Capítulo XXXI
Ao contrário do que Pansy esperava, as pessoas aceitaram a decisão do Ministério de inocentá-la e até simpatizaram com ela. A curiosidade geral era sobre a identidade do homem misterioso por quem ela havia se apaixonado e que era o pai de seu bebê. Pansy havia omitido o nome de Harry, bem como vários detalhes do que aconteceu nos últimos meses. Na hora, ela considerou ser melhor assim, uma vez que ainda não estava pronta para admitir que estava com o Salvador do mundo.
— Estou orgulhoso de você — Harry dissera mais tarde para ela.
— E eu devo isso a você, um corajoso Gryffindor. Sua coragem me inspirou.
— Falando em coragem, estou pensando em fazer o anúncio de nosso noivado.
— Você quer um noivado anunciado? — Pansy o fitou surpresa.
— Sim, é a tradição.
— Dos sagrados 28...
— Sim, e vamos seguir a tradição.
— Mas... Não pensei que você ia querer... Você não...
— Eu quero! Eu amo você e quero passar minha vida com você.
— Não pensa que ainda é cedo?
— Não.
— Mas eu acabei de dar essa entrevista, mantive tudo em segredo, pensei que não fosse a hora.
— E eu entendo você — Harry segurou as mãos de Pansy e a encarou. — Mas não quero perder mais tempo. Estou decidido. Não me importo com o que dirão.
— Certo... Se você está seguro disso, então faremos como você quer. Eu só não quero prejudicá-lo.
— Você jamais me prejudicaria. Você é o maior motivo de minha felicidade, você e nosso filho. Quero me casar com você o quanto antes, por isso quero logo fazer o anúncio e iniciar os trâmites...
— Os trâmites? — Pansy questionou confusa.
— Sim, do nosso casamento.
— Queres um casamento tradicional?
— Sim. — Harry afirmou sem receios.
— Mas você sabe como funciona? É um casamento de sangue...
— Sim eu sei. Hermione me disse tudo sobre isso. Eu quero Pansy, de verdade.
Pansy o encarou em busca de algo que indicasse o contrário do que ele dizia. Ela não vira nada além de sinceridade nos olhos dele.
— Tem certeza?
— Sim. Eu quero passar minha vida com você, com nossa família.
— Eu te amo tanto Harry! — Pansy tinha lágrimas nos olhos.
— E eu também te amo Pansy. Embora tenhamos nos odiado no passado, desde o momento em que pus os olhos em você novamente, a minha vida mudou, e mudou para melhor. Tudo o que eu sempre quis eu tenho agora com você, uma família. Só preciso saber quando vamos nos casar para anunciar ao mundo que você será minha esposa!
— Estou prestes a dar à luz, tenho uns dois meses até o bebê nascer. Você quer esperar o bebê nascer?
— Não se você não quiser. Eu me casaria com você amanhã se você me dissesse que essa é sua vontade.
Pansy considerou por um momento, enquanto Harry a encarava com expectativa.
— Minha vontade é me casar antes de o bebê nascer.
— Então faremos isso. Quanto tempo você precisa?
— Será que consigo organizar tudo em poucas semanas?
— Acredito que sim. Podemos contratar alguém para fazer isso. Hermione pode ajudá-la, tenho certeza.
— Ela está tão grávida quanto eu, e o bebê dela vai nascer logo. Além de ela ser amiga de sua ex-namorada. Você acha mesmo que ela vai me ajudar?
— Sim. Hermione gosta de você. Vou mandar uma coruja para ela agora mesmo.
— Certo.
— Em penso em pedir a licença no Ministério assim que fizermos o anúncio formal.
Harry não perdeu tempo em escrever para a amiga, que prontamente respondeu informando-o que faria tudo para ajudar com o casamento. Rony também se ofereceu. Ambos declararam estarem muito felizes com a notícia. Pansy ficou exultante.
Cinco dias depois o anúncio formal do casamento de Harry e Pansy foi publicado. O mundo bruxo enlouqueceu com a notícia do casamento. Na ocasião, todos os jornais e revistas traziam a publicação como notícia principal, especulando sobre como eles se uniram. A principal teoria era que ocorrera após o julgamento de Pansy.
Pansy foi solicitada a dar nova entrevista, assim como Harry. Ambos optaram por divulgar uma nota no Pasquim relatando que tinham se aproximado quando ela estava sob a custódia dele, o que era verdade, uma vez que eles tiveram apenas uma noite juntos antes.
Contrariando as expectativas, o jovem casal recebeu bastante apoio, fundamentado na decisão favorável que foi resultado do julgamento de Pansy. Poucas críticas foram feitas, os comentários gerais eram de surpresa pelo inusitado casal.
A fama de bom moço de Harry só aumentou. Uma história de amor, de resgate e salvação passou a circular na mídia, de como Pansy, uma Slytherin, teve sua vida destruída para depois ser resgata e viver um amor verdadeiro com o garoto de ouro, um Gryffindor. Harry e Pansy sentiram-se aliviados. Uma etapa havia sido vencida. Eles se tornaram públicos.
Nesse meio tempo, Hermione indicou à Pansy a cerimonialista de seu casamento com Rony. Pansy a conheceu e gostou da mulher, decidindo por uma cerimônia simples de casamento, íntima, para apenas 50 pessoas. Na lista de convidados, a maioria dos bruxos eram conhecidos de Harry. Pansy não tinha muitos amigos a convidar. Apesar de tudo, ela não se importava. Estar na presença dos amigos de Harry, pessoas que apoiaram a relação deles, a deixava feliz.
Pansy só fizera questão da presença de Emília e Draco, amigos que tinham conhecimento do que realmente acontecera com ela e estiveram sempre a seu lado. Apesar de ela não ter se comunicado com Emília até retornar para Harry, a amiga não se importou, ela entendeu toda a situação. Já Draco, apesar de ter questionado Pansy se essa era a mesmo a vontade dela, ofereceu os jardins da Mansão Malfoy para o casamento. Ele não deixou que Pansy recusasse sua oferta, mesmo quando ela citou Astoria. Draco insistiu que era seu presente.
Embora Harry não tenha ficado muito satisfeito com a escolha do local, ele aceitou para agradar Pansy. No fundo, Harry temia que Draco tentasse fazer algo para impedir ou estragar o casamento. O que o confortava era a presença da esposa e do filho do Draco. Harry pensava que isso impediria Malfoy de fazer qualquer coisa constrangedora.
Quando Pansy informou do lugar a Hermione, esta quis logo visitar o local e no final, ela concordou com Draco. Os jardins de sua mansão eram ideais para o casamento.
— Tenho que admitir, este lugar é perfeito para um casamento. — Comentou Hermione.
— Sim, Draco fizera uma ótima compra quando adquiriu a Mansão. Os jardins são fabulosos!
— Sim. Seu casamento na primavera faz todo o sentido nesse local.
— Vou comunicar a Draco sua opinião sobre a residência dele. Tenho certeza de que ele ficará muito satisfeito.
— Não ouse! — Hermione advertiu sorrindo — Ou ele ficará mais esnobe do que já é.
— Isso é verdade! — Pansy concordou.
— Se tivessem me dito que um dia estaríamos aqui, juntas, organizando seu casamento com Harry, eu jamais teria acreditado. — Hermione disse a Pansy enquanto elas caminhavam pelos jardins da Mansão Malfoy.
— Nem eu. É realmente inacreditável. As vezes ainda me belisco para confirmar que não estou sonhando acordada, tendo Harry ao meu lado.
— Garanto que não está sonhando. E eu tenho que te dizer que estou feliz com o rumo que a vida tomou para todos nós. — Hermione declarou com sinceridade. — Eu amo Ginny, mas ela e Harry não estavam funcionando, eles não seguiam mais na mesma direção quando você apareceu.
— Ainda me sinto culpada — Confidenciou Pansy.
— Não tem motivos para isso. O que aconteceu, foi inevitável, e inacreditável também.
— Nosso início não foi a melhor maneira de se começar um relacionamento, mas foi o que aconteceu e nos trouxe até aqui... Se não fosse aquela despedida de solteiro, eu e Harry jamais teríamos nos reencontrado. Era para Daphne estar lá, eu fui uma substituta. Tudo deveria ter sido bem diferente...
— Como diria Trelawnay, foi o destino.
— Deve ser, porque apesar do meu passado com Harry, tudo foi posto de lado. Agora só o que importa é o presente.
— E é assim que deve ser. Harry está feliz como eu nunca vi antes. Isso me deixa muito feliz também. Depois de tudo o que ele passou na vida, ele merece o que há de melhor. E você também, Pansy. Você está feliz, não está?
— Sim. Muito. Como nunca estive antes. Obrigada Hermione, por tudo! Você é uma amiga para mim.
— E você para mim. — Hermione retornou.
As duas mulheres se deram as mãos, uma vez que abraçar era impossível por conta do tamanho das barrigas delas.
Enquanto Hermione e Pansy preparavam o casamento, Harry pediu ajuda a Rony para montar um quarto de bebê.
— Vamos pedir a Luna que nos ajude, ela é mulher, sabe como fazer essas coisas. — Rony sugeriu.
— Você não montou o quarto do seu filho?
— Não — Rony respondeu sem graça. — Hermione fez tudo.
— Bem, eu quero fazer isso. Será uma surpresa para Pansy.
— Então, devemos chamar alguém que entenda do assunto.
— E você realmente que Luna é essa pessoa? Imagina como ela vai montar o quarto do meu filho! Da maneira mais inusitada possível.
— Nem tanto. Eu vi o quarto dos gêmeos dela, ficou até normal para um quarto de bebê.
— Se você diz, então eu vou confiar em você.
E Rony estava certo.
— O que você pretende Harry? — Questionou Luna enquanto eles encaravam um quarto na casa de Harry em Godric Hollow.
— Eu não sei ao certo. Só quero algo que seja confortável para o bebê, mas que tenha algo que seja meu e de Pansy.
Luna andou pelo cômodo em silêncio.
— Em termos de cores, acredito que amarelo e azul são as cores básicas. O amarelo representa Pansy, com sua resiliência, doçura, amizade e afeto. O azul é você, dedicado, organizado, decidido e corajoso.
— A escolha das cores é realmente boa Harry. — Rony apoiou a loira.
— Sim, e servirá para qualquer sexo que o bebê tenha. — Luna garantiu.
— Tem razão, eu gostei das cores. — Harry assentiu.
— Quanto a decoração, acredito que Pansy queira mais coisas tradicionais e delicadas. Então móveis antigos são os mais indicados.
— Eu preferia coisas mais modernas, mas você tem razão. Pansy gosta do estilo vitoriano.
— Então acredito que temos um norte! — Luna declarou sorridente.
A loira ajudou os dois bruxos a montarem um quarto sóbrio e próprio para um bebê, com cores neutras e diversos bichos de pelúcia decorativos. Harry e Rony pintaram o berçário e montaram os móveis vitorianos que Luna conseguira. No final, o berçário ficou parecido com um quarto da realeza em um palácio. Harry tinha certeza que Pansy gostaria.
A loira também ajudou a montar o enxoval, acompanhando os bruxos a lojas de artigos infantis enquanto escolhiam trajes que fossem neutros para ambos os sexos. Tudo ficou lindo e encantador.
— Tenho certeza de que Pansy vai gostar, Harry — Luna garantiu. — Apesar de ter mais coisas das quais ela gosta, ainda tem um pouco de você, especialmente nos detalhes dourados e na decoração.
— Eu conto com isso. — Declarou Rony.
E em uma tarde, a previsão de Luna se concretizou, quando, a poucos dias do casamento, Harry mostrou o berçário para Pansy.
— Que maravilhoso! É tudo tão lindo!
Quando Pansy viu o quarto, seu coração se aqueceu. Ela não conseguiu evitar as lágrimas de emoção.
— Que bom que você gostou amor — Harry a envolveu pela cintura.
— Oh Harry, Rony, Luna, muito obrigada! Não tenho palavras para expressar o que estou sentindo, além de que estou muito grata! É tudo realmente perfeito.
Pansy se sentiu verdadeiramente surpresa. Ali, cercada de pessoas que a ajudavam, aceitavam e tratavam bem, ela sentiu que fazia parte do grupo, que era uma igual, como se fossem amigos desde os tempos de Hogwarts. Observar o que fizeram para seu bebê a deixou muito feliz e emocionada.
Luna se despediu dos amigos, deixando apenas os dois casais no berçário.
— Aproveitando esse momento — Hermione falou — Eu e Rony queremos convidar vocês, Harry e Pansy para serem os padrinhos de nosso filho. Vocês aceitam?
— É claro que sim! — Harry afirmou enquanto pulava sobre o casal de amigos.
Pansy ficou imóvel no meio do quarto.
— E você Pansy? — Hermione perguntou, ao ver a morena parada e encarando-os. — Aceita?
—Eu estou tão... surpresa. Não esperava... Mas definitivamente sim!
— Venha cá me dar um abraço — Rony a chamou.
— Esteja pronta quando o bebê chegar, pois quero os padrinhos lá nesse momento. — Hermione frisou.
Pansy nem conseguia acreditar naquilo. Ela, madrinha do filho de Ron e Hermione. Definitivamente eles a aceitavam com Harry.
— Sua família Rony... — Harry quis saber.
— Já estão todos informados. Eu e Hermione fizemos questão de comunicar nossa escolha no último almoço, na Toca.
— Imagino que não ficaram muito felizes com a escolha — Harry comentou.
— Ficaram surpresos, não por você, mas por Pansy. No final, entenderam e aceitaram. Não poderia ser diferente. Somos como irmãos desde a escola. E Pansy, como sua companheira, faz parte de nossas vidas também, além de ter se tornado nossa amiga.
— Muito obrigada Rony! — Harry abraçou o amigo.
— Nós que agradecemos. — Hermione garantiu. — Significa muito para nós Harry. Temos certeza de que nosso filho terá quatro pais, e não apenas dois.
— Então, creio que é hora de fazermos o mesmo Harry. — Pansy falou.
— Sim. — O moreno concordou cúmplice, e virando-se para os amigos, falou — Rony e Mione, queremos convidá-los a serem os padrinhos de nosso filho.
— Merlin Harry, mil vezes sim! — Exclamou Hermione.
— Se fosse diferente meu amigo, haveria uma guerra — Brincou Rony.
Os dois casais passaram então a conversar alegremente sobre paternidade.
