Capítulo 41 —Alvorecer.
Que o Oeste era enorme, Rin já sabia. Mas, nos últimos tempos em que vivera praticamente em função das gêmeas ela tinha perdido a noção do quão vasto era o lugar que habitava. Perambulando somente por perto do castelo desde que Towa e Setsuna haviam nascido não angariando lugares mais longínquos, ela se surpreendeu um bocado por ter apagado da memória a vastidão do império que seu marido havia construído.
Claro que havia territórios novos que Sesshoumaru aderira nos anos que se sucederam e que alguns, diga-se de passagem, ela não tinha nem mesmo conhecimento. Então, averiguar com os próprios olhos alguns desses lugarejos inéditos anexados as propriedades já densas foi realmente espantoso.
Certamente o Oeste era um emaranhado de belezas para lá de notáveis. Por isso, não era de se espantar que o feudo ganhasse cada vez mais seguidores obedientes e estivesse presente nas inúmeras conversas populares que costumavam enaltecer não somente o império como também a figura do imponente senhor feudal.
"Não é que Sesshoumaru dessa vez ocupou parte do Centro-Norte!"
"Ohhh! É sim! Fiquei sabendo... Aquele clã Suisha foi totalmente devastado!"
"Tsc! Isso é o que acontece quando a formiga acha que é maior do que a cigarra..."
"Quem iria imaginar que o clã Tsukumo, o maior aliado dos Suisha, se viraria contra eles e ficaria ao lado do Oeste!?"
"Como quem iria imaginar? Tsc! Não faz muito tempo que o líder dos Tsukumo, Haruhiro, ofereceu a filha para que se case com o filho do Sesshoumaru!"
"AHHHHH! Ele também!? Soube que os Kai e Jinja também enviaram essa pretensão!"
"Os Dango também..."
"Puxa! Aquele meio-yo... Digo! Aquele filho admirável está mesmo cobiçado no mundo feudal!"
"Também depois do que ele fez a Ryotaro! E não só isso, não lembra na época que falaram que Sesshoumaru só conseguiu o deter porque também teve ajuda de Souichiro para isso! Veja só! Quem é que seria idiota o suficiente para querer lutar contra ele..."
"Fiquei sabendo que ele está por aí aprimorando sua técnica..."
"Deve ser por isso que Sesshoumaru ainda não respondeu a nenhuma proposta de casamento..."
"Ou talvez por nenhuma delas ser tão admirável..."
"Bobagem! Ao menos as de Tsukumo e Dango eu já vi, e posso dizer que elas são como as Sakuras na primavera!"
"Hm! Como se Sesshoumaru fosse permitir que seu filho casasse com clãs como esses... Olha, não estou dizendo que eles não são bons, mas para alguém a altura só mesmo se fosse do Sul"
"Hm, isso é verdade... Se Souichiro tivesse uma filha ou outra irmã..."
"Ah! Mas, ele tem sobrinhas!"
"Não faz sentido! Oeste e Sul já têm uma aliança. Não tem lógica outro casamento envolvendo os dois... Estão sendo muito pessimistas quanto a possibilidade de um clã ascendente conseguir angariar essa empreitada!"
"Falando assim... Você teve um raciocínio interessante..."
"Sesshoumaru já tem três filhos no total, veja quanto ele não pode expandir... Porque apostar tudo mais uma vez no Sul?"
"Hm... É mesmo..."
Partindo desse pressuposto, quando Sesshoumaru começou a receber algumas cartas de recomendação e propostas de casamento não foi uma verdadeira surpresa para ele. Diante de tantos pontos positivos, quem é que não gostaria de ter uma aliança mais do que sólida com o yokai do semblante impassível? Dificilmente algum clã ascendente ou já de renome não queria tal regalia. Então, estranhamente, os yokais passaram a não se importarem tanto assim com a natureza dos seus filhos meio-yokais... Antes o que era um pavor e um verdadeiro escândalo, passou a não ser mais um empecilho verdadeiramente terrível! Pois, terrível mesmo era ser um clã medíocre ou que não teria a possibilidade de alçar voos maiores.
Seguindo a premissa da coisa, o mundo feudal parecia pouco a pouco mudar. Quer dizer, isso a primeira olhadela, pois no fundo os yokais eram os mesmos petulantes e que só se adequavam a maré. Se estas lhe levavam a caminhos mais confortáveis, dane-se o pudor! Era melhor engolir a carranca de ser destinada a um meio-yokai do que passar o resto dos dias comendo poeira alheia...
Tendo em vista que Oeste e Sul representavam ainda o Sol e a Lua postados no céu límpido, os outros sabiam bem que superar Sesshoumaru e Souichiro era praticamente impossível! Só o que restava era aliar-se a um deles ou enfrentar as delinquências do mundo feudal sozinho... O que, sendo franco, ninguém mais queria... Pois, ser engolido por um clã inimigo era a coisa mais fácil de acontecer. Aquela época de cada um por si já havia ficado para trás por um bom tempo. Ou seja, ter costas quentes era melhor do que não as ter.
Quem renegava a ser desde Vassalo a um subordinado medíocre, seja de um feudo ou de outro, por pensar que não deveria obediência ou que tampouco precisava de proteção, acabava ou sendo exterminado ou tendo que morar numa ponta execrável do mundo para não ser incomodado.
Pior ainda era quem queria sê-lo, mas que não tinha qualquer chance de fazer parte! Esses, mais do que os outros, resguardavam-se em choros anualmente a fim de tentar demonstrarem seus valores que, verdade seja dita, eram irrisórios tanto para Sesshoumaru quanto para Souichiro. E que, não tão tarde assim, acabavam por terem suas terras dominadas por outros clãs tão ridículos quanto...
Mas, continuando o raciocínio acerca dos pedidos constantes de casamento...
No caso de Souichiro, os clãs já haviam desistido. Havia mais de um milhão de propostas de casamento para aquele senhor feudal que se não foram categoricamente rechaçadas tiveram como resposta um silêncio mais do que frio. Conhecendo os maus hábitos promíscuos do belíssimo yokai que teimava a dizer em alto e bom tom que não se casaria NUNCA, com o tempo, os clãs passaram a acreditar na tal declaração e os pedidos ano a ano foram se extinguindo.
Ou seja, só restava tentar uma aliança através do casamento do lado de Sesshoumaru!
Sesshoumaru não havia contestado a legitimidade da pretensão de casar Yoshiaki. Posto que, seu filho já estava mesmo na hora de se unir com alguém. Falando a verdade, já tinha era passado hora! Mas, quanto as suas filhas, aquilo não soou muito bem...
É certo dizer que era uma prática comum e nenhum pouco espantosa. Pois, casamentos arranjados ocorriam o tempo inteiro, inclusive com indivíduos que mal haviam nascido...
Acontece que Sesshoumaru não se sentia nada bem com aquele assunto. Principalmente quando fitava as filhas brincando inocentemente umas com as outras ou consigo mesmo.
Aquilo podia esperar mais uns bons anos...
Fato é que por onde a distinta família passava em meio ao seu passeio despretensioso, alguém se dedicava a tocar no assunto seja falando por alto, diretamente ou fingindo não estar sendo ouvido numa conversa imediatamente ao seu lado. Esse hábito começou a ficar mais do que cansativo de ouvir, porque Sesshoumaru ainda não havia definido qualquer aliança próspera.
Da parte das meninas, então...
Quando escutava uma insinuação a respeito, o Lord gélido tratava de fechar a cara e quem que tivesse iniciado o engodo acabava engolindo a seco e quase se atirando ao chão pela audácia de aborrecê-lo.
De Yoshiaki ele até aceitava ponderar..., mas não queria tomar uma decisão unilateral.
Em primeiro lugar porque não era necessário, não havia pressa e quem tinha que se subjugar as vontades de quem certamente seriam os outros e não ele. A segunda premissa é que mais do que ninguém Sesshoumaru sabia da chateação que era estar comprometido com um ser da qual não se tinha qualquer pretensão. Em terceiro, Rin jamais iria querer que Yoshiaki ou suas filhas se casassem com quem não possuíam afeto! Mesmo que isso significasse perder uma boa oportunidade, ela não concordaria.
...
Descendo o monte Kichijoji, Rin guiava Arurun pelas cordas de couro que pendiam do cabresto de ambas as cabeças do yokai bestial. Fazia simplesmente pela força do hábito, pois aquele ser não iria para qualquer outro lugar se não o mesmo que o deles e muito menos resvalaria dos seus domínios.
Mas, fosse por sempre o fazê-lo ou porque suas filhas descansavam preguiçosamente nas costas do yokai dragão, ela se dispôs a ir à frente da criatura de duas cabeças na companhia de Sesshoumaru que jazia ao seu lado.
Àquela altura o sol dava seus últimos suspiros. Quem sabe o astro rei não estivesse tão cansado como as meio-yokais agitadas que haviam despendido a saltitarem praticamente por todo o dia, aproveitando os rios caudalosos e as quedas d'água pelo caminho?
Por conta da iminente chegada da noite, Sesshoumaru preferiu que eles se instalassem numa das propriedades no pé do monte.
Já no meio do caminho foi possível ver a enorme mansão solitária entre os campos verdejantes. Aquela casa inabitada antes era a residência de um dos seus principais vassalos. Mas, quando o Oeste fora dominado pelos yokais escorpiões aquele lugarejo igualmente tinha sido atacado da forma mais violenta possível e desde então se encontrava vazio.
Mas, isso não significava que a casa se encontrava destruída ou maltrapilha. Muito pelo contrário. Como as inúmeras propriedades que aquele senhor feudal utilizava pelo caminho a fim de repousar, aquela era uma delas, e por isso, naturalmente os yokais se encarregavam de deixá-las intactas e bem cuidadas para quando Sesshoumaru as quisesse usar.
...
-Towa e Setsuna apagaram completamente! —Rin disse sorrindo enquanto entrava no quarto principal onde ela e Sesshoumaru passariam a noite.
-Estranho seria se não estivessem exaustas. —ele respondeu sorrindo brevemente. —Mesmo Setsuna está a aflorar o seu sangue irrequieto em meio a tantas novidades.
-Não se pode negar as origens! —Rin assentiu dando uma risada e jogando os braços para trás do corpo.
-De fato não.
Sem se debruçar sobre a inércia, Rin logo deu passos rápidos à direção do marido que jazia sentado em frente a porta escancarada que dava acesso a varanda que circundava toda a propriedade. Uma brisa fresca balançava seus cabelos platinados bem como o kimono leve, livre da pesada armadura e dos adereços inerentes a posição de Lorde da qual ele exercia diariamente.
A luz da lua cheia estacionada ao centro do céu negro repleto de estrelas, que brilhavam intermitentemente, disputava com a baixa claridade do cômodo sob a luminosidade morna das velas dispostas pelo ambiente.
Ela apressou-se a sentar ao lado do marido, mas não manteve a postura ereta e alinhada tal qual a dele. Invés disso jogou a cabeça no colo do yokai e deitou-se esparramada ao chão com o antebraço recostado na testa, por cima da franja espessa.
-Devo admitir que também estou cansada. —ela falou cerrando os olhos dando um longo suspiro.
-Parando para pensar é difícil ponderar quem estava mais elétrica, se as meninas ou você mesma.
-Não posso rebater. —ela riu abrindo os olhos novamente e fitando os âmbares acima da sua cabeça. —Devo confessar que estou mais do que feliz por estarmos fazendo essa viagem!
-Foi mesmo uma boa ideia. —Sesshoumaru assentiu seriamente. —Já estava na hora de Towa e Setsuna conhecerem com precisão as próprias terras.
-Elas estão se divertindo como nunca! —Rin riu baixinho ao retomar as memórias dos últimos dias. Mas, seu semblante não demorou a tomar um tom mais nostálgico. —Queria que Yoshiaki estivesse aqui conosco também.
-Então devo avisá-la que seu desejo logo se concretizará.
-Hm!? Como assim!?
Rin se sobressaltou. Sentindo o coração bater acelerado contra o peito, num estalar de dedos a energia do seu corpo voltou e no mesmo segundo ela ergueu parcialmente o tronco, mantendo uma postura ereta a frente de Sesshoumaru.
-Não diga que... —ela falou com os olhos luminosos que ondularam como as águas dos rios que haviam visitado mais cedo.
-Recebi uma mensagem agora pouco de Jaken. Yoshiaki voltou ao Oeste.
Fazia tempo que Rin queria ouvir aquelas palavras. Desde que o primogênito partira, ela contava os dias com a devoção de quem espera ansiosamente por um retorno e com angústia do pensamento em não saber o que o acometia.
Ter a ciência de que o filho finalmente havia retornado e acima de tudo são e salvo acalentou o seu coração que há tempos não batia com o devido alívio. Foi como respirar com os dois pulmões novamente, pois o ar que a preencheu, diferente dos que sorvia na ausência de uma das partes da sua alma, de longe, não era o mesmo.
Sem esboçar com palavras, ela agradeceu mentalmente ao divino juntando involuntariamente as mãos na frente do rosto.
Sesshoumaru sorriu com aquela visão e não obstante tratou de afagar o topo da cabeça alheia com carinho.
-Ele nos encontrará pelo caminho.
-Sem dúvidas essa foi a melhor notícia dos últimos tempos. Finalmente Yoshiaki voltou! —ela disse com o semblante iluminado.
-Chegou em boa hora. Há coisas que precisamos discutir.
-Hm... —Rin sorriu amarelo coçando a nuca. —É algo relacionado a casamento? Os outros parecem não falar de outra coisa nos últimos tempos.
-Sim. —Sesshoumaru assentiu sem titubear. —Tem a ver com isso.
-Yoshiaki passou tanto tempo fora. —Rin cruzou os braços numa tez séria e postou-se a ponderar enquanto prosseguia. —Apesar de não ter me contado necessariamente de uma pessoa nas cartas que enviou, quem sabe não tenha alguém da qual ele goste ou que já esteja?
-Se esse for o caso ele precisará decidir o que será melhor.
-Não queria que ele encarasse isso como uma obrigação. —Rin suspirou reflexiva fitando o marido de soslaio.
-Não será necessário. Mas, é imprescindível que ele conte suas pretensões. Não respondi em seu nome aos pedidos que venho recebendo e não pretendo fazê-lo.
-Fico feliz que haja dessa maneira. Assim fico verdadeiramente tranquila.
-Sei que não iria querer de outra forma.
-Tenho certeza que Yoshiaki não se oporia a casar com quem quer fosse se isso significasse uma benesse ao Oeste. Ele encararia como um dever e assumiria a posição imposta sem discutir. Ele sempre foi bastante racional no fim das contas. —Rin sorriu mesmo sem vontade. Ajeitando o corpo sobre as pernas dobradas abaixo de si ela prosseguiu com o pensamento. —Mas, só de imaginar algo assim... Que ele estaria num casamento por conveniência... Isso me dói e frustra.
-Vamos deixá-lo decidir por si mesmo.
-Sim. —Rin concordou sem pestanejar.
Dessa vez, abrindo um sorriso genuinamente sincero, ela aproximou-se mais do marido e tocou na sua face carinhosamente, na pele lisa e branca como um crisântemo branco.
-A verdade é que queria que Yoshiaki, Towa e Setsuna tivessem um casamento como o nosso.
Em seu âmago, Sesshoumaru pensava igualmente. Mas, ele não demonstrou com palavras o sentimento recíproco. Posto que era um verdadeiro deleite saber que a mulher, assim como ele, depois de tantos anos de convívio e provações, sentia-se confortável a dizer que vivia uma vida ao lado de alguém que verdadeiramente desejava e que estava em paz com aquela escolha.
Por isso, diante de mais uma confirmação, Sesshoumaru preferiu não se manifestar através de vocábulos. E sim, optou por puxá-la gentilmente pela cintura a fim de colar seus lábios com os dela.
Como de praxe não houve resistência, somente redenção. Correspondendo ao beijo profundo do yokai à sua frente, ela deixou-se envolver pelas carícias sempre tão incisivas e precisas.
Entregando-se ao momento e aos desejos do seu corpo, Rin estacionou no colo do marido.
Encaixando-se perfeitamente a ele, ela colou seu tronco no do senhor feudal, a fim de não manter qualquer distância dos seus seres.
Sesshoumaru enlaçou os dedos por trás da sua nuca aprofundando consideravelmente o beijo denso que os tirava o ar.
-Achei que estivesse cansada. —ele falou e seu timbre saiu irregular por conta da respiração pesada.
-Para você... —Rin respondeu arfando em igualdade dando uma mordida firme nos seus lábios inferiores. —Nunca...
Terminando de dizer, ela o puxou novamente para dentro da sua boca enquanto entrelaçava seus braços por trás da nuca alheia sorvendo a língua numa carícia lasciva que ocasionou um arrepio por toda a espinha.
O calor dos seus corpos perpassou o tecido fino das roupas singelas. Rin ajeitou-se mais uma vez no colo do marido e cada músculo do corpo de Sesshoumaru pareceu tensionar por senti-la tão próxima de si e por ela roçar-se sutilmente contra a parte inferior do seu corpo que àquela altura começava a enrijecer desconfortavelmente.
Aquela mania incontrolável de quere-la derretia todos os seus neurônios e o fazia negligenciar qualquer outra coisa que não fosse ela.
A verdade é que Rin não precisava se esforçar muito para tirar a sua razoabilidade. Costumeiramente seus pensamentos se dissolviam só de tocar na pele macia e aveludada da mulher. Em questão de segundos os pensamentos já fluíam e mudavam qualquer ideia que seu interior possuía que não fosse a direção de consumir toda e qualquer aresta dos contornos oblíquos da mulher lânguida.
Só que quando ela se dedicava a tirá-lo completamente do eixo tudo ficava perigosamente insano e sua carne acabava respondendo por si e tendo as próprias ideias...
-Rin... —ele a chamou ao mesmo tempo que a apertava firme pela cintura e se dedicava a desatar o nó da sua roupa. —Não deveria me provocar assim.
-Por que? —ela riu baixinho o fitando de volta com uma face fingidamente inocente.
-Não vou querer sair de dentro de você.
-Não?
Fitando Sesshoumaru intensamente nos olhos, Rin moveu-se novamente no colo dele o que ocasionou um suspiro excitado que bailou através dos lábios masculinos. E um desejo angustiado igualmente ressoou nas suas veias e se agitou profundamente por entre as suas pernas onde, perfeitamente, sentia o toque rijo da intimidade alheia sendo pressionada contra a sua.
Mesmo estando separados pela roupa singela, ela respirou entrecortado ao percebê-lo tão efervescente. E a vontade só aumentou quando as mãos grandes e pesadas deslizaram pelas suas costelas e estacionaram nos mamilos endurecidos que despontavam sem qualquer pudor, revelando o desejo ardente.
Rin sentiu o escalpo formigar quando as mãos penetraram de uma só vez por dentro do kimono, diretamente nos seios modestos que se encaixavam precisamente nas palmas firmes que a circundavam com muita vontade. A sensação entorpecente a fez inclinar a cabeça um pouco para trás o que permitiu que seu pescoço desnudo ficasse completamente a mostra e se tornasse extremamente convidativo para a língua terna de Sesshoumaru que a lambeu urgentemente até a sua orelha, onde a mordeu com força ao final do feito.
Ela o apertou forte no ombro. Um toque mais do que intenso para mãos tão finas e pequenas. Mas, já fazia um bom tempo desde que tinha controlado a energia sinistra presente no seu interior e que sua força havia aumentado consideravelmente o que, de certa forma, contribuía positivamente em momentos como aqueles! Pois, Sesshoumaru não precisava mais se conter tanto e preocupar-se em ser tão gentil...
Seguindo para a boca entreaberta da mulher, ele enfiou sua língua que foi recebida com a notada obediência por ela. Retomando o beijo profundo entre as carícias em seus corpos vociferantes, Rin escorregou as mãos apoiadas nos ombros do yokai para dentro das suas vestimentas simples que se abriram a ela facilmente. Percorreu cuidadosamente os músculos retorcidos onde o apertou na lateral do abdômen ao senti-lo fincar os dedos nas suas coxas.
Ela respirou de forma descontínua com o toque enérgico, mas não demorou a retomar o movimento que pretendia realizar anteriormente. Alcançando o membro rígido, ela o tomou com a mão o fazendo grunhir e beijá-la no pescoço enquanto sua ereção era pressionada por entre os dedos macios que o estimulavam do início ao fim da extensão pulsante.
Rin ergueu-se alguns centímetros e recostou sua testa suada na de Sesshoumaru que entendeu a empreitada da outra. Mal o pensamento passou pela sua cabeça para que ela voltasse a sentar no seu colo devorando-o por inteiro, de uma só vez.
Um torpor abrupto os envolveu conjuntamente. Ela por senti-lo tão duro alocando-se provocantemente dentro de si e ele por estar embebido no espaço estreito que o apertava confortavelmente.
Para não perder o equilíbrio e conseguir se movimentar, Rin jogou mais uma vez os braços para trás da nuca de Sesshoumaru que também a segurou com uma mão pela cintura e a outra pelas costas. Com o adequado apoio, sem qualquer chance de conseguir desvencilhar, ela foi capaz de subir e descer ajustando as investidas de acordo com o que pretendia ocasionar no corpo alheio.
Rin sabia bem do quanto Sesshoumaru gostava quando ela se afundava nele numa cadência ritmada. Por isso, não foi surpreendente vê-lo com a tez torcida e os olhos fechados com força numa roupagem pra lá de vulnerável e nenhum pouco característica.
Ela gostava daquilo, da visão do rosto entregue em definitivo. Do quanto ele respirava pesadamente e a procurava com os lábios para um beijo demorado que escancarava sua ânsia.
Claro que aquilo não demorou a se apagar, pois como o vento que muda a direção, de uma hora para outra Sesshoumaru reacendeu a fim de não esmorecer antes dela e postar-se a acabar com todo o enlace.
-É melhor que esteja pronta para terminar o que começou. —Sesshoumaru disse com a voz carregada ao soltar da boca da mulher.
Rin não teve tempo de organizar os pensamentos para poder respondê-lo. Além de estar envolvida no torpor do ato sentindo o coração pulsante bater forte contra o peito, ele não a deu chances para fazê-lo. Subitamente, Sesshoumaru tratou de abraçá-la contra o corpo de forma pouco cortês e carinhosa da qual ela estava acostumada e postou-se a movimentar juntamente com ela num ritmo intenso.
Os braços firmes ao redor da silhueta fina a guiavam urgentemente para baixo, para penetrações mais agudas e enérgicas que inclusive lhe tiravam uns bons centímetros do colo alheio. Tracejando um caminho constante de idas e vindas, ela não soube dizer exatamente o que mais a deixava louca, se era o fato dele a envolver sem qualquer cuidado ou a capacidade que ele tinha de cavar cada vez mais dentro de si e remexer em pontos da qual ela não fazia ideia que existiam.
Não importava o quanto seu corpo parecia ferver, em como o atrito dos seus seios no tórax desnudo e bem definido de Sesshoumaru causava um frenesi em todo o seu corpo. Ela simplesmente agarrou-se a sensação que aumentava dentro do seu peito ao senti-lo cada vez mais fundo. E essa nuance abrasiva se intensificou mais ainda quando seus beijos ferozes se combinaram com a movimentação que seguia um ritmo perfeito de penetração e recuo que crescia mais e mais. O aperto firme na sua cintura a fez gemer de excitação e a levou instantaneamente para mais próximo do orgasmo.
Ele notou, e por isso, a puxou com mais força para baixo, pressionando igualmente a lateral das suas coxas para que ela aumentasse ainda mais o ritmo com ele.
Sendo incapaz de impedir o clímax que brevemente a rondou, ela deixou-se dominar pela torrente que a invadiu instantaneamente e que a fizera o agarrar com força pelos ombros.
Sesshoumaru abafou os gemidos de Rin com a sua própria boca e ao final do torpor da mulher caiu com os lábios para os seus seios, os beijando avidamente.
Ao abrir os olhos, mesmo semicerrando-os, ela pôde vê-lo abocanhar seus mamilos rijos de forma estimulante.
Sesshoumaru a fitou numa perspectiva um pouco mais baixa e a agarrou forte pelos cabelos.
-Eu disse que não pararia tão cedo. —ele murmurou e seus olhos âmbares cintilaram um desejo ardente. —Só comecei.
Ela arfou ao senti-lo voltar com a língua, dando voltas em carícias longínquas em sua aureola sensível.
Mais mole do que nunca, Sesshoumaru resolveu tombá-la para trás. E assim o fez, debruçando-se sobre o corpo delicado da mulher que não resistiu enquanto ele segurava em seus dois pulsos com uma única mão por cima da cabeça.
Rin o encarou com os olhos tremeluzentes ao sentir-se literalmente presa.
Aquele olhar o matou lentamente.
Vê-la tão excitada o tirava de órbita. Era algo que não o cansaria nunca.
Por isso, ele não quis ir tão depressa, se assim o fizesse não duraria muito mais. Preferiu a explorar por dentro com toda a minucia possível, penetrando em seu corpo de forma lenta e profunda, num vai-e-vem carregado da qual era possível senti-lo preenchendo todo o seu espaço úmido.
O som da lubricidade ecoou pelo ambiente já repleto de gemidos baixos e das suas respirações descompassadas.
Aquela sonoridade erótica o deixava enlouquecido. Ainda assim, ele se conteve a não ir rápido. Invés disso, Sesshoumaru dedicou-se a roçar seus lábios nos de Rin e prosseguir com a provocação dentro do corpo da mulher que lhe brindava com um semblante torcido, prestes a render-se.
Vendo-a morder os próprios lábios e quase implorar somente com o olhar, Sesshoumaru deixou um rosnado escapar entre os dentes cerrados e permitiu-se a ir um pouco mais rápido, chocando os quadris em suas coxas, indo cada vez mais e mais fundo.
Não demorou muito para ele conseguir fazê-la gozar novamente. Sentindo a cavidade inferior se retorcendo envolta de si, ele utilizou a mão livre para tapar a sua boca e encobrir os gemidos extasiados de um orgasmo que lhe preenchia com igual tesão.
-Shhhh... —ele sussurrou irônico na sua orelha. —Assim irá acordar todo mundo.
-Sesshoumaru... —ela arfou entre os dedos dele e se retesou ao sentir o hálito quente no seu lóbulo.
-Quanto mais te vejo gozar, mais eu fico duro. —ele falou a agarrando pelos cabelos. —Vai virar para mim agora.
Rin não soube conciliar se era uma pergunta, uma ordem ou um pedido. Sendo um ou outro e tendo seus miolos mais fritos do que se tivesse os colocado debaixo do sol do meio-dia, ela não pestanejou muito ao vê-lo sair de cima de si e de dentro do seu corpo. Estando livre provisoriamente dos domínios do marido, ela atendeu ao desejo.
Ficando em quatro apoios, aquela visão o tirou mais uma vez do controle. Então, deixando seu lado animal dominá-lo completamente, ele a penetrou fundo de uma só vez, a segurando pela cintura e a empurrando intensamente para trás.
Cada estocada o embriagava, principalmente por deslizar tão facilmente.
O som grudento e aquoso do intenso choque dos seus corpos bem como os gemidos baixos e irregulares que só ela era capaz de produzir o tirou em definitivo a lucidez. Quanto mais ele a penetrava, mais tinha vontade de fazê-lo e menos o formigamento por trás da sua nuca o abandonava tal qual o calor que subia desde seu ponto inferior até o último fio do cabelo.
Com a luxúria revolvendo a sua mente, Sesshoumaru debruçou sobre o corpo de Rin que não resistindo ao seu peso cedeu ao chão novamente, deitando-se de bruços. Ele embolorou mais uma vez seus dedos por entre os cabelos negros espessos e a puxou com firmeza para trás onde, lateralmente, conseguiu dar-lhe um beijo demorado nos lábios enquanto mantinha-se dentro da sua abrasiva intimidade encharcada.
Terminando o beijo, ele a mordeu no pescoço e no ombro, ocasionando repetidamente a dormência no escalpo que arrepiou do começo ao fim a espinha. Com a ajuda dos próprios joelhos, ele abriu mais as pernas da mulher que soltou um gemido ao tê-lo tão fundo e por ser tão assertivo em insistir num dado ponto que a fazia fraquejar e tremer completamente sem forças.
Sem libertar os dedos dos fios, ele sorriu brevemente no ouvido de Rin por percebê-la tão arrepiada e anestesiada com suas investidas insistentes. Ela, por sua vez, retesou-se mais com a aproximação e gemeu picotado pela falta de ar.
Inegavelmente enlouquecida! Tudo ficou impossível de suportar quando Sesshoumaru dedicou-se a morde-la pela orelha e pescoço intercalando a força que seus dentes exerciam na pele eriçada e entregue aos seus toques. Contraindo o corpo, involuntariamente sua extremidade inferior também agiu de igual forma e a fricção dos seus corpos aumentou sensivelmente ocasionando um arfar mútuo.
Depois de sentir as paredes internas do corpo dela se espremerem vigorosamente no seu membro mais do que rígido, ele aumentou progressivamente o ritmo enquanto a segurava com força pela lateral do corpo deixando marcas avermelhadas das pontas dos seus dedos na pele branca.
Indo de encontro com a lógica, ela mais do que gostou de ser tocada com tanta força, então, quanto mais ele a apertava contra si, mais seu tesão aumentava.
Não foi difícil dar-se conta do repentino desejo, Sesshoumaru a conhecia como a palma da sua mão. Por isso mesmo ele fez sem que ela pedisse e suas células quase choraram em agradecimento por ele atender, numa adivinhação perfeita, o seu desejo.
Na obviedade da coisa, ela entreabriu os lábios suplicantes e cerrou os olhos com força ao sentir pela terceira vez aquela onda crescente prestes a arrebentar e arrastar tudo consigo. Prendendo-se ao torpor, negligenciando absolutamente tudo ao redor, Rin entregou-se mais uma vez ao calor que queimava dentro do peito e que trazia involuntários gemidos impossíveis de serem contidos.
Dessa vez, Sesshoumaru não a impediu de gemer alto, contrariamente deliciou-se com o som que tilintou nos seus ouvidos como um convite para que ele pudesse finalmente ceder.
Estando embebido pelo fluido viscoso e quente, Sesshoumaru sentiu uma torrente intensa subir pelas costas. Diferente das demais oportunidades não a negligenciou, e sim agarrou-se ao torpor com toda a sua força. Imediatamente seu corpo tremeu com o orgasmo que se espalhou violentamente por todas suas veias o fazendo grunhir em satisfação mais do que evidente.
Parando o movimento de forma gradual, deleitando-se até a última gota, ele suspirou completamente extasiado antes de tombar definitivamente em Rin abaixo de si.
Suas respirações carregadas pouco a pouco foram amainando e suas mentes voltavam em conjunto a realidade. Ele beijou a nuca suada da mulher carinhosamente, depois sua bochecha e em seguida seus lábios trôpegos.
Saiu enfim de dentro do corpo alheio, deitando ao lado de Rin que não parecia disposta a mover-se. Se ele não a houvesse puxado para seus braços, apoiando a cabeça da mulher confortavelmente no seu peito desnudo que subia e descia numa respiração um pouco mais contida, talvez ela não tivesse tido forças para realizar sozinha o ato.
Sesshoumaru acariciou os longos cabelos negros e ela, igualmente, pôs-se a enrolar os fios prateados em seus dedos que escorriam pelo torso masculino bem como a aconchegar-se nos braços firmes como quem busca acalento.
-Sesshoumaru... —Rin o chamou baixinho já com os olhos cerrados.
-O quê? —ele indagou abaixando a cabeça na direção da mulher parando sutilmente a carícia monótona.
-Eu te amo. —Rin falou sem rodeios, num murmúrio sonolento.
Sesshoumaru sorriu ainda que ela não estivesse olhando. Logo, beijou o topo da sua cabeça longamente e afagou a lateral do seu corpo desnudo.
-Eu também te amo.
...
O sol mal havia surgido por entre as montanhas. Ainda assim, o lusco-fusco de um início de uma manhã promissora não afugentaram os ânimos de Towa e Setsuna.
Como se já fosse muito tarde, as gêmeas ergueram-se num solavanco e correram para o quarto dos seus pais, onde jogaram-se sem qualquer cuidado em cima do corpo de Rin que ainda dormia o sono dos anjos no futon que, diga-se de passagem, nem ela mesma sabia como havia parado lá!
-Acorda, mamãe! —Towa a balançava alegremente.
-Vamos ver os peixinhos coloridos! —Setsuna disse igualmente contente.
-Hmmm... —Rin resmungou um tanto confusa tentando retornar ao mundo real.
De repente, um pensamento a fez saltitar. Nas suas últimas memórias ela encontrava-se completamente nua agarrada ao corpo despido do marido. Ter que inventar um motivo para estar daquele jeito, naturalmente, não fazia parte dos seus planos matinais.
No entanto, quando ela ergueu parcialmente o corpo, sentando-se no futon confortável, Rin notou que Sesshoumaru já não estava mais ao seu lado e ela encontrava-se devidamente vestida com um kimono de seda branco.
Seus cabelos ainda um pouco úmidos e o cheiro de flores recém colhidas denunciavam que além dele tê-la repousado na cama também a havia banhado.
Refletindo com calma, os flashs sonolentos vieram e seu coração pôde sossegar por não estar protagonizando uma cena constrangedora.
Dando um suspiro aliviado, Rin logo voltou as filhas que estavam mais do que acordadas e ansiosas para irem até o rio da qual ela havia as contado. Sorrindo docemente as próprias crias, ela afagou suas cabeças com a paciência inerente ao seu ser.
-Não está um pouco cedo? —Rin disse dando um breve bocejo, esfregando o canto dos olhos que lacrimejavam pelo sono interrompido.
-É que se não formos logo eles podem ir embora! —Towa falou com os olhos aflitos a puxando pelo braço. —Por isso temos que ir!
-Ir embora? —Rin deu uma risadinha balançando a cabeça negativamente. —E para onde eles iriam?
-Viu! Eu disse que o lago era a casa deles! —Setsuna falou dando uma cutucada em Towa.
-Mas e se alguém os pegar? —Towa insistiu estreitando os olhos, não se dando por vencida.
-Por que alguém iria pegar os peixinhos? —Setsuna franziu igualmente os olhos sem compreender o raciocínio.
-Para comer, é claro! —Towa falou fazendo o gesto de alguém pescando e comendo em seguida.
-Ahhhh! —Setsuna se retesou um tanto apavorada com a hipótese, mas logo voltou com os olhos incisivos para a irmã. —Não podemos deixar!
-Não podemos! —Towa concordou igualmente decidida.
-Entendi. —Rin assentiu fingindo seriedade. —Então precisamos realmente nos apressar!
-Sim! Sim! —Towa concordou animadamente voltando a puxar a mãe pelo braço. —Precisamos ir!
Rin sabia bem que não adiantaria tentar convencê-las do contrário. Towa possuía uma imaginação mais do que aguçada e Setsuna, por sua vez, a acompanhava no enredo dramático da coisa. Mas, ela também entendia que no final não havia realmente uma maquinação por trás dos pensamentos das gêmeas, somente uma ansiedade ardente de desvendar o mundo e apreender com seus próprios olhos o máximo de coisas possíveis.
Rin legitimava o sentimento. Afinal, além serem crianças, elas não tinham mesmo muito conhecimento do que jazia por trás dos muros bem resguardados do castelo. Então, não era uma surpresa grande pegá-las tão agitadas e eufóricas como nunca antes na vida.
Consentindo, Rin as enrolou um pouco mais, as distraindo na escolha das suas próprias roupas bem como a sua. Depois, as fez comer alguma coisa enquanto as divertia com histórias antigas que as fizeram rir e desanuviar um pouco a tensão de terem que sair desvairadamente pelas trilhas ainda escuras.
Mas, quando Sesshoumaru surgiu na varanda já devidamente vestido com sua costumeira roupagem elegante e com o sol despontando fortemente no horizonte, Rin sabia que não haveria mais motivos para declinar da empreitada.
Dando finalmente o aval, puderam prosseguir com o caminho.
...
Havia uma trilha estreita atrás da propriedade. Subia-se alguns quilômetros e depois, num paradoxo, descia até chegar as margens do rio que jaziam as inúmeras espécies de peixes que usualmente não se via facilmente.
Sesshoumaru poderia ter ido a frente, mal pisaria no solo para avançar rapidamente ao objetivo e elas o seguiriam atrás nas costas de Arurun, prosseguindo tão rápido quanto. Mas, a graça estava justamente em fazer aquilo lentamente. Pois, o caminho era repleto de flores vívidas e dentes-de-leão que se prendiam teatralmente em seus cabelos e voavam por cima dos campos predominantemente verdes proporcionando uma imagem mais do que bela e sobrenatural.
Não só as meninas se fascinavam com aquilo. Rin também não podia dizer que o passeio demorado não a agradava. Tendo em vista sua natureza altamente dispersa e facilmente impressionável, dificilmente ela não estacionava despretensiosamente pelo meio do caminho a fim de mostrar clinicamente desde uma criatura comum a uma flor de cor rara.
Ela amava do fundo do seu coração ver a reação das suas filhas. Do quanto Towa estava sempre disposta a experimentar qualquer coisa na frente de Setsuna com a intenção clara de protegê-la e o quanto Setsuna mostrava-se analítica nas suas observações diante de alguma novidade exasperada.
E, acima de tudo, Rin amava o afeto sincero e escancarado. Os abraços sem hora de terminar, os furtivos beijos na sua face ao se agachar próxima as duas, as mãozinhas diminutas que apontavam aqui e ali uma nova empreitada!
As paradas eram tão demoradas e repletas de observações que talvez qualquer outro não tivesse tamanha resignação. Mas, para Sesshoumaru, aquilo era um fascínio da qual não se cansava.
Ver os três pares de olhos abrindo e fechando de forma estupefata ao observar, por exemplo, o voo singelo de uma borboleta colorida, preenchia o seu coração de sentimentos da qual ele nunca pensou que um dia experimentaria.
Sobretudo quando elas despontavam a rir despreocupadamente e o envolvia nos assuntos!
Elas tinham uma capacidade mais do que grande em dar importância nas irrestritas banalidades! Se acaso seus ouvidos experimentassem tais assuntos sendo proferidos por qualquer outro ser na face da terra, ele certamente desconsideraria sem dó.
Só que com elas o fluxo era o avesso. Nada pesaria os seus ouvidos e o chatearia ao ponto de não lhes dar a devida atenção merecida.
...
Que Towa e Setsuna ficariam radiantes quando vissem o enorme lago de águas límpidas e transparentes, Sesshoumaru e Rin não tinham a mínima dúvida! Mas, eles não imaginavam que seria tanto! A ponto de elas fazerem planos de construírem seu próprio castelo sob as árvores altas.
Sesshoumaru sorriu ao ouvi-las dizer tal coisa. Pois, havia uma roupagem ambiciosa por trás de planos meramente infantis. Para um yokai tão audacioso e orgulhoso como ele, não podia negar que ficara no mínimo contente por perceber aqueles traços correndo em suas veias.
Mas, não tardou para o plano de dominação local esvair, e elas dedicarem-se a entrar nas águas repletas de peixes de diferentes espécies que se aproximavam curiosamente dos seus pés pequenos, sendo as roçando como também as mordiscando levemente, o que ocasionava alguns gritinhos esporádicos seguidos de risadas de puro divertimento.
Rin mantinha-se entre as gêmeas e por conta da agitação vez ou outra elas caíam com o corpo inteiro na água ou espichavam propositalmente jatos em si mesmas, numa brincadeira que poderia durar o dia inteiro se dependesse do ânimo das suas filhas tão agitadas naquele verão ensolarado.
Sentindo-se um pouco cansada, Rin conseguiu desvencilhar por alguns instantes das filhas. Pisando nas margens do lago, ela iria sentar-se na beirada a fim de observá-las de perto. No entanto, algo no ar a fez paralisar de imediato.
Uma sensação da qual ela jamais poderia negligenciar.
Olhando na mesma direção que Sesshoumaru, não tardou para que uma silhueta negra brotasse pouco a pouco.
...
Rin já sabia que Yoshiaki estava a caminho e que factualmente cedo ou tarde eles se reencontrariam depois de duros anos de ausência.
Na prática, o raciocínio era simples e exato.
Mas, para o coração de uma mãe que há anos espera por aquele momento, ver com os próprios olhos e ter a absoluta certeza de que finalmente a espacialidade temporal e física havia se dissipado, não funcionava assim tão simples.
A razoabilidade do pensamento ficava para trás e dava lugar subitamente a emoção resplandecente de que enfim dividia o mesmo ambiente daquele ser que ela com todo amor, carinho e dedicação colocou no mundo.
Justamente por isso, por estar tão envolvida com seus sentimentos exasperados e nada modestos que Rin não se impediu um único segundo de partir em disparada para os braços do filho.
Correndo como se sua vida dependesse disso, Rin disparou na direção do outro. Yoshiaki encurtou o caminho fazendo o mesmo. Numa corrida que demorou mais tempo do que ambos gostariam, por fim a espera cessou e puderam se reaver num abraço mais do que aguardado, tenro e forte.
-Yoshiaki... —Rin falou com a voz embargada pelas lágrimas comovidas que se aglutinavam nos olhos trêmulos.
-Estou de volta, mãe. —ele respondeu sorrindo, sentindo também o sentimento emotivo brotar no peito.
-Que saudades que eu estava! —ela disse deixando o líquido cristalino irromper a face escancarada por um sorriso luminoso. —Que saudades, filho.
-Eu também, mãe. Muitas saudades! —Yoshiaki disse afagando suas costas e a beijando na lateral da cabeça carinhosamente.
Ficaram assim, presos num abraço repleto de afabilidade por generosos segundos. Até Rin ponderar que não era a única que precisava do acalento e dos carinhos do recém-chegado. Agarrando-se nisso, tentando não o roubar além da conta, ela desvencilhou com pesar da cria e o fitou de cima abaixo com orgulho.
-Está tão bonito, meu filho. —ela disse passando a mão no rosto alinhado do primogênito.
-Obrigado, mas é a senhora que não muda. —ele riu brevemente dando um beijo rápido na bochecha da mãe.
Voltando a postura ereta, Sesshoumaru já estacionava ao lado de Rin. Seus olhos âmbares se encontraram respeitosamente e Yoshiaki não pôde deixar de curvar-se solenemente ao pai.
-Meu pai. Estou feliz em rever o senhor.
-Já estava na hora de voltar. —Sesshoumaru disse repousando a mão no ombro alheio e o apertando sutilmente numa breve demonstração de afeto.
Yoshiaki sorriu ao pai e imitou o gesto terno de Sesshoumaru.
Mas, não tardou para que eles fossem interceptados por duas criaturinhas ressabiadas.
Towa agarrou-se a perna de Sesshoumaru enquanto Setsuna a de Rin. Embora estivessem receosas com a figura inédita, elas o olhavam por entre as pernas dos pais com curiosidade evidente.
-Veja, Yoshiaki. São as suas irmãs! —Rin disse calorosamente olhando dele para as filhas que se esconderam timidamente mais um pouco entre as suas pernas e as de Sesshoumaru.
Yoshiaki sorriu de igual forma.
Sem perder tempo, ele agachou-se e estendeu os braços a elas, como quem se prepara para um super abraço.
-Towa, Setsuna! —ele as fitou com nítida animação. —Não vão vir dar um abraço no irmão? Esperei tanto para conhecê-las!
Vendo-o tão radiante e não sentindo qualquer perigo, as gêmeas se entreolharam ainda com um pouco de dúvida sobre o que deveriam fazer. Depois fitaram seus pais que assentiram, encorajando-as a tomarem tal atitude.
Aquele aval foi mais do que o suficiente.
Completamente convencidas, elas sorriram conjuntamente a Yoshiaki e sem mais hesitar voaram nos seus braços com ímpeto, onde ele as afagou carinhosamente e as beijou no topo das suas cabeças várias vezes.
...
Embaixo da árvore, Yoshiaki postou-se ao lado do pai e ficou a fitar a mãe bem como as irmãs brincarem dentro do lago despretensiosamente.
Aquela imagem acalentou o seu coração como o dia ensolarado que despontava sob os céus límpidos de brisas afáveis.
-Soube que esteve no Sul. —Sesshoumaru falou a Yoshiaki o fitando de canto, quebrando o silêncio entre eles.
Yoshiaki não quis se sobressaltar e muito menos esboçar uma tez tensa diante de Sesshoumaru. Entretanto, foi praticamente impossível, principalmente conter o coração que martelava sem cerimônia dentro do seu peito da forma mais acelerada possível.
Desanuviando a tez, Yoshiaki tossiu seco e voltou a pose alinhada tentando não parecer tão tenso como realmente estava.
-Estive. —ele respondeu categórico, sem dar muitos detalhes e chamar atenção para o assunto.
Estranhamente Sesshoumaru não questionou o motivo dele ter ido ao Sul primeiro, tampouco o seu objetivo por ir até lá, tendo em vista que, em tese, Yoshiaki não era próximo a ninguém.
Yoshiaki já estava com todo o discurso e respostas prontas, caso viesse a ser questionado. Sabia que provavelmente não se sairia bem nas suas evasivas, mas era melhor do que ir direto ao ponto.
Pois, como ele viraria a Sesshoumaru, de supetão, depois de longos anos de ausência para lhe falar "hei, pai, passei os últimos dias transando loucamente com Souichiro e veja só que engraçado, estou apaixonado por ele!".
Pensava que seu pai seria capaz de matá-lo, ressuscitá-lo e matá-lo novamente.
-Há algo que preciso lhe contar. —Sesshoumaru falou desviando o assunto para a surpresa de Yoshiaki.
Piscando lentamente, Yoshiaki voltou ao planeta.
-Diga, meu pai.
Sem muitos rodeios, Sesshoumaru explicou que nos últimos tempos inúmeras propostas de casamento assomavam o Oeste.
Yoshiaki ficou mais do que surpreso com aquela revelação, posto que sua natureza meio-yokai e a energia sinistra herdada por Shinichiro não despertavam simpatia pelos outros seres. Pensar que os clãs passaram a negligenciar essa condição a ponto de suportar casar suas próprias filhas com ele, no mínimo, era espantoso.
Tudo bem que ele havia notado uma mudança drástica no comportamento dos clãs aliados que ele passava, mas chegar em tal premissa era mesmo surpreendente.
-O que acha a respeito? —Sesshoumaru indagou com o semblante impassível.
-Devo dizer primeiro que estou mais do que surpreso. —Yoshiaki falou ajeitando a postura. —Nunca imaginei que um yokai respeitável fosse oferecer sua própria filha para se casar comigo. Pois, se viéssemos a ter filhos, naturalmente não seriam yokais completos.
-Ao que parece, essa é uma pauta irrisória para quem deseja ascender.
-Compreendo...
Passado o baque, Yoshiaki ponderou sobre o assunto.
Se antes ele não queria se casar quando a probabilidade era ínfima, agora tendo nitidamente a chance a ideia o desagradava mais ainda.
Primeiro porque ele não achava que era o tipo de pessoa dedicada. Tendo seu pai, Yashamaru e Kenji como exemplo, de longe ele achava que não se enquadrava no perfil. Pois, sua natureza era deveras volátil. Ele gostava da sua independência, de poder desgarrar-se e voltar quando desse na telha. Sua essência curiosa o faria ficar dias, meses, talvez anos fora. Caso viesse a se comprometer com alguém, sabia que a pessoa poderia sofrer por seu descaso, ainda mais se não tivesse uma inquietude tão abrasiva e aventureira quanto a dele.
Em segundo lugar porque casar por casar, só para angariar alianças não o soava uma conquista. Se fosse trazer algo ao Oeste, ele preferia que fosse outros tipos de glória realizadas por outros meios mais incisivos.
Em terceiro... Bem, esse ele preferiu nem pensar. Pois ia de encontro com a primeira opção e o deixava constrangido e confuso o fato de Souichiro ser uma pauta da sua hesitação.
Embora a ideia não o agradasse, ele respirou fundo e voltou ao pai com o semblante sério.
-A verdade é que nunca quis me casar. —Yoshiaki disse sinceramente. —Mas, se isso for algo que meu pai deseja, seria incapaz de declinar.
-A minha opinião de nada importa. Quem irá casar ou não será você. Estou lhe dando a opção de escolher se é isso que quer fazer. Tendo em vista que os pedidos estão surgindo, precisava o deixar a par da situação.
Yoshiaki ficou um bocado tocado por aquele discurso de Sesshoumaru. As gêmeas haviam mesmo operado um milagre no seu pai!
Recuperando a compostura, Yoshiaki curvou-se solenemente em respeito.
-Obrigado, meu pai. Isso é muito significativo.
Erguendo-se novamente numa pose alinhada, ele voltou os olhos ao pai em decisão.
-Não é meu desejo me casar. Ao menos, não vislumbro atualmente essa possibilidade.
Sesshoumaru assentiu.
Voltaram a mergulhar num silêncio. Uma brisa afável balançou seus kimonos de cores dispares. Quase numa briga entre luz e trevas.
-Devo confessar que a princípio também estranhei os pedidos de casamento. —Sesshoumaru voltou a dizer. —Mas, com o tempo passei a me acostumar e assimilar a ideia. E, de repente, algo mais estranho do que isso chamou a minha atenção.
-O que seria mais estranho do que yokais oferecerem suas honrosas filhas para um meio-yokai amaldiçoado? —Yoshiaki indagou irônico sorrindo de canto.
-O fato de que a cada proposta que eu recebia, sendo de um clã renomado ou não, Souichiro as atravessava.
Mais uma vez Yoshiaki não conseguiu guardar a estupefação.
Com a face retorcida, embebida em confusão e tensão, ele temeu que o pai ouvisse seus pensamentos que gritaram.
"ELE FEZ O QUE!?"
Mas, no final, havia motivo para ficar incrédulo? Pensando bem, aquelas atitudes de Souichiro eram tão a cara dele, afinal...
Como se fosse possível para Sesshoumaru ler mentes, ele prosseguiu com o assunto.
-Atacando diretamente o clã ou obrigando um dos seus Vassalos a se casarem, Souichiro coincidentemente era assertivo nas escolhas daqueles que haviam mandado a proposta a mim.
Quanto mais Sesshoumaru falava calmamente, mais Yoshiaki tinha a certeza absoluta de que o pai não era burro. Por isso, um frio percorreu toda a sua espinha e o suor imediatamente empapou sua testa.
-Diga, não acha estranho? —Sesshoumaru insistiu com o tom firme, sem desviar um milésimo dos olhos do filho.
Yoshiaki abriu a boca, mas nenhum som ousou sair.
Não adiantava mentir ou refutar o que ficou óbvio.
Não havia saída.
Em razão disso, Yoshiaki tratou de esfregar os olhos com o polegar e o indicador, esmorecer os ombros tensos e dar um longo suspiro antes de voltar a encarar o pai.
-Então o senhor sabe...
-Achou mesmo que aquele abraço ridículo que deram no castelo iria me convencer e apagar o cheiro que exalavam?
Yoshiaki quis dizer que sim. Que havia se convencido durante todos aqueles anos que a tática esdrúxula e ilógica tinha acobertado o que havia acontecido no quarto entre ele e Souichiro antes de Sesshoumaru chegar.
Mas, vendo os olhos tão incisivos do pai, ele achou melhor não dizer. E passou a se sentir mais do que idiota. Pois, obviamente Sesshoumaru não cairia naquela. Para completar, ponderou que Souichiro também soubesse que jamais enganaria Sesshoumaru com a movimentação e que no final das contas só estava se aproveitando e brincando com ele...
-Sei que é difícil entender. Nem eu mesmo entendo... —Yoshiaki falou recostando mais as costas na árvore atrás de si e pôs-se a fitar reflexivo as folhas verdes acima da sua cabeça. —Mas, se dissesse que não tenho sentimentos por ele estaria mentindo.
-Um dia ele irá cansar de você. —Sesshoumaru falou desviando o olhar igualmente, pondo-se a fitar Rin e as gêmeas que continuavam a brincar no lago.
-É... Talvez... —Yoshiaki assentiu e se sentiu um pouco melancólico por pensar que aquilo era mesmo possível de acontecer.
-Não será o último a frequentar os aposentos de Souichiro. Mas, se quer viver igual as concubinas do Sul, só peço para que seja discreto.
Yoshiaki respirou pesadamente. Sabia bem do histórico de Souichiro. Aliás, quem é que não sabia? Aquele senhor feudal desalinhado não fazia a mínima questão de esconder suas aventuras luxuriosas, muito pelo contrário! Era praticamente impossível não saber de alguma eventualidade vulgar da qual ele não tivesse participado...
Seguindo a lógica, não havia como deslegitimar as palavras do pai. Partindo do pressuposto de que Souichiro era um verdadeiro descarado e que não tinha vergonha alguma de sê-lo, aquelas palavras não o deveriam tê-lo atingido, apesar disso, elas retumbaram desconfortáveis no seu âmago.
Fato é que Yoshiaki não prosseguiu com o diálogo naquela direção. Não queria debater com Sesshoumaru algo já tão constrangedor e inequívoco. E porque também... Sendo ingenuidade ou não, algo em seu íntimo o conduzia na direção contrária. De que quem sabe, aquele yokai dos olhos verdes-oliva não gostasse genuinamente dele...
Balançando a cabeça sutilmente em negativa, Yoshiaki repousou novamente no mundo real.
E num estalo, ele pensou que mais assustador do que ter aquele diálogo era não ver o pai esboçar ira profunda.
-Não está bravo comigo? —Yoshiaki indagou estreitando os olhos ainda um pouco receoso.
-Creio que eu não seja parâmetro para julgar os sentimentos dos outros. —Sesshoumaru respondeu olhando Yoshiaki de canto.
Primeiramente Yoshiaki abriu a boca em perplexidade pela condescendência do senhor feudal ao seu lado, depois assimilou que as palavras faziam mais do que o irrestrito sentido.
O que era a vida sentimental do seu pai se não um rompante nas tradições e uma quebra diária dos tabus impostos pelo mundo? O que era ele próprio bem como suas irmãs se não uma prova irrefutável do fruto irremediável de um amor que não somente ultrapassou o tempo como também a coerência e a razoabilidade?
Analisando a grosso modo, não havia ninguém no mundo capaz de entendê-lo melhor do que seu pai.
Sentiu-se redundantemente tolo por ajuizar o oposto.
Yoshiaki assentiu com um sorriso breve.
Prestes a agradecer ao pai pelas palavras, ele acabou interceptado por Towa e Setsuna que o pegaram por ambos os braços, uma de cada lado.
-Irmão, você disse que ia mergulhar lá no fundo com a gente! —Towa falou o puxando alegremente.
-Towa disse que lá embaixo deve ter mais peixinhos coloridos! —Setsuna disse na mesma empolgação, puxando Yoshiaki da mesma forma. —Vamos antes que eles descubram!
-Puxa, vocês gostaram mesmo daqui! —Yoshiaki riu brevemente com a empolgação das gêmeas. —Está bem, eu vou!
Com pulinhos contentes, Yoshiaki não teve muita escolha se não ceder. Ergueu-se num único movimento e pôs-se a tirar a parte de cima do kimono a fim de não ficar completamente encharcado.
Aproveitando aqueles instantes em que o mais velho se ajeitava, as gêmeas também despontaram a assediar o pai a fazer a mesma coisa.
-Papai, o senhor também precisa ver! —Towa disse o segurando pela mão.
-A mamãe não sabe nadar direito, mas com o senhor ela poderá ir também! —Setsuna falou jogando os bracinhos para trás num ar quase suplicante.
Sesshoumaru sorriu para ambas. Sem hesitar afagou as cabeças alheias e as fitou com seriedade.
-Preciso ficar para poder observar o perímetro.
Towa e Setsuna encurvaram os ombros para baixo numa decepção infantil evidente. Sesshoumaru sorriu de novo para aqueles semblantes nauseabundos e postou-se a esfregar os bracinhos finos das filhas com carinho.
-Como futuras senhoras feudais deveriam saber que não se pode deixar o reino desprotegido. Não é mesmo? Towa? Setsuna?
Na mesma velocidade que elas declinaram, abruptamente retomaram com as faces sérias e decididas, numa validação mais do que condizente sobre o argumento exposto.
Então, elas não mais insistiram. Voltaram para Yoshiaki em passos rápidos que já se encontrava devidamente pronto para executar a empreitada.
Towa segurou na sua mão direita, enquanto Setsuna na esquerda.
-Preparadas!? —ele falou mantendo o mesmo tom animado que elas.
-Sim! —elas responderam em conjunto, esbanjando alegria pueril.
Antes que Yoshiaki desse o primeiro passo para frente com as irmãs mais do que agitadas e ansiosas, Sesshoumaru notou uma marca peculiar nas costas desnudas do filho. Uma mancha arroxeada expressiva que saltou na pele alva.
Imediatamente Sesshoumaru franziu o cenho ao identificar do que se tratava e montou na carranca habitual que costumava arrepiar todos os fios de cabelos alheios de quem o fitasse.
-Yoshiaki! —Sesshoumaru o chamou, interceptando momentaneamente os três de prosseguirem.
-Sim? —Yoshiaki voltou os olhos ao pai com a testa franzida.
-Diga a Souichiro que se ele aparecer no meu caminho novamente irei matá-lo.
-Hm!?
Yoshiaki engoliu a seco sem saber o que realmente havia acontecido para aquela mudança tão repentina de humor no pai.
Fosse o que fosse, era melhor não contrariar.
Por isso, ele bastou a sorrir amarelo e assentir.
-Sim...
...
Depois de percorrerem quase todo o Oeste desvendando as inúmeras belezas naturais, Sesshoumaru ponderou que já estava na hora de regressar ao castelo.
Tendo anunciado a pretensão, o esmorecimento fora mútuo. Apesar do entendimento de que mais cedo ou mais tarde aquilo teria que acontecer, no fundo, eles queriam que aquela viagem não terminasse nunca.
No seu íntimo, Sesshoumaru também se sentiu um pouco infeliz por ter que retomar a rotina de senhor feudal. Não que ele mantivesse arrependimentos por ter se dedicado a um feudo e, posteriormente, se tornado um dos mais imponentes yokais que o mundo já vira. Longe disso!
Ele certamente vivia em paz por ter construído um império vistoso da qual ele próprio e seus filhos poderiam desfrutar.
Seja como for, a vida de senhor feudal foi uma escolha da qual ele debruçara-se e que não poderia jamais reclamar.
Fato é que aquilo tudo parecia perder um bocado de importância quando ele se postava a fitar as criaturas mais significativas da sua vida tão radiantes e contentes.
Para um yokai tão solitário que resguardava como única ambição na vida ser o mais forte de todos, aquela pretensão passou a soar como algo notadamente simplista e incolor. Claro que ele não queria despontar por terras medíocres e ser apagado da história do mundo quando, por fim, seu corpo cansasse de viver. Mas, pensar que esse era o único objetivo dos seus dias o fazia dar uma risadinha involuntária.
Do que adiantava ser forte se não haveria ninguém para proteger?
Ele sorria toda vez que se lembrava do discurso que o pai prontamente lhe falara em tempos tão remotos, quase esquecidos.
Nunca poderia imaginar que no futuro aquela frase faria tanto sentido.
Se existia uma lamentação no seu peito, de certo, era não poder falar ao pai que ele tinha razão.
A valer, a vida e o tempo eram os melhores professores que alguém poderia ter.
E Sesshoumaru não poderia se sentir mais grato por ter aprendido.
...
Quando Rin viu a silhueta do castelo surgir no seu campo de visão bem lá do alto do monte, ela sentiu um formigamento invadir todo o seu corpo.
Foi inevitável não pensar na primeira vez que encarou os muros austeros e sérios.
Já fazia tantos anos desde o evento e ainda assim, a memória tão vívida a fazia desacreditar que todo aquele tempo havia de fato passado.
Viu-se com vinte anos de novo, com os olhos arregalados diante da vastidão do império da qual ela não poderia imaginar que um dia se tornaria parte. Lembrou de como sua boca entreabriu-se sozinha e num espanto inocente questionou a Jaken se era tudo aquilo mesmo! Mal sabia que era tudo e mais um bom tanto! E que hoje, mais do que ontem, aquele vistoso feudo se postava no mundo como um exemplo de excelência.
Ela teve que balançar a cabeça negativamente pela sua ingenuidade na época. Apesar disso, estava em paz por saber que aquela Rin de outrora ainda vivia dentro de si.
Depois, prendeu os olhos na cerejeira que, como ela, mantinha-se enraizada sem qualquer sinal de que dali sairia.
Quando poderia imaginar que seria justamente embaixo dela que juraria seu corpo e alma e entrelaçaria sua existência mais do que descabida ao yokai que tanto amava?
Talvez aquilo fosse um sonho..., mas, se porventura fosse, que então a mantivessem gentilmente dormindo. Acaso a rudeza da vida a tivesse despontado por caminhos longínquos, diferentes daqueles das quais ela não se arrependia nenhum centímetro por ter vivido, ela preferiria manter-se submersa no inconsciente.
Havia tanta coisa, tanta!
Rin nem sabia por onde começar...
Por isso, deixou as lembranças por si mesmas a assomarem nos vastos anos que vivera sob aquele teto.
E com isso, deleitou-se e compreendeu a importância de cada momento vivido.
Pois, a vida não era daquele jeito? Um dia de cada vez?
Ela ponderou que sim. E agradeceu em silêncio por tantas bênçãos e aprendizados.
-Rin? —Sesshoumaru a chamou ao percebê-la inerte.
Saindo do seu devaneio, Rin os viu um pouco a frente.
Sesshoumaru mantinha o semblante sério e os olhos âmbares depositados na sua imensidão castanha. Seus três filhos a fitavam num misto de dúvida e ansiedade.
Diferente do passado, é daquele mesmo, o bem distante! Onde os dias reverberavam como um tormento solitário, ela soube que não incorreria naquele mal nunca mais. E sentiu isso no mesmo instante que seus olhos infantis depositaram nos gélidos âmbares numa mata fechada, num dia qualquer de uma época que fazia verdadeiramente parte de outra vida. Uma que ela viveu e morreu.
E que precisou renascer para que tudo fizesse o absoluto sentido.
E agora, mais do que nunca, ela reiterava o sentimento.
Abrindo seu melhor sorriso, Rin correu apressadamente na direção da sua família alguns metros adiantados. Assim que diminuiu consideravelmente a distância entre eles, ela emaranhou seus dedos com os de Sesshoumaru e falou a todos animadamente.
-Vamos! Vamos para casa!
...
FIM!
NOTA:
É com muito carinho e tristeza que termino essa fic. Acabou ficando mais longa do que um dia eu havia imaginado, mas acho que essas coisas fazem parte. Quando escrevemos parece que uma palavra leva a outra, uma ideia a outra, uma frase a outra e assim em sucessão. Quando dei por mim já tinha escrito esses fantásticos 41 capítulos que me divertiram, me tiraram da rotina e me fizeram conhecer pessoas tão gentis e amáveis.
Eu amei cada linha, cada parágrafo, cada segundo. Reviver o universo de Inuyasha, principalmente Sesshoumaru e Rin, faz o meu coração ter aquela sensação de nostalgia. Vejo-me criança de novo, sentada na frente da TV. Emoções que a vida nos traz. As "pequenas grandes coisas" que não dizem nada, mas dizem tudo.
Quero agradecer a cada um que esteve presente e me desculpar pelos atrasos (quase sempre recorrentes rs!). Como sempre reforço, nada disso seria possível se não fosse por vocês. Espero do fundo do meu coração que essa fic tenha entretido vocês e que por um momento na vida vocês lembrem dela, pois irei sempre lembrar dessas mensagens de carinho. Isso significa muito para quem escreve! De verdade!
Não a marquei como concluída porque escreverei alguns extras e fiquei na dúvida se vocês irão receber notificações das atualizações, por isso ela consta como "não concluído"! Bom, em resumo serão capítulos inerentes aos personagens secundários da fic e que tenho certeza que agregará positivamente a história! Ficaria muito honrada se continuassem nessa caminhada comigo.
Enfim, só tenho realmente a agradecer!
Obrigada, Obrigada e Obrigada! S2
Grande beijo!
Até uma próxima!
