[EXTRA] —O CLÃ HONO, PARTE 2.

Se alguma coisa é muito fácil, então decididamente está errado!

Yashamaru nunca se guiou por outro pensamento senão esse.

Embora ele fosse um líder, da qual se podia julgar como jovem, Yashamaru possuía sabedoria suficiente para guiar os outros, tomar decisões mais do que sensatas, repassar confiança e, acima de tudo, saber que coisas simples não eram uma bênção na Terra.

Aquele era um ensinamento que ele aprendeu sozinho com sua vasta experiência. Desde que era apenas uma criança, aquela criatura postava-se no calcanhar dos pais com a devida dedicação e participava —mesmo que de orelhada— das mais diversas empreitadas. Dia após dia ele preenchia seu cérebro com mapas táticos, técnicas de batalha, estratégias e embates.

Então, quando seus pais sucumbiram e ele teve que arcar com a responsabilidade de guiar o tal clã notável, Yashamaru bem sabia que nada era simples naquele mundo.

Por isso, enquanto os outros estavam arrotando pelos quatro cantos a vitória de ter abatido de uma só vez dois dos covis dos yokais serpentes, ele não estava muito convencido de que havia uma vantagem expressiva entre eles.

Na verdade, aquilo estava soando mais do que esquisito.

Não que os yokais serpentes fossem como verdadeiros deuses postados no mundo feudal. Mas, não se podia negar que eles eram extremamente ardilosos e pacientes. Seguindo esse pressuposto alguma coisa não estava batendo e acabou incomodando sensivelmente aquele líder tão ponderado.

Acontece que todos estavam verdadeiramente animados e eufóricos e revisitando passo a passo de todos os integrantes que foram na missão, seja consigo quanto com Okoi, a sensação foi se aquietando e perdendo força. Embora o sentimento o perseguisse, ele refletiu se não estava um tanto paranoico, pois metódico e analítico do jeito que era, Yashamaru reavaliou pelo menos cem vezes desde o anúncio da planta dos covis até o abatimento. E por mais que olhasse, menos falhas enxergava e mais o sentimento se abotoava na sua mente sem um motivo aparente.

Na época, havia algo que claramente Yashamaru não podia ver.

Certa vez alguém lhe disse que os indivíduos só enxergam nos outros aquilo que se é ou que já experimentou. Pois, é verdadeiramente impossível reconhecer aquilo que não se sabe. Se se pondera que alguém é invejoso, no mínimo, alguma vez na vida o dito cujo teve que sentir inveja de algo ou outrem. Visto que, como se apreende que alguém é invejoso se nunca se sentiu ou deixou aflorar tal sentimento em si mesmo!?

Dá para saber o gosto da maçã sem nunca a ter comido? Certamente que não! Assim também eram os sentimentos e as intenções.

Ou seja, caso se diga que uma determinada criatura, por exemplo, é invejosa, é porque, em algum determinado momento da vida o interlocutor da acusação o foi! Uma matemática simples e que Yashamaru legitimava como sendo verdadeira.

Ancorando-se nessa premissa, é muito fácil entender o grande motivo de que por mais que Yashamaru lesse, relesse, montasse e remontasse os passos de todo daquela operação, nada de incomum saltitava as vistas para corroborar o sentimento que o remoía como algo coerente.

Afinal, como alguém como ele, tão justo e íntegro poderia conseguir vislumbrar dentre os yokais que dividiu por anos a fio o mesmo ambiente quiçá a mesma comida, se postaria a traí-lo de forma tão esdrúxula?

Nunca em um milhão de anos ele conseguiria pensar na possibilidade aterradora.

Ocorre que Taishi, opostamente a Yashamaru, não tinha lá um caráter muito alinhado e depois da última repreensão mais do que dura da sua superior, ele sentiu-se extremamente confortável para dar a ela o troco merecido por tê-lo exposto de forma tão incisiva.

Naturalmente, no embate, ele não teria qualquer chance contra a distinta yokai. Ele sabia que não era um ser tão admirável quanto. E, honestamente, ele queria evitar a fadiga de ter que lutar!

Já fazia tempo que a guerra com os yokais serpentes tirava o seu sossego e ele passou a crer que no final, quando o confronto definitivamente viesse a ocorrer, o clã que nasceu e foi criado seria maciçamente derrotado.

Então, a princípio, ele começou a beber água dos dois lados do rio.

Só que com o passar do tempo a sua dança escorregadia não pôde mais angariar uma dupla face.

Sendo cobrado cada vez mais pelos yokais serpentes, chegou uma hora que ele teve que optar em qual lado do muro ele seguiria.

Encurralado, ele não vislumbrou outra possibilidade.

Seu primeiro passo foi atrair Okoi para uma armadilha com os melhores guerreiros do clã. Entregando uma falsa pista sobre a construção de uma base militar nos domínios das quais a noiva do líder era responsável, ela logo montou um grupo com os melhores guerreiros do clã e partiu para uma missão ficta.

Pois, quando ela poderia imaginar que ao ser arrastada para o meio da floresta no meado da madrugada sobre o pretexto de ser uma empreitada de máxima importância e urgência para o seu destemido clã seria metida, na realidade, numa emboscada?

Menos ainda, naquela época, ela poderia supor que o lacaio era o próprio mensageiro que a embrenhou juntamente com os outros no pior pesadelo da sua existência!

Então, quando as correntes vieram de todos os lados e redes de encantamento os prenderam como se fossem reles animais, Okoi entendeu que não havia nenhuma base, tampouco qualquer construção a vista que se pudesse dizer que funcionaria como tal. O que se tinha no percurso era tão somente um ardil que os encurralou a sangue frio sem qualquer chance de escapatória e de uma excelência categórica.

Sendo sugados pelos relicários, a última imagem que Okoi vira antes de cair na inconsciência profunda fora de Taishi ao longe, correndo na direção oposta...

Sem entender, ela agarrou-se na expectativa de que, ao menos, um deles conseguira escapar e que, talvez, eles pudessem ainda ter alguma chance.

Tão logo seus pensamentos nublaram e tudo ficou escuro...

Escuro por tempo demais.

Mas, o que Okoi não imaginava é que Taishi tinha outros planos que não envolvia salvá-los! Muito pelo contrário!

Ao despontar pela mata, na realidade, ele só estava abrindo caminho assertivo para que os inimigos perpassem por todas as barreiras e passagens secretas.

E, verdadeiramente, não se pode dizer que o que aconteceu foi uma batalha nos domínios do clã Hono...

A palavra certa é massacre!

...

Toda vez que Yashamaru fechava os olhos, ele podia ver nitidamente aquela cena aterradora.

Havia sangue para todo lado. Necessariamente muito.

Os sons da batalha podiam ser ouvidos ao longe, onde metal contra metal se chocavam num baque furioso bem como as energias sinistras que eram lançadas a torto e a direito numa luta mais do que brutal.

Olhando numa perspectiva distante, talvez, pela quantidade de cores que abarcavam o céu, seja pelas luzes dos seus poderes como pelo fogo que jamais esmorecia daqueles yokais, podia-se até dizer que era um fenômeno um tanto quanto bonito, apesar de dramático.

Mas, para quem estava dentro, o tom visceral era de longe um momento da qual se quer guardar na memória.

Principalmente pelos gritos aflitos dos seus companheiros...

Em especial, do sangue do seu sangue.

Mesmo lutando bravamente, arrematando um yokai aqui e outro ali com a maior precisão, habilidade e maestria que um digno líder poderia apresentar, Yashamaru não teve tempo de resvalar no momento certo para o lado daquela que tanto preenchia seus dias de puro amor e luz.

Se Yashamaru tivesse dado dez passos a frente, ele teria alcançado.

Mas, não houve tempo, tampouco ângulo para que ao menos pudesse lançar sua energia a fim de evitar o pior.

Da forma mais horrenda possível, bem diante dos seus olhos, uma foice desgovernada perpassou o corpo de Hiromi e a dividiu em dois violentamente. Separando em definitivo o tronco dos seus quadris.

Pela forma que os lábios da caçula se moveram, embora não fosse audível, Yashamaru soube que ela o chamou pela última enquanto uma parte despontava a esquerda e a outra imediatamente a direita...

...

-HIROMI! —Yashamaru gritou o nome da irmã abruptamente.

Acordando num solavanco, ele poderia ter demorado um tempo até ter se dado conta de que aquele pesadelo, apesar de se tratar de uma lembrança vívida, não incorria de fato.

Talvez, se a mão de Akane não se postasse em seu ombro e tirasse a sua atenção para ela, Yashamaru perderia alguns bons segundos tentando compreender onde definitivamente estava.

A loira dos olhos rubis nada disse, bastou-se a apertar o ombro do yokai numa demonstração clara de apoio.

Yashamaru esfregou os olhos com o polegar e o indicador antes de fitar a chama da fogueira que crepitava teatralmente a frente de ambos.

Depois, escorregou os olhos para o lado onde pôde ver os outros integrantes do seu clã voltarem a posição horizontal ao determinarem que seu líder havia tido somente um pesadelo no meio da noite e que não precisavam realmente se alarmarem.

-Desculpe... —Yashamaru falou num murmúrio dando um longo suspiro.

-Está tudo bem. —Akane disse recolhendo a mão do ombro alheio, voltando a abraçar as pernas na frente do corpo.

-Já faz quase cinco anos que tudo aquilo aconteceu. Ainda assim, revivo dia após dia todo o incidente... Parece que os deuses gostam de me torturar com aquela cena...

-Imagino o quanto deva ser difícil para você. Também costumo sonhar com o que houve.

Sem ter muito que dizer, os dois calaram como se nunca houvessem pronunciado qualquer vocábulo e o único som audível foi do fogo lambendo a madeira seca e dos animais noturnos que despontavam pelos arredores.

Permaneceram assim por longos instantes, até Yashamaru voltar seus olhos a Akane.

Na penumbra, onde as chamas eram o único foco de luz, a claridade morna iluminou parcialmente os olhos claros de Yashamaru que cintilaram como as orquídeas que nasciam em outros tempos no monte da qual Akane residiu por duros anos.

Mesmo embaixo de uma luz serena, onde tudo ao redor se resumia ao breu profundo, Yashamaru reverberou uma beleza sincera da qual era impossível não ser notada.

Akane teve que ajeitar a postura e tossir seco ao ter os olhos dele em cima de si. Estranhamente, nos últimos tempos que pulavam de vilarejo a vilarejo, se abrigando em clãs aliados e tendo que enfrentar vez ou outra os antigos inimigos que não cansavam de persegui-los, eles haviam se aproximado consideravelmente.

-Desculpe por dormir. —ele finalmente falou assentindo a ela. —Poderia ter me acordado.

-Já faz tempo que não dorme. Precisava descansar um pouco.

-Como posso me dar ao luxo de descansar se aqueles desgraçados estão por aí a solta... —Yashamaru balançou a cabeça em negativa sentindo-se contrariado. —Depois de tudo... Hiromi, Okoi, os outros, a situação em que estamos... Sinto até vergonha de me dar ao luxo de fechar os olhos para poder dormir.

-Não diga isso. Não foi culpa sua o que aconteceu. Sabe que o culpado de tudo foi Taishi! —Akane falou estreitando os olhos e logo disse num tom encorajador. —E veja, finalmente esses miseráveis estão sendo encurralados. Os clãs aliados o respeitam muito, será uma questão de tempo até nos livrarmos deles de uma vez por todas.

Yashamaru não tinha assim tanta certeza. No entanto, ele não disse que sim e nem que não. Preferiu guardar entre a língua as imprecisões do destino e deixar que as coisas por si só dissessem.

Voltando os olhos para Akane, ele sorriu brevemente de canto a deixando um pouco confusa sobre a mudança abrupta no seu semblante antes tão rígido e sério.

-O que foi? —ela indagou arqueando uma única sobrancelha. —Não diga que está rindo da minha cara!

-Por que está sempre na defensiva? —Yashamaru riu brevemente. —Que motivos teria para rir da sua cara?

-Então...? —Akane o estimulou a prosseguir mantendo os olhos desconfiados sobre ele.

-Estava só pensando em como Hiromi a envolveu numa situação tão cabulosa quanto essa. Se não a tivesse encontrado aquele dia na floresta, possivelmente, jamais teríamos nos deparado e muito menos estaria em nossa companhia durante tantos anos.

-Hm. —Akane sorriu de maneira amena e pôs-se a relembrar da pequena yokai travessa que a tirava o tino todas as vezes que conversavam. —É... É mesmo...

-Na época nós a agradecemos, mas nunca nos desculpamos por envolvê-la nisso. Então, acho que está mais do que na hora de dizer que sinto muito por você ter passado por todas essas coisas conosco.

-Hm! Você é mesmo idiota! Será que não aprendeu mesmo nada no tempo que já estou aqui?

Yashamaru pensou em retrucar, mas vendo um sorriso largo surgir nos lábios da loira ele declinou brevemente e num estalo entendeu.

-Sabe, um certo yokai uma vez me disse que...

-Quando se faz parte de um clã, o problema é de todos. —Yashamaru completou assentindo em positiva.

-Pensei no que ele disse e escolhi não ficar sozinha.

-E certamente esse yokai não pode dizer que não ficou muito feliz ao saber dessa decisão.

Yashamaru sorriu francamente e esfregou o topo da cabeça alheia numa carícia delicada.

-Que bom que está conosco, Akane.

O coração da meio-yokai pareceu ter errado uma batida.

Sentindo o sangue subir para a face, ela bateu no pulso do yokai com as costas da sua mão, tentando livrar os dedos do topo da sua cabeça.

-Pare de me tratar como se eu fosse uma criança... —ela falou cerrando os olhos enquanto cruzava os braços na altura dos seios modestos.

-Será que você é incapaz de evoluir nas demonstrações de afeto? —Yashamaru empurrou a cabeça dela com seu dedo indicador, a fazendo perder parcialmente o equilíbrio.

-Tsc! Por que fez isso!?

Akane tentou revidar, mas Yashamaru fora mais rápido e desviou de uma única vez da sua pretensão em atingi-lo com a mesma empreitada. Sendo assim, ela perdeu o equilíbrio mais uma vez e só não caiu de cara no chão porque ele a segurou firmemente pelo kimono e a ergueu parcialmente.

Com essa empreitada, o que ele não poderia imaginar é que seus rostos acabassem mais perto do que ele previra e que a segurando daquele jeito, pela pala da roupa, soou notavelmente esquisito!

Quem os olhasse naqueles segundos, poderia achar que Yashamaru estava no mínimo tentando beijá-la a força!

Em virtude disso, ele a soltou rapidamente. Principalmente porque a ideia não pareceu tão ruim assim...

O problema é que só de imaginar tal coisa a culpa o acometia pesadamente e a memória de Okoi ressoava por todos os cantos do seu cérebro.

-Vai acabar acordando todo mundo com os seus gritos. —Yashamaru falou tentando mudar o tom constrangedor que aquilo havia tomado.

-Foi você que começou... —ela respondeu quase em murmúrio, tão confusa quanto o yokai.

-Durma um pouco, também faz tempo que não a vejo descansar. —ele falou a olhando de soslaio. —Ficarei acordado.

Em qualquer outra ocasião Akane teria protestado. Mas, percebendo que sua face estava ficando cada vez mais quente, ela ponderou se não estaria que nem um morango de tão constrangida.

Por isso, ela agarrou na possibilidade de fugir daquela situação. Assentindo em positiva, a meio-yokai tratou de jogar o corpo para trás e colocar o antebraço na frente dos olhos.

...

Apesar da líder Moe ter um tiquinho de ressentimento por Yashamaru, ela não se opôs quando ele enviou uma carta pedindo guarita aos seus. Pois, além de possuírem uma amizade secular com Hono eles tinham um inimigo incomum que nos últimos tempos estavam importunando o mundo feudal de maneira geral.

O clã Taka era formado por yokais falcão, onde viviam no pico Furaito numa posição mais do que estratégica. O local ideal para se assentar por uns tempos e constituir planejamentos a fim de rechaçar os yokais serpentes.

Apesar disso, Yashamaru havia demorado um bocado para finalmente recorrer a Moe. Isso porque... Bem... Yashamaru havia dado um belo de um pé na bunda na orgulhosa yokai falcão!

No início Moe havia chorado torrencialmente por ser rejeitada. Depois, ela compreendeu que Yashamaru era daquele jeito mesmo. Um yokai tão íntegro e leal que jamais abandonaria suas obrigações. Sendo ele um yokai do fogo, ele só poderia gerar descendentes com tais. Ou seja, caso um dia ele resolvesse dar um fora em Okoi ou a própria decidisse não mais estar ao seu lado (o que Moe via como impossível!), certamente ele optaria por outra yokai do fogo!

Sendo assim, ela compreendia o por que dele nunca ter dado a devida abertura a ela ou a qualquer outra...

Quer dizer... Até Moe notar uma interação mais do que insana entre Yashamaru e uma tal meio-yokai.

...

-Yashamaru!

O yokai virou-se no mesmo instante que ouviu a voz feminina o chamar. Ele já estava prestes a sair da fortaleza estabelecida no alto do pico Furaito quando de repente fora interceptado por Moe.

Ela possuía uma beleza realmente notável. Seus olhos verdes bem como os cabelos longos castanhos a davam uma tez aprazível de se admirar. Mais ainda o seu belo corpo que era esculpido por vestimentas pouco usuais, sendo uma saia de couro que ia até a metade das suas canelas, um top de igual material que proporcionava um bom vislumbre do seu abdômen definido e ombreiras pesadas das quais pendiam penas que mesclavam entre marrom e branco.

-Onde vai agora? —Moe indagou parando há poucos passos de Yashamaru.

-Iremos investigar a área. Como a falei mais cedo, parece que há notícias de que há uma base no monte Uragiri. Quero ver os arredores para ter certeza dessa informação.

-Então irei com você.

-Hm... —Yashamaru arranhou a garganta e apontou com a cabeça discretamente para trás. —É que... Akane já irá comigo.

Moe não havia notado a presença de Akane há alguns sensíveis passos atrás. Até porque sua visão nos últimos tempos não focava em nada além do que no conjunto de olhos violeta e cabelos negros.

Moe franziu a testa e cruzou os braços.

-Não acha que está manchando grosseiramente a sua reputação por andar de um lado para o outro com essa meio-yokai?

-Não me importo com o que falam ou dizem sobre ela. E também, não é como se pudesse me vangloriar da minha reputação. —Yashamaru deu de ombros. —Se antes quando possuía um honorável respeito não me importava por Akane ser o que é, agora, menos ainda.

Moe pensou em retrucar, mas acabou guardando a língua entre os dentes e passeou com os olhos vagarosamente entre uma Akane que não estava necessariamente interessada no que os dois conversavam mais adiante e em Yashamaru que a fitava de volta na espreita de uma despedida para que pudesse prosseguir.

Respirando pesadamente, Moe ancorou as mãos nos quadris e falou sentindo-se derrotada.

-Antes achava que era por não ser uma yokai do fogo, mas agora... Puxa, você me despreza mesmo!

Yashamaru franziu o cenho sem entender o cerne que aquela yokai queria chegar. Arqueando uma única sobrancelha, no entanto, ele não conseguiu prosseguir, porque Moe continuou a dizer.

-Mas já que está tão liberal assim, ao ponto de se envolver com uma meio-yokai, se ao menos for fazer alguma coisa com ela, lembre-se de me chamar.

Completamente impactado por aquelas palavras, Moe bastou-se a rir da face alheia estupefata e dar-lhe as costas.

-É melhor ir logo! Volte antes de escurecer.

...

Pela mata fechada, Akane saltava por entre os galhos das árvores altas enquanto que Yashamaru ia por baixo mapeando todo o perímetro. Quando criança, sua mãe o havia levado várias vezes até os arredores do Pico Furaito onde havia uma bela cachoeira que se iniciava desde o topo e que desmaiava na base, ocasionando um límpido rio que banhava o sopé do monte Uragiri e que caudalosamente perpassava até os antigos domínios do clã Hono há uns consideráveis quilômetros de distância.

Mas, diante das últimas mudanças e das intrincadas batalhas, os territórios vinham se modificando paulatinamente. Então, ele se viu no dever de mapear pessoalmente a área e verificar como estava a movimentação nos arredores do monte Uragiri.

Não tardou para que no meio do percurso algo chamar a atenção de Yashamaru.

Parando no mesmo instante que avistou a coisa curiosa, Akane juntamente hesitou e desceu de uma das árvores a fim de se juntar a ele novamente no solo.

-O que houve? —ela indagou curiosa ao vê-lo agachado.

-São eles... Estão por perto.

Olhando por cima do ombro de Yashamaru, Akane pode ver resquício de pele de cobra bem como uma espécie de ácido que estava a corroer o solo lentamente.

-Então eles devem estar mesmo no monte Uragiri. —Akane disse seriamente.

-É o que parece. —Yashamaru disse se erguendo novamente. —Vamos voltar, logo irá anoitecer. Preciso reunir o máximo de yokai possíveis, pode ser uma oportunidade.

Mal Akane havia assentido para algo voar a sua direção. Em tempo, ela desembainhou a espada e cortou a flecha que fora atirada despretensiosamente a sua direção há poucos centímetros do seu rosto. Mais um segundo e aquilo a teria acertado em cheio!

Yashamaru alinhou a postura com igualdade para uma posição ofensiva, e logo fez sua zambatou surgir nas suas mãos.

-Tsc! Parece que nos encontraram primeiro. —Yashamaru disse cerrando o cenho com irritação.

Por trás da moita, ao menos dez yokais apresentaram a sua face sombria. Seus corpos que possuíam a silhueta humana não eram capazes de enganar a ninguém que os fitasse diretamente, posto que suas peles escamosas cintilavam cruelmente por baixo da luz baixa de um sol que estava prestes a se pôr. E seus olhos, dos quais nunca piscavam, mantinham-se grotescamente abertos onde vez ou outra uma escama transparente os revolvia em fração de segundos lateralmente.

Não houve tempo para apresentações, até porque elas eram estritamente desnecessárias. Sem delongas, embrenharam-se numa batalha atroz.

Matematicamente, Akane e Yashamaru estavam numa desvantagem mais do que óbvia. Pois, dividindo, seria cerca de cinco oponentes para cada. O que de longe não soava como uma divisão muito justa...

Só que, para seres com tamanhas habilidades e desenvolturas como as deles, onde ricocheteavam os golpes e perpassavam os adversários tão habilmente que era digno de aplausos, após um ou outro ser abatido de forma tão pontual, a diferença numérica pareceu um mero detalhe diante da magnificência dos seus movimentos precisos.

Isso sem contar a cumplicidade e sincronia dos seus movimentos. Pois, era só um iniciar o golpe para o outro o completá-lo.

Acontece que, embora Akane resvalasse das investidas deveras rápidas dos seus oponentes e os golpeassem sem dó, quebrando incessantemente os seus membros com um soco mais do que inquisitivo e que, de mesma sorte, Yashamaru desdobrasse a lançar um fogo infernal que se recusava a esmorecer e bradasse zambatou como se ela fosse apenas um pedaço de papel, os inimigos não pareciam inclinados a desistirem.

Em virtude disso, alguns aproveitaram dos poucos segundos livres para emitirem um som. Um chiado grave que ecoava como um balançar de um chocalho. Eventualmente, a tal sonoridade tinha o intuito claro de chamamento.

Aquilo não era nada bom.

Porque os dois não sabiam exatamente quantos responderiam ao chamado. Dependendo da quantidade, por mais que fossem hábeis, talvez não conseguissem dar conta.

Partindo dessa premissa, Yashamaru achou que o mais sensato a se fazer era bater em retirada. Prontamente ele fez um sinal a Akane que entendeu de imediato.

No entanto, enquanto deslizavam do ataque maciço e tendo outros yokais serpentes aparecendo no meio do engodo, algo mais do que surpreendente ocorreu no pior momento possível.

Dado que, tendo o sol lançado os últimos raios no solo e desaparecido finalmente do céu límpido, instantaneamente, sem mais nem menos, Akane esmoreceu e por pouco não foi cortada ao meio por uma Alabarda mais do que afiada.

Ela trincou os dentes com o golpe que ganhou um corpo muito mais pesado contra a sua espada. Sentindo a energia sinistra esvair, ela não pôde deixar de praguejar mentalmente o infortúnio de ser quem era.

Concentrando as últimas forças, ela empurrou o oponente de uma só vez, dando-lhe um chute generoso no estômago e bradando a espada ao ar com o último sopro que restava dos seus poderes.

Como um passe de mágicas, seus cabelos escureceram totalmente e seus olhos antes rubis montaram-se em castanhos claros reluzentes.

Um segundo golpe, porém, Akane não teve forças e muito menos velocidade para apartar. Por conta da sua nova condição, ela não pôde evitar totalmente a lâmina mortal que ocasionou um corte grosseiro na linha da clavícula.

Por mais absorto que Yashamaru tenha ficado, ele não se permitiu abrir a boca e permanecer inerte diante da surpresa de ver Akane na forma humana. Invés disso, ele focou em acudi-la antes que fosse tarde.

Negligenciando a si mesmo, ele ignorou os adversários ao seu redor e provocou uma combustão tão intensa que seguiu uma linha reta separando em definitivo os yokais serpentes dos dois.

Sem esmorecer, sabendo que aquela empreitada não duraria tempo suficiente para os persuadir. Yashamaru partiu em disparada para o lado de Akane a qual mantinha a mão no ferimento profundo que sangrava sem trégua empapando o kimono simples da qual usava.

-Vamos sair daqui! —ele falou urgentemente ao mesmo tempo em que tirava Akane do solo e a colocava no colo.

Ela não teve forças para protestar tampouco faria sentido se o fizesse. Devido as suas condições lastimáveis, Akane somente pôde calar e ser carregada como um bebê no colo mais do que quente daquele yokai.

Mas, dando os primeiros passos na fuga, Yashamaru bem sentiu uma forte picada no seu calcanhar. Ele não precisava olhar para baixo para saber que um dos inimigos havia atirado o seu odioso veneno que entorpecia.

O yokai ponderou que não havia muito tempo antes do seu corpo paralisar. Por isso, ele dedicou-se a correr o mais rápido que podia a fim de tentar arrumar algum lugar da qual ao menos pudesse se abrigar durante o tempo que o veneno se espalharia por entre suas veias.

O que ele não podia imaginar, é que o tal lugar que o socorreria e não ao contrário!

Como se os deuses finalmente tivessem olhado por ele, Yashamaru acabou caindo num buraco que parecia se tratar de um poço desativado, mas que estava tão oculto no solo pelas folhas e galhos que seria impossível identificar.

Em tempo, ele conseguiu alinhar a postura para que pudesse repousar no solo úmido sem muito impacto. E assim que seus pés encontraram o chão, seus joelhos cederam em definitivo e ele tombou involuntariamente com Akane ainda presa em si.

-Yashamaru! —Akane o chamou preocupada, enquanto colocava a mão no rosto do yokai que tinha o cenho franzido. —Yashamaru! Está bem?

Mas, Yashamaru não a respondeu. Invés disso, colocou a mão por cima da boca de Akane gentilmente a silenciando. A princípio, ela não entendeu, depois, ao ouvir os passos pesados e sibilos ela compreendeu que os yokais serpentes estavam passando na superfície numa busca incessante pelos dois.

Quando os sons foram amainando e se tornando cada vez mais longínquos, Yashamaru retraiu a sua mão da boca alheia. Com muito esforço, sentindo seu corpo cada vez mais pesado, ele desamarrou uma das faixas do seu kimono e o envolveu no ferimento da mulher estacionada ao seu lado a fim de estancar o sangramento.

Apertou o mais forte que conseguiu e pela expressão retorcida de Akane, pensou ter sido o suficiente.

-Isso ajudará a conter o sangramento. —ele falou com a voz trepidante. —Acha que consegue aguentar até que o efeito do veneno passe?

-Sim, estou bem. Não foi profundo. —Akane suspirou colocando a mão no ombro dele. —Desculpa por ter causado problemas.

-Não tem culpa por se transformar. Deveríamos ter prestado atenção no dia.

-Há tanta coisa acontecendo. —ela balançou a cabeça em negativa e acabou se retesando pelo movimento abrupto.

-Não se mova muito. Pode voltar a sangrar.

Até Yashamaru falar a respeito, Akane não tinha percebido que nem se quisesse poderia se mexer tanto. Pois, o fundo do poço era extremamente estreito e ela só estava cabendo ali com ele porque... Literalmente estava com metade do corpo em cima do Yashamaru!

Aquele pensamento a fez corar instantaneamente e subir um formigamento pelo escalpo. Principalmente quando seus olhos estacionaram nos dele tão trôpegos e próximos a si que era possível sentir a respiração alheia acariciar os seus rostos.

Diferente de Akane, Yashamaru não estava em condições de ponderar sobre o que era ou não adequado e muito menos as coisas estavam fazendo sentido. Sendo atingido pelo veneno que nebulava a mente e gradativamente paralisava o corpo, a imagem embaçada de um rosto mais do que bonito e pueril pareceu fazer parte de um sonho. Ao mesmo tempo que conhecia aquele semblante ele sequer pareceu de verdade. E, sem que percebesse, seu último gesto antes de perder os sentidos foi deixar a mão antes estacionada no ferimento da outra escorrer lentamente até a curvatura da cintura, onde quase embriagado permitiu-se dizer.

-Que bom que... Que bom que está viva...

E foi então que ele relaxou completamente e cerrou em definitivo os olhos.

Tendo Yashamaru dormido, Akane tentou não se prender nos detalhes... Que não eram irrisórios é claro. Mas, ela preferiu banalizar a coisa, como costumava a fazer quando ficava relativamente constrangida. E começou a ponderar no que tinha demais em estar tão junta assim aquele yokai.

Então, ela iniciou uma lista mentalmente para acalmar o coração acelerado e aquietar os pelos do corpo que se eriçavam à medida que a respiração do outro beijava o seu pescoço.

Começou então a pensar que... O que é que tinha demais!? Eles só tinham parado ali porque estavam resguardando suas vidas. Tudo bem que Yashamaru a pegou no colo e a protegeu com o próprio corpo, ela já tinha feito o mesmo outras vezes, não é? Nada demais! Parceiros de clã fazem isso o tempo todo. I daí que estava no colo dele? Eles haviam caído, o espaço era apertado e estreito! Não podia mudar de posição nem se sua vida dependesse disso, não havia para onde escapar. Na forma humana, ela não poderia erguê-lo dali para fora, então o que se podia fazer se não aguardar até que ele acordasse ou ter sua energia sinistra de volta? O quê que tinha de achar o cheiro dele bom? Ele ser cheiroso era algum crime? Ela podia admitir e tudo bem... E havia algo de errado também em pensar que era uma bênção estar tão emaranhada a ele? Estava debilitada e fazia tanto frio ali embaixo... Yashamaru era tão quente! Aquele calor delicioso que ele emanava só estava contribuindo para mantê-la viva. Caso ele não fosse tão confortável, quente, cheiroso, bonito... Bonito!? O que aquilo tinha a ver!? Perdendo-se no personagem, ela preferiu cerrar os olhos para não o ver mais e conseguir suportar a tortura de estar tão próxima e ao mesmo tempo tão distante...

Não só porque Yashamaru estava devidamente desacordado e enebriado por um veneno atroz. Mas também porque ela sabia que aquele yokai era mais do que inatingível... Seu coração errou uma batida novamente ao ponderar a respeito. Ela só não conseguiu compreender o porquê!

Fosse o que fosse, aquelas questões não pareceram suficientes para mantê-la acordada. A verdade é que já havia perdido muito sangue e inegavelmente estar nos braços daquele yokai foi um estímulo grandioso para que seu corpo, nunca antes acostumado a ser embalado daquela maneira afável, cedesse.

E tal qual Yashamaru, Akane acabou perdendo-se em si mesma.

...

Quando os olhos de Yashamaru se abriram ele ficou mais do que confuso. Depois, quando tentou se mover, ele sentiu um peso em cima de si.

Como havia ficado muito escuro, provavelmente porque a passagem de cima tinha de alguma forma se fechado totalmente, ele acabou esfregando o polegar no indicador, emitindo um som seco de um estalo, para que uma sutil chama aparecesse entre os seus dedos. Iluminando parcialmente, ele identificou num súbito aquela mulher de cabelos pretos emaranhada a si, com a cabeça reclinada em seu peito e com o braço jogado igualmente na mesma direção.

Recuperando o tino, tudo voou a sua mente como um flash.

E ele teve que engolir a seco por tê-la tão próxima de si.

Especialmente quando notou que em algum momento, ele havia se virado para abraçá-la! Como se estivesse se aconchegando a ela!

Um mini ataque de pânico o envolveu. Ainda mais, quando Akane, inconscientemente, o agarrou pelo kimono e roçou no seu tórax parcialmente desnudo com a cabeça como se ele fosse um travesseiro.

Tudo bem que desde que Okoi havia partido ele era o ser mais sacro, quase um buda, mas definitivamente ele não era eunuco! Então, ficou verdadeiramente ruim para ele. Posto que, ele precisava se mover e ao mesmo tempo seu corpo se recusava a não tirar um mísero segundo de proveito da situação.

Que nem o veneno que o paralisou, o corpo daquela recente mulher encaixado ao seu estava ocasionando um efeito muito parecido.

Isto é, até a segunda página... Pois, sem que percebesse sua mão que antes estava apoiada na curvatura da silhueta fina acabou desenhando o percurso de volta, delineando o perfil dela tão minuciosamente.

Um arrepio perpassou a sua espinha ao senti-la se retesar com o seu toque involuntário. E como se aquilo fosse um despertador celestial, ele balançou a cabeça em negativa e ponderou no que diabos estava fazendo!

Num estalo ele sentiu-se seguramente miserável e resolveu que a melhor coisa a se fazer era sair de uma vez por todas daquela situação mais do que esquisita antes que outras partes do seu corpo ganhassem vida própria...

Balançando Akane levemente, ela pouco a pouco foi despertando.

-Akane. —ele a chamou brandamente.

-Yashamaru! —ela voltou a realidade num baque. —Está se sentindo melhor?

-Estou. Meu lado esquerdo ainda está um tanto dormente, mas consigo nos tirar daqui.

-Tá. Vamos, então.

...

De volta a superfície num único salto, Yashamaru repousou Akane gentilmente no solo. Encarando-se com decisão, eles compreenderam no olhar que precisavam seguir a direção do Clã Taka.

Mas, em meio ao percurso, Yashamaru acabou sentindo uma energia sinistra nenhum pouco familiar e que notadamente também não ressonava modesta. Por isso, ele acabou hesitando e colocando o braço direito na frente de Akane para que ela parasse.

-O que aconteceu? —Akane indagou um pouco confusa.

-Quem está aí? —Yashamaru indagou a direção da moita fechada.

Nenhuma resposta foi dada de imediato. Entretanto, não tardou para que uma tocha aparecesse numa perspectiva um tanto quanto baixa e as silhuetas dispares surgissem pouco a pouco na visão daqueles dois.

-Veja, Senhor Sesshoumaru! —o pequeno yokai sapo que segurava a tocha e um bastão de duas cabeças apontava imediatamente para Yashamaru. —Parece que é ele! Finalmente o encontramos! O olfato do senhor é mesmo incrível!

Não era necessário perguntar quem se tratava. Diante de tantas histórias a descrição de Sesshoumaru estava mais do que batida no mundo feudal. Então, ao repousar seus olhos naquele imponente yokai tanto Yashamaru quanto Akane não questionaram quem era aquele tal de Sesshoumaru que estava ancorado a sua frente com um olhar impassível. Obviamente, eles sabiam quem era. O que realmente ficou confuso era o motivo daquele Lorde estar atrás de si.

-Como assim me encontraram? —Yashamaru indagou alinhando a postura. —O que querem comigo?

-Yashamaru, é esse o seu nome? —Sesshoumaru devolveu com outra pergunta.

-Sou eu mesmo.

-Soube que é o principal inimigo do Ren e que faz tempo que ele deseja capturá-lo.

-Não digam que estão com ele? —Akane franziu o cenho numa tez irritadiça.

-Veja como fala, mulher! —Jaken disse ralhando pesadamente a Akane. —Não seja patética! Até parece que o Senhor Sesshoumaru estaria subordinado a alguém!

-Então... —Akane tentou remontar a frase, mas foi interceptada.

-Já faz um tempo que esse tal de Ren tem me causado problemas. —a voz metálica de Sesshoumaru soou pelo recinto. —Mas, aquela cobra é mesmo escorregadia.

-Como você é o inimigo principal do Ren, pensamos que utilizá-lo seria um meio de finalmente atraí-lo para fora do covil e acabar definitivamente com ele. —Jaken concluiu falando seriamente. —E como o conhece melhor do que ninguém, acreditamos que saberia como chamar a sua atenção sem parecer uma emboscada.

-Estão propondo me utilizar como isca? —Yashamaru sorriu descrente.

-Se quer usar essa palavra, então é basicamente isso. —Sesshoumaru assentiu no mesmo semblante inabalável.

-Como se tivesse outra palavra para utilizar... —Akane falou num murmúrio.

-Então, sem mais nem menos aparecem a minha frente propondo que eu seja isca do yokai a qual tenho ódio profundo para atraí-lo a uma armadilha... —Yashamaru falou com um sorriso de canto.

Jaken já estava se preparando para retrucar, mas, o sorriso de canto de Yashamaru logo mudou, tornando-se audacioso. Percebendo a grande oportunidade que tinha em mãos, ele não se importou se precisaria dar a própria vida se fosse necessário para finalmente exterminar aqueles canalhas.

Yashamaru olhou Akane de canto que assentiu, depois voltou-se para os dois à frente e prosseguiu com a voz repleta de certezas.

-Quando é que começamos?

E bem ali, próximo aos pés do pico Furaito, prestes a amanhecer, que Yashamaru entrelaçou o seu destino, o de Akane e dos remanescentes do clã Hono com o eminente Oeste.

...

CONTINUA...

*Cena de Yashamaru e Akane na floresta fugindo dos yokais serpentes. Yashamaru é atingido e Akane vira humana. Eles caem numa vala onde passam a noite juntos.