[EXTRA] —O CLÃ HONO, PARTE 1.

Fazia mais do que um bom tempo que Akane andava pelo mundo solitária. Não é que a vida como meio-yokai já não a proporcionasse tal premissa, na realidade, todo mundo que nascia nessas condições tinha um legado que caminhava nessa direção.

Sendo rechaçada tanto por humanos como por yokais, não havia necessariamente um lugar da qual ela pensara ser possível se encaixar.

Quer dizer, até que havia...

No pico do monte, onde os aldeões ao entorno chamavam de Monte Akane, justamente por ser onde ela se instalava com a sua mãe, ambas viveram uma vida não tão tranquila, mas suportável. Pois, por mais que tivessem se afastado consideravelmente, abrigando-se há alguns graúdos quilômetros de distância dos humanos, vez ou outra algum ia até lá só para praguejar o quanto aquela mulher era miserável por colocar uma escória meio-yokai no mundo.

As represálias tinham as mais variadas formas. Das mais esdrúxulas criativas as mais cruéis e insensíveis. A inclinação para o tormento parecia ser uma vocação daquela gente!

Então, Jun —também conhecida como a mãe do demônio—, não se surpreendia ao ver sua plantação arruinada, suas roupas no varal queimadas ou muito menos ser acordada por ratos no meio da madrugada!

Porque, apesar de tudo, Jun sabia que as provocaçõesnão passariam do que meros aborrecimentos e não migrariam para uma violência explícita com um teor mais incisivo. Posto que, ao menos ali, aqueles aldeões repugnantes conheciam a ela e a sua história.

Jun resguardava um passado alinhado. Ela era a filha do exímio curandeiro que havia morrido meses antes da gravidez inapropriada e já havia ajudado praticamente a todos em diferentes momentos das suas vidas. Ou seja, matá-la reverberaria no outro mundo como uma verdadeira desonra! Seria como dar um tapa na mão de quem lhe ofereceu comida.

Por isso, havia um consenso de que era melhor atormentá-la do que queimá-la junto a sua filha.

E, verdade seja dita...

Além de ter uma origem mais do que apurada e reconhecida, Jun tinha outros dois trunfos. A sua beleza e o yokai que ela havia se envolvido.

Desde que o mundo é mundo, a beleza é algo que pesa nos pré-julgamentos. Naturalmente se ela não fosse tão bela ou se por um acaso esboçasse uma tez e um corpo mediano, os aldeões não tivesse assim tanta complacência! E dividissem opiniões quanto a sua audácia de se envolver com um yokai e engravidar.

Na outra ponta, ninguém sabia exatamente quem era o dito cujo. Mas, os rumores sobre ele viviam a passear pelas bocas sedentas pela vida alheia. Desde um yokai imponente a um mísero qualquer, eles espalhavam sem qualquer cuidado rumores.

Com o tempo, Jun refletiu que aqueles rumores no final das contas eram os seus melhores aliados, e por isso, tratou de consolidá-los. Se isso fosse um dos motivos para sua sobrevivência e da sua filha, então era melhor seguir o fluxo!

Sobre quem era o yokai, Jun não mentiu ao espalhar a notícia de que ele era um yokai e tanto!

Makoto era conhecido como o General Solitário... O que era um eufemismo mais do que engraçado. Pois, francamente, esse título só existia porque ninguém queria chamá-lo de mercenário, invés de solitário!

Makoto prestava seus serviços a quem o pagasse mais. E numa dessas andanças ele esbarrou com Jun e... Já se sabe o que incidiu!

Acontece que Makoto olhava mais a comida do que o tamanho da sua barriga. Assim sendo, ele foi traído pela sua própria ambição e acabou sucumbindo numa armadilha, onde teve um final extremamente dramático.

Só que ninguém sabia exatamente se isso era verdade!

Por Makoto ter um histórico leviano e utilizar muitas das vezes de recursos nada honestos, algumas pessoas ponderavam que ele havia mentido sobre a própria morte só para se safar das suas obrigações e até mesmo das dívidas.

Sendo assim, sem saber se ele deveras caminhava pelo mundo dos vivos ou não, era melhor só atazanar Jun ao ponto de ela querer se mudar. E assim, o problema iria embora e suas vidinhas medíocres poderiam prosseguir.

Mas, Jun nunca partiu. Pois, ela sabia que se assim fizesse a vida poderia ser muito pior. Ancorando nessa premissa, ela preferiu aguentar o engodo.

E, com o tempo, com Akane despontando pelos anos, os aldeões foram desistindo de importuná-las. Primeiro por cansarem ao perceberem que a tática já não fazia sentido e não surtia efeito. Segundo porque Akane era tão violenta e forte, mesmo tão pequena, que causava um arrepio em seus escalpos...

Sendo assim, seguiram caminhos opostos. E o Monte Akane dificilmente recebia indivíduos humanoides ariscos. Os que subiam ou eram andarilhos perdidos ou pessoas que clamavam pela ajuda de Jun, por não terem mais a quem recorrer.

No entanto, como nada era simples, a partir do momento que a energia sinistra de Akane passou a emanar de forma considerável, os yokais começaram a importuná-la. Como uma gota de mel em volta a formigas, ela atraía os mais diversos tipos de seres que queriam tal qual os humanos, encerrar com sua existência.

Aquele ciclo de martírio passou a fazer parte da rotina.

Apesar de excruciante, foi algo que elas tiveram que aprender a conviver.

No fundo sabiam que a vida seria sempre daquela maneira e que não se pode fugir do destino.

E assim fizeram, por longos anos, tendo a companhia alheia como acalento e um alívio no final de um dia campestre pesaroso dividido com batalhas infundadas de yokais inconvenientes.

Levaram assim até um determinado Outono quando as últimas folhas caíam sobre o chão e levavam de Akane a única pessoa que preenchia seus dias de afabilidade. Tendo Jun ido à óbito tudo ficou mais difícil e doloroso de se enfrentar.

Por mais que dissesse que não e aceitasse o carmaque lhe caía sob os ombros por ter de encarar a dor de ser quem era, Akane costumava sofrer pesarosamente em silêncio. E a criar uma casca tão rústica e pesada que seria capaz de afugentarà primeira vista quem quer que fosse.

Fechada numa carranca mais do que grossa, essa foi a maneira que Akane encontrou para poder afrontar o mundo tão austero e cruel. Caso assim não optasse, provavelmente o mundo a teria engolido.

Então, com o passar dos anos, ela ponderou que a vida que levava seria mesmo aquela. Onde teria que lutar contra inúmeras personalidades, se embrenhar em oportunidades que lhe garantiriam um trocado para sobreviver e ficar pulando de vilarejo a vilarejo.

Não é que vez ou outra algum indivíduo agradável não viesse a atravessar o seu caminho. De vez em quando, alguma personalidade aprazívellhe tratava com mais cortesia. Mas, ela preferia não criar vínculos.

E também, manter-se em campos humanos ou comunidades yokais requeria um trabalho árduo. Com tanta criatura a perseguindo, ela optava não estacionar por muito tempo para não causar devidos problemas aos outros.

Isso é, até um dia...

Um desses com cara de que parecia ser mais um na Terra, ela esbarrou com a própria sorte em formato de uma yokai de olhos violetas.

Quando encontrou Hiromi fugindo dos yokais serpentes e por ventura a salvou de uma terrível emboscada, Akane nunca poderia imaginar que ficaria generosos anos na companhia daquele povo. E que, acima de tudo, conseguiria construir uma vida amistosa ao lado deles.

Mas, como não seria? Se com um mero integrante do clã o líder já seria capaz de esboçar imensa gratidãoacaso Akane tivesse salvo a vida, imagine com a sua própria irmã!?

Por isso, diferente de Akane que arregalou os olhos ao vê-lo se postar de joelhos em gratidão sincera, Hiromi não se surpreendeu nenhum pouquinho.

Passado o baque e ele tendo se levantado, a meio-yokai ponderou que aquele tal de Yashamaruse remetiamesmo como uma criatura mais do que justae alinhada!

À primeira vista, ainda que não quisesse admitir, ela havia gostado dele.

Só não podia imaginar o quanto aquele sentimento cresceria...

...

É claro que nem tudo são flores e que obviamente quando Akane resolveu resvalar para o lado dos yokais do fogo ela não esperava que necessariamente eles a aceitassem de pronto, de peito e braços abertos!

Calejada do jeito que era, a meio-yokai mais do que imaginava que como nos outros casos não se postergaria no clã e muito menos que todos lhe acolheriamcom boa vontade, sem a inerente resistência.

A vida já havia a ensinado.

Então, quando alguns ergueram uma única sobrancelha e cochicharam ao vê-la passar, ela não se abalou um único centímetro pela surpresa disfarçada de desdém. Era de praxe. Não tinha jeito.

Não é que ela queria andar com aquela gente, mas depois de saber tanto sobre o clã dos yokais serpentes pela boca de Hiromi ela não achou que seria prudente percorrer caminhos solitários. Tendo em vista que havia colocado a sua cara a tapa, ela também havia virado um alvo do grupo inescrupuloso. E por mais que fosse forte e tivesse aprimorado sua técnica, não poderia se gabar de que eles não reverberariam como um alvo facilmente abatido.

Apoiando-se nesse discurso, ela julgava mais do que justo estar entre os integrantes do Clã Hono! Ora, se indiretamente eles haviam a posto no meio das desavenças, sem ao menos ela querer, nada mais do que coerente eles lhe darem guarita!

No seu pensamento, ela entraria em algumas batalhas e após acabado o problema, finalmente estaria livre de novo para seguir sem ninguém.

Mas, o enlace com o passar dos meses não pareceu assim tão simples... E dia após dia, Akane via o sol nascer por trás dos picos e abrilhantar com seus raios solares o encantador vale que os yokais do fogo viviam...

...

Sentada de qualquer jeito num dos galhos grossos de uma majestosa árvore, Akane abocanhava uma maçã suculenta enquanto observava os jovens do clã sendo treinados por Okoi.

Okoi, naquela época, não era somente a noiva prometida de Yashamaru desde os tempos da infância, como também uma das mais fortes e imponentes criaturas daquele clã. De inteligência aguçada e força nada modesta, ela sempre se destacava, sendo nas missões como nas atividades mais simples do dia-a-dia.

Se alguém não soubesse fazer alguma coisa, certamente Okoi sabia. E se o indivíduo soubesse, naturalmente Okoi fazia melhor. Uma matemática simples que todos já haviam se acostumado e admitido fazia tempo.

Acima dela, só mesmo Yashamaru.

Okoi possuía a mais alta patente o que incluía as mais diversas obrigações dentro do privilégio de ter um título tão respeitado.

Um dos deveres, de longe, era treinar os jovens que despontavam a guerreiros. Mas, ela gostava de fazer aquilo. De se embrenhar entre eles e ver, com seus próprios olhos, o desenvolvimento de uma nova era.

Akane sorriu ao vê-la afagar as costas de uma das crianças que mantinha um semblante derrotado por ter perdido mais uma disputa contra um dos seus colegas.

E pensou consigo mesmo que aquela yokai tinha mesmo jeito para aquela coisa...

-Não está muito atoa hoje, Akane? —a voz de Yashamaru soou abaixo de si.

Akane olhou para baixo despretensiosamente, não havia o notado se aproximar. Yashamaru estava com um sorriso de canto irônico, montado numa postura ereta e de braços cruzados.

-No que poderia contribuir? —Akane deu de ombros recostando as costas no tronco atrás de si. Jogando a maçã para cima e para baixo na sua palma, ela o fitou de canto —Não é como se pudesse ajudar a treinar alguém.

-Por que não? —ele deu de ombros igualmente. —Já a vi lutar algumas vezes. Teria bastante coisa a acrescentar.

-Tsc! Você gosta mesmo de falar bobagem. —Akane cerrou o cenho e balançou a cabeça em negativa.

Yashamaru sorriu sutilmente, e voltou seus olhos para Okoi que ainda não o tinha visto.

Akane seguiu o olhar e assim como ele, sorriu em igualdade.

-E creio que eles estejam em melhores mãos. —Akane falou sincera voltando a morder a maçã polpuda que ressonou um barulho crocante ao entrar em contato com os seus dentes.

-Okoi é mesmo dedicada. —Yashamaru assentiu em concordância.

-Tem sorte de ter alguém assim ao seu lado. Alguém com tantas qualidades. Na verdade... Tanta gente assim...

Akane disse com um tom um pouco nostálgico e pôs-se a fitar as folhas verdes acima da sua cabeça que balançavam monotonamente por conta da brisa fresca. Ponderou em silêncio que já fazia um significativo tempo que não tinha ninguém assim tão próximo.

Yashamaru percebeu o esmorecimento. Mas, não a questionou a respeito. Invés disso, arranhou a garganta e colocou as mãos nos quadris.

-Sei que aqui não deve soar como um sonho na Terra. Somos um clã pequeno no fim das contas. Também entendo que não pretenda se estabelecer quando a confusão com o clã das serpentes acabar. Mas, quero que saiba que pode fazer daqui o seu novo lar se assim desejar.

Akane ficou um bocado surpresa com aquela fala. Tanto que não notou que seus lábios entreabriram e que os olhos tremeluziram diante da oferta mais do que inusitada.

Yashamaru sorriu novamente a ela que sentiu o coração bater contra o peito em emoção evidente.

Repousando novamente no planeta, ela quis tê-lo agradecido, mas não pôde fazer. Pois, no mesmo instante a voz de Okoi interceptou o diálogo que não havia de fato findado.

-Não diga que o líder tão ocupado veio me ver ensinar um bando de pirralhos a lutar. —Okoi disse com um sorriso resplandecente parando a poucos passos de Yashamaru.

Yashamaru sorriu findando finalmente a distância entre eles e passou a mão pelos cabelos de Okoi uma única vez em carícia sentimental.

-Parece que não sou a única a estar atoa. —Akane disse jogando os braços para trás da cabeça e dando uma piscadela a Okoi. —Ele gosta de rechaçar os outros, mas parece que não está com muitas atividades nessa manhã. Assim é fácil mandar e desmandar.

Okoi deu uma risadinha e Yashamaru balançou a cabeça em negativa ao voltar os olhos para Akane.

-O jeito que você me trata é mesmo incoerente e desalinhado. —Yashamaru suspirou fingindo comoção. Logo, entregou um sorriso audacioso. —Mas, a verdade é que vim mesmo designar uma tarefa.

Akane franziu o cenho um pouco confusa. Mas, não demorou a pular de uma única vez do galho da árvore e se postar próxima aos dois yokais do fogo.

-O que aconteceu? —Okoi o indagou retomando a tez séria usual.

-Encontramos a localização de dois grupos pequenos dos yokais serpentes. Estão escondidos próximo de nós, provavelmente coletando informações. —Yashamaru também se vestiu no tom sério e fitou Okoi compenetrado. —Selecionei alguns para irem comigo e quero que organize outro montante para ir com você. Atacaremos simultaneamente.

-Ótimo. Já tenho todos em mente. —Okoi assentiu. —Só o tempo de os organizar e partiremos na hora e para onde quiser.

-Certo. Assim que terminar, darei o mapa da localização.

-Até que enfim um pouco de emoção! —Akane disse com um sorriso largo enquanto alongava os braços acima da cabeça.

-Sabia que gostaria da notícia. —Yashamaru sorriu colocando a mão no ombro de Akane e dando um leve empurrão na meio-yokai para o lado de Okoi. —Se importa de levá-la?

Okoi balançou a cabeça negativamente com um sorriso amarelo.

-Como assim levá-la!? —Akane rebateu em sobressalto. —Por acaso sou alguma criança!?

-Quase. —Yashamaru falou sem qualquer abalo no timbre dando de costas a ela. —Não demorem.

Mais impactada se tivesse levado um soco na cara, Akane pensou em continuar contestando veemente a insinuação de Yashamaru, mas ele já havia prosseguido caminho numa postura indiferente e Okoi tinha igualmente a interceptado ao colocar a mão no seu ombro, tirando a sua atenção para ela.

-É melhor irmos, Akane.

Dando um suspiro derrotado, Akane resolveu concordar e não se prender mais aos detalhes irrisórios da coisa.

...

Contando com Okoi e Akane, eram no todo quinze que seguiam para um dos covis recém descoberto dos yokais serpentes.

O mapa que Yashamaru havia dado a Okoi era bem claro e analítico. Pela localização, eles não precisariam andar tantos quilômetros e pelo que se sabia, eram somente sete yokais inimigos que jaziam na localidade elucidada. Seria simples e rápido.

O que não era tão descomplicado era uma situação que os abotoou no percurso.

Taishi, um dos yokais do grupo, estava a encarar Akane constantemente, seja diretamente como de soslaio. Uma carranca um pouco dura demais para alguém que está trabalhando junto.

Okoi já havia notado a fisionomia descontente quando havia anunciado a presença de Akane na empreitada. Mas, ela imaginara que o sentimento se dissiparia e que focando no objetivo os ânimos se amainariam.

Ledo engano.

Quanto mais avançavam, mais o clima parecia piorar. Principalmente quando Taishi resolveu externalizar o seu descontentamento fazendo alguns comentários ácidos, num cochicho ora audível outrora nem tanto.

Tais como...

"Não trouxemos gente demais conosco dessa vez?"

"Não era para ir somente os integrantes mais experientes do clã?"

"Se de repente lá no covil não for tão fácil como pensamos, não posso prometer que ajudarei a todos..."

"Não acha que deveríamos ter mais cuidado com as companhias e aliados do clã?"

Akane já estava acostumada com esse tipo de tratamento. Apesar da maioria dos yokais do fogo lhe tratarem com cordialidade, sempre haveria um que a rechaçaria. Em virtude disso, ela não se abalou e muito menos contestou qualquer insinuação grosseira. Bastou a girar os olhos a cada comentário malcriado e a se afastar a fim de evitar uma discussão mais do que desnecessária.

Só que havia umporém...

Okoi odiava coisas frívolas! Ainda mais em meio a uma missão. Seja ela qual fosse, da mais idiota a prolixa, seu sangue simplesmente subia quando os outros se apegavam a detalhes sórdidos. Na sua consciência um mísero pormenor poderia arruinar com todo um planejamento. Por isso, ela não ignorou o assunto. Fingir não ver seria pior do que cortar o mal pela raiz.

Parando num súbito, todos acabaram a acompanhando no movimento, afinal, Okoi quem liderava o grupo e ia a frente.

Pensando que a destemida yokai dos olhos azuis havia avistado algo inusitado, eles se surpreenderam quando na realidade ela voltou-se a Taishi com uma face sombria.

-Saque a sua espada. —Okoi disse seriamente, com o tom mais severo que poderia utilizar.

Taishi franziu a testa, assim como os demais que pensaram ter entendido errado.

-Vamos, saque a sua espada. —ela insistiu apontando para Akane sem necessariamente a olhar. —Quero que lute contra ela agora. Acabe de uma vez com as suas diferenças.

Akane arregalou os olhos completamente surpresa. Mas, depois franziu a testa e ancorou a mão no cabo da espada na espreita de algum movimento alheio ofensivo.

-Co-Como? —ele indagou olhando de volta a Okoi.

-Já que você é tão espetacular, lute contra ela. —Okoi prosseguiu num tom impassível. —Se perder, creio que não sirva para continuar no nosso clã. O que acha?

O espasmo surpreso foi unânime. Um dos integrantes até pensou em amainar a situação, entretanto desistiu. Era melhor não contrariar quando Okoi estava mais do que brava. E rebater um superior realmente não fazia muita coerência...

Taishi engoliu a seco ao ver os olhos incisivos de Okoi e a postura nada recuada de Akane. Sem ter muito o que dizer, Okoi prosseguiu com a face escurecida.

-Ou então você pode calar a boca e me obedecer. Também serve!

Taishi arriou os ombros antes erguidos e esmoreceu completamente.

Embora Akane fosse uma meio-yokai, ele sabia no seu interior que ela não era uma adversária qualquer. Já a tinha visto em batalha e o próprio Yashamaru a legitimou como possuidora de técnicas interessantes. Então, ainda que Taishi se considerasse realmente bom, ele não tinha tanta certeza quanto ao resultado da luta.

Sendo assim, o que restou foi engolir a vergonha de ser exposto e declinar naturalmente da oferta de lutar contra Akane.

-Penso que devemos focar na missão. —Taishi disse curvando-se respeitosamente a Okoi.

-Foi o que pensei. —Okoi falou de forma áspera dando as costas a eles, retomando a caminhada.

...

Logo que encontraram o covil dos yokais serpentes, eles efetivamente não tiveram grandes dificuldades para achacar os adversários num ataque surpresa.

Independentemente de serem criaturas mais do que habilidosas, ao serem pegos completamente desprevenidos não tiveram a devida sorte daquela vez.

Era de se esperar que se encontrasse somente sete, no entanto, haviam doze, o que significava que paulatinamente eles estavam montando uma base naquela região oculta e bastante estratégica.

Não se podia dizer que a luta foi tête-à-tête. E não só porque do lado dos yokais fogo havia quinze, mas também porque Akane despontava com uma força para lá de exorbitante. Era possível ouvir com clareza os cracks! dos oponentes assim que ela se empenhava a agarrá-los por seus membros e torcê-los como se eles não fossem absolutamente nada!

Okoi que não havia ainda a visto lutar ficou pra lá de impressionada. Não por sua técnica em si, pois, ela pensava que Akane ainda havia muito o que desenvolver e aprimorar. E sim, pela sua agressividade totalmente díspar com a aparência, natureza e personalidade bem como pela capacidade integral de trabalhar em grupo.

A yokai dos olhos azuis teve que sorrir ao ver a meio-yokai defender o flanco de Taishi de uma investida severa do inimigo. E ponderou em silêncio que Yashamaru tinha mesmo um dom para enxergar os indivíduos.

...

Pela noite, sentada num dos pontos de vigília, Akane ajeitava alguns galhos secos para atear fogo e se postar por longas horas a fio a frente da chama que, a princípio, seria sua única companhia pelo resto da noite.

Terminando o amontoado, ela iniciaria o processo incendiário ao chispar duas pedras próxima a madeira.

Mas, assim que iniciou a fricção que emitia um som agudo e faiscava pelo atrito inerente ao movimento, de uma hora para outra o emaranhado de galhos incinerou-se por si mesmo sem qualquer esforço.

Não era preciso virar-se para constatar a presença de algum yokai do fogo, tendo em vista que sem mais nem menos os galhos tinham sido lambidos por chamas sem Akane ter produzido uma mísera faísca, ainda assim ela o fez, e virou-se lentamente para encarar os olhos violetas que se aproximavam de si.

-Yashamaru. —ela falou como quem quer somente constatar uma aparição.

Akane deixou as pedras escapulirem das suas mãos e esperou que ele se aproximasse para prosseguir o diálogo.

Assim ele o fez, sentando-se ao seu lado em frente a fogueira que emitia um som estalado de combustão.

-Soube que fez um bom trabalho hoje. —Yashamaru disse dando um leve empurrão com o seu ombro no de Akane.

-Hm... Não foi um verdadeiro desafio. —ela deu de ombros, não se prendendo ao elogio. —Já tínhamos o mapa tático do covil e o elemento surpresa ao lado.

-O que não significaria muita coisa se fosse incompetente. —Yashamaru deu igualmente de ombros. Com um sorriso de canto, ele cruzou os braços e fitou o céu estrelado acima das suas cabeças. —Se quer saber, fazia tempo que Okoi não se impressionava com alguém.

Akane ficou um pouco surpresa ao saber que Okoi havia reportado coisas positivas sobre ela. Não que em alguma ocasião ela tenha sido arisca ou a tratado com desdém, mas era interessante pensar que uma personalidade como a dela perdesse um mísero minuto das suas atividades para elogiar alguém.

Retomando a face anterior, Akane cutucou o fogo com um dos galhos que ficou de fora. Olhando de canto para Yashamaru ela prosseguiu.

-Não é como se eu fosse algum ser extraordinário ou verdadeiramente impressionável. Às vezes o pré-julgamento acaba ocasionando essa surpresa quando se nota que não é bem assim como se imaginou.

-Certo. —Yashamaru concordou assentindo, no entanto não se demorou a repousar a mão na cabeça alheia e prosseguir. —Ou talvez você seja mesmo algum ser extraordinário e verdadeiramente impressionável.

Akane sentiu as batidas do seu coração pulsarem de forma irregular. Antes que enrubescesse mais, ela bateu no pulso de Yashamaru a fim de tirar a mão dele do topo da sua cabeça.

-Tsc! Não diga tolice... —Akane falou jogando o galho de uma só vez dentro da fogueira que tratou de incinerá-lo.

Puxando as pernas contra o corpo, a meio-yokai repousou o queixo nos joelhos e olhou para Yashamaru de canto.

-Não tive tempo de agradecê-lo. —ela voltou a dizer. —Por hoje mais cedo. Pelo que disse.

Yashamaru franziu o cenho por um instante e revisitou na cabeça o que ela poderia estar se referindo. Num estalo, a coisa veio.

-Ah! —ele falou ao refletir sobre. —Diz sobre o convite de ficar conosco?

-É. Sobre isso. —ela falou arranhando a garganta e voltando os olhos para as chamas que crepitavam teatralmente. —Obrigada pela oferta. Mas... Não é algo que penso.

-Entendo... —Yashamaru apoiou os cotovelos nos joelhos eretos e pensou um pouco antes de prosseguir com a fala. —Sei que nem todos do clã são gentis e por mais que os obrigue a ser não creio que seja algo que se imponha. Mas, tenho certeza que isso será uma questão de tempo.

-Não tem só a ver com isso. —Akane suspirou e apoiou a cabeça na mão espalmada antes de voltar os olhos a Yashamaru. —A minha existência em si é um problema. Se não são humanos, são os yokais a importunarem. Creio que meu caminho precise ser solitário, assim não envolvo ninguém nas minhas questões.

Yashamaru sorriu balançando a cabeça em negativa.

-Você é mesmo idiota.

-AHN!? —Akane saltou com o susto de ser xingada a princípio gratuitamente. —POR QUE ESTÁ ME INSULTANDO?

-Será que não aprendeu mesmo nada no tempo que já está aqui? —Yashamaru riu sutilmente. —Não existe propriamente um problema individual. Quando se faz parte de um clã, o problema é de todos. Se não acha que é digna de dividir seus problemas com os outros então, a questão é só você mesma. Não se cultiva algo e se abandona só para não ter de enfrentar a tormenta.

Aquelas palavras pesaram.

E remexeram com tamanha violência no interior da loira que ela esmoreceu totalmente da pose tensa.

-Não precisa escolher ficar sozinha. —Yashamaru concluiu com a tez séria. —Pense nisso.

Akane não o respondeu de pronto. Bastou-se a assentir e a refletir em silêncio sobre o assunto.

A claridade do fogo sob a face serena e lisa de Akane fez Yashamaru a encarar por um tempo mais longo do que ele gostaria de ter feito. Ele somente caiu em si quando os olhos rubis estacionaram num baque nos seus.

Um arrepio estranho percorreu a sua espinha.

Arranhando a garganta, Yashamaru ergueu-se de uma única vez, desviando totalmente o olhar.

-Não precisa ficar na vigília. Deve estar cansada por hoje.

-Estou bem. —Akane balançou a cabeça em negativa. —Não tem problema.

-Hm... Se é assim, vou deixá-la em paz.

Mas, foi só Yashamaru dar dois passos para frente, para uma criatura pular nas suas costas e grudar a ele com todo o seu ímpeto. Se não fosse por já estar acostumado e pelo peso leve daquela, ele naturalmente teria caído ao chão.

-Hiromi! —ele falou o nome da irmã que se embrenhava nele com a máxima devoção.

-Só porque acabei de chegar você já vai embora? —Hiromi disse agarrando-se mais ao pescoço de Yashamaru e repousando o queixo no ombro alheio.

-Sabe que não. —ele sorriu a ela antes de puxar o nariz da caçula. —Já estava estranhando por não a ver grudada no calcanhar da Akane.

-Por que não o contrário? —Hiromi deu uma careta fingindo aborrecimento.

-Sem chance! —Akane deu uma breve risada jogando o corpo para trás.

-Tsc! Traidora! —Hiromi praguejou saindo das costas do irmão.

Sem perder o embalo do movimento, rapidamente Hiromi sentou ao lado de Akane e agarrou o braço da loira sem dar indícios que soltaria.

-Por que teve que ficar o dia inteiro fora? —Hiromi falou balançando o braço de Akane a qual estava ancorada.

-Culpe Yashamaru por isso. —Akane disse apontando sutilmente para Yashamaru com o polegar.

-Só não gosto de ver ninguém ocioso. —ele sorriu dando de ombros e logo olhou com os olhos acusadores para Hiromi. —A propósito, não a vi treinando hoje. Nem sozinha e nem com os outros.

Hiromi deu um sorriso amarelo e como se tivesse sido salva pelo gongo, Okoi preencheu sua visão numa perspectiva mais longínqua, apesar de perceptível.

-Olha, Okoi! —ela disse apontando para a yokai ao longe. —Ela deve estar procurando por você! Por que não vai lá falar com ela?

Yashamaru soltou o ar pela boca e apoiou a mão nos quadris sentindo-se um pouco derrotado.

-Não conseguirá escapar sempre. Depois precisamos conversar sobre isso.

-Veja, ficarei a noite inteira aqui de vigília. —Hiromi falou alinhando a postura com uma tez séria. —Também estou contribuindo para o clã.

-Que cara de pau... —Akane ralhou a ela.

Hiromi deu uma cotovelada em Akane nada discreta e Yashamaru bastou-se a dar completamente por vencido, pois a face da irmã era deveras cínica.

Girando os calcanhares, ele deu as costas as duas e caminhou a direção de Okoi ao longe que só depois se deu conta de que ele ia ao seu encontro.

Sorrindo largamente para Yashamaru, Okoi encurtou seus caminhos e entrelaçou seu braço com o dele, onde puderam juntamente seguir na direção das modestas casas mais abaixo.

Vendo a cena tomar um teor cada vez mais romântico, Akane desviou o olhar e Hiromi deu um alto bocejo.

-E lá vai o meu irmão com Okoi... —Hiromi disse de forma engraçada, de tal maneira que Akane não conseguiu identificar o que ela realmente queria dizer ao utilizar o timbre.

-E qual é a grande novidade nisso? —Akane a fitou sem dar muita importância ao assunto.

-Argh, será que eles não se cansam? —Hiromi falou girando os olhos enquanto entrelaçava as mãos atrás da cabeça. —Seja sincera, não enjoa um pouco de olhar?

-Ahn!? Como assim!? —Akane balbuciou e não tardou a estreitar os olhos a fim de buscar coerência na outra. —Achei que gostasse da Okoi!

-Lógico que eu gosto! Não tem nada a ver com isso. É só que... —Hiromi deu uma risadinha de canto e lentamente mudou a postura, jogando os cotovelos para trás do corpo, ela apoiou-se nos próprios braços antes de prosseguir. —Não acha que eles formam um casal um pouco enfadonho?

-Hiromi... —Akane falou seu nome em tom repreensivo. Logo, cruzou os braços e balançou a cabeça em negativa. —Está sendo má. Não vejo nada demais. Na verdade, acho que eles combinam em tudo.

-Ai, Akane, você está ficando enfadonha também! —Hiromi ralhou a ela pesadamente. —Será que não consegue nem fazer uma fofoca decente?

-Não vou falar mal dos dois só porque não tenho assunto. —Akane deu uma careta para ela. —E eu acho verdadeiramente que eles formam um casal bonito.

-Mas é justamente isso que incomoda! O quanto são perfeitos e certinhos um com o outro. Ai, deuses, qual é a graça de ter um romance tão piegas quanto esse!

-E o que você iria querer? —Akane falou absorta. —Parece louca!

-Akane, imagina o tédio que deve ser o sexo deles! Okoi deve até pedir licença para poder gozar de tão metódica que ela é.

Akane saltou completamente incrédula e no mesmo minuto tampou a boca de Hiromi com a sua face corada ao ouvir aquele comentário totalmente descarado da outra.

-Aiiii! Olha o que você está falando! —Akane disse mantendo os dedos pressionados firmemente na boca de Hiromi.

Hiromi riu atrás da mão de Akane. Mas, a meio-yokai não conseguiu manter a represália por muito tempo, pois Hiromi tratou de esquentar consideravelmente o seu corpo fazendo Akane retirar num súbito a palmados lábios em chamas da yokai.

Tirando a mão da pele fervente, Hiromi prosseguiu.

-Olha como deve ser! Vou imitar, vou imitar! —torcendo a cara como se estivesse encarnando um personagem no ápice de um êxtase erótico, Hiromi segurou no braço de Akane como se estivesse se contorcendo em tesão. —AHMMM! Líiiiiideeeeer! Por obséquio, me daria a honra de gozar antes da sua magnífica figura!? AHHH! AAAAAAAHAHAHAHAHHAA!

Mal terminou a encenação e ela própria caiu na gargalhada e Akane teve que prender a risada entre os dentes para não dar corda a ela.

-Como você é maldosa, Hiromi... —Akane disse contendo a risada, dando um leve empurrão na yokai ao seu lado.

-Estou falando alguma mentira? Deve ser mesmo assim!

-Que absurdo, Hiromi...

-Tsc! Absurdo! —Hiromi balançou a mão no ar como para afugentar as palavras de Akane. —Sabe o que eu acho? De verdade?

-Não. —Akane balançou a cabeça e a olhou de canto em tom reprovativo. —E não quero saber.

-Mas vou falar assim mesmo! —Hiromi arranhou a garganta e ergueu o dedo indicador como quem está a fazer uma revelação. —Acho que você que deveria ficar com Yashamaru.

-HIROMI!

Pensando em colocar a mão de volta na boca de Hiromi, Akane só hesitou porque se lembrou que poderia se queimar mais uma vez.

-Não fala isso nem de brincadeira! —Akane a repreendeu com o cenho desesperado. —Se Okoi ouvir...

-Ela vai fazer o que? Chorar? —Hiromi girou os olhos e deu de ombros. —Pff... O máximo que ela faria caso viesse a ouvir ou soubesse o que penso é dar-me uma reverência em respeito. Eu sou a irmã do líder do clã, ou seja, do noivo dela! Não seja ridícula, Akane. Quem tem que me bajular é ela, não eu.

Akane piscou lentamente.

Ela ficava surpresa por ainda se surpreender. Pois, Hiromi era mesmo uma criatura mais do que desavergonhada.

-Por favor, não repita mais isso... —Akane disse dando um longo suspiro abatido.

-Diga que não é uma ideia boa! —Hiromi insistiu, dando uma piscadela a Akane e a cutucando com o cotovelo. —Meu irmão é muito bonito, você não acha?

Akane corou da cabeça aos pés. E engoliu a seco porque, indubitavelmente, ela achava Yashamaru um yokai mais do que bonito... Só que ela não queria ter que falar a respeito e tampouco sabia sair daquela situação.

Vendo a loira igual um morango, Hiromi riu de forma amena e resolveu não mais torturá-la.

-Akane, você é muito imatura...

-Tsc... É cada uma... —Akane falou cerrando os olhos tentando não enrubescer ainda mais.

Hiromi sorriu de maneira amena. Mantendo alguns segundos de silêncio, ela jogou o corpo todo para trás em definitivo, repousando na grama fofa antes de mudar o assunto.

-Soube por Mariko o que aconteceu entre você e Taishi. —Hiromi falou aconchegando-se ao mato bem cuidado abaixo de si. —Okoi agiu bem, não deveria dar atenção a ele.

-Hm... —Akane esfregou os olhos numa postura indiferente. —Não ligo mais para esse tipo de coisa.

-Claro que liga! Mas, não deveria. Ainda mais se tratando de Taishi. Ele é naturalmente irritante. Tão chato que me dá asco. —Hiromi fingiu vomitar. —Trocaria ele até mesmo por uma erva daninha.

-Deixa isso pra lá... —Akane falou sentindo-se um pouco exausta. —Não vale a pena.

-Ouvi também que Yashamaru a chamou para ficar conosco, em nosso clã. —Hiromi disse fitando Akane de canto. —Por que não aceita de uma vez? Não é como se tivesse outro lugar para ir de todo modo.

Akane abaixou a cabeça e respirou profundamente.

-... É complicado...

-Que tediosa! —Hiromi balançou a cabeça em negativa. —Será que não percebeu que gosto que esteja aqui? Desde que chegou meus dias são melhores. Não queria que fosse quando tudo isso acabar.

Akane sorriu para ela. Por mais sórdida que Hiromi fosse, ela era uma personalidade genuinamente carinhosa.

Deixando-se levar pelo momento de carinho, Akane deitou ao lado dela e passou a mão pelos longos cabelos negros que pendiam pelos ombros desleixadamente.

-Também sou mais feliz desde que cheguei. —Akane falou sinceramente. —Vamos deixar então que o tempo diga, sim? Quando tudo acabar, prometo que pensarei a respeito.

-Está certo. —Hiromi assentiu.

Tomando a nuance audaciosa de antes, Hiromi não se demorou na afabilidade. Montou-se num semblante irônico e prosseguiu a meio-yokai a sua frente.

-Nem sei porque estou tão preocupada quanto a isso, afinal, tenho certeza que um dia você e Yashamaru ficarão juntos mesmo...

Akane engoliu a seco voltando a corar pelo assunto desalinhado. Não tentando se abalar, a loira girou os olhos e desviou o olhar.

-Nunca verá isso acontecer!

Naquela época, Akane mal podia imaginar que ambas possuíam razão.

...

CONTINUA...