NOTAS DO AUTOR:

~*Yo, Minna!

Ahhh que saudade eu estava dessa fanfic…

Segue mais uma fase da vida desse casal maravilhoso! s2

IMPORTANTE:

Essa é uma Shortfic de 5 capítulos totais;

O que estiver em negrito, itálico e centralizado serão trechos da música;

E o que estiver em itálico entre […] é uma narração do passado;

Neste capítulo a música escolhida é Angel – SarahMacLachlan. Recomendo ouvir durante a leitura, assim será mais imersivo.

É isso! Preparem os lencinhos de novo, acho que vão precisar! Kkkkkkkk

Boa leitura!*~

Obs.: Essa música foi a mesma que tocou quando me casei, em minha entrada – em vez da clássica marcha nupcial. Então pensem no quanto essa música é importante para mim! Por isso, se esse capítulo estiver excessivamente emotivo, não se importem, por favor rsrsrs

E… é um pouco pessoal o que vou dizer agora, mas quero eternizar em algum lugar o quanto eu amo meu esposo, porque infelizmente é algo que não consigo dizer para ele o tanto que ele merece ouvir.

Ele me salvou quando acreditei que já não tinha mais salvação.

Ele me amou quando eu desdenhei dos seus sentimentos.

E me mostrou que, apesar de tudo o que passei, eu poderia ser feliz se me permitisse ser assim.

Então, em onze anos de relação, aqui estamos nós casados e vivendo todos os dias coisas novas que tornam nossa história cada vez mais completa e feliz.

Obrigada, GM. Espero um dia retribuir tudo o que você fez por mim sem nem mesmo saber.

[…]

Passe todo seu tempo esperando

Por uma segunda chance

— Você está bem? — perguntei, a vendo esboçar um leve e discreto sorriso no intuito de me acalmar, mas quem realmente precisava se acalmar era ela. Seu nervosismo estava eminente, todavia a conhecia mais do que a mim mesmo e sabia que ela precisava de espaço naquele momento. Era o momento de ela enfrentar seus demônios, superar o que ainda a prendia àquele passado doloroso e por isso peguei sua mão e fechei os olhos, buscando a força que ela precisava que eu tivesse para ajudá-la naquela empreitada, afinal, estávamos a caminho de onde todo aquela tragédia ocorreu.

Há dez meses e duas semanas Sakura me contou abertamente sobre o que guardou por toda a sua vida.

[…]

"Depois daquilo nós dormimos e no dia seguinte ela estava forte o suficiente para me encarar e mais uma vez agradecer por tê-la ouvido e por ter a respeitado e a aguardado estar pronta para aquilo. Nos amamos novamente e seguimos com nossa vida.

Ainda que ela tentasse esconder ou até mesmo se enganar, eu sabia que contar não foi o suficiente para que ela realmente seguisse em frente. Por muitas vezes a peguei o olhar perdido num ponto qualquer enquanto assistíamos algum filme que ela tinha escolhido ou imersa em pensamentos quando conversávamos sobre algo, até mesmo na empresa ela estava dispersa.

Gradualmente passou a se afastar, até mesmo me evitar com justificativas sutis como um "Eu estou cansada hoje. Fica para a próxima, está bem?" ou "Tenho muito trabalho acumulado. Te ligo quando houver a oportunidade.".

Preocupei-me e me desesperei achando que a tinha perdido para aquele passado, no entanto quatro meses depois ela me chamou para jantar e diferente do que costumávamos fazer, que era nos encontrarmos no hotel em que ela se hospedou por todos aqueles anos, marcou em meu apartamento.

Naquele dia Sakura tinha saído mais cedo da empresa e, pelo distanciamento que impôs entre nós durante aquele período, realmente pensei que era o fim do que construímos naqueles seis anos e sete meses, mas quando entrei em casa e vi velas no interior de globos de vidro no chão criando um caminho até o quarto, percebi que ainda era capaz de me surpreender com aquela mulher.

Ela estava em pé, descalça, em frente a cama, trajando uma camisola rosa claro com rendas brancas. Aguardava-me estendendo sua mão para que me aproximasse. No rosto não haviam traços felinos de maquiagem que enalteciam sua altivez e ferocidade, havia apenas sua beleza natural: olhos grandes e límpidos esverdeados sob cílios longos e leves, bochechas no tom natural levemente rubras e lábios rosados num sorriso tão sincero que era estonteante.

Bem-vindo de volta, querido. — recebeu-me de braços abertos e só o que pude fazer foi apressar-me em alcançá-la, abraçá-la inspirando seu cheiro e agradecê-la por não desistir de nós.

Por uma mudança que resolva tudo

Minutos depois Sakura desfez o abraço e lentamente, sem nunca deixar meu olhar, despiu-me aos poucos. Meu terno, gravata e camisa estavam no chão quando ela quebrou o silêncio, presenteando-me com um sorriso tão genuíno e liberto que meu peito aqueceu de prontidão.

Hoje eu quero que seja diferente, Sasuke… quero que seja especial.

Assenti de corpo e alma recebendo seus beijos cálidos em meu peito, pescoço e queixo até alcançar meus lábios e mergulhar em minha boca através de um beijo calmo e preenchido de sentimentos. Ela nunca se doou tanto naquele ponto e meu pobre coração estava tão acelerado que achei que não aguentaria ser tão feliz.

Minhas mãos automaticamente a envolveram, mas com uma sensação diferente.

O que estávamos fazendo não tinha a luxúria nos movendo; não haviam corpos sedentos por mais, fogo alastrando-se por nossas ações causando uma combustão perigosa que nos fazia ir ao céu e voltar à terra famintos de prazer, não havia nem mesmo insaciedade.

A cada toque havia um sentimento, a cada beijo uma sensação, a cada olhar a construção de um novo elo, uma nova entrega. Não era mais paixão, era amor. O amor puro e bruto circulando entre nós, envolvendo-nos, unindo-nos ainda mais em todas as dimensões que um relacionamento verdadeiro exigia: na mais genuína e total entrega.

Risos guturais escapavam de nós conforme nos conhecíamos de novo, e de novo, e de novo.

A plenitude nos envolveu soberana e sem ao menos perceber ambos estávamos em pé um de frente para o outro, nus, de corpo e alma, presos num contato visual de tirar o fôlego.

Me vi mergulhado naquelas esmeraldas como nunca. Com o olhar, ela dizia que finalmente me aceitou inteiramente e mais uma vez abriu seu coração para que eu pudesse entrar.

Sakura se deitou sobre a cama e abriu os braços. Assim que me aproximei, me acolheu num abraço e depois de minutos preciosos em que ficamos daquela forma puxou-me para um beijo que naturalmente se transformou em carícias que nos levaram há uma união física.

Eu beijava seu seio, acariciando seu bico entumescido com a língua enquanto sua mão se afundava em meu cabelo e me envolvia com as pernas, rodeando minha cintura. Minha outra mão alcançou sua bunda e ao apalpá-la fui recompensado com seu gemido. Nossos corpos envolviam-se cada vez mais em busca de contato e logo o que fazíamos tornou-se pouco.

Eu preciso de você, Sasuke. — sussurrou em meu ouvido e umedeci meu lábio inferior voltando a encará-la. O desejo em sua voz estava também presente em seu olhar e não pensei duas vezes ao atender seu pedido.

A penetrei com calma, carinho, paixão, amor.

A mistura transformou aquele ato sexual numa novidade, numa "primeira vez" de novo. Havia tanto nervosismo, receio, preocupação. Eu não queria desapontá-la, queria que fosse perfeito para ela como estava sendo para mim, porque eu finalmente estava sendo amado.

Por mais que tivéssemos ficado juntos por todo esse tempo e Sakura se esforçasse ao máximo para me dar tudo o que podia, ainda não era amor. Havia uma paixão arrebatadora por mim, eu sabia e sentia, além de respeito, admiração, carinho, preocupação, mas ainda assim não era o amor que tanto esperei, como o que eu tinha para lhe dar e que não podia porque ela não estava pronta para receber, entretanto naquele momento era diferente. Ela se deixou aberta através de suas carícias, nada feroz e sim serena, mostrando-me a natureza do seu amor e eu me abri totalmente, plenamente para ela também.

No auge dos nossos prazeres atingimos a satisfação sexual e espiritual e quando eu ia me deitar contra o colchão para trazê-la para meu peito como sempre fazíamos, ela me abraçou e gentilmente puxou minha cabeça para seu peito, deitando-me sobre ela. Quando me acomodei, iniciou um cafuné e com a outra mão acariciou minhas costas.

Envolvidos pelo silêncio relaxamos e quando estava prestes a dormir fui despertado por sua voz aveludada num ritmo preguiçoso e tom gentil.

Eu te amo, Sasuke. — ouvi e surpreso a encarei.

Em seus olhos tinha o reflexo do que ela disse e nos meus, lágrimas lídimas da maior felicidade já sentida por um homem. Foi a primeira vez que ela disse aquelas palavras. Sem perceber, comecei a rir e a beijá-la com todo o amor que sentia por ela, com lágrimas escorrendo por meu rosto e molhando o dela.

Eu também te amo, Sakura. — sussurrei enquanto nossas testas estavam encostadas uma contra outra e seu olhar preso ao meu — Eu também te amo… muito, muito mesmo.

Nos amamos mais uma vez e enrolamos na cama até termos nossos estômagos protestando por refeição.

Sakura disse que havia preparado um jantar, mas que já deveria estar frio.

Observava-a se esforçar para oferecer-me o melhor do que havia preparado, surpreso por ter descoberto que ela fez nossas refeições pessoalmente.

Ela tinha muitas qualidades, mas cozinhar não era uma delas. A vida a transformou em uma mulher prática, que não fazia e sim comprava, e para que houvesse um pouco de normalidade entre nós eu sempre reservei algumas datas para cozinhar para ela ou nossos dias se resumiriam à comida de restaurantes, ainda que fossem dos melhores da cidade.

Em algum desses jantares que preparei percebi o motivo de Sakura morar num hotel. Ela não queria um lar, porque acreditava que o lar dela ficou naquela ilha junto com a família. Não queria se sentir confortável, nem familiarizada com um lugar e mantinha isso em tudo que lhe rodeava. Não cozinhava, não lavava as roupas, não comprava objetos que pudessem fazê-la se apegar a algo como quadros, câmera fotográfica e até mesmo rejeitava presentes. Ela dizia que os melhores presentes que eu poderia lhe dar eram boas lembranças e foi o que fiz por todos esses anos. Dei-lhe viagens, passeios, experiências novas e só, mesmo que quisesse dar mais.

Espero que goste. Eu… eu não sei se ficou… — murmurou insegura, fitando-me intensamente com as sobrancelhas franzidas, conforme eu levava uma garfada do assado que preparou à boca.

Mastiguei calmamente sentindo um turbilhão de emoções. Sakura estava nervosa e ansiosa para saber se estava "aceitável" a refeição que preparou para mim e eu estava feliz só pelo fato de ela ter tido essa atitude. O sabor estava meio agridoce, o assado tinha passado um pouco do ponto, queimando o exterior, mas, ainda assim, foi a refeição mais gostosa que já comi, porque foi preparado por ela especialmente para mim.

Está perfeito. — disse, com um sorriso que não cabia em minha boca vendo-a suspirar aliviada e sorrir satisfeita.

Uma pena que não durou por muito tempo, pois em seguida experimentou o que fez.

Isso está horrível, Sasuke! — de imediato pegou o guardanapo e cuspiu o que havia comido, fuzilando-me.

Eu ri e me levantei, atravessando a mesa de jantar para abraçá-la.

Obrigado por ter feito tudo isso por mim. — sussurrei, deixando um beijo casto sobre sua cabeça, ouvindo-a resmungar sobre enganá-la dizendo que tinha ficado bom.

Pedimos comida por telefone e jantamos conversando sobre seu pedido de ensiná-la a cozinhar.

Terá que fazer isso, Sasuke. Se não quer comer comida comprada todos os dias, vamos ter que revesar no preparo da refeição. Não vou permiti-lo ficar com todos os afazeres caseiros. — insistiu uma última vez e de repente aquele clima descontraído mudou bruscamente.

Encarei-a com olhos arregalados, dominado por expectativas enquanto perguntava-me se ouvi direito o que ela disse.

Há alguns anos, um pouco antes de descobrir o motivo de ela morar num hotel, lhe fiz o convite de morar comigo, convite que obviamente ela negou de prontidão e até se afastou por algumas semanas antes de me procurar dizendo que não estava pronta para se envolver daquela forma. Claro que aceitei sua rejeição. Sempre fui muito claro com ela e comigo mesmo de que aceitaria suas condições e o tempo que precisasse para me aceitar, mas deixei o convite aberto para quando ela estivesse pronta.

Você… — as palavras fugiram da minha boca e, de repente, eu passei a balbuciar coisas incompreensíveis até mesmo para mim.

Ela riu e me ofereceu um sorriso que jamais havia visto: um completo, aberto, pleno.

Espero que seu convite ainda esteja de pé. — disse e sem nem perceber eu beijei novamente.

Nós passamos a morar juntos, só que infelizmente a sentia incompleta, presa em algo que não a deixava livre para viver comigo a felicidade que eu estava vivendo, mas não podia pressioná-la, porque Sakura era assim. Ela tinha que vencer suas batalhas sozinha e eu tinha apenas que esperar que ela estivesse pronta para compartilhá-las comigo.

Sempre há um motivo

Para não se sentir bem o suficiente

E isso é difícil no fim do dia

Eu preciso de alguma distração

Oh, bela libertação

Nós nunca realmente brigamos, nem sequer discutimos.

Quando sem ter controle de si mesma ela deixava escapar em palavras alguma irritabilidade, Sakura se afastava e eu lhe dava o espaço que o seu descontrole, de forma muda, havia pedido. Às vezes levava um dia para ela voltar a si, às vezes dias, até semanas e por mais frustrante que era vê-la se afastar cada vez mais, ainda que estivéssemos vivendo sob o mesmo teto, observava-a a distância aguardando que ela estivesse pronta para voltar para mim.

Lembranças vazam de minhas veias

Deixando-me vazia

Oh, e leve, e talvez…

Eu encontre alguma paz esta noite

Se passaram seis meses quando cheguei em casa e não a vi. Passei algum tempo em choque antes de me mover e procurar pela casa vestígios do que eu temia que tivesse acontecido e ao encontrar um bilhete seu em cima do meu criado-mudo meu mundo parou de girar e tudo tornou-se nublado.

"Não posso mais continuar com isso, Sasuke.

Me perdoe.

Sakura."

O bilhete se repetia em minha mente enquanto as lágrimas escorriam sem pudor por minhas bochechas. Me vi perdido e desesperado, com aquele sentimento de ser abandonado batendo forte no peito, me machucando, me dilacerando de dentro para fora.

Quando percebi, estava dirigindo para onde eu sabia que ela tinha voltado. Em meia hora eu estava na entrada do hotel em que ela já foi hospedada por mais de seis anos.

Assim que uma das recepcionistas me encontrou sorriu e acenou para que me aproximasse.

"Veio procurá-la, não é mesmo?" ela disse, sorrindo para confortar-me diante do meu estado nada apresentável. Ela conhecia nossa história como ninguém, por muitas vezes foi testemunha da minha preocupação com a mulher que amo e que era uma grande cliente daquele hotel. Secretamente a recepcionista me entregou o cartão da manutenção para que eu pudesse entrar no quarto da Sakura e não demorei em fazê-lo.

O medo de perdê-la me consumia e nunca o tempo havia sido tão cruel comigo. Nos minutos que passei no elevador aguardando-o chegar ao andar dela, nossa história preenchia minha mente. Houve tantos obstáculos, tantas superações e, de repente, tudo estava sob uma corda bamba. Eu não podia perdê-la, não depois de tudo e por isso corri como nunca para chegar ao seu quarto.

Ao abrir a porta a vi sentada no sofá chorando. Os olhos vermelhos e inchados e o nariz e as bochechas levemente rubras denunciavam que chorava há algumas horas. Assim que me viu arregalou os olhos e paralisou por completo me encarando.

Eu não disse nada do que ensaiei no caminho, apenas corri para abraçá-la deixando os ressentimentos de lado.

Nos braços de um anjo

Voe para longe daqui

Deste escuro e frio quarto de hotel

Vai ficar tudo bem. — afirmei, minutos depois. Sakura ainda chorava. Depois de um tempo até retribuiu meu abraço. Era indescritível o tamanho do meu desespero. Vê-la tão frágil, quebrada, ainda mais do que qualquer outra vez acabava comigo tanto quanto a sensação que tive de ter sido abandonado. Eu queria arrancar dela aquela dor, sentir por ela se fosse preciso. Sem nem pensar comecei a beijar o topo de sua cabeça, abraçando-a mais forte — Vamos voltar para casa.

Eu não consigo, Sasuke… eu não consigo… — murmurou em meio a soluços e ofego.

O choro tornou-se incontrolável e lá estávamos nós no chão abraçados.

E da infinitude que você teme

Você é arrancado das ruínas

De seu devaneio silencioso

Você está nos braços de um anjo

Talvez você encontre algum conforto aqui

Algum tempo depois ela contou o que estava a perturbando e como eu pensava, ela estava presa há algo que não a deixava ser livre para viver: seu passado.

Depois de muito tempo ouvindo seu monólogo que expunha tudo o que passou por sua cabeça durante tanto tempo, inclusive que ela não era digna do que lhe oferecia, percebi que Sakura e eu ainda precisaríamos superar um último obstáculo antes de conseguirmos ser felizes.

Nós vamos descobrir um jeito de superar isso… — murmurei, débil, antes de senti-la me afastar de modo brusco e me encarar ainda mais fora de si do que eu.

Não existe um "nós", Sasuke! Acabou! Eu sou um caso perdido… — sua voz explosiva se transformou num murmúrio sofrido até sumir completamente, presa àquela depressão e conclusão precipitada.

Foi a primeira vez que ela chegou àquele ponto e nosso relacionamento chegou naquele impasse.

Tão cansada de seguir em frente

E a tempestade piora

Você continua inventando mentiras

Para compensar tudo o que lhe falta

Porque não faz nenhuma diferença

Escapar uma última vez

Eu não consigo mais mentir para mim mesma… — ela disse em tom cansado e fraco, ainda sob meu abraço incansavelmente forte.

Eu chorava tanto quanto ela. Era doloroso vê-la naquele estado e mais ainda em saber que ela estava decidida a me deixar, mas engoli o orgulho me dando conta de que eu estava tão decidido quanto ela a não deixá-la ir.

Fechei os olhos fortemente e os abri tomando a decisão mais importante da minha vida.

Então não minta. Vamos transformar tudo o que vivemos em verdade, superando juntos o obstáculo que você não consegue superar sozinha, porque eu não vou perdê-la, Sakura.

Nos braços de um anjo

Voe para longe daqui

Deste escuro e frio quarto de hotel

Juntos decidimos voltar para casa. Pegamos suas coisas, demos baixa no hotel e eu devolvi o cartão que a recepcionista tinha me dado.

Fomos para casa e em nossa cama dormirmos abraçados envolvidos no sentimento que nos uniu até ali.

No dia seguinte, fomos para a empresa e demos entrada nas nossas férias. Ser o dono e o presidente me oferecia algumas regalias e por isso conseguimos apressar tudo para que já iniciassem no dia seguinte.

Começamos com uma viagem para uma casa de campo da minha família. Ficamos uma semana lá. Sakura ainda estava introspectiva comparada ao que sempre foi, mas, mesmo assim, estávamos lado a lado, passando por aquilo juntos e isso era suficiente para eu me manter firme e forte por nós dois.

Enquanto ela tomava banho, pesquisei sobre o que ela me contou, descobrindo detalhes sobre a ilha onde tudo aconteceu. Vi notícias sobre o ocorrido, fotos do desastre e que a ilha se tornou particular e que desde a tragédia ninguém nunca mais foi ao local.

Pedi ajuda a um amigo para conseguir o contato do proprietário da ilha. Algo me dizia que Sakura precisava, por mais doloroso que fosse, voltar até lá e enfrentar fisicamente o que já enfrentava mentalmente e por isso eu liguei para o proprietário, que posteriormente descobri que se tratava do guardião legal que cuidou dela até atingir a maioridade, Hatake Kakashi.

Ele me pediu para encontrá-lo em três dias e me passou o endereço de sua residência, no entanto pediu para que eu fosse sozinho explicando que Sakura, no dia que atingiu a maioridade, foi embora e ele queria que aquele encontro fosse sigiloso para não machucá-la.

O mínimo que eu poderia fazer era respeitá-lo, então, com a justificativa de conhecermos outro lugar, ainda sob "férias", nos levei para a cidade em que ele passou a residir depois que Sakura partiu.

Ela ainda parecia perdida, por mais que tentasse esconder de mim, mas se tudo desse certo logo ficaria bem.

Quando chegamos na cidade a deixei num SPA onde a buscaria a noite para jantarmos, com isso ganhei tempo e espaço para resolver o que era preciso. Encontrei Hatake Kakashi em sua residência em seguida.

Fico feliz em conhecê-lo, Sasuke. — Kakashi disse depois de me receber e nos acomodarmos.

Digo o mesmo, Sr. Hatake.

Kakashi. Chame-me de Kakashi, Sasuke, mas, me diga, como ela está? — o homem perguntou e percebi que o que eu estava fazendo era errado.

Sakura o deixou porque escolheu isso. Eu não tinha o direito de interferir.

Naquela epifania me senti um traidor. Ela confiou a mim sua história e eu estava fazendo muito mais do que ser apenas um ouvinte.

Eu sinto muito, Kakashi. Isso é um erro. — disse, já me levantando.

O encarei por tempo o bastante para ver o quanto ele ainda se preocupava com ela. Deixei a casa em seguida, rumo ao hotel onde estávamos.

Passei algumas horas deitado encarando o teto e pensando no que fazer. Eu queria que Sakura enfrentasse seus medos, mas não queria obrigá-la e era exatamente o que eu faria se tivesse conseguido autorização legal do Kakashi para irmos para aquela ilha.

Muito antes do horário combinado eu estava a caminho do SPA para buscar Sakura.

Quando ela chegou na recepção e me viu ficou totalmente confusa, principalmente porque a abracei forte e pedi perdão muitas vezes, mas menos do que minha culpa exigia.

O que houve? — ela perguntou, afastando-me para me olhar nos olhos e, com a cabeça baixa e vergonha pelo que fiz, a chamei para irmos embora.

O caminho foi uma tortura para mim, silencioso, corrosivo.

Eu estava me matando por dentro, com raiva de mim mesmo por ter excedido os limites, mas ainda não conseguia encontrar palavras que pudessem justificar o que fiz. Havia uma chance alta de ela me odiar para sempre, de terminar comigo mais uma vez e só de pensar nisso meu bom senso ameaçava me deixar.

O conflito interno perdurou até chegarmos ao hotel e entrarmos em nosso quarto. Pacientemente ela se sentou na borda da cama e me aguardou dizer o que eu tanto martirizava.

Em meus olhos já tinham lágrimas acumuladas e em meu peito uma dor prévia do que eu sentiria quando ela me deixasse.

E da infinitude que você teme

Você é arrancado das ruínas

De seu devaneio silencioso

Está me assustando, Sasuke. O que aconteceu? — Sakura se levantou e veio em minha direção, segurando-me pelos braços e buscando alguma resposta, ainda que eu estivesse de cabeça baixa.

Eu sinto muito, Sakura. Eu… eu realmente sinto muito. — balbuciei, mais arrependido do que poderia pôr em palavras por ter começado aquilo e com as duas mãos ela levantou meu rosto e me obrigou a encará-la.

Não sei o que ela viu em meus olhos. Talvez tivesse visto minha culpa ou o quanto eu estava arrependido, não sei dizer, só sei que ela se afastou com os olhos arregalados e passos cautelosos, as mãos ainda suspensas no ar, alarmadas.

O que você fez? — me perguntou, com o tom firme e sério que a dama de ferro Haruno Sakura usava contra quem ousava desacatá-la e inconscientemente levei a mão ao rosto, escondendo-me de sua ira.

Sei sobre Hatake Kakashi. O procurei hoje e… — as palavras fugiram, porque não existiam justificativas nem para mim mesmo. Não devia tê-lo procurado, não sem Sakura consentir, mas eu estava tão cego com o desejo de ajudá-la que me deixei agir irracionalmente pela primeira vez em minha vida. — … eu só queria ajudá-la a enfrentar seu passado fora da sua mente também. Foi o jeito que achei de fazer isso acontecer. Não queria ter me intrometido… interferido. — me corrigi rapidamente, sentindo um peso maior sobre aquela palavra e entendendo que a situação era ainda pior do que achava. — Me perdoe… me perdoe, Sakura. Por favor, me perdoe… — ajoelhei-me e me curvei sobre seus pés pedindo a única coisa que eu podia naquele momento: perdão.

Não sei quanto tempo se passou, mas foi o bastante para que eu tivesse morrido inúmeras vezes e para que Sakura absorvesse o que lhe contei.

Ela recuou alguns passos e sem poder encará-la, por não ter dignidade e honra suficientes, acalmei-me, enxugando as lágrimas que já fugiam torrenciais.

Levantei sufocado pelo longo silêncio e tentei ser o mais racional possível, assumindo minha culpa.

Eu vou entender se me odiar… sinto muito por ter estragado tudo.

Em minha cabeça eu só procurava pensar nas consequências do que eu fiz com clareza. Eu queria encontrar um modo de facilitar as coisas para Sakura, já que as compliquei por todo esse tempo. Deixaria meu apartamento para ela. Ela finalmente construiu um lar, seria monstruoso tirar isso dela;

Contrataria um vice-presidente e trabalharia a distância para poupá-la do asco de me encontrar.

Então me dei conta de que eu não tinha um motivo para viver. Desde que a conheci, tudo sempre se resumiu nela, no quanto eu queria seu bem-estar e sua felicidade.

Tornei a chorar e sem forças para me manter em pé caí sobre os joelhos, me dando conta disso quando fui abraçado.

Você está nos braços de um anjo

Talvez você encontre algum conforto aqui

O que você fez foi errado, mas eu jamais te odiaria, Sasuke. — ela disse, aninhando-me em seu peito e abrigando-me em seus braços.

Sua compaixão me salvou da escuridão, assim como sua presença deu sentido a minha vida.

Naquela mesma noite nos amamos sem restrições. Nos declaramos, nos acalmamos prometendo ficarmos juntos diante de todos os problemas que encontrarmos, conversamos abertamente sobre o que lhe contei quando chegamos e planejamos juntos o que eu vinha planejando sozinho.

Dois dias depois fomos até a residência do Kakashi. O reencontro foi emocionante. Como eu imaginava, o homem se preocupava com ela e quando a viu se desfez em lágrimas de saudades.

Sakura também, por mais que ela tivesse ido embora sem olhar para trás, sentia falta dele, pois ele foi como um pai para ela.

Ficamos três dias hospedados na casa dele. Nesse meio tempo Sakura se entendeu com ele, pediu perdão por ter ido embora e por privá-lo de encontrá-la, também contou sobre nós e me apresentou devidamente. Ambos me contaram histórias boas e divertidas da adolescência da Sakura, onde descobri um pouco mais sobre a mulher que amo. Era um clima típico familiar e fazia muito bem para ela, que se privou tanto daquela sensação, que ao senti-la caiu em lágrimas felizes deixando Kakashi e eu preocupados até nos explicar que jamais imaginou que um dia pudesse se sentir tão agraciada pela sorte de encontrar duas pessoas boas como nós que pudessem oferecer o que tinha perdido na tragédia que vivenciou.

No último dia que passamos lá, ela passou um dia inteiro isolada no jardim refletindo enquanto Kakashi me contava que, assim que assumiu a guarda da Sakura, comprou a ilha para realizar seu pedido de jamais permitir que alguém fosse para lá. Ele era um grande amigo do pai dela, junto do presidente da seguradora, e os dois em respeito ao falecido fizeram de tudo para oferecer-lhe o conforto que a pequena criança precisava para viver.

Quando Sakura voltou para o jantar anunciou que queria voltar para onde tudo começou, orgulhando-me por sua decisão corajosa.

Kakashi e eu planejamos tudo para que a viagem fosse segura e que nada desse errado.".

[…]

O avião pousou com segurança e a mão fria e trêmula da Sakura apertou a minha conforme ela suspirava e abria os olhos.

— Está tudo bem. Pousamos. — avisei e soltei-me do cinto para curvar-me em sua direção e deixar um beijo casto no topo de sua cabeça, ouvindo-a respirar fundo.

Seu nervosismo era tangível e seu estado alerta. Ela forçou um sorriso levantando-se conforme a aeromoça nos instruía a ficar na praia até que os homens que contratamos montassem nosso acampamento e conseguissem instalar a antena que nos daria sinal telefônico para o caso de precisarmos.

Sakura foi a primeira a sair do avião. Hesitante, ela desceu degrau por degrau e chegou ao barco que nos levará para a ilha. Estive ao seu lado o tempo todo, observando-a atentamente, cuidadosamente.

Seus olhos estavam presos na praia e neles era claro que passavam imagens de suas lembranças, por isso mantive-me quieto, dando-lhe o espaço e tempo que precisava.

Quando chegamos a praia e descemos do barco, Sakura ficou letárgica, sentindo as ondas baterem contra seus calcanhares e encarando a mata no término do alcance da areia. Lágrimas escorriam por seus olhos fechados conforme sua boca ficou entreaberta com lábios trêmulos.

— Eu voltei… — ela murmurou como se dialogasse com seus pais e me surpreendi ao encontrar um pequeno sorriso em seus lábios ainda trêmulos.

— Sim. Voltou. — concordei, passando meu braço por seu ombro e deixando um beijo no topo de sua cabeça, orgulhoso da mulher forte e corajosa que tinha ao meu lado.

Você está nos braços de um anjo

Talvez você encontre algum conforto aqui

[…]

NOTAS FINAIS:

~*Ai meu Santo Deus da Vodka! Vocês gostaram? Odiaram? Amaram?

Céus! Eu sei que não é uma história de conto de fadas, mas vamos combinar né? A vida não é feita só de felicidade, infelizmente! Mas pensemos pelo lado bom, mesmo que Sasuke ainda tenha sofrido mais um pouco, pelo menos ele finalmente alcançou a reciprocidade total da Sakura que ele tanto esperava né?

Sofredor? Muito!

Mas ao menos agora ele está pleno! Tanto ele quanto a Sakura! Eles enfrentaram juntos obstáculos que os dois tinham que enfrentar e como prêmio ficaram ainda mais unidos! Certo? Ou errado? Kkkkkk

Um dia me disseram o seguinte: "Tudo que vem fácil, vai fácil. A felicidade plena exige sacrifícios, paciência e inúmeras provas de que você é merecedor de tal recompensa.". Foi isso que eu quis passar aqui!

Contem-me o que acharam, sim? Principalmente se discordarem de mim! Kkkkkk

Abram seus corações para a Senpai! s2

Outra coisa… o próximo capítulo será o penúltimo, não se esqueçam!

É isso, gente! Conto com a opinião de vocês!

PRÓXIMO CAPÍTULO: I Don't Want To Miss A Thing – Aerosmith.

DATA DE POSTAGEM: 21/07/2021 – Quarta-feira.

Até a próxima!*~