NOTAS DO AUTOR:
Yo, Minna!
Segue mais um capítulo que traz uma espécie de DR por telepatia kkkkkk
Leiam, leiam! Vão descobrir o que eu quis dizer depois que lerem xD
Vão lá! Boa leitura!*~
[…]
Clinging to affection, we somehow do learn to live…
Apegando-se a afeição, nós de algum modo aprendemos viver…
[…]
Algum tempo depois, Sakura se deitou e se encolheu diante da brisa fria, ainda que seu manto a cobrisse. O cansaço logo a levou para o mundo dos sonhos enquanto Itachi ainda se perdia no globo prateado acima de suas cabeças.
Perdido em pensamentos, ele soltou um leve suspiro. De esguelha a olhou, percebendo que ela caiu num sono profundo sem dificuldade alguma, muito provavelmente por ainda não estar inteiramente recuperada. Sem mais, se levantou e a pegou no colo cuidadosamente para não a acordar, em seguida, rumou para a pensão utilizando Ninjutsu para encurtar a viagem de volta.
Ao chegar na pensão, seguiu pelos corredores atento. Depois da visita desagradável e inesperada que resultou num ataque surpresa e no envenenamento de Sakura, era inevitável ser ainda mais cauteloso.
Um pouco antes de chegar no quarto, encontrou Aya, que saía do quarto de um hóspede com uma bandeja vazia em mãos. Houve uma troca de olhares silenciosa e depois de reverenciá-lo, curvando-se com a cabeça baixa, ela retomou o próprio caminho e ele, ainda com Sakura em seus braços, entrou no quarto, a deixando sobre a cama.
Não percebeu que hesitou ao se afastar, tampouco que, inconscientemente da aproximação, acariciou a bochecha alva e macia. Observando-a com a respiração regular e com os olhos fechados, ele se permitiu desativar o Sharingan.
Zelou por seu sono por mais algum tempo e quando decidiu se afastar, ameaçando retirar a mão que acariciava o rosto dela, se surpreendeu por vê-la pousar a própria mão sobre a dele. De imediato sentiu uma corrente elétrica percorrer do local tocado por ela pelo resto do corpo.
Ao encará-la, percebeu que ela ainda estava adormecida e balbuciava um "Não me deixe…", fechando a pequena mão sobre a dele com certo desespero.
Sentiu a pulsação no ouvido com a rápida aceleração cardíaca. Em seu ínfimo, Itachi realmente sentiu o peito aquecer com o pedido, até cogitou permanecer imóvel, no entanto, lembrou das noites anteriores. Sakura tinha pesadelos quase todas as noites. Inconsciente, ela falava sobre o quanto amava Sasuke. E muito provável aquele pedido era para o Sasuke também, já que não era segredo algum que ele a deixou para trás. Irmão tolo…
Ele se afastou. Sentou sobre o parapeito da janela e observou na calada da noite a lua, que tinha o poder de esvaziar sua mente e coração.
Já Sakura, em uma dimensão paralela entre a realidade, desejos e receios, viu Itachi, com toda sua imponência, encará-la. Sasuke estava logo atrás, silencioso, observando o irmão mais velho se virar para si, ignorando-a pedi-lo para não a deixar para trás.
"É isso que lhe resta, Sakura,", Sasuke pronunciou irritadiço, a voz grave falhando ao tentar abrandar o ódio e repulsa que ele sentia por ela. "a solidão. Tudo porque você não é capaz de escolher apenas um de nós.".
"Não diga isso, Sasuke-kun! Isso não é certo… eu só…", as palavras aflitas de Sakura morreram ao ver Itachi se virar para ela.
"Prossiga. "Você só…" o quê? Diga, Sakura.", ele exigiu, com a expressão facial austera ergueu o queixo e a encarou de baixo para cima, medindo-a impiedosamente.
"Diga!", Sasuke elevou alguns decibéis a voz, a assustando.
"Eu só não posso perder mais ninguém…", ela sussurrou um tempo depois, fechando os olhos e libertando as lágrimas acumuladas.
"Mas vai perder.", Itachi pronunciou quando o silêncio pairou sobre aquele clima pesado e opressor, onde expectativas e decepções se misturavam com facilidade. "Ao me escolher, você o abandona, e ao escolhê-lo, me abandona. Não é possível conciliar seu amor entre nós dois e ao que representamos.", concluiu, sucinto.
Sakura choramingou, silenciosa, se encolhendo diante daquela verdade. Mentalmente ela procurava uma forma de encontrar outra saída, mas não conseguia, só o que conseguia era se desesperar cada vez mais.
"Você é patética.", Sasuke demonstrou claramente seu desgosto através do olhar. "Já fez sua escolha e vai arcar com as consequências.", concluiu, lhe dando as costas.
"Não. Não, Sasuke-kun! Não vá, por favor, não vá. Eu te amo… eu te amo!".
Ela não se importou de correr até ele e literalmente se jogar aos seus pés e, segurando a mão dele, implorar, mas doeu ver ele lhe olhar de esguelha com tanto ressentimento. As lágrimas já escorriam torrenciais por suas bochechas, o pânico por perdê-lo pela segunda vez a fazia se agarrar à mão dele como se sua vida dependesse daquilo.
"Então é isso?", ouviu Itachi dizer e virou o rosto em sua direção. "Essa é sua escolha?".
"Itachi…", começou, mas Sasuke puxou a mão que ela segurava com força, a fazendo desequilibrar.
"Me poupe de ouvir o que vai dizer.", ele esbravejou, encarando o irmão mais velho com um ódio ainda mais palpável do que já o viu demonstrar alguma vez.
"O que sente por mim, Sakura?", Itachi lhe roubou a atenção e ao encará-lo, estremeceu. Ao contrário do Sasuke, que só parecia querer lhe repelir, ele aguardava aflito por uma resposta, e isso quebrava o próprio coração, porque ela não sabia. Não sabia.
A dor no coração a fez voltar para a realidade. Sentou num movimento brusco, com a respiração irregular e o corpo trêmulo, e levou uma das mãos à testa para enxugar as gotas excessivas de suor.
A sensação de perda, a aflição que aquela cena lhe proporcionou, o medo de descobrir ter sentimentos que não deveria, tudo, tudo lhe revirava o estômago, embora tenha, a todo custo, tentado controlá-lo.
Após se acalmar, já mais consciente e situada, olhou à volta, percebendo estar sozinha no ambiente. Inconscientemente, aguçou a audição, procurando algum sinal de que Itachi estava no banheiro, mas não ouviu nada. Estava sozinha?
O que sentiu no pesadelo voltou ao assombrá-la. A solidão parecia abraçá-la vagarosamente, a deixando inconsolável.
Se abraçou observando o quarto vazio e fechou os olhos para se abster de continuar se enxergando sozinha.
Ela não abandonou seu lar, família e amigos para continuar naquele estado depressivo.
Limpando as lágrimas com brusquidão, jogou o cobertor para lado e se levantou da cama. Assim que seus pés encostaram no chão, sentiu um choque percorrer sua espinha, chegou até a ofegar diante da mudança brusca de temperatura. Virou a cabeça para o lado, constatando somente naquele momento que a janela se encontrava fechada. Dirigiu-se a ela, numa necessidade quase surreal de respirar ar puro, como se fazendo isso pudesse fugir das sensações que a afligiam. A abriu com violência e se curvou para frente, o máximo que pôde para fora daquele quarto, puxando com toda a sua força o ar para preencher seus pulmões no limite.
Aquele pesadelo não saía de sua mente perturbada. Sabia que era apenas fruto de seu inconsciente, mas o dilema sobre o que ela sentia quanto a Itachi e do quanto Sasuke a repudiou pela mais remota chance do que ela pudesse sentir pelo irmão era doentio, isso porque realmente não se sentia capaz de analisar com mais empenho outras coisas que aquele pesadelo poderia significar.
Frustrada, fechou os olhos e inspirou fundo. Concentrou-se na sensação da leve brisa da manhã acariciar seu rosto ainda úmido pelas lágrimas desenfreadas. Tentou acalmar o coração, pensando em coisas boas; sorrisos das pessoas que amava, risadas, momentos especiais… agarrava-se a qualquer coisa que pudesse salvá-la daqueles sentimentos negativos que insistiam em atormentá-la.
Quando se sentiu mais calma, voltou a fazer pesquisas e também a treinar seu Jutsu novo fazendo as alterações que concluiu que seriam melhores, apesar de dificultar ainda mais as coisas. Surpreendentemente teve sucesso no que se propôs, até ser interrompida por Aya, que bateu à sua porta e, depois de autorizá-la entrar, lhe entregou uma bandeja com uma boa refeição.
Se alimentou aproveitando a agradável companhia da menina mulher e se esqueceu da aflição de mais cedo até entrarem num assunto delicado.
— Você sente saudades de casa? — Aya perguntou, expressando ativamente sua curiosidade por grandes olhos atentos.
Engoliu a seco, desviando o olhar para a janela. O tempo lá fora estava nublado e, no momento, trazia um leve chuvisco que não demoraria a se tornar uma tempestade. Se levantou e foi até lá, avaliando o que poderia dizer sem se machucar ainda mais.
— Eu mentiria se dissesse que não, — suspirou, lembrando-se das reflexões que fez na noite passada, depois de Itachi deixá-la sozinha e antes de Aya chegar — mas…
Se interrompeu quando a porta abriu abruptamente e se virou observando Itachi entrar no quarto com o semblante tenso e uma áurea pesada.
Engoliu a seco e desviou o olhar para Aya, que se levantou rapidamente e pegou a bandeja, se apressando ao reverenciá-la e, posteriormente, ao Itachi antes de sair.
Encarou o Uchiha com as sobrancelhas franzidas.
— O que houve? — perguntou, quando minutos passaram sob o silêncio sepulcral.
Ele apenas a encarava, mas não era como as outras vezes, em que ambos estavam sincronizados numa troca de olhar confortável, era como se ele estivesse… irritado.
Ergueu uma sobrancelha numa pergunta muda sobre o que estava acontecendo. Quem devia estar irritada era ela, por ter sido deixada sozinha depois de tudo o que vivenciaram na noite anterior. Não que tenha sido algo de outro mundo, mas… poxa, eles ficaram a noite toda observando a lua num clima agradável.
— Prepare-se, vamos partir.
Foi a única coisa que ele disse antes de tirar o manto negro e entrar no banheiro, deixando-a petrificada pelo timbre grave e tom tenso, ainda mais que o semblante.
Partir para onde?
O que estava acontecendo?
De repente, sentiu uma dor no peito. Uma dor palpável.
A sensação de abandono resultante do pesadelo voltou a atormentá-la com força total e para fugir de tudo aquilo, passou os próximos minutos repetindo para si mesma que era tolice da parte dela achar que seria abandonada.
Pelo amor de Deus, ela foi sequestrada e mantida refém! É óbvio que não seria abandonada, pelo contrário, deveria estar planejando uma forma de fugir.
Sorriu com amargor.
Fugir? Para onde? Para quê?
Não tinha para onde ir, nem para onde voltar, não sem propósitos, não sem descobrir algo pelo qual valesse à pena lutar. Se retomasse sua vida de onde parou, certamente continuaria morrendo um pouco mais a cada dia até perecer de vez.
Não. Ela não teria aquele fim odioso.
Não sabia o que fazer, mas já não era mais indiferente à vida.
Ela queria viver, só precisava descobrir uma justificativa para tal.
Não viveria mais por Sasuke e sim por si mesma.
Satisfeita com a direção em que estava prestes a seguir, arrumou suas coisas para partirem o quanto antes.
[…]
NOTAS FINAIS:
O trecho em negrito e itálico no início do capítulo é da música Vanity – Yuki Kajiura.
Aí aí… e Sakura finalmente está se reerguendo. Olha, se não ficou claro no capítulo, quero pontuar aqui que não é saudável você viver por outra pessoa ou orbitar em torno de outra pessoa. Você tem que viver por si mesma, tem que amar a si mesma primeiramente e foi isso que eu quis passar com esse final. Sakura finalmente entendeu isso e convenhamos, para quem tinha uma dependência emocional super tóxica pelo Sasuke, foi um passo e tanto!
Claro que o processo não é fácil e nem ocorre da noite para o dia. A Sakura já vem passando por isso há alguns capítulos e, a sensação de abandono que ela tem, que é um trauma inegável, é outro ponto que ela precisa trabalhar. Eu sei disso, não me esqueci, ok? É só que ocorrer nos próximos capítulos rsrs
Um passo por vez.
É isso! Comentem! Amo saber o que estão achando!
E, mais uma vez, deixo aqui uma pergunta que já vem rondando a fic desde o começo e que quero que me respondam também (para quem ainda não respondeu): Por que Itachi tirou a Sakura de Konoha?
E MAIS IMPORTANTE: O que deu no Itachi para chegar desse jeito arredio e dizer que vão partir? Partir para onde? Para quê?
Quero teorias na minha mesa para ontem! Kkkkkkkkkkk
PRÓXIMO CAPÍTULO: Confiança.
DATA DA POSTAGEM: 28/07/2021 – Quarta-feira.
Até a próxima!*~
Obs.: Caso queiram ter prévias de capítulo, spoiler e interagir comigo além daqui, me sigam no Twitter por SenpaiNani, Instagram por NaniSenpaiNK e Facebook por Haruno Sah ou Nani Senpai!
