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O presente de Artêmis

IV

Marin

Estava tão exausta que não tinha forças para questionar como Shaina chegou até ali. Sem forças até para pensar em comida. Havia várias opções de frutas e grãos na mesa, entendia por que Shaina saciava sua fome com tanta voracidade, contudo, Marin não tinha apetite algum. Leto se sentou ao seu lado, a expressão preocupada esboçava que Shaina lhe contou mais detalhes sobre a crise:

- O assassino encontrou um grupo logo que saiu da praça, foram até uma casa enorme ... era de uma família influente, a Família de Lira. – disse a menina e desenhou com o dedo o instrumento musical. - Os homens estavam furiosos porque ele falhou. Vi a adaga que ele pretendia usar. Estava envenenada.

- Eles falaram isso?

- Falaram o suficiente. - Marin não a questionou, Shaina era excelente em estratégias furtivas e não demoraria para que a adolescente se tornasse uma espiã melhor que Marin.– Eu tentei entrar na casa, mas você é melhor nisso do que eu, então preferi esperar. O representante da família saiu de lá acompanhado do grupo e foram até a Ágora.

- Mas qualquer cidadão pode ir até Ágora. Eles falaram abertamente sobre isso lá? – Leto questionou.

- Não. Foi uma intriga, não é? – Marin sugeriu - Falaram alguma calúnia sobre Aiolia?

- O senhorzinho de Lira apontou a urgência de impedir que os templos continuassem a alimentar a população. - Shaina deu mais um gole na água que estava sobre a mesa e continuou. - Parece que Aiolia faz isso diariamente no Templo de Apolo e acham que isso indisciplina os servos. Falou também que a pira de Hestía se apagou no Templo ontem e não voltou a acender...

Shaina crispou os lábios, atenta aos olhares surpresos da dupla. Esperou qualquer comentário sobre o que o fogo significava, contudo, elas nada disseram. Fez uma careta e continuou:

- Bem, falaram que isso é um sinal de rejeição do Olimpo. Alegaram que os deuses também eram contrários aos atos de caridade das antigas famílias. Não sei, sinceramente o sujeito mal começou a falar e todos já manifestaram uma reclamação qualquer: falaram até que a família de Aiolia queria enfraquecer a filosofia de Atenas. Um tal de Lemargos encerrou a reunião, propondo que tudo isso fosse levado para a Casa das Leis. Isso faz sentido para vocês?

Marin olhou para as palmas recém-curadas e respirou fundo. Talvez fosse um erro deixar Aiolia por mais tempo na cidade:

- Eles desistiram de matá-lo. Vão leva-lo para um julgamento. E já sabem que nenhum dos irmãos de Aiolia virá contestar. Sabem o que aconteceu na Ilha de Delos. Talvez até tenham mudado o plano porque confirmaram suas mortes. - Encarou Shaina e deu um sorriso triste. - Isso não tem nada a ver com a fé ameaçando a filosofia grega. É sobre as terras. Os dourados são descendentes de heróis de guerra, eles têm uma riqueza secular, se quiserem, podem alimentar por meses essa cidade inteira sem cobrar nada. Agora, com a paz perseverante, as famílias de alto escalão não estão mais motivados em apoiá-los. É pior do que Dohko pensava.

A amazona se levantou um tanto perdida, não sabia se deveria dormir ou tomar um banho. Ou se deveria buscar Aiolia imediatamente. Ouviu a voz de Shaina:

- Você já contou para ele?

- Aiolia? Não, não tudo. Mas acredito que ele será cauteloso.

Shaina fez uma expressão transtornada, nitidamente queria contestá-la por não resolver tudo de uma vez. Marin lhe deu um olhar frio, desencorajando as falas ferinas e a garota crispou os lábios. Limitou-se a perguntar, curiosa:

- E como ele é?

- Ora, você o viu na praça. – Marin murmurou confusa e sentindo um certo desconforto ao lembrar da aparência exuberante do sucessor de Leão.

- Tsc, vi de longe. Enquanto ouvi toda essa conspiração ridícula na Ágora, você estava com ele. Quero saber como ele ... é. Vale a pena salvá-lo?

Leto recriminou a menina com o olhar e Marin soube que precisava fingir que se importava com aquela rebeldia. Antes uma bronca dela do que de uma anciã completamente fiel aos desejos de Mayura.

Controlou o riso e disse seriamente:

- Está questionando nossas ordens, Shaina? Você já desobedeceu às regras vindo até aqui me encontrar. Agora quer julgar se nosso objetivo é digno ou não de continuar? - Balançou a cabeça em negação e pegou alguns pistaches da mesa. - Precisamos descansar. Acordamos antes do amanhecer e tiramos Aiolia daqui.

Marin foi até o cômodo que Leto reservou para ela e passou a comer os pistaches observando o anoitecer na cidade. A pergunta de Shaina reverberava em seu peito. O breve período que passou com Aiolia foi o suficiente para admirá-lo, com ou sem armadura, ele já era um Cavaleiro Dourado.

Ouviu um ranger na porta e viu Shaina entrando com uma vasilha cheia de outros frutos. Estava séria:

- Sei que não deveria ter vindo até Leto, mas Mayura disse para eu seguir meus instintos e...

- Você foi bem hoje. – Disse e indicou para que se aproximasse – Não precisamos seguir tudo o que nos disseram, Shaina. Estamos em uma situação atípica, não temos tempo para descobrir informações com cautela. Precisamos improvisar. Eu entendo. Leto te falou para dormir aqui?

- Sugeriu que eu dormisse na casa da outra anciã. – Murmurou, irritada.

Marin revirou os olhos e apontou a cama no outro extremo com a cabeça:

- Há duas camas nesse quarto, é melhor não perder tempo de descanso com ir e vir. Pode deixar que vou falar com ela. Você dorme aqui.

A amazona mais experiente se levantou do parapeito da janela, mas antes que pudesse dar um passo, parou ao ver que Shaina a olhava mais sério do que o normal. Aguardou-a se manifestar:

- Que foi, Shaina?

- Sobre a pira de Héstia. O que você acha? Foram os covardes que apagaram no Templo de Apolo?

Dizia-se que a deusa Héstia era o próprio fogo sagrado que ardia em todos os templos sagrados, sua presença garantia a proteção do local. Ela era vigiada e mantida constantemente acesa:

- Não... Há sempre sacerdotisas presentes. - Marin deu um sorriso triste. Sabia a real dúvida de Shaina, a garota queria mesmo era confirmar se aquilo era um mal presságio – Não acho que Aiolia está desprotegido pelos deuses. Talvez Héstia quis avisar Aiolia de alguma forma.

- Espero que consigam acendê-la – a jovem murmurou, Marin cruzou os braços, surpresa com a preocupação de Shaina, ela raramente era supersticiosa, talvez isso tenha mudado após a aparição de Artêmis na floresta. – Eu não vou voltar com você...Mayura ordenou que eu ficasse na cidade.

- Para continuar a obter mais informações... Claro, faz sentido. – Disse, a voz branda e indiferente contrastava muito com o que realmente sentia. Respirou fundo – Cuidado com a sua arrogância. É sua maior fraqueza. Com ou sem proteção dos deuses, você não vai ter espaço para erros aqui, Shaina. Aceite os conselhos das anciãs.

A menina fez uma careta, entretanto murmurou um sim. Marin sorriu e pegou uma fruta que ela trazia. Observou mais uma vez o céu escuro e declarou:

- Sobre sua pergunta. Aiolia é gentil, justo. E genioso, imprevisível, como um bom guerreiro de Fogo. E seu cosmo é... diferente. – afirmou, sincera, evitando olhar nos olhos da menina rebelde – Ele é um cavaleiro indispensável, Shaina. Então sim, respondendo o que você perguntou antes. Vale a pena salvar Aiolia.

A garota a encarou com um olhar malicioso e riu:

- Você esqueceu de falar que ele é muito, muito, atraente.

Marin riu e não disse nada, satisfeita por aquele breve momento quebrar a angústia do que fariam no dia seguinte.

Após conversar com Leto sobre os planos de Mayura, tomou um banho e conseguiu dormir rapidamente. O sono não a revigorou o suficiente, entretanto acordou antes do amanhecer e percebeu que tinha um plano claro sobre como agir. Talvez o sonho revelou alguma mensagem premonitória, ou a paranoia atingiu seu pico com o cansaço. Tinha certeza de que a prioridade no momento era levar Aiolia para longe dali. Imediatamente. Confiava que Shaina descobriria as entrelinhas políticas que restassem.

Olhou-se no espelho certa que sua aparência não chamaria a atenção e pegou seus pertences. Shaina não acordou com a mesma disposição que ela, mas com poucas palavras as duas se entenderam e o plano ficou claro: se tudo desse errado, a garota seria responsável por criar uma distração, desde que não arruinasse sua permanência cidade.

A amazona responsável por Aiolia foi a primeira a sair e correu em direção ao Templo de Apolo. Segundo Leto, ele ignorava a morada confortável de sua família e dava preferência por residir no local, agindo quase como um protetor mítico da construção grandiosa. Pouco antes de chegar na praça ela já percebeu que havia algo estranho nessa parte da cidade: vozes raivosas ecoavam pelas ruelas e a iluminação ficava cada vez mais forte. Havia tochas acesas próximas ao Templo. Aquilo não era um bom sinal, constatou. Era tarde demais. Seria impossível sair furtivamente da cidade.

Entre sombras, encarou a Lua e pediu sabedoria à Artêmis frente ao confronto iminente. Incomodava-a pensar que enfrentaria guerreiros não familiarizados com o cosmo. Observou a fileira de garotos ocupando a escadaria e viu suas armaduras reluzindo o brilho das tochas. De nada adiantava aquele couro ou metal mundano contra seus Aiolia sendo escoltado para fora do local e achou curioso como suas passadas não demonstravam qualquer tipo de irritação. Apostou que ele não resistiu quando alguém colocou algemas em seus pulsos, provavelmente também queria poupá-los de sua força descomunal.

Os guerreiros enfileirados fizeram um corredor para a escolta descer e foi só então que a amazona conseguiu ver os cidadãos desarmados. Um deles falou:

- Sinto muito pelas algemas, protegido de Apolo, mas não podemos desconsiderar a fama rebelde de sua família.

Marin viu o rapaz algemado sorrir e percebeu que ela própria fazia o mesmo. A sentença "protegido de Apolo" demonstrava o quão ignorantes eles eram sobre suas funções. O Deus Solar o protegia sim, mas tanto quanto o guerreiro protegia Apolo também. E talvez carregasse em suas veias o sangue daquele deus. De nada serviria aquelas amarras contra o poder de sua família.:

- Qual é a acusação, Lemargos? – Aiolia perguntou indiferente.

O sujeito esperou que terminasse de descer as escadas para responder:

- Conspiração contra a política de Atenas.

- Contra a fome da cidade de Atenas, você quis dizer? – Aiolia falou entre dentes, seu olhar ameaçador demonstrando que sua paciência não duraria por muito tempo.

- Nós te alertamos. E agora será a deusa Atena que te julgará.

Que idiota. Não podia ver as expressões de Aiolia, entretanto imaginou sua expressão debochada. Atena não julgava, e, se fosse para fazer qualquer referência vulgar sobre isso, Astraea seria a deusa referenciada para esse tipo de julgamento. Pôde ouvi-lo responder:

- Não há deus algum para me julgar na Acrópole.

Percebeu a aflição dos guardas ao redor. Eles gostavam dele, talvez até fossem fiéis dos deuses citados e tinham consciência do que estava sendo discutido ali. Julgou que a maioria daqueles homens não criariam grande resistência para a liberação de Aiolia.

Eles caminhavam até o pátio no sentido oposto a Acrópole. Não o levariam ao Templo de Atena, o julgamento será em um prédio civil mesmo:

- Merda. - ouviu Shaina murmurar atrás dela. Sim, o palavrão resumia bem aquela situação.

- Agirei quando eles chegarem na porta da Casa das Leis. Crie a distração. – Marin sussurrou e não aguardou sua resposta antes de começar a caminhar.

Furtiva, averiguou pelo caminho quantos atenienses estavam por perto presenciando a cena. Os poucos servos presentes dos templos ao redor não esboçavam qualquer tipo de reação. Aiolia poderia ser executado antes mesmo da cidade acordar. Apressou os passos e esperou até que metade dos guardas formaram seu famigerado corredor na escadaria. Rápida e assertiva, como uma águia, a amazona pegou duas lanças dos guerreiros e as girou para desequilibrá-los. Antes de entenderem o que estava acontecendo, uma fileira inteira de guardas já havia desabado e Marin se preparou para fazer o mesmo com a outra. Os guerreiros que restaram em pé ao lado de Aiolia foram atingidos com um pouco mais de força, queria garantir que ficassem desacordados com o impacto nos degraus.

Teve certeza de que o único ali que entendia o que estava acontecendo era o guerreiro de fogo, os demais ainda estavam raciocinando o primeiro indício de alteração no corredor humano. Naquela velocidade, era impossível que um mundano a enxergasse e, assim, facilmente, Marin conseguiu usar seu cosmo para derrubar as dezenas de guerreiros que protegiam Lemargos. Os guerreiros que restavam em pé, naquele breve momento de ataque, estavam espalhados pelo pátio e tiveram que lidar com outro tipo de problema. A pira que ardia constantemente na frente do Templo de Zeus começou a queimar fora de controle e chamas tremeluzentes começaram a saltar em alturas desproporcionais para a edificação.

Enquanto todos olhavam para a distração de Shaina, Marin puxou Aiolia. Ele não ofereceu resistência alguma e aceitou correr sem discutir. Manteve facilmente o ritmo que ela estabelecia entre as ruelas, árvores e carroças da cidade adormecida. Percorreram rapidamente uma longa distância e só pararam quando encontraram o rio que demarcava as dimensões da cidade. Supostamente era ali, na outra margem, que parceiros de Dohko os esperariam, mas Marin não se arriscou em ir muito a frente para verificar essa possibilidade. Mantiveram-se juntos, recuperando o fôlego, encostados em pequena edificação. Afrouxou o aperto na mão de Aiolia e percebeu que ele já havia se livrado das algemas:

- É por isso que vocês são tão temidas. – Ele sussurrou recobrando o ar. – Nunca vi alguém agir tão... rápido.

Indiferente ao elogio, Marin continuou observando as margens do rio, calculava se conseguiriam chegar até uma ponte sem ser vistos pelos guardas que circulavam por ali. Muito em breve as nuances do amanhecer seriam o suficiente para revelá-los facilmente naquela clareira:

- Você poderia ter se livrado de todos eles também. Se quisesse.

- Não do jeito como você fez. Não de um jeito tão... preciso.

Virou-se tentando ler suas expressões na penumbra. A fala fez Marin concluir o que imaginou antes, ele também temia o uso de sua força contra aqueles guerreiros débeis. Não queria matá-los:

- Vamos ter que ser mais rápido do que antes se quisermos chegar até ali.

Apontou a ponte distante e a resposta do loiro foi um aperto de dedos, só então percebeu que ainda mantinham as mãos entrelaçadas. O toque a incomodava, mas de nada adiantava largá-lo agora, o elo garantiria que ambos corressem na mesma intensidade e direção. Levantou-se murmurando a iniciativa para correrem e seguirem seu objetivo. Por mais que estivesse habituada a caçar no escuro, suas passadas naquele terreno eram incertas e sua velocidade não foi a mesma de outrora. Havia pedras e cascalhos por toda parte em contraste com a ausência de árvores. Quando correram pelas ruas, pelo menos as edificações serviam de guia para as limitações de seu caminho.

Faltava pouco para chegarem na ponte quando um estranho barulho cortando o ar a alertou que teriam problemas. Eram flechas. Antes que atingissem o chão sentiu o novo aperto de Aiolia atestando que também ouvira a ameaça. Não pôde se virar e distinguir bem o local de origem, as edificações mais próximas poderiam servir de ótima base para esse tipo de ataque.

O som de cavalos e gritos se misturava a nova investida de flechas rasgando o ar. Ouviu que elas atingirem o chão e concluiu que já estavam fora do alcance dos arqueiros, mas não respirou aliviada. Percebeu um desequilíbrio na corrida de Aiolia e reduziu as passadas. Faltava pouco, muito pouco para chegarem na ponte, mas no clarear da manhã já percebia que o cerco de guerreiros se fechava ao se redor. Puxou o herdeiro de Leão com veemência e caíram na correnteza do rio. Abraçou seus ombros, mantendo-se em suas costas e sussurrou em seu ouvido:

- Foi uma flechada? – Questionou com a certeza que sua rapidez decaiu devido a um ferimento.

- Foi no calcanhar, mas consigo nadar. - Aiolia respondeu e a guiou pelo braço para mergulharem a favor do movimento da água.

Ganharam distância do confronto em pouco tempo. A cada mergulho ou braçada, Marin observava a claridade dominando o céu. Como esperado, as bifurcações do rio confundiriam os guerreiros e ela reduziu as nadadas até as colunas de uma grandiosa ponte. As estruturas de sustentação quebravam o ritmo da correnteza e o casal pôde parar sem grandes dificuldades.

Ela observou o rosto de Aiolia, preocupada com o ferimento e perda de sangue, mas a única coisa que via em sua expressão era curiosidade. Recuperando o fôlego, o defensor de Apolo a encarava intensamente e seu olhar parecia queimar seu rosto conforme a analisava. Olhos, nariz, boca... O caminho esmeralda que ele traçou a emudeceu:

- Ruiva? – Perguntou tocando as mechas que cobriam seu rosto. Marin percebeu de relance que o pigmento escuro não resistiu ao excesso de água, perdeu sua intensidade conforme a noite foi dominada pelo Sol. A proximidade de seu hálito, o enlace possessivo em sua mão... O que o herdeiro de Leão pensava por trás daquele olhar febril? Antes que ela pudesse fugir, ouviu-o sussurrar – Você é fascinante, amazona.

Ela não fechou os olhos quando os lábios tocaram sua boca. O encontro suave, tímido, lhe provocou um prazer inesperado e teve que lutar com sua racionalidade para romper aquela conexão. Reagiu somente quando sentiu Aiolia tocando seu rosto para intensificar o beijo. Crispou os lábios:

- Não... – exigiu empurrando-o subitamente contra a correnteza.

Observou-o se distanciar sem abrir os olhos, seguindo a direção da água sem resistência alguma. Foi então que percebeu a anomalia da situação. Quando a tocou anteriormente, os lábios e mãos estavam muito mais quentes do que deveriam após tanto tempo na água fria. Rápida impulsionou o corpo para alcançá-lo antes que seu corpo afundasse no rio. Segurou-o e confirmou seu estado febril, os músculos não reagiram quando o abraçou por trás para mantê-lo sob a água. Marin posicionou-se contra uma nova coluna e apoiou o rosto do loiro em seu ombro. Ouviu-o murmurar:

- A flecha... acho que...

- Sim. – a Amazona completou. - Estava envenenada.