NOTAS DO AUTOR:

Yo, yo!

Eita que lá vem treta nesse capítulo, hein! Já vão preparados!

Mas antes, quero dizer algo: desculpem-me pelo atraso. Não foi minha intenção, porém não se preocupem porque o próximo capítulo sairá amanhã do mesmo jeito!

Agora vão lá! Espero que gostem!

Boa leitura!*~

[…]

CAPÍTULO 6 - ACERCO

[…]

Tatoe kimi ga inaku nattemo…

Mesmo que você desapareça…

[…]

Mesmo estando sobre uma confortável cama, devidamente aquecida e, de certa forma, também relaxada, estranhamente naquela noite não conseguiu pegar rápido no sono. A mente agitada, talvez por saber que quem estava ali, ao seu lado, era Uchiha Itachi, o verdadeiro e não o clone, ou, talvez por, pela primeira vez em meses, ouvir o nome daquele que virou um tabu para si, Uchiha Sasuke, não a deixava vagar pelo profundo envolvendo-se com a inconsciência.

Céus, pela primeira vez percebeu que as duas únicas coisas presentes em sua cabeça pertenciam ao mesmo território inseguro, pesaroso e exclusivamente ilícito para si. Como tinha a capacidade de envolver-se tanto com uma única família? Eram dois Uchiha! Como se um não fosse suficiente para bagunçar sua mente e coração, agora tinha dois, ainda que fossem de maneiras distintas!

Sem falar no constrangimento desnecessário que passou devido às suas conclusões precipitadas. Quando aprenderia que não estava ao lado de uma pessoa normal e sim de um Nukenin temido e perigoso que deveria ter repulsa e não desconfianças tolas e civis como aquelas?! Onde estava com a cabeça para imaginar aquelas coisas sem noção?! Sentia-se como o próprio Sai naquele momento!

Irritada, bufou e virou de lado mais uma vez, ficando de frente para uma parede. Agitada, mudou a posição mais duas vezes, sossegando de barriga para cima. Apertou o cobertor e cobriu o rosto, quase sufocando-se com a própria respiração abafada, mas pelo bem do próprio orgulho, aguentou firme mantendo-se coberta até a cabeça.

Pousou o braço sobre os olhos e os fechou, já cansada de tanta ladainha. Tinha tanto para se preocupar, ao mesmo tempo que nada. Em outros tempos, martirizava-se com afazeres que não conseguiu concluir durante o dia, acumulando aos afazeres do dia seguinte. Também estaria preocupada com a sobrecarga imposta por si mesma para ocupar a mente e o coração e não dar-se margem para pensar e sentir coisas que não deveria.

Era realmente estranho não ter nenhuma obrigação, pelo menos não consciente, mas era também libertador. Aquela era a primeira vez que pensava na vida que tinha antes de Itachi levá-la e isso era um feito e tanto.

Sem perceber, pegou no sono. A mente divagou por imagens abstratas, até moldar-se em um rosto muito familiar. Ela reconheceria de qualquer ângulo aqueles fios revoltos e negros, aquele par de ônix também, oh, e aquela postura arrogante e autoconfiante… sua perdição. De repente, ele andava em sua direção. Emanava tanto poder e fúria que automaticamente sentia-se oprimida diante de sua presença. Das costas ele desembainhou uma espada, a mesma que empunhou sem hesitar contra Naruto e então só havia dor, dor e sangue. Ele a atacou? A matou? Quando? Como?

A confusão a abateu, mas não antes de ela se sentir insuportavelmente sufocada pela dor.

Puxando o ar com violência sentou-se num único movimento brusco, levando a mão trêmula à testa, conforme forçava-se a despertar totalmente daquele pesadelo. As lágrimas caiam torrenciais de seus olhos embaçados e desfocados e o peito doía, doía como o inferno. O pavor consumia a razão, dando espaço à insanidade. E relembrou velhos hábitos. Malditos pesadelos.

Para se acalmar, dizia a si mesma que só teve aquele pesadelo por Sasuke ter sido citado, ainda que nas entrelinhas. Sua mente era uma traidora. Sabotava-a, afinal.

Minutos depois, um pouco mais calma, inspirou e expirou profundamente. Olhou ao redor e curiosamente seus olhos pairaram sobre a figura de Itachi, ainda sentado no parapeito da janela e inconsciente. A luz da lua agraciava a pele alva e a atípica expressão serena, que substituiu tão perfeitamente a expressão assustadoramente sombria e austera, despertou um pequeno sorriso na própria boca. Ele parecia dormir profundamente e de algum modo o próprio coração agitou-se com um sentimento desconhecido, mas agradável.

No momento em que percebeu tal coisa, repreendeu-se e virou o rosto para o outro lado.

O que estava fazendo?! Ele era um Nukenin perigoso! Um membro da Akatsuki! Um traidor de seu clã e de Vila! O torturador do homem que amava com todas as suas forças! Seu sequestrador! Era tudo aquilo e mais um pouco e não merecia tais gentilezas de sua parte.

"Mas ele era gentil consigo…", oh, pare de se confundir!

Estava enlouquecendo. Era a única explicação para aquilo tudo!

Os olhos esmeraldinos atrevidos ousaram fitá-lo mais uma vez e seu coração generoso não conseguiu resistir em querer o bem daquele homem que dormia. Irritada consigo mesma, levantou, tirou de um baú no pé da cama um cobertor e o cobriu com cautela para não acordá-lo.

Sua generosidade e complacência a irritava.

Por alguns minutos zelou por seu sono profundo e voltou a se deitar, forçando-se a dormir, tendo êxito daquela vez.

E durante sua respiração contínua, Itachi, que ao contrário do que Sakura pensava estava acordado e depois de certificar-se de que ela estava em sono profundo abriu os olhos, fitando-a mergulhou em sentimentos que achava não ser mais capaz de sentir, apreciando o calor no peito que se espalhou pelo corpo graças ao cobertor que ela colocou sobre ele.

Quando Sakura despertou, raios solares invadiam o quarto e a figura de Itachi estava ausente na janela. Ela se sentou, olhou a volta, observando o cobertor que usou para cobri-lo dobrado sobre o baú no pé da cama, e depois de algum tempo percebeu bem baixinho o som de água corrente vir do banheiro. Automaticamente deduziu que ele estava lá, provavelmente fazendo a higiene matinal.

Deitou-se a mando de sua preguiça e espreguiçou-se aproveitando a privacidade. Minutos depois se levantou e arrumou a cama.

Ajeitava o coldre na coxa quando ouviu o bater da porta. Encarou-a na indecisão de abri-la ou ignorá-la, mas em seguida Itachi abriu a porta do banheiro, enxugando a boca com uma toalha e a deixando sobre a pia.

Alheio à sua presença abriu a porta do quarto. Ouviu um burburinho breve entre eles e logo o Nukenin escancarou-a permitindo a entrada de quem quer que fosse.

Uma funcionária da pensão, com uma bandeja farta de alimentos em mãos, entrou timidamente e a reverenciou curvando-se. Depois deixou a bandeja sobre a cama, a reverenciou novamente e se retirou do quarto, rubra ao encarar brevemente a cama, ela e depois Itachi.

Sakura também ficou rubra. Podia sentir as bochechas queimarem com a sugestão de sua mente sobre o motivo da mulher sair naquele estado; achava que eles eram um casal. Santo Deus! Um homem e uma mulher dividindo o quarto e acordando juntos dava a impressão de que eram um maldito casal que passou a noite fazendo coisas-

Repreendeu-se com uma mordida firme na própria língua e fechou os olhos para dispersar aqueles pensamentos absurdos. Teve que colocar a mão na boca para impedir-se de praguejar todas as ofensas que conhecia.

Então lembrou-se de sua posição e de que não tinha o direito de sentir-se ofendida ou preocupada com o que fossem achar. Que diferença faria? Era uma "refém". Não tinha um lar para voltar e nem uma reputação para zelar já que não possuía nenhum vínculo de amizades ou algo do gênero. O banho de água fria autoimposto foi cruel, mas a colocou em seu devido lugar e impediu que a ardência nas bochechas espalhassem-se pelo resto do rosto, lamentavelmente como na noite anterior. Deveria amadurecer e parar de se deixar levar por besteiras. Precisava se livrar de suas convicções e valores antes que enlouquecesse.

— Alimente-se.

Ouviu no timbre grave e firme e em reflexo o fitou, quase olhando-o nos olhos. Maldito hábito. Itachi deveria prendê-la num Genjutsu para aprender a nunca encarar seus perigosos olhos Sharingan. Então uma constatação destacou-se dos demais pensamentos: Itachi, desde a primeira vez que se viram, nunca mais esteve em sua presença sem o Sharingan ativado. Por quê?

O próprio ego alimentou aquele carinho e imediatamente sentiu-se orgulhosa com a possibilidade de ele vê-la como uma ameaça, já que geralmente o uso de um Doujutsu era feito diante de ameaças.

Um pequeno sorriso involuntário brotou nos lábios femininos e alegre, como há muito não ficava, por mais que fosse por um motivo bobo, aproximou-se da cama e sentou-se, pegando uma fruta qualquer e provando-a despreocupadamente.

Curiosa, observou-o prender os longos e lisos fios negros num rabo de cavalo baixo e frouxo e sentar-se na cadeira onde estavam seu coldre e manto negro com nuvens vermelhas, colocando-os sobre a cômoda ao lado. Tranquilo, ele cruzou as pernas e recostou sobre o encosto da cadeira, coçando os olhos com uma mão, aparentando exaustão.

Sua percepção médica inevitavelmente se alarmou. Tentou repassar todos aqueles dias que estiveram juntos e percebeu que ele nunca se alimentou em sua presença e nem dormiu, com exceção da noite anterior, mas muito provávelmente ele dormiu pouco porque já era tarde quando ela pegou no sono e cedo quando despertou. Mesmo Ninjas Rank S ainda eram humanos e necessitavam ter uma carga mínima diária de descanso para aguentar a vigilância integral contínua.

Repreendeu-se pela segunda vez no dia, isso porque acabou de acordar, e suspirou discretamente, cansada de sua mente pregar-lhe peças. Por que estava se preocupando com um Nukenin?!

Voltou a comer e sinceramente estava se sufocando com o silêncio que achava que já tinha se acostumado. O que estava diferente naquele dia? Era só porque Itachi estava ali e não o clone dele? Por que diabos estava tão ansiosa e frustrada?

Um flash com o rosto do Sasuke a respondeu.

Droga. Ela esperava que Itachi, depois de obter tais informações, apressasse-se em encontrar o irmão caçula.

Oh, que bagunça! Por que ela queria que ele fosse encontrá-lo? Ele irão se matar, por Deus!

Então o coração passou a sentir muitas coisas ao mesmo tempo e sua mente a encher-se de pensamentos que a confundiam.

Irritada, jogou a fruta mal comida sobre a bandeja e levantou-se num súbito raivoso, marchando para o banheiro.

Seu humor estava péssimo.

Não era possível que Sasuke a perturbava até quando tentava se livrar dele!

Numa tentativa de se acalmar abriu a torneira e lavou as mãos. Não sendo suficiente, lavou o rosto. Molhou a nuca, pois parecia insuportavelmente quente aquela manhã e depois parou e encarou o próprio reflexo no espelho, ouvindo a água corrente ao fundo. Perdeu-se no reflexo de seus olhos e gradativamente acalmou-se. Mais racional, fechou a torneira, saiu do banheiro e pegou os itens de higiene para voltar em seguida. Escovou os dentes e pela primeira vez desde que deixou sua antiga vida para trás, também escovou com os dedos os curtos fios róseos, não por vaidade, como antes, mas para ganhar tempo para se acalmar ainda mais. Queria estar plena e com a mente silenciosa quando saísse do banheiro e realmente conseguiu até ameaçar sair e voltar atrás ao ver a toalha que Itachi usou para enxugar o rosto.

Estreitou os olhos e pegou a toalha para conferir a veracidade do que via.

Uma mancha de sangue.

Pequena e parcialmente dissolvida em água, mas ela reconhecia sangue quando o via e não havia dúvidas. Perita, procurou a sua volta mais vestígios daquele sangue e encontrou algumas gotas na parede.

Por que haveria sangue na parede? A menos que…

A imagem de Itachi saindo do banheiro enxugando a boca com a toalha repetiu-se.

Tosse? Ela não ouviu som algum, mas também estava dormindo, poderia não ter despertado a tempo. Inconscientemente encarou a porta com a toalha nas mãos, o raciocínio construindo explicações.

Ele a buscou para que cuidasse da saúde dele?

Arqueou uma sobrancelha e mordeu o lábio inferior, pensativa.

Poderia essa ser a justificativa? Mas se realmente fosse esse o motivo, por que ele ainda não mandou curá-lo? Examiná-lo, que fosse?

Num rompante movido pelo seu perfil médico Sakura saiu do banheiro, deixando a toalha sobre a pia, e perdida em pensamentos parou em frente a cama, de costas para Itachi, que permanecia sentado na cadeira ao lado da porta do banheiro.

Com certa dificuldade ela engoliu a saliva e virou-se para ele, mantendo os olhos focados na boca dele; fechada e em linha reta. As esmeraldas, por um milésimo de segundo, só conferiram se ele a encarava e ao confirmar voltaram a mirar a boca.

Era hora de obter respostas, não havia mais como postergar aquela conversa.

Itachi arqueou levemente a sobrancelha ao encontrar seriedade na face feminina. Ao longo do tempo que a observou a distância e que recentemente conviveu com ela, a viu transparecer inúmeras expressões, mas nunca a que tinha no rosto naquele momento.

— O que-… o que estou fazendo aqui? — a Kunoichi finalmente encontrou força para denotar aquela pergunta e ele manteve-se em silêncio, observando-a mirar o olhar na boca dele, como vinha fazendo desde que descobriu que ele era um membro do Clã Uchiha e usuário de um Doujutsu.

O Nukenin calmamente descruzou as pernas e se levantou. Pretendia sair, a ignorando, quando ela o abordou.

— Responda! — exigiu. Ela cerrou os punhos e mordeu com violência o lábio inferior quando novamente recebeu como resposta o silêncio — O que estou fazendo aqui? O que quer de mim?!

Ele nem sequer esboçou qualquer expressão que fosse e isso a fez perder o controle. Ela marchou para o banheiro, pegou a toalha que ele havia usado e forçou a porta a se fechar, obrigando-o a ficar no quarto.

Recuou alguns passos encarando a boca dele e ergueu a toalha numa sugestão do que pretendia dizer, dando-lhe tempo para compreender, mas tempo algum o fazia falar.

— Por que esta toalha e a parede do banheiro têm vestígios de sangue? Está doente? É por isso que me buscou? Vai me usar para curá-lo?! — diante do silêncio ela o olhou nos olhos, encarando com afinco o Sharingan sem dar-se conta do risco que estava correndo, de tão irracional que aquela frustração a deixava: — Diga alguma coisa!

Pela primeira vez seus olhos esmeraldinos atentos captaram alguma reação. Ela assistiu o pomo de adão mover-se lentamente para baixo e para cima indicando dificuldade em engolir a saliva e os ombros enrijecerem, ficando tensos, mesmo que minimamente. A mão dele, que ainda estava sobre a maçaneta da porta, intensificou o aperto, deixando uma leve saliência das veias na mão, contudo, não passou daquilo. Uchiha Itachi não a repeliu emanando seu Chakra maligno, como fez com o informante no dia anterior. Também não lhe direcionou o Sharingan numa advertência de perigo eminente. Nem mesmo impôs sua superioridade com uma postura agressiva e imponente, como sabia que ele tinha.

A tensão era palpável e o clima pesado.

Sakura até engatou a respiração em reflexo da visível tensão dele. O silêncio, ensurdecedor, pairou e perdurou até que Itachi se movesse, abandonando a maçaneta apenas para pegar seu manto, vesti-lo e equipar-se com seu coldre. Cada movimento tão bem calculado e calmo que a deixava ainda mais frustrada.

— Deixarei um clone para assegurá-la.

Foi o que ele disse antes de realizar o Jutsu, se retirar do quarto e o clone sentar na cadeira, que antes o original estava, e fechar os olhos, voltando a sua postura de meditação e encerrando aquela conversa.

Incrédula, irritada e frustrada, Sakura sentiu o peito subir e descer com a respiração irregular conforme encarava aquele maldito clone. Julgava ter feito algo muito grave para Deus fazê-la ser ignorada por dois membros da mesma família. Por que diabos aquilo estava acontecendo?!

Começou a compulsão de andar de um lado para o outro em frente ao clone, no intuito de chamar sua atenção, mas era um clone, afinal, obviamente faria o que o original faria e a ignorou muito bem, diga-se de passagem, porque nem com ela se aproximando, a ponto do seu rosto ficar há centímetros do dele, conseguiu fazê-lo despertar daquela meditação do inferno!

Sem ter outra escolha, ela se sentou na cama e pacientemente aguardou que o original voltasse a noite, como sempre fazia até a noite anterior, mas mesmo ficando a madrugada inteira acordada e o posterior dia inteiro também não o viu. Itachi não voltou.

Cinco dias se passaram sem que ele voltasse, nem mesmo para substituir o Kage Bunshin. E Sakura admitiu que era um feito e tanto porque, mesmo dois dias depois de ser invocado, quando ela o atacou e tiveram um confronto físico que resultou em móveis quebrados e ela imobilizada até que garantisse que não tentaria mais nada contra ele, o clone não se desfez, nem mesmo sofreu oscilação no Chakra que lhe foi disponibilizado. Evidentemente nem ela e nem ele fizeram uso total de suas habilidades, ela porque queria apenas chamar a atenção dele e ele porque só queria que ela o deixasse em paz. Ah e quanto a observação de que o clone dele era bem resistente, perguntou-se se Naruto era capaz de fazer o mesmo, já que era um Jutsu de sua especialidade, mas quanto a situação naquele quarto, continuou frustrante.

Depois daquilo, do terceiro dia em diante, decidiu esquecê-lo. Simplesmente seguiu com a vida dentro daquele cubículo, ignorando a presença do clone. Invocou suas inúmeras estantes de livros e armários com itens medicinais e mergulhou na leitura de livros que agregassem conhecimentos e algumas pesquisas que fazia para aprimorar o Jutsu que estava em processo de criação, tendo como base o Jutsu secreto de Chiyo, o Kishō Tensei – Reencarnação da Própria Vida, envolvendo energia vital. Ela realmente se dedicou e estava progredindo quando a porta do quarto foi aberta ao mesmo tempo que o clone se desfez em uma nuvem de fumaça.

Sakura manteve a palma da mão aberta sobre um selo num pergaminho e somente ergueu os olhos para conferir quem invadiu o quarto. Assim que reconheceu Itachi, pelo manto negro com nuvens vermelhas e o chapéu de palha encobrindo seu belo e estoico rosto, voltou a encarar o pergaminho liberando Chakra sobre o selo. De esguelha, viu-o paralisado em frente a porta que ainda estava aberta, provavelmente se perguntando sobre o que todos aqueles móveis faziam ali.

— Espero que não se importe. Achei que, como meu sequestrador não me impôs limites, tinha total liberdade para fazer o que bem entender dentro deste cômodo.

O tom sarcástico fez Itachi erguer uma das sobrancelhas, mas ela não conferiu tal façanha, porque estava concentrada em conseguir ativar os cinco selos independentes, um para cada dedo, que ativaria o selo dependente central, que ficava sobre sua palma, e converteria seu Chakra em energia vital. Ao menos na teoria era isso que deveria acontecer. Contudo, era extremamente difícil liberar pela ponta do dedo a quantia exata de Chakra que era necessário para ativar o selo e replicá-lo para todos os dedos igualmente. Além daquilo, que já era extremamente difícil, ainda era preciso manter o feito e liberar pela palma da mão exatamente o dobro da quantia de Chakra que era liberado por cada dedo. Nunca teria certeza, mas imaginava que nem mesmo Chiyo conseguiria dominar tal técnica, senão teria pensado na solução do Kinjutsu – Jutsu Proibido, que sacrificava a vida do usuário ao ressuscitar uma pessoa morta. Devido aos efeitos colaterais, aquela sua criação de Jutsu também seria definida como um Kinjutsu. Mas os cinco meses que se dedicou àquele Jutsu foram suficientes para contornar o risco de vida de lidar com ele, ao menos isso havia conseguido, apesar de resultar em graves queimaduras de 3º grau a cada falha tentativa, pelo menos foi o que descobriu até onde chegou da aplicação do Jutsu.

O selo do dedo indicador foi ativado com sucesso. Minutos depois o do polegar também. No terceiro, com o dedo anelar, a densidade do indicador reduziu e aquilo levou à falha, causando uma imediata queimadura nos três dedos que conseguira ativar o selo.

— Droga! — resmungou, afagando os dedos que ainda doíam das tentativas anteriores mesmo que tivesse se curado.

Rapidamente curou-se com Chakra de Cura e fez um selo que comprimiu tudo que havia invocado, guardando seus pertences através de uma nuvem de fumaça. Segundos depois o quarto estava como Itachi deixou quando saiu.

Em algum momento que ela não soube julgar por estar compenetrada no Jutsu, ele entrou no banheiro e qualquer chance de diálogo havia ido por água a baixo, mas tudo bem, ela já estava conformada em não ter as respostas que queria, apesar de estar menos deprimida de estar na presença de uma pessoa e não de um clone, por mais que não fizesse muito sentido sentir-se de tal maneira porque sabia que as experiências do clone no fim eram passados para o original.

Sakura invocou apenas um livro para passar o tempo, um que praticamente furtou da biblioteca particular de Chiyo quando foi autorizada pelo Kazekage de continuar os estudos dela sobre energia vital, que detalhava ricas informações sobre os tipos de energia que poderiam ser manipuladas, inclusive a que era de seu interesse, energia vital.

Descobriu que o Chakra de Cura poderia ter um desempenho mais bem aproveitado na conversão para energia vital do que o Chakra comum. Segundo o livro, o comportamento do Chakra normal é naturalmente agressivo, por se tratar de uma força ofensiva, ao contrário do Chakra de cura que é de uma força neutralizante e dependendo do modo como for manipulado, também regenerador. Então quando for feito a conversão do Chakra comum para energia vital, há um processo de isolamento e neutralização da energia para que ela possa ser convertida, perdendo-se parte da quantidade investida e tempo, que demandava mais uma boa quantidade.

Os olhos curiosos vagaram vazios pelo quarto quando a mente preencheu-se com uma ideia meio insana. Assim que estivesse sozinha de novo, modificaria os selos para receberem Chakra de Cura e não Chakra normal e faria o teste na prática. Claro que o que já era difícil se tornaria quase impossível, mas era um risco a correr quando se tratava de economia de Chakras. Não ia querer usar tal Kinjutsu e ainda perder a vida ou não conseguir realizar a conquista de devolver a vida a um ser morto por não ter tido Chakra suficiente.

Itachi permaneceu por bastante tempo no banheiro, tanto, que deu tempo de Sakura ler mais de 40 páginas do livro. Ela devorava livros daquele tipo, sua mente ansiava por conhecimento, por conhecimento representar poder, principalmente quando havia na balança as vidas de seus pacientes que dependiam de sua competência, mas para ler aquela quantidade de páginas demandava certo tempo e confirmou quando, entediada, levantou-se da cama, desfazendo a invocação e vendo-o sumir na presença de uma fumaça e seguiu para a janela, percebendo que já tinha anoitecido.

Os olhos arregalaram e miraram a porta do banheiro.

Itachi estava há muito tempo lá.

A preocupação atropelou o orgulho e o pudor e quando percebeu batia à porta e desesperava-se cada vez mais por não ser respondida. De repente, sentiu culpa. Como pôde recebê-lo com tanta ironia e nem mesmo conferir se ele estava bem?!

— I-Itachi… —sussurrou, sentindo o estranhamento de dizer pela primeira vez o nome dele em voz alta. Era fato que sentiu-se tola em seguida, porque realmente avaliou se era certo chamá-lo pelo nome com tanta "intimidade", mas do que o chamaria? Uchiha? Não era apropriado, principalmente depois do que ele fez ao próprio Clã. Muito provável os falecidos do Clã Uchiha se revirariam em suas covas ouvindo-a chamá-lo de Uchiha. Itachi-Sama? Por que ela deveria respeitá-lo? Ele era um desertor! Itachi-San? Nada parecia adequado também. Ora, ela era refém dele, por que estava se preocupando com formalidades daquela maneira?! Nukenin? Antissocial? Cruel? Sádico?! Ah… parecia uma ideia ainda mais ridícula e também perigosa. Ele aparentava ser indiferente àquele tipo de ofensa, mas nunca se sabe quando alguma coisa poderá atingir um malfeitor como ele, certo? Seria prudente evitar irritá-lo. Sem ter outra escolha, reforçou a voz depois de pigarrear para desobstruir a garganta e tornou a chamá-lo da maneira que fez mesmo: — Itachi, está aí? Itachi! — a falta de algum sinal de que ele estava consciente a fez agir por impulso e sem pensar ela acumulou Chakra no punho e quebrou a maçaneta, temendo o pior.

Cautelosa e lentamente abriu a porta com uma mão enquanto a outra posicionava-se sobre a Kunai no coldre, preparando-se para qualquer ataque surpresa, mas o que encontrou foi Itachi sentado no chão do banheiro, embaixo do chuveiro desligado, ainda vestido, apesar de o manto negro estar aberto e com a camiseta rasgada no abdômen e haver sangue para todo o lado, principalmente na parte do peito, assim como abaixo do olho direito e na boca. Ele estava inconsciente, mas ainda assim tossia sangue.

Rapidamente se aproximou e o ajeitou para que não se engasgasse com o próprio sangue. Com seu Chakra de Cura varreu o corpo dele superficialmente para ter certeza de que o sangue era recorrente só do ferimento no abdômen ou para descobrir se havia mais algum outro. Conferiu também a temperatura do corpo e praguejou constando que ardia em febre.

— Itachi. — lhe deu leves tapas no rosto para que despertasse. Era muito perigoso uma pessoa febril e com o ferimento grave que tinha ficar inconsciente, principalmente no caso dele que tinha quase certeza de que sofria de alguma doença, devido as evidências de tosse com sangue e ausência de ferimentos ou hematomas na altura do peito. Ela precisava de tempo para investigar minuciosamente o corpo dele e era uma coisa que não tinha se queria mantê-lo vivo. — Itachi. Preciso que se mantenha consciente. — insistiu, o vendo dar sinais de que estava despertando.

Ela fez algumas perguntas para conferir se ele estava ciente do que estava acontecendo e de seu modo, direto e evasivo, ele respondeu o que julgava necessário, como seu nome completo e quem era ela. Depois de ajudá-lo a levantar, o levou para a cama, onde conseguiria deixá-lo ereto para facilitar qualquer procedimento emergencial.

— Ok. Consegue me dizer o que aconteceu? — tentou manter-se calma, mas Itachi revirou os olhos e perdeu-se em fortes tosses banhadas de sangue, expelindo-o em excesso. — Droga!

[…]

NOTAS FINAIS:

O trecho em negrito e itálico no início do capítulo é da música Dream Scape – Yuki Kajiura.

Kage Bunshin – Refere-se ao Kage Bunshin no Jutsu / Técnica Clone das Sombras.

Nukenin – Ninja Renegado.

Kunoichi – Ninja do sexo feminino.

E a coisa vai esquentando…

Estão gostando? Comentem e me ajudem a divulgar!

PRÓXIMO CAPÍTULO: Por um triz.

DATA DA POSTAGEM: 26/05/2021.

Até a próxima!*~