Sinopse: Sakura é uma jovem de 24 anos que começa a ter a sua vida virada de cabeça para baixo depois que perde a mãe em um acidente de carro. Após a perda da mãe, ela se vê em uma maré de azar, não conseguindo se manter em um emprego por mais que dois meses. Com a ajuda de sua amiga Ino, com quem divide um apartamento no centro da grande São Paulo, ela inicia em um novo emprego como secretária da mais renomada agência de advocacia de São Paulo – Uchiha's. O que ela não imaginava era que a sua sorte mudaria e que seu coração acabaria se apaixonando pelo herdeiro da Uchiha's advocacia. Sasuke verá seu mundo ficar completamente bagunçado com a chegada da mulher. Ele, ao qual havia fechado o seu coração para relacionamentos, terá que dar uma chance para o si mesmo de ser feliz e esquecer o que aconteceu em seu passado e seguir adiante. Será que ele será capaz de arriscar tudo por amor novamente?


Capítulo 1 – Recomeço.

Posso dizer com todas as letras que não sou o tipo de pessoa que tem sorte na vida. Desde que eu perdi a minha mãe, minha vida tem dado um salto em direção ao fundo do poço. Era a terceira vez naquele ano em que eu conseguia ser demitida. Sério, essa situação está ficando insustentável. Tudo bem que eu dei uma pequena vacilada, mas me mandar embora por causa de um pequeno erro, não é muito exagero? Eu só havia aberto a porta da sala de revelação com a luz acesa. Não era nada demais, era? Algumas fotos se perderam, e daí? Era só ir lá no estúdio e pedir com gentileza que as modelos refizessem o ensaio, ou melhor ainda, as fotos deveriam estar salvas em algum cartão de memória. Hoje em dia tudo é digitalizado.

Tudo bem, eu vacilei. Confesso.

Eu sou meio desatenta e hoje eu estava mais desatenta ainda. Minha mãe completa dois anos de morte e minha cabeça estava completamente nela. Eu sei que as pessoas não são obrigadas a sentirem pena de mim. E confesso que nem quero, não gosto desse tipo de comoção. Não curto ser o centro das atenções, ainda mais por pena. Guardei todos os meus pertences dentro de uma caixa e fui embora, sem nem ao menos olhar para trás. O ruim dessa situação toda é: como vou pagar o aluguel no final do mês? E o meu carro?

Joguei as minhas tralhas no banco traseiro do meu gol bolinha infeliz de ter que voltar para casa como a mais nova desempregada de São Paulo – de novo. Ino com certeza ficaria chateada comigo. Ela era a minha melhor amiga. Esteve presente em minha vida desde a minha infância e nós ficamos mais unidas ainda quando a minha mãe morreu. Ela me deu todo apoio, foi ela quem me tirou da fossa ao qual eu me encontrava. Quando eu tranquei a faculdade de medicina da UFRJ, foi ela quem nunca deixou a esperança de voltar a estudar se perder.

Cheguei no apartamento indo direto para o computador. Tinha que começar a distribuir meu currículo. Alguma coisa que tinha que dar certo. Eu não tinha ninguém para recorrer, minha família se resumia a minha mãe, já que meu pai nos abandonou e eu não faço questão de saber onde ele está e se está vivo ainda. Apesar de considerar Ino como minha família, não podia abusar dela assim. Passei algumas horas enviando o meu currículo até que a porta da frente se abriu revelando os longos cabelos loiros de Ino. Ela era advogada e gostava muito do que fazia. Começamos a fazer faculdade na mesma época, porém só ela terminou.

– O que houve? - perguntou com os olhos focados no computador em meu colo. - Perdeu o emprego de novo?

Minha cara deve ter revelado a resposta.

– O que você fez dessa vez? - ela colocou a chave no balcão e sentou-se ao meu lado.

– Abri a porta da sala de revelação com a luz ainda acesa. - falei envergonhada.

– Sério? - Ino tentava não rir. - Eu não conheço ninguém que seja mais estabanada e azarada do que você.

– Nem eu. - fechei o computador e deitei no colo dela. - Por que isso sempre acontece comigo?

Ela começou a mexer nos meus cabelos loiros como os dela.

– Não sei. - disse dando de ombros. - Mas eu gostaria de saber como você está?

– Chateada, mas bem. - me aninhei ainda mais. Amava quando ela mexia nos meus cabelos.

– Não estou perguntando sobre isso e sim sobre a data de hoje. - me encarou. - Você acha que eu esqueci?

Eu sabia que ela nunca esqueceria. Ino sempre foi muito atenciosa com essas coisas. Sempre estava lá, é claro que ela não esqueceria.

– Quer fazer alguma coisa hoje? Podemos ir visitar a sua mãe, o que acha?

– Eu estou bem. - virei a cabeça para encará-la. - Me sinto um pouco vazia, mas estou bem.

– Então, vai querer ir visitar a sua mãe?

– Não.

Depois que eu enterrei a minha mãe nunca mais voltei para visitá-la. Meu coração sempre doía quando eu pensava nela. Eu não queria ter que ir lá e reviver tudo de novo. Me manter afastada me afastava da dor.

– Vou pedir pizza para a gente então. - Ino colocou a minha cabeça gentilmente em cima de uma almofada antes de levantar. - Você vai querer de quê? Quatro queijos?

– Sim, por favor. - fechei os olhos e fiquei pensando em como fazer para ajudar Ino com as contas do apartamento. - Espero que você não tenha que arcar com as nossas dívidas sozinha.

– Para de pensar nisso.

Ino me deixou sozinha na sala. Eu podia escutar o barulho do salto alto dela contra a pisa de madeira corrido. Ela andava de um lado para o outro o que me fez pensar que ela abriria um buraco no piso. Não passou nem cinco minutos e ela voltou feliz.

– Ganhamos uma pizza brotinho de banana. - ela vibrou. - Você nem sempre dá azar.

Eu ia responder que quem ligou foi ela e a ideia foi dela também, mas antes que eu pudesse ter feito qualquer coisa, o celular tornou a vibrar. Pela cara que ela fez, com certeza era do trabalho. Ino não gostava de levar trabalho para casa, por mais que o emprego dela muitas das vezes acabasse a obrigando fazê-lo.

Ela voltou com cara de poucos amigos e eu fiquei meio na dúvida se perguntava ou não o que tinha acontecido. Ela se jogou no sofá ao meu lado e eu não pude conter a minha curiosidade:

– Quem era?

– Mandaram embora a secretária do meu chefe. - falou irritada.

– E isso influência em que no seu trabalho? - perguntei sem compreender a dimensão do problema dela.

– Ele vai começar a dar coice em todo mundo amanhã.

– Cruzes! - peguei o controle da televisão ligando-a. - Está passando crepúsculo. Quer assistir comigo?

– Depois do banho. - ela tirou o blazer jogando-o no chão. - Fica atenta ai ao interfone. Estou morrendo de fome.

Ela me deixou mais uma vez sozinha. Fiquei vendo filme até pegar no sono. Só acordei com os gritos dela me pedindo para atender o interfone que a pizza havia chegado. Levantei meio sonolenta e com um resquício de baba no rosto. Limpei com o dorso da mão antes de pedir para o porteiro deixar o moço do Ifood subir.

Demorou apenas cinco minutos e nossa campainha tocou. Abrir a porta ainda com cara de sono, paguei com o cartão de crédito e ele foi embora. Coloquei a caixa ainda quente em cima do balcão e conferi para vê se o pedido estava correto.

Escutei a campainha de novo e quando abri lá estava o moço do Ifood de novo. Tinha esquecido de me dar o refrigerante e a pizza que ganhamos. Ainda bem que ele voltou, Ino não me perdoaria jamais. Coloquei tudo em cima do balcão e voltei para o sofá. O cheiro estava maravilhoso, mas eu não estava com fome.

– Então... - ela surgiu no corredor com uma toalha enrolada nos cabelos. - Tudo certo?

– Sim. - disse afundando a cara na almofada.

– O que foi? - ela perguntou conforme secava os cabelos na toalha. - Perdeu a fome?

– Perdi.

Ela me tacou uma almofada e foi devorar a pizza. Deixei ela sozinha degustando daquela maravilhosa pizza de quatro queijos, eu comeria amanhã. O dia já tinha terminado para mim. Nem o filme me chamava mais atenção. Queria ficar sozinha e me entregar a solidão do sono. Nem tirei a roupa, apenas me joguei na minha cama e dormir de imediato.

Acordei com o despertador de Ino tocando. Olhei para o meu próprio celular constatando que ainda eram seis da manhã. Bufei irritada por ter acordado antes do tempo. Se eu ainda estivesse trabalhando, tudo bem. Porém, eu estava desempregada. Enrolei na cama por um bom tempo, tempo o suficiente para minha amiga se arrumar e ir trabalhar. Quando voltei a olhar para o celular já eram oito horas da manhã.

Peguei o computador e fui averiguar se tinha recebido algum e-mail. Nada. Tudo bem, ainda eram oito da manhã. Talvez só a partir das nove. Aproveitei esse tempo e fui tomar banho, afinal, eu tinha ido dormir suja. Fui pegar os meus produtos de higiene quando me deparei com um tubo de tonalizante da cor rosa. Eu tinha comprado há mais ou menos três meses.

– Por que não? - olhei avaliando a data de vencimento.

Fiz todos os procedimentos necessários antes de utilizar o tonalizante. Não queria rosa muito escuro, então coloquei pouca cor, queria algo bem claro, afinal, se não ficasse bom eu poderia voltar ao loiro sem problemas.

Encarei-me no espelho e respirei fundo. Estava precisando de uma mudança e ela me traria sorte. Eu precisava acreditar nisso. Comecei com certo receio, depois que a primeira mecha do cabelo havia sido pintada, relaxei e terminei de pintar o resto. Quarenta minutos mais tarde, constatei que a cor tinha ficado exatamente como eu queria.

– Agora somente a Ino será a loira do terceiro andar. - falei satisfeita com o que via.

Tomei banho e hidratei o cabelo da melhor forma que eu podia. Depois sequei os mesmos gostando mais ainda do resultado. O verde dos meus olhos se sobressaiam por causa da cor rosa em meus cabelos. A única coisa que faltava era um corte. Meus cabelos estavam muito longos. Eu podia sentir a ponta roçar na base da minha coluna. Talvez um estilo chanel fosse mais apropriado.

– Com certeza a Ino fará esse trabalho para mim. - disse com um sorriso travesso nos lábios. - Isso se ela não me matar ao me ver.

O resto do dia passou muito devagar. Meu e-mail continuava na mesma, nada de entrevista. Minha cabeça começava a trabalhar em como deixar o meu carro apresentável para a venda. Eu não queria vendê-lo, mas se precisasse eu o faria. Com muita dor no coração, mas o faria. Escutei o som da chave na fechadura e já me preparei para os gritos que Ino daria ao me ver.

Quando ela entrou no apartamento estava tão empolgada que não se tocou do que eu havia feito.

– Você não sabe da maior. - ela se sentou ao meu lado no sofá. - Você tem uma entrevista de emprego amanhã lá no escritório.

– Uma entrevista? - meu coração estava acelerado. - Então não vou precisar vender o carro?

– Vender o carro? - ela me perguntou sem compreender do que exatamente eu estava falando. - Como assim vender carro?

Foi ai que ela notou a cor dos meus cabelos.

– Não acredito! - ela segurou umas mechas de cabelo. - Puta que pariu!

– Está muito ruim? - não esperava esse tipo de reação dela. Eu sabia que era uma grande mudança, mas não precisava disso tudo. - Eu posso voltar a ser loira se estiver muito ruim.

– Não! - ela estava admirada. - Ficou lindo! Você está linda! Meu Deus! Tenho certeza que você vai conseguir esse emprego amanhã só por causa desse cabelo.

– Não exagera, Ino.

No fundo eu queria muito que as palavras dela se concretizasse.

– Nunca falei tão sério. - ela começou a me avaliar. - Você só precisa cortar ele.

– Você acha? - perguntei.

Como que ela e eu podíamos ser tão parecidas assim?

– Claro que acho! - ela correu até o quarto e voltou poucos segundos depois com uma tesoura em mãos. - Vou cortar bem curto.

– Manda ver.

Ino me fez sentar em um pufe para poder pentear e ajeitar melhor o meu cabelo. Ela colocou um espelho na minha frente para que eu pudesse opinar o tamanho que eu queria e fiscalizar se ela estava fazendo tudo certo. O processo não demorou. Ela sabia o que estava fazendo e eu sabia como queria. Quando ela cortou, eu fiquei vendo aquelas mechas e mais mechas caírem ao chão e senti como se o meu coração estivesse se libertando do passado. Nem sabia que estava chorando, até Ino me perguntar se eu estava bem.

É claro que eu estava bem. Há muito não me sentia assim. Fiz um leve aceno de cabeça e aquilo bastou para ela continuar a cortar as minhas madeixas. Finalmente, quando a ponta do meu cabelo encosta nos meus ombros eu me avaliei no espelho.

– Ficou ótimo.

– Você está linda. - falou enquanto depositava um beijo em minha testa. - Agora a limpeza é contigo.

Dei um tapa na bunda dela e ela deu um gritinho antes de sumir em seu quarto. Juntei tudo em uma sacola e joguei fora. Simples assim. Quando Ino voltou do quarto, já de banho tomado, ela se jogou no sofá e deu uns três tapinhas no assento ao seu lado me convidando a sentar. Fiz exatamente o que ela pediu.

– O que foi? - perguntei.

– Você já sabe qual roupa vai usar amanhã?

– Não.

– Pois eu já sei. - disse decidida.

– É mesmo? - um sorriso irônico de formou em meus lábios. - E posso saber qual?

– Sabe aquele se vestido tubinho de decote em coração e mangas caídas?

– Sei sim. - troquei o canal, colocando no jornal. - O que tem ele?

– Você vai usar ele.

– Ele é rosa. - eu a encarei. - Rosa choque.

– Justamente por isso. - Ino estava decidida. - E vai usar aqui seu blazer branco e o scarpin branco também.

– Tu quer que eu pareça a bárbie?

– Eu quero que você brilhe. - ela se levantou e foi até a cozinha. - Vou fazer pipoca.

E assim ela encerrou a conversa. Se ela queria que eu parecesse a bárbie, tudo bem.

– Já que você vai fazer a pipoca, eu vou preparar o meu currículo para amanhã então.

– Isso, pois vai precisar.