Hinata se esforçava para acompanhar o galope do cavalo de seu pai Hiashi, enquanto cavalgava ao lado dele em seu pônei. Porém, a tarefa se mostrava ainda mais difícil com a areia e com calor lhe fazendo suar sob o turbante que usava para tentar se proteger do sol ardente.
Eles estavam indo para Suna. Seu pai tinha assuntos solenes a tratar com o Kazekage, e que devido a sua seriedade, só poderiam ser tratados pessoalmente. Isso foi, pelo menos, o que seu pai lhe dissera. Hinata não tinha ideia do que poderiam ser esses assuntos. Hiashi a levava junto porque ela era herdeira primogênita do clã Hyuuga, e por isso devia desde cedo se familiarizar com o que um dia seria responsabilidade dela. Os Hyuugas sempre foram muito rígidos com os ensinamentos para os herdeiros, e para eles pouco importava se ela tinha apenas dez anos de idade.
Normalmente, por serem de um dos clãs anciãos de Konoha, eles poderiam estar sendo transportados por carroças, sem nenhum esforço sequer sendo-lhes tomado. Mas seu pai não pensava assim:
– Iremos a cavalo – dizia ele. – Nós Hyuugas podemos ser de um clã nobre, mas somos antes de tudo ninjas. Aqueles que se cegam com riquezas e privilégios, acabam se cegando também para quem realmente são.
Para Hinata não havia problema nenhum em cavalgar. Pelo contrário, na verdade ela até mesmo gostava. No entanto, o calor intenso, a areia por lhe grudar no rosto e a sequidão do ar, eram coisas que ela realmente não estava acostumada.
Em Konoha haviam árvores por todas as partes, riachos, rios e cachoeiras, e o ar era tão úmido quanto a própria terra. Na primavera, sua Vila é tingida pelas cores vibrantes das flores que espalham o seu aroma por todos os lados. Era, sem dúvida, a estação preferida de Hinata.
Ela desejava ter nascido nesta época do ano, mas nascera no inverno em uma noite fria, exatamente quando passava uma violenta tempestade de neve. Sua mãe costumava lhe dizer que ela tinha nascido no frio apenas porque ela tinha absorvido todo o calor de Konoha para seu coração, por ser uma menina tão gentil...
A memória que um dia a teria feito sorrir, pesou em si. Hinata abaixou o olhar para o chão tristemente com a lembrança de sua mãe.
Sua progenitora havia morrido há cinco anos, pouco tempo depois de ter dado à luz a Hanabi, sua irmã caçula. Depois do parto, Hikari, sua mãe, ficou muito fraca e adoeceu. No início parecia apenas um resfriado, mas aos poucos ela ficou cada vez mais exausta e indisposta, até que ela não conseguia nem ao menos sair da cama.
Hinata lembrava de como seu pai ficara desesperado. Chamara os melhores médicos que podia e dificilmente saía do lado de sua mãe, esperando angustiadamente que ela se recuperasse. Mas a melhora não veio. A doença tinha se agravado profundamente nela. Hinata estivera lá em seu último suspirar.
– Você é uma boa menina, Hinata – dizia sua mãe com dificuldade, usando todas suas forças para dizer aquelas palavras. – Eu me orgulho tanto de você, querida. Tudo o que eu mais queria era ver você crescer... e se tornar uma mulher, tão doce quanto já é... Mas eu receio que eu não fique aqui por muito tempo – disse com um sorriso fraco entre os lábios secos e rachados. – Então eu preciso que seja forte, e cuide de sua irmã e seu pai por mim, tudo bem? Sua irmãzinha é ainda muito pequena... E seu pai, não ligue para seu rosto rabugento. Ele tem um coração tão grande quanto o seu... Apenas... – uma tosse forte a acometeu, e lágrimas começaram a descer por seu rosto pálido. – Apenas saiba que eu te amo, assim como seu pai. Você é tudo para mim.
Com isso, seus olhos lilases se fecharam, e nunca mais se abriram. Hinata se lembra de abraçá-la com força em desespero, até ser pega em um abraço por seu pai, e pela primeira vez, ela o viu chorar.
– Hinata, estamos chegando.
A mais nova despertou de seu devaneio com a voz de seu pai, e rapidamente se recompôs. Sabia que não era a hora certa para aquilo.
– Sim, pai – disse em um quase sussurro.
Não muito longe, ela avistou uma grande cidade construída em areia compacta, que parecia tão resistente quanto rocha. Quando em frente à entrada de Suna, seu pai e ela desceram de seus respectivos cavalos, e foram recebidos por um ninja chamado Baki.
– Seja bem-vindo à Suna, Hyuuga-sama – cumprimentou enquanto fazia uma leve mensura com a cabeça – Rasa-sama o espera na Torre do Vento. Sei que deve estar cansado pela viagem, mas ele insiste em vê-lo com urgência. Seus aposentos serão apresentados assim que terminarem.
Hiashi acenou para o homem afirmativamente. Não era a primeira vez que seu pai viajava para Suna, mas ainda assim, Baki os acompanhou até a Torre.
Era a primeira vez que Hinata viajava para Suna – era a primeira vez que viajava. Seus olhos observavam atentos e cheios de curiosidade para cada coisa. A estrutura da cidade era com certeza a diferença mais gritante em comparação à Konoha. Ainda, Hinata pôde perceber muito mais do que isso. O cheiro da comida era muito mais forte, as lojas pelas quais passavam tinham objetos e artefatos dos quais ela nunca tinha visto antes; os ninjas, os cidadãos comuns, as vestes que usavam... Tudo era um mundo completamente inédito para ela. Ela achara incrível com todos ali estavam confortáveis com as roupas que o deserto com seus extremos exigia. Desde que entrara na cidade, a Hyuuga arrancou o turbante de sua cabeça e rosto, não aguentando mais o quão abafado estava, e deixando seus cabelos curtos balançarem com a fraca brisa. Sua pele ainda não acostumada era muito sensível àquele sol, e ela sabia que provavelmente iria se arrepender mais tarde.
Então, em sua frente, uma grande torre se estendeu e seus olhos inocentes brilharam. Para olhar para seu topo, Hinata teve de jogar a cabeça para trás. Muito teve de se segurar para não escancarar a boca, de tão magnificada que estava ao ver a Torre do Kazekage. Olhou para seu pai para verificar se ele compartilhava da mesma surpresa que ela, mas ele parecia não se importar. Estava ocupado conversando algo com Baki. Os adultos eram muito chatos...
Com sua visão periférica, Hinata enxergou algo vermelho que lhe chamou atenção no alto da Torre, mas quando levantou novamente a cabeça para ver o que era, não havia mais nada além do amarelo queimado da areia. Ela franziu levemente o cenho, pois podia jurar que tinha visto algo vermelho.
Baki lhes deixou quando já dentro da Torre. Hinata estava pronta para ficar maravilhada com a imensidão do espaço interno, quando seu pai lhe chamou a atenção.
– S-Sim, pai? – respondeu suavemente.
– Você será apresentada ao Kazekage e aos seus herdeiros, Hinata. Já conversamos sobre sua gagueira. Você deve mostrar respeito, mas não pode demonstrar fraquezas. Se não puder fazer isso, não poderá ser uma líder Hyuuga.
Usando todas suas forças, a pequena falou o mais firme que pôde:
– Certo, pai. Não vou desapontá-lo.
Hiashi acenou com a cabeça e os dois começaram a subir as escadas. Hinata não pôde evitar sentir um frio na barriga. Estava prestes a conhecer o Kazekage, e para orgulhar seu pai, ela não poderia vacilar.
"Eu não vou desistir!". Ela lembrou com felicidade do que sempre dizia Naruto. Suas bochechas se tornaram quentes. Apesar do medo, Hinata daria tudo de si. Ela não desistiria.
Eles chegaram ao fim das escadas. Logo à frente havia uma grande porta; a porta para o escritório do Kazekage. O frio na barriga da Hyuuga se intensificou. Seu pai, entretanto, bateu na porta sem hesitar, e brevemente recebeu um "entre" como resposta. Hiashi abriu a porta e entrou na sala, com Hinata o seguindo aos seus calcanhares.
De pé, atrás de uma mesa, estava o Kazekage de Suna. Seus braços estavam para trás. Ele era alto, um pouco mais que seu pai. Vestia uma grande túnica branca e azul, seu cabelo era de um marrom avermelhado, e sua expressão era tão rígida quanto a de Hiashi. Hinata se perguntava se todas as pessoas com grandes cargos tinham aquela expressão, e quando ela se tornasse a líder do clã Hyuuga, acabaria por tê-la também. Desejava que não.
Ao lado da mesa, haviam duas crianças um tanto mais velhas do que Hinata. Uma, se tratava de uma menina de cabelos loiros presos em quatro rabos de cavalo. Tinha olhos verdes escuros e os braços para trás de seu corpo, assim como seu pai. A segunda criança era um garoto de cabelos castanhos escuros e rebeldes. Tinha em seu rosto tinturas roxas que o faziam singular, e seus braços estavam cruzados à frente de seu peito.
– Hyuuga-sama – disse de forma cordial o Kazekage. Sua voz era profunda e calma. – Obrigado por ter vindo, e sinto muito por tê-lo trazido aqui com tanta urgência.
– Kazekage-dono – Hiashi fez uma reverência em respeito, e Hinata o imitou. – Eu quero lhe apresentar minha filha primogênita, Hyuuga Hinata.
Hinata deu um passo à frente e fez outra reverência.
– É um prazer conhecê-lo, Kazekage-sama – Hinata internamente pulou de alegria por não ter gaguejado, porém, logo achou que teria sido cedo demais quando viu Rasa se aproximar e agachar em sua frente, examinando-a.
– Então esta é a princesa Hyuuga. Também é um prazer conhecê-la. Quantos anos tem?
– Dez – respondeu nervosamente.
Por um instante Rasa se tornou pensativo, até que se levantou e apresentou seus próprios filhos.
A garota de cabelos loiros se chamava Temari, e lhe sorriu quando foi apresentada. Ela era a irmã mais velha. O garoto de tinta no rosto se chamava Kankuro, e apenas lhe acenou com a cabeça quando foi apresentado. Hinata gostara deles.
– E onde está Gaara? – perguntou seu pai.
– Eu não sei – Rasa disse em um suspiro cansado.
Hiashi apenas balançou a cabeça em entendimento, e Hinata se perguntou quem era Gaara. É mesmo, refletiu. Kazekage-sama tem três filhos...
– Temari, Kankuro – chamou o Kazekage. – Levem Hinata para seus aposentos. Eu terei de falar com Hyuuga-san a sós.
Os dois começaram a caminhar obedientemente em direção a porta. Hinata olhou para Hiashi, e ele lhe deu um aceno, permitindo-a a partir. Então, ela fez uma reverência a mais para o Kazekage e para seu pai, e seguiu os dois irmãos para fora da sala, fechando a porta em suas costas.
– Você é realmente fofa – disse Temari enquanto eles desciam as escadas. Hinata corou.
– M-Muito obrigada. – Agora ela podia finalmente se permitir soltar o gaguejo preso em sua garganta.
– E então, você luta o taijutsu Hyuuga, não é mesmo? – perguntou Kankuro, olhando-a de esguelha. – Ouvi falar muito desse estilo de luta. Você já começou a treiná-lo?
– Sim – Hinata sorriu com um pouco de orgulho. – Treino desde meus quatro anos.
– Já é capaz de um combate corpo a corpo? – perguntou impressionado, somente para levar um soco na cabeça de Temari.
– Baka – Temari praguejou, fuzilando o irmão com um olhar. – Você não vai lutar contra a nossa convidada.
Kankuro resmungou de dor, coçando o local atingido.
– Eu não tenho a intenção de lutar! – retrucou ele. – Só estou fazendo algumas perguntas, oras!
– Eu te conheço bem o suficiente para dizer quando você está com segundas intenções. – Temari mostrou a língua infantilmente, rindo de seu irmão.
– O-Onde... – insegura, Hinata começou a dizer ao saírem da torre, e os dois irmãos olharam-na atentamente, deixando-a um tanto nervosa. Mas a curiosidade falou mais alto. – ... Onde está seu irmão caçula, G-Gaara? Porque ele não compareceu? Ele... é tímido?
Temari desviou o olhar e se tornou pensativa, fazendo Hinata lembrar mais uma vez de Rasa. Kankuro colocou as mãos no fundo dos bolsos da calça, e olhando para frente ele disse desanimado:
– Não. Esse não é o caso dele – a Hyuuga entendeu que ele fazia uma comparação com ela mesma. – Ele só é um pouco... – hesitou – diferente.
– Diferente...? – Hinata questionou baixinho, mais para si mesma.
– Ele apenas... – começou Temari, gesticulando com as mãos. – Não tem muitos amigos. Nenhum, para falar a verdade. E é um pouco difícil lidar com ele. Ele geralmente faz o que bem entende, como hoje por exemplo... E também...
Temari não terminou, deixando suas palavras serem levadas pelo vento. Hinata não insistiu. Sabia que era falta de educação se intrometer na vida dos outros.
Felizmente, o silêncio que caiu entre eles não durou muito.
– Aqui está – disse Kankuro quando eles pararam em frente a uma casa da mesma estrutura de toda a Vila. Tinha dois andares e o teto arredondado. – É aqui onde vocês vão ficar até sua partida. Seu pai vai vir assim que terminar de conversar com o nosso.
– Tudo bem. – Hinata sorriu com sinceridade para eles. – Muito obrigada. Foi um prazer enorme conhecê-los.
– O prazer foi todo nosso – Temari lhe sorriu de volta.
– A gente se vê por aí – acenou Kankuro.
Então os dois partiram, e ela entrou em sua nova casa temporária. Tirando as sandálias dos pés para entrar, ela percebeu que era um lugar simples e aconchegante. Havia uma cozinha e uma pequena sala com um sofá, duas poltronas e uma TV. Havia uma porta fechada que ela ponderou ser uma saída para os fundos. E então, ela subiu as escadas para encontrar um corredor com duas portas de dois quartos relativamente grandes com banheiros, e no final desse corredor havia uma porta que ela descobriu levar para uma varanda, onde ela podia ver grande parte da Vila de Suna. Hinata tomou um banho frio, vestiu uma calça preta folgada e uma simples camisa de mangas longas cinza.
O deserto se tornou escuro, silencioso e gelado.
Não sabendo quando seu pai iria retornar, ela comeu algumas frutas que encontrara na cozinha. Ela estava pronta ir para seu quarto, mas a verdade era que ela não sentia sono ainda. Querendo passar o tempo mais depressa, Hinata resolveu ver o que tinha na parte detrás da casa. Antes de atravessar a porta dos fundos, colocou um casaco pesado para se proteger do frio congelante da noite do deserto.
Lá, ela descobriu que se tratava de um campo de treinamento. Haviam troncos envoltos por colchonetes firmes para o treinamento de taijutsu, e alguns alvos postos em uma parede. Hinata pensou a respeito. Não treinara o dia inteiro por causa da longa viagem, e provavelmente seu pai ainda iria demorar para chegar. Era uma oportunidade única para ela descansar um pouco dos treinamentos constantes que tinha. Mas mesmo assim, ela sentiu que deveria...
"Então eu preciso que seja forte..."
Sim. Ela não podia fraquejar e ela sabia o porquê. Afinal, ela tinha prometido.
Hinata começou a treinar seu taijutsu nos troncos. Socos e palmadas, seguidos de joelhadas e chutes. Ela tinha que ser forte. Tinha de proteger sua irmã, seu pai, seu clã e Konoha. Ela acreditava que se tornando mais forte, ela não precisaria nunca mais ver uma pessoa que amava partir.
Pouco tempo depois, Hinata tinha tirado o casaco, suando pelo treinamento mesmo com os ventos cortantes do deserto.
Repentinamente, Hinata foi abraçada pela estranha sensação de estar sendo observada, e para garantir que estava sozinha, ativou o Byakugan e examinou em volta. Ao o fazer, ela percebeu que, na verdade, tinha companhia.
Hinata se virou rapidamente para olhar para cima de um dos muros de treinamento, onde sentiu um imenso e estranho chakra. Nele estava sentado um garoto com um poncho envolta de seu pescoço e que parecia ter sua idade. Isso a tranquilizou um pouco, mas ela não baixou a guarda, ainda assustada com a emanação do chakra dele. O menino tinha os cabelos tão vermelhos quanto sangue, e seus olhos que a observavam tão atentamente eram de um verde azulado pálido e peculiar. Sua presença parecia mais sinistra sob à luz do luar.
Hinata esperava qualquer ação vinda dele para que ela pudesse reagir. Mas ele apenas continuou lá, a olhando.
– Q-Quem é você? – Hinata se castigou mentalmente por gaguejar, mas sua postura defensiva não vacilou. O outro ainda ficou um longo tempo em silêncio, e Hinata estava quase desistindo de conseguir alguma resposta.
– Sabaku no Gaara – ele finalmente retorquiu. Sua voz ainda mais fria do que a noite.
– Gaara...? – Hinata repetiu, surpresa.
Aquele era o filho caçula do Kazekage. Mas... O que ele fazia ali? Depois de um tempo ela percebeu que ainda não tinha se apresentado devidamente.
– Eu sou... – começou, mas foi cortada por Gaara.
– Eu sei quem você é, Hyuuga.
As bochechas de Hinata se tornaram avermelhadas.
Ela viu o outro pular do muro e a areia se mexer para sustentar seus pés antes que alcançassem o chão. A pequena Hyuuga ficou fascinada. Nunca tinha visto um jutsu como aquele. Estava pronta para tentar continuar o assunto perguntando como ele fazia aquilo, mas quando o viu em sua frente, sentia que poderia engasgar com suas próprias palavras. Ele a observava minuciosamente, e Hinata sentia seu rosto ficar ainda mais quente.
– Por que está com medo?
Ela pestanejou.
– O-O que? – perguntou em seguida. – Eu não estou...
– Suas mãos tremem – ele a interrompeu mais uma vez, observando as palmas das mãos dela voltadas para ele ainda em posição de defesa. E só agora, Hinata percebeu que de fato tremia.
– Eu sinto muito – Hinata abaixou seus braços e desviou o olhar – Seu chakra é apenas... muito peculiar.
O olhar do Sabaku parecia querer atravessá-la.
– Eu não disse que você não deveria ter medo – ele declarou, fazendo arrepios percorrerem o corpo da morena.
Ela tentou dar um passo para trás em desconfiança, mas sentiu a areia do chão a prender no mesmo lugar, e começar a subir lentamente por suas pernas. Quando olhou para Gaara, tentando entender o motivo, viu que ele estava de olhos fechados, parecendo meditativo, distante e nem ao menos notar o que acontecia.
– S-Sabaku-san... Sua areia... – ela falou angustiada.
Gaara parecia ter acabado de despertar de pensamentos profundos, quando se deu conta do que sua areia fazia. Logo a areia voltou ao chão, e Hinata pôde suspirar em alívio.
Sem se despedir, o ruivo girou em seus calcanhares e se afastou dela, e logo desapareceu em areia.
Hinata, sem entender bem o que acabara de acontecer e com muitas perguntas sem respostas em sua mente, apanhou o casaco jogado no chão e voltou para dentro. Sua vontade era de tomar um outro banho, mas como já era tarde da noite, resolveu que o faria pela manhã. Já cansada e sonolenta, não demorou muito para que ela caísse em sono profundo.
Ela não percebera quando seu pai chegou, entrou em seu quarto e ficou encostado na soleira da porta a observá-la dormir, tão pensativo quanto estava o Kazekage ao conhecê-la.
Eu sinto muito, Hinata, pensou Hiashi ao dirigir-se para seu próprio quarto.
Mas terá de ser feito.
