NOTAS DO AUTOR:

~*Yo, Minna!

Aqui vem um capítulo fresquinho! Aproveitem sem moderação kkkk

Boa leitura!*~

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CAPÍTULO 7 - POR UM TRIZ

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Yume to utsutsu no

Este é o cenário do limite

[…]

Ela rasgou a camisa dele com brutalidade e curvou-se sobre ele deixando o ouvido rente ao peito. Pela tosse com sangue a prioridade era conferir os pulmões.

Ouviu o chiar alto de seu peito a cada tentativa dificultosa de respirar e também os batimentos cardíacos fracos. Não tinha muito tempo, principalmente porque ele devia ter perdido muito sangue até chegar ali, dado o tamanho do ferimento no abdômen.

Rapidamente pegou seus pergaminhos de invocação e trouxe para o quarto tudo o que precisava para salvá-lo. Logo suas estantes e armários estavam ali, preenchendo o espaço que antes era vazio.

Virou-o para que não se engasgasse com o próprio sangue numa crise de tosse e levantou-se às pressas procurando substâncias que ajudariam ela a identificar se recentemente ele tomou algum remédio ou até mesmo se havia alguma droga ou veneno em seu sangue. Depois pegou um pergaminho de levantamento dos níveis de nutrientes e proteínas, para o caso de estar doente identificar a causa. Pegou também algumas pílulas de sua criação que serviam como um analgésico universal para as dores que sentia e um neutralizador também universal. Não era muito eficaz, principalmente no caso de Itachi, mas reduziria as tosses, lhe dando tempo para drenar o sangue do pulmão dele e baixar a febre, que era um grande agravante para seu mal estar.

Depois de colher as amostras que precisava, conferiu o resultado. Itachi tinha resíduos de uma droga muito forte, que provavelmente era um remédio contínuo, e seus níveis de nutrientes e proteínas estavam irregulares, dando a certeza de que também estava com infecção.

Ela precisava repor o sangue que estava perdendo e não tinha ideia de como faria para conseguir alguma bolsa de sangue estando sozinha e num local desconhecido, então forçou-se a encontrar uma solução para aquilo, como sempre encontrou para qualquer obstáculo quando estava no hospital.

De início fez uma espécie de barricada com Chakra de Cura de natureza neutralizadora no ferimento do abdômen para impedi-lo de perder mais sangue. Também colocou uma máscara plástica na boca dele para que o sangue que expelisse pudesse ser sugado para um recipiente que improvisou para acumular aquele sangue e posteriormente reutilizá-lo. Minutos depois dedicou-se a criar remédios.

Levou cerca de duas horas para criar um remédio similar, se não mais potente, com a fórmula do remédio que estava no sangue do Itachi e também reforçou com alguns suplementos que achou conveniente para fortalecer sua imunidade. Depois de medicá-lo, iniciou uma cirurgia emergencial nos pulmões para drenar o sangue de onde não deveria ter e filtrá-lo para uma autoparabiose. Era um procedimento arriscado, porque teria que filtrar o sangue retirado manualmente, sem auxílio de máquinas, mas era a única forma de repor o sangue perdido. Foi difícil e desgastante, pois tinha perdido bastante Chakra aprimorando seu Jutsu, mas desgaste era seu amigo e um grande aliado e já estava bem familiarizada a ele.

Terminada aquela etapa, seguiu para o grave ferimento no abdômen, que tinha selo para neutralizá-lo e ganhar tempo enquanto resolvia quanto ao pulmão. Desfez o grande coágulo, retirou o excesso do sangue no ferimento para também reaproveitar depois e se preparou para iniciar uma cirurgia.

Um golpe muito poderoso e corrosivo lhe foi infringido no abdômen e por pouco não o atravessou. Havia resíduo de um poderoso Chakra de uma natureza desconhecida e que funcionava como uma espécie de veneno natural, porque corroía o que tocava, inclusive o próprio dedo que usou para verificá-lo.

Estava realmente surpreendida por aquilo, mas a mente perguntava-se no que tinha acontecido para Itachi ficar naquelas condições. Ele era um Ninja assombrosamente extraordinário, ímpar, se não também perfeito. Sua calma lhe dava astúcia e fortalecia sua inteligência. Suas habilidades faziam dele intocável e invencível, tanto, que depois de encontrá-lo, imediatamente soube que Uchiha Sasuke jamais o mataria e que sua ambição não passaria de um sonho quando o confrontasse, porque não havia nem mesmo a mínima remota chance de conseguir vencê-lo, talvez até mesmo Senju Tsunade não pudesse vencê-lo. Então como ficou naquelas condições?

Quase 14 horas depois que começou a tratá-lo e 10 horas depois de iniciar os procedimentos para neutralizar e curar o ferimento do abdômen, iniciou outra desgastante filtração e purificação do sangue velho para repor um pouco mais do sangue que perdeu. Posterior ao procedimento, começou outra varredura pelo corpo dele para certificar-se de que estava tudo como realmente deveria estar.

Estava cansada e já sentia sinais de fadiga. Realizar duas cirurgias seguidas, filtração e purificação de sangue velho para transformá-lo em novo, transfusão manual, realização e elaboração de exames minuciosos e criação de remédios, tudo aquilo era fácil no hospital, com equipes de apoio, laboratórios e uma vasta e diversificada disponibilidade de equipamentos, instrumentos médicos e remédios para auxiliá-la, mas sozinha, sem nada daquilo à sua disposição, era tortuosamente desgastante, por mais que tivesse uma gama de ervas e produtos químicos que a auxiliaram muito. Um procedimento que realizaria com um pouco mais de 10% de chakra baseado em seu perfeito controle e que demandava no máximo 2 horas para conclui-lo, exigia cerca de 46,3% de chakra e mais de 6 horas. O que, por consequência, a fez recorrer muito ao uso de pílula de reposição de Chakra.

Mas de todo aquilo não era ruim. Era um eficaz treino pessoal, uma reafirmação de sua evolução como Médica-Nin e a percepção de que como Ninja estava mais resistente e forte, já que aguentou tanta pressão psicológica e física. Os anos de treinamentos, sacrifícios e dor finalmente estavam lhe dando frutos. Sua Mestra estaria orgulhosa se soubesse.

Constatou inúmeras irregularidades pelo corpo do Nukenin, mas o que mais a preocupou é que o que estava deteriorando seus pulmões, espalhava-se e fazia o mesmo em outros órgãos, como rins e alguns ossos. Decidida a ir mais afundo, realizou exames mais específicos e obrigou-se a não pensar, não por ora. Tinha apenas que passar para o papel tudo aquilo e discutir com ele posteriormente.

Ela neutralizou o que pôde daquele mal que avançava contra a saúde dele, prometendo a si mesma depois avaliar com calma a situação antes de tomar alguma medida. Depois concentrou-se no último fator de risco pendente: os olhos.

Psicologicamente desgastada, com seu corpo praticamente na mesma situação, ela fez uma pausa para descansar e repor seu Chakra com outra pílula, mas desta vez de média potência, que restauraria 20% de sua reserva em alguns minutos. Sabia que o uso deliberado daquelas pílulas lhe trariam consequências ainda piores dos que já sofreu antes, principalmente porque para suprir as necessidades dos procedimentos que realizou tomou cerca de 20 pílulas de média e alta potência, mas com o tempo disciplinou seu corpo a lidar com qualquer consequência e por isso tinha plena certeza de que aguentaria.

Desde que reservou, inicialmente, 30% de todo o seu Chakra para o Byakugō no Jutsu e, aumentou a quantidade para 60% para completá-lo com mais rapidez, acostumou-se a repor com as pílulas numa frequência indispensável e, por mais que fosse perigoso ter apenas acesso a 40% de seu Chakra até que o Jutsu se complete, haviam muitas vantagens de o fazer e a mais importante delas era acostumar o corpo a lidar com péssimas situações em que o submetia.

Vinte minutos depois retornou. O foco na raiz da hemorragia ocular do olho direito. Nada sabia sobre as consequências do uso daquela Kekkei Genkai, mas pelo que percebia eram muito severas. O corpo de Itachi sofreu uma grande pressão e esgotou suas reservas de Chakra de modo agressivo. Pelo que conferiu, algo estava errado com os olhos dele, mas o direito parecia muito mais prejudicado. Pensou em tratá-lo, mas temeu prejudicá-lo ainda mais, já que não sabia nada sobre a Kekkei Genkai.

— E agora? — perguntou-se, indecisa se deveria realmente não fazer nada.

Nas condições que os olhos estavam sabia que quando acordar, sentiria muitas dores, talvez a visão até tenha sido fortemente afetada e sem ter outra escolha, ela apenas curou superficialmente os globos oculares para aliviar a pressão que estavam sofrendo.

Passaram-se um pouco mais de 4 horas quando terminou. Precisou ser cuidadosa e isso acabou demandando tempo e muito controle de Chakra. Terminado, ela pensou em enfaixar os olhos, mas achou que isso o assustaria, então desistiu da ideia, para tomar as devidas providências depois de consultá-lo.

Quase 29 horas depois, com Itachi inconsciente, estabilizado e devidamente curado, restando-lhe apenas tratamentos simples posteriores para manter seus feitos, Sakura permitiu-se respirar fundo e relaxar, mobilizando-se a apenas limpá-lo, já que havia sangue para todo lado, inclusive nos pratos e nos copos que a funcionária da pensão trouxe suas refeições, mas que no fim acabou servindo como recipiente para o que tirou dele, depois de higienizado. Terminado o serviço, ela se levantou e olhou a volta, atônita com como em segundos tudo ficou de cabeça para baixo enquanto ela tentava salvar a vida de um Nukenin que "a sequestrou".

"Médicos não podem julgar.", repetiu para si mesma justificando seu esforço em mantê-lo vivo e aquilo não era mentira. Ao formar-se como Médica-Nin, Sakura fez um juramento de salvar vidas, independente dos fardos que elas carregassem. Não fez nada de errado.

Arrumou a bagunça que fez e limpou o banheiro, tirando todos os vestígios de que houve alguém doente ali. Logo o quarto era só um quarto de novo, sem seus objetos pessoais, mas sobre o criado-mudo tinha o diagnóstico de que Itachi estava gravemente doente.

Ela puxou a cadeira para o lado da cama em que Itachi estava e se sentou, com os olhos presos ao diagnóstico em cima do criado-mudo. Ficou ali por horas, sem pregar os olhos e sem relaxar, aguardando-o acordar. Medicava-o regularmente conforme a necessidade, fazia inúmeras sessões de reposição do Chakra dele doando o próprio e voltava a observá-lo.

No terceiro dia Sakura percebeu que as reservas de Chakra do Itachi não estavam se restaurando sozinhas, então, depois de falhar em tentar descobrir o motivo, porque conferiu inúmeras vezes se realizou todos os procedimentos corretamente sem encontrar nada que justificasse aquela consequência, e levantar os prós e contras da única solução viável, induziu-o ao coma. Desconfiava que a Kekkei Genkai dele poderia ter influência sobre aquilo, mas não passava de uma teoria até então.

O coma resolveu o problema, 9 dias depois que começou a tratá-lo e 5 dias depois de induzi-lo ao coma, Itachi tinha restaurado naturalmente 70% das reservas de Chakra e por isso o tirou do coma, permitindo-o despertar de maneira congênita quando estivesse pronto.

Durante esse período Sakura acabou fazendo amizade com a mulher que sempre lhe trazia suas refeições a mando de Itachi e soube que ele deixou as refeições e os serviços dela previamente pagos e que por isso ela ainda não estava passando fome. Dentro desse período não ocorreu nada surpreendente, tirando a parte em que por dois dias Itachi, depois de ser induzido ao coma, teve febre durante a tarde, pois o ferimento no abdômen acabou infeccionando, mas rapidamente ela resolveu o problema.

Estava no décimo dia quando os primeiros raios de sol adentravam o quarto depois de mais uma madrugada tensa e solitária em que não pregou o olho nem por um segundo sequer e foi quando sentiu dedos quentes roçarem os seus, da mão que estava largada sobre o encosto da cadeira. Seu rosto lentamente virou-se na direção dele e pela primeira vez desde o dia em que se encontraram, o viu com os olhos negros, sem o Doujutsu ativo. O rosto carregava uma expressão debilitada, mas ainda assim não deixava de ser lindo… assim como Sasuke.

Foi inevitável lembrar de quando Sasuke, depois de ser pego pelo perigoso Sharingan do irmão mais velho, ter sido curado por Tsunade e ter despertado do Genjutsu de tortura psicológica em que foi preso. Ambos tinham o mesmo olhar, sem tirar nem pôr; um olhar cansado, vulnerável, mas acima de tudo receptivo. Tão parecidos… tão tocantes… que doía.

— Não a trouxe porque estou doente, nem para usá-la para me curar. — ele disse, com a voz rouca e fraca, fragilizando sua imponência. Tossiu um pouco, sem expelir sangue, mas continuava mantendo os dedos roçando levemente nos seus.

Ela se sentiria constrangida ou talvez apreciaria o contato físico por não tê-lo desde que deixou Naruto para trás, mas só o que sentia era exaustão e só o que pensava era na saúde dele.

— Então, por quê? — proferiu a pergunta, mas não passava de uma retórica que acabou virando uma piada para si, porque, era impossível que seu gênio forte se curvasse à resistência dele a ponto de desistir de descobrir algo, mas Itachi provou ser capaz de transformar qualquer coisa impossível em possível, inclusive, o fato de, ainda que os ônix pertencessem à Itachi, ser levada para o rosto de Sasuke, e mesmo assim ser capaz de manter-se sã e escolher encarar o verdadeiro portador daqueles olhos.

Por incrível que pareça, Haruno Sakura dispensou, pela primeira vez em sua vida, uma oportunidade de se enganar deixando-se levar pelo amor por Sasuke.

A troca de olhares era tão intensa que sentiam como se um alcançasse o outro apenas com o olhar. A mão de Itachi, com um pouco de dificuldade em alcançá-la, envolveu inteiramente a mão dela e, pela primeira vez, Sakura sentiu como se Itachi tivesse muito mais para revelar do que apenas a resposta para aquela pergunta, pois seu olhar não era o de um assassino cruel responsável por traição e genocídio de um Clã inteiro, que virou as costas para sua Vila e que torturou o irmão caçula. Era um olhar carregado de sofrimento e solidão e lá no fundo, Sakura sentia que também estava carregado de sacrifícios, porque ela conhecia bem aquele olhar, elao carregava também.

A exaustão por grande perda de Chakra e auge de estresse por muito tempo a deixou repentinamente sonolenta. Com o coração mais calmo ao vê-lo bem e vivo e principalmente, por ver que fez um bom trabalho, talvez o melhor de toda sua carreira médica, permitiu-se finalmente relaxar e gradativamente entregar-se ao sono, ainda sentindo a mão dele acariciar a sua. No fundo de sua mente ouviu a voz dele pronunciar um "Obrigado.", mas não sabia dizer se ele realmente disse ou se estava alucinando ou embarcando em um sonho.

Imersa num plano entre a consciência e inconsciência, ouviu lá no fundo de sua mente batidas na porta. Com os olhos pesados e doloridos, talvez pela exaustão, forçou-os a abrirem, primeiro um, depois outro. Mal teve tempo de raciocinar, sentiu um fluxo de Chakra muito próximo dali oscilar perigosamente e segundos depois a porta ser arremessada contra a parede do outro extremo com violência.

Ela se levantou num pulo, já sacando a Kunai. Posicionou-se defensivamente e mordeu o lábio inferior quando dois homens desconhecidos invadiram o quarto.

Seu primeiro reflexo foi proteger Itachi, que ainda estava inconsciente. Rapidamente ela calculou tempo e distância dos inimigos e quando se deu conta de que infelizmente não daria tempo de iniciar um Ninjutsu de Barreira, por mais que fosse mais seguro e resistente, tirou do coldre traseiro um selo de Barreira. Direcionou-o discretamente com Chakra à lateral da cama e observou o Selo criar uma esfera em torno da cama, dissipando a imagem de Itachi, como se não houvesse ninguém deitado ali.

— Onde ele está? — um deles esbravejou, apontando a arma, um machado ligado por uma fina corda de couro a um martelo gigante, em sua direção.

Seus olhos esmeraldinos correram de um oponente ao outro, calculando o que era melhor fazer. Infelizmente suas reservas de Chakra estavam esgotadas e seu corpo ainda sofria dos efeitos colaterais de exaustão e uso excessivo de pílulas de reposição de Chakra, ou seja, além de tudo ainda estava lento, limitado e muito dolorido. Por mais que tenha dormido, muito provavelmente não foi por mais de cinco horas, pois não restaurou muito do que tinha em suas reservas.

Para vencer aquela batalha seria preciso perspicácia e controle. Observando seus oponentes, não pareciam ser mais do que Ninjas de nível médio e também não pareciam ser perigosos a ponto de, mesmo em sua situação atual, lhe gerar algum transtorno.

— Essa vadia não vai dizer nada-… — o outro homem foi interrompido por um grito feminino vindo do corredor. Sakura não se alarmaria se não tivesse reconhecido o timbre; pertencia a mulher que sempre lhe levava suas refeições. — Desgra-…

Preocupada, Sakura avançou para cima dele com o uso de Chakra nos pés e acumulou-o também no punho direito. Antes que o homem conseguisse concluir a ofensa ou até mesmo dar um passo na direção da mulher assustada parada no meio do corredor, ela o pegou desprevenido acertando em cheio um soco com Chakra o suficiente para quebrar o que estivesse em seu caminho.

— Shannaro…! — seu punho prensou o peito dele na parede que separava o quarto do banheiro e logo ela trincou e desabou, fazendo aquele oponente cair no chão conforme seu punho mantinha-se no ar. Menos um.

O homem que invadiu o quarto primeiro rosnou para ela e em seguida partiu para um confronto direto, lançando o machado em sua direção e o controlando através da corda. Ela desviou da primeira investida, defendeu-se com a Kunai da segunda e concentrou Chakra no pé para adquirir velocidade e contra-atacá-lo em seguida. Lançou a Kunai com a mão direita na direção dele como uma distração e acumulou Chakra no punho esquerdo, controlando-o para soltá-lo quando o golpe atingi-lo, mas ele desviou e a chutou, lançando dessa vez o martelo em sua direção. No último segundo ela acumulou Chakra no punho direito para se defender do impacto do martelo contra seu punho e teve tempo apenas de piscar, pois de esguelha viu vindo pela sua direita o machado, controlado pela corda fina.

Rapidamente ela se defendeu com o antebraço, mas caiu na armadilha de seu oponente, pois o perigo dava a volta em seu corpo por trás e o machado desferia um corte atrás de seu braço esquerdo, entre o ombro e cotovelo. Sakura só conseguiu impedir que o corte fosse profundo, logo depois seu oponente avançou para cima dela e a enforcou com a mão livre.

Ela teria feito algo se não estivesse surpresa. Atrás do homem, assistia seu Selo de Barreira desfazer-se com um Itachi sentando-se, calmo demais para quem estava diante daquilo.

Seu oponente, percebendo o olhar dela atrás de si, virou a cabeça e sorriu de modo sádico observando Itachi, ainda com os olhos fechados, levar uma mão à cabeça, como se doesse.

— Não use o Sharingan! — Sakura gritou, chamando a atenção dos dois homens.

Sem ter escolha, Sakura segurou com as duas mãos o punho de seu oponente e o usou como apoio para dobrar o abdômen lateralmente e abraçar com as pernas o pescoço dele. Quando, literalmente montada sobre os ombros dele, fortaleceu os músculos dos braços, abdômen e perna e num movimento fugaz jogou-se para trás, apoiando as mãos no chão e jogando o resto do corpo junto da cabeça do seu oponente contra a parede. O impacto foi tão forte que a parede quebrou, abrindo um buraco que expôs a paisagem afora. Menos dois.

Conferiu se o homem estava mesmo inconsciente e apressou-se em alcançar Itachi e forçá-lo a deitar.

— Não pode se esforçar. Está em processo de recuperação. — disse, ajeitando o travesseiro para que ele ficasse confortável.

Ela olhou a volta e encontrou a mulher que lhe servia assustada a encarando.

— Vocês-… vocês estão bem, Kyoko-San? — ela perguntou e Sakura só praguejou ter, mesmo que por um segundo, esquecido-se de ter dado um nome falso a ela.

— Sim. Desculpe por todo este transtorno.

— Temos que ir. — Itachi disse, obtendo sua atenção.

— Não. Não podemos ir a lugar algum com você nesse estado. — Sakura se endireitou e se virou para a funcionária da pensão que apenas os assistia — Precisaremos de outro quarto. E quanto ao prejuízo, não se preocupe. Arcarei com todos os custos. — disse, firme, apesar de nem fazer ideia de como pagaria, pois como era refém não tomou o cuidado de ficar com algum dinheiro; deu o tinha em mãos aos pais.

Pouco depois se lembrou de que tinha uma poupança onde havia uma quantia considerável. Olhou em volta e concluiu que seria suficiente para pagar aquele estrago.

— Não se preocupe com isso… vou providenciar-…

— Espere. É possível você me dizer quem são eles?

A mulher negou e abaixou a cabeça — Não são hóspedes…

De repente um clone de Itachi apareceu ao seu lado, em pé, imponente e inacreditavelmente calmo. Ele passou por ela e, pelos devidos colarinhos, juntou os homens inconscientes e fez um selo com a mão.

— Não! Não pode se desgastar-…! — Sakura virou-se para repreender o original, que permanecia deitado e com os olhos fechados, mas ao ouvir um grito assustado da funcionária da pensão voltou a virar para onde o clone estava, vendo-o desaparecer deixando apenas uma nuvem de fumaça para trás.

Frustrada, soltou uma lufada alta de ar e prendeu um grito voraz na garganta, de tão irritada. Pretendia xingá-lo, mas foi surpreendida por batidas cardíacas erráticas, visão parcialmente embaçada e pulsação no ouvido, obstruindo sua audição.

Sakura sentiu o corpo inteiro gelar e enrijecer. Tinha a sensação de que se movesse, mesmo que um milímetro, seu coração explodiria e então, teve um vislumbre do corte que sofreu no braço, mas sua atenção foi tomada por uma presença imponente atrás de si. Como se para confirmar sua dedução, sentiu em seguida dedos quentes sobre sua pele, próximo ao ferimento. Engoliu a seco e fechou os olhos nos segundos que os dedos roçaram sobre a pele como se lhe acariciassem.

A reação veio com retardo. Ela virou a cabeça para trás e encontrou Itachi em pé, próximo, a mão segurando seu braço, o polegar afagando abaixo de seu ferimento que sangrava absurdamente para um ferimento daquele aspecto.

— Está machucada. — aquele timbre único invadiu seus tímpanos causando-lhe agradáveis arrepios, ainda que o tom tivesse sido espantosamente obscuro e irado.

A Médica-Nin poderia ter dito que aquele corte não era nada, mas sua língua estava dormente e essa dormência se espalhou tão rápido por seu corpo que era incapaz de dizer algo. Só o que fez foi esforçar-se para ter controle sobre a mão e forçá-la a ir de encontro ao peito, liberando Chakra de Cura o bastante para alcançar o coração. Veneno. Havia veneno se espalhando rapidamente por seu corpo e a julgar pelo período de efetivação e sintomas, era um veneno que tinha como alvo órgãos. Precisava contê-lo antes que parasse seu coração.

Ficou realmente apreensiva e desesperada quando percebeu oscilações em seu uso de Chakra. O veneno já estava afetando seu controle e não demorou para fazê-la confundir os fluxos de Chakra, fazendo-a usar Chakra comum em vez do de Cura, causando um baita estrago no próprio peito, como se tivesse o golpeado com um soco.

Ela caiu sobre os joelhos e curvou-se para frente cuspindo sangue. Aquele erro causou uma grande pressão no peito. Mesmo que por segundos, o uso de Chakra comum infiltrou-se em suas paredes de pele, músculos, nervos, chegando a golpear parcialmente seus pulmões e coração, ainda que não tivesse infringido nenhum dano externo. Ao menos não teria nenhuma hemorragia.

Itachi abaixou-se ao seu lado e a ajudou a levantar, mas ela estava afobada demais afogando-se no próprio sangue conforme tentava manter-se sã e filtrar o veneno de sua língua para proferir o que sua mente berrava.

— Ve-… ve-ne-no… — conseguiu sussurrar, meio enrolado, mas pela expressão que o Uchiha fez, cerrando os olhos carmesim, ela teve a certeza de que ele entendeu — O úl-… último… deve-… te-ter o antí-… antídoto…

Os olhos fecharam-se e a Kunoichi se perdeu nos efeitos colaterais que já sofria pelo grande desgaste dos dias anteriores e também do veneno que espalhava-se rapidamente por seu corpo.

Itachi cerrou o maxilar e em seguida a pegou no colo, enviando a ordem para seu clone de vasculhar o oponente e encontrar o antídoto.

[…]

NOTAS FINAIS:

O trecho em negrito e itálico no início do capítulo é da música Dream Scape – Yuki Kajiura.

Fala sério, a Sakura é uma baita médica, né? Não é a toa que dizem que ela superou a Tsunade! E não só nisso que ela é boa, na porrada a bicha arrasada também!

Gostaram?

Comentem e se puderem, me ajudem a divulgar ^^

PRÓXIMO CAPÍTULO: Revelações.

DATA DA POSTAGEM: 28/05/2021.

Até a próxima!*~