Notas do Autor:

Todas as personagens do universo Harry Potter, assim como as demais referências a ele, não pertencem ao autor desse texto, escrito sem nenhum interesse lucrativo, mas à JK Rowling.


Capítulo 1


Severus. Presente.

Essa ia ser a pior semana da minha vida. Tinha de ser. Após a semana que tinha acabado, eu sabia que não havia nada no mundo que pudesse ser melhor do que aquilo. Eu tinha definitivamente encontrado uma parceira maravilhosa. Como alguma coisa poderia superar isso?

O frustrante é que nós tínhamos feito um acordo: apenas uma semana de aventura, após isso, nossos caminhos seguiriam distintos.

Por que nós fizemos essa droga de acordo estúpido?

Suspirando, acenei com a varinha para escrever meu nome na lousa para os pós graduandos da turma preparatória de Curandeiros da Castelobruxo.

Após a guerra, Potter achou que eu não sobreviveria ao ataque da maldita cobra e fez a gentileza de me exaltar como herói para toda comunidade mágica britânica. Isso me tirou tão do sério que decidi aceitar a vaga oferecida pela escola brasileira. Eu fui recomendado por Libatius Borage, o renomado autor de, "Estudos Avançados no Preparo de Poções". Ele leu minhas pesquisas sobre as alterações às suas poções e trocamos diversas correspondências nos últimos anos.

Antes de aceitar o trabalho, pedi sigilo da minha identidade. Afinal, herói ou não, eu passei anos como comensal da morte assumido, assassino de Dumbledore, e odiado por todos os estudantes de Hogwarts durante sua educação normal, mesmo para os que conseguiam passar na minha matéria. E a Castelobruxo era reconhecida pelos seus populares programas de intercâmbio para estudantes de escolas europeias de magia, ou seja, minha fama com certeza me precederia.

Muito provavelmente por não saberem quem seria o professor da disciplina de poções avançadas de cura, uma grande aglomeração estava na porta da sala de aula quando acenei a varinha para abri-la.

— Entrem e sentem-se em qualquer lugar. — Disse a eles quando entraram.

Enquanto eu listava mais de duas dezenas de livros avançados de Poções na lousa, ouvi um coro de sussurros ecoando pela classe, mas isso não me impediu de passar para minha segunda lista de títulos.

— Se você ainda não leu algum destes livros, saia. Você irá falhar, e quando isso acontece, não há esperança para você. Eu não me importo se seu pai estava doente, se sua casa pegou fogo na guerra ou mesmo se você foi levado para ser torturado por comensais da morte. Se você quer passar nessa matéria, somente estudar não será o suficiente. Você precisa sangrar por isso. — Eu disse, abaixando finalmente a varinha da lousa.

Esperei por um momento, sorrindo para mim mesmo quando ouvi alguns alunos levantarem de suas cadeiras e saírem. Graças a Merlin eu só lecionaria para essa turma.

— Professor Snape, e agora que já eliminamos os fracos... — Minhas palavras sumiram quando eu me virei para encarar a turma.

Lá estava ela, Hermione Granger, sentada na primeira fila. Seus olhos castanhos se arregalaram e sua boca se abriu enquanto ela olhava para mim.

Flashes dela deitada nua na minha cama, enquanto eu beijava sua pele, girando contra seu corpo quente e suado, fazendo amor no tapete em frente a lareira, tudo isso, veio correndo de volta para mim.

Isso não pode estar acontecendo.

Olhando para cima, eu encontrei o que parecia ser uma centena de olhos, focados em mim. Limpando a garganta, comecei novamente.

— Para aqueles que ficaram, eu espero que vocês já tenham ouvido rumores sobre quem eu sou e deixem-me assegurar: todos eles são verdadeiros. No momento em que vocês terminarem com essa aula, eu tenho certeza que vocês terão mais a acrescentar a eles, mas por ora, venham até aqui, assinem seus nomes e peguem um plano de estudos.

Ela não se mexeu. Permaneceu em seu assento, seu olhar estava petrificado em cima de mim, parecendo tão mortificada quanto eu me sentia. Um por um, eu os assisti vir para frente, mas não ela.

Finalmente, ela se levantou, pegou suas coisas e então parou. Parecia como se ela estivesse tentando decidir se devia ou não fugir.

Fuja Granger! Por favor, pelo amor de Merlin, fuja.

Mas é claro que ela não fugiu. Com a cabeça baixa, ela veio para frente, assinando seu nome, antes de pegar um plano de estudos da minha mesa. Eu dei um passo para trás. Eu não podia tocá-la... não depois de tudo o que tínhamos feito juntos.

Eu tinha seduzido uma das minhas ex alunas. E ela agora era uma aluna de novo.

Merda!


Hermione. Presente.

— Quem pode prestar atenção com ele encarando parecendo que está nos fuzilando? — uma bruxa sussurrou para a amiga ao seu lado.

— Ele foi um Comensal da Morte, e foi o melhor de todos, enganou até o próprio Voldemort. Agora é o nome mais forte do pós guerra, atrás somente do de Harry Potter. Então, anote o que eu digo, se formos bem na matéria dele, conseguimos um lugar em qualquer área de qualquer hospital bruxo. E se conseguirmos uma recomendação, pronto, podemos ser Curandeira Chefe num piscar de olhos. — A amiga loira sussurrou de volta.

Elas sorriram uma para a outra, animadas. Já eu, no instante em que eu o vi, só sabia que teria um inferno de ano. Eu tinha transado com meu ex professor e agora a palavrinha "ex" abandonou a conjunção. Santo inferno, eu tinha lambido seu…

Isso não era para acontecer. Gemi.

Era para ser apenas uma noite de sexo incrível, e em seguida, nós nunca mais nos veríamos, afinal, ele estava aposentado, recluso, sumido, e sabe-se lá mais o quê. E ele ensinava Defesa Contra as Artes das Trevas antes do desastre da Guerra. Por que ele voltou a ensinar Poções? E tão longe? Eu era muito azarada.

Ele podia ter voltado para Hogwarts. Lamentei.

Esta manhã até lembrei dele, quando caminhei pelos corredores da escola brasileira e relembrei meus tempos de estudante em Hogwarts. Tinha espantado o pensamento dele assim que parei na porta da nova sala de aula, precisava me concentrar na profissão que escolhi e recomeçar a minha vida. Eu tinha prometido que eu ia fazer isso, que não deixaria que nada ficasse no meu caminho, mas eu estava aqui, olhando fixamente para Severus... e pensar que apenas dois dias atrás eu tinha…

Oh Merlin!

Eu tinha que me transferir. Eu ia me transferir.

— Srta. Granger. — Ele chamou, e eu pulei ligeiramente.

— Sim, aqui. — Murmurei, levantando minha mão. Ele nem sequer olhou para cima e simplesmente continuou lendo os outros nomes.

O destino tinha um senso de humor distorcido.


Hermione. Semana Anterior.

Eu sabia que era uma má ideia. Estava chovendo, eu estava irritada e eu não tinha alguém para me levar para casa se eu bebesse... o que eu provavelmente faria. Mas agora, eu não me importava, porque o que eu realmente precisava era de uma bebida. Não, não de qualquer bebida, mas de um Firewhisky e, de preferência, um que eu pudesse beber direto da garrafa. Foi sorte eu ter aparatado próximo o bastante do Cabeça de Javali. Eu parecia uma alcoólatra. Empurrei o pensamento para o fundo da mente e caminhei para o bar.

— Firewhisky, ou qualquer coisa forte o bastante, rápido. — Eu disse para o barman, que usava um chapéu pontudo em cima de seus longos cabelos grisalhos.

— Dia difícil? — Aberforth perguntou, enquanto me servia uma dose em um copo.

Engoli com um único gole, antes de tossir e respirar fundo.

— Você poderia dizer que sim. — Eu suspirei, acenando para ele derramar mais.

— Por favor, me diga que você não virou realmente uma alcoólatra, menina. — Ele brincou, derramando mais no meu copo.

Eu sorri para Aberforth.

— Talvez.

Seus olhos azuis transbordaram preocupação, e eu revirei os olhos.

— Um feitiço que lancei nos meus pais não pôde ser desfeito, fiquei três anos e meio tentando quebrá-lo. Hoje é aniversário da minha mãe, e agora, eu realmente não quero pensar que poderíamos estar comemorando em algum lugar. Por isso, continue.

— Sinto muito por eles, Srta. Granger.

Eu não tenho certeza se eu o fazia se sentir melhor ou pior, mas desta vez ele encheu o copo, e eu tentei ser mais civilizada.

— Não sinta, eu mesma que causei toda essa coisa horrível. — Murmurei com sinceridade.

— A bebida é por conta da casa.

— Não, está tudo bem, eu realmente não quero que tenha pena de mim.

— Fique tranquila Srta. Granger, eu sou o chefe afinal, posso oferecer bebidas gratuitamente. — Disse ele.

— Mas se você continuar me dando bebidas, eu vou ficar bêbada.

— Você é a primeira cliente que eu tive que brigar para dar bebidas.

— Tenho certeza, mas...

— Sem, mas. — Ele respondeu limpando um copo. — As bebidas são por conta da casa.

— Bem, como vai ser então, a casa paga as três primeiras bebidas e eu pago o resto?

— Quantas você planeja beber? — Aberforth perguntou, parecendo genuinamente preocupado.

Eu dei de ombros.

— Tantas quanto eu precise até que eu esteja mal?

— Você é sempre tão honesta?

— Só com pessoas que estão controlando a bebida.

Aberforth sorriu, sacudindo a cabeça para mim.

— Tudo bem, as três primeiras são por conta da casa. Você veio de novo para Hogwarts?

— Oh, não mesmo.

Isso era tudo que eu estava dando a ele, e ele acenou com a cabeça, aceitando a minha resposta como o suficiente.

Eu estava prestes a pedir algumas fatias de limão, quando a porta do bar se abriu novamente. Um bruxo de cabelos escuros e olhos negros profundos e marcantes que, mesmo no bar pouco iluminado eu podia vê-los, entrou. Sentando mais no fundo, Severus Snape levantou uma sobrancelha em minha direção ao me ver o observando e eu baixei os olhos para a minha bebida.

Mas, não sei o que diabos me deu, me vi incapaz de olhar para longe dele, até mesmo de beber, era como se eu tivesse vindo aqui só para vê-lo. Fiquei paralisada, enfeitiçada e oprimida, podia sentir minha garganta fechando. Que merda é essa? Eu deveria ir embora... murmurei para mim mesma. Mas, simplesmente continuei lá sentada, olhando para a minha bebida e incapaz de me mover. Controlei minha mente o suficiente e finalmente, levantei meu copo e engoli o seu conteúdo, e Aberforth, o meu velho e fiel bartender, colocou uma nova dose para mim.

Meus pensamentos finalmente viajaram de volta para meus problemas. Eu não sentia vontade de chorar, na verdade, eu não tenho mais lágrimas para derramar. Eu estava apenas cansada. Eu tinha passado os últimos três anos e meio com meus pais. Só que eu era apenas uma estranha para eles. Tentei desfazer o feitiço de memória, cheguei a brigar com eles, que não entenderam nada, depois eu chorei, e então parti — tudo nessa ordem.

— Posso lhe pagar uma bebida? — Perguntou uma voz suave atrás de mim.

Virei, e encontrei meu ex professor sorrindo diabolicamente, de pé ao meu lado. E quando o olhei seus olhos realmente capturaram minha atenção. Sem nem me dar conta disso, eu me inclinei para ele e sorri de volta, ele ficou totalmente à vontade.

— Há centenas de bruxos vivendo em Hogsmeade, professor Snape, porque eu deveria aceitar uma bebida de você? Você é vaidoso ou é apenas um narcisista?

Snape sorriu quando a sua sobrancelha se levantou.

— Existe realmente uma diferença entre ser vaidoso ou narcisista, Srta. Granger?

— Suponho que sim, embora o que eu esteja decidindo agora é se há realmente uma diferença entre ingenuidade e idiotice, caso eu aceite a bebida que você me ofereceu.

— Eu chamaria isso de medo. — Disse ele.

— Eu não. — Sorri ironicamente para ele.

— Você é bonita quando tenta mentir, Srta. Granger.

— Ótimo, bonita era tudo o que eu queria parecer. — Murmurei.

— É o que resta, quando se teme assumir algum risco.

— Correr alguns riscos sempre foi algo corriqueiro na minha vida, certo? — Retruquei.

— Então você está aceitando a minha oferta? — Ele perguntou, me encarando com aqueles olhos absurdamente penetrantes.

Eu o encarei de volta por alguns segundos.

— Sr. Dumbledore, eu deveria deixá-lo pagar uma bebida para mim? — Perguntei, me virando para o bruxo atrás do bar.

Aberforth bufou, olhando para o homem que esperava por um sim.

— Não, eu acho que não.

— Obrigado, Aberforth. — Disse Snape, franzindo a testa para ele, enquanto eu escondia um sorriso entre as minhas mãos.

Aberforth substituiu minha bebida, que eu ainda não tinha terminado, com algo novo e cor de rosa.

— O que é isso? — Eu perguntei a ele.

— Vinho das Fadas.

Sorrindo, eu me virei de volta para o meu antigo professor de Poções e dei de ombros.

— Parece que eu já tenho uma bebida, mas, vendo que você está com as mãos vazias no momento, eu ficaria feliz em pagar uma para você. — Respondi, me virando dramaticamente e batendo meus dedos contra o balcão. — Aberforth! Dê ao nosso amigo aqui algo bem forte.

Ambos sorriram.

— Eu vou querer o mesmo que ela. — Disse Snape, tomando o assento ao meu lado.

— Você reparou que esta bebida é rosa, certo? — Perguntei.

— Eu acho que estou suficientemente confortável com minha sexualidade. — Ele respondeu.

Eu pisquei. Severus Snape estava falando sobre sua própria sexualidade comigo? Este era o momento onde eu deveria sair do pub. mas, por alguma razão, eu apenas balancei a cabeça. Não queria sair ainda.

— Você está bem, por sinal. — Eu tentei mudar a conversa.

— O quê? — Ele perguntou se inclinando para mim.

— A última vez que o vi, você parecia bem morto. O que você acha que eu quis dizer?

— Nada. — Ele deu o que me pareceu um leve sorriso. — E obrigado, eu acho que ninguém mais notou que não pareço um Inferi.

— Por que ninguém notaria?

Ele levantou uma sobrancelha e olhou para o ambiente ao redor. Seguindo seu olhar, notei que todos estavam conversando animadamente com seus próprios pares e ninguém parecia se importar com a presença dele ali. Era domingo, então eu acho que todos queriam acabar seu fim de semana se divertindo e não observando-nos.

— Neste momento, aqueles dois ali parecem até que não querem mais as próprias roupas. — Eu observei, inclinando a cabeça para o lado e notando como a mão de um homem deslizava até o vestido de sua parceira.

— É nisso que eles estão trabalhando. — Snape respondeu me encarando sem ao menos piscar.

— É um prazer revê-lo, professor. — Eu disse, tentando não parecer tão interessada no tipo de olhar que ele me deu.

— Esta é a parte em que você dispensa o título.

— Você faz isso muitas vezes?

— Faço o quê? — Ele perguntou com uma careta.

— Influencia ex alunas com uma bebida, enquanto olha profundamente em suas almas com esses seus olhos terrivelmente encantadores.

— Olhos terrivelmente encantadores? — Ele sorriu tão maliciosamente que era contagioso. — Tenho certeza de que é um talento natural.

— Por que você me ofereceu uma bebida?

— Por que hoje em dia sou uma pessoa diferente. E no momento em que pus os olhos em você, achei que precisava lhe apresentar esse meu outro eu.

— Você realmente é um narcisista. — Eu disse revirando os olhos.

— Sim. — Ele tomou um gole da própria bebida e seus olhos negros nunca saíram dos meus. — Especialmente quando se trata das coisas que eu quero.

— E suponho que após se tornar um herói na guerra o seu novo status quo, é ser um homem que sempre consegue o que quer. — Afirmei com uma careta.

— Você não parece satisfeita com isso.

Dei de ombros, pegando meu próprio copo também.

— Eu não sei muito sobre você, só o que percebi como sua aluna e o que Harry me mostrou de suas lembranças, juntando isso mais a sua inacreditável sobrevivência, só posso concluir que você é um excelente jogador.

— E você não gosta de jogar, Srta. Granger?

— Com quem?

— Com as pessoas que jogam de volta. — Ele respondeu, aproximando-se mais de mim. — No entanto, no quesito mulheres, eu não jogo, sempre deixo claro o que pretendo.

Maldito seja ele.

— Você parece muito confiante sobre isso, conheci alguns homens assim antes.

— As pessoas devem estar confiantes sobre os fatos, e eu não acredito que você tenha conhecido alguém como eu. Eu vim até aqui lhe oferecer uma bebida porque também quero conhecê-la.

— Não há nada para conhecer. — Eu o interrompi. — Sou irritante, lembra?

— Eu nunca acreditei nisso nem por um segundo.

Eu fiquei tão surpresa por essa frase, que minha perna estremeceu e roçou a dele. Nós dois congelamos e meus batimentos cardíacos aceleraram.

— Isso foi um acidente. — Eu disparei.

Ele sorriu.

— Eu vou fingir que você fez isso de propósito, não estou acostumado a ser um cavalheiro. Me toque novamente se isso combina com você.

— Vou manter minhas mãos onde estão. — Respondi rapidamente, antes que eu entrasse em apuros.

— Que pena. — Ele deu um longo gole na bebida. — Eu realmente queria sair dessa túnica.

Meus olhos encontraram os dele e eu engoli em seco tentando disfarçar a absurda vontade que se apoderou de mim: descobrir como era a pele dele por baixo daquele monte de tecido negro.

— Você é bom.

— E você sempre quis se provar a melhor, Srta. Granger.

Ah maldito inferno, estamos definitivamente flertando um com o outro.

— Tudo parte do meu plano mestre, você sabe. — Eu disse com orgulho antes de tomar outro gole do vinho cor de rosa.

— Você está me enviando sinais mistos, Srta. Granger. Se fôssemos trouxas diria que você está pensando em pegar meu número de telefone. — Ele me encarou com o olhar penetrante. — Ou, quem sabe, deixaria o seu discretamente sobre a mesa.

— Você se importaria?

Ele fez uma pausa e me olhou mais intensamente ainda.

— Eu o faria. A pergunta é, você também?

Eu dei de ombros.

— Eu penso que sim.

— Atitude, Srta. Granger, fazer é bem melhor que pensar. Não sou conhecido por ser paciente.

— Isso soa como um problema pessoal.

Eu soltei antes que pudesse me conter e me perguntei de onde veio a coragem para que eu falasse isso. Era como se ele estivesse puxando isso de mim, ou, eu devia estar me alimentando da energia que ele emanava. Seus olhos viajaram por toda a extensão do meu colo e pescoço, antes de se concentrarem em meus lábios.

— Você está me tentando, Granger.

— Provavelmente são sensações causadas por nosso passado em comum.

— Provavelmente sim. Mas você realmente vai precisar me conhecer de novo para decidir se sou bom o bastante.

— Você vai se arrepender disso. — Eu disse a ele.

— Acredite em mim, isso não é possível.

Ele tinha se aproximado o bastante para sussurrar isso em meu ouvido, e foi como se eu não tivesse controle sobre meu corpo. Eu amei o som da voz dele tão próximo de mim. Ele definitivamente flertou com ex-alunas antes, pensei comigo mesma. Mas não disse nada, apenas levantei meu braço e toquei levemente no ombro dele. Uma das mãos dele roçou suavemente na minha coxa esquerda.

— Eu ainda não faço ideia do que está rolando aqui.

— Isso é porque eu ainda não disse a você, Granger. — Ele sussurrou de novo e eu girei o banco de frente para ele.

Nós dois nos encaramos e ele pousou a mão na minha bochecha esquerda, roçando levemente o polegar pelo contorno do meu lábio inferior e eu estremeci. Isso não era normal, certo? Tinha sido um longo tempo, mas o toque de um homem não deveria ter me balançado tanto. Eu deveria apenas ir embora, Snape deve estar brincando.

Provavelmente por conta do álcool, ou porque eu só queria sentir alguma das coisas que ele despertou em mim e esquecer meus próprios problemas, diminuí a distância entre nós. Esse era o convite que ele precisava para assumir o comando.

Seus braços passaram em volta de mim e suas mãos encontraram uma posição sobre o meu pescoço enquanto ele me puxava para um beijo. Ele tinha um sabor incrível. Estendendo a mão, agarrei-o pelos cabelos e o puxei para mais perto e, antes que eu percebesse, eu estava me pressionando contra ele. Por fim, demos um passo longe um do outro por um momento, para que pudéssemos respirar. Eu o queria tanto, que o teria tomado ali mesmo no meio do bar, com Aberforth nos encarando estupefato.

— Você tem um namorado, Srta. Granger? — Ele me perguntou.

— O quê? — Demorei a entender a pergunta dele, afinal, eu ainda estava tonta pelo efeito do nosso beijo.

— Você tem um namorado? — Ele repetiu.

— Por que?

— Para saber quanto trabalho eu vou ter. — Ele respondeu e eu tive certeza que Severus Snape era o homem mais direto que eu já conheci.

— Pelo que você está tentando trabalhar, Snape?

Ele sorriu ironicamente.

— Nossa noite, é claro.

— E se eu tiver um namorado? — Eu sussurrei.

— Gostaria de roubar você na frente dele. — Disse ele, quando fechou a distância entre nós.

— E se for um noivo?

— Você mesma desfaria a péssima escolha, já que ele não teve a consideração de lhe dar um anel.

Eu escondi minhas mãos nas costas.

— Um marido?

— Então você cometeu um erro terrível e eu teria que esperá-la retificar a situação. — Ele sussurrou, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. — Já terminamos esse joguinho, Srta. Granger?

— Eu preciso realmente repetir isso, Snape, você é bom. — Eu sorri brilhantemente quando dei um passo para longe dele, me virando para o balcão.

Só consegui me afastar um único passo antes que a mão dele envolvesse minha cintura. Ele me girou para encará-lo, e sem perder um momento, ele me beijou com força enquanto a outra mão segurava meu rosto. Eu me derreti nele e meus lábios se separaram involuntariamente, Snape aceitou o convite e sua língua explorou e provou todos os cantos da minha boca antes de quebrar o beijo e nossos lábios se afastarem.

— Sua casa ou a minha, Srta. Granger? — Ele questionou enquanto o seu polegar pressionava contra meus lábios.

— Você acha que você está com sorte? — Perguntei, e ele me beijou pela terceira vez. No momento em que ele o fez, minhas pernas bambearam, mas ele se afastou rapidamente.

— Eu acho que já nasci com sorte. — Disse maliciosamente.

— Sua casa, então. — Eu sussurrei, e ele pegou minha mão.

Eu mal me lembrei de pegar minha bolsa antes dele me levar para fora do Cabeça de Javali. No momento em que saímos do bar, ambos estávamos tremendo. Enquanto andávamos até o ponto de aparatação, eu levei um tempo para admirar seu perfil no brilho intermitente das luzes da rua. Seus dedos traçaram suavemente ao longo da pele da minha mão. Era um movimento casual, mas minha respiração ficou presa na minha garganta e minha mente ficou em branco. Quando ele me abraçou para a aparatação guiada, minha mão roçou levemente na frente da sua calça, ele não disse uma palavra, mas eu pude sentir a excitação dele.

Aparatamos diretamente no jardim de uma casa bonita, que eu mal reparei, mas de alguma forma, eu consegui recuperar um pouco da minha compostura quando ele abriu a porta para mim. Quem olhasse para nós, não teria imaginado que qualquer coisa indecente estava prestes a acontecer, mas no momento em que toquei suas mãos senti uma onda de propagação mútua de calor, e me alegrei com o fato de que ele ainda tremia, seja porque estava extremamente nervoso ou tão animado quanto eu. Eu estava excitada com a perspectiva de descontrole do meu antigo Mestre em Poções e no segundo que entramos, ele se virou e me prendeu contra a porta.

— Graças a Merlin. — Disse ele contra a minha pele.

Ele passou o polegar pelos meus lábios inchados e levemente arrastou seus dedos para baixo até a minha cintura, seu toque permaneceu por apenas um momento antes dele arrastar minha túnica sobre meu corpo. Levantando-me, ele me levou em direção ao seu sofá, caindo sobre ele. Com ele em cima de mim, eu podia sentir o seu comprimento através das suas vestes, mas isso não era o suficiente. Puxando a capa dele, eu mordi seus lábios, impaciente, e ele riu quando entendeu a urgência das minhas ações. Afastando-me, ele se livrou das suas roupas e voltou para me ajudar a tirar as minhas.

A maneira como seu corpo estava contra o meu... eu queria tocar tudo nele, mas quando tentei alcançá-lo, ele prendeu as minhas duas mãos sobre minha cabeça, e começou a beijar e lamber suavemente meus mamilos. Ele me provocou lentamente, apreciando enquanto eu me contorcia debaixo dele. Eu senti como se estivesse perdendo a cabeça.

— Seu bastardo.

Eu suspirei, quando mordi meus lábios, tentando não elogiá-lo. Mas quando uma de suas mãos percorreu meu estômago e entre as minhas pernas, eu não pude me conter, e derreti em suas mãos. Isso não era uma preliminar, era uma tortura.

— Srta. Granger, você é maravilhosa... — Ele sussurrou, como se eu estivesse fazendo algo para ele.

Seu domínio sobre mim afrouxou enquanto ele beijava ao longo do meu maxilar. Finalmente livre, eu permiti minhas mãos passearem de volta para ele, e desta vez, ele não me parou enquanto eu me segurava nele. Apertei o meu domínio sobre seu membro, movendo minha mão para cima e para baixo agonizantemente lento, torturando-o, assim como ele tinha feito comigo. Sua respiração falhou e seus olhos pareceram escurecer ainda mais, enquanto me observava trabalhar nele. Eu gostei do fato de que ele parecia estar lutando uma batalha interna, tentando se controlar. Mas eu não queria que ele se controlasse, eu queria que a nossa versão torturante de preliminares chegasse ao fim.

— Feitiço contraceptivo? — Eu perguntei a ele.

— Eu tomo poções. — Ele respondeu rapidamente.

Nós nos olhávamos enquanto eu me posicionei sobre ele. Eu podia senti-lo e ele podia me sentir. Ele grunhiu em frustração e agarrou a minha cintura, me empurrando para baixo. Eu gemi quando ele usou a mão esquerda para segurar minha coxa. Ele resmungou e deslizou para dentro de mim.

Gemi quando ele empurrou para dentro cada vez mais forte, com força quase brutal, mas não me importei. Meus seios saltaram livremente, e ele sorriu, beijando os dois antes de beijar meus lábios e eu abri a boca, permitindo que nossas línguas dançassem.

— Deliciosa. — Sussurrou para mim.

Ele me fez sentir tão bem que imediatamente agarrei seus ombros enquanto minhas pernas enrolaram em torno dele. Ele beijou os lados do meu rosto, então nossos lábios mais uma vez se encontraram.

— Goza para mim.

Balancei a cabeça, incapaz de falar. Quando a minha boca se abriu e os meus seios pressionaram contra o peito dele, eu arqueei minhas costas pressionando nele até que eu já não podia me conter.

— Severus eu… — Foi só o que consegui dizer.

— Merlin, você é linda.

Eu tentei controlar minha respiração, mas não podia. Gemi quando ele me segurou, e beijou o meu pescoço. Eu o empurrei de costas e o montei, olhei para ele sorrindo e aumentei a força. Segurei meus mamilos, e suas mãos encontraram as minhas, segurando meus seios enquanto empurrava em mim.

Ele mordeu o lábio, lutando contra seu gemido. Com minhas mãos em seu peito, eu o observei; selvagem, sexy e faminto por mim, e eu simplesmente amei isso.

— Goze para mim. — Repeti suas palavras.

Ele gemeu alto, encontrando a sua libertação e descansou ofegante debaixo de mim por um momento. Eu não queria sair, mas ele me puxou para baixo para me beijar de novo, dessa vez com uma suavidade íntima.

— Você acha que nós podemos fazer isso no quarto da próxima vez? — Disse sério.

— Vai ter uma próxima vez?

— Merlin, eu espero que sim.

Eu sorri.

— Quando?

— Em vinte minutos?

Eu levantei uma sobrancelha para ele.

— O que é que eu vou fazer por vinte minutos?

— Vamos manter a nossa energia. — Ele me beijou de novo, e eu devolvi. — Não vá a qualquer lugar, Srta. Granger.

— Eu não sonharia com isso. — Respondi, admirando seu físico enquanto ele se afastava.

Sorrindo para mim mesma, eu sentei de volta no sofá por um momento. Isso foi incrível, merda. Ele foi incrível, claramente experiente. Era como se ele soubesse onde eu queria ser tocada e quando e não teve medo de me morder, eu mesma não sabia que gostava tanto dessa pequena sensação de prazer e dor, até ele fazer isso.

— O que você quer comer? — Ele gritou do que provavelmente era a cozinha.

Eu me levantei do sofá e me espreguicei, não me importando nem um pouco que eu estava nua. Eu não estava preocupada já que ele já havia lambido, mordido e visto tudo.

— Eu tenho biscoitos, e posso fazer sanduíche...

Andando atrás dele, eu coloquei minha a mão em suas costas e ele pulou. Olhando para mim por cima do ombro, ele engoliu em seco, incapaz de afastar o olhar da minha nudez.

— Você tem chocolate? — Perguntei.

— Humm?

Olhando por cima dele, eu vi uma calda na porta da geladeira e abaixei para pegá-la. O ar frio fez meus mamilos endurecerem, o que eu sabia que ele notou. Pegando o pote, abri e derramei um pouco em minha boca.

— Você se importa? — Perguntei, acenando com o pote para ele.

Ele negou com a cabeça.

— De modo algum.

— Eu amo chocolate, sabia? — Sussurrei e derramei sobre o meu dedo, oferecendo-o para ele, que abocanhou ansiosamente. Ele sensualmente sugou a calda do meu dedo e passou a língua ao longo do mesmo, antes de permitir que eu o deslizasse para fora de sua boca.

— Você é uma pervertida, Srta. Granger. — Ele sussurrou. — E está me deixando louco.

Pegou o pote e derramou um pouco da calda no meu ombro. Inclinei a cabeça para o lado, dando-lhe espaço para lambê-la de cima de mim.

— Você realmente é muito bom. — Sussurrei.

Ele olhou para mim sem dizer uma palavra, e eu pude ver que ele estava esperando meu próximo passo. O beijei ferozmente e ele me beijou de volta, gemi, apreciando a sensação de seus lábios.

— Eu acho que os nossos vinte minutos acabaram. — Sussurrou, se colocando entre as minhas pernas. Engoli em seco, mas isso não o impediu de colocar dois dedos dentro de mim.

— Tenho certeza que o tempo passa rápido aqui. — Eu disse já ofegando com as sensações de prazer. — O que você quer fazer, Severus?

— Quero transar com você até que você não possa andar em linha reta. — Disse ele enquanto me pressionava contra a bancada.

Eu sorri. - Vamos começar então.


— Ahrgh.

Gemi, agarrando minha cabeça quando me sentei. Firewhisky, essa droga sempre faz isso comigo. Olhando em volta, a primeira coisa que notei foi que este não era o meu quarto. A segunda coisa que notei foi o som do chuveiro ligado.

Merda, pensei, quando as lembranças da noite passada inundaram minha mente. Na ponta dos pés, eu procurei minha varinha para convocar as minhas roupas no chão do quarto, sem sucesso. Saí catando as que estavam espalhadas e indo para a sala de estar, encontrei o meu sutiã e capa, e apressadamente os peguei.

— Vai fugir?

Eu me virei para ver Snape, ele estava todo molhado e vestido apenas com uma toalha, que estava vagamente envolta em torno de sua cintura.

— Sério você tem que estar assim na parte da manhã? — Eu suspirei, tentando tirar a atenção de mim mesma.

— Assim como? — Questionou.

Eu acenei minha mão para cima e para baixo na frente dele antes de desistir em frustração.

— Não importa. Obrigada por ontem à noite, foi humm... eu deveria ir...

— Você quer café da manhã?

Foi nesse momento que eu notei o aroma celestial de bacon e ovos. O cheiro era tão sedutor que meu estômago roncou. Sinceramente, eu ansiava por um bom café da manhã, mas eu não podia ficar.

— Não, obrigada, eu realmente deveria ir. Nós realmente não precisamos fazer a coisa.

— A coisa?

— Você sabe, onde ambos tentam ter uma conversa civilizada depois de uma transa de uma noite.

— Na verdade. — Ele estampou um sorrisinho irônico. — Foram quatro numa noite; uma na cozinha e chuveiro para não mencionar a primeira no sofá e, em seguida, na minha cama...

— Tudo bem, entendi...

— Srta. Granger... — Ele disse, movendo-se em minha direção, e eu descobri que eu tinha que me esforçar para não olhá-lo.

Maldito!

— Nós poderíamos deixar isso estranho, como você está tentando tão duramente fazer, ou podemos apenas tomar um café da manhã.

— Eu vou acabar transando com você novamente. — Respondi sincera.

— E daí?

— Isso significa que nós passamos quase dois dias juntos.

— Uma noite e meia manhã não são quase dois dias. — Ele sorriu levemente, soltando-me. — Se você quiser ir, então vá, mas você não pode me culpar por querer passar um pouco mais de tempo com a melhor transa que já tive.

— Você deve dizer isso a todas as ex alunas que você pega em bares.

Ele balançou a cabeça.

— Um café da manhã Granger, e então eu vou deixá-la aparatar.

— Tudo bem. — Eu disse finalmente. — Eu fico para o café da manhã, mas, só se você colocar uma maldita camisa ou algo assim.

— Você está usando a minha. — Ele acenou para a camisa que eu tinha vestido.

— Bem, não achei a minha em nenhum lugar. — Retruquei.

Ele apenas sorriu e se mudou para o lado fazendo um gesto para eu entrar na cozinha.

— Você se importa se eu usar seu banheiro primeiro? — Perguntei à ele.

— Vá em frente.

— Obrigada. — Murmurei, feliz que pelo menos eu tinha a minha escova de dentes e minha necessaire na bolsa.


Severus. Semana Passada.

Depois que ela saiu, fui para o meu quarto e me vesti o mais rapidamente possível, vendo que ela apresentava um potencial risco de fugir. Granger é linda demais, sexy, engraçada e pecaminosamente incrível na cama. E sua ex aluna, vinte anos mais jovem. No mínimo, você precisa de decoro.

A outra porta abriu e fechou, interrompendo meus pensamentos e voltei para a sala para descobrir que ela ainda não tinha ido para a cozinha.

— Você mantém discos trouxas. — Ela falou em um tom levemente surpreso.

Eu tentei o meu melhor para parecer o mais relaxado possível.

— Sim. Um hábito velho e antiquado...

— Não, eu gosto. Tudo soa melhor em vinil de qualquer maneira. — Ela disse, passando as mãos sobre a minha coleção.

— Costumo dizer isso, mas nenhum bruxo acredita em mim.

Ela parou de peneirar a pilha e ofegou. Então, sem dizer uma palavra, ela levantou um da pilha e trouxe até seu rosto. Toda a sua expressão transformada em algo que eu não conseguia decifrar.

— Rita Lee. Um álbum da Rita Lee! — Ela sussurrou.

— Você conhece Rita Lee? — Perguntei surpreso, ela era jovem demais para conhecer, e a maioria das pessoas não ouvem a música que gosto.

Hermione me olhou como se eu fosse louco.

— É a trilha sonora da minha infância! Meus pais adoravam ela.

— Como seus pais conhecem música brasileira?

— Como você conhece música trouxa brasileira?

— Fiz um intercâmbio na Castelobruxo há muito anos atrás, e alguém me apresentou a Rita. Sua vez.

— Um dos melhores amigos de infância do meu pai é um brasileiro radicado em Londres e ele influenciou todo o gosto musical da minha família. Você realmente tem uma coleção legal aqui. — Ela respondeu com os olhos brilhando, enquanto analisava outros discos vindos do Brasil.

— Obrigado, música é um hobby.

— Depois dos livros, suponho? — Ela riu, olhando para os livros que eu tinha espalhados por toda parte.

— Isso não é novidade nenhuma e você é igual, pelo que me recordo.

Ela sorriu de novo e foi lindo. Todo o seu rosto parecia se iluminar.

— Você é inteligente, um herói de guerra, transa maravilhosamente bem, ouve discos de vinil e é um nerd que gosta de livros... bem, tome cuidado ou eu poderia simplesmente começar a gostar de você.

Chegando mais perto dela, eu tirei o disco de suas mãos e acenei com a varinha para deslizá-lo até o meu velho gramofone, imediatamente a música começou a tocar. Peguei a mão dela, e mais uma vez foi como se eu estivesse pegando fogo. Bastava tocá-la que ela tinha esse efeito em mim, era uma loucura.

Ela irrompeu em gargalhadas quando deixamos a música dos anos setenta invadir a sala e não pareceu nem um pouco tímida em dançar, cada vez que ela sorria, eu sentia vontade de sorrir com ela. Quando a música abrandou, eu a afastei, girando-a e ela caiu muito próxima aos meus lábios. Por que eu queria tanto beijá-la novamente? Cada parte de mim estava gritando por ela. Ela engoliu lentamente como se estivesse lutando a mesma batalha que eu.

Por fim, assumi o risco e a beijei. Era para ser um beijo suave, simples, mas eu não conseguia controlar isso. Sua língua deslizou em minha boca, e eu agarrei seus quadris, levantando-a. As pernas dela circularam em torno de mim quando eu a empurrei contra a parede. Eu podia senti-la puxando minhas calças quando eu empurrei sua saia para cima.

— Só uma rapidinha. — Ela me disse entre beijos.

— Sim, apenas para tirar de nossos sistemas. — Eu balancei a cabeça, girando em torno dela e lembrei o quão boa ela parecia na noite passada.

— Mmmm.

Ela gemeu com as mãos na parede, enquanto eu deslizava dentro dela. Suas costas arquearam, e minhas mãos deslizaram pela camisa que ela usava, minha camisa, em seus ombros. Gemendo de frustração por não ser capaz de tirar o sutiã, eu simplesmente puxei-o para baixo, para senti-la em minhas mãos. Cada parte dela era real e minha. Recostando-se contra mim, ela gemeu em minha boca e me beijou apaixonadamente.

— Ahh! — Gemeu mais alto quando eu nos empurrei ainda mais contra a parede.

Merlin, isso é bom pra cacete, pensei.

— Severus!

Ela gritou para mim, e eu afastei seu cabelo de lado, trazendo a cabeça para trás para o meu rosto.

— Grite meu primeiro nome de novo. — Disse a ela.

— Faça-me gritar. — Ela desafiou.

Ela era a perfeição.


— Isso é loucura. — Eu finalmente sussurrei, parando com ela no ponto de aparatação do jardim.

— O quê? — Perguntou em voz baixa.

— O fato de termos transado tanto que nem consigo lembrar a quantidade de vezes, e mesmo assim, ainda querer você. — Confessei por fim.

— Sim, é uma loucura. — Ela murmurou, então ficou em silêncio. Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, ela falou. — Eu não sei, talvez houvesse algo naqueles drinks de Fadas... porque eu não estou dizendo que eu não quero você também.

— Você não está à procura de um relacionamento, está? Porque eu não posso...

— Acredite em mim, Severus, eu não posso lidar com um relacionamento agora. — Ela respondeu, me cortando.

Por um momento, eu me senti como se estivéssemos na mesma página. O que poderia ser a pior coisa que aconteceria se eu lhe pedisse para transarmos? Sexo parecia ser tudo que ela queria também.

— Que tal... eu não sei, transarmos pela próxima semana? Eu não tenho que trabalhar até a próxima segunda feira, e talvez, nós...

— Consigamos tirar isso de nossos sistemas?

Eu olhei para ela e assenti com uma risada.

— Apenas uma semana? — Ela perguntou para confirmar.

— Uma semana. Sexo, bebida, comida, nós, e então, voltamos à realidade.

Ela ficou em silêncio por um momento, e depois sorriu amplamente.

— Isso é bem perigoso, Severus, eu vou estragar suas chances de ter qualquer outra mulher.

— É um risco que estou disposto a correr.

— Que tal alternarmos dias? Passaremos amanhã à noite na minha casa e, em seguida, um dia na sua? — Ela me perguntou.

— Tudo bem. — Eu disse tão calmo quanto possível. No fundo, eu estava vibrando como um louco.

— Você gosta de gatos?

— Aqueles bichanos? — Perguntei.

Ela olhou para mim com uma expressão vazia antes que nós dois tivéssemos um ataque de risos.

— Não gatos normais, ele tem quatro patas, pelos e bigodes, mas definitivamente, Crookshanks não é um gato normal.

— Eu não odeio gatos.

— Tudo bem. Eu só queria ter certeza de que você não era alérgico ou se isso poderia vir a ser um problema. — Disse ela, me estendendo um pedaço de pergaminho. — Venha às oito, amanhã à noite.

Olhei o endereço rabiscado. — Você ainda mora em Londres? — Perguntei.

— Sim e não. — Respondeu ela, descartando a questão. — Vejo você às oito, e Severus, não se atrase. — Disse ela, beijando minha bochecha antes de sair.

Hermione Granger me fazia pensar em uma dúzia de coisas românticas e bregas, mas, por alguma razão, eu sabia que essa seria a melhor semana da minha vida.


Notas Finais:

Tenho duas histórias em andamento, então como a outra é mais drama e angústia, essa é um romance hot. Acho que precisamos nos animar um pouquinho!

Beijos pra vocês e, por favor, me digam o que acharam, esse estilo é completamente diferente do que sou acostumada a escrever e preciso dos feedbacks de vocês!