Disclaimer: Lost e seus respectivos personagens não me pertencem. Esta fanfiction não possui fins lucrativos.

Gênero: Terror/ Sobrenatural

Censura: T (contém violência)

Shipper: Sana

Sinopse: James Ford muda-se com sua família para a casa dos seus sonhos. Mas poucos dias depois habitando aquela casa que conseguiram comprar por um preço irrisório, os Ford começam a se perguntar se aquela não seria a casa de seus pesadelos.

Nota: Baseado nos filmes "Horror em Amityville" (The Amityville Horror) e "O Iluminado" (The Shining).

Thriller

Capítulo 1

O Presente

Atlanta, Geórgia

James Ford enlaçou os braços ao redor da cintura da esposa e ambos contemplaram a mansão à frente deles. Era um imóvel maravilhoso de arquitetura colonial de origem holandesa. Havia sido reformado e suas paredes brancas, construídas com a melhor madeira que existia no Estado da Geórgia brilhavam ao sol.

A casa se localizava em toda sua imponência em um enorme terreno, cujo jardim resplandecia verde e florido naquela época do ano. Um lago de água transparente se localizava quase de frente com a mansão com uma lancha amarrada providencialmente em uma pequena casa de barco equipada com material de pesca. James gostava muito de barcos e de pescar. Esse fora um dos motivos pelos quais quis adquirir aquela residência para sua família. No entanto, o motivo principal tinha sido o preço, cerca de 300 mil dólares para uma casa que valia pelo menos 1 milhão e meio.

Ana-Lucia, sua esposa, não acreditara quando ele contou sobre o preço da casa, dissera que ele estava louco por sugerir que se mudassem para um lugar assim.

- Essa casa deve ter problemas, James.- ela dissera. – Provavelmente infiltrações, cupins, tábuas quebradas, encanamento ruim...

- Cem porcento perfeita!- garantira Michael Dawson, o consultor imobiliário quando fez a oferta a eles.

- Você terá um quarto só para pintar, querida. – dissera James e os olhos de Ana brilharam. Seu próprio ateliê! Nunca mais teria que pintar na apertada garagem da casa em que moravam em Los Angeles. – Além disso, as crianças terão muito mais espaço para brincar e correr. – ele completara, o que quebrou toda e qualquer resistência que Ana tivesse para se mudar para aquela casa com os três filhos pequenos: Jordan de dez anos, Michelle de cinco e o pequeno Liam de cinco meses.

- Vamos nos mudar!- foram as últimas palavras dela sobre o assunto.

Juntaram todas as suas economias e pagaram a casa, à vista. Ficariam apertados por um tempo, mas as coisas melhorariam logo. James era projetista de softwares, e suas esposa artista plástica, ambos trabalhavam em casa e não teriam problemas em morar em um lugar que ficava a cerca de trinta quilômetros da área urbana da cidade e pelo menos uns cinco quilômetros até o vizinho mais próximo. Tinham uma picape bem equipada e isso bastava para as emergências.

- Pai, olha! Tem uma torre igual à do castelo da Branca de Neve!- disse Michelle, pulando ao redor dos pais.

James soltou a esposa e sorriu para a filha, antes de pegá-la no colo.

- Sim, uma torre para uma princesa.

- Eu quero ficar na torre!- protestou Jordan. – Sou um cientista e preciso de um laboratório.

- Mas eu sou uma princesa! - retrucou Michelle, rodopiando no colo do pai e rindo.

- Não quero nenhum dos dois na torre.- disse Ana-Lucia pondo fim à discussão das crianças enquanto tirava o adormecido bebê Liam de sua cadeirinha estofada dentro do carro. – Quero meus filhos perto de mim!

- Mãe, eu não sou mais bebê!- queixou-se Jordan e Ana-Lucia beliscou-lhe as bochechas rosadas, deixando-o mais zangado.

- Hey, o caminhão com a mudança chegou!- anunciou James pondo Michelle no chão. Vincent, o cachorro da família latiu correndo atrás de seu dono e se posicionando ameaçadoramente contra o caminhão. – Fica calmo garotão é só a nossa mobília. – Querida!- ele chamou Ana e ela voltou-se para ele. – Você vai ter que dizer aos carregadores onde quer que ponham as coisas.

Ela franziu uma sobrancelha:

- Duvido que tenhamos mobília suficiente para enchermos essa casa, James.

- Vamos comprar mais então! Podemos comprar uma jacuzzi, colocar espelhos no teto do nosso quarto, uma cama redonda...

- James, você quer transformar nosso quarto num motel?- ela indagou, divertida.

Os carregadores começaram a descarregar a mobília e James indicou a porta de entrada. Ana os seguiu com as crianças. Por dentro a casa era ainda mais majestosa. A sala de estar inteira era acarpetada. A sala de jantar parecia mais um salão de festas com um enorme lustre de cristal ao centro e uma mesa com lugar para doze pessoas.

- Você não me disse que a casa já possuía alguma mobília, James.- disse Ana

- Mas eu não sabia, baby. O corretor não me falou nada.

- Hum, você acha que ele esqueceu esse detalhe? Será que vai mandar buscar essa mesa?

- Não sei, Analu, posso telefonar para ele e perguntar.

- Não, não precisa. Se ele tiver que vir buscar, com certeza vai telefonar. Enquanto isso vamos ficar com a mesa e jantar como reis.

James deu uma risada.

- Cuidado, meu bem, morar numa mansão já está lhe subindo à cabeça.

Ana deu língua para ele e James a beliscou na cintura. As crianças passaram por eles, correndo para as escadas.

- Hey, crianças! Tomem cuidado!- advertiu Ana indo atrás deles.

- Onde quer que eu ponha essa poltrona, Sr. Ford?- indagou um dos carregadores trazendo uma enorme poltrona estofada. A preferida de James para trabalhar com suas criações. Ele costumava pôr o laptop no colo e sentar naquela poltrona por horas a fio, totalmente concentrado.

- Vamos descobrir uma sala que eu possa usar como escritório.- disse ele, acompanhando o carregador.

No andar de cima, Ana-Lucia acompanhava a algazarra das crianças enquanto ninava seu bebê que tinha acabado de acordar. Vincent os havia seguido também e acompanhava as crianças de perto.

- Eu quero esse quarto aqui!- gritou Jordan, empolgado abrindo a porta de um dos quartos. – È perfeito para o meu laboratório, e então eu vou conquistar o mundo!

- Vai conquistar o mundo sim, mas sob supervisão.- disse Ana, fingindo seriedade.

Jordan entrou no quarto e foi olhar a paisagem através da janela de vidro. Michelle parecia triste e Ana perguntou:

- O que foi, meu amor? Por que essa cara?

- Acho que não tem um quarto pra mim.

- E quanto a todas essas portas?- Ana apontou ao seu redor e a garotinha sorriu.

- Anda querida, vamos procurar um quarto pra você, digno de uma princesa.

Elas andaram juntas pelo corredor e abriram a porta seguinte ao quarto que Jordan tinha escolhido como seu.

- Uau!- exclamou Michelle, impressionada.

- È, uau!- concordou Ana-Lucia.

O quarto era exatamente tudo o que uma menina poderia desejar. Era todo forrado com papel de parede cor de rosa, o forro branco combinando, uma linda penteadeira com um espelho grande e um closet também branco com várias portas e gavetas.

- Mãe, eu quero ficar com esse quarto. Ele pode ser meu?- indagou Michelle, balançando a perna de leve com um brilho no olhar. Aquela era sua melhor expressão para convencer um adulto quando queria alguma coisa.

- Sim, querida, é claro que pode.- Ana concordou e as duas começaram a andar pelo quarto, olhando tudo.

Michelle viu um urso de coelho de pelúcia cor de rosa caído próximo à penteadeira.

- Olha, mãe!- gritou, correndo para pegar o coelhinho. O brinquedo parecia encardido e o nariz do coelho estava descosturado.

- O que foi?

- È um coelhinho! Posso ficar com ele?

- Mas está tão sujo, querida.

- Mas eu quero, mamãe, por favor. È um presente da casa pra mim.

Ana olhou para o brinquedo desgastado, provavelmente tinha pertencido à outra criança que morava ali. Podia dar uma boa lavada no brinquedo e costurar o nariz do coelho, ficaria como novo.

- Está bem, princesa.- pode ficar com ele.

A menina deu um gritinho de alegria. Ana sorriu e ajeitou Liam sobre os ombros, o menino começava a ficar inquieto. Ela resolveu dar uma olhada no closet para ver se não estava muito cheio de mofo e poeira. Michelle sofria de asma e não convinha facilitar.

Ana-Lucia abriu a porta do closet e entrou, checando as cruzetas vazias e gavetas. O armário não tinha um cheiro ruim, na verdade exalava até um tipo de perfume infantil como tutti-fruti. Talvez os antigos donos da casa usassem essência perfumada dentro dos armários. Ela já estava quase deixando o closet quando uma mancha estranha na parede lhe chamou a atenção.

Era disforme, de cor marrom desbotada e manchava a parede branca do closet. Ana chegou mais perto e roçou levemente a mancha com os dedos. Era estranho, parecia algo pegajoso que tinha grudado na parede. Estava tentando compreender o que significava aquilo quando seu bebê arregalou os olhos castanhos e fez uma expressão chorosa e assustada.

- O que foi meu amor?- ela indagou, doce. – O que você tem?

O menino desabou num choro alto, parecia olhar fixamente para a mancha na parede. Mas Ana-Lucia concluiu que o ambiente estava abafado para ele. Saiu do closet de imediato e chamou Michelle.

- Vamos ver o seu irmão, querida.

Agarrada ao novo brinquedo, Michelle a seguiu. Vincent apareceu à porta do quarto e latiu para um ponto invisível com os pêlos visivelmente eriçados.

- Vamos Vincent!- Ana-Lucia o chamou e o cachorro retrocedeu para segui-la, mas ainda latindo.

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O trabalho de carregar a mobília durou praticamente a manhã inteira e mais a tarde inteira para conseguirem colocar a casa um pouco em ordem. Ao final do dia James e Ana estavam exaustos.

James telefonou para a cidade e pediu pizza para o jantar. O entregador levou cerca de duas horas e meia para trazer a comida. Quando ele chegou as crianças já estavam ameaçando chorar de fome. Ana-Lucia advertiu que deveriam sempre estar com a despensa cheia já que a cidade era tão longe.

Depois que as crianças comeram, Ana-Lucia subiu com elas para os quartos. James alimentou Vincent e o prendeu na varanda antes de se recolher. Quando chegou ao quarto que tinham escolhido, perto do das crianças, encontrou Ana embalando o bebê nos braços, amamentando-o para fazê-lo dormir.

James sorriu com aquela cena tão bonita. Estava na casa de seus sonhos, com sua linda esposa e filhos. O que mais poderia querer da vida? Ana-Lucia voltou os olhos para ele e fez sinal de silêncio com o dedo indicador. O bebê já tinha dormido e ela iria colocá-lo no berço. Não quis colocá-lo no quarto dele ainda que ficava interligado com o deles através de uma porta contígua. Não se sentiu segura para deixá-lo sozinho na casa nova àquela primeira noite. Por isso o berço foi colocado no quarto deles.

Antes de pô-lo no berço, Ana-Lucia ajeitou o seio de volta na camisola. James lhe deu um olhar malicioso antes de dizer:

- Sobrou alguma coisa pra mim?

Ana-Lucia olhou feio para ele e xingou baixinho:

- Pervertido!

James deu uma risadinha e ela se segurou para não rir também e acordar o bebê. Colocou-o no berço e ajeitou-o direitinho. James a agarrou por trás e cheirou seus cabelos.

- Sabe, eu acho que devemos estrear o nosso quarto novo em grande estilo...

- Hummm, por que essa sugestão não me espanta?

- Por que? Não está excitada?- ele gracejou. – Eu posso deixá-la excitada, meu bem em um segundo.

Ana riu baixinho e se deitou na cama. James fez uma expressão sedutora e começou a cantar, rebolando e começando a tirar a camisa:

"I'm too sexy for my love...too sexy for my love…love is going to love me…I'm too sexy for my shirt…too sexy for my shirt…so sexy it hurts…

- Gostoso, tira a camisa!- Ana entrou na brincadeira, sendo seduzida.

James tirou a camisa e a rodopiou no ar, passando entre as coxas. Ana gemeu e passou a língua nos lábios, se divertindo.

- Vem aqui, vem...

"I'm too sexy for your party...too sexy for your party…no way I'm disco dancing…"

Ele tirou as calças e pulou na cama em cima dela, Ana abriu os braços e eles se beijaram com paixão. Mas um barulho estranho no quarto fez com que eles parassem. A janela tinha se aberto completamente a brisa fria noturna entrou no quarto arrepiando-os. Ana envolveu os braços ao redor do corpo, tremendo ligeiramente.

- Que estranho!- ela exclamou.

James se levantou da cama e foi verificar as janelas.

- Acho que você não trancou direito, querida.

- Tranquei sim.- ela discordou sentindo um ligeiro desconforto.

- Pronto, agora estão bem trancadas.- ele disse, fechando-as novamente.

- Eu vou ver as crianças.- Ana falou e levantou-se da cama pegando seu robe. Alguns minutos depois ela voltou para o quarto e encontrou James dormindo. Balançando a cabeça negativamente, ela deitou-se ao lado dele só para ser atacada porque ele fingia dormir.

- James!- ela quase gritou de susto.- estava tensa.

- Oh, desculpe, meu bem. O que houve?

- Não sei, estou sentindo uma coisa estranha.

- Ah, vem cá com o seu amorzinho, meu bebê, está tudo bem, eu estou aqui, não vou deixar nada acontecer...

Ele sussurrou ao ouvido dela e a beijou trazendo-lhe conforto. Aos poucos, a sensação ruim foi diminuindo e Ana adormeceu nos braços do marido.

Continua...