Back to real time (cap. 1)

Era sábado de manhã, quando Severo foi tomar café no salão principal e fora abordado pelo diretor. Sentia-se feliz porque já tinha uma lista mental de algumas características da jovem. Era bem mais baixa que ele. Cabelos ondulados um pouco abaixo dos ombros. Não sabia ao certo a cor, porque os ambientes que fizeram amor eram sempre escuros, mas tinha certeza que não eram negros como os seus; castanhos talvez... Não poderia afirmar. Não conseguia definir também ao certo a cor dos olhos, mas não eram escuros e tinha um brilho especial, um brilho sedutor. E aquele perfume que ficou impregnado na sua memória? Seria capaz de reconhecer de longe, era levemente adocicado com fragrância floral, com destaque das notas para aldeído e mugget; jasmim, rosa e lírio do vale; e também almíscar, sândalo, musgo de carvalho, âmbar e baunilha. Sabia que se tratava de uma jovem muito corajosa para invadir sua mente durante os sonhos. Estava decidido a acabar com aquele mistério. E pensou:

"Só pode ser uma aluna da Grifinória para ter tanta coragem e mexer com uma Serpente! Vou encontrá-la, nem que seja a última coisa que faço aqui nesta escola! "

Agora tinha várias pistas e estava decidido a conhecer a misteriosa moça dos seus sonhos.

Sábado à noite, depois do jantar, Severo decidiu que não iria se permitir aos sonhos. Estava psicologicamente esgotado e precisava descobrir a causa daquilo tudo. Sabia que três ou quatro noites poderia ser normal, mas a semana toda com sonhos eróticos... Não, decididamente alguma coisa estava acontecendo, ou ele estava ficando louco ou estava sendo enfeitiçado. Pior, Lucyo Malfoy ou qualquer outro fanático pelo Lord das trevas que perdeu a guerra, poderiam estar por trás, desviando sua atenção durante o dia com as lembranças prazerosas dos sonhos da noite. A sua mente poderia perfeitamente estar sendo invadida. Precisava tomar uma providência. Afinal, ele era também mestre em oclumência.

Procurou a poção sono sem sonhos, mas não encontrou em seu estoque. Resolveu ir até a enfermaria. Tomou a poção lá mesmo, sob a supervisão da Srª Pomfrey.

- Ainda está tendo pesadelos com a guerra, Senhor Snape? Quis saber a enfermeira.

Severo responde no seu jeito mais ácido possível:

- Não é dá sua conta! E saiu imediatamente dali, arrastando sua capa pelos corredores.

Ao retornar para seus aposentos, ouviu um barulho de vidro quebrando. O som vinha da sala precisa. Certo de que se tratava de travessura de alunos, Severo lançou um feitiço e abriu a porta com estrondo.

Para sua surpresa Rony tentava a todo custo roubar um beijo da senhorita Granger. Ele a encurralou na mesa, fazendo o vaso de flores cair e se quebrar. Rony parou assustado, enquanto Severo puxou a moça para seus braços. Hermione se aninhou naquele abraço e agora respirava mais aliviada. Imediatamente Severo reconheceu o perfume da jovem, que invadiu seus pulmões e por uma fração de segundos se sentiu inebriado como em seus sonhos, com aquele corpo maravilhoso colado em si e o desejo tomando conta de cada parte dele.

Esforçou-se para não demonstrar tamanha surpresa e voltando-se para o aluno rosnou:

- Senhor Weasley? O que pretendia? Saiba que a diretora da sua casa ficará sabendo!

Severo limitou-se a dizer. Estava tão o mais apavorado que ele com tal revelação ali nos seus braços.

Rony não se deixa vencer e confronta o mestre:

- E o que têm de mais? Eu... eu só iria beijá-la... Não sou um morcego como o senhor... Sou homem e gosto dela, já o senhor... dizem até que é virgem! Falou entre risos.

- Ora seu... Mas Hermione não deixou ele terminar. Apertou-o contra seu corpo e Severo teve um sobressalto. Seus corpos se moldavam perfeitamente, agora tinha certeza que a moça era a mesma de seus sonhos. Aquele calor subindo pelas suas pernas, o contato físico da jovem agarrada a sua cintura, estava quase perdendo o controle. Severo então sentiu-se tão feliz como nos sonhos e tentando disfarçar um tom zangado grita:

- Some já daqui seu cabeça de abóbora!

Acariciou o cabelo da jovem e quando Rony saiu da sala, ele aproximou-se dos lábios dela para beijá-la, mas ela afastou-se de fininho:

- Muito obrigado, professor Snape! Saindo logo em seguida, deixando um homem solitário e perdidamente apaixonado para trás.

Severo foi para seu quarto e agora sim que não conseguia dormir:

"- Então é ela... Como ela é bonita, e que corpo! Por que nunca pensei nela antes? Na verdade, eu não queria pensar nela, pois a admirava como aluna, a mais inteligente. Ela sempre mexeu comigo desde o primeiro ano que pisou os pés aqui em Hogwarts... Eu não sei como ela invadiu minha mente, será que me enfeitiçou?... AH! Mas ela me deve muito mais do que o muito obrigado! Tenho que procurá-la, preciso dizer tudo o que sinto..."