Notas do autor: Essa é uma oneshot, que apesar de ter surgido do nada na minha mente, eu considero ela como uma espécie de spin off da minha outra oneshot ichihime Forbidden Sweetness.
A música citada na história foi tirada do filme The Yin-Yang Master: Dream of Eternity e se chama Chi Qinq Zhong (Tomb of Infatuation) e é uma música linda. Recomendo ouvirem ela enquanto leem.
Numa tarde tranquila em que ele passeava sem rumo ou objetivos em mente, seguindo uma estrada de terra ladeada por árvores estreitas repletas de vida, os pássaros cantavam e o vento soprava fraco levando suavemente as bordas de suas roupas.
Ele conseguiu um raro dia de folga.
Andou mais um pouco enquanto ouvia o som das águas calmas do rio que corria lento ao lado. O dia estava calmo, porem seu coração se mostrava turbulento. Não por medo, raiva ou tristeza, mas sim pela felicidade que fazia as batidas de seu coração se agitar tanto quanto as folhas das árvores sobre o vento.
Era, no entanto, uma felicidade proibida gerada por um amor que surgiu de forma inesperada por alguém que parecia ser melhor que ele de todas as formas possíveis. Mas seu coração, assim como ele mesmo, é um rebelde que faz o que quer – quase impossível domar.
Seguiu seu caminho repleto de pedras em silêncio, ansiando a cada passo o momento em que chegaria a seu destino, onde encontraria lá o motivo das batidas fortes de seu coração.
Mal poderia esperar para ver seu sorriso gentil, ouvir sua voz doce chamar por seu nome, tocar-lhe as mãos com as suas... beija-la de forma intensa e inesperada. Viver naquela tarde ensolarada o amor proibido de um simples soldado por uma dama de classe tão alta.
Seu coração ansiava por sua princesa. Sua Orihime.
Andou e andou até que seu caminho tornara-se estreito e repleto de mata. E ele sim, estava cansado, mas nada que a água contida em seu cantil não pudesse conter. Gradualmente ouviu uma melodia surgir dentre as árvores ao seu redor. Fraca pela distância, porem uma música singela seguida de uma voz cadenciada.
Um sorriso surgiu em seus lábios e suas sobrancelhas geralmente franzidas relaxaram. Era ela, aquela a quem seu coração deseja com ardor ver.
Acelerou seu avançar antes calmo e correu por dentre o arvoredo que o cercava. A melodia a cada passo tornando mais alta, a voz cada vez mais clara; uma música que conta uma triste história.
"O coração tem sua vontade de rocha sólida e as montanhas sua floresta. O céu pode derramar chuva nublada e o vento soprar nuvens para longe..."
Segundos depois, finalmente a encontrou. Sentada sobre um velho píer da madeira com seus pés a poucos centímetros da água fria do lago, seus cabelos como o pôr-do-sol voando com a brisa; em suas mãos uma requintada flauta de bambu, sua agora voz soava clara como cristal.
"Mas uma corda de arco nunca vai servir como uma corda de uma citara. Esta dor de despedida, acompanhada pelo som leve de uma flauta."
Devagar ele foi em direção a bela que cantava distraída, sua voz grave acompanhando num tom sussurrado a letra da música que ela cantava. Seu andar lento nem um som reproduzia, embora o píer de madeira fosse barulhento por si só.
"Nesta vida eu não posso retribuir toda a sua gentileza. Que na próxima vida eu possa me transformar em um solo para cultivar flores na primavera..."
Aproximou-se dela de forma sorrateira, pois queria ouvi-la cantar a melodia por inteiro, mas a vida injusta como era, nunca lhe deu tudo o que queria. E como uma criança que não domina o próprio o corpo, ele tropeçou numa taboa de madeira que se encontrava solta na ponte e foi ao encontro do chão, levando embora com seu desajeito, o clima romântico que se formava.
A moça é claro, em primeiro momento sobressaltou-se com o baque repentino no chão de madeira, mas logo relaxou ao ver o que, ou melhor, quem era. Deixando sua flauta abandonada no chão, logo foi ao encontro do rapaz que envergonhado tirava a poeira de suas roupas.
"Ichigo! Está tudo bem?" chamou ela num misto de alegria e preocupação.
"Estou." Afirmou o mesmo.
Ao ver a figura dele, com os cabelos claros como a manhã bagunçados e bochechas vermelhas de constrangimento, não pode segurar o riso que uma vez esteve preso em sua garganta.
"Ei, não ria!" exclamou, a vergonha fez seu rosto quente como o sol.
No entanto, seu estado de embaraço logo se foi para longe quando a bela de cabelos ruivos aproximou-se sem hesitar e tocou-lhe o rosto com as mãos. Encarou seus olhos castanho-claro, que o analisavam de cima a baixa a procura de algum machucado.
No mesmo instante, pegou-lhe uma das delicadas mãos na sua e trouxe aos lábios dando um beijo casto entre os nós dos dedos pequenos e macios. Com alegria observou-a sorrir docemente, desta vez foi o rosto da donzela que se coloriu.
Enlaçou com seu braço esquerdo a cintura estreita puxando-a para junto de si, ela ofegou surpresa. Beijou sua mão mais uma vez, então sua testa seguido de sua bochecha esquerda. Inconscientemente a ruiva fechou os olhos à espera do toque em seus lábios.
Apertando ainda mais seus corpos um no outro e fechando a distância já quase inexistente entre suas faces, ele a beijou. Um tocar leve de lábios inocente e puro, que aprofundado em paixão roubou o ar dos pulmões de ambos.
Separaram-se pela falta de ar, no entanto, os braços do rapaz negaram-se a deixar a moça, que ria baixinho em seu ouvido, se soltar.
Foram longos meses em que seu coração, ansiando por encontra-la, fazia o mundo parecer estar coberto por uma chuva recorrente, que nem mesmo as festas mais divertidas com seus colegas soldados parecia conseguir espantar.
O vento soprou forte, levantando as folhas secas do chão e fazendo a seda das roupas dela dançarem no ar. O perfume floral da pele branca espalhou-se pelo ar, voando até o nariz dele acostumado ao cheiro de lama, metal e sangue.
"Acredito que tenha sentido minha falta." Disse de irônica e divertida a bela presa dentre seus braços.
"Você não faz ideia."
Embora fosse seu desejo gritar ao mundo o quanto a amava, o soldado aproveitaria cada segundo daquele encontro proibido com sua nobre dama.
Notas do autor: Espero que tenham gostado. Digam o que acharam 👍
