Parte 1

Nada foi o mesmo após aquela carta.

Fazia cerca de um mês desde que achara uma carta de amor endereçada a ele na mesa do escritório de Sakura Haruno. Choque parecia um eufemismo para o que Kakashi sentiu. Durante esse tempo ele tentou lidar com a situação da melhor forma que sabia, se afastando da menina, é claro. Menina. Era isso que ela era, não era? Uma jounin de dezenove anos, aprendiz da Hokage, sua ex-aluna, que passou anos suspirando pela vila pelo herdeiro dos Uchiha. Kakashi era um homem de trinta e três anos, um ex-sensei dela. Jamais imaginara passar por uma situação como aquela e que jamais pensou que poderia passar pelo coração da jovem Haruno.

Cerca de um ano antes, quando Sakura e Naruto viraram Jonins, eles começaram a ter uma relação mais próxima. Iam em missões juntos, esbarravam no bar aos fins de semana para beberem com seus respectivos amigos e as barreiras que antes os separavam pareciam se esvair até tornarem-se inexistentes. Kakashi pegou-se sentado na mesma mesa que os antigos membros da Equipe 7 tantas vezes até que tornara-se apenas normal. Bebiam juntos, riam juntos, compartilhavam histórias, treinavam juntos. Eram amigos, companheiros em quem confiavam suas próprias vidas.

Em algum lugar no meio do caminho começaram os jantares de sexta-feira com Naruto e Sakura no Ichiraku. Era um momento mais intimista, onde eles encontraram uma maneira de, semana a semana, os laços que os uniam. Toda sexta Kakashi saia de sua casa, atrasado, e passava pelo hospital onde Sakura o aguardava. Quando ele chegava, Sakura geralmente já havia acabado seu expediente, trocado de roupa e o aguardava com os braços cruzados e a cara de emburrada. Mas não naquela sexta.

Estranhou o fato de Sakura não estar sentada no banco que ficava próximo a porta do hospital. Será que ela já fora? Ele nem estava tão atrasado assim. Entrou no hospital, olhando pelos corredores se via uma menina de cabelos rosas. Foi abordado por uma das enfermeiras, Miu, uma menina jovem e e bonita, que devia ter por volta da idade de Sakura. Conhecia ela porque era uma grande admiradora de Sakura, sempre que encontrava Kakashi fazia questão de falar sobre ela e se interessava em ouvir histórias que levaram Sakura de uma jovem Genin a onde estava hoje.

— Kakashi-san. Ohayo. Está procurando a Sakura-san?

— Ohayo, Miu. Ela ainda está por aqui?

— Está sim. Ela pediu para avisá-lo caso o visse que ela está terminando de conversar com um paciente e que você pode esperar no escritório que ela já te encontra lá.

Kakashi suspirou. Odiava esperar.

— Ok. Muito obrigado, Miu — sorriu por debaixo da máscara, o que era perceptível apenas porque seus olhos sempre diminuiam quando o fazia, e a enfermeira sorriu de volta antes que ele virasse e fosse em direção ao elevador.

Fazia algum tempo que não ia ao escritório dela. Percebeu que que estava um pouco diferente, mas não conseguia identificar no quê. Será que pintara as paredes? Elas pareciam mais brancas. As cores dos três quadros de flores que ficavam em cima do sofá pareciam mais vivas. A estante de livros também parecia maior, mas sua mesa continuava exatamente a mesma; uma completa bagunça. Aproximou-se do porta-retrato que continua uma foto da Equipe 7 e encarou os ex-alunos com saudosismo. Achava bonitinho que ela mantivesse a fotografia em sua mesa para que todos vissem. A dele ficava escondida em uma gaveta e só tirava de lá quando estava só e melancólico, tal como a foto da Equipe Minato.

Como haviam crescido. Naruto espichara tanto que estava quase da sua altura, mas a mudança foi apenas física, continuava tão expansivo e barulhento quanto antes. Sakura parara de chorar e tornara-se mais forte do que jamais imaginara. Claro que Tsunade tivera um grande influencia nisso, mas não tirava o mérito dela de ser uma grande shinobi e uma médica muito valiosa para a vila. E então tinha Sasuke. Suspirou pesado. Gostaria que ele pudesse estar nos jantares de sexta-feira, nas missões, nos treinos. Era uma pena que não soubesse nada sobre ele. Talvez fosse assim que as coisas devessem ser, talvez o vazio causado pela partida de Sasuke é o que tenha os unido novamente.

Ao colocar o porta-retratos de volta à mesa, um papel chamou sua atenção. Uma folha com seu nome no topo. Pegou instintivamente e começou a ler. Se pudesse voltar atrás, não teria feito.

Querido Kakashi,

Escrever essas palavras é uma das coisas mais difíceis que eu poderia fazer, mas preciso tirá-las do peito. Espero que, caso venha a ler esta carta, que minhas encontrem um coração aberto. Não sei dizer como isso aconteceu, mas de algum tempo para cá, toda vez que te encontro, sou invadida por uma explosão de sentimentos. Foi aos poucos e então de repente, como o amor sempre é.

Quê?

Um dia você era Kakashi Hatake, um dos mais respeitados e admirados Jouinins de Konoha, alguém que, apesar de fechado, era sempre bondoso com as pessoas ao seu redor e então você se tornou muito mais para mim. Eu contava os minutos para todas as vezes que iriamos nos ver, que você falaria bobagens que me fariam rir. Eu aguardava ansiosamente pelas sextas-feiras feiras e vivia por qualquer outra oportunidade e desculpa que pudesse encontrar para te ver.

Ahn?

Eu sei que você teve muitas perdas ao longo de sua vida e que nossa diferença de idade não o ajuda a me ver como mais do que uma menina, mas você sabe que eu também tive perdas irreparáveis. Juntos podemos curar nossas feridas, juntos seríamos mais fortes. Eu sei disso, Kakashi, porque te amo.

Porra.

Quero poder ser a pessoa para quem você volta após cada missão, veja seu rosto, que beije seus lábios. Espero que algum dia esse sonho se torne real.

Uou.

Largou a carta de volta na mesa, como se o papel o queimasse. Aquilo estava indo longe demais. Sakura tinha uma queda por ele? Não, não. Sakura era apaixonada por ele? Como aquilo poderia ter acontecido? Tudo bem que a relação deles havia evoluído de maneira orgânica muito rápido, mas a via da mesma forma que via, sei lá, Genma. Ou Gai. Ok, talvez Gai seja um pouco demais. Nada daquilo fazia sentido.

Kakashi não teve muito tempo para refletir sobre, porque a porta abriu de supetão, revelando Sakura por trás dela. Kakashi levou um susto, que não parecia ter sido percebido pela médica, que entrou na sala como um furacão, sem calar a boca por um instante.

— … e ai eu tinha que dar a alta dele agora porque senão ele teria que esperar até amanhã, o que nãos seria justo — Sakura tirou o jaleco branco e o jogou no sofá — Você esperou muito?

Kakashi estava em transe? O que diabos ela tava falando?

— Kakashi? Alooou? — Sakura sacudiu as mãos na frente do ex-sensei. — Você está entre nós?

— Desculpa, Sakura-chan. O que você disse?

— Perguntei se você esperou muito.

— Não. — Algo na feição de Kakashi deveria estar estranho pois Sakura faz uma careta e aproximou-se dele.

— Tá tudo bem?

— Sim. Por quê?

— Você está estranho — disse, estendendo a mão para tocar seu rosto, o que fez Kakashi arregalar os olhos.

— O que você tá fazendo.

— Vendo se você está com febre. Mas está normal. Você comeu alguma coisa estranha hoje? — Sakura aproximou-se dele para encostar em sua barriga, mas Kakashi afastou-se.

— Não preciso de uma consulta médica, Sakura. Estou bem e Naruto está nos aguardando.

Ela o encarou como se não tivesse comprado totalmente aquele discurso, mas decidiu deixar quieto por enquanto.

— Tudo bem. Vou trocar de roupa e vamos, ok?

Kakashi saiu correndo da sala como se fosse o Diabo fugindo da cruz. De repente, esqueceu como agia perto dela. Não sabia o que devia falar. Era normal que ela tentasse encostar tanto nele? Ela é uma médica, ele estava pensando demais. Talvez devesse usar alguma desculpa para ir embora. Droga. Se soubesse, teria se atrasado mais. Isso deveria ser algum tipo se sinal do universo para que se atrasasse maia para seus compromissos. O que os olhos não veem o coração não sente. Se não soubesse de nada não estaria nessa sinuca de bico. Não teve mais tempo de martirizar-se quando viu Sakura saindo de dentro do hospital com um vestido branco de alcinha e os cabelos presos em um coque com duas mechas finas caindo no rosto.

Tentou parecer normal no caminho até Ichiraku. Ouvia o que a menina dizia e respondia, talvez mais mecanicamente que o normal, mas o suficiente para que Sakura não o olhasse estranho ou tentasse tocá-lo novamente. Será que ela estava buscando desculpas para tocá-lo? Isso não fazia sentido já que ela era médica dele e, por tanto, ela já havia tocado nele inúmeras vezes. Ela já havia o visto com muita pouca roupa, inclusive. Será que isso que havia despertado o interesse dela nele?

— Como vocês demoraram. Quase que comecei a comer sem vocês, dattebayo!

— Hoje a culpa foi minha, tive uns contratempos no hospital.

— Ah, se é assim então estão perdoados. Mas vamos logo que estou com fome.

Naruto parecia agitado como de costume. Pediu o maior prato e falou animadamente sobre uma viagem que fizera a Suna durante a semana. Sakura ria das bobagens que Naruto falava, mas Kakashi não conseguia parar de observá-la. Ela não parecia diferente. Pessoas quando estão apaixonadas não agem diferente? Lembrava-se de como ela agia perto de Sasuke, como seu tom de voz mudava, seu rosto adquiria um tom de rosa e ela agia de maneira mais delicada. Perto dele, fosse em missões que fizeram juntos, em seus encontros sociais, Sakura era apenas Sakura. O que ele não estava percebendo?

— E você, Kakashi?

— O quê? — respondeu, aéreo.

— Ele está assim desde que o encontrei no hospital — Sakura suspirou.

— O que está acontecendo, sensei? — Naruto o olhou de maneira preocupada.

— Estou bem, Naruto. — Naruto não parecia acreditar. — É sério. Só estou cansado.

— Cansado de quê? Você nem tem ido à missões. Ou… — um sorriso pervertido tomou conta do rosto de Naruto — quem tem te cansado, Kakashi?

Kakashi e Sakura arregalaram os olhos.

— Cruzes, Naruto.

— Cruzes por quê? Todo mundo sabe que o sensei é popular na vila, não deve faltar mulher esquentando a cama dele.

— Eu não preciso mentalizar a cena do Kakashi transando com outras mulheres.

— Ninguém mandou você mentalizar nada, sua pervertida.

— Vocês podem deixar minha vida sexual de lado, por favor?

— Então existe uma mulher? — Sakura arqueou uma das sobrancelhas o encarando.

— Não há mulher nenhuma — Kakashi suspirou. Naruto abriu a boca para falar e Kakashi o interrompeu — Nem mulheres.

— Não é isso que dizem os rumores — disse Sakura, não convencida.

— Pessoas falam bobagens. Não sou atrativo quanto pensam.

— Você só pode estar louco, Kakashi, tem espelho em casa?

— Você nunca nem viu meu rosto, Sakura.

— Com esse corpo, precisa? Você só espanta mulheres se a teoria da boca de peixe for real.

Naruto gargalhou com a piada da amiga, mas Kakashi permaneceu sério.

— Não tenho nada a oferecer a mulher alguma — disse olhando nos olhos da menina.

— Não acho que essas mulheres queiram casar com você, elas só buscam uma noite de sexo com um dos ninjas mais populares da vila.

— Por que minha vida sexual é tão importante para vocês? — a pergunta foi generalizada, mas não tirou os olhos de Sakura em momento algum.

— Só estamos tirando sarro, Kakashi-sensei — disse Naruto.

— É, está tão incomodado por quê, Kakashi? Para alguém que lê livros pornôs por todos os cantos da cidade, você é bem sensível quando se trata de sexualidade — disse Sakura em tom provocativo.

— Bom, é melhor eu ir.

— Não! Que isso, Kakashi, está cedo ainda — exclamou Naruto.

— Estamos brincando com você, Kakashi — a feição de Sakura mudou drasticamente. — Se dissemos algo que te incomodou, desculpas. Não precisa ir embora por conta disso.

— Não estou chateado, só com muitas coisas na minha cabeça. — Kakashi levantou-se e colocou sua parte do jantar na mesa no balcão. — Bom, ja ne.

Depois daquele dia não vira mais Sakura. Pegou uma missão até uma vila próxima que levou cinco dias e após sua volta, passou a evitá-la. Consequentemente, Naruto também. Evitava o bar e os lugares que sabia que ela costumava frequentar. Chamou Genma para ir a sua casa algumas vezes beber. O amigo estranhou a mudança, nunca havia ido à casa de Kakashi para socializar, mas, apesar de imaginar haver algum tipo de motivo por trás disso, preferiu não perguntar. Não adiantaria, de qualquer forma. Se Kakashi não havia dito nada sobre é porque não queria tocar no assunto.

Não se lembrava da última fez que ficara tanto tempo sem ver Sakura. Sentia saudades dela e de Naruto. Não percebera até então que os jantares de sexta-feira eram tão significativos para ele, porém não sabia como lidar com Sakura naquele momento. Talvez só precisasse de um tempo para ajeitar seus pensamentos. Talvez acreditasse que um detox poderia curar aquela paixão insana que havia acometido a ex-aluna. De qualquer modo, o afastamento era benéfico.

Não vê-la não fazia com que deixasse de pensar nela, pelo contrário. Nunca antes havia se feito tantas perguntas relacionadas a ela e a como ela o enxergava. Afinal, de onde veio o tal interesse por ele? Teria surgido de sua fama de pegador? Talvez Sakura quisesse um cara mais velho, experiente, para guiá-la no mundo do sexo. Sakura tinha apenas dezenove anos, não costumava ir a muitos encontros e parecia ser bem inexperiente, talvez ela só estivesse confundindo tesão com amor. Talvez ela tivesse fantasia com professores, talvez ela só precisasse de uma noite com ele para saber que tudo aquilo não se tratava de um grande erro.

Se ele não fosse ele e ela não fosse ela, poderia acontecer. Sakura era uma linda e, apesar não ter o costume de sair com meninas tão novas, ele abriria uma exceção para… Não. Não deveria pensar esse tipo de coisas, afinal eles ainda eram eles e isso jamais poderia acontecer. Precisava admitir, vergonhosamente, para si mesmo que ter uma menina tão nova e tão estonteante o desejando daquela forma era lisonjeador. Isso o fazia pensar em coisas que preferia não pensar, como até onde ela já havia ido, como seria seu corpo nu e quais seriam as feições no rosto dela enquanto era chupada. Não tinha dúvidas que o sexo com Sakura deveria ser incrível, mas que ele não era merecedor de tanto.

Chegou a sonhar com ela uma noite. Sakura aparecia em sua casa, usando um sobretudo e trazendo a carta de amor nas mãos. Ela falava que o amava e que queria que ele fosse dela e, em seguida, tirou o sobretudo que revelava seu corpo nu. O Kakashi do sonho não aguentara tamanha tentação e transou gostoso com a Sakura do sonho, beijando cada parte daquele corpo esculpido por anos de treinamento. O Kakashi real acordou de pau duro e com sentimento culpa. Só podia estar ficando maluco.

Talvez só estivesse precisando transar. Chamou Kaori, uma civil quarentona com quem transava de tempos em tempos, para ir à casa dele. Ela era bonita e elegante, parte da elite de Konoha, e o sexo com ela sempre era fenomenal. Sempre, menos daquela vez. Não importava o quão deliciosos os seios gigantes saltitantes parecessem ou o quão molhada ela estivesse, não estava nem perto de gozar. Kakashi fechou os olhos e pensou em Sakura. Sakura em seu sonho, em sua mesa do escritório, vestindo apenas jaleco, Sakura e sua buceta rosa e molhada. Gozou intensamente. A partir daquela noite, transou com Kaori todos os dias e em todos eles imaginava como seria enterrar seu pau em Sakura. Tentou não se martirizar por isso. Se ela tinha o direito de ter uma queda por ele, ele também tinha o direito de fantasiar com ela, contanto que tudo permanecesse no mundo da fantasia.

— Meu aniversário está chegando, espero que ao menos isso te faça sair da toca.

Foi Genma quem disse, na última vez que fora à casa de Kakashi. Todo ano ele comorava o aniversário no bar que sempre frequentavam e Kakashi sabia que Genma consideraria uma grande desfeita se Kakashi não fosse. Sabia também que não poderia fugir de Sakura para sempre e, portanto, decidiu que seria melhor arrancar logo o curativo da pele.

Parou na porta do bar, ansioso, como há muito tempo não ficava com a expectativa de encontrar uma mulher. O interior do bar estava exatamente como da última vez que vinha e a mesa de Genma era a maior e mais barulhenta. Avistou Sakura rindo ao lado de Ino e Naruto, que foi o primeiro a avistar Kakashi.

— Kakashi-sensei! — gritou de maneira escandalosa, fazendo todos se virarem para ele, inclusive Sakura.

— Boa noite — disse Kakashi, cumprimentando a todos da mesa, enquanto Genma o recepcionora com um abraço, claramente já embriagado.

— Achei que teria que ir buscá-lo, Hatake.

— Bêbado do jeito que está, você não teria nem chegado à minha casa — o comentário fez Genma rir quase tão escandalosamente quanto Naruto.

Sentou-se na ponta oposta da mesa, perto de Gai, Kurenai e Anko. Brincaram com seu sumiço mas nenhum deles questionou o que o fizera desaparecer. Estava há muitas pessoas de distância de Sakura e parte dele queria olhar para ela, mas outra fingia estar totalmente focado na história que Gai lhe contava. Estava tudo bem, tudo era como antes. As cervejas vinham e Kakashi as bebia como água. Anko ria de uma piada de Kurenai e tocava em seu braço. Kakashi suspirou, sempre fazia isso quando estava bêbada e ele sempre resistiu às investidas dela. Anko podia ser um pouco, uhn, intensa quando se tratava de homens e Kakashi evitava todo problema que poderia ter. Sua mente voltou para Sakura e passou a se questionar se ela estava vendo Anko se debruçando sobre si e o que vê-lo com outra mulher tão próximo a ele poderia estar causando dentro dela. Apreensivo pela situação, olhou para Sakura instintivamente, checando se ela estava observando-o e seus olhares se cruzaram. Ela sorriu para ele e levantou o copo de cerveja em sua direção, saudando-o, e Kakashi fez o mesmo, sentindo um calor em seu coração.

Kakashi levantou-se para ir ao banheiro, diversos copos de cerveja depois. Deveria ir devagar já que fazia um mês que não bebia direito, mas não sabia o que fazer com suas mãos. Sentia-se como um adolescente. Ridículo. Ao sair do banheiro, levemente alto, encontrou Sakura parada na porta, com os braços cruzados.

— Quanto tempo, Kakashi — ela sorria, mas não parecia feliz.

— Olá, Sakura-chan.

— Você sumiu — falou, direta.

— Eu sei.

— Por quê?

— Eu precisava de um tempo.

— Para…?

— Pensar.

— Sobre?

— Sakura… — fora interrompido antes que pudesse concluir sua fala.

— A gente fez algo para você? Você está estranho desde nosso último jantar. No dia anterior quando nos esbarramos na Torre da Hokage você estava normal. Miu disse que te viu no corredor e também não percebeu nada de estranho, mas bastou encontrar comigo e com Naruto para estar aéreo e na defensiva. Depois disso nunca mais apareceu, não deu a menor satisfação. — Sakura deu uma pausa. — Ficamos preocupados.

— Não precisava.

— Kakashi… eu preciso que você seja sincero comigo — Sakura parecia arrumar forças para falar algo. — É sobre o Sasuke?

— O quê? — Kakashi pareceu confuso.

— Sei lá, você descobriu algo sobre ele e não quer nos dizer?

— Não — respondeu de forma assertiva.

— Você tem certeza?

— Absoluta, Sakura. O Sasuke não tem nada a ver com isso.

— Então qual é o problema?

— Você.

Ambos arregalaram os olhos diante da declaração repentina de Kakashi. Maldito álcool.

— Eu? — Sakura parecia triste.

— Vamos conversar sobre isso depois, por favor. — Kakashi colocou uma das mãos no queixo dela, mas Sakura o empurrou.

— Você não pode simplesmente falar que tem um problema comigo e esperar que eu volte para a festa como se nada estivesse acontecendo. Eu achei que fossemos amigos.

— Nós somos.

— É mesmo? — perguntou irônica.

— Eu sei o que você sente em relação a mim.

— Não parece.

— Você está apaixonada por mim.

Sakura arregalou os olhos e ficou um tempo muda. O rosto dela parecia confuso.

— Kakashi, — Sakura falou devagar — do que diabos você está falando?

— Eu vi a carta.

— Que carta? — ela parecia confusa.

— A carta de amor para mim que estava na mesa de seu escritório.

— Oh.

Surpresa tomou conta do rosto de Sakura para, logo em seguida, ser substituída por uma risada.

— Foi isso o que aconteceu? Por isso que se afastou?

Kakashi confirmou com a cabeça.

— Kakashi, não fui eu quem escreveu aquela carta.

Olá!

Obrigada a quem leu até aqui, espero que estejam gostando. Por favor, não esqueçam de deixar um comentário para estimular quem está aqui do outro lado.

Até o próximo!

Ja ne