto com mais vergonha do que nunca tivera na vida.
Vendo aquela expressão Souichiro se retraiu e sentiu-se verdadeiramente mal pela atitude escancarada.
"Puta merda, acho que isso é o oposto de ir mais devagar..., mas ele é tão excitante e... POR QUE ELE É TÃO FOFO ASSIM!? ... Souichiro, Souichiro... Você é mesmo um pervertido doente!".
Soltando Yoshiaki mais uma vez e se afastando consideravelmente, Souichiro teve que pedir força ao divino para poder controlar os instintos promíscuos do seu ser que havia se acendido como o fogo na mata seca. Respirando fundo, ele voltou os olhos para o meio-yokai extremamente confuso a sua frente.
-Hm... —Souichiro arranhou a garganta. —... Yoshiaki...
Yoshiaki o olhou por entre os dedos espalmados na face corada.
-... Desculpa... —Souichiro falou a contragosto, desviando o olhar. —Isso é um pouco difícil...
O meio-yokai pensou que havia ouvido errado. Mas, vendo a tez do outro, teve a certeza de que o que seus ouvidos experimentaram fora mesmo aquilo.
Havia muitas coisas que ainda precisava desvendar, dentre elas dizia respeito ao motivo de ter se sentindo tão mal quando o vira esmorecer.
Respirando em derrota. Yoshiaki esfregou os olhos com o polegar e o indicador.
-Só não... Não se aproxime assim de mim de novo.
Em qualquer outra circunstância Souichiro teria dado de ombros. Sempre indiferente a tudo e todos, aquelas palavras não o atingiriam. Porém, com Yoshiaki, não fora bem assim. E aquele senhor feudal acabou se pegando mais melancólico do que gostaria ao ouvir os vocábulos ditos de forma tão taxativa.
Mas, sua expressão não tardou a mudar. Rindo brevemente, Souichiro jogou o corpo para trás e apoiou-se com seus cotovelos no piso frio. Jogando uma perna sobre a outra, ele fitou Yoshiaki outra vez.
-Sabe o que é mais engraçado disso tudo, Yoshiaki? —Souichiro indagou ironicamente.
-O quê? —Yoshiaki voltou a ele sem entender.
Apontando para si, o senhor feudal deu uma piscadela a ele.
-Que você vai se jogar nos meus braços em poucos segundos. Porque seu papai está vindo e será muito estranho que ele sinta nosso cheiro misturado tão forte.
Yoshiaki podia jurar que seu coração havia parado ao notar a presença de Sesshoumaru cruzando o final do corredor.
Virando urgentemente para Souichiro sem saber o que fazer, o yokai o chamou com o dedo indicador e um sorriso de canto.
-Vem logo pra mim, vem!
Yoshiaki não teve muito tempo para ponderar o que seria mais desconcertante, então voou na direção de Souichiro e o abraçou lateralmente.
No mesmo instante a porta se abriu, revelando a face gélida de um Sesshoumaru incrédulo.
Franzindo o cenho para a cena, Souichiro deu de ombros para o senhor feudal do Oeste que ficou estacionado na porta tentando entender o inexplicável.
-O que posso fazer? —Souichiro falou a Sesshoumaru com uma face inocente. —Essa criança está esbanjando agradecimento. Juro que disse que não precisava de tanto!
Querendo morrer, Yoshiaki quase chorou. Empurrando Souichiro para o lado de qualquer jeito, ele curvou-se solenemente a Sesshoumaru.
-Meu pai.
-Se já está bem, então levante de uma vez. Sabe que isso me irrita. —Sesshoumaru falou rispidamente.
-Sim! —ele assentiu seriamente retomando a postura e logo desanuviou a tez aturdida. —E, minha mãe?
-Rin finalmente está dormindo. Não a perturbe.
-Claro. —Yoshiaki concordou respeitosamente. —Sinto muito por tê-la preocupado.
-Quando Rin acordar agradeça e não fique fazendo tanto corpo mole.
-Si-Sim!
-E quanto a você? —Sesshoumaru voltou os olhos para Souichiro de maneira incisiva. —Não está na hora de voltar para o Sul?
-Já está me expulsando assim na cara dura? —Souichiro riu e cruzou os braços na altura do peito. —Não fica preocupado se alguém se aproveitar da minha condição para me atacar?
-Não.
-Tsc... Que sincero... —Souichiro girou os olhos. —Irei embora assim que amanhecer. Não se preocupe quanto a minha desagradável presença.
-Assim é melhor.
Souichiro sorriu balançando a cabeça em negativa. Levantando de uma só vez, ele se encaminhou até a porta onde jazia um yokai platinado com a tez impassível.
-Já que ele acordou, vou deixá-lo.
Parando ao lado de Sesshoumaru, Souichiro voltou os olhos para Yoshiaki que o fitava de volta.
-Fique bem, garoto.
-Hm... —Yoshiaki assentiu desviando o olhar.
Sem postergar, o yokai dos olhos verdes-oliva saiu do cômodo deixando Sesshoumaru fitar o filho de maneira clínica pela última vez antes de evadir igualmente.
Estando finalmente a sós, Yoshiaki jogou o corpo para trás no futon dando um longo suspiro.
O cheiro de Souichiro voltou a preencher suas narinas.
Seu coração acelerou.
-Yoshiaki, você só pode ter perdido o juízo...
...
Rin despertou em meio ao breu profundo.
Fazia uns bons anos que não mergulhava naquela parte que jazia em si. Ainda assim, seria impossível esquecê-la. Pois, a sensação de abarcar no meio fúnebre era genuinamente única.
Mas, havia uma atmosfera diferente dentre todas as outras vezes. Mesmo que o negrume e a vibração fossem as mesmas da qual exaustivamente e de maneira lamentável havia experimentado, ela pôde sentir algo fora do lugar.
Dando os primeiros passos com decisão em solos enegrecidos, ela percebeu o chão rígido aos seus pés à medida que suas solas se encostavam à superfície antes sempre tão volátil.
Algo pesou no seu pescoço. E só por isso, hesitou.
Tirando o cordão que há tempos a acompanhava de dentro do kimono, ela fitou o relicário falso brilhando em suas mãos. Algo da qual acreditou piamente por duros anos que era o responsável por lhe tirar daquele lugar tão assustador e maléfico.
Quantas vezes ela não o havia apertado contra seus dedos com tamanha devoção? Inúmeras. Até mesmo depois que o descobrira sendo inútil não fora capaz de se livrar. Posto que, de certo modo, aquele objeto a lembrava diariamente do que precisava escapar.
Depositando incessantemente suas forças na pedra tal qual a esmeralda que reluz limpidamente, quem sabe ela não tivesse se convencido de que mesmo sendo irrelevante para as suas escapatórias de uma espécie de submundo, ela não a tinha dado poder para tal?
Pensando a respeito, aquilo fazia sentido.
A pedra verde era legitimamente um objeto que ela designou como sendo um instrumento de combate daquilo que a habitava. O relicário, grosso modo, nada mais era do que seu símbolo contra uma campanha que ela travava contra há anos!
Mas... Por que é mesmo que estava sempre fugindo do que havia irrevogavelmente em seu ser? Por que do contrário nunca passara pela sua cabeça que deveria deixar-se preencher em definitivo com aquilo invés de combater? Por que estava sempre querendo lutar uma guerra e não oferecer trégua?
Pensou que talvez já estivesse mais do que na hora de ceder.
Além disso.
De aceitar aquela energia como sendo sua e somente sua. Que por mais obscura que fosse, por mais pesada e volátil, ela era uma parte do seu ser. Não havia volta. Aquela coisa não a abandonaria nunca.
Então, pela primeira vez, Rin não a resistiu. Nem sentiu medo ou vontade de evadir. Simplesmente a aceitou. Legitimando em definitivo sua existência atroz e complexa. E que, acima de tudo, o que a energia precisava era ser domada por si. Visto que, era uma parte, e somente uma parte incontestável.
Não buscando mais a fuga, ela tirou o cordão pendido do pescoço. Deixou escapar pelos seus dedos e cair ao chão sem o devido cuidado e zelo das últimas décadas. Estava finalmente encarando de peito aberto.
Ao fazê-lo, sem receio ou dúvida, ela voltou a andar com a mais absoluta das certezas. Tudo ao redor pareceu desmoronar ao seu bel prazer. E, igualmente como fizera contra o yokai escorpião, ela reconheceu a força que a habitava. Admitindo-a como um membro fixo, Rin a remodelou, de mesma sorte que antes, apreendendo como um elástico flexível do qual não poderia escapar dos seus domínios.
Afinal, o corpo a pertence. Um braço não é capaz de possuir vida própria e fazer o que bem entende. O pensamento podia ser remetido para a energia sinistra também, por que não? Por que tinha que ser escrava em seu próprio corpo?
Decidiu que dali para frente, não mais seria.
Liquefazendo todo o breu ao redor, Rin sentiu o corpo todo formigar. Uma torrente a envolveu numa só investida e fixou-se a ela como quem da um suspiro sôfrego de alívio.
Ela a entendia, por isso permitiu-se a dar também o respiro aliviado.
...
Quando efetivamente Rin abriu os olhos, reconheceu o quarto que jazia repousada. O futon macio de casal, apesar de não ter a presença do marido, exprimia fortemente o cheiro acolhedor de Sesshoumaru.
Estava de volta a realidade.
Ergueu metade do corpo por entre as cobertas macias que a revolviam. Tocou novamente no pescoço e não mais sentiu o cordão preso em si.
Olhando então de soslaio, o viu. Jogado ao lado do futon com uma fissura grossa no centro da pedra esmeraldina que reluzia a baixa luz do cômodo num caleidoscópio inesperado.
Enfim, livre.
Ela teve que sorrir ao sentir o formigamento percorrer todos os seus poros, veias e nervos. A energia sinistra circulava em si após anos em cárcere.
Cho tinha mesmo razão, afinal. Aquilo só estava a gritar incansavelmente por sua virtuosa atenção. Implorando para ser reconhecida.
Aquele havia sido um passo e tanto. Cabia agora, Rin a moldar.
Sentindo-se mais confiante do que nunca, a mulher dos cabelos negros assentiu para si mesma em decisão.
Mas, não demorou muito para seus pensamentos mudarem o curso. Pois, no mesmo instante, a porta do seu quarto deslizou timidamente na direção contrária, dando um vislumbre da face que ela tanto queria ver.
-Yoshiaki! —Rin falou animadamente, levantando do futon de uma só vez.
Yoshiaki colocou o dedo indicador na frente dos lábios e emitiu um "shhh" mais do que tenso ao entrar em definitivo no quarto.
-Mãe, meu pai irá me matar se pensar que eu a acordei.
Rin riu baixinho e não tardou para correr na sua direção para abraçá-lo contra o corpo esguio.
Quando seus braços finos o envolveram, Yoshiaki se retesou um pouco por conta da dor. Aquele abraço não tinha sido um pouco mais forte do que os que ela lhe dava?
Fosse impressão ou não, ele fingiu não ser nada. Não queria aborrecê-la e tampouco a preocupar mais ainda por conta da sua condição. Ele sabia bem o quanto aquela mulher era devotada a sua pessoa.
-Finalmente... Finalmente você acordou... —Rin disse com os olhos marejados e a voz embargada, apoiando a cabeça no peito de Yoshiaki.
-Estou bem. Não precisa chorar. —Yoshiaki disse sorrindo passando a mão nos longos cabelos da mãe que continuava agarrada em seu corpo. E logo se pôs a beijar várias vezes o topo da cabeça de Rin que se encontrava num nível muito mais baixo que o seu. —Sabe que me sinto péssimo quando a vejo sofrer por minha causa, mãe.
Rin assentiu cerrando os olhos com força numa tentativa de impedir que as lágrimas cortassem a face lisa. Desvencilhando um pouco dele, ela colocou as mãos no rosto do meio-yokai com um sorriso mais do que aliviado.
-Fiquei tão preocupada. —ela disse o analisando clinicamente. —Que bom que está bem, meu filho.
-Obrigado, mãe. —Yoshiaki disse colocando uma mão por cima da dela. —Obrigado por ter cuidado de mim. Por ter ficado ao meu lado.
-Como não faria isso? —ela sorriu o puxando levemente para si, para poder dar-lhe um beijo estalado no meio da testa.
Yoshiaki sorriu sinceramente a ela, a retribuindo com uma chuva de beijos em sua bochecha. Terminando o carinho mais do que esperado por ela, Rin o pegou pela mão, e o encaminhou para próximo da porta que dava acesso a varanda onde jaziam confortáveis e felpudas almofadas.
Sentando-se rapidamente em uma, Yoshiaki esqueceu-se de que deveria ter feito com cuidado. Prendendo a carranca dolorida dentro de si por conta das pontadas que lhe afligiam até os fios do cabelo, ele bastou-se a sorrir quando finalmente conseguiu executar o movimento.
Rin o puxou para o seu colo, e ele não resistiu em ceder ao senti-la afagar seus longos cabelos que sempre presos num rabo de cavalo alto, naquela oportunidade pendiam soltos pelos ombros largos.
-Ainda está amanhecendo. —Rin disse o aconchegando cada vez mais em si. —Podia ter descansado um pouco mais.
-Quis vê-la primeiro. —Yoshiaki disse cerrando os olhos com aquele afago. —Como estão os outros? Sinto suas energias pelo castelo, mas, estão todos bem?
-Estão sim. —Rin sorriu o fitando de cima. —A propósito, Mitsue deu a luz a uma pequena. Miyako.
Yoshiaki sorriu, apesar de não abrir os olhos.
-Estava preocupado com ela. Não consegui chegar a sua propriedade quando tudo começou.
-Hm! A propósito, Yoshiaki...
Mas, Rin não conseguiu terminar de falar, pois uma gargalhada alta soou do lado de fora, chamando a atenção dos dois que se mantinham numa calmaria amena.
Yoshiaki abriu os olhos de imediato. Sabia bem quem era o dono de tal som espalhafatoso. Corando quase que imediatamente, ele se sobressaltou mais uma vez ao ouvir a voz do lado de fora.
-Então o que estamos esperando!? Vamos de uma vez, Tetsuo!
Rin notou a face avermelhada da cria. Colocando a mão na sua testa e na de Yoshiaki, ela ponderou sobre a temperatura.
-Está com febre de novo? —Rin indagou tentando comparar as temperaturas de seus corpos. —Está ficando corado.
-Não. —Yoshiaki tossiu seco. —Estou bem.
-Hm...
Rin baixou as respectivas mãos convencendo-se de que talvez aquela cor fosse por conta da volta da vitalidade do filho. Retomando a carícia nos cabelos lisos platinados, ela deixou aquela preocupação de lado.
-Parece que eles estão indo embora.
-...É.
-O que aconteceu entre vocês?
Yoshiaki quase morreu pela milésima vez com aquela pergunta. Rin não entendeu a face aturdida, por isso franziu o cenho e prosseguiu.
-Foi tão grave assim o que aconteceu do lado de fora do castelo?
Yoshiaki respirou com alívio.
-Ah... —ele falou retomando o timbre sério.
Remontando os últimos fatos, Yoshiaki contou tudo a Rin que ouvia atentamente. Desde o momento que havia o encontrado até o segundo que perdera o controle de si. Não dando tantos detalhes assim, ele preferiu dar foco no que era estritamente necessário.
-Entendo. —Rin disse ponderando a respeito. —Por isso Souichiro parecia tão grato a você... Sabe, quando tive que sair ele se ofereceu para ficar ao seu lado enquanto dormia. Você chegou a encontrá-lo ao acordar?
-Hm... —Yoshiaki desviou o olhar, cerrando novamente os olhos. —... Sim.
-Que bom! Espero que tenha agradecido a ele.
-... Ele não pareceu querer verdadeiramente um obrigado.
-De verdade? —Rin falou surpresa. —Difícil imaginar. Ele é tão vaidoso! Mas, era difícil imaginá-lo o ajudando e mesmo assim ele o fez.
-Hm... É...
-Quem sabe ele não goste de verdade de você, Yoshiaki!
Yoshiaki engoliu a seco. Esfregando os olhos trôpegos, ele não queria mais pensar naquele assunto que esquentava todo o seu corpo e o deixava totalmente fora do eixo. Coisa da qual ele possuía pavor. Por isso, tratou de dissipar aqueles pensamentos que insistiam em invadi-lo com tanta força.
-E quanto a Akane e Yashamaru? —Yoshiaki mudou o rumo da conversa, fitando Rin com o rosto acima do seu. —O que se deu depois que achamos a noiva dele do passado?
-Ah! —Rin sorriu contente. —Akane e Yashamaru estão juntos.
-Que bom. —Yoshiaki sorriu um pouco aliviado. —Não conseguia mesmo os imaginar separados.
-É. Eu também. —Rin concordou assentindo.
Os primeiros feixes de luz timidamente adentraram pelo cômodo. O amanhecer eminente não podia esperar mais. Por isso, mesmo em meio às nuvens pesadas, a claridade dominou todo o Oeste e perpassou pela fresta entreaberta do cômodo.
O marasmo havia voltado.
Rin agradeceu em silêncio por aquilo.
-Mãe. —Yoshiaki a chamou quase num murmúrio, com os olhos fechados.
-O quê?
-Eu te amo.
Ela sorriu com o coração palpitante. Na obviedade da coisa, inclinou-se para beijar-lhe na testa e prosseguir apoiada em sua cabeça.
-Eu também te amo, meu filho.
Cerrando os olhos em conjunto, Rin o afagou contra o seu corpo como num passado não tão distante. Aproveitou-se depois de tanto tempo daquele momento cada vez mais raro.
Aquela criança havia crescido de verdade...
Atrás da porta, longe dos olhos dos dois seres que compartilhavam um momento maternal, havia um senhor feudal de duros olhos âmbar e cabelos tão brancos como a neve que voltava a cair do lado de fora. Não se permitindo invadir o recinto, o distinto yokai preferiu manter-se oculto. Dando um sorriso de canto que ninguém pode ver.
...
-Meu senhor, estamos prontos para partir. —Tetsuo disse curvando-se solenemente a Souichiro que parecia mais aéreo do que nunca.
-Hm? —Souichiro voltou-se para ele saindo de um devaneio.
-Disse que estamos prontos para partir.
-Ah! —Souichiro assentiu sem muita emoção. —Sim...
O movimento desanimado não passou despercebido para Tetsuo, afinal, o distinto yokai amava os momentos de retorno para sua terra. Vê-lo tão indiferente ao movimento soou mais do que esquisito.
Notando uma presença a mais no comboio organizado, Souichiro franziu o cenho sem entender a princípio. Seguindo o olhar verde-oliva, Tetsuo logo se lembrou do que havia se esquecido de reportar ao seu superior.
-Aquela é Okoi, meu senhor. —Tetsuo disse seriamente. —Ela pediu para ir conosco ao Sul. Pediu para ficar um tempo por lá. Eu disse que falaria com o senhor a respeito.
-Hm... Então essa é a outra do Comandante. —Souichiro disse cruzando os braços a analisando de forma analítica com um sorriso no canto. —Tsc! Então ele escolheu a meio-yokai.
-Pelo visto, sim.
-Aquele Yashamaru... Ele é mesmo certinho. —Souichiro sorriu balançando a cabeça em negativa, apoiando as mãos nos quadris. —Mas, ele tem mesmo bom gosto. Não podemos negar.
-O que digo para ela, meu senhor?
-Acha que ela nos causará problemas? —Souichiro o olhou com os olhos estreitados.
-Não... —Tetsuo balançou a cabeça em negativa.
Desviando o olhar para Okoi, o comandante a fitou despretensiosamente amarrando um manto por cima dos ombros estreitos. A neve voltava a cair por cima dos seus cabelos, salpicando a vastidão castanho-avermelhada dos brilhosos fios. Notando que Tetsuo a olhava, ela voltou seu olhar azul para ele e acenou em positiva com um sorriso franco nos lábios.
Tetsuo assentiu de volta e fixou novamente o olhar em Souichiro.
-É... Acho, na verdade, que ela é uma yokai bastante impressionante.
-Hmmmmm... —Souichiro deu uma gargalhada alta dando alguns tapinhas em suas costas. —Então o que estamos esperando!? Vamos de uma vez, Tetsuo!
Mas, antes de efetivamente seguir o caminho, Souichiro olhou para trás, para o castelo silencioso a suas costas. Coçando a nuca, ele soltou um longo suspiro e deixou um sorriso nostálgico escapar dos lábios.
Tetsuo reparou. Souichiro soube. Por isso, tingiu o olhar em ironia e jogou os braços para trás da cabeça ao iniciar a longa caminhada.
-Vamos embora dessa merda antes que Sesshoumaru enfie Bakusaiga no nosso rabo.
...
Akane respirou fundo antes de entrar no quarto da qual dividia há anos com Yashamaru.
Geralmente, entrar naquele cômodo era algo corriqueiro, da qual não exprimia qualquer aspiração exacerbada. Mas, diante das últimas novidades, ela não conseguiu evitar sentir o anseio que a abarcava com tanta violência, tremeluzindo suas pernas sempre tão firmes e rígidas ao solo.
Colocando a mão no peito, Akane sentiu o coração descontrolado ricochetear no peito várias e várias vezes. Alinhando a postura, ela bem sabia que não haveria mais volta. Então, tratou de entrar no quarto com a devida firmeza que lhe compunha.
Deslizando a porta sutilmente, ela o viu.
Yashamaru estava com o torso desnudo, a cabeleira negra livre desenhava seu perfil masculino tão atraente e delineado. Terminando de se arrumar para mais um dia no castelo, ele virou-se para ela de imediato segurando a parte de cima do kimono em sua mão direita.
-Onde estava? —Yashamaru indagou a Akane a observando entrar e fechar a porta atrás de si.
-Há algo que preciso dizer. —Akane falou com a mão no peito e com os olhos recheados de expectativa. —Que preciso saber na realidade...
-O que? Aconteceu alguma coisa? —Yashamaru franziu a testa um pouco alarmado, caminhando a sua direção em passos rápidos.
Yashamaru parou há uma distância pequena de Akane. Ela o encarou sentindo a garganta mais seca do que nunca. Quantas eras cabiam dentro de um segundo? Akane não sabia dizer, mas, de certo, muitas coisas passaram por sua mente no curto espaço de tempo que seus olhos rubis encararam os violetas um pouco confusos pela sua demora nada característica.
-Akane? —ele insistiu colocando a mão em seu queixo. —O que quer me dizer?
-Não há uma maneira de falar isso sem que seja impactante. Então, eu falarei de uma só vez, está bem?
Yashamaru assentiu envolvendo-se na tensão do momento.
Akane puxou a tornozeleira de aço de dentro da bolsa presa de qualquer jeito em seu ombro. Mostrando o objeto a Yashamaru, ele cerrou o cenho duramente ao fitar o instrumento de tortura da qual ocasionou incessantes problemas ao seu clã no passado.
-Por que está...
-Okoi deixou-se absorver por isso. —Akane o interrompeu gentilmente com os olhos marejados. —Ela me deu, Yashamaru... Ela me deu para que possamos ter um filho.
Havia muita informação dentro do que fora proferido pela companheira de tantos anos. Apesar de terem sido poucos vocábulos, não se podia negligenciar o peso de cada um deles.
Okoi havia dado parte de si mesma para Akane, aquela mesma Okoi, da qual praticamente em outra vida ele havia jurado sob inúmeros luares que jamais a abandonaria. Aquela vida era mesmo um intrincado de coisas estranhas. Pois, quem um dia poderia imaginar que ao renascer das cinzas de si mesma, ela o daria a dádiva de poder engravidar a quem verdadeiramente amava?
Yashamaru ponderou que ainda que vivesse mais umas boas eras ele continuaria a se impressionar com as reviravoltas do destino.
Se bem que se parasse objetivamente para pensar, a atitude de Okoi era assim tão inesperada e surreal? Ele poderia mesmo se dar ao luxo de ficar surpreso? Afinal, isso não era tão inerente a aquela criatura? Havia mesmo motivo para que ele contestasse, abrisse a boca em incredulidade e perguntasse "Mas, Okoi fez isso mesmo?".
Lembrando-se de quem era, no fundo, era claramente crível e possível. Pois, no fundo da sua alma ele sabia que tal vertente se encaixava em perfeito alinhamento com o ser ímpar que Okoi era.
-Você quer, Yashamaru? —Akane o indagou com os ombros encolhidos. —Aceitaria essa condição para ter um filho comigo?
Yashamaru sorriu com todo o seu coração e não tardou puxá-la pela cintura para mais perto de si.
-Ter um filho com você é o que mais quero nesse mundo.
Não havia muito a se dizer depois da concordância. Talvez por isso eles tenham calado num beijo profundo onde o único som audível era dos seus lábios úmidos movimentando-se intensamente.
Yashamaru a segurava cada vez mais forte contra si. Percorrendo com suas mãos todo e qualquer canto do corpo que conhecia de cor e que ao mesmo tempo era incapaz de cansar. Guiando os passos alheios, ele a foi obrigando a seguir para trás até que chegassem ao futon.
Akane já havia se acostumado. Ele era assim. Elegante, sério e alinhado com os outros, mas um verdadeiro furacão quando estavam a sós! E não podia dizer que não apreciava a dicotomia. Pois, era verdadeiramente excitante vê-lo afastar-se do juízo crédulo e coerente de sempre por querê-la tanto.
Com os lábios colados ele a puxou pelas coxas e a prendeu no seu torso antes de por fim a recostar no futon macio recém arrumado. Em meio a carícias intensas, Yashamaru repousou seu corpo por cima do dela, os colando quase que em definitivo antes de mergulhar na boca entreaberta que arfava com seus toques firmes.
Tentando focar no verdadeiro objetivo, Akane buscou forças para recobrar a consciência. Enlaçando os dedos novamente na tornozeleira que ainda jazia em suas mãos ela finalmente a quebrou e toda a energia fluiu pelo seu corpo em segundos.
Sempre tão acostumada a senti-lo arder em seus braços, na ocasião, a sensação só aumentou. Akane teve que sorrir entre os beijos mais acalorados e febris do que costumava sentir, pois, nem de longe poderia imaginar que o incendiário corpo daquele yokai pudesse ficar ainda mais quente do que já era. Nem mesmo quando o provocou arduamente na sua roupagem humana a temperatura estava tão elevada.
Caindo em si ela compreendeu que não era necessariamente Yashamaru que queimava só. Em igualdade, seu corpo oferecia a mesma voracidade calorosa de difícil esmorecimento. O fogo que temporariamente a habitava estava gritando em seu interior. Percorrendo até mesmo as extremidades por ela esquecida.
Deleitando-se em conjunto, Yashamaru refletiu em quantas outras Akanes ele descobriria. Quantas mais se apresentariam a ele e igualmente o enlouqueceriam a ponto de perder totalmente o controle do seu próprio corpo? Aquela versão era só mais uma dentre as variadas da qual seu cérebro derretido pelo calor novo jamais esqueceria.
Talvez aquele fosse o motivo de amá-la e desejá-la tanto que chegava a doer. Pois, o que era Akane se não um emaranhado de personalidades dentro de um só ser? Um montante em forma única capaz de se esparramar em singularidade paradoxal.
Desvencilhando por um único segundo dos lábios polpudos da loira abaixo de si, Yashamaru a fitou a alguns centímetros do seu rosto. Olhou com cuidado a face límpida, as sobrancelhas finas, os olhos rubis, o nariz simétrico e delicado e a boca entreaberta que buscava o ar insistentemente tirado pelos seus beijos tão demorados.
Sorrindo, Yashamaru passou o dedo pelo perfil da mulher e sentiu o coração ser completamente preenchido pela devolutiva do olhar doce por trás de olhos tão vibrantes.
-Eu te amo, Akane. —ele disse em murmúrio com o tom desanuviado, segurando no queixo da loira. —Com o meu coração, vísceras, corpo e alma. Amo você com a maior das certezas e com a mais absoluta verdade.
-Yashamaru...
Akane sentiu os olhos inundarem. O coração ardente palpitando contra o peito seria capaz de explodir? Se não naquela ocasião, então nunca mais.
Colocando a mão no rosto do yokai dos olhos violetas, ela sorriu para ele enquanto o acariciava de forma aprazível.
-Eu também te amo, Yashamaru. Sempre mais do que ontem e mais do que possa aguentar.
Yashamaru colou seus lábios de volta nos dela e uma lágrima desceu despretensiosamente dos olhos escarlates. Havia tanto sentimento naquele momento que foi difícil de guardar para si.
Por isso, dessa vez, quando suas línguas roçaram foi tão diferente das demais. Uma conexão tão difícil de explicar que ambos não perderiam tempo a fim de explanar o que seus corpos notadamente sentiam ao entregarem-se a aquele momento deveras ímpar.
Como se estivessem tocando-se pela primeira vez, exploraram com suas mãos tudo que se podia alcançar. Resvalando os dedos pelas peles tão quentes e macias que se retesavam mutuamente em virtude de um querer profundo e de uma excitação inerente.
Separando dos lábios, Yashamaru foi descendo com a boca, tracejando um caminho pelo pescoço, clavícula e seios. Mas, no último estacionou. Demorando com a língua ávida ao redor dos mamilos enrijecidos e rosados, alternando em mordidinhas soturnas e delicadas com chupões lascivos que faziam Akane se retesar e emaranhar mais os dedos por entre a cabelereira negra do outro.
Deixando os seios rígidos, ele escorregou a língua pelo restante do corpo com toda a minúcia possível. Como se estivesse a degustá-la precisamente, não queria que nenhum canto escapasse do seu paladar tão sedento por ela.
Akane gemeu quando ele a beijou na linha da cintura e partiu tortuosamente lento logo abaixo do umbigo. Respirando entrecortado, seu abdômen se contraiu e tudo virou de cabeça para baixo quando a boca de Yashamaru parou no meio das suas pernas.
A língua macia passeando despreocupadamente, sem qualquer pressa, pelo seu ponto mais sensível e por toda a extremidade a fez se contorcer. Achando que aquilo não poderia ficar melhor, Akane felizmente enganou-se, pois, ainda de posse de sua intimidade tão úmida, a tomando com os lábios com tamanha precisão, ele enfiou dois dos seus dedos alongados, a tocando por dentro o mais provocante possível.
Sendo estimulada sem qualquer trégua e tampouco dando-lhe chances para respirar em recuperação, ela não se surpreendeu ao sentir a sensação familiar inflamar o peito e a preencher do mais absoluto orgasmo da qual externalizou por meio de gemidos mais altos do que gostaria de ter dado.
Yashamaru sorriu entre suas pernas trêmulas, aquele som que Akane produzia bem como a rendição do corpo tão birrento o trazia um torpor mais que vociferante, o deixando tão excitado quanto.
Não a deixando arrefecer, Yashamaru passou seu braço por trás da cintura fina da meio-yokai e a trouxe para o seu colo num único movimento. Os olhos embaçados, repletos de desejo fincaram nos seus e foi impossível não a beijar novamente, mais dessa vez com muito mais ímpeto, numa vontade crescente e inevitável do interior apertado e úmido.
-Esse seu gosto... —ele falou num arfar pesado, a agarrando pela nuca, prendendo-se a alguns fios de cabelo dourados. —Você me deixa maluco.
-Ainda não completamente... —Akane disse o beijando nos lábios e ajeitando-se por cima do corpo rijo.
Ao finalmente se unirem, seus corpos saudaram gratos pela união tão aguardada. Uma onda de êxtase retumbou em suas peles ferventes que deviam por si só serem capazes de esquentar todo o cômodo sem qualquer esforço. Se um dia Akane pensara que Yashamaru era quente, definitivamente ela não fazia ideia do quanto! Pois, parecendo liberar todo o calor que habitava em si, a fricção inebriante dos seus movimentos enfáticos os mergulhava num mar de lava difícil de ser contido.
A afundando cada vez mais em si, com a mão por trás das suas costas pequenas, ela se movia no ritmo dele, totalmente devota aos seus domínios. Beijando sua boca, casando com os movimentos de baixo, as investidas ficavam cada vez mais fortes e profundas, angariando pontos dentro do seu corpo que ela nem mesmo sabia que existia, mas que a fizeram gemer novamente em conjunto com os grunhidos excitados do companheiro.
Sentindo-o endurecer cada vez mais em seu interior, com movimentos bruscos para dentro e fora do seu espaço estreito tão encharcado, alcançando mais fundo e além a cada empurrão, ela sentiu que gozaria de novo.
E assim aconteceu. Num rompante seu pequeno corpo cedeu mais uma vez em meio a toques tão íntimos e lacônicos. Abraçando-o contra si, em meio ao orgasmo que inundou outra vez o quarto, Yashamaru não parou. Continuou a penetrando até a sua vez chegar. Agarrando Akane com muita força, deixou seu lado mais animal o dominar e bastaram poucas estocadas para que seu interior por fim se rendesse.
Derramando seu líquido viscoso no interior já embebido, ele deixou um som gutural de satisfação ressoar pelos lábios entreabertos.
O único som audível era das suas respirações ofegantes, e ficou assim por alguns segundos, até voltarem pouco a pouco a si.
Recostando sua testa na de Yashamaru, Akane apoiou-se nos ombros largos do marido que a abraçando trouxe-a novamente para um beijo saboroso. Tentando se afastar, ele a impediu diversas vezes, e eles sorriram em simultâneo durante o beijo que nunca acabava.
-Não vai sair de dentro de mim? —Akane disse
-Não queria ter um filho comigo? —ele indagou provocativamente a mordendo nos lábios. —Não acho que uma vez só seja o bastante...
-Sabe que a energia não vai durar mais tanto tempo. —ela respondeu voltando a beijá-lo.
-Então, não podemos perder mais tempo!
Caíram então no futon novamente, com ele montado sob o seu corpo. E, olhando seus olhos inflamados, Akane soube que ele não pararia tão cedo.
...
Há muitas coisas que se pode fugir nessa vida, evidentemente.
Mas, de duas coisas, Rin tinha a certeza absoluta de que não se poderia evadir: do tempo e de si mesma.
Por isso, encrostou na cabeça que dia após dia, demorasse o quanto demorasse, ela controlaria em definitivo a força exorbitante que jazia em seu ser.
Quando a Primavera chegou, inundando todo o Oeste com suas cores vibrantes, manhãs calorosas e cantos de pássaros que se regozijavam com o fim do rigoroso inverno, Rin passou a postar-se na grama bem cuidada, cheirosa e verde que acarinhava seu corpo de modo afável. Acolhendo-a gentilmente como se fizesse parte da própria natureza.
Sempre dispondo-se atrás do castelo, onde o movimento era quase que nulo, Rin dedicava-se a meditações longínquas a fim de compreender o seu próprio cerne. Exprimia tudo e mais um pouco, às vezes em exaustivas horas sem que se desse conta.
Obviamente, o ritual insistente não demorou a chamar a atenção de um certo senhor feudal.
Vendo-a se dedicar insistentemente, Sesshoumaru passou a tolher os outros a perambularem pelos arredores quando Rin encontrava-se submersa em concentração mais do que profunda.
Ele admirava aquilo nela. Do quanto a mulher era persistente e inquieta. Quando cismava com alguma coisa dificilmente desistiria até concluir o objetivo. A teimosia do seu ser o fascinava.
Por isso, vez ou outra, Sesshoumaru resvalava para perto, observando nos seus treinos tão dedicados um progresso tímido e outros nem tão sutis assim.
No início, Rin não o percebia. Como uma chama fraca que crepita no fim da parafina, o platinado simplesmente não se demorava. Analisava por segundos e logo a deixava consigo mesma.
Mas, depois, a curiosidade pelo seu desenvolvimento foi crescendo em igualdade no âmago complexo e calado de uma personalidade mais do que austera. Então, a presença fugaz já não fazia mais parte do seu repertório, tornando-se alongadas e enraizando como as árvores altas e antigas.
Passados os dias, Rin passou a repará-lo. E em outro, outro e outro. Até que ficou fácil identificar sua localização, ainda que mantivesse os olhos cerrados, ela sabia exatamente onde ele estava. Não importando se longe ou perto, a familiaridade da percepção espectral do outro logo não a enganava mais.
Em um desses dias, quando o sol cálido da tarde primaveril se debruçava pelas altas árvores, Rin sorriu ao sentir a atmosfera que a rodeava mudar bruscamente. Abrindo os olhos, ela virou-se para trás, onde não avistou mais do que flores e gramas espalhados harmonicamente pelo ambiente.
-Sesshoumaru? —ela o chamou com o semblante luminoso.
Tendo sido descoberto, Sesshoumaru não se ocultou mais. Saiu de trás da árvore de tronco espesso com um sorriso de canto por ter sido pego a espionando.
-Sua percepção tem aumentado consideravelmente. —ele disse notadamente contente por ela.
-Hm... Talvez seja porque se trata de você. —Rin sorriu levantando da grama de uma só vez e caminhando a sua direção.
-Sabe que não.
-Ahhh! Por que não me deixa ser romântica? —ela deu uma risadinha jogando os braços para trás do corpo.
-Não abafe seu progresso por minha causa.
Rin sorriu por ouvir aquelas palavras. Sesshoumaru sabia ser primoroso quando queria.
Arregaçando as mangas do kimono, prendendo nos seus ombros a fim de deixar os braços desnudos, Rin igualmente ergueu os cabelos pesados que acaloravam a nuca, tentando os amarrar num coque improvisado.
-Hoje está tão quente. Nem parece que há pouco tempo nevava.
-Não se esforce tanto. —Sesshoumaru disse enquanto a analisava arrumar-se. —Há muito tempo para que consiga alcançar o que procura.
-Eu sei. —ela assentiu terminando o coque, prendendo os fios em si mesmos. —Mas, devo confessar que estou um pouco ansiosa e empolgada!
-Você é mesmo inquieta.
-Uhum!
Não sentindo tanto alívio quanto imaginava ao arregaçar as mangas e selar os cabelos, ela afrouxou um pouco a faixa do kimono deixando o tecido de seda escorrer timidamente pelos seus ombros, dando um vislumbre muito maior do seu colo.
Aquilo era quase hipnótico aos olhos âmbar que em silêncio não conseguiam parar de observá-la mexer em sua roupa de uma maneira que soou verdadeiramente sedutora. Quando ela finalmente elevou a parte de baixo, dobrando na metade das suas coxas, voltou os olhos um tanto diferentes para Sesshoumaru, com um matiz avermelhado que ultimamente emanava por entre os castanhos-terra.
Ele sorriu de canto ao compreender.
-Está fazendo de propósito.
-O quê? —ela fingiu não entender com um sorriso entredentes.
-Rin...
-Só está calor. —ela deu de ombros, e com isso o kimono escorreu mais um tanto pelas laterais bem desenhadas. —No que está pensando exatamente, meu senhor?
-Há coisas que não se exteriorizam com palavras.
-Hm. Então, como eu...
Mas, Sesshoumaru não a deu tempo de concluir a frase. Segurando Rin pela faixa do kimono, ele a puxou de uma só vez para os seus braços. Ela riu com o movimento já esperado e colou seus lábios com o do senhor feudal que a correspondeu no mesmo instante.
Rin jogou os braços por trás da nuca alheia, sendo tão mais baixa do que o marido, ela vez ou outra precisava ficar na ponta dos pés e ele tendo que se encurvar quase que na metade para poder alcançá-la. Pensando a respeito, ela impulsionou o corpo para trás enquanto o beijava e, sem mais hesitar, utilizando sua nova força, o puxou para baixo, para que pudesse cair por cima do seu corpo sob a grama fofa.
Sesshoumaru a deixou fazê-lo. Cedendo ao movimento, ele repousou por cima de Rin de forma suave. No entanto, mal poderia esperar que ela própria desviraria suas posições, rolando brevemente na grama de uma só vez, ela girou Sesshoumaru para baixo de si.
Com os olhos travessos e um semblante mais do que sensual, ela alocou-se perfeitamente sob ele.
-Que tipo de golpe é esse? —Sesshoumaru falou sorrindo a encarando montada em seus quadris.
-Podemos chamar de... —Rin fingiu ponderar e esticou o corpo para frente na intenção de colar seus lábios na orelha do yokai. —Imobilizado.
Ele se arrepiou quando os lábios quentes dela envolveram seu lóbulo numa mordida incisiva recheada de intenções. Prestes a tocá-la, Rin o impediu, segurando em seus pulsos contra o chão num baque abafado pela terra fofa.
-Não se chama imobilizado atoa. —ela disse entre sorrisos o beijando no pescoço. —É melhor que não resista.
-Creio que não teria chances.
Rin riu com o tom sério que Sesshoumaru usou ao participar daquela fantasia inusitada. Mas, ela logo voltou a concentrar-se no que fazia, segurando o marido com mais força que podia ela retomou a beijar-lhe com muito ardor por toda a extensão do pescoço, o mordendo com erotismo exacerbado.
Regressando aos lábios, ela o beijou lentamente, roçando sua língua na dele de um jeito demorado da qual poderia explorar todo o seu gosto impossível de cansar. O atrito dos seus corpos bem como o beijo alongado que demonstrava claramente o quanto ela o queria, o excitaram de imediato.
Liberando os pulsos do imponente yokai, Rin enfiou as mãos por dentro do kimono masculino, varrendo com os dedos todos os músculos que se retraíram em submissão explícita aos seus toques ora delicados e outrora enérgicos. Desceu com determinação pela linha do abdômen e quando finalmente chegou ao ponto que queria, ela não hesitou em tocá-lo.
Se Sesshoumaru já não estivesse excitado, naturalmente, aquilo teria acontecido quando a mão pequena e afável da mulher o envolveu numa exatidão deliciosa. Uma torrente arrebatadora arrepiou todos os pelos do seu braço e foi impossível não retrair o rosto ao senti-la o tomando em movimentos ritmados que o deixavam cada vez mais duro.
Ela gostava de visualizar aquela expressão. Pois, ele parecia tão vulnerável e incontestavelmente bonito ao se entregar aos seus desejos. Tão diferente daquele que se postava pelos corredores do castelo com um semblante inteiramente gélido capaz de tremeluzir o mais dos soberbos yokais.
Sesshoumaru estaria mentindo para si mesmo se não admitisse que aquilo o estava deixando louco. O olhar embaçado de Rin debruçado sobre o seu enquanto a sentia percorrer o caminho longo da base até a ponta do seu membro o estava fazendo chegar ao seu limite.
Ela sabia, por isso, ao senti-lo se retesar mais uma vez, parou brevemente o movimento, mas não para simplesmente acabar com todo o feito, e sim, para direcioná-lo precisamente para dentro de si.
Sendo guiado seguramente ao interior abrasivo, sentiu-se engolido de uma só vez pelo canal estreito que o abraçou da maneira mais excitante possível, o tirando um arfar satisfatório por finalmente preenchê-la por inteiro.
Rin mordeu os lábios e cerrou os olhos ao senti-lo dentro do seu corpo. Aquela sensação nunca acabava. Mesmo repetindo várias e várias vezes, o deleite de unir-se a ele não se esvaía. E ela já havia se convencido de que jamais passaria.
Movimentando seus quadris habilmente, num vai-e-vem lento, deixando com que ele experimentasse tudo e mais um pouco de suas arestas sinuosas, Sesshoumaru a puxou pelo braço para que pudesse se inclinar mais sobre o seu torso e colar novamente seus lábios com os dela.
A segurando com força, ele movimentou-se junto a ela, pressionando a cintura alheia cada vez mais contra seu sexo enrijecido que passou a atingir exatamente um ponto específico capaz de fazê-la gemer e perder em definitivo o controle da situação.
-Achei que iria me imobilizar. —Sesshoumaru disse em tom irônico entrelaçando os dedos nos cabelos de Rin que umedeciam pouco a pouco por conta do suor.
-Não é justo... —ela falou num tom extasiado com os lábios curvados num sorriso fraco. —Você sempre descobre... Algo em mim.
-Porque você é minha.
Aproveitando-se do instante de vulnerabilidade, ele girou seus corpos mais uma vez, montando em definitivo sobre ela. Aquela reviravolta a tonteou, e mal a fez conseguir pensar com clareza. Num segundo Sesshoumaru estava sobre si, preenchendo toda a sua visão, numa perspectiva mais do que agradável.
Os quadris dele a forçaram abrir mais as pernas o que só favoreceu na penetração intensa e funda desenhada numa vontade feroz de possui-la mais e mais. Resvalando no âmago encharcado, ele sentiu as extremidades que o envolviam se apertando ao redor do seu membro pulsante.
Observando-a gemer, num orgasmo mais do que esperado, ele também se permitiu gozar sem tirar os olhos dos dela enquanto a preenchia com todo o seu líquido viscoso.
Desmontando sobre o corpo feminino que jazia tão sem forças quanto o seu, Sesshoumaru vislumbrou os olhos castanhos brilhando por baixo da luz solar já pálida em virtude do final do entardecer.
Rin estava tão bonita que chegou a doer.
Ela sorriu para ele enquanto recuperava o fôlego.
-Acho que você deveria voltar amanhã.
Sesshoumaru sorriu de volta e bastou-se a assentir antes de beijá-la.
...
CONTINUA...
