Capítulo XXVI

Na manhã seguinte, quando Pansy despertou, encontrou Daphne sentada junto a janela.

— Blaise está nos esperando para o café. Arrume suas coisas e desça.

A loira ia saindo do quarto quando Pansy a chamou.

— Daph.

— Sim — Ela se virou para Pansy, suspirando.

— Espero que você seja feliz com Blás agora que vou embora.

A loira a encarou por um instante, antes de sorrir e sair pela porta.

Pansy se banhou e se vestiu rapidamente, pegando o primeiro vestido que encontrara. Era um vestido preto, abaixo dos joelhos, de mangas bufantes e gola alta. Pansy não se achou bonita, mas considerou que aquilo não importava agora. Ela se sentia feliz unicamente por saber que logo estaria longe dali segura e livre, com Harry.

Pensar em Harry fazia seu coração palpitar e ela sentia o nervosismo tomar conta, mas suspirava e entregava a Merlin seu destino com o menino de ouro. Ela não queria considerar que ele poderia estar casado e indisponível agora. Não importava. Ela o amava, tinha certeza disso. E se ele não a amasse de volta, ela seguiria com sua vida. Tinha seu filho agora. Não estaria mais só. Teria sempre um pedaço de Harry para si.

Pansy depositou uma mão na barriga proeminente, acariciando com carinho. Agora que estava cada vez mais próxima a data do parto, a data de ter seu filho em seus braços, ela ficava ansiosa e curiosa. Questionava o que seria seu bebê e com quem se pareceria. No fundo desejava que se parecesse com Harry, para que ele tivesse a certeza de que era seu filho.

Suspirando, ela olhou em volta. Seu quarto. Talvez um dia ela voltasse, talvez não. Eram muitas incertezas em sua vida. Mas agora não era hora de pensar sobre isso, ela poderia decidir depois. Ela olhou mais uma vez no espelho e decidiu que estava pronta para ir embora.

Quando chegou à sala de jantar, o café estava posto. Ela sentiu o ar pesado, a tensão era palpável. Daphne adoçava seu café, ou fingia adoçar, enquanto Blaise lia, ou fingia ler, um jornal. Quando ele a viu se aproximar, ele ficou de pé. Daphne permaneceu sentada.

— Pansy, querida. Sente-se! Providenciei tudo o que você gosta. — Blaise puxou uma cadeira para que ela se sentasse em frente a ele. Daphne estava ao lado de Blaise.

— Obrigada, mas não era necessário – Pansy agradeceu sem jeito.

— Queria que tivéssemos um momento agradável antes da despedida. – Blaise declarou e Pansy pôde ver a tristeza nos olhos do moreno.

— Já que é assim, deixe-me ver se tudo está do meu agrado – Pansy brincou.

— Essa é a minha Pansy!

Blaise riu e a tensão se desfez. Daphne olhou para ela e depois para Blaise, e pareceu se alegrar ao perceber que ambos estavam dispostos a terem um bom momento.

Pansy comeu mais do que pensou que comeria. Blaise havia caprichado em tudo. Ela se fartou de pães, bolos e chocolate quente. Há dias não sentia tanta fome ou tinha uma refeição tão agradável. Realmente foi bom se alimentar.

Durante o café eles conversaram sobre as lembranças que tinham da infância, da escola, chegando a falar de Draco e de outros amigos. A princípio Pansy se sentiu incômoda, mas depois relaxou. Foi um curto momento divertido, e por um instante Pansy pensou que estava de volta a dez anos atrás, rindo e se divertindo com seus amigos.

Quando o café-da-manhã terminou, Pansy sentiu que era hora de dizer adeus, e em seu íntimo sentiria saudades dos amigos. ela desejava o melhor para eles, apesar do que aconteceu com ela e do que fora privada.

- Estava tudo perfeito Blás. Obrigada!

- Você merece sempre o melhor!

Pansy não respondeu, notando como Daphne parecia incômoda.

— Há uma chave de portal para o parque, para o exato lugar em que eu a encontrei quando a trouxe para cá. Acredito que de lá você pode seguir para onde quer.

— Sim Blaise, obrigada!

— Vou buscar na biblioteca. Encontro vocês no hall.

Blaise saiu, deixando Pansy e Daphne. Pansy olhou para a amiga, mas ela não parecia querer falar mais nada agora que estavam a sós. Pansy percebeu que ela só conversou durante o café, porque era aquilo que Blaise queria. Daphne amava o moreno, mas era um amor dependente demais, Pansy pensou.

As duas jovens caminharam em silencio até o hall e encontraram Blaise, que lhe entregou um envelope.

— Abra-o e será transportada. Quando você chegar ao destino, ele vai se desfazer.

— Se desfazer? – Pansy questionou confusa.

— Sim. É de uso único. Não pode ser reutilizado, e o principal, rastreado.

— Não precisa temer, eu não falarei nada. Não permitirei que venham atrás de vocês se eu puder evitar.

— Eu sei que não, mas podem obrigá-la. Daphne e eu partiremos imediatamente após você. Temos um novo lugar para ir.

— Vai deixar minha casa.

— Só vim para cá porque sabia que não estava sob vigilância e porque pensei que você se sentiria melhor.

Pansy sorriu sem graça.

— Eu sei que não foi assim, não ajudou em nada.

— Eu estava presa Blás, não me sentiria bem em lugar algum.

— Eu sei, e por isso eu peço que me perdoe.

— Quero que fiquem bem. Que sejam felizes. — Pansy falou com sinceridade.

Blaise a abraçou repentinamente, e ela sentiu o quanto ele sofria por deixá-la ir. Ele a amava de verdade, sempre fora assim, desde a escola. Ela sempre soube disso, mas Draco era o dono de seu coração naquela época, agora era Harry. Ela só pedia a Merlin que ele viesse a sentir esse mesmo amor por Daphne um dia, pois a amiga tinha sentimentos por ele desde a juventude também. Ela queria que eles ficassem juntos e realmente fossem felizes.

—Você sabe que tudo o que eu fiz, embora não tenha sido o melhor, foi por amor, porque a amo e sempre amarei Pans, por toda a minha vida. É difícil para mim ficar longe de você, deixá-la ir, mas eu a amo tanto que me dói vê-la infeliz. Adeus minha querida e compre uma nova varinha para você. Manterei contato. Se um dia você quiser ficar conosco, ou comigo, eu irei buscá-la. — Blaise suspirou em seu pescoço. Depois ele a soltou encarando-a com olhos brilhantes. — Eu a amarei para sempre.

— Adeus Blás e obrigada por tudo! — Pansy tinha lágrimas nos olhos. — Seja feliz.

Ela se soltou de Blaise e se virou para Daphne, que se jogou sobre ela.

— Adeus Pansy, sentirei sua falta. Apenas me perdoe, você sabe o porquê. Seja feliz!

— Adeus Daph, o mesmo para você. Seja feliz!

— Falo com você em breve — Blaise acrescentou.

Pansy deu um passo para trás, olhando os amigos com lágrimas nos olhos e um sorriso triste.

— Adeus — Pansy sussurrou.

Ela abriu o envelope e aparatou diretamente no parque de onde fora levada semanas atrás. A chave de portal virando cinzas em seguida em suas mãos.