Ino levou as mãos até as longas madeixas douradas, aflitamente.
Sentado a sua frente, na longa e imponente poltrona toda-poderosa, o Nanadaime a encarava com ansiedade. Presentes dentro do escritório, estavam os conselheiros e anciões dos clãs mais importantes da Aldeia. A kunoichi piscou os olhos, sem saber ao certo o que dizer, sentia-se amedrontada e pressionada diante de tantos olhares, mas principalmente, Naruto a estava intimidando. Algo que nunca achou que fosse possível.
—Com o máximo de respeito possível, Hokage-sama — fez uma breve mesura, pesando cautelosamente suas palavras, não era sua intenção parecer mal-educada, mal-criada ou qualquer coisa do tipo. Apenas elaborava uma forma de escapar daquele pedido escabroso. Nunca passou pela sua cabeça a possibilidade do Sabaku lhe aplicar uma rasteira daquela maneira, estava de certo modo, zonza com a novidade. — Não acho que eu seja a pessoa mais indicada para... Para essa missão. — fez questão de frisar a palavra, evidenciando bem seu desconforto.
Por algum motivo que estava além da sua compreensão e capacidade intelectual decifrar, o Kage havia escolhido ela para ser a sua Barriga de Aluguel. Não podia estar mais surpresa, desesperada ou, exponencialmente frustrada com aquela novidade. Além de isso colocar por água abaixo o antigo acordo entre eles, estabelecido há poucas horas antes,colocava Ino em uma posição realmente indesejada, já que sua gestação não seria uma simples missão a ser executada, envolvia muitos outros fatores que complicava sua vida de maneira imutável.
—Ino, não quero obrigá-la a fazer nada que não queira — começou o Uzumaki, preparando o terreno. Ninguém havia ficado mais surpreso ou assombrado com o pedido do ruivo do que o próprio Hokage. — Estou apenas pedindo para que considere o pedido e a situação. Sei que é uma circunstância muito delicada, no entanto, o Kazekage realmente parece disposto a ter esse filho — uma rápida pausa, para beber um pouco de água e molhar a garganta, que estava seca. Com certeza não se sentia muito confortável em fazer aquele pedido para a loira de olhos azuis, especialmente porque sabia do quanto ela havia sofrido com seu rompimento com Sai Satoshi.
—E as condições que ele impôs foram bastante generosas.
—Ele quer que eu empreste meu útero, para ele despejar o esperma! — Ino elevou a voz, desconcertada. — Naruto, quero que tire um momento e pense você no que está me pedindo. Não está ordenando que eu colete informações de um inimigo ou assassine alguém da Alta Cúpula. — hesitou. — Você está me pedindo para vender meu útero ao homem mais poderoso do País do Vento!
O loiro lançou um rápido olhar para os homens que se encontravam atrás da Yamanaka, temendo que a presença deles dificultasse ainda mais a conversa e gesticulou, pacientemente com a cabeça, para que se retirassem. Mesmo seu intragável sogro, não abriu a boca para contrariá-lo: podiam perceber a gravidade e urgência daquela reunião.
—Eu conheci Gaara, acaso tenha se esquecido — continuou Ino, desesperada demais para dar-se ao luxo de se sentar em uma das cadeiras e conversar tranquilamente a respeito. A situação não era nada tranqüila e o pedido, pior ainda. Estava nervosa, ansiosa, sentia-se encurralada e frustrada. — Ele não quer que a progenitora tenha o mínimo de contato com a criança, eu li o rascunho do contrato, ele me mostrou. Ele quer garantir o futuro da criança, excluindo completamente a mãe da criação. Eu não sou capaz de fazer isso, e é realmente crueldade de sua parte tentar me convencer a fazer isso. Você e Sakura melhor do que ninguém sabe o quanto eu sofri quando Sai deixou a Aldeia, o quanto me dói não ter me casado. — desabafou, respirando fundo, antes de assoprar a franja.
Naruto escutou tudo atentamente, visivelmente nervoso, roendo discretamente a unha da sua mão. Sabia que não seria uma conversa fácil. Ele acompanhou de perto o drama com Sai e como o rompimento havia afetado tão profundamente a vida de Ino, que a própria foi obrigada a se afastar do trabalho em decorrência da suspeita de começo de depressão. Sabia, melhor dizendo, tinha certeza que fazer um pedido daquela magnitude a Yamanaka soava a ser grosseiramente cretino e errôneo, mesmo assim,não via outra alternativa.
Os ombros do Nanadaime estavam enrijecidos, encolhidos de maneira tensa. Voltou a beber um gole da água, respirando fundo, com os olhos azuis fixos na loira a sua frente, que se mostrava irredutível e, naturalmente, tinha motivos de sobra para relutar. Ora, não era a mesma coisa que pedir para ela se disfarçar de uma velha e perseguir Tsunade pelos bares afora, era algo realmente sério e que não se restringia somente a liberdade de escolha dela como também envolvia questões políticas.
Massageando as têmporas, que estremeciam sorumbaticamente, ele respirou fundo. Dois minutos inteiros haviam se passado sem que qualquer um dos dois dissesse alguma coisa, e, era claro e bastante óbvio, que Ino iria permanecer firme em sua decisão de recusar a oferta.
—Você leu o rascunho do contrato. — achou o fio da meada, cuidando com uma precisão cirúrgica as suas próximas falas. Era imprescindível manter a expressão neutra e indiferente, no entanto parecia-lhe impossível permanecer neutro em uma situação como aquelas. Droga, maldito fosse Gaara por tê-lo colocado no meio daquela história! Piscou os olhos novamente, antes de estalar o pescoço e na seqüencia, as mãos. Ajeitou a poltrona, puxando-a mais para frente, inclinando-se sobre a mesa. — Eu estou com o contrato terminado na minha gaveta. Está redigido, caso se interesse em olhar. As condições e clausulas impostas por ele parecem-me bastante razoáveis, Ino. Você vai receber três vezes mais do valor oferecido, inicialmente, as candidatas selecionadas.
A loura arqueou a sobrancelha, arregalando levemente os olhos em descrença.
—O que? Você não pode estar falando sério!
—Mas estou. — ele estudou calmamente a expressão facial estampada no rosto da Yamanaka, que estava visivelmente confusa, embora não mais tentada ou inclinada a aceitar aquela loucura, porque de fato, realmente era uma loucura esdrúxula. — Ele ofereceu uma verdadeira fortuna pelo seu útero. E se comprometeu a lhe pagar uma generosa mesada mensalmente.
—Então, traduzindo em palavras simples — ela respirou fundo. — Ele vai me tornar rica, caso eu concorde com essa palhaçada.
—Muito rica. — Naruto a corrigiu, percebendo uma brecha em que podia entrar, mesmo que cautelosamente. — No contrato, ele também alega que você terá alguns direitos, afinal, é uma kunoichi, e possui uma reputação na Folha que de acordo com as palavras dele, não pretende manchar.
—Minha reputação estará manchada a partir do momento que eu assinar esse papel! — exasperou-se. Ela tinha inúmeras duvidas a respeito, mas, a principal de todas e que não parecia querer abandonar sua mente era Por que ela? Por que não outra kunoichi?! O que ela tinha de tão especial que se sobrepunha as demais solteiras da Vila? Andando de um lado para o outro, nervosamente, lembrou-se de algo que ele havia dito,ainda no dia anterior. — O que diz esse contrato sobre os meus direitos como mãe? Quero dizer, não tenho quaisquer ilusões a despeito de interferir no método de criação e educação da criança, mas...
—Por que você não dá uma lida no contrato, antes de qualquer coisa? — inquiriu, tamborilando os dedos em cima da mesa, a encarando seriamente. — Gaara é um homem muito fechado, e talvez um pouco excêntrico, mas eu tenho certeza que pode se tornar maleável em relação a algumas coisas. — e então abriu a gaveta, retirando de dentro uma pasta preta, onde estava o contrato. — Leve para casa, pense a respeito. Pese os pós e os contras, independentemente da decisão que tomar, Ino, eu garanto a você que irei respeitá-la e caso seja negativa, lhe prometo que não tornarei a insistir no assunto.
Dividida entre a curiosidade e o receio de se aborrecer ainda mais com aquela história e especialmente com o contrato que lhe seria submetida, a Yamanaka inspirou fundo, controlando os tremores do próprio corpo. Decididamente nunca cogitou a possibilidade de vender o próprio útero, a criança que seria gerada dentro de si! Era inconcebível! E ainda assim, pelo o que pudera analisar rapidamente entre uma pagina e outra, era dinheiro demais para ser desperdiçado! Deuses! Era mais dinheiro do que nunca antes vira em toda sua existência! Aquilo praticamente elevaria seu status – não que se preocupasse com isso, mas era fato – e, de uma forma ou de outra, a tornaria relativamente influente dentro do País do Fogo, afinal, iria ser paga para engravidar do Kazekage!
Era muita coisa para ela assimilar de uma vez, concluiu, nervosamente, andando aqui e acolá, com a pasta em mãos, apressadamente. Afastava-se gradativamente do prédio do Hokage, ponderando meticulosamente a respeito daquela proposta inviável e tão indecente. Adentrou os portões principais do distrito de seu clã rapidamente, transportando-se diretamente para o quarto e trancando a porta para que não fosse perturbada inconvenientemente pelo casal de pombinhos. Sentou-se na cama, atirando a pasta a sua frente, abriu a mesma, retirando dela o bendito contrato que mudaria drasticamente sua vida para todo o sempre. Não era drama, era apenas uma constatação óbvia, afinal, que mulher permaneceria a mesma depois de entregar seu filho em troca de dinheiro?! Somente uma de caráter frívolo e com certeza, desumano, seria capaz de tal atitude.
Ino não era essa mulher. Não era fria muito menos desumana. Possuía um forte desejo maternal, mas não era apenas esse desejo que a impedia de seguir a risca com aquele contrato e sim suas expectativas de estabelecer uma família normal. Que homem iria desejá-la depois de vender o útero para um Kage? Rolou os olhos com esse pensamento, obviamente muitos iriam fazer fila; conhecendo a natureza masculina da forma que conhecia, sabia que era fato que, quando se "tornasse importante" passaria a ser ainda mais atraente. Ela suspirou fundo, falavam tanto das mulheres e chegavam a ser ainda piores nas atitudes e no caráter! Descartando esse raciocínio, que com certeza não a ajudava em absolutamente nada, a loira passou os dedos pelas clausulas contratuais, analisando uma por uma, estudando uma por uma em silêncio e total concentração.
Os olhos azuis observaram com uma minúcia crucial, não podia deixar absolutamente nada passar batido. Em voz alta, leu os primeiros termos. Os termos técnicos não lhe eram desconhecidos, visto que boa parte do seu trabalho na Divisão consistia em ler relatórios sobre situações muitas vezes diplomáticas.
Mordiscando a própria boca, de forma inconsciente, Ino afastou o papel de seus olhos por alguns minutos, focalizando seu olhar no teto, há vários metros acima da sua cabeça. Piscou os orbes azuis, voltando a se focar no que era realmente importante. Gaara havia brilhantemente mudado muitos dos termos e das condições que havia imposto tão duramente as outras selecionadas.
E ela sabia que isso era devido a sua opinião exposta, dentro do restaurante, mesmo assim não conseguia entender em que momento daquela história toda ele havia decidido que ela seria uma barriga de aluguel melhor e mais desejada do que as outras milhares de mulheres tresloucadas que com certeza aceitariam, levando-se em conta a bolada que faturariam. Outro fator que estava a incomodando era o valor atribuído ao seu útero. Sabia que ele estava em ótimas condições, rotineiramente passava por uma bateria de exames no ginecologista e sabia que não possuía problemas de infertilidade e nem complicações do gênero, que talvez frustrassem os sonhos do galã de Suna,mas, será que ele valia tanto assim? Será que valia o valor a que lhe fora atribuído e estipulado sem o mínimo de pudor ou decência?! Naturalmente, ela tinha muitas dúvidas, muitas perguntas a fazer para o poderoso e fodidamente gostoso Gaara do Deserto, mas, por outro lado, pensava profundamente acerca da quantia oferecida e no que poderia fazer com ela.
Poderia, finalmente, construir sua própria casa, deixando o imóvel principal livre para que Anko e Inoichi vissem em paz e sozinhos; poderia até mesmo se mudar para uma vila distante, como tanto sonhava anos atrás. As possibilidades eram inúmeras, e aparentemente, ilimitadas. Deitou-se no travesseiro, piscando os olhos, tornando a encarar o teto. Além de todas essas preocupações, tinha algumas que provavelmente iriam impedi-la de dormir serenamente naquela noite.
Seu pai, melhor dizendo, seus pais, porque independentemente de qualquer coisa, a senhora Yamanaka havia se tornado sua mãe de coração. Como eles iriam reagir quando soubessem a respeito da proposta de Kage? Inoichi com certeza iria desejar cobrir o ruivo de porrada pelo desaforo, era um homem tradicional agarrado as tradições e especialmente a família. Ela fungou uma risada, imaginando a confusão. Gaara provavelmente ficaria envergonhado, talvez assustado pela gana assassina e psicótica do Yamanaka.
Anko... Anko claramente iria apoiá-la, independentemente do caminho que escolhesse. Era sua mentora, confidente. Esfregou o rosto entre as mãos, obviamente não era uma decisão fácil, não era uma escolha que dependesse assim tanto dela quanto gostaria que fosse. Envolvia muitos outros motivos e fatores que estavam além da vontade dela em emprestar o útero e a barriga pelos próximos nove meses.
Ela soltou uma bufada de ar, claramente descontente e irritada, virando-se para o lado da parede. Ainda tinha a questão da moradia. De acordo com o próprio contrato, redigido pessoalmente pelo Sabaku, seria inviável que ela continuasse na Aldeia da Folha,enquanto ele estava na Areia. Fazia todo o sentido, afinal, ele era a autoridade política máxima de seu país, não podia se dar ao luxo de viajar de um lado para o outro sempre que lhe apetecesse, mesmo que a razão fosse a vida e saúde de seu primogênito, com toda a certeza suas longas viagens e ausências iriam repercutir negativamente pelo conselho de Sunagakure, então, exatamente como lembrara-se de tê-lo ouvido falar, seria obrigada a permanecer em Suna pelo período de um ano.
Conseguiria adaptar-se a vida em um lugar tão quente e árido? Mordeu a boca mais uma vez, piscando os olhos. Ainda de acordo com o prazo estipulado para resposta, ela tinha aproximadamente duas semanas e meia para dar uma resposta, fosse ela qual fosse, ao grande e temível Kage-sama.
Não podia esperar tanto tempo. Decidiu, levantando-se de supetão, que viajaria até Sunagakure na segunda feira e iria pessoalmente comunicar ao Kage sua resposta. Sabia que isso iria incomodar Naruto, que com certeza também esperava por sua decisão, mas a prioridade era o Kage ruivo, definitivamente.
Impaciente.
Era assim que Sabaku no Gaara estava se sentindo. Nervoso, ansioso, agitado e indubitavelmente sem paciência, com o mau humor ainda mais agravado pela falta de notícias ou de respostas por parte do Uzumaki. O assunto, sem que ele conseguisse filtrar ou controlar, espalhou-se rapidamente como rastilho de pólvora por toda Suna e conseqüentemente, não se ouvia falar em nada além da Barriga de Aluguel. Ele esfregou o rosto entre as mãos, tentou manter-se ocupado durante toda a parte da manhã, mas não estava interessado nos disparates daqueles velhos retrógrados e babacas, tampouco disposto a ler a longa, acusatória – e por que não problemática? – escrita pela irmã mais velha. Felizmente Temari estava distante o suficiente, para tranqüilizá-lo ao menos sobre seus sermões.
Prevendo o tipo de coisa que ela obviamente iria escrever-lhe, Gaara limitou-se a rasgar as cartas e a jogá-las no fogo sem qualquer resquício de culpa ou arrependimento. Como tão solenemente se cansou de dizer a ela, era um homem adulto e portanto responsável por todas suas ações. Lidaria com as conseqüências, se viessem, da mesma forma que lidaria com a opinião pública e todos os obstáculos tão exaustivamente discutidos e argumentados. Mas não aceitaria que a irmã tentasse controlar qualquer aspecto de sua vida que fosse. Era o líder de uma nação livre. Era Sabaku no Gaara.
—Uh,os ânimos estão a flor da pele por toda a Vila! — disparou Kankuro, adentrando a sala de forma que fez com que automaticamente as narinas do ruivo se inflassem, em desaprovação.
—Você realmente está me tentando a te matar, não está? — virou-se, para encará-lo por cima do ombro. O outro sorriu amarelamente, às vezes era mais forte do que ele fazer aquelas coisas para provocá-lo, o que nem sempre era uma ideia fantasticamente inteligente ou brilhante. Respirando fundo e pesadamente, Gaara piscou os olhos verdes, mantinha as mãos atadas atrás das costas, enquanto fitava através das longas janelas de vidro. — Não me importo com a pressão pública, irão me pressionar de qualquer maneira.
—É. — emendou o outro, abstendo-se de falar algo por alguns minutos. — Os conselheiros da Vila também não estão nada felizes, Gaara. Eles exigem que você apresente a misteriosa mãe de seu bebê e alegam que isso precisa ser debatido o quanto antes, além disso — respirou fundo, pigarreando. — As notícias estão correndo sem qualquer controle ou filtro por todas as nações. O Raikage e a Mizukage querem saber a veracidade das informações...
O irmão apenas movimentou a cabeça rapidamente, em um gesto que Kankuro não conseguiu acompanhar com os olhos. Incomodava-lhe o fato do maldito não se dar sequer ao trabalho de virar-se para encará-lo, no entanto, sabia que o estresse de toda aquela politicagem chata e barata o estava assombrando. Resolveu dar-lhe essa trégua.
—Eu irei promover uma reunião com eles, no próximo mês, já quando tiver solucionado essa questão. — estalou a língua, sem se dar ao trabalho de se virar, sabia que o consangüíneo era esperto o suficiente para saber que aquela pose demonstrava indisposição para mais sermões desnecessários. — Você pode cuidar disso para mim. — estava longe de ser um pedido.
Assentindo, Kankuro concordou, balbuciando palavras que fugiram da compreensão e da audição de um Gaara bastante disperso. Piscando os cílios, ele limitou-se a concordar e no minuto seguinte, Kankuro deixava a sala, abandonando-o sozinho mais uma vez dentro do espaçoso escritório, de onde possuía uma visão paradisíaca e majestosa de sua própria Areia.
Sorrindo ligeiramente, o ruivo de olhos esverdeados lembrou-se mais uma vez de Shikadai e da euforia do garotinho ao vê-lo brincar com seus carrinhos de madeira, e do quanto o gordinho fazia manha para ser pego no colo. De fato, ele era mesmo muito fofo. E sabido para os poucos meses de vida que tinha. Estava feliz por ver a irmã realizada com sua família e sua vida na Folha. Estava realmente contente por ela ter encontrado um shinobi que realmente a merecia e que a tratava com respeito. Shikamaru e ela formavam uma família adorável e sem sombra de dúvidas muito invejável.
Era isso o que ele queria para si. Um casamento amoroso, genuinamente feliz, onde podia chegar em casa e descansar. E não uma união congelada, artificial,mecânica movida por um frio pedaço de papel em que seriam obrigados a morar juntos pelo resto da vida, isso seria desgastante e ainda mais frustrante a essa altura da vida, refletiu.
Queria ter a sorte de encontrar uma mulher que o amasse, e que principalmente o quisesse não por causa de um status estúpido ou da sua conta bancaria. Seria pedir muito? Seria sonhar demais com uma família assim?
Tolo! Você nunca vai ter isso na vida! Você é o demônio do deserto! Rasa nunca lhe permitiu que esquecesse isso! Elas não querem você, Gaara, o demônio, elas querem o Kazekage de Suna! O dinheiro, o status quo, poder, influência! O homem que está por baixo dessas vestes não importa. Não existe. Amargamente, engoliu em seco, com as sobrancelhas crispadas.
Que mulher seria capaz de se interessar por alguém tão perturbado, traumatizado e ferido como ele?! Se tornar a Sra. Sabaku!
A porta atrás de si abriu-se violentamente, em um baque estrondoso que muitos com certeza chamariam de problemático e desnecessário. Instintivamente, o ruivo virou-se, já rogando uma série de maldições sem fim no degenerado do irmão. Só que não era seu irmão quem estava prostrado de pé e ofegante a sua frente, com os cabelos bagunçados e uma cara de doida.
Era Ino. Yamanaka Ino. A espiã, pensou com sarcasmo.
—Escuta aqui, cabeça de fósforo — ela pigarreou, limpando bem a garganta. — Se nós vamos realmente fazer isso, ou vai ser do meu jeito ou não vai ser de jeito nenhum e sua linhagem desaparecerá para sempre. — argumentou.
