CAPÍTULO 4. REAL

Draco. Draco. Ela acabou de te chamar de Draco. E você acabou de admitir, em voz alta, sem querer, que não a achava feia.

Ouvir a voz dela te chamar pelo seu primeiro nome era malditamente íntimo e...bom e ainda sim você se sentia o maior idiota do planeta por ser mil vezes burro de deixar escapar que não a achava feia.

E aquela adrenalina do inferno que se instalou só te fazia querer ficar mais tempo ali, ao lado dela. Perto dela.

Perto. Perto. Perto.

Porra, e ainda assim você sentia que não estava perto o suficiente.

X

_ Hermioone? Heeeermione? – Você começou a ouvir de repente. A voz de Ginny entrou no corredor onde vocês estavam e você se levantou depressa, quase em um salto, Hermione.

Notou que ele se levantou também, mas sem perder a compostura.

Vocês dois se olharam buscando palavras e pela voz de Ginny, foi possível perceber que ela tinha te achado com o olhar.

_Her-mione? – A ruiva perguntou enquanto percebia que você estava ali naquele corredor deserto com Draco Malfoy.

Draco Malfoy.

Seus olhos se voltaram para a sua amiga.

_ Oi, Ginny. Aconteceu alguma coisa? - Malfoy colocou as mãos no bolso e se virou para ir embora.

_Até mais, Granger. – Ele disse no mesmo compasso que da última vez quando vocês estavam no restaurante. Você meneou a cabeça em resposta. Ginny estreitou os olhos para vocês dois, sem acreditar ainda.

_Harry pediu pra te achar, a cerimônia vai começar, acho que em minutos começam as homenagens. – O jantar de comemoração da derrota de Voldemort teria uma homenagem para você, Harry e Ron. Vocês receberiam presentes do ministério da magia por terem salvado o mundo bruxo e Harry falaria algumas palavras.

Malfoy já estava quase na metade do corredor quando Ginny terminou de falar e você o ouviu soltar um risinho irônico quando ela disse a palavra homenagem. Ele virou o rosto pra te olhar e você baixou os olhos enquanto se lembrava do que ele tinha falado mais cedo.

"_e eu deveria ter ido embora.- (...)

_E perder todas as palmas durante a homenagem à Vitória? Você não seria capaz."

Seus lábios se repuxaram tentando conter um sorriso. Um sorriso para uma ironia de Draco Malfoy. Que insanidade.

Ginny viu quando seu olhar foi parar nele novamente.

_Certo... podemos ir? - Ela falou te fitando como se estivesse te perguntando "Mas que Diabos?!"

_Claro, vamos. –

X

O momento tão esperado do trio de ouro subir ao palco durante aquela homenagem chegou. Você a viu subir as escadas do palco um pouco corada com um sorriso nervoso e alinhado (e bonito) diante das palmas que encheram o salão de repente.

Aqueles três juntos era uma merda completa, mas você se esqueceu de odiá-los em conjunto porque estava olhando diretamente pra ela.

Hermione Granger e seu sorriso nervoso, Hermione Granger e seu vestido azul marinho de noites claras e maresia, Hermione Granger e seus olhos cheios de vida.

Você, naquele ato falho de merda, admitiu que a achava bonita.

Você se sentiu tão estúpido, Draco, e envergonhado e sem saber o que fazer porque não tinha como voltar atrás.

As palmas ainda continuavam efusivas e enquanto você a fitava, você a viu varrer o salão com o olhar e por um instante que pareceu durar séculos, vidas, e eras ela olhou direto pra você.

E você se pegou sorrindo aquele seu meio sorriso idiota e involuntário. Você levantou uma das sobrancelhas e ergueu as mãos fazendo coro às palmas.

Ela sorriu de uma forma genuinamente feliz.

Feliz. Feliz. Porque você a estava aplaudindo.

Por que você a estava aplaudindo?

X

Vocês não se falaram mais naquela noite. A garota que se sentia invisível foi parada por todos os malditos convidados daquela festa. Quanta ironia. Todo mundo queria falar com ela, e com o Weasley e com o Potter e isso só provava que você estava certo.

Ela jamais seria invisível.

X

Harry te procurou no fim da noite com aqueles olhos preocupados e cheios de seriedade, Hermione.

_ Eu vi que Ron estava com outra pessoa. Você está bem? – Claro que não estava bem.

_ Isso não importa, Harry. Não hoje. – Você disse para animá-lo na tentativa de fazê-lo lembrar sobre o caráter festivo do dia. Ele esteve envolto em todo o romance com Ginny por toda a noite, mas você observou como o sorriso dele ficava mais fraco cada vez que alguém tentava fazer mais perguntas sobre a batalha final. A batalha final era uma lembrança feliz, de vitória, de triunfo sobre as trevas. Mas você sabia que aquela noite marcava também o aniversário de algumas mortes dolorosas demais.

Ele apertou seu braço e te puxou um pouco mais para o canto. Longe das câmeras e um pouco longe daqueles olhares curiosos.

_ Molly não quis vir, disse que queria fazer companhia a George. Ron ficou todo afobado sem saber o que fazer. Ele provavelmente está agindo que nem um idiota por isso. – Depois que terminou de falar Harry lhe lançou um olhar de culpa que fez seu coração arder. De alguma forma insana ele se achava culpado por tudo isso. Por Fred ter morrido, por tanta gente ter morrido, por Ron agir feito um idiota por não conseguir administrar seus sentimentos...

_Está tudo bem, Harry. Sério. – Você disse o olhando nos olhos para que ele realmente acreditasse em você. Ele te abraçou como se quisesse pedir desculpas.

_Harry...você não é responsável por tudo isso. Sabe disso, não é? – Você acrescentou para acordá-lo daquele transe de pesar. - _ Vencemos! Isso é o que importa. – Ele te olhou buscando confiança e sorriu.

_Obrigada, Mione. – Te disse e você percebeu que aquela era a dinâmica de vocês. Você respiraria fundo e esqueceria seus problemas e o mundo para fazê-lo se sentir melhor. Porque seus sentimentos podem esperar. Sempre podiam. Seu caos, sua dor, tudo isso deveria esperar.

Mas a verdade é que você queria ser ouvida, Hermione. Queria ser vista. Não como alguém que sempre teria uma palavra sensata, não como a pessoa que tinha todas as respostas, que sempre saberia o que fazer (o certo a fazer), mas simplesmente como uma pessoa, como um ser humano. Que sente raiva da imaturidade de Ron, que está tendo problemas em ver apenas o lado bom desse dia que marca o aniversário da morte de um monte de gente que você amava. Que está morrendo, morrendo por não ter conseguido ainda reverter o feitiço da memória dos seus pais. Que se sente invisível, que deveria ODIAR Malfoy e tudo que ele é, mas simplesmente não odeia e você nem sabe o porquê.

Harry se afastou e apesar de tudo você se sentiu um pouco mais feliz por saber que ele confiava tanto em você.

Já farta de tudo, girou seus calcanhares e decidiu ir pra casa.

Você deu a volta no salão e tentou ir pela saída menos iluminada para não ser notada (que bobagem, Hermione, ninguém te veria mesmo que você saísse às claras, porque ninguém te via, não de verdade).

Antes de chegar na saída, notou que havia duas pessoas depois do pequeno portão da parte mais escondida do salão. Eles pareciam muito envoltos em uma conversa.

_Draco, seu comportamento foi totalmente inaceitável. – A mulher falou. Ela tinha cabelos loiros cortados perfeitamente nos ombros e usava um vestido que a deixava esguia. A sua postura era perfeita, exatamente como a do bruxo ao seu lado que a sustentava com seu braço.

_Mãe, tenho certeza que Daphnee Greengrass vai sobreviver. – Ele disse tentando conter o desgosto de Narcisa Malfoy. Ele depositou um beijo no topo da cabeça da mãe quando finalmente pararam de andar. Ela ainda estava delicadamente repousando seu braço no braço dele.

_Não entendo, ela claramente queria que você a acompanhasse de volta para casa. – Narcisa Malfoy insistiu. - _ Aconteceu alguma coisa? – Ela perguntou e Draco Malfoy deu de ombros.

_ Vamos para casa, mãe. Estou só cansado. – Ele disse enquanto acariciava o braço dela. Gentilmente. Gentilmente.

Ele sorriu docemente e você quase entregou sua posição tamanho o susto. Porque não conseguia acreditar na cena, Hermione.

Carinho? Respeito? Você reparou que jamais viu Draco sendo tão gentil com alguém, tão bom, tão humano.

Harry te disse que Narcisa Malfoy mentiu para o próprio Voldemort por causa de Draco, que ela fez Severo Snape fazer o voto perpétuo apenas para proteger o filho. Podiam falar o que quisessem, mas eles se amavam e isso deixava tudo mais complicado pra você.

Draco Malfoy era arrogante, orgulhoso e covarde quando não podia e não devia ser, mas vê-lo ali sendo tão gentil e amável com Narcisa era terrível. Atrapalhava todo o conceito sobre ele.

Porque era mais um sinal de humanidade em Draco Malfoy.

Logo depois você ouviu o som característico de aparatação e notou que estava prendendo a respiração diante do que acabou de presenciar.

Você tentou, Hermione, tentou com todas as forças esquecer a forma como Draco Malfoy ergueu as mãos para te aplaudir, como ele conjugou no pretérito aquele verbo e como te fez companhia enquanto suas lágrimas manchavam sua pele pateticamente.

Você não é burra. Aconteceu alguma coisa ali quando ele resolveu sentar do seu lado e te dizer palavras sem jeito para você se sentir bem, para você parar de chorar. Por uma noite insana parecia que ele realmente se importava.

E isso, Hermione, te revirava as entranhas.

X

Tudo o que você queria, Draco, era não sentir.

Queria apenas que o vazio o tomasse, queria expurgar cada gota de sentimento que pulsava em seu corpo enquanto pensava repetidamente naquela noite do baile.

Nela.

A sangue-ruim que tinha te mostrado com aqueles gritos enquanto era torturada por sua tia, o quão idiota você era.

O quão errado você era e você odiava se sentir errado. Mas se sentia assim desde que percebeu que toda a sua fé na sua raça, no seu sangue, não valia de nada.

Porque todos os sangues tem a mesma cor.

Porque ela era mesmo a bruxa mais brilhante da sua idade e era nascida trouxa.

E era linda, e interessante e real.

E tinha tanta vida dentro de si que quando você a olhava você sentia.

E então percebia que estava sentindo e se odiava por isso e começava a desejar não sentir mais nada novamente iniciando mais uma vez aquele ciclo vicioso e maldito.

Você foi ao Ministério da Magia assinar uns papéis que arquivavam de vez seu processo. A sentença tinha sido proferida e a acusação não recorreu. Agora a matéria não poderia ser rediscutida e você se sentia aliviado. Tudo o que precisava fazer era colocar sua assinatura de ciência e assinar um contrato mágico de compromisso à proteção dos nascidos trouxas.

Seus passos ressoavam no piso do ministério enquanto você pensava nela.

Ela tinha voltado para Hogwarts no ano anterior e você ouviu falar que ela começou a estudar na Escola de Direito Bruxo para trabalhar no departamento de Execução e Criação das Leis Mágicas.

Eles a ofereceram o cargo que quisesse, mas ela disse que precisava se dedicar aos estudos e queria começar apenas com um estágio.

Você soube tudo isso pelos artigos sem fim do Profeta Diário que amava falar sobre o Trio de Ouro.

Ela era tão certinha. Teve a chance de começar a carreira onde quisesse, mas preferia trilhar o caminho mais árduo como se ainda precisasse provar alguma coisa pra alguém.

Como se ela não fosse garota mais brilhante que você já tinha conhecido, Draco.

Brilhante. Ela era mesmo brilhante.

Ótimo. Agora você estava simplesmente nomeando as qualidades dela.

A verdade, Draco, é que você estava no Ministério da Magia e queria vê-la, gostaria de correr até a bruxa que prestava informações aos visitantes e perguntar por "Hermione Granger, por favor. Sim, ela mesma, a bruxa mais brilhante da sua idade", mas você não tinha coragem. Nunca teve.

Subiu o elevador em direção ao andar de Execução, Cumprimentos e Extinção de Sentenças Penais. O corredor era extenso e você entrou na porta cuja placa indicava "Extinção Processual".

X

Os meses que você estava ali em seu estágio no Ministério da Magia eram poucos. Cabiam em uma mão.

Kingsley te ofereceu amplo poder de escolha e disse que tinha certeza que Ron e Harry ficariam muito felizes se você se juntasse a eles na Escola para Aurores. Mas você já havia lutado demais e gostaria de mudar o sistema de dentro.

Precisava compreender melhor o processo de criação das Leis Mágicas e a melhor forma de executá-las. É bem verdade que todo o estigma sanguíneo que guiou os ideais de Voldemort estava sendo combatido abertamente pelo Ministério. Mas havia ainda os Elfos domésticos e aquela insanidade escravocrata, os Lobisomens e o ódio profundo que toda a sociedade nutria pela raça e tantos outros problemas que você perdia a conta. Era um sistema terrivelmente falho e desigual que tinha que ser repensado. Por isso você iniciou seus estudos na área.

Assim, gentilmente, você Informou a Kingsley que um estágio já seria o suficiente.

O dia estava quieto e você consultava a lista de sentenças penais já transitadas em julgado. Seu coração deu um salto quando viu o nome de Draco Malfoy.

Ele chegou perto da hora do almoço, mas você não estava pensando nele, estava, Hermione?

Estava sim.

Você ouviu o som da porta se abrindo.

_Granger. – Ele disse simplesmente enquanto você tirava a vista de um pergaminho para olhá-lo nos olhos.

_ Veio assinar a ciência final para o arquivamento do processo? – você perguntou mesmo já sabendo a resposta. Você se levantou cuidadosamente buscando uma estante alta com todos os processos pendentes de assinatura do dia. A sua sala era a primeira de vários cubículos. Você era responsável pela triagem e por indicar a assinatura dos contratos mágicos e ciência daqueles que já tinham suas sentenças transitadas em julgado.

Pela numeração do processo, o arquivo dele estava em um ponto alto da estante, com um feitiço convocatório ele veio até sua mão. Era pesado e você cambaleou, lutando para segurar o processo de forma firme nas mãos. Ao notar seu breve desequilíbrio Draco Malfoy se precipitou para ajudá-la. Mas você voltou a postura adequada antes que ele chegasse até você.

Aquele gesto involuntário e inconsciente dele de tentar te ajudar o fez ficar envergonhado, e você assistiu ele passando as mãos pelos cabelos, como se estivesse desconcertado. Um segundo depois, notou que velha feição de indiferença tão característica já estava de volta.

_Você precisa assinar aqui primeiro. – Você disse depois de abrir o processo e apontar uma linha em uma das páginas. - _ Creio que você já tenha recebido uma cópia da Sentença, sim? – Ele meneou a cabeça positivamente.

Depois você começou a explicar todas as implicações do trânsito em julgado daquela sentença e também os termos do contrato mágico de proteção aos nascidos trouxas que ele deveria assinar. Ele a olhava cautelosamente e quando você finalmente terminou de explicar, você percebeu que ele tinha sua antiga feição de deboche. Você levantou as sobrancelhas.

_Você já pode lembrar de respirar, Granger. – Um dos cantos da boca dele se retraiu. Você cerrou os olhos. Ele e aquele meio sorriso idiota.

_ Alguma dúvida? – Seu tom saiu irritado. Você tinha se empenhado em apontar todos os detalhes e implicações processuais e ele estava rindo de você?

Ele balançou a cabeça negativamente.

_Esse emprego é mesmo perfeito para você. Precisa decorar todos esses detalhes e explicá-los a cada pessoa que passa por essa porta. – Ele soltou um risinho pelo nariz. – _Onde assino?

Você sentiu sua paciência se esvaindo. Revirou os olhos e se concentrou em indicar a pena que ele deveria usar. Ele sentou na cadeira em frente a sua mesa para apoiar a mão e assinou todos os lugares que você indicou. Ao finalizar, descansou a pena ao lado dos pergaminhos. Você subiu o olhar e percebeu que tinha inclinado a cabeça para assisti-lo delinear a assinatura em cada local. A assinatura era caprichosa e detalhada. Uma caligrafia perfeita, você tinha que admitir.

Ele também estava inclinado para frente na mesa durante todas as assinaturas, por isso, quando se olharam você percebeu que estavam perto demais.

Os olhos dele estavam nebulosos como sempre, um nevoeiro perfeito feito de cinza e fumaça. Você ficou parada ali, perdida, esperando a fumaça desaparecer mas os olhos dele permaneciam inexoravelmente cinzentos. A pouco mais de um palmo de distância, sem se afastar, ele sorriu o seu meio-sorriso novamente.

_ A partir de agora estou contratualmente obrigado a proteger nascidos trouxas, é isto? – Ele disse de repente e você percebeu que tinha ficado tempo demais absorta no nevoeiro.

Você notou sua garganta seca, inspirou o ar do ambiente e disse:

_ Apenas a formalização de algo que deveria ser uma prática natural, cotidiana. Mas devido aos ideais expostos por Voldemort, o Ministério tem determinado a assinatura deste contrato.

_ E ninguém quer ter que lidar com as consequências do descumprimento de um contrato mágico, estou certo? –

_ Exatamente.

_Isso é tudo? – Ele perguntou e você acenou positivamente. Você o assistiu ficar em pé e virar as costas para ir embora. Seu coração pulsava arbitrariamente.

Assim que ele saiu pela porta você correu em sua direção.

_Draco, espere. – Você disse depois de alcançá-lo. No calor do momento você percebeu que tocou o ombro dele para chamar sua atenção.

Um segundo depois você estava perdida no nevoeiro. Ele a olhava curioso e parecia quase feliz.

Draco. Você o tinha chamado de Draco. Mas essa não tinha sido a primeira vez. Então não poderia ter sido tão estranho, não é?

Mentira, era estranho sim.

_ Você esqueceu a cópia do contrato. A cópia da sentença você já tem, mas é preciso que fique com uma cópia do contrato. – Você inclinou o pergaminho na direção dele e ele tocou na sua mão.

_ Obrigado. – Ele disse enquanto insistia naquele toque suave.

Você perdeu o controle, Hermione. Sabia que tinha perdido. Foram os olhos de nevoeiro, foi o toque morno produzido pela mão pálida. Foi a carta de uma palavra só que ele mandou depois da guerra, foi a feição de assombro quando ele te viu sendo torturada. Foi aquele dia no restaurante que não devia ter acontecido, mas aconteceu. Vocês jantaram e conversaram sobre amenidades, e o gelo derreteu.

Foi a forma como a companhia dele tinha sido quase agradável e como ele era quase atraente. Foi a sua constatação durante o baile que ele era mesmo atraente e que te olhava como se você fosse alguém, ou pior, alguém especial.

Foi a forma como ele sentou no chão ao seu lado naquele corredor escuro durante a festa e te disse que você jamais tinha sido invisível, como se ele sempre tivesse te visto, como se ele sempre tivesse reparado.

Que você existia, que você era real.

Foi a forma como ele bateu palmas para você e conjugou aquele verbo no pretérito, como se ele realmente tivesse deixado um monte de coisa no passado.

Foi como você viu que ele era, de fato, humano.

E isso mudou tudo.

Ele se aproximou de você. A mão que estava repousando na sua traçou um caminho pela extensão do seu braço. Ele umedeceu os lábios brevemente e ficou tão próximo que encostava o torso no seu. Sentiu a respiração quente dele perto demais. Era uma mescla uniforme de menta e fumaça. Menta e cinza. Você pensou que isso não fazia o menor sentido.

Então o beijou.


N/A: Oi, gente! Como é bom estar de volta! O capítulo anterior ainda é meu preferido mas gosto muito desse aqui também. Não entendo a divisão dos poderes no mundo Bruxo mas já vi mencionarem o Departamento de Criação e Execução das Leis da Magia algumas vezes. Coloquei alguns termos jurídicos mas sem apreço ao ditames processuais do nosso ordenamento jurídico, apenas peguei emprestado algumas expressões. Gostei bastante disso. Desde minha última atualização dessa Fanfic, tenho escrito apenas nesses termos jurídicos diariamente. RSRSRS Estava com saudade de usar a imaginação e narrar alguns sentimentos para variar, sem toda a rigidez das peças processuais mas foi legal misturar meus dois mundos uma vez na vida. rsrsrs

Sobre homenagens: minha daphne greengrass é uma homenagem EXPLÍCITA a Deh Malfoy, uma das minhas autoras preferidas desse Fandom. Ela escreveu "Hermione's fall" e amo de paixão essa fic, aquela Dramione que toca o coração. Depois procurem, vale muito a pena.

Descrevi nesse capítulo como os olhos de Draco sendo como "um nevoeiro". Essa comparação tirei de uma Fic da Lally K "E cinza". Muito linda, por sinal! Leiaaaaammmmmm.

Por fim, eu sei que tem gente que não gosta, mas como amo Harry e Hermione, sempre acabo colocando algo deles em tudo o que eu escrevo. Na verdade, isso é algo do fandom de Draco e Hermione que eu amo: a interação de Harry e Hermione. Ele é o melhor amigo dela e adoro quando as fics Dramiones trazem um pouco disso. Esse vínculo é muito bonito e mesmo Draco, em inúmeras fanfics, consegue reconhecer isso. Nesse capítulo tem uma parte entre Harry e Hermione que mostra o vínculo poderoso que existe entre eles e ao mesmo tempo essa falha na relação, dela sempre se negar pra que Harry fique bem. Essa dinâmica faz parte da história dela e faz parte de quem ela é e acho que isso deve ser chato pra caramba quando observado em larga escala. Foi o que tentei expor. Ela queria se sentir real. Não perfeita, não a plenitude da sensatez. Real.

Sobre as Reviews: Me emocionei demais com todas! Principalmente com Francesa que disse que consegui capturar a essência de Dramione. MEU DEEEEEUS, morri muito. Eles são um dos casais mais difíceis de escrever e um dos melhores de se ler. você perdeu, J. K. Rowling, VOCÊ SABE QUE PERDEU ESSA OPORTUNIDADE DE FAZER O ROMANCE DO SÉCULO: DRAMIONE.

É isso.

Por favor, se você leu, comenta. Seria muito bom descobrir que ainda existe alguém por aqui.