Capítulo XXVIII
— Pansy! — Draco gritou emocionado quando a viu, jogando-se imediatamente sobre ela e abraçando-a.
— Estou aqui Draco, estou bem aqui. — Pansy garantiu emocionada.
Draco a encarou, examinando-a, olhando por todo o seu corpo em busca de algum indício de ferimento. Pansy tinha os olhos marejados.
— Está maior — Draco disse pousando a mão sobre a barriga de Pansy com ternura.
— Espero que você não esteja me chamando de gorda, Malfoy — Pansy o encarou com olhos semicerrados.
— Não, claro que não. Você está linda Pans, perfeita. — Draco a admirava.
— Assim é melhor — Ela disse satisfeita.
— Eu só estava preocupado que Blaise...
— Ele me tratou bem, um perfeito cavalheiro devo dizer, como no passado. — Pansy o interrompeu.
Draco ficou estático, ele encarou Pansy com os olhos arregalados.
— Você se lembra? — Ele questionou surpreso.
— Tenho minhas memórias de volta — Pansy sorriu para ele — Foi um pouco difícil, mas convenci Blás a devolvê-las. Você sabe, uma vez Slytherin...
— Sempre Slytherin — Draco completou. — Estou tão feliz por ter você de volta! — Draco segurou o rosto de Pansy, beijando-a com um selinho e voltando-se para encará-la em seguida. — Nunca vou perder você novamente e nunca vou perdoá-lo pelo que ele tirou de nós.
— Ele ainda é nosso amigo Draco, sempre será. — Pansy afirmou com uma certa tristeza, sentando-se no sofá.
— Eu não penso assim... — Draco se sentou ao lado dela, segurando as mãos dela entre as suas.
— Eu entendo o porquê de tudo. Não foram os motivos mais nobres, mas ele salvou minha vida.
— Eu não posso acreditar, nada justifica... — Draco sentia raiva.
— Não foi tão ruim, se pensarmos no todo. Ele salvou minha vida e graças a ele estou aqui agora. Agora que lembro de tudo eu consigo entender o Blás, por isso eu preciso te contar tudo. Acredito que só assim você vai entender os motivos dele e talvez perdoá-lo também.
— Não garanto... E mesmo assim, não consigo ver como você conseguiu tão facilmente.
— Eu sei que não. Garanto a você que é difícil, mas no final tudo deu certo, tudo está bem, é o que importa, não é? É tudo o que aprendemos na nossa casa: Os fins justificam os meios.
— Talvez, mas nesse caso, venha comigo! Quero saber de tudo agora e preciso examinar você. Vou levá-la ao Saint Mungus, quero que um especialista a examine, é um amigo obstetra, ele manterá tudo em sigilo. Depois iremos a um lugar onde possamos conversar. — Draco se ergueu, puxando Pansy com ele, jamais soltando a mão dela.
Harry, Rony e Hermione permaneceram na sala e durante o diálogo entre Draco e Pansy eles se mantiveram calados, observando.
Harry estava visivelmente tenso desde que Draco chegou. O loiro nem sequer cumprimentou ele ou seus amigos, indo direto até Pansy como se apenas ela estivesse na sala. Ele mal podia se controlar olhando para a forma como Draco agia em torno de Pansy. Não fosse pela mão de Hermione no braço dele, ele teria azarado Draco no momento em que ele tocou a barriga de Pansy. E pensou em lançar uma maldição quando Draco a beijou levemente nos lábios.
Fora Hermione quem apertara seu braço, advertindo-o para não o fazer. Harry nunca fora do tipo ciumento, mas estava ficando louco com o fato de Draco estar tão próximo de Pansy e por saber dos sentimentos dele por ela. Além de ver a forma como Pansy tratava Draco, com imenso carinho.
— Harry — Pansy encarou-o — Vou com Draco. Estarei de volta em breve.
— Você pode ficar comigo Pans. — Draco declarou ansiosamente.
— Ela vai e volta Malfoy, vou discutir algumas coisas com meus amigos e depois vou encontrá-los.
— Não precisa Harry. Eu tenho que conversar com Draco, preciso desse momento com ele. Estarei de volta mais tarde. Eu prometo. — Ela o dispensou, contrariando o que ele dissera.
Harry a encarou tentando ler sua expressão, Pansy estava calma e segura do que dizia. Ela não estava pedindo permissão, ela estava dizendo o que iria fazer. Mas seu olhar era doce, cheio de amor para ele. Fora isso o que o fez relaxar.
— Estou preocupado com sua segurança. — Harry argumentou.
— Terei cuidado, além disso estarei com Draco. — Ela tinha uma expressão que dizia a ele para não se preocupar.
— Cuidarei dela muito bem Potter e posso garantir que ela retornará em segurança.
Harry não pôde fazer nada a não ser permitir. Ele acenou com a cabeça e observou enquanto Draco segurou ansiosamente a mão de Pansy e os dirigiu para a lareira, desaparecendo nas chamas verdes.
Quando eles partiram, Harry se encaminhou para a cozinha, pegando uma garrafa de firewhisky e servindo um copo. Rony e Hermione o observavam.
— Você terá que suportar o Malfoy em sua vida, uma vez que você decidiu ficar com a Pansy — Rony disse ao amigo. — Não acho que ela queira se afastar dele e vice-versa.
— Se eu puder opinar, Malfoy vai desaparecer de nossas vidas.
— Você está com ciúmes Harry. — Hermione constatou.
— E é possível não estar? O ex da sua namorada, que ainda a quer de volta, está pairando sobre ela e ficará sempre em sua vida. Não é agradável.
— Eles têm uma história Harry, é natural que Draco esteja confuso sobre eles.
— Confuso sobre eles? Ele não está confuso sobre eles, eu sei o que ele sente e o que ele quer dela. Justamente por isso me sinto assim, pela história que sei que eles compartilham, apesar de ainda não saber dos detalhes.
— Draco sempre fora próximo dela, mais do que Zabini como nós sabemos. Isso tem um peso.
— Eu sei que eles namoraram a vida toda e tinham planos de se casar. Esse é o peso. Eram comprometidos desde que nasceram praticamente, essa coisa de puro sangue. Não fosse por Zabini, eles estariam juntos agora. Você o ouviu dizer isso a pouco.
— Certo, talvez Malfoy ainda tenha sentimentos por ela. — Hermione considerou.
— Não há um talvez. Disso eu tenho certeza. — Disse Harry tomando um gole da sua bebida.
— Mas o que importa é o que Pansy sente e o que ela quer Harry. E eu sei que ela não quer ficar com o Malfoy, embora ela deva ter sentimentos por ele. — Rony afirmou.
— Como você pode ter tanta certeza? Ela amava o Malfoy, tanto que ela ainda sentiu algo por ele, mesmo sem memória. Eles estiveram juntos. Agora que ela lembra de tudo...
— Ela o dispensou Harry, antes mesmo de ficar com você. E ela teve chance de ficar com ele depois disso e não quis. — Rony garantiu. Ele lembrava das conversas com Pansy. — Ela está apaixonada por você amigo.
— Eu concordo com Rony — Hermione contribuiu. — Ela realmente está apaixonada por você Harry. Se ela quisesse ficar com Draco, você não acha que ela teria corrido direto para ele assim que ela lembrou de tudo?
Harry não respondeu, perdido em seus pensamentos.
— Vamos Harry! Pansy suportou você de volta com Ginny, ela podia ter corrido para o Malfoy nesse momento, mesmo assim não o fez. Insistiu em você, mesmo se machucando.
— E eu me envergonho disso, de tê-la feito sofrer. — Harry grunhiu. — Mas ela não tinha lembranças.
— Mas agora tem, e ainda assim veio para você.
— E se ela mudar de opinião no futuro?
— Não fique pensando no que poderá acontecer. Tanto ela, quanto você pode mudar Harry. Se você ficar pensando nisso ou no passado, vai ficar estagnado. Precisa decidir o que quer e seguir seu coração. — Hermione disse ao amigo.
— Eu a quero. Quero uma família com Pansy.
— Então pare com isso. Mostre para ela agora o quanto você a quer, o que você sente e faça ela esquecer o que você fez antes. Malfoy não é uma ameaça a você. — Hermione declarou, deixando Harry um pouco surpreso. Ele não esperava que a amiga defendesse Pansy.
— Não sei se consigo, vocês viram a forma como ele olhava para ela, a forma como ele a tocava? Tenho certeza de que ele vai fazer isso para sempre, esperando uma oportunidade.
— Com o tempo ele vai compreender. Se Pansy realmente ficar com você, ele vai ter que aceitar.
— Não vejo isso funcionando, conhecendo-o como nós fazemos.
— Você precisa confiar em Pansy. – Rony insistiu.
— Vocês têm razão. Eu confio em Pansy, isso tem que ser o suficiente. Eu a amo, e Pansy disse que me ama.
— Então por que você está assim? Não seja inseguro Harry. O passado é o que é, passado. Vocês estão juntos agora. E por falar em confiar, o que vamos fazer a respeito do Zabini? Pansy disse que o perdoou, então suponho que ela não o queira em Askaban. — Rony comentou.
— Ela não quer que ele seja preso. Ele fugiu com Daphne. Pansy quer retirar as acusações.
— Isso não é correto Harry — Hermione expressou indignada.
— Não é a melhor opção, mas eu quero fazer isso por Pansy. Depois de tudo o que ela passou, é o mínimo que eu sinto que posso fazer para compensá-la. E Zabini realmente salvou a vida dela se pensarmos por esse ângulo.
Hermione queria discutir, mas era um argumento valido. Rony parecia concordar com Harry. Ela apenas suspirou aceitando.
— Ela terá que ir ao Ministério prestar depoimento e encerrar o processo o quanto antes.
— Sim, faremos isso. Quero apenas que ela descanse depois de hoje. Tirarei o dia de amanhã de folga para acertar umas coisas e no outro estaremos no Ministério. Eu mesmo a levarei.
— Certo.
— Por falar nisso Rony, irei falar com Ginny amanhã e preciso que você fique com Pansy.
— Vai esclarecer as coisas com ela de uma vez? — Hermione perguntou.
— Vou terminar com ela para sempre. Eu e Ginny não temos mais esperanças.
— Eu sei que você amou minha irmã Harry, mas também sei que sua vida agora é com Pansy e seu filho. Eu virei pela manhã. E boa sorte com Ginny.
Hermione e Rony se despediram e foram embora. Vendo-os desaparecer, Harry suspirou e decidiu tomar um banho. Ele relaxou um pouco e sentiu seu estomago roncar, decidindo preparar algo para comer enquanto esperava Pansy voltar.
