1ª TEMPORADA – EPISÓDIO 6 – VÍCIO E CARIDADE
Fazia um mês que Jane e Lisbon haviam se beijado, se beijado de verdade. E como era de se esperar, os dois resolveram ignorar o que acontecera e tocaram suas vidas, trabalhando lado a lado, resolvendo casos. Os dois mantiveram as brincadeiras e provocações um com o outro, permanecendo o local de trabalho em um ambiente amigável.
O caso que trabalharam desta vez fora o homicídio de James Meier; uma história terrível, o pobre homem foi morto por seu genro, um jogador viciado que chegou a dispor da esposa como aposta de um jogo de pôquer. E de alguma forma estranha e distorcida, ele convenceu sua esposa, Jéssica Meier, a conceder favores sexuais para o apostador ganhador. Era absolutamente terrível a que ponto o vício poderia influenciar as pessoas a agirem do modo mais baixo da humanidade. Oferecer a própria esposa como moeda de aposta era repugnante, vil. Jane não comentou nada, mas por dentro ele ferveu de raiva e indignação com o tratamento de Daniel para com sua esposa. Daniel achou que seria uma transação normal e corriqueira, e, principalmente, teria que manter sua honra de apostador. ''Aposta é dívida.'' – Carl Transk alegou quando foi interrogado por Cho e Risgby. Um comportamento abominável a que nenhuma mulher deveria ser submetida.
No que dizia respeito a Lisbon, mesmo estando trabalhando com Jane há pelo menos 5 anos, ela continuava impressionada com as habilidades na jogatina. Ela realmente tinha adorado as joias que havia ganhado dele, eram lindas e demonstravam o carinho que ele secretamente nutria por todos da equipe. Apesar da irritante mania dele de manter suas ideias só para si, revelando o assassino da forma mais excêntrica possível. Ela só gostaria que ele abandonasse sua terrível mania de controle e reserva. Contudo, com ela, parecia que ele estava aos poucos se abrindo. Além do beijo intenso que trocaram, ele perfurou os olhos de Lisbon com profundidade, deixando escapar um vislumbre de preocupação, uma pequena rachadura que ele mantinha firmemente em torno de si. '' – As esmeraldas combinam com seus olhos.'' Mesmo na frente da equipe, ele deixou escapulir uma leve admiração por ela; queria de verdade que ela ficasse com as joias. Mas para Lisbon, não era certo, era uma perda de um dinheiro que poderia ajudar outras pessoas.
Mal sabia ela que Jane doou todo o dinheiro que ganhara com os jogos, inclusive as joias que foram devolvidas por Lisbon e Van Pelt. Jane descobrira na caridade uma nova forma de realização pessoal. E todas as vezes que ele agia assim, sentia que foi tarde demais a descoberta pessoal de como poderia fazer a diferença do mundo, ajudar os outros, ser altruísta. Esse comportamento não foi lhe ensinado na infância. Seu pai era um homem mesquinho e ambicioso, buscando o retorno financeiro em tudo que fazia. Essa atitude aborrecia muito ao jovem Jane, contudo, por medo e submissão, acabava rendendo-se às diretrizes do pai. Quando adulto, casado, ele tentou ignorar o remorso que sentia por enganar seus clientes até que Red John assassinou sua esposa e filha. Um pouco tarde demais para o gosto dele, Jane aprendeu a ser um homem desvinculado de bens materiais, mantendo-se com o mínimo necessário para trabalhar e viver.
Jane sentia um prazer quase obsceno em deixar Cho e Risgby contorcendo-se em cólicas da curiosidade onde ele havia gastado todo o dinheiro ganho; eram quase 21 horas, a maioria dos agentes havia ido para casa, quando Lisbon aproximou-se do sofá de Jane. Ele estava com os olhos fechados e sua respiração suave e contínua mostrava que ele estava dormindo de verdade. Ela deu um leve sorriso carinhoso, puxou uma das cadeiras, e o cutucou devagar no ombro esquerdo, que estava virado para o lado de fora do sofá:
'' – Jane?'' – ela chamou baixinho.
'' – Hum...'' – ele resmungou, negando-se a acordar de um sono tão bom.
'' – Jane...'' – ela tentou de novo, empurrando levemente a mão no ombro dele.
'' – O que foi?'' – ele gemeu, sem abrir os olhos ainda.
'' – Por que você foi maldoso com Cho e Risgby?''
'' – Maldoso? Eu não fiz nada dessa vez.'' – ele retrucou em tom de defesa.
'' – Ah vá; não minta pra mim. Você gosta de vê-los contorcendo-se de curiosidade.'' – seu rosto tinha um olhar faceiro.
'' – Eu disse a verdade. Eu gastei.'' – ele devolveu, agora abrindo e fechando vagarosamente os olhos. '' – Não tenho culpa deles serem tão curiosos.''
'' – Sei...mas diga-me...onde gastou o dinheiro?''
'' – Hum, por aí...comprando coisas... fazendo investimentos...'' – ele desconversou, agora levantando-se após uma longa espreguiçada, alongando seus braços e pernas. Ele sacudiu os braços, ajustou a manga da camisa, pegou seu paletó e estava saindo do sofá quando Lisbon o impediu, com uma das mãos apoiada em seu ombro. '' – Por favor, por que você não quer dizer.''
Por dois segundos, ele ficou tentado a responder que era pessoal, uma ação só dele, mas quando encarou seus olhos verdes brilhando como as esmeraldas das joias que ele havia comprado para ela, amoleceu sua resposta: '' – Saiba que o dinheiro está bem empregado; gastei com coisas boas.''. Dito isso, ele terminou sua subida do sofá, e sorrindo levemente, desejou boa noite a Lisbon, que bufou descrente, bateu com ambas mãos nas coxas, levantou-se da cadeira e também deu por encerrado o dia.
