Capítulo XXIX
Longe dali, na Mansão Malfoy, Pansy partia o coração de Draco enquanto contava a ele sobre seus sentimentos por Harry.
— Potter? Você só pode estar brincando! — Draco se dirigia ao bar, servindo-se de uma bebida.
— Eu não escolhi me apaixonar por ele Draco. Você sabe como tudo aconteceu, foi inesperado. Ou você acha que eu o escolheria depois de tudo? Você sabe como éramos na escola e o quão diferente somos!
— Eu sei Pans, e por isso não posso aceitar. Você mesma disse, vocês são diferentes!
— Mesmo assim eu estou apaixonada por ele Draco.
— E ele? Potter está noivo — Draco disse exasperado.
— Bem, ele me disse que me ama, então, vai acertar as coisas com a Weasley.
— E você acredita nele? — Draco a encarava agora.
— Por Merlin Draco, é do Santo Potter que estamos falando.
— Isso é culpa de Blaise, por isso eu jamais poderei perdoá-lo. Ele destruiu nossas vidas. Tudo devia ser diferente. — Draco passou as mãos pelo cabelo.
Pansy o observou. Draco fora o amor de sua vida por longos anos. Ele sempre teria um lugar em seu coração. Não fosse por Harry, eles estariam juntos agora.
— Eu lamento que tenha sido assim, mas precisamos encarar a realidade Draco. Precisamos ser felizes com o que temos. Você tem uma esposa e um filho, sua família, isso é o mais importante.
— Um casamento arranjado Pansy, como nossos pais. Você sabe como é isso, sabe que nunca haverá felicidade real.
— Mas você precisa tentar, precisa se dedicar a isso. — Pansy insistiu.
— Não é porque você vai ser feliz com o Potter, que eu tenho que ser. Principalmente por isso, eu não poderei ser feliz, porque você não estará ao meu lado.
— Lamento Draco, lamento mesmo que seja assim, mas mesmo que você não ame sua esposa, seu filho com certeza te traz alegria.
— Eu amo Scorpius e só por ele eu suporto isso Pans. Mas eu quero você comigo, por você eu renunciaria a ele
— Não Draco, não diga isso. Ele é seu filho, é inocente, merece ter você e seu amor. Eu jamais faria algo que o afastasse dele.
— Eu sei Pans, é só que... — Draco suspirou — Deixe o Potter, podemos recuperar o que temos. Podemos ser uma família, eu você, Scorpius e seu bebê.
— Mesmo que eu e Harry não estivéssemos juntos, eu e você não poderia acontecer Draco. Não há divorcio em nosso meio, somos do sagrado 28, a punição é a morte, você sabe disso.
Draco a encarou derrotado. Ele tinha lágrimas não derramadas, parecia perdido e desolado.
— Você sabe que sente algo por mim Pans.
— Eu sei Draco, eu faço e sempre farei. Eu te amo, eu não nego isso, eu sempre vou te amar. Mas agora eu também amo o Harry, então esse amor que eu sinto por você está diferente. Eu amo você, mas não estou apaixonada. É Harry quem eu vejo como um companheiro, como o homem que quero ao meu lado.
— E eu só vejo você Pansy, eu amo você, estou apaixonado por você, eu sempre vou amar você, sempre e para sempre será você. E eu te amo tanto que dói. — As lágrimas agora escorriam pelo rosto de Draco, ele não sentia vergonha de se mostrar a Pansy, ele sempre seria honesto com ela.
— Não quero que você sofra. — Pansy tocava o rosto de Draco enxugando as lágrimas.
— Eu sei que não. Você sempre esteve aqui para mim e por isso eu a amo tanto. Mas não se preocupe comigo, eu vou ficar bem. — Draco garantiu — Eu só espero que ele a faça feliz Pans.
— Não podemos ter certeza de tudo, mas eu acredito que seremos felizes.
— Eu estou disposto a suportar calado a sua felicidade junto a outro homem, desde que eu faça parte da sua vida. Não me afaste, é tudo o que eu te peço. Eu não suportaria... — Draco implorava encostando sua testa na dela.
— Eu não vou. Você sempre estará na minha vida. — Pansy garantiu.
— E na primeira oportunidade, na primeira falha dele contigo, eu vou fazê-lo pagar. Se ele te fizer sofrer, ele sofrerá mil vezes mais. Eu não hesitarei. E então você virá comigo e não deixarei mais você ficar longe de mim. Não importa as consequências. — Draco deixou mais lágrimas caírem.
As lágrimas também escorriam pelo rosto de Pansy e ela abraçou o loiro a sua frente. Pansy também se sentia triste como a forma que tudo mudou em suas vidas. Ela imaginou tantas vezes estar casada com Draco, ter filhos com ele, uma carreira, sua felicidade comum. Ela o amava e sempre amaria. Só esperava que Draco encontrasse alguma felicidade com seu filho para que sua vida não fosse toda de sofrimento.
Mas agora seu coração estava com Harry e ela sentia que devia arriscar, dar uma chance a ele e tentar ter uma família com ele. Não seria fácil ficar com Harry, ela sabia. Ela não estava segura dos sentimentos dele. Ele já a fizera sofrer por vários meses rejeitando-a, já falhara com ela deixando-a sozinha. Pansy sentia que por seu filho, e por esse sentimento que martelava em seu peito, ela deveria arriscar. Ela daria uma chance a ele, mas se ele falhasse novamente, ela seguiria sua vida com seu filho.
— Eu preciso ir agora. Te vejo em breve!
— Até logo Pans. — Draco deu um selinho nela e a observou caminhar até a lareira.
Já passava da meia-noite quanto Pansy saiu das chamas da lareira na casa de Harry. Ela parecia exausta e claramente havia chorado. Os olhos inchados e as marcas de lágrimas nas bochechas demonstravam isso.
Harry ainda a esperava, sentado no sofá. Ele se ergueu quando ela entrou e ela correu para ele, jogando-se em seus braços. Harry sentiu como se nada mais importasse, apenas estar ali com ela.
— Ei, você está bem? O que aconteceu? — Harry perguntou, preocupado.
— Nada, eu só estou emotiva. É da gravidez...
— Draco, ele...
— Conversamos e foi isso, eu disse a ele que ficaria com você. Que tentaríamos ficar juntos.
Harry a encarou, procurando a verdade dos sentimentos dele. No fundo ele temia que ela escolhesse Draco agora que tinha suas memórias de volta. Ele ainda a abraçava, com alguma dificuldade, porque a barriga atrapalhava um pouco, mas isso o deixava feliz porque ele sabia que seu filho estava crescendo dentro dela.
— Eu te amo Pansy. Te amo de verdade, não quero te perder.
Ela o encarou um pouco surpresa, não esperava que ele dissesse algo assim tão cedo. Mas seu coração aqueceu e ela sentiu a esperança de que tudo ficasse bem.
— Eu também te amo Harry. — Ela declarou emocionada.
E nesse momento o bebê se mexeu no ventre de Pansy. Ambos sentiram e ficaram maravilhados. Harry não pôde deixar de sorrir e tocar a barriga de Pansy, sentindo melhor o bebê. Ao gesto, seu filho reagiu movendo-se ainda mais. Pansy encarava a cena sorridente, o calor que aquecia seu coração aumentando. Ela sentiu que estava fazendo a coisa certa, que ficar com Harry era o que a faria feliz.
— Venha, vamos descansar.
Harry a levou até seu quarto. Eles estavam exaustos, mas isso não os impediu de fazerem amor, demonstrando um ao outro o quanto o amor que sentiam era verdadeiro, o quanto esperavam que tudo desse certo entre eles, o quanto estavam dispostos a isso. Ambos adormeceram felizes e satisfeitos.
A vida podia ser boa, afinal.
