15/2/1957
Numa noite fria de inverno, nascia do herdeiro dos Black. Rigel Pollux Black, primogênito de Orion e Walburga Black, que além de casados eram primos em terceiro grau. O choro poderoso marcou aquele dia como um importante para os Black: mais uma geração da família começava, para manter seu sangue-puro e poderoso. Os pais da criança exibiam a criança para todos os membros da família, orgulhosos, mesmo que Walburga estivesse evidentemente cansada.
Rigel era obviamente um Black, era fácil se perceber só de olhar para a criança. Herdara os cabelos escuros de ambos os pais, mas lisos como os do pai, os olhos cinzentos do pai e a pele alva, tão comum entre os Black. Arcturus, o patriarca da família, não poderia ter ficado mais satisfeito com o futuro Lord Black, pelo menos não até aquele momento.
27/05/1957
Três meses depois, numa manhã morna de primavera, nascia a prima de Rigel, Bellatrix Druella Black, filha de Druella e Cygnus Black, irmão mais novo de Walburga. Eles eram de uma linha secundária dos Black, mas o nascimento da garota não foi menos importante: ela teria a mesma idade que o primo, o que significava que quando entrassem em Hogwarts iriam reinar juntos na Sonserina. Afinal, os Black nasceram para reinar.
Era obviamente uma filha da casa dos Black. Seus ralos cabelos já demonstravam ser escuros como se esperava, sua pele era branca como marfim e mesmo recém-nascida ela já demonstrava que teria as feições aristocráticas da família. Também herdara os olhos azuis da família de sua mãe, os Rosier, olhos esses que pareciam enxergar a alma de qualquer um.
14/7/1958
Um ano após o nascimento de Rigel e Bellatrix, em uma ensolarada tarde de verão, a garota ganhou uma nova irmã, Andromeda Cassiopeia Black. A garota, diferente da irmã, era uma mistura das características de ambos os pais: seus cabelos não eram tão escuros, obviamente graças à mãe, que era loira. Seus olhos eram claros como os da mãe, mas profundos e intensos como os do pai. No entanto, o que mais chamava a atenção da família era o jeito alegre da bebê. Ela rira assim que nascera, um brilho único nos olhos. Druella jurou a si mesma que aquele brilho sempre estaria lá.
Mas uma pessoa já começava a se preocupar. Cygnus estava desapontado com sua esposa por ela não lhe dar um herdeiro masculino. Ele queria um menino, pois para um puro-sangue, não ter um menino era sinal de fraqueza e vergonha, coisa que ele não poderia demonstrar ter.
3/11/1959
A madrugada morna de outono começou com um choro na casa dos Black: Sirius Orion Black, segundo filho de Orion e Walburga, nascera. Walburga sorria radiante com o segundo filho no colo, os olhos escuros com um brilho de orgulho, abraçada por trás por Orion, que tinha Rigel em seu próprio colo.
Rigel olhava curioso para o irmão. Aos dois anos e meio, ele não entendia muita coisa, mas sabia que aquele pequeno era para ser protegido. Sirius tinha os mesmos cabelos negros do irmão e era definitivamente o bebê que mais chorara na geração, como se quisesse anunciar que chegara. No futuro, a lembrança mais antiga que Rigel será o momento em que o irmão abrira os olhos pela primeira vez e o mais velho os vira: brilhantes olhos cinzentos, como os dele próprio.
27/1/1960
Em meio à uma tempestade de neve nascia a quinta prima Black: Narcisa Violetta Black, para o desespero de seu pai, Cygnus. A nova membra da família claramente puxara aos Rosier: tinha os cabelos loiros, os olhos de um azul intenso, iguais aos das irmãs mais velhas. Ela fora a mais quieta de todas as crianças até aquele momento, chorando bem pouco. Rigel e Bellatrix, com quase três anos, observavam a prima e irmã curiosos. A segunda memória mais antiga de Rigel e a mais antiga de Bellatrix seria a risada que a pequena daria ao vê-los.
Mesmo que quase todos na família estivessem felizes, Cygnus e Pollux nem tanto. Seu ramo dos Black ia morrer. E, na mente dos dois, a culpa era de Druella. Antes que ela pudesse se recuperar do parto, os dois a levaram para o quarto de Cygnus e a puniram com a maldição cruciatus. No final, eles que se ferraram mais: Druella perdera a capacidade de ter filhos. O ramo dos Black que começara com Cygnus Black II, pai de Pollux, que o homenageou com o filho caçula, estava fadado ao fim.
30/8/1961
E mais uma vez, um choro encheu a Casa dos Black, dessa vez em uma tarde amena de fim de verão. Dessa vez, anunciando o nascimento de Regulus Arcturus Black, homenageando o tio-avô e o avô do novo bebê. Ele era o mais quieto entre os três irmãos, e entre os primos só perdia para Narcisa. Assim como os irmãos ele tinha cabelos escuros lisos, e diferentemente dos irmãos, também tinha os olhos escuros como a noite, iguais aos de sua mãe, que chorara de emoção ao ver que ao menos um de seus filhos herdara os seus olhos.
Os primos mais velhos, Rigel, Bellatrix e Andromeda, sempre lembrariam do momento que ele abriu os olhos pela primeira vez: a imensidão negra que era, que lhes lembrava a mais sombria noite, mas que tinha um brilho único. A terceira memória mais antiga de Rigel, a segunda de Bellatrix e a primeira de Andromeda.
Mas o nascimento dessa criança não trouxe alegria a todos os Black como muitos pensavam. Cygnus invejava a irmã, que produzira três meninos enquanto ele não produzira nenhum. E agora ele não poderia ter mais nenhuma criança, graças à própria estupidez.
14/9/1966
Naquela terna tarde de verão, quase no outono, Orion e Walburga convocaram seus pais e irmãos a sua casa. Todos se perguntavam o que os dois queriam, pois nada de importante estava prestes a acontecer até onde sabiam, e o casal Black que logo seria Lord e Lady nunca fazia uma reunião familiar sem motivo, muito menos mandava uma carta anunciando que tinham uma surpresa. No jantar, todos comiam a deliciosa comida preparada pelos elfos domésticos da família quando Orion e Walburga se levantaram, de mão dadas. Os dois sorriam tanto que suas mães, Melania e Irma Black, respectivamente, previram o que ia eles iam anunciar.
- Família – disse Walburga, sorrido radiante – Temos um anúncio a fazer. A partir de março do próximo ano, a Mui Antiga e Nobre Casa dos Black vai poder contar com mais uma filha – todos demoraram um pouco para processar a informação.
- Parabéns! – gritou Melania, animada. Ela, diferente dos outros Black, nascera em uma família da luz, os Macmillan, e entrara para a Lufa-Lufa em Hogwarts, então era bem mais animada e carinhosa que a maioria da família, traço que Walburga, à princípio, se espelhava, admirando a bondade e o carinho que a sogra emanava – Minha primeira netinha... que orgulho!
- Finalmente uma garotinha hein, maninho – disse Lucretia Prewett, nascida Black, irmão mais velha de Orion.
Lucretia era casada com Ignatius Prewett, mas pouco após seu casamento, em 1944, quando ela tinha seus dezenove anos, ela esteve presente durante uma batalha entre aurores e seguidores de Grindelwald, e fora atingida por um feitiço que não só matara o bebê que esperava, como a tornara infértil. Seu marido lhe dera muito apoio e não se divorciara por ela não conseguir ter filhos e lhe dar um herdeiro, o que a deixara muito grata, mesmo que a tristeza de saber que nunca teria um filho próprio ainda a consumisse. Ela tentava preencher o vazio dentro de si com os sobrinhos, mas a notícia da gravidez da cunhada abrira feridas. Os puro-sangue tinham dificuldade de ter muitos filhos, com a notável exceção dos Weasley, e por algum milagre Walburga estava indo para a quarta criança. Lucretia a invejava, mesmo que estivesse feliz.
Todos da família parabenizaram o casal, mas Lucretia, que sempre fora talentosa em adivinhação e que certamente, se tivesse filhos, teria um vidente como filho, tinha um pressentimento ruim. Algo de ruim aconteceria logo com Walburga e a criança. E ela não sabia como evitar.
