Capítulo XXX

Na manhã seguinte Rony veio cedo para fazer companhia a Pansy, enquanto Harry ia conversar com Ginny. Pansy gostava de Rony, de poder contar com ele. Apesar do passado em Hogwarts, eles conversaram bastante sobre tudo o que tinha acontecido. Ela sabia que fora uma vadia com ele também e sentiu a necessidade de pedir desculpas.

— Você sabe Rony que eu já lembro de toda a minha vida, certo? — Pansy comentou desconfortável.

— Sim, Harry me contou.

— Eu quero realmente pedir desculpas por tudo o que fiz a você na escola. Eu sei que fui uma má pessoa e por isso peço que me perdoe.

— Eu já o fiz Pansy, quando nos tornamos próximos. — Rony sorriu.

— Por próximos eu espero que você queira dizer amigos, porque é assim que eu o vejo Rony, como um bom amigo. — Pansy declarou de maneira firme.

Rony deu um abraço apertado em Pansy naquele momento.

— É claro que sim, somos amigos Pansy, e eu preciso confessar que eu adoro você. — Ele afirmou encarando a morena, seus braços ainda envolvendo Pansy.

— Bem, contra toda a lógica, eu faço o mesmo — Pansy sorriu — E como está Hermione? Eu não falei com ela ontem. Também preciso me desculpar com ela.

— Mione está ótima, um pouco cansada devido a gravidez. Mas não se preocupe, ela sabe de tudo sobre você e está bem com isso.

— Espero mesmo. Não quero causar problemas para você.

Nesse exato momento Harry retornou, e vendo os dois próximos ele sentiu uma pontada de ciúmes. Rony, tomando ciência da presença do amigo, soltou Pansy.

— Então, como foi? — Rony questionou Harry.

— Ginny foi dura e manipulou toda a sua família alegando que eu a traí e que fiz tudo de propósito. Ela me odeia, odeia Pansy. Acredito que toda a sua família faz o mesmo. Eles não me querem mais por perto. — Relatou Harry, visivelmente abatido.

— Eu falarei com minha família Harry, não se preocupe. Eu posso dar testemunho de tudo, não foi como Ginny afirma. Ela está magoada. Mas eles o amam. Eventualmente irão entender e aceitar vocês.

Harry sentiria falta deles, mas ele amava Pansy e havia escolhido ficar com ela. Esperava que um dia a família Weasley entendesse, como Rony fizera, e aceitasse ele de volta em seu seio, fazendo o mesmo com Pansy e seu bebê.

— Eu agraço muito Rony. Escrevi para Molly e Arthur, contando minha versão dos fatos, mas não sei se eles vão ler.

— Eu tentarei convencê-los a isso, e eu contarei o que aconteceu. Tudo foi uma loucura, mas não foi a sua intenção, ou a de Pansy. Acredito que nesse caso, foi tudo obra do destino.

— E você acredita em destino?

— Nunca o fiz, mas com os anos e os acontecimentos, penso que algumas coisas estavam destinadas a acontecer.

— Quem é você e onde está meu amigo? — Harry brincou.

— Continuo o mesmo, apenas um pouco mais experiente. Como você e Pansy. Ou não estariam juntos agora.

— Você tem razão — Harry concordou — Agora é aguardar que sua família compreenda o que aconteceu e me receba novamente. Vocês são minha família.

— Eles vão. Eles amam você. Você sempre fará parte de nossa família. Ginny está exaltada agora, como imagino que meus irmãos também estejam. Você sabe como é o fogo Weasley.

— Sim, e me sinto queimado, posso dizer.

— Não se preocupe com isso. Vou agora mesmo encontrar a Mione e vamos até a toca. Enviarei uma coruja para você mais tarde.

Harry agradeceu e mandou lembranças a Hermione. Ele observou Rony se despedir de Pansy com outro abraço apertado e constatou que havia uma verdadeira amizade entre eles. Isso era bom, porque pelo menos um amigo permaneceria ao seu lado e de Pansy.

Quando o ruivo aparatou, ele virou-se para Pansy.

— Eu sinto muito Harry, sinto muito que você tenha perdido sua família por minha causa. — Pansy tinha os olhos marejados.

— Eu acredito que um dia as coisas vão se ajeitar com eles, como Rony disse. Eu os amo e eles são minha família, mas agora eu terei minha própria família, a nossa verdadeira família e isso é o mais importante.

Pansy sorriu para Harry limpando as lágrimas.

— Farei o meu melhor para que sejamos felizes Harry.

— Eu sei que sim, e eu posso prometer o mesmo a você. Não fui o melhor dos homens com você Pansy e tenho sorte por você ter me aceitado, ter me dado uma chance — Harry beijou-lhe levemente os lábios. — Agora...

Harry se desvencilhou de Pansy e se ajoelhou diante dela. Pansy o encarou surpresa.

— Sei que não é o local ou o momento mais perfeito, mas eu não quero esperar nem um minuto a mais.

Harry puxou uma caixa azul do bolso e abriu, mostrando um belo anel de diamante em gota para Pansy. Ela ofegou, os olhos imediatamente se enchendo de lágrimas novamente.

— Pansy Ann Parkinson, você me daria a honra de ser minha esposa e formar uma família comigo?

— Sim — Pansy respondeu chorando. — Mil vezes sim.

Harry colocou o anel no dedo dela, levantou-se e beijou-a em seguida. Ele se sentia completamente feliz, como nunca sentira antes na vida. E Pansy se sentia da mesma forma, como se ela tivesse o mundo.

Nesse momento uma coruja entrou pela janela, voando sobre eles com uma carta. A coruja os circulou insistentemente e Harry teve de soltar Pansy para pegar a carta do animal. Ele a inspecionou, enquanto Pansy conduzia a coruja para a cozinha, para dar guloseimas e água para o animal. Harry reconheceu o selo do Ministério da Magia, e sabendo ser seguro, ele abriu o envelope, imediatamente verificando que a carta era, na verdade, para Pansy, que voltava da cozinha

— É para você! — Harry disse esticando a mão para ela.

Pansy tomou a carta nas mãos e leu, um sorriso se desenhando em seu rosto conforme seus olhos passavam por cada linha.

— É do Ministério, finalizaram meu processo. Estou definitivamente inocentada de qualquer acusação e tenho o direito aos bens da família Parkinson. Finalmente eu tenho minha vida de volta! — Pansy disse emocionada.

— Isso é uma notícia maravilhosa — Harry declarou genuinamente feliz.

— Tudo está perfeito Harry, tudo está ficando bem e dando certo agora.

— E assim vai ser sempre meu amor.

— Parece que estou sonhando!

— Nos seus sonhos eu faço isso? — Perguntou Harry enquanto dava um suave beijo no pescoço de Pansy.

Pansy estremeceu.

— Na verdade, você fazia bem mais. — Ela respondeu corando.

— Então penso que é melhor tornar esses sonhos realidade...

— Eu adoraria, mas preciso ir ao Gringotes.

— Então teremos que realizar esses sonhos depois. Posso acompanhá-la se você quiser.

— Eu quero, mas é muito público. As pessoas podem nos ver. — Pansy o dispensou.

— Elas vão nos ver Pansy. Vamos nos casar. Não vou esconder o que temos e nem a nossa família.

— Eu sei, mas agora? Você pensa que este é o melhor momento? — Ela questionou surpresa.

— Sim. Agora com a decisão do Ministério as coisas serão diferentes. Logo isso estará nos jornais e todos saberão que você é inocente.

— Mas e se pensarem que eu consegui isso por sua causa?

— Eu não me importo. A verdade é que não tive nada com isso, a decisão e análise do seu caso foi do júri. Além disso, eu quero me casar com você o quanto antes e não me importo com o que vão dizer. Eu só me importo com a nossa felicidade Pansy, passei muitos anos me importando com a felicidade dos outros, do nosso mundo. Eu mereço ser feliz também. — Harry garantiu.

— Você merece sim Harry, você é nosso salvador. Mas eu temo que isso possa prejudicar sua imagem, seu trabalho. Eu jamais faria isso com você.

— Não vai acontecer e se acontecer, enfrentaremos tudo juntos. Você é inocente, nós sabemos disso, o Ministério comprovou, e ninguém pode dizer o contrário.

— Se você tem certeza, eu estou com você.

— Eu tenho. Você é a maior certeza que tenho na vida desde que tinha que eliminar Voldemort.

— Então faremos como quiser.

— Se você se sentir mais segura, vou com um feitiço de transfiguração.

— Talvez seja melhor.

Harry acompanhou a morena até o banco e ela tomou ciência de toda a sua fortuna. Por um momento Harry temeu que ela o deixasse por não precisar mais dele, mas o modo como Pansy o olhava e como o tratava com carinho desvaneceu esses pensamentos.

E como Harry previra, no dia seguinte a manchete de todos os jornais estampava o resultado do julgamento de Pansy, a declaração de sua inocência. Várias corujas chegaram durante o dia com convites para uma entrevista. Eram de jornais e revistas. Todos queriam saber mais sobre a vida de Pansy desde sua saída de Hogwarts e quais os seus planos para o futuro.

Pansy não respondeu e tentou ignorar tudo, mas enquanto jantava com Harry, ele a questionou.

— Você já pensou sobre o assunto? — Harry questionou, referindo-se aos convites para uma entrevista.

— Pensei e não sei o que fazer. Contar tudo pode ser uma boa opção, considerando toda a situação em que nos encontramos, mesmo assim, tenho receio de que isso fique fora de controle e te prejudique de alguma forma.

— Não pense em mim Pansy, eu já fui vítima de manchetes diversas vezes, estou acostumado. Geralmente falam a verdade, mas alguns mentem ou exageram. Se você quer contar tudo, conte. Eu apoio o que você decidir.

— Mesmo sobre nós? — Ela o encarou surpresa.

— Sim.

Ela o encarou em dúvida, mas na manhã seguinte enviou uma coruja aceitando a oferta. Ela deu uma longa entrevista ao jornal The Guardian, relatando resumidamente os últimos meses de sua vida.