CAPÍTULO 13
Preliminares
Não sabia por que estava tão ansioso.
Ela jamais abriria aquela porta, Anthony tinha absoluta certeza disso. Mas, mesmo assim, algo no seu íntimo ansiava para que estivesse errado.
E ele sabia bem o que era.
Seu desejo sexual havia finalmente retornado após anos de luto, como a atual esposa previra. O que ela não previra e nem ele, é que o desejo seria único e exclusivo por ela.
Sabia bem que havia prometido buscar outras mulheres quando isso acontecesse, mas, a verdade é que não queria outras mulheres.
Ele só queria ela. A única que ele jurara não ter.
Além disso, havia também a repulsa que Ana Louise tinha do ato. E, nas suas fantasias ela nunca estava ali obrigada. Muito pelo contrário, tudo sempre começava porque ela estava feliz. Feliz com a presença dele. Com o toque dele.
Até pouco tempo atrás ela não conseguia ser feliz nem com o próprio toque. Tinha repulsa de si mesma. Vê-la se depreciando tanto era agonizante.
Então, se ele conseguisse ao menos faze-la aceitar a mulher maravilhosa que era. Se ele soubesse que ela ao menos era feliz sozinha, ficaria feliz também.
Tinha certeza disso.
Já era tarde da noite e todos já haviam se recolhido para seus quartos. Ele já havia feito sua higiene e estava pronto para tirar as últimas vestes que ainda usava e deitar-se para dormir.
Ao invés disso, porém, olhava quase que hipnotizado para a maçaneta da porta que separava os dois quartos.
Respirou fundo. E, decidido a acabar com a própria agonia, deu os passos necessários para alcançar a peça com a mão direita.
E a girou.
O clique seco denunciou que estava destrancada.
Engoliu a própria surpresa antes que ela se materializasse em algum som mais acentuado.
Estava aturdido com a percepção de que a esposa aceitara sua oferta. Queria que ele a guiasse.
Confiara nele.
Recompôs a postura e abriu a porta, entrando no quarto de Ana Louise.
E lá estava ela, parada em pé, próxima a cama. Vestia uma camisola recatada que tantas vezes ele a imaginou usar. Os cabelos soltos, mais longos do que ele esperava, davam-lhe um contorno gracioso as formas do rosto e tudo mais.
As mãos segurando uma a outra, numa demonstração típica de espera e nervosismo. Ela o esperava com a mesma ansiedade que ele havia provado a pouco. Isso fora bem nítido de perceber quando Anthony adentrar o recinto.
Na hora que os olhares se encontraram, ele soube. Soube que teria que dissimular seu interesse e focar-se no que prometera fazer. Ou então, ele a assustaria.
Porque, muito embora ela ansiasse por aquilo, muito embora ela tivesse lhe dado um voto de confiança ao deixar a porta aberta, a mulher estava apavorada com o que quer que fosse acontecer.
Com o pensamento rápido o marido se colocou como dono da situação. Era o que Ana Louise esperava que fizesse afinal. Tinha que mostra-lhe calma e auto controle.
Deu-lhe um sorriso tranquilizador e levantou as mãos em sinal de paz para acalma-la. Então numa rápida avaliação ao redor, identificou uma poltrona e um espelho de corpo inteiro que tinham no quarto.
Aquilo iria servir.
Com passos decididos, seguiu até o assento e virou o móvel na direção que lhe convinha. Depois se acomodou.
-Não vou tocar em você. – repetiu, cruzando as pernas e apoiando as mãos nos braços da poltrona, fingindo bem estar totalmente relaxado com a situação – Vou ficar aqui, o tempo todo. Tudo bem?
Ela assentiu em concordância.
Deixou que o silencio pairasse um pouco sob eles, para que ela se acostumasse com a sua presença no ambiente.
Aquela era a alcova dela e, de certa forma, mesmo que a convite, ele estava violando o espaço. Sabia disso.
-Vá até o espelho. – disse em tom firme.
Achou graça quando ela o fez, mas, ao invés de se voltar para a peça, continuou a encara-lo.
-Volte-se para o espelho. – ela obedeceu novamente, após uma ralhar mental consigo mesma por não ter entendido a ordem por primeiro – O que você vê?
-Eu... – que pergunta estranha, o que ela deveria responder? O espelho refletia o que estava em sua frente afinal – Vejo o quarto, você.
-Nada além disso?
Ela se virou para ele.
-Não está se vendo? – perguntou ele, levantando uma das sobrancelhas. As mãos agora se apoiavam uma na outra.
-Ah, sim... – voltou a encarar seu reflexo – Claro.
-Acha que está bonita?
Ana Louise teve uma nova onda de incompreensão. Ela não se achava bonita. Mas certamente, naquela situação, não era isso que ele esperava ouvir.
-Sim. – mentiu, tentando agrada-lo.
-Serio? – ela ficou intrigada com o comentário. Não era isso que ele queria ouvir? – É comum as mulheres não estarem totalmente contentes com sua aparência... Você gosta do seu cabelo solto quando está com essa camisola? Ou prefere ele preso, deixando seu rosto mais a mostra?
-Eu... ah... nunca pensei sobre isso.
-Normalmente você tenta estar o menos atraente possível, não é?
Nova pergunta constrangedora.
Mas, dessa vez, ela preferiu a verdade.
Voltou os olhos para ele novamente e pronunciou um sim quase petulante.
Ele indicou-lhe o espelho e, com um suspiro, ela voltou-se para frente mais uma vez.
-Bom... – ele continuou - Aqui é seu quarto. Só você está se vendo. Aqui você pode ser atraente.
-Você está aqui. – disse em tom baixo.
-Eu sempre te acho atraente, por mais que você tente não ser... – sussurrou – Não precisa se esconder de mim... Entendeu? – ele disse, o tom rouco. E pareceu fazer efeito. Ela endireito a coluna, a atitude que sempre tinha quando um arrepio, que ele já estava acostumado a arrancar-lhe sempre que usava aquele tom de voz, lhe atingia. – Seus seios estão pesados, não estão? – ela fez que sim ainda se encarando o espelho – Eles querem que você os toque... Pode fazer isso?
Novo aceno em positivo.
As mãos subiram tímidas e desajeitadas. Começou a se tocar por sobre o pano. Ele tinha certeza que aquilo não seria o suficiente, mas queria que ela percebesse sozinha.
Viu-a acariciar de leve a região, sabendo bem que isso só a deixaria mais dura e mais dolorida. Quando ela fechou os lábios em uma fina linha de sofreguidão ele resolveu interferir novamente.
-Mais forte. Segure-os com mais força.
Ele a viu olha-lo pelo espelho, aquilo era quase uma suplica.
-O que foi? – ele perguntou.
-Eu não sei como devo... – os olhos se fecharam por um momento.
Se fosse outra mulher talvez ele a deixasse sofrendo mais um pouco, mas simplesmente não conseguia ver aquele rosto queimando de desejo e total incompreensão do que estava acontecendo e de como fazer pra aplacar as reações que estava sentindo já tinha dias.
Ele teria que toca-la.
Ela abriu os olhos assustada quando o sentiu atrás de si, segurando fortemente as mãos que ela ainda tinha nos seios.
-Eu vou ter que guia-la mais de perto. – ele disse próximo ao seu ouvido – Tudo bem?
Novo momento crucial.
E mais uma vez, ela cedeu.
O corpo amoleceu e ela deixou-se encostar os ombros no peito dele.
-Isso, assim... Deixe-me assumir daqui. – fez com que as mãos dela apertassem os volumosos seios com força. Ela mordeu os lábios para não berrar. Então ele a fez massageá-los com mais firmeza – Não vai resolver se não for firme... – ela gemeu.
Ele levou a boca ao lóbulo da orelha dela enquanto mantinha a cadencia da massagem. Arranhou lhe o pescoço com o queixo.
-O... o senhor está me tocando.
-Quer que eu pare? – o som da voz dele em seu ouvido a derreteu instantaneamente.
-Não.
Mas, mesmo ela lhe dando a autorização para continuar, ele afastou a boca do seu pescoço e afrouxou a força com que segurava suas mãos.
-Desamarre. – disse, referindo-se ao laço que prendia a camisola.
Ela o olhou pelo reflexo do espelho, incerta se devia obedecer. Anthony sabia qual era o problema. Ela queria seu toque, mas não sua invasão...
-Só vou satisfaze-la. – disse – Eu posso me controlar.
Houve uma longa espera, onde eles continuaram se encarando através do espelho, enquanto ela decidia se podia confiar nele ou não. Anthony quase soltou um suspiro de alivio quando a esposa finalmente levou a mão a fita do tecido e a desatou.
Ele voltou-se novamente para o seu pescoço, beijando-lhe dessa vez de forma delicada. Ana Louise fechou os olhos e se deixou aproveitar a caricia.
Com as duas mãos ele tirou o tecido dos seus ombros e o fez descer pelo corpo, a deixando nua diante do espelho.
-Abra os olhos. – ele disse, mordendo levemente sua orelha – Se olhe. – ordenou.
Ela não queria obedecer dessa vez.
Sabia o que iria encontrar e não queria ver as marcas que o falecido marido lhe deixara.
As mãos dele desceram docemente até sua cintura, lhe causando arrepios por onde passava. Até que um leve tapa em sua bunda a fez despertar.
-Abra os olhos. – disse novamente.
Agora os dois admiravam o corpo dela refletido.
Como imaginava, havia marcas das agressões que ela sofrera nos seios, nos quadris, na barriga, coxas... Mas, mesmo assim, continuava sexy e desejável como nenhuma outra mulher conseguia ser.
Para um homem com ciúme doentio, isso devia realmente ser enlouquecedor.
Para ele era.
Puxou os quadris dela para junto, encaixando-se nela.
Por reflexo as mãos dela foram para o corpo dele, como se ela fosse conseguir afastá-lo, caso resolve-se fazê-lo.
Aquela proximidade a fazia sentir o que tudo aquilo estava provocando nele e ficou incerta se devia continuar.
-Eu posso me controlar. – ele voltou a dizer, a acalmando – Não vou invadi-la...
As mãos dela se afrouxaram, e o corpo voltou a relaxar encostado ao dele.
-Vamos ver se aprendeu. – disse com a voz rouca – Se acaricie.
As mãos pequenas foram para os seios e, agora ela os apertou com mais firmeza, o imitando.
-Muito bem. – ele disse quando ela arrancou um gemido de si mesma.
E, enquanto ela se perdia nos próprios seios, as mãos dele a tocavam em outras partes do corpo que também precisavam de atenção.
-Você quer isso devagar... ou rápido? – ele perguntou, só para testar-lhe a fala, já tinha decidido como seria.
Como esperava a resposta foi um novo gemido.
-Certo... – ele disse, em tom divertido – Vou lhe ensinar mais uma coisa aqui... – as mãos voltaram a encontrar as dela.
Os dedos apertaram os mamilos, ela guinchou. E então soltou-os e começou a fazer círculos em volta dos mesmo, os deixando mais duros do que já estavam... e quando ela voltou a relaxar, ele voltou a aperta-los.
Ela não conseguiu segurar o berro dessa vez. Já havia desistido de tentar acompanha-lo nas caricias. As mãos se apoiaram nos braços dele e ele soube que estava completamente no comando a partir dali.
