Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Int. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.

(2) Contém relação Homem x Homem, portanto, se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: não leia.

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"Como foi que você encontrou meu diário?"

Essas palavras também se dissolveram, mas não antes de Harry recomeçar a escrever:

"Ele estava jogado no chão, completamente molhado, em frente ao banheiro de ômegas do primeiro andar".

Ele esperou, ansioso, pela resposta do misterioso Tom Riddle.

"Que sorte que registrei minhas memórias em algo mais durável do que tinta".

"Suas memórias..." – Harry começou a escrever, pensativo, mas sua demora fez a tinta tornar a desaparecer e a letra cursiva e elegante de Riddle voltar a surgir no papel:

"Sim, a memória de meu último ano como estudante na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Que, eu presumo, é onde você está agora".

"Sim! Eu estou em Hogwarts! Estou no segundo ano".

"Meus parabéns, Harry" – o aludido corou inexplicavelmente ao ler seu nome escrito naquela caligrafia tão elegante – "Em qual casa você está?"

"Slytherin".

"Seríamos colegas de casa se você estivesse aqui, cinquenta anos no passado, ou se eu estivesse aí agora".

"Como isso é possível? Quero dizer, como você conseguiu preservar sua memória de tal forma, a ponto de ser capaz de interagir comigo?"

"Digamos que preservei um pouco mais do que a minha mera memória... Trata-se de magia antiga, Harry, você aprenderá quando for mais velho, se tiver o tutor certo".

Harry suspirou e com uma pequena careta perguntou:

"Você é um alfa, não é?"

"Sim".

"Eu sou um ômega, ninguém perderia seu tempo tentando ensinar magia antiga e poderosa para um ômega".

Resignado, Harry se preparou para as piadinhas e para o alfa concordar com suas palavras, mas o que leu na caligrafia elegante foi:

"E por que não?"

Então, com belos olhos verdes arregalados de surpresa, Harry escreveu:

"Você não acha que ômegas são fracos e incapazes de aprender esse tipo de magia?"

"É claro que não. Que bobagem. Alfas, betas e ômegas, todos devem ter as mesmas chances, ter acesso aos mais diversos ensinamentos. Então, aqueles que mostrarem aptidão e desejo de conhecimento, de poder, devem ser incentivados a buscá-lo e lapidá-lo, independente do gênero".

Harry estava em choque.

Ele jamais imaginou que um alfa pudesse pensar de tal forma.

Talvez penas Voldemort, no ano anterior, havia tentado seduzi-lo dizendo que não importava se alguém era alfa ou ômega, que não havia bem ou mal, somete o poder e aqueles que eram demasiadamente fracos para desejá-lo. Mas certamente as palavras do bruxo das trevas foram da boca para fora, apenas para persuadi-lo a se juntar a ele.

"Eu imaginei que em cinquenta anos nossa sociedade estaria menos sexista" – Tom continuou – "Infelizmente, parece que me enganei".

"Muitas coisas melhoraram" – Harry se apressou em responder – "agora podemos votar, sair sozinhos, não pertencemos mais aos nossos pais alfas e depois aos alfas que nos marcarem, também existem leis que nos protegem, mas, infelizmente, é como uma amiga diz: alfas ricos e poderosos sempre se manterão acima da lei".

"Sua amiga parece ser muito sábia".

"Ela é".

"Nesse caso, Harry, torne-se mais poderoso do que estes alfas".

"Como assim?".

"Não tenha medo de superá-los, de ser mais poderoso, mais inteligente do que eles, porque certamente você é".

"Mas..."

"Diga-me, o que você anda lendo? Conhece a sessão reservada de Hogwarts?".

Talvez Harry devesse ter perguntado a respeito da Câmara Secreta. Talvez devesse ter insistido para saber como Tom Riddle havia preservado mais do que suas memórias naquele diário. Talvez devesse ter buscado entender o que mais estava preservado no diário. Contudo, Harry sequer se lembrou de tais inquietações. Ele virou a noite conversando com o alfa sobre absolutamente tudo: sua infância com os Dursley, a vida em Hogwarts, preocupações com o futuro, coisas que nem Pansy e Hermione sabiam, mas que compartilhar com o alfa inteligente e espirituoso parecia apenas a coisa certa a fazer.

Em contra partida, Tom lhe contou um pouco de sua própria vida, da infância no orfanato, de como os muggles o odiavam apenas por ser diferente, de como havia ficado feliz ao ir para Hogwarts e como aquele lugar se tornara seu lar. E Harry notou que suas histórias de vida eram muito semelhantes e se sentiu agradecido por ter alguém que parecia entendê-lo com perfeição, sem julgamentos, sem pena, apenas conselhos inteligentes e comentários espirituosos que lhe fizeram sorrir mais naquela noite do que em qualquer outra.

Quando, por insistência de Tom, o jovem ômega foi para a cama tentar dormir algumas horas antes das primeiras aulas do dia, o coração estava acelerado em seu peito e a elegante letra cursiva de Tom ainda dançava em sua mente. Então, Harry adormeceu com um sorriso nos lábios e uma certeza:

Tom Riddle era uma pessoa incrível.

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Ao longo das próximas semanas, o vínculo que Harry havia instantaneamente sentido com o misterioso alfa do diário apenas aumentou. Ele carregava o pequeno livro de capa preta para todos os lados e, sempre que podia, conversava com Tom. Ele não havia contado para Pansy e Hermione sobre seu novo amigo, pois a Slytherin não confiava em nenhum alfa e a Ravenclaw certamente passaria horas tentando desvendar quais feitiços Tom usara para criar aquele magnífico artefato. Não, Harry não queria que suas conversas com Tom fossem permeadas de desconfiança e da curiosidade alheia. Aquelas conversas se tornaram momentos preciosos para ele, como se estivessem conectados de uma forma que ele não sabia ao certo explicar. Ele apenas sentia aquela conexão, tão profunda, que parecia envolver sua magia e sua própria alma.

- De novo com esse diário? – Pansy perguntou, após engolir um pedaço de panqueca.

- Sim, está me fazendo bem colocar minhas memórias no papel.

- Você não é muito novo para ter memórias?

- É claro que não – ele revirou os olhos, mas sorriu para a amiga. Naquele momento, estavam sentados na mesa Slytherin desfrutando de um delicioso café da manhã antes do início das aulas – E isso me distrai um pouco de toda essa fofoca envolvendo meu nome e Salazar Slytherin.

A menina suspirou e o encarou com certa compreensão.

Há semanas, desde o fatídico acontecimento no clube de duelos, quando todos descobriram que Harry conseguia falar com as cobras, os cochichos e olhares assustados o seguiam por todos os lados. Então, resignada, ela concordou que um diário era uma boa saída para seu amigo descontar suas frustrações e não procurou saber o que ele estava escrevendo. Afinal, um diário era algo íntimo. Ao contrário do que sua mãe pareceu pensar ao encontrar o seu próprio diário escondido na penteadeira em seu quarto quando ela tinha nove anos de idade.

- Vamos, não queremos nos atrasar para a aula do morcegão.

Harry riu e concordou com a amiga.

Logo eles se viram nas masmorras, numa sala com vinte caldeirões fumegantes nas carteiras de madeira, sobre as quais havia balanças e frascos de ingredientes. Snape andava por entre os vapores fazendo comentários mordazes sobre o trabalho dos ômegas, principalmente os Gryffindors, enquanto os alfas davam risadinhas de aprovação. Por sorte, aquela poção deveria ser preparada individualmente e Harry havia conseguido se sentar longe o suficiente de Draco para que este não viesse se intrometer no que ele estava fazendo.

"Acho que minha solução de Fazer Inchar ficou muito rala" – Harry se lamentou para Tom, aproveitando que Sanpe estava aterrorizando Neville Longbottom do outro lado da sala.

"Coloque mais algumas raspas de unha de hipogrifo e mexa no sentido horário".

Harry imediatamente seguiu a instrução de Tom e, após mexer a poção por alguns segundos, esta adquiriu a espessura correta.

"Se ainda estiver muito clara, coloque mais uma pena de harpia".

Ele colocou a pena e imediatamente a poção adquiriu o arroxeado perfeito que imitava o caldeirão do professor de Poções. E a julgar pelo grunhido irritado de Snape ao passar ao seu lado, sem poder criticá-lo, sua solução de Fazer Inchar estava perfeita.

"Obrigado, você me salvou".

"Eu só dei as instruções com clareza, algo que seu inútil e preconceituoso professor não consegue fazer. Você as seguiu com perfeição. O mérito é todo seu, Harry".

Harry sorriu e abraçou o diário contra o peito.

No final da aula, quando saiu das masmorras em direção à próxima aula do dia, ele ainda conservava um sorrisinho bobo nos lábios.

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"Eu não gosto das aulas dele" – Harry confessou certo dia para Tom, olhando de soslaio para o sorridente professor que estava há meia hora contando como fora o seu último ensaio fotográfico para a revista Semanário dos Bruxos – "Esse novo professor de defesa sobre o qual eu te falei".

"Sim, lembro-me de suas palavras: o babaca pedante".

"Exato, mas...".

"Mas?"

"Não é só isso" – suspirou – "Ele me deixa desconfortável".

"Por quê?"

"É o jeito que ele olha para nós, o jeito que nos toca, não é legal".

Harry notou que Tom demorou um pouco mais para responder e quando o fez sua bela caligrafia, sempre suave, parecia calcada com força no papel:

"Ele já tocou em você?"

"Na minha cintura e nos ombros algumas vezes, ele sempre faz isso com os alunos ômegas, eu fico enjoado".

"Harry, levante-se, vá ao escritório do diretor e denuncie este homem agora mesmo!".

Com a mão trêmula e o coração acelerado, o pequeno ômega respondeu:

"Eu tenho medo que Dumbledore, o diretor, não faça nada e isso sirva apenas para Lockhart me alvejar depois. Pansy disse que alfas protegem uns aos outros".

"Sua amiga está certa, infelizmente a maioria dos alfas são desse tipo e pelo o que sei de Dumbledore, que na minha época leciona transfiguração, ele não se importa nem um pouco com os direitos dos ômegas".

Harry ficou chateado ao constatar o que já imaginava:

Dumbledore não era alguém confiável.

"Hoje à noite pegue sua capa, vamos passar algumas horas na Sessão Proibida para eu ensiná-lo um feitiço que fará esse homem imundo sentir uma descarga elétrica sempre que colocar as mãos em você".

Os olhos de Harry brilharam:

"Sério? Isso é incrível!".

"Você é incrível, Harry, e vou fazer o possível para protegê-lo, ainda que eu esteja dentro desse diário".

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- De novo com esse caderno, Harry? – Draco resmungou, tentando olhar por cima de seu ombro o que havia no caderno – O que tanto você escreve aí?

- É um diário, apenas algo para passar o tempo.

O alfa grunhiu em reconhecimento, mas continuou olhando de soslaio para tentar descobrir o que tanto Harry escrevia naquele maldito caderno. Eles estavam na mesa das serpentes na hora do almoço e nem o prato cheio de macarrão a bolonhesa parecia separar Harry do tal diário. À sua frente, Braise Zabini deu uma gargalhada:

- Confessa, Draco, você está morrendo de curiosidade para saber se ele está escrevendo sobre você.

- Não seja ridículo.

- Quem sabe essas páginas já não estão cheias de frescuras ômegas sobre o seu amor eterno para o grande Draco Malfoy.

- Cale a boca – disse Draco, mas sorriu divertido, imaginando se Harry realmente havia escrito algo assim.

Harry, por sua vez, revirou os olhos.

"Como alfas de doze anos podem ser tão idiotas?"

"Acredite, alfas de todas as idades geralmente são idiotas".

"Você não é" – Harry escreveu depressa e corou. Aquilo, no entanto, foi mal interpretado por Blaise, que, num movimento rápido, tirou o diário de suas mãos e o jogou para Draco.

- Veja, Draco, veja as juras de amor eterno!

Quando Draco abriu o caderno, viu apenas páginas em braco. Harry, ao seu lado, tentou alcançá-lo, mas foi impedido pelo loiro que agora o encarava com o cenho franzido.

- Isso está em branco.

- Sim – disse o ômega, e acrescentou mentalmente: "dã" – É um feitiço para protegê-lo de olhos curiosos. Só eu posso lê-lo.

- Esperto – Blaise murmurou, quase desacreditado de que o ômega pudesse fazer um feitiço desses – E como funciona esse feitiço?

- Na verdade, é muito simples. Você começa cuidando da sua própria vida – dizendo isso, Harry arrancou o diário das mãos de Draco e com um olhar irritado para os alfas, levantou-se e saiu dali.

Pansy logo o seguiu com um sorriso orgulhoso no rosto, dizendo:

- Ensinei direitinho.

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Harry passava a maior parte do tempo falando com Tom. E quando não estava falando com o alfa, estava pensando nele. Ele se perguntava qual seria a aparência de Tom na escola, na época que guardou suas memórias no diário. Perguntava-se também como Tom estaria agora, cinquenta anos depois. Ele teria se casado com algum ômega bonito que conhecera depois de formado? Eles teriam filhos? Eles viveriam na Inglaterra ou em algum outro lugar do mundo?

Certamente o ômega que se casara com Tom era alguém de sorte.

Harry se imaginou ocupando o lugar deste ômega.

Pela primeira vez, Harry não se sentiu mal ao se imaginar num relacionamento com um alfa. Afinal, este alfa era diferente de qualquer outro que havia conhecido. Tom era inteligente, espirituoso, um defensor dos direitos dos ômegas, extremamente cuidadoso e carinhoso com ele. Era o alfa que qualquer ômega desejaria ter.

- Harry Riddle... Isso soa tão bem – com um suspiro apaixonado, ignorando tudo o que McGonagall falava sobre o próximo ensaio de sabe-se-lá quantas páginas, Harry escreveu na contracapa de seu livro de transfiguração:

"Harry Riddle".

Seguido de um desenho de coração.

Então, com os olhos arregalados, viu que não havia escrito no livro de transfiguração, mas no diário de Tom. E antes que pudesse pensar numa forma de apagar aquelas palavras e o pequeno coração de tinta desenhado ao seu lado, as letras brilharam momentaneamente na página e desapareceram. A resposta de Tom veio depressa e o coração de Harry pareceu falhar uma batida:

"Adorável".

As bochechas de Harry queimavam de tanta vergonha. Ele não se atreveu a escrever qualquer outra coisa no diário até a elegante caligrafia de Tom surgir novamente, instantes depois:

"A combinação de nossos nomes soa adorável, Harry. Mas diga-me, em que você estava pensando para escrevê-las aqui? Estou curioso".

"Eu..." – Harry começou a escrever, mas parou. Ele não sabia o que dizer. Não havia nada que pudesse falar que não o fizesse morrer de vergonha.

Onde está Voldemort atacando Hogwarts quando se precisa dele?

Mas nenhuma distração interrompeu aquele momento. Tom ainda esperava pela sua resposta.

"Você...?"

"Eu não gosto muito do meu sobrenome e estava pensando em combinações aleatórias, sabe? Apenas para saber se soaria melhor. Acabei escrevendo uma das combinações em que estava pensando. E acho que soa melhor do que Harry Parkinson, ainda que Pansy dificilmente vá concordar".

Era ridículo.

Harry estava quase chorando de desespero, mas suspirou aliviado e sentiu o coração acelerar quando Tom respondeu:

"Nenhuma combinação será melhor do que Harry Riddle, tenha certeza disso. Eu adoraria poder chamá-lo assim um dia".

- Hey! Por que você está tão vermelho? – Draco sussurrou ao seu lado, tentando espiar o que ele estava fazendo – Em que está pensando?

- Em nada – murmurou depressa.

- Você está mentindo.

- Estou pensando na cena de um romance muggle que Hermione me emprestou, Draco. Você não vai gostar, é coisa de ômega.

O loiro não pareceu muito convencido, mas não disse mais nada, pois McGonagall os olhou com cara feira.

Harry, por sua vez, voltou a escrever no diário e, dessa vez, com um pequeno sorriso nos lábios:

"Eu também adoraria".

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Os nascidos muggles haviam deixo de ser atacados já há algum tempo, mas Harry ainda era visto com certo temor pela maioria dos estudantes que cruzavam seu caminho. Mas ele não se importava com isso. Ele não se importava com mais nada desde que havia encontrado o diário de Tom. Certo dia, enquanto escrevia um ensaio de Herbologia para entregar na próxima aula, sentado com Pansy e Hermione na biblioteca, Harry contava os minutos para voltar a conversar com Tom, logo após o jantar. Então, após guardarem os livros, ele apressou as amigas em direção ao Salão Principal pensando apenas no pequeno caderno preto que estava guardado em sua mochila.

- Onde ele está? Onde ele está?

- Está tudo bem, Harry?

- Você viu o meu diário, Pam?

- Não está na sua mochila? – perguntou, deitando-se na cama com uma máscara de hidratação no rosto, sem prestar muita atenção no choramingar do amigo – Você carrega aquele diário o tempo inteiro com você, deve estar por aí.

- Não está!

Pansy arregalou os olhos e se sentou, assustada com o desespero na voz de Harry:

- Você está bem?

- Eu quero o meu diário... – seus olhos se encheram de lágrimas – "Quero meu Tom".

- Oh, bebê – Pansy se levantou e o abraçou – Fique calmo, nós vamos achá-lo.

Eles procuraram na mochila e em todo o dormitório, sem sucesso. Então, correndo o risco de serem pegos fora da cama após o toque de recolher foram até a biblioteca, mas também não o acharam lá. Eles até perguntaram para a bibliotecária, Madame Prince, quando esta os expulsou de volta para suas camas, se ela havia visto o pequeno livro preto ou algum aluno que pudesse ter apanhado o livro por engano naquela tarde, mas ela negou e disse que apenas eles e uma tal de Gina Weasley estivera na biblioteca naquele horário.

Gina Weasley.

Harry franziu o cenho e se lembrou da menina ruiva do primeiro ano que sempre o encarava insistentemente. Ele sabia que, de alguma forma, ela estava ligada ao sumiço de seu diário.

- Por que ela roubaria o seu diário?

- Eu não sei, Pam – murmurou, seguindo com a amiga pelos corredores mal iluminados de volta ao salão comunal Slytherin.

- Isso não faz sentido – Pansy franziu o cenho – Você tem certeza que estava com ele antes do jantar?

- Absoluta! Eu falei com ele... Digo, escrevi nele logo após a aula de Snape e o guardei na mochila quando fomos para a biblioteca.

De repente, porém, a voz de McGonagall ecoou pelos corredores, magicamente amplificada:

- "Todos os alunos voltem imediatamente aos dormitórios de suas casas. Todos os professores voltem à sala dos professores. Imediatamente, por favor".

Harry virou-se para encarar Pansy.

- Não outro ataque! Não agora!

- O que vamos fazer? – murmurou Pansy, apreensiva – Voltar ao dormitório?

Harry pensou por alguns instantes. Então, sua intuição falou mais alto que a prudência:

- Não, venha, vamos ouvir o que aconteceu.

Cobertos pela capa de invisibilidade, Harry e a amiga se esgueiraram para dentro da sala dos professores e se esconderam dentro do guarda-roupa onde guardavam suas capas. Então, observaram os professores chegarem um a um. Alguns pareciam intrigados, outros completamente apavorados.

- Aconteceu – disse a professora McGonagaal, ao entrar na sala – Uma aluna foi levada pelo monstro para a Câmara.

O Prof. Flitwick deixou escapar um grito fino. A Profª Sprout tampou a boca com as mãos. Snape agarrou com muita força o espaldar de uma cadeira e perguntou:

- Como você pode ter certeza?

- O herdeiro de Slytherin – disse ela, muito pálida – Ele deixou outra mensagem. "O esqueleto dela jazerá na Câmara para sempre".

O Prof. Flitwick rompeu em lágrimas.

- Quem foi? – perguntou Madame Hooch, trêmula, sentando-se numa das cadeiras de estofado desgastado.

- Ginny Weasley – respondeu McGonagall.

Harry estreitou os olhos. Aquela menina estava com o seu diário e agora havia sumido. Tom havia sumido.

- Lamento muito, eu cochilei – a voz sorridente de Lockhart se fez presente na sala – O que eu perdi?

- Ora, ora, o alfa que precisávamos – Snape comentou com sarcasmo – Você não disse que sempre soube onde era a entrada da Câmara Secreta? Pois é a sua chance de salvar a garota que foi levada.

- Eu... Eu realmente nunca...

- Vamos deixar o problema em suas mãos, então, Gilderoy – disse McGonagall – Hoje à noite será uma ocasião excelente para resolvê-lo. Vamos providenciar para que todos estejam fora do seu caminho. Você terá oportunidade de cuidar do monstro sozinho. Boa sorte.

Lockhart olhou desesperado para os lados, mas ninguém veio ao seu socorro. Ele não parecia mais o alfa bonitão, nem de longe. Seu lábio tremia e na ausência do sorriso costumeiro, seu queixo parecia pequeno e fraco.

- M-Muito bem – disse – Estarei... Estarei em minha sala me... me preparando.

E saiu.

Com um olhar sombrio, os demais professores o seguiram e saíram da sala um a um.

- Harry, onde você pensa que vai? – Pansy sussurrou, seguindo o amigo para fora da sala.

- Vou atrás de Lockharts. Ele pode ser um inútil, mas parece saber onde a menina Weasley está, e eu vou recuperar o meu diário.

- Isso é loucura!

- Aquele diário... E-Ele é muito importante para mim, Pam.

Com um suspiro resignado, o menina soube que não resistiria àquele par de olhos verdes grandes, brilhantes e tão vulneráveis.

- Tudo bem, vamos logo.

- Mas...

- Eu não vou deixar você sozinho com aquele pervertido! Vamos logo, antes que eu mude de ideia.

Com sorriso, Harry seguiu com a amiga para o escritório de Lockhart. Ao bater, houve um repentino silêncio na sala. Então abriu-se uma frestinha na porta e eles viram o olho de Lockhart espreitando.

- Ah, Sr. Potter – disse, abrindo um pouco mais a porta – Srta. Parkinson... Estou muito ocupado no momento, se puderem ser rápidos...

- Professor, temos algumas informações para o senhor – disse Harry, ganhando um olhar confuso de Pansy – Achamos que podem ajudá-lo.

- Er... Muito bem...

Ele abriu a porta e os ômegas entraram.

Sua sala tinha sido quase completamente desmontada. Havia dois malões abertos no chão. As fotografias que cobriam as paredes agora estavam comprimidas em caixas sobre a escrivaninha.

- O senhor vai a algum lugar? – perguntou Pansy.

- E-Eu... Bem, houve um chamado urgente...

- E a garota Weasley? – perguntou Harry – "E o meu diário?".

- Sim, sobre isso... Foi muito azar.

- O senhor não pode ir embora agora! Não é professor de defesa contra as artes das trevas? Há muitas artes das trevas em ação agora! Depois de tudo o que escreveu nos seus livros...

- Ora, pequenos ômegas como vocês não entenderiam, mas livros podem ser enganosos.

- O senhor que escreveu! – gritou Harry.

- Meu caro – o alfa grunhiu – use o bom senso. Meus livros não teriam vendido nem a metade se as pessoas não achassem que eu fiz todas aquelas coisas. Quero dizer, convenhamos, todos esperam que aquelas coisas tenham sido feitas por um alfa...

- Então o senhor só está recebendo crédito pelo que outros bruxos fizeram?

- Pelo que ômegas fizeram – Pansy acrescentou suspicáz, um brilho furioso em seus olhos.

- A coisa não é tão simples assim, há muito trabalho envolvido. Tive que seduzir essas pessoas, perguntar como conseguiram fazer o que fizeram, depois lançar um Feitiço da Memória para esquecerem tudo o que fizeram. Não foi fácil. Se você quer ser famoso, tem que estar preparado para dar duro. Muito duro – riu da própria piada obcena.

Os ômegas fizeram uma careta de nojo.

- Lamento muito que tenha que fazer isso com ômegas tão belos e jovens como vocês, mas não posso permitir que saiam espanhando os meus segredos por aí. Eu jamais venderia outro livro...

Antes que Lockhart pudesse içar a varinha, Harry o desarmou com um simples balançar de sua mão direita. Ele havia treinado lançar feitiços sem varinha durante várias noite, na sessão reservada, com Tom.

- H-Hary... E-Espere...

- Vamos!

- Aonde, menino? Eu não sei onde fica a Câmara Secreta. Não há nada que eu possa fazer.

- O senhor está com sorte. Eu acho que sei onde fica.

- Sabe? – Pansy o encarou com uma sobrancelha erguida.

- Sim, Pam. Lembra-se de onde vimos a primeira mensagem na parede? Estava tudo alagado, e depois eu encontrei o meu- eu encontrei algo por lá...

- Onde?

- No banheiro de ômegas do primeiro andar.

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Quando chegaram ao banheiro, muito a contragosto do alfa, eles se colocaram a vasculhar cada canto para ver se achavam uma pista. Mas, até então, sem sucesso.

- Não há nada aqui, crianças.

- Eu tenho certeza de que estamos no lugar certo – murmurou Harry. Ele havia achado o diário de Tom naquele banheiro, as mensagens nas paredes também foram escritas ali perto, certamente haveria uma pista ali.

- Vejam! – gritou Pansy – Veja esta pia, Harry, não há nenhuma outra assim no castelo.

Examinando a pia, Harry viu que havia pequenas cobras gravadas no topo das torneiras de cobre.

- Diga alguma coisa, Harry, em Parsel.

Harry hesitou. As únicas vezes em que conseguira falar Parsel fora diante de uma cobra real. Ele fixou o olhar na gravação minúscula, tentando imaginar que era real:

- Abra.

Continua…

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Olá, meus amores!

Espero que estejam bem e que gostem deste novo capítulo. Finalmente, a tão esperada interação de Harry e Tom. Vocês estavam ansiosos por isso?

E qual foi a primeira impressão que tiveram do Tom? Será que ele é tão bonzinho quanto parece ser?

Logo descobriremos!

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