As coisas iam bem na casa Cuddy-House e Wilson. As coisas no hospital também iam bem. Até a desgraça acontecer.
Uma quarta-feira comum começou na casa de House. Lisa se levantou para a sua rotina de exercícios, acordar as filhas e o House. As 7 horas estavam todos na mesa tomando café da manhã, prontos para mais um dia. O celular de House tocou.
House: Oi Criança - com a boca cheia de pão.
Zoey: Você já soube? - Sua voz tinha um tom preocupante.
House: Soube do que? - Estranhou.
Zoey: Liga a TV no noticiário. Estou indo aí. - E desligou.
Ele achou estranho.
House: Lu, liga a TV no noticiário, por favor – a menina foi.
Cuddy: O que foi? - com a sobrancelha erguida.
House: Não sei, a Zoey e pediu para ligar no noticiário - deu de ombros.
De onde eles estavam, não conseguiam ver a TV.
Louise: Mãe, a tia Stella está na TV - Gritou da sala, os médicos foram até lá.
Repórter: Uma tentativa de roubo causou a morte da diretora chefe do FBI, Stella Spencer.
Os dois não ouviram muita coisa depois disso.
Repórter:... Ela estava em frente ao mercado quando foi abordada por dois indivíduos que tentaram roubar seu carro, ela tentou reagir e foi atingida por três disparos. Ela deixa marido e um filho...
Rachel: A tia Stella morreu? - Em choque.
Cuddy: Desliga a TV, Louise. Eu vou ligar para ela - sem acreditar.
Louise: Mas mãe...
House: Pega o celular da sua mãe. - Os dois pareciam estar em transe.
Nesse momento a porta abriu.
Zoey: Hey – ela entrou.
Rachel: É verdade Zu? - Foi até a irmã.
Zoey: Infelizmente sim - Abraçando a irmã.
Louise: Meu Deus! - Se juntando as duas.
Zoey: Eu vou pedir um favor para vocês - Falou baixo - O Jimmy está lá fora, vão com ele para minha casa que vou conversar com os dois um pouco.
As duas não discutiram e foram.
Lisa estava chorando, Greg tinha o olhar perdido na televisão desligada.
Zoey: Lisa, já liguei no hospital e pedir para passar as ligações para mim. Pai, o Foreman vai assumir seu caso. Já liguei para o Tom, ele disse que o velório será depois de amanhã, vou comprar as passagens para a gente ir no começo da noite. Vocês precisam de alguma coisa?
Mas os dois não responderam.
Zoey: OK... Vou sentar aqui e se precisarem de algo é só chamar.
Zoey ligou o computador e começou a trabalhar, como tinha assumido o cargo da Lisa, tinha bastante coisa para fazer.
Durante a manhã House e Cuddy não falaram nada, cada um sofrendo do seu jeito. Zoey oferecia água, algo para comer, mas eles não queriam nada. Eles, House e Cuddy, na verdade mal se olharam, talvez porque se fizessem, seria real que Stella teria morrido e nenhum dos dois estavam em condições para consolar o outro.
Lá pelas 2 da tarde, Zoey tinha feito um almoço rápido.
Zoey: Vocês precisam comer. Venham, por favor.
Os dois foram, mas evitaram se olhar. Lisa tinha os olhos inchados e nariz vermelho. Greg não tinha chorado, mas tinha uma expressão muito triste.
Cuddy: As meninas... - Perguntou com a voz fraca.
Zoey: Estão com o Jimmy lá em casa. Eles estão almoçando e depois virão para cá para se arrumarem e a gente sair.
House: O que o Tom falou sobre a Stella? - Uma lágrima correu pela sua bochecha.
Zoey: Ele falou que ela estava indo trabalhar, passou em um mercado e dois indivíduos tentaram roubar seu carro, mas viram a arma e atiraram e não levaram carro. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
Um silêncio triste se instalou na cozinha.
House: Ela estava sozinha?
Zoey: Sim.
Cuddy: Como eles viram a arma dela e porque não levaram o carro?
Zoey: Não sei, o Tom não falou.
House: Mas ela não gosta de mercados, o que ela foi fazer lá? - Levantou-se e ficou andando de um lado para o outro.
Zoey: Talvez ela precisasse de algo.
Cuddy: Ela sempre tinha tudo que você precisasse, e se precisasse comprar algo ela mandaria alguém! Está muito mal contada essa história.
House: Quero falar com o Tom! - falou alto.
Zoey: Pai...
House: Ela não deixaria de reagir!
Cuddy: Ela sempre tinha uma resposta para tudo! - em pé também.
Zoey: Gente... - não conseguia falar.
House: Desde que a conheci ela nunca deixou de ter resposta para nada!
Zoey: Pai... - levantou-se.
House: E como ela estava sozinha? Ela é diretora chefe, ela tinha que ter uns 3 agentes com ela!
Zoey: Sinto muito, mas ela se foi. - Abraçou o pai que desabou em lágrimas.
Um dia muito triste, com certeza.
As 5 da tarde, Wilson voltou com as meninas, elas estavam muito tristes também. Elas ficaram abraçadas aos pais por um tempo. Leonardo e Rafael se juntaram aos 4.
Dave: Mamãe - Pediu colo.
Zoey: O que foi, meu amor? - O pegou.
Dave: Por que eu vovô estar triste?
Zoey: Porque... - olhou para o marido.
Wilson: Porque a tia Stella não vai voltar para casa - Eles estavam a sós na cozinha.
Dave: Ela foi para onde? - curioso.
Zoey: Ela Foi morar lá no céu.
Dave: No céu? - tipo, como assim?
Zoey: Isso, em uma nuvem bem longe daqui. - Sorriu.
Dave: A gente pode ir à casa dela?
Wilson: Infelizmente não.
Davi: OK. - Desceu do colo da mãe e foi ficar com o avô na sala.
Wilson: E você, como está? - Abraçou a esposa.
Zoey: Eu estou preocupada com meu pai e com a lisa. Ela não para de chorar e meu pai estava quase saindo daqui e indo para Baltimore a pé! Tive que colocar meio calmante na água dos dois!
Wilson: Zoey, sua madrinha morreu, você está bem? - Olhou sério para ela.
Zoey: Estou muito triste, mas não posso ficar triste agora. Preciso tomar conta dos deles!
Wilson: Você sabe que estou aqui para você, não é? - olhou sério para ela.
Zoey: Eu sei. - Deixou rolar algumas lágrimas, mais logo se recuperou. - Vamos, precisamos ir para o aeroporto.
Zoey já tinha arrumado uma mala para os pais e irmãs, 1 hora depois estavam no aeroporto e mais 2 horas já estavam no hotel em Baltimore. Deixaram as coisas lá e foram para a casa do Tom.
A casa estava cheia e foi difícil reconhecer alguém ali.
House: Tom! - Acenou para o amigo.
Tom: Oi Grego - O abraçou - Lisa - Repetiu o gesto.
Cuddy: Como você está, Tom?
Tom: Não sei! - Sincero - Não tive muito tempo para pensar. As coisas aconteceram muito rápido. Ela estava aqui! - Apontou para a cozinha - do nada falou que ia trabalhar, mas precisava passar no mercado primeiro. Ela não gosta de mercados!
House: Falei!
Tom: Eu disse que iria para ela, mas ela falou que queria experimentar coisas novas e ela morreu! – em choque.
Cuddy: Tem alguma coisa que a gente possa fazer?
Tom: Não, obrigado. - Com os olhos marejados.
House: Se precisar de alguma coisa é só avisar.
Tom: Eu sei, obrigado. A Stella ficaria feliz. - sorriu e foi falar com o sogro, que estava na casa dos 90 anos.
Os 2 ficaram sozinhos. Zoey e Wilson foram atrás dos filhos que saíram correndo. Rachel e Louise foram conversar com as filhas do Vince e do Sean.
Cuddy: Oi - Olhou para ele.
House: Oi - Como se os dois não estivessem juntos o tempo todo.
Cuddy: Como você está?
House: É quase igual ao dia em que a mãe da Zoey morreu. - Sincero. - E você como está?
Cuddy: Não sei se vou superar - o abraçou.
House: Eu sei. - Beijou o topo da cabeça dela. - Vai ser horrível, mas vamos passar por essa juntos!
Cuddy: Juntos! - Olhou para ele e sorriu.
House: Vou sentir muita falta dela! - Continuaram abraçados.
Cuddy: Eu também. Por que ela tinha que falar que era imortal?
House: 'Inmorrível'. - A corrigiu, ela riu.
Cuddy: Morrer não é não é a definição de nenhuma das palavras.
House: Não é, mas ela era cabeça dura. Ela deveria ter escolta, uma metralhadora, uns 3 cães de guarda!
Cuddy: Será que seria suficiente?
House: Talvez ela teria uma chance.
Ficaram um bom tempo só os dois. Durante a noite foram chegando mais gente: os Sanders, os pais da Cuddy, mãe do House.
Um pouco mais tarde.
Zoey: Oi Adam - Sentou-se ao seu lado.
Adam: Oi Zoey - ele estava sentado sozinho com o olhar perdido.
Zoey: Sinto muito pela sua perda. - Colocou a mão em seu ombro.
Adam: Obrigado. - Sorriu para ela.
Zoey: Você está bem? Claro que não! Você precisa de alguma coisa? - falou rápido.
Adam: Não - Continuou com o olhar perdido - Que loucura, né. Eu trabalho com isso - Ele era legista - Nunca achei que a morte me abalaria tanto.
Zoey: Ela é sua mãe!
Adam: Mesmo assim - Respirou fundo - E outra, minha mãe sempre falou que nunca morreria em serviço e ela vai lá e morre!
Zoey: Sinto muito mesmo – o abraçou.
Adam: E como você está? Vocês eram próximas.
Zoey: Não sei ainda. Acho que não caiu a ficha, sabe? Estou preocupada com meu pai, parece que ele vai ter um treco a qualquer momento.
Adam: Se você quiser conversar, estou aqui!
Zoey: Obrigada. - Sorriu para ele.
Vince: Vocês dois, venham aqui. - Eles o seguiram.
Foram para fora da casa, longe das pessoas.
Sean: Vamos honrar Stella Hansel Spencer, a melhor mãe, tia e madrinha que esse mundo já viu. - Servindo a cada um com vodca e os 4 beberam.
Vince: Vou sentir muita falta dela. - Secando as lágrimas.
Zoey: Eu também. Meu primeiro porre foi com ela, o nosso na verdade.
Adam: Eu tinha 15 anos. - Sorriu. - Estávamos aqui, bebendo vodca.
Sean: Eu lembro de acordar abraçado com cachorro do vizinho. - Sorriu.
Vince: E eu vomitei no vaso da sala e quando virei para sair, esbarrei no vaso e ele quebrou. - Todos riram.
Zoey: Depois que acordamos, ela fez café para a gente e falou que se encontrasse a gente nessa situação iria deixar a gente preso por um bom tempo. - Sorriu.
Adam: Ela deixava a garrafa a mostra sempre que eu falava aqui em uma festa.
Eles ficaram em silêncio.
Zoey: Com licença. - Entrou, procurou o marido, o achou, o abraçou e finalmente chorou.
Era 1 da manhã e a casa estava menos cheia. As crianças estavam dormindo nos quartos, Vince e Sean foram com os filhos para a casa do pai e voltariam pela manhã. Adam estava dormindo em uma poltrona. Zoey estava dormindo em outra poltrona com Dave no colo. Wilson, House, Cuddy e Tom estavam na cozinha.
Tom: Vocês estão com fome? - Abrindo a geladeira. - Não vi vocês comendo desde que chegaram. Vou fazer um omelete para gente. - Começou a preparar.
Cuddy: Não precisa, Tom.
Tom: Precisa sim! Não vou ser um mau anfitrião.
Wilson: Quer ajuda? - Vendo que ele não ia parar.
Tom: Claro! Descasque os tomates, por favor, a Stella não gosta... - percebeu o que falou - ...da casca.
Cuddy: Deixa que eu faço, Tom. - Ele se sentou.
Tom: 30 anos de casado! Sempre achei que iríamos morrer bem velhinhos. Eu primeiro, para não ter que vê-la partir. Ela com aquela besteira de ser 'inmorrível', não acreditei que ela poderia morrer de verdade.
House: Por que ela estava sozinha?
Tom: Porque ela é... Era muito teimosa. Várias e várias vezes eu falei para ela ter escolta, Às vezes chamava escondido, mas ela não queria e despistava os agentes.
Cuddy: O serviço de vocês é muito perigoso. Ela tinha me falado que estava pensando em se aposentar.
Tom: Faz 8 anos que escuto isso! Ela falava que estava cansada, desanimada, mas não parava de trabalhar. E quando eu falava para nós dois aposentarmos, ela sempre dizia só mais 1 ano. Agora não tem mais 1 ano. - Colocou o rosto entre as mãos.
House: O que você vai fazer agora?
Tom: Não sei. O Adam já tem a vida dele na capital. - Olhou para o filho na sala. - A gente nem conversou sobre tudo isso. A morte da Stella envolve muita coisa que mal falei com meu filho. Ele nunca teve a mãe só para ele, ele teve que dividir com o FBI. E ele nunca reclamou sempre foi compreensivo. Até escolher trabalhar perto daqui.
Cuddy: O Adam tem sorte da mãe que teve.
Eles comeram omelete e foram dormir.
No dia seguinte, a casa voltou a ficar cheia, os que dormiram na casa já estavam arrumados e todos seguiram para a capela do cemitério onde o corpo seria velado. O local estava lotado, os House se sentaram na mesma fileira que o Tom e o Adam, na fileira do lado, Zack e o pai dele, o Sr. Zack e os gêmeos Vinci e Sean. Antes, pegaram uma fila para se despedir da amiga.
House: Por que o caixão está fechado? - Estranhou.
Tom: Os tiros foram no rosto. - Falou baixo.
House desejou não ter perguntado.
Um a um ficou ao lado do caixão, chorou, falou, se despediu e foram se sentar. O padre rezou a missa muito bonita. Depois Zack fez um discurso em memória da irmã, depois Adam e Tom e agora House iria fazer o seu.
House: Bom dia. - Começou ao lado do caixão. - Sou Greg House, conheci a Stella quando tínhamos 12 anos, ela se sentava na minha frente nas aulas de matemática e ficava batendo na cadeira na minha mesa; ela sempre foi irritante. - Todos sorriram. - Quando finalmente pedi para ela parar, ela desembestou a falar, eu achava que ela tinha algum problema, mas os dias foram passando e essa tagarela foi ficando menos irritante e quando dei conta já éramos amigos inseparáveis. Ela sempre me escutou, me deu conselhos, ajudava eu arrumar as malas quando falava que ia fugir de casa. Ela tinha sonhos grandes: ela queria ter uma família grande e entrar para o FBI igual ao pai. Acho que ela conseguiu tudo, mesmo que só tivesse o Adam, ela sempre me fez sentir parte de sua família. Me ajudou quando a minha filha nasceu, me apoiou a tomar decisões difíceis, mas mentiu para mim. E acredito que mentiu para todo mundo: ela sempre dizia que era 'inmorrível'. E eu a vi ser atropelada por uma moto e só ter quebrado o braço! E ela levou esse lema da vida pessoal e profissional. Ela me contou das vezes que correu sérios riscos contra a vida, tiros que levou, agressões, choques, mas ela sempre se levantava, mas hoje - Olhou para a amiga - Estou aqui falando em seu velório. Não foi isso que você me prometeu. - Uma lágrima correu em seu rosto ele foi se sentar.
As homenagens continuaram.
Stella foi enterrada com todas as honras.
