Aviso legal: Nada disso me pertence.
CAPÍTULO 15 - Ponto de convergência
"Oh - Pensando nos nossos tempos de juventude
Só existia eu e você
Nós éramos jovens, selvagens e livres.
Agora nada pode lhe manter longe de mim
Já percorremos esse caminho antes
Mas agora já acabou
E você continua me chamando pra mais"
(Bryan Adams: Heaven – Reckless, 1984)
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Tanto Bruce quanto Selina lembrariam daquelas semanas como uma das épocas mais felizes de suas vidas. Aqueles foram dias de paz. Uma estranha paz que chegava a deixá-los assustados.
Selina perdoou Bruce por ter ido embora, e o príncipe de Gotham saiu um pouco de sua caverna emocional, ou permitiu-se ter companhia nela. O casal chegou em um ponto de convergência.
Estavam se conhecendo intimamente, agora como adultos, mas também estavam vivendo um pouco como os adolescentes que não puderam ser no passado. Descobriram que a faísca que sempre houvera entre os dois transformava-se em explosão quando estavam a sós.
As noites de Bruce continuavam preenchidas por patrulhas e atividades detetivescas em Gotham, mas também por momentos em que lia para Helena dormir antes de sair para a cidade e por momentos em que encontrava Selina esquentando sua cama ao voltar para casa.
Durante os dias, ele podia passar horas na caverna entretido com suas pesquisas e em seguida voltar para a mansão onde Helena sempre tinha uma história nova para contar sobre algo que vira ou aprendera e onde Selina lhe esperava, as vezes com um banho de espuma, as vezes com uma boa luta.
Paralelo a isso, seu plano para deter Luthor estava muito próximo de se concretizar. Bruce já conseguia vislumbrar um futuro em que Selina e Helena não precisariam mais estar presas a mansão e estariam livres. Esse dia também o deixava apreensivo, ele não sabia se, vendo-se se livre, Selina preferiria continuar na mansão ou ir para outro lugar com Helena. Ele tentava não pensar nessa possibilidade.
Selina também estava aproveitando muito aqueles dias. Escolheu, talvez pela primeira vez na vida, deixar-se levar pelos sentimentos. Escolheu mergulhar naquela fantasia louca que a deixava em êxtase ao mesmo tempo que a deixava assustada quase o tempo todo. A calmaria nunca parecia ser uma constante em sua vida, e ela tinha medo do apego. Tinha medo de apegar-se aquela vida doméstica, tranquila e confortável. Tinha medo de apegar-se e depois perder tudo. Afinal, as coisas boas em sua vida sempre foram como um castelo de cartas, que poderia desmoronar a qualquer momento. Um castelo que, no fundo, ela não se sentia merecedora.
Mas durante aqueles dias, a paz diária com a filha e a paixão que compartilhava com Bruce a fizeram se permitir. Embora houvesse momentos em que ela despertava a noite para ter certeza de que Helena estava em sua cama e momentos em que afundava suas unhas nas costas de Bruce enquanto faziam amor, como se pudesse mantê-lo para sempre junto dela. Ela carregava consigo a sensação constante de que estava vivendo um sonho, e como todo sonho, ela sabia que em algum momento teria que acordar.
E ela preferia acordar antes de ser acordada.
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Era sexta feira e Bruce havia combinado com Clark de colocar em prática seu plano de neutralizar Luthor na noite seguinte. Isso porque, ele já tinha planos para aquela noite. Planos que o deixam mais apreensivo dos que os da noite seguinte, embora houvesse se preparado muito bem para ambos.
Naquele momento, ele ocupava-se de confabular com Helena sobre o plano que ele e a menina prepararam para aquela noite.
- Você acha que sua mãe vai gostar? – Bruce mostrava a caixinha para Helena. A menina estava sentada em seu colo, estavam em sua cadeira na mesa de escritório na biblioteca.
- Vai sim, papai. – Helena respondeu olhando a joia. – O senhor sabe como a mamãe adora diamantes. Ela vai amar, mas não espere que ela lhe diga isso.
- Eu consigo ver isso nos olhos dela. – Bruce falou guardando o objeto no bolso de seu paletó quase no instante em que Selina adentrava ao local.
A mulher estava estonteante em um vestido negro coberto de cristais. Era discreto, de mangas compridas, sem nenhum decote frontal, embora muito justo em suas curvas e a surpresa ficava por um profundo decote em suas costas.
- O que eu vou amar e por que você acha que consegue me ler pelo meu olhar?
- Você vai amar a noite que teremos hoje. – Bruce falou levantando-se e indo até ela. – E eu consigo.
Selina sorriu.
- Vamos mesmo sair? – ela indagou, mas não surpresa. – Eu desconfiei quando Alfred me deu esse vestido... Achei que era perigoso que eu saísse da mansão. Estou bem comportada aqui há semanas...
- Eu cuidei de tudo. – Bruce falou sem revelar como. Embora a verdade era que Clark estava patrulhando as ruas de Gotham aquela noite e manteria vigilância especial sobre o casal.
- Você sempre está pronto pra tudo, menos pra mim, querido. – ela disse levando as mãos aos ombros de Bruce, quando ele a segurava pelos quadris. - E onde vamos?
- Bem, nós nunca conseguimos ter um encontro decente. Sempre havia alguém para nos interromper... Eu acho que merecemos um.
- Um encontro! eu não tenho um desde aquele em que você me levou para comer ração enlatada... – ela falou lembrando-se de algo que parecia ter acontecido há mil anos.
Bruce sorriu com a lembrança.
- O jantar será um pouco melhor essa noite. Eu garanto.
- Isso é bom... – ela sorriu. – Já que vamos pra cidade, podemos ir naquele carro maravilhoso que você tem lá embaixo?
Bruce apenas fechou o semblante e ela entendeu.
- Não custa nada tentar... – Selina deu de ombros olhando para a filha.
- Vamos até a garagem, - Bruce disse levando-a pela mão. - Eu deixo você escolher em qual carro nós iremos.
Satisfeita com a promessa, Selina se despediu de Helena e partiu com Bruce para a cidade. Eles se atrasaram para o jantar, pois fizeram uma longa parada em um lugar particularmente escuro as margens da rodovia, onde ficaram ocupados por bastante tempo.
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- Estou faminta! – Selina falou uma hora mais tarde ao saírem do carro em frente ao restaurante no qual iriam. – Orgasmos me dão fome. – sussurrou ao ouvido de Bruce que a levava pelo braço para o restaurante.
Ele manteve-se calado, embora satisfeito.
Selina reconheceu o restaurante e a mesa para onde foram conduzidos. Era a mesma mesa e restaurante em que vira Bruce em conversa íntima com uma bela morena semanas atrás. Por um momento, o ciúme apoderou-se dela, mas Selina o jogou para longe. Aquela noite era dela, e ela iria aproveitá-la. A lembrança recente da língua de Bruce entre suas pernas, ajudava na decisão.
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- Preciso lhe parabenizar, morcego. Esse encontro está muito melhor do que os anteriores. – Selina falou quando finalizavam o jantar.
- Espero que tenhamos muitos outros, gata. – Bruce falou ao levantar a taça de champagne para brindar.
Selina ficou desconcertada, mas disfarçou e brindou.
- Quem diria que chegaríamos aqui? – ela falou tentando esconder o embaraço, enquanto bebia de sua taça.
- Sempre achei natural que chegaríamos nesse ponto, se não fossem as circunstâncias que surgiram na nossa vida. – ele disse tranquilo.
- Você quer dizer, se não vivêssemos nessa cidade maluca. Se você não tivesse jurado se tornar esse tipo de, sei lá, super-herói esquisito... E, claro, se eu não fosse uma criminosa...
- Talvez..., mas não acho que seja errado. Eu pensei muito sobre isso, e eu estive pensando sobre meus pais...
Selina sabia que os pais eram o assunto mais delicado para Bruce. O seu grande trauma. Então ela não falou mais uma de suas tiradas sarcásticas, e esperou ele continuar.
- Eu nunca tive certeza se meus pais aprovariam o que eu faço todas as noites na cidade, mas tenho certeza de que aprovariam você. – disse sério.
- Uma ladra das ruas com o filhinho perfeito? – Selina zombou. - Não viaja, Bruce. Eles te deserdariam, no mínimo.
- Selina, - ele falou pegando-lhe a mão. – Você é a mulher mais forte que eu já conheci e nós temos uma conexão que eu não consigo explicar. Eu acho que nunca tive a oportunidade de dizer... – ele parou por um instante, - mas eu amo você.
- Você já disse... – ela falou séria enquanto ele segurava sua mão.
- O que? – Bruce pareceu surpreso.
- Naquela noite... – ela falou com os olhos molhados. - Você disse que me amava... antes de adormecermos...
- Sempre achei que você não tivesse ouvido... – ele sorriu. – Mas a questão, é que nunca esteve errado e nunca vai estar. E eu tenho certeza... – ele falou levantando-se e ajoelhando-se ao lado dela, abrindo a caixa que tirara do bolso. - Você quer se casar comigo?
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Selina dirigiu na viagem de volta. Rápida, intensa, disse que seria seu presente de noivado. Levava no dedo o belo anel de diamantes que estava na família Wayne há gerações e que fora de Martha Wayne. Ela havia aceitado o pedido dele de imediato e o beijo que trocaram chamou atenção de todo o restaurante.
Quando chegaram à mansão, Bruce a carregou até seu quarto. Fizeram amor e Selina retribuiu o que ele havia feito mais cedo por ela. Compartilharam uma última taça de champagne antes de adormecerem de exaustão.
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Eram três da manhã quando ela despertou. Tivera um pesadelo. Ela não podia esperar mais. Bruce e Helena eram importantes demais. Ela não suportaria se algo acontecesse a eles.
Beijou os lábios de Bruce. Ele dormia profundamente. Perdeu alguns longos minutos olhando-o. Coberta por um lençol, foi até o quarto de Helena e a beijou também. Em instantes estava em seu próprio quarto, onde vestira-se com seu traje de gata e pegara a bolsa que havia preparado para aquele momento.
Na garagem, ela não escolheu o carro que haviam usado para ir ao restaurante, o cheiro de Bruce ainda devia estar nele. Escolheu o modelo mais discreto que poderia conseguir ali. Desarmou o alarme e dirigiu rumo ao horizonte escuro, vendo a mansão desaparecer no retrovisor.
Quando o dia raiou, Selina Kyle não estava mais na mansão Wayne.
NOTAS FINAIS
Se alguém acompanha essa fic, quero dizer que sumi por dois motivos: primeiro, resolvi mudar meu provedor de internet e isso me fez passar duas semanas sobrevivendo com o pacote de dados do celular. Segundo, algumas pessoas próximas testaram positivo para covid, e eu estive tensa de estar contaminada (mas não foi dessa vez, testei negativo mais uma vez) e tensa pela recuperação de todos. Então, se você puder se vacinar, vacine-se. Talvez seu presidente tenha comprado vacinas...
Bem, esse não foi um dos meus capítulos favoritos, afinal era pra ser o capítulo onde, enfim, Bruce e Selina poderiam viver um pouco de felicidade e acho que não expressei isso da forma contundente que queria.
Ah, tentei descrever o vestido de Selina como o vestido de Michele Pfeiffer na cena do baile em Batman (1992), ela não é minha mulher gato favorita, mas Michael Keaton ainda é meu Batman favorito nos cinemas, embora eu revi The Dark Knight Rises um dia desses e tive uma súbita simpatia por Bale (que nunca tive antes). Tenho esperança de que Pattison surpreenda. Estou falando demais, talvez porque andei assistindo TBBT e fiquei presa nas discussões de Sheldon sobre quem deveria ser o próximo Batman (ele acha que é deve ser o Dick, herdeiro natural) e sobre a ordem de suas mulheres- gato favoritas... Obrigada pelo seu tempo.
