Capítulo 2

Adaptação


Ichigo soltou um suspiro, enquanto tentava registrar a pouca informação que eles tinham conseguido reunir, sem chamar atenção demais. Ao que parecia, eles estava em uma cidade chamada Crocus, a capital daquele país, Fiore. Parecia que a magia era algo extremamente comum, ao ponto em que Ichigo tinha escutado mais de uma pessoa, falando sobre precisarem contratar magos para algum trabalho. Isso tinha chamado sua atenção. Se eles estariam presos naquele mundo, Ichigo sabia que precisariam encontrar uma forma de viverem ali, e uma dos quesitos mais básicos, era o trabalho. Seus poderes como shinigamis poderiam facilmente passar por algum tipo de magia, sem mencionar que Ichigo tinha a sensação de que a 'magia' era apenas uma forma de manipulação do reishi, que ele sentia saturado no ar daquele mundo.

O som inconfundível de um estômago roncando, fez com que ele olhasse para o lado. Byakuya estava corada, com as mãos pressionando o estômago, como se assim ela pudesse abafar o ruído. Os olhos violeta se ergueram para Ichigo, suas bochechas se tornando ainda mais escuras.

– Eu… eu estou bem, isso não é nada…

Ichigo revirou os olhos, ao escutar a negativa.

– Sente-se ali e me espere aqui. – Mandou, apontando para um dos bancos vagos do parque, antes de se virar para sair.

– Matte! Onde você…

– Vou conseguir algo para comermos. – Declarou de forma simples.

Não era uma surpresa que Byakuya estivesse com fome, ele também estava começando a sentir um pouco de fome e cansaço. Eles tinham lutado por tanto tempo, com quase nenhum tempo para descansar e se recuperarem, muito menos comer. Ichigo era favorecido por sua genética hibrida, que o tornava perfeito para longos confrontos, em que o cansaço e a fome praticamente se tornavam inexistentes. Infelizmente, Byakuya, apesar de ter vivido muito mais do que ele, não possuía esse tipo de vantagem.

Contudo, agora havia uma complicação: eles não tinham dinheiro. Sem dinheiro, não havia como sobreviverem. Mesmo se Ichigo conseguisse um trabalho naquele momento, ele duvidava que conseguiria dinheiro rápido o suficiente. Ichigo parou na esquina que dava entrada a uma rua movimentada. Havia dezenas de pessoas caminhando pelas ruas, algumas pareciam incrivelmente distraídas.

Ichigo franziu a testa.

Ele não gostava daquele método. Na verdade, era algo que ele realmente repudiava. Ainda assim… não havia como ele deixar Byakuya passar qualquer tipo de dificuldade!

Inspirando devagar, ele se ajeitou, antes de avançar pela rua usando senka em cada pessoa por quem passava. Na velocidade de um piscar de olhos, ou ainda mais rápido, sem ser notado, Ichigo estava duzentos metros a frente do seu ponto de início, um grande maço de dinheiro em suas mãos. Ele tinha usado uma das três grandes técnicas de velocidade, para conseguir se mover sem ser notado e roubar daquelas. Era algo baixo de se fazer, mas ele não estava indo para lamentar, sem mencionar que ele roubou apenas um pouco de cada uma das pessoas que andavam pela rua.

Seus olhos se moveram para as notas em sua mão, observando os valores impresso em cada nota: 100, 200, 500, 1.000, 2.000, 5.000 e 10.000. guardando o dinheiro no interior de seu shihakushō, ele caminhou até a próxima rua comercial, entrando na primeira loja de comida. Parecia ser uma padaria, o cheiro de pão fresco e doces estava impregnado do ar, o que fez com que o estômago de Ichigo o lembrasse de sua própria falta de comida.

– Bom dia, no que posso ajudá-lo? – Perguntou uma senhora, por volta dos cinquenta anos, cabelos grisalhos presos em um coque com uma redinha, e olhos escuros e usando um vestido verde com avental branco por cima.

– Bom dia, vou querer… dez pães de carne, cinco de creme e dez pães de manteiga. Você também vende algo para beber? – Perguntou, enquanto apontava os pães que queria.

– Temos café. – Respondeu a mulher, enquanto era rápida em empacotar os pães que Ichigo tinha pedido.

Ichigo franziu o nariz. Byakuya não gostava de café. Ela sempre reclamava que era muito amargo.

– Pode preparar um com leite e seis colheres de açúcar? – Perguntou, sabendo que aquele seria o único jeito de fazer Byakuya tomar café.

– Certamente.

– Ótimo, então faça um assim e o outro pode ser puro.

A mulher foi rápida em preparar os dois cafés, antes de entregar tudo para Ichigo. Assim que pegou as coisas, ele saiu da padaria e começou a refazer seu caminho para o parque, antes que sua atenção fosse chamada por uma loja de roupas. Seus olhos se moveram em direção ao seu shihakushō. Estava todo sujo e rasgado em vários lugares. E ele lembrava de que o de Byakuya não estava em condições melhores.

Olhando para o maço grande de dinheiro que ainda tinha consigo, ele decidiu comprar alguns conjuntos de roupas para os dois. Apenas o suficiente, até que conseguissem um lugar para ficarem.

Entrando na loja, ele caminhou por entre os mostruários de roupas masculinas, puxando três calças, três camisas e uma jaqueta. Ele pegou três pares de meias, três cuecas e uma bota. Por um segundo, ele hesitou em ir para a sessão feminina da loja, antes de reunir sua coragem e ignorar a vergonha. Ele passou rápido pela parte de roupas íntimas, apenas garrando três conjuntos do tamanho de Byakuya, antes de ir pegas as roupas: um vestido, uma calça, uma bermuda, duas blusas e um casaco; antes de pegar uma sandália de saltos baixo.

Ele foi até o caixa, colocando as roupas sobre o balcão. O caixa piscou quando pegou um dos sutiãs, mas Ichigo se manteve impassível, se recusando até mesmo a corar. O caixa registrou as roupas rápido.

– São 11.100J.

Ichigo não disse nada, entregando o dinheiro, antes de pegar as bolsas e caminhar até o provador. Ele foi rápido em tirar seu shihakushō, e colocar uma roupa nova: uma calça preta, uma camisa branca e a jaqueta verde escura. Ele calçou as meias e as botas novas, prendendo Zangetsu em suas costas, antes de sair da loja, seu velho shihakushō guardado em uma das sacolas da loja.

No caminho para a praça, ele parou em uma banca de jornais, comprando uma revista e um jornal, antes de voltar para a praça. Quando ele voltou para a praça, encontrou Byakuya sentada no banco, as mãos pressionadas contra o estômago, enquanto seu rosto estava contorcido em uma expressão frustrada, que ele não pode deixar de pensar que era fofa.

– Voltei. – Anunciou, entregando a sacola com roupas novas para a morena.

Byakuya olhou para cima, agarrando a sacola de roupas. Ela piscou surpresa, vendo as roupas novas. Ela também podia ver a sacola com comida que o ruivo tinha trazido.

– Como… como você conseguiu comprar tudo isso? – Murmurou, olhando para Ichigo, que se sentou do seu lado no banco.

Sem dizer nada, Ichigo puxou o maço de notas do bolso de sua jaqueta, mostrando para a morena.

– Eu roubei. – Declarou simples e tranquilamente, enquanto pegava alguns pães e o café com leite, entregando-o a Byakuya.

Byakuya piscou, antes de concordar em silêncio.

Murmurando um 'com licença', ela foi para trás de algumas árvores e arbustos, trocando sua roupa o mais rápido que conseguia, antes de voltar a se sentar ao lado de Ichigo, agora usando o vestido lilás simples que Ichigo tinha comprado, assim como as sandálias de salto baixo. Seu rosto estava corado, enquanto ela pegava um dos pães de creme para comer e bebericava o café. Sua vergonha atual se devia a um único detalhe: as roupas íntimas que Ichigo tinha lhe comprado… cabiam perfeitamente. O ajuste perfeito daquela peça de vestuário… isso não deveria ser algo que um homem pudesse fazer. Sim, ela passado muito tempo, os dois até mesmo dividiram a cama inúmeras vezes. Mas… ela nunca pensou que ele poderia saber exatamente qual era o seu número de sutiã.

Eles comeram em silêncio por alguns minutos, antes de terminarem todos os pães. Com a fome aplacada, Ichigo pegou o jornal e começou a ler as últimas notícias.

– Você comprou jornais? – Questionou Byakuya, se inclinando para ler as reportagens junto com o ruivo.

– Ā, precisamos ter uma noção do mundo em que estamos. – Explicou Ichigo, seu nariz tremendo um pouco com o cheiro de cerejeiras desprendendo da shinigami.

Byakuya acenou em entendimento, antes de começar a ler o jornal junto com ele.

Havia muita notícias de ataques de monstros e alguns roubos, alguns relatos de eventos e coisas normais no jornal. Ichigo piscou algumas vezes, ao ler sobre vários relatos de destruição, e todos tinham a causa específica: membros da Fairy Tail. Parecia, que a Fairy Tail era uma guilda de mago, que estava muito acostumada a causar confusão e destruição, ao que as palavras dos jornalistas relatavam. Ainda assim, não havia nenhum tipo de desgosto ou repulsa, era mais algo como… frustração paterna? Algo assim… a guilda parecia ser estimada, apesar de ser claramente destrutiva.

Ichigo guardou aquela informação e, quando terminou de ler o jornal, ele pegou a revista: Sorcerer Magazine. Diferente do jornal, a revista estava voltada ao ponto de vista exclusivo dos magos. Havia fotos de vários magos e magas (alguns em trajes bastante reveladores e posições sensuais). Havia diversas entrevistas com membros de diferentes guildas, fotos e reportagens de eventos de cada guilda. Graças a isso. Ichigo conseguiu fazer uma análise mais fácil das diferentes guildas.

As seis melhores e que, consequentemente, deveria ter o maior fluxo de trabalho, eram: Fairy Tail, Phantom Lord, Blue Pegasus, Lamia Scale, Mermaid Heel e Quatro Cerberus. Ele sabia que precisariam se aliar a uma guilda, então decidiu focar naquelas que poderiam lhe trazer um maior fluxo de trabalhos. Uma renda mais estável seria importante.

Ichigo descartou imediatamente Phantom. Ele não gostou da entrevista que o Mestre da Guilda tinha dado. Suas palavras deixando muito claro, mesmo sem dizer, que sua guilda não hesitava em matar e ferir qualquer um que eles considerasse… obstáculos. Blue Pegasus foi prontamente descartada, assim como Mermaid Heel e Quatro Cerberus. Pegasus parecia se focar quase que exclusivamente em trabalhos de acompanhantes. O sol nasceria no Hueco Mundo, antes que Ichigo permitisse que Byakuya fizesse algum trabalho assim. Em contrapartida, Mermaid parecia aceitar apenas mulheres como integrantes, enquanto Cerberus parecia aceitar apenas homens. Ichigo não aceitaria se separar de Byakuya tão facilmente. Ele tinha destruído metade de Soul Society e pulado de bom grado em uma maldita armadilha de Aizen, apenas para protegê-la!

Por fim, ele olhou para as opções que lhe tinham restado: Fairy Tail e Lamia Scale.

Moralmente, as duas pareciam ser guildas de boa índole. Sim, Fairy Tail parecia ser mais barulhenta, mas parecia ter um bom caráter. A destruição que causavam era, principalmente porque eles estavam enfrentando inimigos forte, e protegendo pessoas inocentes. Eram algo que Ichigo poderia respeitar facilmente. Voltando para a entrevista dos Mestres, ele analisou um pouco mais as respostas dos dois mestres. Ooba, a Mestra da Lamia Scale parecia muito focada em seu poder, gabando-se principalmente de seu mago de classe S, que tinha recebido o título de Mago Santo recentemente. Makarov era diferente, ele reclamava um pouco da destruição que a guilda causava, mas usava um tom gentil e paternal em suas palavras… ele até mesmo chamava os membros da guilda de 'meu pirralhos'.

– Hn... Fairy Tail e Lamia Scale são igualmente boas, mas o mestre da Fairy Tail parece encarar a guilda como uma família, ao invés de um simples negócio. – Comentou Ichigo, olhando com atenção para os artigos sobre os mestres das guildas. – Fairy Tail está nisso há quase 100 anos, enquanto Lamia Scale está há 59 anos. Se levarmos isso em consideração, então a Fairy Tail teria muito mais contatos e uma reputação mais conhecida. Podemos usar isso... Talvez encontrar um meio para voltarmos. Não pudemos usar aquele kidō, mas essa não deve ser a única resposta.

Isso surpreendeu Byakuya.

– Você realmente acredita que pode haver outro modo de voltarmos? – Havia uma pouco de esperanças em sua voz.

– Não tenho certeza, mas nunca se sabe. Eu tenho certeza de que oyaji e Seiji-san estão torturando Urahara e Kurotsuchi, obrigando-os a encontrar uma forma de chegarem até nós. Pode demorar, mas eu conheço aqueles gênios-loucos bem o bastante, para saber que eles vão conseguir uma resposta. Me preocupo um pouco com Karakura, mas tenho certeza de que Ishida, Chad e Inoue podem cuidar de tudo. Então, nós vamos apenas viver normalmente, ou o mais normalmente possível. não seria Bom colocar todo e qualquer esforço em apenas encontrar uma saída, quando nem mesmo temos certeza de podemos encontrar uma resposta desse lado, enquanto apenas esquecemos de viver.

Byakuya concordou com aquilo.

Não era uma boa ideia correr em círculos, e esquecer da própria vida. Eles eram shinigamis. Possuíam uma vida incrivelmente longa. Mesmo que demorasse décadas ou séculos, eles ainda estariam bem e vivos. Para aqueles que tinham tanto tempo, esperar não era um problema real. Contudo…

– Hn…Ichigo… na verdade… acredito que apenas Chad e Ishida poderão cuidar de Karakura. – Falou Byakuya, parecendo um tanto nervosa.

Ichigo olhou para a morena, os olhos castanhos estreitos.

– Como assim?

– Bem… Inoue estava ferida, mas ela estava insistindo em ir até você, para te curar. – Ela franziu a testa ao dizer aquilo. Sim, ela gostava de Inoue, elas eram até mesmo amigas, mas o fato das duas terem sentimentos fortes por Ichigo… bem… apenas tornava as coisas um pouco tensas entre elas. – Não havia como ela ir até você, então… ela transferiu os poderes dela para mim. Eu ia devolvê-los, depois que tudo terminasse.

Ichigo olhou em choque, enquanto Byakuya recuperava o par de presilhas de flores azuis, que eram os condutores do poder de Inoue, de dentro da sacola, em que ela tinha guardado seu shihakushō. Ele fechou os olhos e inspirou devagar. O poder de Inoue era um trunfo inestimável (ao menos, quando Inoue não duvida de si mesmo). A capacidade de rejeitar todos os eventos, ao ponto de regenerar completamente membros inteiros e até mesmo trazer pessoas de volta a vida… era algo realmente incrível. algo incrível, que Ichigo preferia que estivesse ao alcance de suas irmãs.

"Bem… não há muito a se lamentar agora." Pensou Ichigo, estendendo as mãos e pegando as presilhas de Byakuya.

– Eu preferiria que isso estivesse onde poderia ser útil para proteger as minhas irmãs, mas não vou negar que será útil para nós aqui também. Então trate de mantê-las com você a todo o tempo. – Lembrou, ajeitando as presilhas no cabelo escuro. – Lembre-se: o segredo por detrás do poder do Shun Shun Rikka, é a confiança. Não fique insegura ou com medo, quando for usá-lo.

Byakuya corou, mas concordou, tocando as pressinhas com cuidado.

Ela fechou os olhos, concentrando seu reiatsu em direção as presilhas. Um segundo depois, as seis manifestações do Shun Shun Rikka apareceram diante de Byakuya.

Ahn? Onde está aquela idiota? – Questionou Tsubaki, olhando para todos os lados.

Ara… você é a Kuchiki-san. Foi você que nos chamou. Como fez isso? – Indagou Shun'ō, flutuando próximo ao rosto da morena.

– Inoue transferiu os poderes dela para mim, para que eu pudesse ajudar Ichigo, mas antes que eu pudesse devolver os poderes a ela, nós dois fomos vítimas de um dos planos de Aizen. – Explicou Byakuya, apontando para Ichigo e ela. – Aizen usou um kidō proibido, nos enviando para um mundo diferente. Não temos uma forma de voltarmos ainda e nem mesmo sabemos se poderemos voltar.

NANDA TO?! AQUELA DESMIOLADA TRANSFERIU OS PODERES PARA VOCÊ?! QUANDO EU COLOCAR AS MINHAS MÃOS NELA…! – Gritou Tsubaki, fazendo gestos violentos.

Tsubaki, você deve se acalmar. – Aconselhou Ayame, soltou um pequeno suspiro, enquanto escutava a fadinha descrever as diversas formas que usaria para punir a ruiva.

Esse Tsubaki… – Lamentou Lily, com seus braços cruzados.

Ele não é nenhum pouco educado. – Concordou Hinagiku, enquanto Baigon acenou a cabeça.

Shun'ō soltou um suspiro, antes de se virar, ignorando o ataque de irritação de seu companheiro, virando-se para encarar a Princesa Kuchiki.

Está tudo bem, Kuchiki-san. Na verdade, isso é algo que Orihime-chan teria feito.

Byakuya sorriu, agradecida pelas fadinhas terem acreditado em sua palavra, e não a estivessem culpando pela decisão de Orihime.

– Prometo devolver a Inoue seus poderes, assim que possível. – Jurou. Ela não poderia fazer uma promessa sobre o dia, ou por quanto tempo demoraria para isso ser feito, mas ela ainda podia prometer devolver quando possível.

Arigatō, Kuchiki-san. Enquanto isso, você pode usar nossos poderes sempre que precisar. Ficaremos felizes em ajudar! – Afirmou Shun'ō, sorrindo abertamente.

As outras fadinhas atrás dele concordaram e sorriram, mostrando que estavam de acordo com a ideia, o único que estava de braços cruzados e parecendo mal-humorado, era Tsubaki.

Tsk… só não seja uma idiota como aquela tapada! – Declarou Tsubaki, tão mal-humorado quanto possível, mas Byakuya podia ver que ele não era contra.

– Eu agradeço sua confiança, e prometo ser digna dela. – Respondeu Byakuya de forma formal, enquanto se inclinava em direção as fadinhas. – Por favor, me chamem de Byakuya.

As fadinhas sorriram, antes de se transforarem em feixes de luz e retornarem para as presilhas no cabelo da morena.

Ichigo estava sorrindo de forma satisfeita, antes de se levantar e estender a mão em direção a morena.

– Vamos. Temos de descobrir uma forma de chegar até a Fairy Tail.

Byakuya olhou para a mão, antes de aceitá-la sem hesitar.

xXx

Fairy Tail, a guilda que eles tinham decidido se unir, tinha sua sede na Cidade de Magnolia. Infelizmente, não havia um meio de transporte que se poderia usar, para se ir de Crocus a Magnolia. Ao que parecia, as duas cidades eram separadas por uma grande cadeia de montanhas ao leste. As pessoas normais, que desejavam viajar de uma cidade a outra, pegaria uma carruagem para Era, então outra para o vilarejo Peace, seguido de uma jornada de um dia e meio até a cidade de Margaret, então mais uma viagem de carruagem até Hargeon e, de lá, pegaria um trem direto para Magnolia. Em um geral, seguindo essa rota, a viagem duraria cerca de uma semana, e custaria todo o dinheiro que Ichigo tinha conseguido roubar (levando em conta hospedagem e as passagens das carruagens).

Ao invés disso, Ichigo tinha decidido pelo método menos ortodoxo. Depois de comprar uma mochila de viagem, um cobertor, um mapa, bússola e alguns mantimentos básicos, foi decidido em conjunto que eles cruzariam as montanhas. Com suas habilidades, eles poderiam chegar ao seu destino no dia seguinte.

Já estava escuro, quando os dois shinigamis pararam. Eles estavam em algum ponto no meio das montanhas. Já estava frio e escuro demais para continuarem. Não foi difícil encontrar uma fenda nas montanhas, que era grande o suficiente para que os dois pudessem se abrigar. Ichigo reuniu alguns galhos para criar uma pequena fogueira.

Eles estavam abraçados em frente ao fago, envoltos pelo cobertor. Eles tinham comigo um pouco de pão, frutas e uma pequena porção da carne seca. Estava tudo silencioso, mas não era ruim. Ichigo gostava daqueles momentos. Apenas ficar sentado, sentindo o calor da morena em seus braços e o perfume suave de flores.

– Não vai ser fácil… não é, Ichigo? – Murmurou Byakuya, seus olhos fixos no fogo crepitando a sua frente.

Ichigo franziu a testa com a preocupação nítida na voz da morena.

– Ā… não vai, mas estamos juntos. Vamos conseguir. – Prometeu, firmando seu aperto ao redor do corpo menor.

Byakuya sorriu, fechando os olhos e se recostando no corpo quente. Isso fez com que Ichigo sorrisse junto, fechando seus olhos. Eles acordariam sedo na manhã seguinte, para terminar o percurso o mais rápido que podiam. Seria uma boa ideia descansarem.

Porém, antes que os dois pudessem se entregar ao sono completamente, um grito agudo cortou o ar, assustando-o.

– Isso foi… – murmurou Byakuya, se levantando e saindo da caverna.

Ichigo correu para o lado de fora, seus sentidos alertas, antes de ouvir o som mais uma vez.

– É uma criança! Fique aqui! – Mandou, antes de usar shunpo em direção ao som.

Quem traria uma criança para as montanhas a noite?

Ichigo faria questão de ter uma conversa com esse idiota!


Olá, meus queridinhos!

Como vocês estão? Sim, eu sei que demorei muito para atualizar. Eu expliquei os meus motivos na atualização de Butterfly Effect. Para aqueles que não acompanham a minha outra fic, vou resumir: os últimos dois anos tem sido uma merda para mim. Sou técnica de enfermagem, então, durante pouco mais da metade no ano passado trabalhei na linha de frente contra a covid, e por motivos pessoais, decidi deixar o trabalho. Algum tempo depois, consegui um outro emprego, ainda na área da saúde, mas que era mais tranquilo e me permitia tempo para escrever, infelizmente, outros motivos pessoais começaram a surgir. Minha mãe adoeceu, ao ponto de ser internada, ela foi diagnostica com tumores na primeira parte do intestino grosso, uma região extremamente delicada e impossível de se operar. Tenho corrido muito com ela, fazendo tratamento e acompanhando consultas. Quando isso estava começando a normalizar, recebemos mais um golpe terrível: meu irmão contraiu a cepa delta da COVID, e faleceu após apenas dez dias. O golpe foi ruim e a saúde da minha piorou muito. Eu também fui afetada e perdi todo o prazer e vontade que possuía: já não lia fanfics ou mangás, ou mesmo assistia anime. Confesso que pensei que nunca mais chegaria perto de um teclado, mas após o Natal… depois do que deveria ter sido o mês mais difícil de todos (meu irmão e eu fazemos aniversário em dezembro, com poucos dias de diferença, e o aniversário de morte seria no dia 23 de dezembro), minha vontade de escrever ressurgiu. Antes que eu percebesse, os novos capítulos tinham sido escritos e novas ideias tinham surgido em minha cabeça. Se é um 'milagre de Natal', ou outra coisa, eu não faço ideia… mas estou feliz de poder dizer que voltei.

Espero que todos tenham gostado desse capítulo e me desculpem por toda a demora.

Beijinhos e até o próximo capítulo ;D