[EXTRA] —Era uma vez no Oeste.
Se havia algo que se comentava no mundo feudal, certamente, era sobre a beleza dos gêmeos do Sul.
Mesmo que o dito cujo a pronunciar a tal alegação nunca os tivesse visto, legitimava até os ossos o que se falava pelos quatro cantos.
Afinal de contas a essência dos gêmeos falava por si mesma.
Como descendentes diretos de yokais constituídos a partir da cobiça dos seres, materializados pelos desejos mais ocultos, não era de se espantar que suas aparências reverberassem impecáveis e legitimassem as sensações e sentimentos mais profundos que se pode existir dentro de um indivíduo.
Enquanto Mitsue era a encarnação do desejo de um amor perfeito, Souichiro fora moldado pela ambição por glórias, pelo poder cru.
Partindo dessa premissa, quem soubesse das suas naturezas, achava-as bem contundentes com o que seus olhos revelavam.
Principalmente Mitsue que exprimia como uma luz incandescente no meio do breu! Ela era praticamente o conjunto mais perigoso e excitante da face da terra! Pois, imagine já nascer com uma face para lá de privilegiada e ainda ter consigo uma força atrativa capaz de enlouquecer quem quer que a fite!?
Então, não era de se estranhar que muita gente, dos mais inóspitos lugares, fosse ao seu encontro só para averiguar a história e a rondar incontáveis vezes.
Para uma princesa comum aquela bajulação exagerada soaria algo natural, perfeitamente adequada e que aumentaria o seu ego mais e mais. Que subiria a cabeça ao ponto de se tornar a criatura mais insuportável da face da terra. Afinal, ter gente o tempo todo se jogando aos seus pés e até mesmo dizendo em alto e bom tom que ela poderia pisar, caso assim apetecesse, faria até mesmo a mais sensata das criaturas ter sua prepotência nas alturas.
Só que para Mitsue aquilo era deveras enfadonho e intensamente irritante!
Ou seja, pode-se dizer que quando ela entregou a sua energia atrativa para Cho, num acordo pouco convencional, a tal empreitada reverberou como um largo alívio.
Isso é, até certo ponto...
Pois, sem a capacidade de dominar cem porcento os outros, Mitsue passou a se sentir um tanto insegura...
Sempre sustentando-se na habilidade como se fosse muletas, algo da qual podia contar cegamente, ela não teve tanta certeza se conseguiria prender alguém a ela sem aquilo. E, principalmente, aquele yokai... Dado que ele parecia tão escorregadio e volátil!
Na mesma ponta, o engodo do certo Comandante do Oeste, não cessou. Ele já sabia que mesmo que Mitsue houvesse perdido a energia atrativa, o interesse dos outros por ela perduraria...
...
Apesar de não ser verão, fazia um calor atípico no Oeste.
Mas, ainda que o sol escaldante estivesse postado no centro do céu azul cerúleo e os ventos abafados perpassassem pelos corpos alheios, a quentura externa não se comparava com os olhos em chamas daquela yokai dos olhos verdes-oliva.
Mitsue estava sentada na grama bem cuidada do jardim do castelo, embaixo da enorme cerejeira que proporcionava uma sombra generosa. No entanto, não era exatamente por aquele motivo que ela estava postada tal qual a árvore no distinto lugar. Embora ressonasse como um local ideal para se buscar refúgio das altas temperaturas, de longe, havia sido a intenção dela ficar prostada só por aquele motivo frívolo.
Quase como um ponto estratégico, Mitsue conseguia ver com clareza o que Kenji fazia. E, genuinamente, não estava gostando nenhum pouco!
Seus olhos incisivos por trás do leque elegante da qual ela sacudia com um misto de raiva e pesar focavam no Comandante sem trégua, em qualquer movimentação.
Na outra ponta, o foco do seu olhar agressivo, existia um Kenji há metros de distância que conversava ininterruptamente com uma yokai do feudo da qual Mitsue não possuía um centímetro de simpatia!
Um eufemismo, claro...
Fato é que a senhora feudal O-D-I-A-V-A Himawari com todas as suas forças!
De certo, se seu olhar fulminante matasse, ambos teriam caído mortos e virado pó instantaneamente.
-Credo! Vai acabar arrancando o olho de alguém com esse leque! —uma voz feminina conhecia a tirou do transe.
Mitsue sobressaltou e por pouco não morreu do coração. Estava tão entretida que não havia percebido que Akane, Rin e sua pequena cria de dois anos de idade pendurada na sua perna encontravam-se ao seu lado, a encarando completamente absortos.
Mal a bela yokai havia posto os olhos neles para Yoshiaki soltar da perna da mãe e correr para ela.
-Mitsue! —ele falou animadamente enquanto corria brevemente.
Mitsue sorriu com a aproximação do pequeno. Ainda mais quando ele abriu um sorriso largo a ela e estendeu os braços, como quem quer ser abraçado. Não titubeando na sequência do gesto, ela o pegou prontamente e o repousou no seu colo, onde o encheu de beijos nas bochechas rechonchudas.
Yoshiaki sentiu cócegas e por isso deu algumas risadinhas com aquela sucessão de carícias. Logo, aquietou-se e recostou no colo da outra, brincando com os fios dos cabelos negros que pendiam pelos ombros da yokai.
-O que deu em você? —Akane voltou a falar arqueando uma única sobrancelha.
-Ahm! Na-Nada! Só está muito quente! —Mitsue falou dando uma risadinha sem jeito e voltou a abanar, tanto ela como Yoshiaki em seu colo, dessa vez comedida.
-Muito quente! —Yoshiaki concordou fingindo desmaiar no colo alheio.
Mas, Akane e tampouco Rin acataram o enredo sem sentido. Seguindo o olhar anterior da beldade, elas logo entenderam num súbito o que se passava.
Kenji estava sensivelmente próximo a Himawari, numa distância um tanto quanto íntima para um diálogo despretensioso. Especialmente porque ela estava recostada a uma árvore e ele se postava imediatamente a sua frente. E, vez ou outra, inclinava-se a direção da outra, num tom estranhamente provocativo que Mitsue conhecia de cor. Isso tudo em meio a sorrisos e uma linguagem corporal nada formal.
-Hm, entendi... —Rin falou esmorecendo a face.
-O que está acontecendo? —Akane franziu a testa um tanto confusa.
-O que parece. —Mitsue disse dando de ombros. Fechando de uma vez o leque, da qual Yoshiaki reivindicou, ela o entregou no mesmo instante para que o garoto brincasse. —Ele cansou de mim.
-Vocês brigaram? —Rin indagou inclinando um pouco a cabeça para o lado por não estar conseguindo acompanhar os eventos.
-Se brigamos não fui avisada. —Mitsue falou recostando as costas na cerejeira atrás de si, as fitando de uma perspectiva mais baixa com um semblante melancólico. —Já duas vezes seguidas que ele não vai comigo ao Sul...
-Hm... —Akane levou a mão ao queixo em ponderação. —Da primeira vez ele acompanhou Yashamaru numa missão e na segunda vez...
-Besteira, Akane. —Mitsue balançou a cabeça em negativa. —Já faz tempo que ele está me evitando.
-Já falou com ele sobre isso? —Rin indagou no mesmo minuto que Yoshiaki abria e fechava o leque de forma curiosa no colo da yokai.
-Falar o que? —Mitsue indagou com um sorriso fraco de canto. —Não parece óbvio?
-Na verdade não. —Rin disse coçando a nuca, um pouco sem jeito.
-Rin tem razão. —Akane falou apoiando as mãos nos quadris. —Não faz sentido, Mitsue. Algo deve ter acontecido para essa mudança tão brusca de comportamento.
-Seja o que for ele não parece estar muito abalado. —Mitsue cerrou o cenho passando a mão nos cabelos de Yoshiaki que parecia dedicado a desvendar os desenhos estampados no leque. —Só olharem...
Voltando os olhos na direção de antes, lá estava Kenji com a mão espalmada na árvore ao lado da cabeça de Himawari, numa distância ainda menor que antes.
-Definitivamente é a coisa mais esquisita do universo. —Akane falou coçando o topo da cabeça. —Kenji nunca deu atenção a Himawari antes...
-Tsc! Esquisito é eu estar tão chateada. —Mitsue falou dando um longo suspiro taciturno. —Deveria ter escutado o meu irmão...
-Papai acha o irmão da Mitsue muito chato. Não é, mamãe? —Yoshiaki indagou apontando o leque fechado para Rin.
Rin sorriu amarelo enquanto Mitsue e Akane deram uma risada.
-Ele é mesmo. —Mitsue falou apertando a bochecha de Yoshiaki, depois afagou novamente os cabelos platinados. —Mas, dessa vez, ele tinha razão.
-Se não conversar com ele, não saberá. —Rin falou dando de ombros. —Pode ser um mal entendido.
-Kenji pode ser muitas coisas, mas devo admitir que ele é sincero. —Akane falou um pouco contrariada por ter que elogiá-lo com alguma coisa. Cruzando os braços na altura dos seios ela prosseguiu a fitando. —Ele não é alguém que se possa chamar de incoerente. Estou com Rin, acho que deveria falar com ele.
-Amanhã é o dia de você ir ao Sul, não é? —Rin indagou a ela ao ponderar a respeito. —Será uma boa oportunidade para tocar no assunto.
-Isso é, se ele resolver ir... —Mitsue falou balançando a cabeça em negativa. —O que eu duvido.
-Não é como se Kenji tivesse escolha. —Akane falou dando de ombros. —Sesshoumaru designou a ele a tarefa de levá-la ao Sul. Nas outras vezes havia uma boa desculpa para não ir, dessa vez não há nada a vista.
-Tenho certeza que irão se resolver. —Rin disse com um sorriso sincero.
Como se fosse ensaiado, no mesmo instante em que Rin pronunciou a frase, elas se voltaram a cena de antes. Da mesma forma, Kenji virou na mesma direção.
Focando só em Mitsue, seus olhos se encontraram por alguns segundos num baque intenso. O sorriso do Comandante se dissipou instantaneamente dando lugar a uma face séria que não era do seu feitio.
Sem delongas, Kenji desviou o olhar, sorriu amarelo para Himawari a sua frente, passou a mão pelos cabelos da yokai numa carícia seca e saiu sem mais nem menos.
-O que foi isso? —Akane falou arqueando uma única sobrancelha.
-Realmente não consigo decifrar. —Rin falou balançando a cabeça em negativa um tanto absorta.
-É isso que ele tem feito. —Mitsue falou cerrando o cenho. —Tsc! Dane-se também...
-Pobre Comandante Kenji... —Yoshiaki falou dando um longo suspiro.
-Hm!? —as três sobressaltaram no mesmo instante com aquela fala.
-Por que diz isso, Yoshiaki? —Mitsue indagou fitando o pequeno no seu colo.
-Porque ele está muito triste, oras! —Yoshiaki falou como se fosse óbvio. —Não está vendo?
-Triste... —Mitsue repetiu com um semblante confuso e logo ergueu os olhos para Rin e Akane que deram de ombros tão sem entender quanto.
...
Toda vez que Mitsue rumava ao Sul, ela tinha que ir necessariamente dentro da liteira e as correntes que a aprisionavam ao castelo eram repassadas aos domínios de Kenji até que ela regressasse ao Oeste. Como de praxe, assim que a liteira era puxada pelos yokais bestiais, Kenji pulava para dentro com um largo sorriso presunçoso e ambos rumavam juntos ao destino final.
No entanto, daquela vez, quando os yokais alavancaram para além dos muros do castelo, ele sequer deu as caras no interior da elegante liteira e Mitsue permaneceu sozinha durante todo o percurso.
Como Oeste e Sul ficavam a uma distância considerável, eles não iam de uma única vez. Estacionavam sempre ao final do dia em uma das bases aliadas e assentavam até o nascer do sol para que pudessem concluir a viagem no dia posterior.
Então, quando a liteira encostou novamente ao chão num pouso suave, Mitsue não fez cara de espanto, pois aquilo era mesmo de praxe. O sol já desmaiava por entre as montanhas afinal e a noite iniciaria a poucos minutos.
Saindo da liteira, ela avistou o grupo de yokais de sempre que a acompanhava, os companheiros de longa data de Kenji. Depois viu o Comandante ao longe, num semblante distante.
Embaixo daqueles últimos feixes de luz, de um anoitecer iminente, Kenji pareceu mesmo infeliz...
O yokai dos olhos castanho-avermelhados notou que estava sendo observado. Fitou a dita cuja de canto por segundos e não se demorou a seguir um caminho solitário para longe de todos.
Mais uma vez ignorada...
Mitsue franziu o cenho. Dessa vez sem esconder uma vírgula de irritação. Sua cara furiosa seria notada a quilômetros de distância.
De fato, era a primeira vez que Mitsue estava correndo atrás de alguém. Sempre acostumada a ser o centro das atenções, ainda que não gostasse, a antiga princesa do Sul nunca havia se postado a tal papel. E, definitivamente, ela não gostou nenhum pouco de ter que gastar as solas dos sapatos para essa finalidade!
Fosse subjugação ou não, ela não se importou e tampouco se impediu de prosseguir. Tirar aquela história a limpo e livrar-se do tormento de pensamentos conflitantes soou muito mais importante do que o seu orgulho de fêmea rejeitada.
Por isso, Mitsue saiu correndo na direção que Kenji desapareceu e ao cortar a propriedade pelo lado de fora, ela finalmente o encontrou.
Com as costas recostadas totalmente na parede de madeira assim como a sola do sapato do pé esquerdo, ele fitava o horizonte de braços cruzados sem muita empolgação numa postura pouco alinhada.
Notando a presença de Mitsue, Kenji iria evadir outra vez. Entretanto, ele não contava que ela o impediria da maneira mais dramática possível!
Ensaiando dar um passo à frente, uma foice atravessou o seu caminho e bloqueou totalmente a sua passagem. Surpreendendo-se com a atitude da outra, ele pouco teve tempo para reagir, uma vez que Mitsue já estava a sua frente o agarrando pela pala do kimono, o recostando contra a parede em definitivo.
-Por que está me ignorando!? —ela falou de forma áspera apertando o tecido da roupa alheia com força entre os seus dedos.
Kenji arregalou os olhos com aquela atitude inusitada e ficou com a boca entreaberta durante alguns segundos a fim de absorver o que havia acabado de acontecer. Em seguida, fitando-a raivosa, ele balançou a cabeça em negativa com um sorriso de canto e segurou os pulsos da outra que permaneciam agarrando no seu kimono.
-Enlouqueceu? —ele finalmente falou a fitando dentro dos olhos. —Que porra foi essa!? Não acredito que jogou a sua foice pra cima de mim!
-Responde! —Mitsue insistiu o pressionando contra a parede. —O que está acontecendo!?
Kenji hesitou. Pensou numa maneira de evadir da situação, mas diante de até mesmo um golpe da outra, ele bem sabia que Mitsue não o libertaria até ter o que queria. Derrotado e mais contrariado do que nunca, ele voltou-se a ela com uma tez indecifrável.
-O que está acontecendo... Tsc! Até onde você quer levar essa merda, Mitsue? —ele indagou pesadamente pressionando os pulsos dela na mesma intensidade que a yokai fazia com as suas vestimentas. —Qual é o propósito? Não está cansada disso?
Aquelas palavras finais a atingiram com a máxima força. Foi impossível conter o esmorecimento repentino do seu ser, tendo em vista que os vocábulos a derrubaram como um oponente exemplar.
Apesar disso, dos seus ombros terem declinado drasticamente, contraditoriamente os seus dedos continuaram firmes na roupa do Comandante, negando-se a soltá-lo.
-Então... Então é isso mesmo... —ela falou quase num murmúrio. E seu coração despedaçado estava preste a afundar para o estômago e ser engolido de uma só vez.
-Olha... —ele suspirou balançando a cabeça em negativa. —No começo era divertido, mas agora... Agora não tem mais graça. —Kenji disse enquanto conseguia retirar os dedos firmes de Mitsue das suas roupas. Mas, manteve os próprios dedos envoltos aos pulsos finos, sem afrouxar o toque. —Já não consigo mais...
Mitsue ficou catatônica, posando completamente sem fala e sem reação. Afinal de contas uma coisa era imaginar sobre um fato, outra coisa era ter a confirmação do que ponderava! Tornando-se real o pensamento, ela sentiu como se um buraco tivesse sido cavado bem abaixo dos seus pés e uma onda terrível a embarcou como nunca antes. Um sentimento tão atroz e perturbador que a tirou um tanto de ar dos pulmões.
Tal qual a noite que caiu abruptamente em meio ao diálogo, a escuridão ao redor pareceu a dominar por completo e sem conseguir controlar a si mesma e aqueles sentimentos tão novos que abotoavam dentro de si, seus olhos se inundaram.
Mais uma vez, Kenji levou um susto com a sua reação inusitada e se postou confuso diante dos olhos marejados.
-Entendi... —Mitsue disse com a voz embargando. —Eu... Eu devia saber... Devia saber que se cansaria de mim.
Kenji espantou-se ao ouvi-la dizer tal coisa e foi a vez de Mitsue surpreender-se.
Tentando puxar seus pulsos novamente para si, o Comandante a impediu veemente e inverteu suas posições num movimento brusco. Em questão de segundos, lá estava Mitsue com as costas totalmente recostadas na parede com aquele yokai a sua frente pressionando seus pulsos igualmente contra a superfície plana.
-Não é nada disso! —Kenji falou com a face torcida. —Não tem nada a ver com estar cansado de você. Quem dera que eu estivesse! É justamente o contrário! Você não sai da minha cabeça, está em todo maldito lugar!
-Então...
-Será que não entende!? Não consigo mais viver com você pela metade. Esperando por uma viagem sua ao Sul para podermos ficar juntos. Isso está me matando! Essa expectativa, essa situação... —Kenji sorriu sem vontade e respirou pesadamente com uma face miserável. —Sinto que morro todos os dias. Ter que dividi-la... Ter que dividi-la com ele... Justamente com ele a quem devo a minha vida...
Ao ponto que Mitsue se derretia pela declaração de afeto explícito, ela também não compreendia o cerne principal da coisa a qual Kenji elucidava. As primeiras frases faziam mais do que sentido. Ela também estava extremamente cansada daquela vida oculta que levava com Kenji. De ter que aguardar os períodos que podia sair do castelo para poder aninhar-se brevemente aos braços masculinos que tanto ansiava. Mas, a parte de ser dividida, de ser dividida com ele, justamente com ele a quem devia a vida... Essa parte ela não conseguiu captar.
-Aquela mulher deve ter sangue de barata. —Kenji prosseguiu num semblante bagunçado. —Não entendo como ela ainda consegue falar com você naturalmente... Mal consigo olhar para Sesshoumaru ultimamente... Pois, cada vez que o vejo, meu sangue sobe imaginando vocês dois juntos!
E de repente tudo fez o absoluto sentido.
Mitsue pegou-se um bocado surpresa por aquele yokai nunca ter a questionado ou confrontado a respeito da sua situação com Sesshoumaru. Ele sempre pareceu tão indiferente com o fato dela ser casada. Mas, pensando bem, obviamente Kenji faria daquela forma. Vaidoso do jeito que era, demoraria mesmo um tanto para ele assumir algo que o deixava por baixo.
Na verdade, no início, ele costumava a escarnecer e ironizar a situação. Analisando cuidadosamente, mediante a confissão, provavelmente aquilo nunca ressonou genuinamente engraçado para ele... Talvez, fosse só uma forma de defesa para Kenji não se sentir tão patético.
-Então é por isso... —Mitsue falou enquanto absorvia o enredo dramático da coisa.
-Sei que vocês dois não queriam isso. Mas, isso não altera em nada o que eu sinto. Principalmente quando sei que estão juntos naquela... naquela porra daquele quarto!
Mitsue não sabia se caía na gargalhada ou se continuava a deixá-lo expor todo aquele sentimentalismo nada inerente a ele. Preferiu optar ficar em silêncio por um breve momento enquanto guardava, da forma mais falha possível, o sorriso entre os dentes.
Fracassando miseravelmente, Kenji mostrou-se confuso pela gozação e logo montou-se num semblante irritado.
-Acha isso engraçado!?
-Definitivamente! —ela assentiu não mais conseguindo conter a risada entredentes.
Kenji a soltou no mesmo instante e já pensando em sumir da frente daquela yokai que caía na gargalhada, ela o impediu mais uma vez de prosseguir, o segurando pelo rosto.
-OUÇA! —Mitsue falou entre um largo sorriso. —NÃO É NADA DISSO!
Outra vez Kenji teve que franzir a testa pela falta de sentido nas palavras da outra.
-Do que você está falando?
-Eu e Sesshoumaru, nós nunca... Nunca... —ela falou numa voz quase inaudível, olhando de um lado para o outro na espreita. —... Entendeu?
Kenji franziu a testa com força e pegou Mitsue pelos braços com urgência.
-O que está dizendo!? Como não!? E o cheiro!?
-Ele passa pelas correntes. —ela falou na mesma entonação de antes, próxima a orelha do yokai.
-Passa... —Kenji tentou repetir e a coerência da coisa o abarcou num estalo. —Pelas correntes...
-Kenji, Sesshoumaru nunca me tocou de verdade.
Foi como se o mundo inteiro tivesse voltado a ter cor.
Kenji sentiu como se pudesse respirar novamente, pois o ar aliviado que perpassou pelos seus pulmões nem mesmo conseguia descrever. A sensação de saber que Mitsue, aquele tempo todo, só tinha estado com ele intimamente fez seu corpo inteiro relaxar por completo.
-Olha, isso é segredo! Segredo, segredo, segredo! —Mitsue voltou a dizer com a maior seriedade possível ao ver o outro inerte. —Promete pelos deuses que nunca...
Mas, ela não conseguiu terminar a frase, porque num rompante Kenji já havia a beijado na boca com toda a intensidade intrínseca ao seu ser. Sem qualquer hesitação e aval, estava ele com a língua enfiada dentro da boca dela explorando sem trégua todos os cantos possíveis. E quanto mais ele a beijava, mais se espremia contra o corpo feminino que ficou posicionado no melhor arranjo possível, sendo entre ele e a parede rústica.
Não que Mitsue quisesse resistir. Muito pelo contrário, ela já estava esperando há um bom tempo por aquele contato novamente. Na obviedade da coisa, ela se rendeu. E o correspondeu com a mesma vontade. Permitindo que ele passeasse maliciosamente pelos seus contornos da maneira que ele costumava a fazer, em suma, com mãos pesadas que a apertavam tão forte que a faziam gemer.
E claro, não só isso a fazia vibrar.
Como um yokai capaz de controlar ondas elétricas, ele provocava nas suas terminações nervosas consideráveis estímulos que a fazia se retesar por completo. Se Kenji quisesse, só com as carícias lascivas e com as correntes de energia que perpassavam a sua pele e ouriçavam o escalpo, ele prontamente a faria gozar mais do que alto sem qualquer dificuldade.
Mas, ele não se debruçava só naquilo. Preferia alinhar tudo num único conjunto e vê-la tão excitada a ponto de concordar em fazer o que quer que fosse.
As mãos pesadas do Comandante resvalavam pelo seu contorno. Dedos largos e firmes que escorriam na silhueta fina a procura incansável de uma brecha a fim de perpassar pelo tecido e tocar diretamente no corpo macio. Conseguindo alcançar uma fresta entre os joelhos de Mitsue, ele se prendeu a oportunidade e deslizou sobre a pele ávida que queimava com o seu toque incisivo.
Enquanto subia com as mãos pelas coxas convidativas, Kenji continuava preso a boca de Mitsue, acariciando sua língua com a máxima urgência. Ela, em igualdade, explorava o tórax definido pela parte de cima entreaberta do kimono masculino que anteriormente estava ancorada numa perspectiva um tanto quanto diferente daquela. Suas mãos, apesar de pequenas e delgadas, também eram firmes e decididas e o puxavam cada vez mais forte, arranhando com as unhas as costas largas.
Sem prévio aviso, Kenji a levantou. Puxou suas coxas e as colocou em volta dos seus quadris. Mitsue arfou com o movimento, principalmente por sentir o que crescia entre ambos. Mais ainda quando ele pressionou o sexo rijo no meio das suas pernas e dedicava-se a lamber e beliscar os lábios antes de entrar na sua boca. Suas línguas penetravam e recuavam numa nuance lasciva enquanto seus corpos se alinhavam em perfeita sintonia.
Mitsue jogou os braços por trás da nuca e Kenji a subiu mais um tanto, a escorregando pela parede a fim de deixá-la um pouco mais acima. Feito isso, ele escorregou a boca para o pescoço desnudo, onde a beijou incansavelmente e intercalou com lambidas lânguidas, bem quentes, a chupando vez ou outra com mais força, preenchendo o pescoço liso de marcas arroxeadas pelas mordidas demoradas e repletas de excitação.
Depois, desceu pela clavícula, roçando a ponta do nariz e os lábios pelo caminho até alcançar os seios enrijecidos que apontavam pelo tecido de seda. Mordendo a pala do kimono, ele afastou com os dentes alguns bons centímetros da roupa alheia e vislumbrou o discreto mamilo rosado que desabrochava pouco a pouco pela sua visão.
Não contendo a vontade de tê-lo dentro da sua boca, Kenji percorreu com a língua do centro do peito até o bico duro, onde o sugou com a máxima devoção enquanto a apertava de maneira intensa com as mãos na parte traseira do corpo daquela yokai.
Mitsue arquejou entrecortado ao senti-lo brincar com a língua ao redor da sua carne ardente e notou que ele a alinhava um tanto ansioso entre as suas pernas.
Não podia culpá-lo, ela também estava explodindo de desejo. E precisava tê-lo o quanto antes dentro do seu corpo antes que sua carne pegasse fogo em definitivo.
-Você é tão gostosa que nem parece de verdade. —Kenji falou tentando buscar o ar. Seus olhos faiscaram dentro dos dela. —Preciso entrar em você. Agora.
-Então vem logo... —ela falou com uma voz ébria, se retesando com os toques enérgicos dos quais ela sabia que ficaria completamente marcada. E que, na contramão da coisa, desejava que assim ele a deixasse. Ansiou que as marcas feitas por ele no seu corpo permanecessem em si.
Engolindo-a de novo com a boca, Kenji deslizou de uma só vez para dentro dela. Um golpe único. E seus beijos ficaram tão intensos e profundos como os movimentos que aconteciam na parte de baixo. Onde o Comandante empurrava e se retirava insistentemente, mais e mais, produzindo um som aquoso que disputava com a respiração pesada e com os gemidos abafados pelo beijo teimoso.
Aquela sonoridade excitante o tirou do eixo e seu aperto na lateral do corpo de Mitsue se intensificou, a fazendo gemer pela força que ele exercia e pelo orgasmo que se aproximava num rompante. Por isso, ela agarrou-se mais a ele, seus dedos por dentro do kimono alheio afundavam com devoção nas costas másculas e o estimulavam a ir cada vez mais fundo e beirar longe da delicadeza.
Não que ele fosse verdadeiramente mudar o ímpeto da coisa. Até porque, enlouquecido do jeito que estava, dificilmente aquele ato tomaria um tom mais ameno. Kenji estava dedicado a penetrá-la cada vez mais profundo e com isso, a parede atrás da yokai, acabava estalando notadamente alto!
-Vai acabar quebrando a parede... —Mitsue falou submersa ao torpor, e em contradição as suas palavras, lá estava ela afundando na boca alheia e enfiando os dedos pesadamente pelos cabelos negros de Kenji que pendiam na altura dos ombros.
-Como se não gostasse disso. —ele falou provocativamente, empurrando com mais força enquanto mordia a boca da yokai. —Quer que eu pare?
-Não... —Mitsue respondeu dando um longo gemido.
-Se ficar gemendo assim, eles vão nos ouvir. —Kenji falou baixinho próximo a ponta da orelha de Mitsue que se retesou. —É isso que você quer? Que eles ouçam o que estamos fazendo?
-Não me importo que escutem. —Mitsue falou entrelaçando de novo os dedos nos cabelos de Kenji rigidamente, o puxando para ela. —Só que você me coma assim. Com muita força.
Não que ele precisasse de incentivo para ir mais rápido e deslizar por cantos das quais fazia Mitsue duvidar da sua sanidade mental. O atrito da união dos seus corpos, a cavidade quente e tão úmida quanto o verão ensolarado, já o faziam agir daquela forma por si mesmo. O interior apertado parecia feito para ele. Aquelas paredes o abraçavam com tanta afabilidade que era impossível querer sair de dentro. E mais ainda, em não querer o atingir várias e várias vezes com estocadas maciças.
Ambos ignoraram o ambiente, a parede frágil que trincava, o breu profundo que os engolia e os yokais que estavam nas proximidades. O foco era a sensação que os dois sentiam acender nos seus peitos e progrediam numa crescente difícil de conter.
Antes que Mitsue pudesse avisar a si mesma que estava chegando ao ápice, seu corpo partiu em disparada e ela chegou ao êxtase da coisa apertando com força os ombros de Kenji enquanto jogava a cabeça para trás, recostando outra vez na parede danificada, irrompendo em gemidos altos. O Comandante continuou no ritmo dele, e a penetrou vezes mais, até finalmente chegar à sua vez.
Alcançando em igualdade o ápice da coisa, ele só parou em definitivo quando despejou até a última gota, arquejando entrecortado.
...
-Ficou maluco? —Mitsue falou puxando Kenji pela manga do Kimono, o impedindo de prosseguir. —Eu sou desavergonhada, mas nem tanto! Vamos esperar ao menos um pouco para voltar para frente.
-Que diferença faz? —Kenji indagou dando de ombros enquanto amarrava o nó da parte de baixo do seu Kimono. —Só se eles fossem surdos para não ter nos escutado! Eles já sabem de todo modo.
-...Eu faço cada coisa quando estou com você... —Mitsue suspirou levando a mão a testa. —Tem mesmo certeza que eles nunca irão contar para os outros?
-Claro que tenho. —Kenji assentiu seriamente. —Já disse, eles estão comigo desde antes do Oeste. São leais a mim.
-Hm... —Mitsue estreitou os olhos dando um passo a direção de Kenji. —... Quando diz que deve muito a Sesshoumaru é pelo que me contou no passado. Por ser aceito ao Oeste?
-Sim. —Kenji falou seriamente. —Quando Sesshoumaru me permitiu fazer parte do Oeste com os outros, ele nos deu um propósito, uma nova vida, algo da qual podíamos acreditar. Diante de tantos clãs dizimados, inclusive o nosso, o Oeste saltou como uma esperança de construirmos uma coisa nova.
-Que sentimental... —Mitsue piscou rapidamente e o cutucou incrédula. —É mesmo o Kenji ou um yokai raposa querendo me enganar?
Kenji riu e a empurrou levemente.
-Nah! Não é como se só mostrasse o pior de mim.
-É que... Você nunca falou dessa forma. Com tanto sentimento!
-Hm... —Kenji colocou os braços para trás da cabeça e sorriu de forma presunçosa. —Como se eu fosse dizer que justamente o yokai que você é casada me salvou de uma vida entrevada! Até parece...
Mitsue ficou surpresa com a resposta dele. Em seguida, surpreendeu-se com o fato de ter se surpreendido.
-Ah! Mudando de assunto... —Kenji retomou a palavra estacionando a mão nos quadris e ponderando como se fosse para si mesmo. —Só penso também depois que faço. Você é completamente terrível com o meu raciocínio. Enfim... Tenho que parar de levar o sexo até o fim. Depois fico tendo arrepios terríveis ao pensar que posso tê-la engravidado.
-Já disse como funciona e que não tem com o que se preocupar. Sabe que eu e meu irmão somos yokais advindos do desejo. O início do ciclo da lua cheia aflora isso, a troca de energia é ideal e só ocorre nessa circunstância. —Mitsue apontou para o céu, onde uma lua crescente preenchia a imensidão negra. —Como pode ver, nem mesmo se quisesse teria êxito.
-Ainda assim, é um tanto perigoso. Hm! Já basta um bastardo no Oeste! —ele falou dando uma risadinha. Depois, piscou a ela numa pose cínica. —Se bem que devo admitir que seria interessante...
-Hm! Você diz cada coisa... E por acaso você quer ter um filho comigo? —Mitsue falou colocando as mãos nos quadris numa postura escarnecida.
-Cinco! —Kenji sorriu mostrando a palma estendida no ar.
-Cinco... —Mitsue balançou a cabeça em negativa.
-Então três. Três é um bom número! Não acha?
Mitsue deu uma risadinha e assentiu em positiva.
Contudo, não tardou para que Kenji sorrisse de forma deprimida e fitasse o céu estrelado acima da sua cabeça.
-Três... —ele repetiu quase em um murmúrio. —Como se fosse possível...
Mitsue sentiu-se abater em igualdade.
Como Kenji, a yokai bem sabia que aquilo jamais poderia acontecer dada as circunstâncias que eles se encontravam. No entanto, ela tentou não se agarrar a impossibilidade da coisa, invés disso, entrelaçou seus dedos com os do Comandante e se postou ao seu lado, fitando em igualdade o céu.
-Quem sabe um dia...
-Da outra vida? —ele riu balançando a cabeça em negativa.
Kenji voltou os olhos para Mitsue.
Apesar de estar escuro e a única luminosidade advir do céu, ele conseguiu identificar com precisão os seus contornos e legitimar a beleza tão avassaladora daquela yokai.
Kenji sentiu o coração retumbar veemente dentro do peito. E achou que talvez ele fosse capaz de saltar.
Aquela sensação nova o havia embarcado nos últimos tempos. E era tão enigmaticamente grande que ele sabia bem que não poderia conter. Somente aceitar.
-Mitsue... —ele a chamou.
-Hm? —a yokai voltou seus olhos para ele, num semblante curioso.
-Eu te amo.
Aquela tinha sido a primeira vez que Kenji abrira seu coração. Foi daquele jeito mesmo, num supetão, ancorado em um lugar pouco convencional e no início de uma noite que não deveria dizer nada, mas que acabou exprimindo tudo.
Mitsue piscou lentamente ao ouvi-lo anunciar os tais vocábulos e foi difícil controlar a emoção ao apreendê-las. Depois de tantos dias de silêncio e indiferença, da qual ela acreditava fielmente que seria devidamente rejeitada para sempre, ter de volta o seu coração pulsante dentro do peito repercutiu como um presente.
Em razão disso, ela sorriu largamente e colou seus lábios com os dele de forma afável.
Desgarrando dos lábios do yokai pretensioso, ela passou a mão pelos cabelos negros e estacionou sua mão no contorno bonito do rosto daquele Comandante nada airoso.
-Eu também te amo. De verdade.
Kenji sorriu e encaminhou-se novamente para os lábios de Mitsue.
Só que, de repente, ela interrompeu! Sem mais nem menos! E acabou completamente com o clima amoroso que se instalou entre eles.
Colocando a mão nos lábios do outro, a bela yokai o impediu de prosseguir com a empreitada.
Kenji arqueou uma única sobrancelha sem entender a hesitação. Mas, Mitsue não postergou a sanar a sua dúvida. Montando-se num semblante acusativo, ela pareceu se lembrar de algo verdadeiramente importante.
Algo MUITO importante!
-Himawari!? AHN!? Que porra foi aquela!? Quer morrer!?
Um minuto de estupefação. Depois, de comicidade.
A risada de Kenji foi abafada pela mão feminina que tampava sua boca. Incrédulo por aquela atitude, ele prosseguiu.
-Só estava conversando com ela. —ele falou tirando gentilmente a mão estacionada nos seus lábios.
-Kenji... —Mitsue falou num tom repressor, carregado de dúvidas.
-É verdade. Não fiz nada. —ele assentiu dando de ombros. —Não vou mentir que estava tentando fingir que você não existia e que me agarrei na possibilidade de ter uma vida normal, em tentar viver como antes. Só que... —ele sorriu cruzando os braços na altura do peito. —Não consegui! Principalmente quando a vi no jardim. Se interessa saber, no final, ainda me senti péssimo.
-Ótimo! —Mitsue assentiu sem um centímetro de piedade. —Que bom que se sentiu péssimo e espero que tenha chorado também.
-Por que? Você chorou? —ele a cutucou com o cotovelo numa face irônica. —Chorou por mim?
-Hm! Como você é convencido... —Mitsue girou os olhos numa face divertida.
-Sou!
Kenji falou a puxando pela cintura e tratou de beijá-la rapidamente nos lábios algumas vezes.
-Já que acha possível termos filhos, e ao menos três, o que acha de casar comigo? —ele indagou apoiando a testa na dela.
-Hm... —ela fingiu pensar. —Vai pedir?
-Ah, sim! Tem isso! —ele arranhou a garganta teatralmente e com a tez mais cínica possível ele continuou. —Suprema Princesa do Sul e futura rejeitada senhora feudal do Oeste, quer casar com este Comandante fodido e sem porra nenhuma?
Mitsue riu e assentiu em positiva.
-Quero!
-Então, lamento dizer, mas a partir de hoje estamos casados e terá que me aturar pelo resto dos nossos dias.
-Será que sobreviverei?
-Sobreviveremos!
Emaranharam-se então em mais um beijo. Dessa vez longo e profundo.
Mitsue tentava se desvencilhar, mas Kenji não deixava, a puxando em sucessão para si. Em meio ao beijo persistente, eles começaram a sorrir pelas insistências e resistências.
Dando passos para frente e para trás, numa dança de pernas que iam em direções opostas, Kenji estava preste a conseguir recostar Mitsue novamente na parede, mas ela escorregou pelos seus braços e se afastou a tempo da empreitada. Dando uma breve corrida em meio ao riso, ela parou num súbito, na direção anteriormente percorrida.
-Vem logo, marido! —ela o chamou com a mão livre no ar. —Vamos voltar!
-Se eu te alcançar não vai fugir de mim?
-Só se não fugir primeiro de mim!
-Nunca mais.
-Nunca mais então!
...
CONTINUA...
