CAPÍTULO 1 - Decreto Matrimonial
-Você já está sabendo dessa palhaçada? - perguntou o moreno que acabava de sair por sua lareira.
Draco Malfoy, sentado na mesa do seu escritório nem ao menos levantou os olhos na direção do recém chegado, estava com o Profeta Diário em mãos relendo a notícia daquela manhã.
-Bom dia, Zabini. Não lembro de ter dado autorização para entrar e sair da minha casa sem ser anunciado. - A resposta sem humor do loiro, surtiu o mesmo efeito que sempre surtia em Zabini, um revirar de olhos.
-Me poupe, Malfoy. Temos coisas mais preocupantes no momento – Disse abrindo o blazer e sentando-se sem cerimônia no divã do outro lado do escritório de Malfoy. - Como, em nome de Merlin, o conselho bruxo conseguiu passar esse decreto por baixo dos panos?
Soltando a respiração de modo exasperado, Malfoy largou o jornal e finalmente olhou para o Sonserino que invadiu sua casa. Notou as roupas formais, porém os cabelos bagunçados, e mesmo que estivesse numa pose relaxada havia um ar agitado em volta dele.
-Não entre numa crise histérica, Zabini. - Draco levantou-se e serviu um copo de whisky para cada antes de voltar a falar. - Obviamente, quem está por trás disso se aproveitou do caos pós guerra. A questão é; o que eles vão ganhar com isso?
- A questão não deveria ser como impedimos isso? - perguntou um estarrecido Blaise, antes de virar o conteúdo do copo.
-Zabini, como você sobreviveu a Sonserina entrando em ataques de pânico por qualquer coisa?
-Qualquer coisa? Estamos falando de casamento aqui Malfoy. Ca-sa-men-to! - sem mais conseguir conter a energia nervosa que sentia desde que tinha lido a notícia mais cedo, começou a andar pelo escritório sem um propósito específico.
Enquanto isso o antigo príncipe da Sonserina, encarava seu copo de whisky ainda cheio sem parecer entender o nível de preocupação do companheiro. Não pela primeira vez Zabini se encontrou dividido entre admirar e temer o controle que Malfoy exercia sobre si, o conhecia desde os 11 anos, e desde a guerra o colega de casa exalava um controle quase absoluto independe do que estivesse acontecendo.
Desistindo da andaria sem propósito, serviu-se de mais um copo – O que você quer dizer sobre o que eles vão ganhar com isso? Está bem claro que o objetivo é acabar com os puros sangues, simples e direto. - Olhos azuis acinzentados agora focados nele, pareciam zombar de Zabini.
-Tente pensar além do seu pavor por casamentos, Blaise. O ministério nunca deu importância alguma para isso, e não é a primeira guerra que acontece por questões de supremacia puro-sangue. Então quem e o que vão ganhar com isso agora? - ignorando o tom de zombaria Blaise conseguia perceber a lógica por trás do raciocínio do loiro.
- E alguém realmente se deu ao trabalho, muito trabalho, para que isso passasse despercebido até agora. Você tem razão Malfoy, alguém tem algum interesse aqui, mas o que nós vamos fazer agora?
Draco deu um sorrisinho de canto, sabia ser uma atitude de arrogância, mas velhos hábitos demoram a sumir. Tomou finalmente o conteúdo de seu copo, enquanto ia até a garrafa se servir novamente.
-Vamos ser Sonserinos, meu caro Blaise.
Bem longe da Mansão Malfoy, porém numa casa igualmente antiga e infundida de história puro-sangue, o assunto entre Harry Potter e Ron Weasley era o mesmo.
-Isso é um absurdo! O ministério não tem o direito de dizer com quem a gente vai casar ou deixar de casar! - Ronald Billius Weasley esbravejava pela cozinha, enquanto procurava alguma coisa para comer.
-Aparentemente eles têm. - Veio a resposta calma de Harry.
-Cara, você só está calmo assim, por que você é Harry Herói Potter e já pediu a mão da minha irmã em casamento! - O tom de voz do ruivo subindo ao mesmo passo que subia sua frustração. - Monstro!
Com um pequeno "puf" o elfo doméstico de aparência ranzinza e roupas maltrapilhas surgiu na frente do ruivo.
-Mestre Weasley, como Monstro pode ajudar? - a pequena criatura se curvou numa reverência curta, mas com a voz tão ranzinza quanto ele parecia.
-Comida, Monstro. Eu preciso de alguma coisa para comer urgente!
Imediatamente Monstro estralou os dedos e pãezinhos e biscoitos amanteigados juntamente com suco de abóbora apareceram na mesa da cozinha próximo a Harry na mesa, o mesmo notou que a quantidade era para dois e agradeceu o elfo que já saia da cozinha. O menino que sobreviveu até tinha tentado libertar o elfo, mas depois da batalha, Monstro ficou com um novo senso de orgulho de seu mestre e do Largo Grimmauld.
-Por que você pediu comida, se já estamos indo para a Toca? - Ron se sentava do outro lado da mesa de frente para Harry, já com dois pãezinhos nas mãos.
-Porque eu estou nervoso! Como o ministério pode fazer uma coisa dessas depois da guerra? Isso é muito injusto. Pior é ridículo.
-Ridículo ou não, pelo que saiu no Profeta diário, a lei além de já pré aprovada tem grandes chances de passar na votação do conselho amanhã. E antes que você diga que eu estou calmo porque tenho a Gina, sugiro terminar de ler a matéria, existe um risco muito grande de eu não conseguir aprovação ministerial mesmo já estando noivo.
-O quê?!- Ron largou a comida, e agarrou novamente o Profeta diário. Harry observava os olhos azuis correrem pelas palavras impressas e finalmente entendendo a que ele se referia. - Eu já disse o quanto isso é ridículo? - questionou com tom meio derrotado o ruivo.
-Só umas milhões de vezes. Vamos logo para a Toca, preciso conversar com a Gina.
Sem esperar por uma resposta Harry foi em direção a sala, já pegava o pó de flu quando ouviu passos vindo em sua direção.
-Podia ter esperado eu terminar de comer.
-Eu ia ter que esperar uma vida então. Olha Ron, eu também estou nervoso, eu lutei uma Guerra para viver minha vida em paz e agora isso? - Harry tinha perdido a paciência e ficou nítido na maneira truculenta que entrou na lareira ao responder Ron. - Você não está ajudando cara! Ficar reclamando comigo não vai mudar muita coisa
Antes que Ron conseguisse terminar de mastigar para responder, Harry jogou o pó de flu e chamou pela Toca, deixando Weasley sozinho para trás. Assim que saiu pela lareira, Harry sentiu o impacto do corpo de Gina, que se jogou ao seu encontro o abraçando forte.
-O que nós vamos fazer, Harry? - perguntou ela num sussurro que ele só escutou porque estavam ainda abraçados como se suas vidas dependessem disso.
-Eu não sei Gin, eu não sei. - Repetia enquanto a abraçava ainda mais forte.
Permaneceram assim, até escutarem o som característico de quem alguém estava chegando pela rede de flu.
- O que nós vamos fazer? - perguntou Ron ao passar pela lareira, repetindo a pergunta que provavelmente passava por quase todas as mentes de jovens bruxos e bruxas solteiros naquela manhã na Grã- Bretanha.
- Eu não entendo nada de lei bruxa, não sei se é possível fazer alguma coisa. - Dizia Harry ao se encaminhar de mãos dadas com Gina para a cozinha.
- É praticamente impossível impedir essa lei de passar agora. - Percy Weasley entrava pelo outro lado da cozinha explicou.- Para esse decreto chegar até essa instância, sem alardes, sem oposição, significa que o apoio dentro dos conselho bruxos é quase absoluto.
-Como se essa geração de bruxos já não estivesse fudida o suficiente depois da guerra.
-George! Veja como fala, não aceito esse linguajar em casa. - Vociferou a senhora Weasley de sua posição em frente ao fogão
Harry notou que George nem reagiu a bronca da senhora Weasley, olhando mais atentamente para o ruivo sentado na mesa da cozinha, na ponta oposta da onde estava, o antes alegre e disposto agora estava numa posição encurvado, pálido e com olheiras profundas parecia vestir um pijama. A morte de Fred tinha abalado todos na numerosa família Weasley, mas nenhum foi tão atingido quando George que agora olhava pela janela sem realmente focar em nada.
-Percy tem razão - complementou o senhor Weasley – se chegou até aqui, esse decreto vai passar, o máximo que se pode fazer é tentar atrasar, mas a votação já é amanhã. -Eu queria que Hermione estivesse aqui, ela saberia o que fazer.
E com essa declaração de Harry, todos ficaram em silencio porque se tinha alguém capaz de derrubar esse novo decreto seria Hermione Granger, mas a bruxa mais inteligente da sua idade nem no continente estava.
-Teremos de lidar com o que vier, quando vier. O Profeta diário, só falou por cima sobre os itens do decreto, se ela realmente passar amanhã, vamos ver do que realmente se trata e decidir o que fazer. - A voz calma veio da senhora Weasley que tinha se virado para mesa e passava a mão de forma carinhosa pelos ombros de George. - Agora vamos lavar as mãos e comer que o almoço está pronto!
