EPISÓDIO 3 – AS VOLTAS DO PASSADO
Era uma pena; Cristine Tanner tinha uma vida toda pela frente; foi triste descobrir que ela para o seu grupo de amigos, no qual seu pai acreditava que ela estava segura, que ela finalmente teria uma chance na vida. Lisboa se identificou quase imediatamente com a vítima, afinal, a história de vida da jovem era muito semelhante a de Lisboa: perdeu a mãe devido a um motorista bêbado assim como Lisboa e ficou à frente da família em tenra idade, tal qual Lisboa.
Ao contrário de Lisboa, Cristine não teve chance de sair de sua triste vida pessoal, resumida a estudar mal e porcamente em uma escola pública de bairro, cuidar da casa, dos irmãos menores e conviver com o pai que pouco a pouco se tornava um almanado alômoro. Lisboa viu-se refletiva tristemente naquele cenário de depressão e dor. Ela lembrou-se com tristeza como ela mesma ficou na época da morte de sua mãe, também vitima de acidente de carro por causa de um motorista bêbado. Cuidar dos irmãos menores era complicado e de repente ela viu sua infância perder-se em um mar de responsabilidades grandes demais para a idade dela. De súbito, ela teve que se tornar a responsável adulta, visto que seu pai entregou-se à tristeza e a aflição de perder o amor de sua vida tão abruptamente. De um pai amoroso e gentil, o homem transformado-se em um homem violento e abusivo. Uma travessura infantil mínima era suficiente para ele perder a paciência e encher de pancadas o primeiro filho que ele via pela frente. Até que ele sucumbiu à infelicidade e deu fim ao seu próprio mundo de desconsolo, duplicando a responsabilidade de Lisboa para com seus irmãos mais novos.
Então, quando Lisboa percebeu que o pai de Cristine Tunner estava trilhando o caminho tão bem conhecido por ela. Assim, por um momento, ela abriu mão de sua postura profissional fria, que não misturava vida pessoa com trabalho, para tentar ajudar o pai de Cristine, direcioná-lo na direção da cura do alcoolismo e dedicar-se cuidados aos filhos menores. Ela pesquisou na região de Santa Marta um grupo de Alcóolicos Anônimos, pegou um cartão e indicou para o pai de Cristine, pedindo a ele que procura ajuda, e uma rara demonstração de identificação com sua vida pessoal, compartilhou com ele ele própria história, a fim de mostrar que ele não era o único que sofria com a perda de alguém.
'' – Bonito o que você fez.'' – Jane disse a ela assim que o Sr. Tunner saiu da delegacia de Santa Marta, desolado com a revelação de quem já matou sua filha, além do fato de estar relacionando-se sexualmente com um homem mais velho.
'' – Eu não fiz nada.'' Ela respondeu na defensiva, recolocando a máscara de irritação firmemente no lugar.
'' – Sei.'' – ele sorriu condescendente. '' – Então, o cartão, a indicação e a fala de apoio eram uma encenação? Um modo de amenizar a dor de um pai de luto?''
'' – Que seja.'' – ela revirou os olhos e saiu para a segurança de seu escritório, fugindo do estrução de Jane; ele não se deu por vencido e a seguiu, sentando-se confortavelmente em seu sofá. Lisboa conseguiu ignorá-lo por quinze minutos, antes de estalar os lábios zangada, largar os papéis que inutilmente ela fingia estar preenchendo. '' – Ok, tá certo. Eu ajudei o Sr. Tunner. Eu vi uma oportunidade e resolvi ajudar. Qual o problema?''
' – Nenhum. Eu honestamente acho que foi um gesto bonito. Com certeza, você salvou como vidas do pobre homem e dos filhos. '' – ele falou baixinho e com sinceridade. Lisboa só deu de ombros, e voltou sua atenção para os papéis, que ela realmente começou a preencher. Em seu íntimo, ela se sentia orgulhosa por ter feito algo em favor da família. Por sua vez, Jane foi satisfeito em ver que Lisboa tinha a capacidade de conectar-se com os casos, apesar de sua controlada fachada e responsável. Há algum tempo, ele tinha enxergado como Lisboa poderia ser generosa e bondosa, mesmo ela lutando com todas as suas forças para negar isso.
