Capítulo 5
"Después de la tormenta, siempre llega la calma
Pero sé que después de ti, después de ti, no hay nada1"
Corazón Partío, Alejandro Sanz
Negan voltou para a casa de Rick sentindo-se extremamente irritado, afinal, pensara que as coisas entre Olivia e ele estavam se resolvendo, mas, aparentemente, a jovem ficara ainda mais cabeça dura do que ele se lembrava.
— É realmente inacreditável — ele resmungou ao fechar a porta e logo se deparou com Carl sentado à mesa com um bebê em seu colo. — Quem é essa criança? — questionou surpreso.
— Minha irmã, Judith — o rapaz respondeu com o cenho franzido. — O que você fez à Olivia? — prosseguiu ao notar como as roupas de Negan pareciam ter sido colocadas às pressas. — Se você a machucou ou...
— Se eu a machuquei? Garoto, você devia perguntar o que ela fez a mim, é só o que digo — ele respondeu sentando-se perto de Carl e acariciando o rosto de Judith. — Eu não sabia que você tinha uma irmã.
— Você não sabe muita coisa sobre mim.
— E nem você sobre mim — Negan retrucou com um dar de ombros e se recostando na cadeira que ocupava. — Não sou um estuprador, se é isso que está pensando.
— Só um assassino, então — Carl murmurou e Negan suspirou. Não estava com cabeça para aquele tipo de discussão.
— Pode ser — afirmou de maneira cansada —, mas nunca obriguei ninguém a se deitar comigo e não vai ser agora que vou começar. Pode perguntar à Olivia, se quiser. Isso se ela estiver disposta a responder alguma coisa agora. Essa mulher é uma cabeça dura e claramente quer me enlouquecer — ele voltou a resmungar, esquecendo-se da presença de Carl por um momento.
— Talvez se você não tivesse matado os amigos dela ou ao menos tivesse dado umas flores ou oferecido um jantar antes de pedir pra ela ir pra cama com você, ela teria sido mais gentil ao lidar com a situação — Carl respondeu de maneira sarcástica, pois não acreditava que Olivia seria gentil com Negan de qualquer forma. — Mas como espera gentileza se...
— Você me deu uma boa ideia, Carl — o Salvador comentou com um sorriso de canto que fez o menino fitá-lo com suspeita. — Como vocês cozinham por aqui? — questionou analisando a cozinha.
— O gás ainda está funcionando, então conseguimos usar o fogão — o menino respondeu em dúvida. — Mas por que...?
— Se eu achar os ingredientes certos, você vai provar o melhor ensopado que já comeu na vida. — E assim ele se levantou e começou a procurar os itens que precisaria para preparar a comida.
— E aí? Eu estava mentindo? — Negan perguntou a Carl enquanto o observava experimentar o ensopado que preparara.
O rapaz ainda tentou encontrar algum defeito na comida, mas, por fim, teve que ceder. Negan podia ser uma das piores pessoas que ele já conhecera, no entanto, realmente cozinhava bem.
— Não. Está uma delícia — Carl respondeu a contragosto.
— Ótimo. Então vou levar um prato pra Olivia — ele falou animado. — Com certeza ela deve estar com fome também.
— Por que não a deixa em paz, Negan? — o jovem questionou levemente angustiado. — Ela nunca te fez nada e não parece estar interessada em você. Por que insiste em importuná-la? É só porque ela te disse 'não'?
Negan, que preparava o prato de Olivia, parou por um momento e suspirou. Não importava o quanto ficasse tentado a dizer que não era aquele o motivo, pois a verdade era que não havia como explicar para Carl o quanto Olivia significava para ele sem mencionar o passado que compartilharam, portanto, mentiu.
— Talvez — retrucou encarando o menino de maneira displicente. — Todo mundo gosta de um bom desafio; e Olivia parece ser um desfio tão bom quanto outro qualquer.
— Você não se cansa de brincar com a vida das pessoas? — Carl perguntou com raiva, afastando o prato de comida e se levantando para encarar Negan de frente. — Deixe a Olivia em paz!
Negan deu um sorriso de canto.
— Quase parece que você está a fim dela, garoto — disse de maneira zombeteira. — Mas acho que ela é um pouquinho velha demais pra você.
— Você é um porco, Negan! Não me importa o que pensa — o menino retrucou. — Se machucar Olivia de alguma maneira, você vai pagar por isso!
Ao notar o quão sério Carl falava, Negan achou melhor apaziguá-lo. Não queria que soubessem de seu passado com Olivia, mas também não queria gerar algum tipo de confusão que o impossibilitasse de vê-la.
— Não vou fazer nada a ela, certo? — explicou voltando a ficar sério. — Vou levar a comida e tentar conversar. É só. Se algo mais acontecer entre nós, vai ser porque ela quis assim. — Carl ainda o fitava com raiva e Negan suspirou de maneira resignada. — Você tem a minha palavra, Carl. Posso ser um assassino, como diz, mas, até agora, nunca deixei de cumprir minha palavra.
O rapaz permaneceu encarando-o por mais alguns segundos e depois voltou a se sentar para terminar de comer. Negan fez um pequeno aceno com a cabeça e terminou de preparar o prato de Olivia. A seguir, se dirigiu à porta.
— Não me espere acordado — disse com um sorriso malicioso antes de sair e Carl sacudiu a cabeça em incredulidade.
Negan acreditava que era melhor o menino pensar que ele não levava nada a sério do que ter qualquer vislumbre da verdade; e a verdade era que ele nunca desistiria de Olivia.
1 "Depois da tempestade sempre vem a calmaria,
Mas sei que depois de você, depois de você não há nada". Tradução Livre.
