Título: A Resistência

Resumo: "Você ouviu falar dos Carrow?" (...) "Eles fazem mais do que ensinar. São responsáveis por toda a disciplina. E gostam de castigar, os Carrow." Neville para Harry no capítulo 28 de HP e as Relíquias da Morte.

Notas inicias:Puxa! Faz tempo, não? Nem lembro direito quantos anos se passaram desde Novas Esperanças, mas eu decidi que quero escrever alguma coisa. Talvez até uma continuação, mas como provavelmente vai ser longa, preferi começar com essa fic, que acho que vai ser curta... Quando escrevi Novas Esperanças, eu era solteira, desempregada, sem diploma, e no final da minha adolescência. Hoje sou casada, formada, servidora pública e mãe! Nossa... praticamente outra vida! Faz tempo também que li os livros, então pode ser que vocês encontrem algo em desacordo... A verdade é que algumas coisas vão estar mesmo diferentes. Algumas de propósito, outras não.

Decidi voltar a escrever porque até hoje recebo reviews e avisos de que minhas fics ou eu (como autora) fui adicionada à lista de favoritos de alguém. É ótimo e eu fico felicíssima, mesmo depois de tanto tempo sem escrever.

Vou começar devagar, e vou precisar de reviews pra saber se estou indo bem ou não. Depois de tanto tempo, virei iniciante novamente. Não li nenhuma fanfic em português nos últimos cinco anos, então mesmo que a fic possa parecer com a de alguém, com certeza é pura coincidência. É isso! Então vamos a ela:

Capítulo 1

– ...e eu sei que a gente não concorda com muita coisa, mas você sabe que eu só quero o seu bem!

– Eu sei, mãe. – Gina olhou mais uma vez pra sua mãe e suspirou. Essa era uma discussão recorrente desde os seus doze ou treze anos. Por mais que ela quisesse ser tratada como os outros irmãos, Gina sabia que nunca seria. Sua mãe sempre a superprotegia, e ter sido possuída aos onze anos de idade não ajudou muito sua situação. – Eu não quero mais discutir... Você sabe que me trata como criança, sabe que eu odeio isso, e sabe que eu vou fazer o que acho certo independente da sua opinião. Não importa que eu seja menor de idade ou seja sua única filha... você sempre deixou os meninos livres pra tomar a decisão que quisessem sobre qualquer coisa! Dois dos seus filhos nem terminaram a escola! Mas comigo é sempre essa ladainha! Eu tenho 16 anos, não 6! Em 11 meses serei maior de idade. Você acha mesmo que a minha cabeça vai mudar tanto em 11 meses? Você acha que os meus princípios vão mudar em 11 meses?

– O que isso tem a ver com o que eu estou te pedindo, filha? – Molly olhou para Gina com os olhos marejados... de novo. Sua mãe sabia como encerrar todas as discussões que elas tinham. Gina não aguentava ver sua mãe chorar, já que lágrimas era algo tão difícil para ela própria. – Eu só estou pedindo juízo! Para que você não faça nada inconsequente! Eu te conheço, Gina! Não é só o tom de ruivo que você tem diferente dos seus irmãos. Aliás, até nisso você é mais Prewett que Weasley! Eu sei exatamente como você se sente. Eu via isso diariamente nos meus irmãos, e você sabe exatamente o que essa atitude fez deles!

– Sei, mãe. Como eu poderia esquecer? Quantas vezes a gente já não teve essa mesma discussão? Eu não sou os meus tios! Eu nem conheci eles! E se ser uma Prewett quer dizer morrer cedo ou ser covarde como você, eu quero que você se lembre que eu sou uma Weasley! Eu não sou como você! Eu odeio quando você...

– Agora chega! – Se tinha uma pessoa que conseguia calar a boca de Gina imediatamente era seu pai. Mesmo quando ele usava esse baixo tom de voz, de quem já estava exausto com tudo aquilo. – Eu não vou tolerar mais essa discussão entre vocês duas! Tá na hora de ir, Gina. Peça desculpas à sua mãe e vamos embora. Molly, acho melhor você ficar.

– Eu sabia que você era petulante, teimosa e às vezes até egoísta, – Molly disse à Gina depois de assentir levemente a cabeça para seu marido – mas não sabia que você podia ser cruel também, Gina. – sua mãe falava-lhe com um tom de voz baixo, fraco e com lágrimas escorrendo no rosto. – Enquanto eu puder, eu vou sim fazer de tudo pra que você não tenha o mesmo destino dos meus irmãos. Por eles eu não pude fazer nada, mas você é minha filha, e eu mataria por você! E isso não é covardia.

– Desculpa, mãe. – Gina disse após dar um beijo no rosto de Molly. – eu falei demais. Você não é covarde, e eu te amo. Mesmo às vezes você me sufocando.

Artur enfeitiçou o malão de Gina e apontou com a cabeça em direção à porta. A menina deixou a casa sem olhar pra trás.

– Vamos logo. Ainda temos uma caminhada até o ponto em que podemos aparatar. – Artur disse sem olhar para a filha.

Gina odiava brigar com sua mãe, mas se tinha algo que ela odiava mais era ver a cara de decepção de seu pai sempre que as duas brigavam. Seu pai era seu ídolo, seu herói, e a menininha de papai dentro dela odiava saber que fora ela a culpada por aquela expressão em seu rosto.

– Pai, eu...

– Não, Gina – seu pai lhe interrompeu com um tom cansado. – Eu sei que você se sente injustiçada e até um pouco sufocada, como disse pra sua mãe. Mas ela é a sua mãe. Gostando ou não das atitudes dela, insultar os seus irmãos mortos e sua família não justifica. – seu pai parou, respirou fundo e olhou sério para Gina – De onde veio essa raiva toda? O Harry sumiu com o seu irmão e isso é motivo pra descontar sua contrariedade na sua mãe?

O queixo de Gina caiu, e ela não conseguia pensar em uma só palavra para dizer ao seu pai.

– Ser deixado pra trás é horrível, eu sei. Mas você sempre foi deixada pra trás pelos seus irmãos, e sempre foi forte o suficiente pra levantar a cabeça e andar sozinha. E a sua mãe sabe disso. Por isso te trata diferente. Porque sabe que você não precisa de mais ninguém pra fazer uma burrice sem tamanho. Uma corajosa burrice, mas na maioria das vezes inconsequente. – Gina baixou a cabeça com vergonha. Seu pai sempre conseguia fazer com que ela se sentisse um lixo por ter brigado com sua mãe. – A gente sabe que você vai estar sozinha em Hogwarts.

– Eu não vou estar sozinha.

A discussão acabou ali. Seu pai aparatou com ela até a estação e com não mais que um "Tchau", Gina embarcou no trem para o seu sexto ano em Hogwarts.

O trem encontrava-se extremamente vazio, e Gina lembrou-se do porquê: filhos de trouxas não frequentariam Hogwarts esse ano, e nem todos os pais de crianças meio trouxa meio mágica quiseram mandar seus filhos por medo. Só os "sangue-puro" estavam totalmente seguros. Gina suspirou enquanto sentava-se na primeira cabine vazia que encontrara. Luna e Neville logo se juntaram a ela.

– Oi, Gina! – disse o amigo, sentando-se ao seu lado. Luna colocou-se de frente pra ela, depois de também cumprimentá-la. – É... parece vazio, não?

Gina assentiu com a cabeça, mas não estava muito disposta a conversar. Seu humor não estava dos melhores, e o clima estava bem pesado.

– Oi, Simas – Gina e Neville viraram-se em direção à porta da cabine ao ouvir o cumprimento de Luna.

– Que bom te ver aqui, Simas. – Gina sorriu para o amigo com toda sinceridade que podia. Era bom mesmo ver o Simas, mas vê-lo sem o Dino só reforçava a idéia de que os filhos de trouxas não eram bem-vindos. Algo com o qual Gina não concordava e nem seria convencida do contrário.

– Posso sentar aqui com vocês? – Simas disse meio sem graça, de cabeça baixa. Todos entenderam que ele se sentia sozinho sem o seu inseparável amigo.

– Claro, Simas. – Gina sorriu pro amigo. E ela realmente o considerava um amigo. Quando Gina namorava o Dino, foi inevitável a aproximação com o Simas, já que os dois não se desgrudavam. Gina sempre deu boas risadas com ele. Simas tinha um senso de humor incrível, e Gina, que sempre gostou de uma boa piada, se dava super bem com ele.

– Sempre feliz em me ver, né, Gina? – Simas disse com seu usual tom de flerte. Quem os conhecia sabia que era totalmente platônico, mas Simas e Gina viviam flertando um com outro, desde que ele alegou que a ruivinha começou a namorar o Dino só pra se aproximar do melhor amigo bonitão: ele! – Pelo menos agora você não ta namorando... dar em cima de mim enquanto tá com outro pega mal, querida!

– Você sabe que eu não resisto, gato. – Foi a resposta de Gina com um sorriso no rosto. Ela sempre podia contar com Simas para melhorar o seu humor.

– Não acho que a tensão sexual entre vocês seja forte o suficiente. – disse Luna olhando por cima de sua edição d'O Pasquim. – Não daria certo o relacionamento de vocês dois...

Gina olhou para Simas e os dois caíram na gargalhada.

– Você tá certa, Luna! – Gina disse séria para a amiga. – O nosso amor está fadado à ruína para todo o sempre. Vou viver o resto da minha vida me perguntando "por quê?" e amando outro homem menos do que eu amo o Simas... – a menina suspirou exageradamente enquanto Neville revirava os olhos.

– Não diga bobagem, Gina – Luna respondeu no mesmo tom de seriedade. – Você vai passar a vida toda amando o Harry, e nunca vai amar outro homem tanto quanto ele.

Para Gina, o bom humor acabou ali. Todos ficaram sérios e ninguém disse nada por alguns segundos.

– E por falar nele... – Neville começou com um tom de voz bem mais baixo do que o usado anteriormente. Olhou com cuidado para Gina e continuou. – o que aconteceu?

– Eu sei tanto quanto você, Nev... – Gina respondeu. – a gente tava no casamento do Gui, Comensais apareceram, e o trio desapareceu... fim da história!

– Um... – Neville não tinha muito o que dizer. Nem era prudente dizer muito com tantos ouvidos por perto.

A viagem de trem foi longa, já que ninguém se aventurou mais a bater muito papo. Comentários soltos e cumprimentos a outros que passavam pela porta da cabine foi o máximo que eles conseguiram.

Chegando à Hogwarts foi que Gina pôde realmente visualizar o quão diminuto era o número de alunos naquele ano. O número de carruagens puxadas por testrálios fora reduzida à pelo menos metade do que costumava ser.

– É meio triste, né? – Luna sussurrou ao seu ouvido.

– O quê?

– Tanta gente vendo testrálios...

Gina olhou em volta e percebeu muitos alunos maravilhados e espantados com a novidade. A própria Gina não dera conta de que ela também podia agora apreciar aquela maravilhosa criatura. Aliás, era raro algum aluno que não a pudesse ver com a situação em que o mundo mágico se encontrava.

– Pelo menos agora, eles vão receber o reconhecimento que merecem. – Luna complementou e entrou na carruagem, Gina logo em seguida.

A chegada ao castelo não teve nada de diferente dos outros anos. Para os outros alunos. Para Gina foi bem diferente: assim que a carruagem parou, a menina foi escoltada pelo professor Flitwick à sala do novo diretor.

– Queira me acompanhar, Srta Weasley.

– Aonde estamos indo?

– O Professor Snape quer falar-lhe.

– E tem que ser antes da ceia? – Gina disse um tanto desrespeitosamente.

– Não posso dizer muito, Srta Weasley – O diminuto professor respondeu com calma.

Gina calou-se após isso, e seguiu o professor sem mais nenhuma palavra. A sala do diretor estava bem parecida com o que se lembrava, à exceção de Fawkes, que não se encontrava mais lá, e o quadro imenso de Dumbledore, atrás da cadeira do diretor. O retrato dormia no momento.

– Pode se retirar, Filio. – Snape falou com aquela voz anasalada de sempre, virando-se para Gina. Assim que o professor de feitiços deixou a sala, Snape continuou. – Bem, é o seguinte: já que você foi idiota o suficiente pra voltar à Hogwarts, não tem muito o que eu possa fazer.

Gina não sabia muito bem aonde ia aquela conversa, mas decidiu ficar quieta... por enquanto.

– Não é segredo pra ninguém que você andou engraçada com Potter no ano passado. E por ninguém, quero dizer seus dois novos professores, os Carrow. Como disse, não há muito que eu possa fazer, então tente não agir de forma inconsequente. Com a família que tem, duvido que vá conseguir, mas sempre achei que de todos, você é a que tem mais juízo. O conselho que eu lhe dou é para ficar na sua. Perambular por aí com esse seu grupinho de amigos não vai lhe ajudar em nada.

– E por que o alerta? – Gina não estava entendo. Snape nunca a tratou mal como tratava seus irmãos e Harry, mas também nunca foi bonzinho. Gina sabia que os Carrow eram comensais da morte, mas Snape achava sinceramente que ela corria algum risco por conta disso?

– A gente precisa descer. Os Carrow estão inspecionando os primeiranistas no momento, e o tempo é curto. Você vai perceber, Srta Weasley, que Hogwarts não é mais a mesma. E se você tiver um pingo de juízo, vai levar em consideração o que eu disse e guardar para si mesma. Acredito que você saiba o caminho para o Salão Principal?

Com essa última pergunta, o diretor deixou a sala. Gina suspirou fundo, e com uma última olhada para o retrato de Dumbledore saiu também.

Engraçado, mas ela podia jurar que viu o quadro piscar...