Eu andava calmamente pelos cômodos, agora vazios, do meu apartamento. Nosso.

Ainda conseguia visualizar perfeitamente, a mesa central que ela tão enfaticamente tinha escolhido, o sofá de canto cor de barro - ela odiava que eu o chamasse assim - que lhe era como um filho, a cortina verde e azul - cores que ela intercalou para nos lembrar nossas casas -, e enfim, o tapete persa que eu tão relutantemente comprei, para simplesmente me render e agradecê-la depois, eu antes não o queria, mas depois, se tornou nosso lugar preferido na casa. Perdi a conta das vezes em que eu a beijei ali, a senti, a toquei, a fiz gemer meu nome.

O mesmo lugar em que ela havia chorado tanto, nos últimos meses, me esperado incansavelmente… Até se cansar.

Tentava buscar na memória quando foi que tudo começou a dar errado.

O mais bizarro de situações como essa, é que elas não acontecem da noite para o dia, são coisas que vão se acumulando, com o passar do tempo. Você vai se esquecendo de dar o beijo de boa noite, e aquilo vai, vagarosamente, deixando de fazer falta, vai apagando de seu vocabulário expressões como "Eu te amo", e quando para pra pensar, não consegue encontrar aquele sentimento que já fora tão forte, tão intenso, você sabe que ele está lá, mas o vê como uma lâmpada que se queimou, e sinceramente, não tem sequer uma grama de força de vontade de trocá-la, restaurá-la.

Ao invés de tentar focar nas carícias, nos sorrisos, no primeiro beijo ou o primeiro toque, tudo o que você vê, são as brigas, as palavras que - mesmo sem querer - foram proferidas e magoaram, você olha para aquela pessoa que está ao seu lado a tantos anos, e se pergunta pra onde foi aquele sorriso frouxo, ou os olhos brilhantes, ou ainda, aquele cabelo que outrora refletia o sol, parecendo ouro.

Você se pergunta quando foi que aquela pessoa que era a luz de sua vida, se transformara em uma sombra, mas você sabe a resposta, porque ao olhar-se no espelho, também não se reconhece. Não sabe quem vê, tudo o que era antes se foi. E por mais que ainda sinta falta do que tivera, se arrepende de não ter interessado em conhecer novamente, se apaixonar novamente pela mesma pessoa que agora, apenas está diferente.

Mas de nada adianta agora, tudo o que restou foi um apartamento vazio, sem fotos, sem lembranças… como se nada tivesse existido.

Tão vazio quanto seu coração.

(...)

Nova fic Drinny.

Essa é baseada na primeira oneshot que escrevi. Intensivo

Está disponível no meu perfil, se quiserem dar uma conferida.

Tô torcendo pra gostarem.

Beijinhos...