Notas do autor: Itálico para pensamentos/flashbacks.
Capítulo 03: O Dia Seguinte É Sempre Constrangedor.
Ambos olhavam para o teto branco do quarto sem realmente vê-lo, tanto pelo fato do cômodo estar quase totalmente envolto a escuridão quanto pelo fato de suas mentes estarem bem longe dali, ao mesmo tempo seus pensamentos estavam presos naquele momento em questão.
Sentimentos confusos divididos entre vergonha, culpa e medo. Vergonha; pois nunca se imaginaram naquela posição. Culpa; por gostarem. E medo; de acabar com amizade de anos de duração.
— Temos que prometer que isso não vai mudar interferir em nada em nosso trabalho — falou ela mais séria que o normal enquanto encarava cegamente o teto do quarto.
Ele em primeiro momento nada respondeu, apenas lançou um rápido olhar para a mulher coberta apenas pelo fino lençol da cama e logo voltou seus olhos azuis ao mesmo alvo que ela, o teto de gesso do quarto.
— Foi apenas um erro, nada vai mudar. — comentou também sério, porem pela primeira vez em anos sua voz soando ligeiramente incerta.
— É uma promessa. — reafirmaram em simultâneo. Porém, não havia certeza em seus corações.
Sem coragem de se virar e encara-lo, a ruiva, de olhos fechados, estendeu a mão esquerda para o rapaz, ele fez o mesmo com a sua direita e quando suas mãos se tocaram num aperto de "contrato confirmado" um pequeno arrepio passou pelo corpo de ambos. O rapaz viu que ela sentira o mesmo que ele, pois a mesma soltou sua mão como se tivesse se queimado ao sentir o toque dele.
— Ok! — bradou ela — Eu vou sair primeiro. Não olhe.
— Não vou olhar.
— Estou falando sério.
— Vai de uma vez!
Assim que ele fechou os olhos e virou seu rosto para o lado, sentiu o peso ao seu lado ir embora com um dos lençóis que o cobria. Mais uma vez ouviu a voz doce avisar para não olha-la, o que apenas o deixava mais curioso com a cena que se passava diante de si. Ouviu os passos leves dos pés da moça se distanciarem e então uma batida forte na porta seguido por um praguejar irritado.
— Você está bem? — perguntou preocupado, mas ainda mantendo seus olhos fechados.
— Estou. Eu só... Eu dei de cara na porta. Não se preocupe. — falou ela nervosa então saiu rapidamente porta afora em direção ao banheiro.
Essas duas pessoas atrapalhas e confusas eram ninguém mais que Orihime Inoue e Byakuya Kuchiki. Duas pessoas, que apesar de ter a mesma idade, eram tão diferentes quanto o sol era para a lua e à terra era para o céu.
Ele, a epítome da beleza japonesa, um homem sério dono de cabelos negros e olhos estreitos bem puxados. Ela, uma gentil e exótica mulher mestiça com longos cabelos ruivos brilhantes e um par de olhos cor de mel.
Os amigos de longa data agora lidavam com as consequências de uma noite cheia de trabalhos inacabados que acabou por se transformar em uma noite de bebedeira.
Quando saiu do quarto Orihime deu de cara com a sala de estar, ou como ela preferia chamar naquele momento, "a cena do crime". Viu lá, espalhadas pelo chão algumas de suas peças de roupas juntos as de Byakuya e no mesmo instante lembranças obscenas da noite anterior inundaram sua mente como um tsunami de obscenidades.
Correu em direção ao banheiro o mais rápido possível, lá dentro foi até a pia e jogou água fria no rosto, balançou a cabeça negativamente, queria dispersar aquelas cenas de sua cabeça, mas elas não iam embora de jeito algum. Precisava pensar no que fazer dali para frente.
— Muito bem! Orihime. Não aconteceu nada de mais. — disse como um mantra para seu reflexo no espelho. — Você só dormiu com seu amigo que também é seu chefe. Isso... não é nada de mais. — sua voz soava mais tortuosa do que um violinista iniciante.
A ruiva gemeu frustrada consigo mesma enquanto passava as mãos no rosto em um misto de vergonha e arrependimento pelo sorriso alegre que insistia em não sair de seu rosto.
Há pouco mais de um ano começara a sentir coisas estranhas por seu amigo. Sentimentos que foram evoluindo de um simples "He! Ele é realmente bonito." até o fatídico "Quero beija-lo, quero que ele me toque." Coisas que guardou no fundo de seu peito num baú fechado a sete chaves.
Negação de sentimentos.
Afinal, ele não era apenas seu amigo, se fosse apenas isso até estaria tudo bem arriscar, mas ele também era seu chefe e isso sim, era um problema. Na empresa era proibido namoro entre funcionários e ela precisava do emprego.
Enquanto Orihime discutia consigo mesma sobre ética e moral trancada no banheiro, ainda no quarto Byakuya vestido com uma toalha que achara por acaso num canto do cômodo, saiu porta afora para a sala a procura de suas roupas, o que não foi difícil de encontrar, afinal estavam por todo canto.
A roupa-de-baixo foi a mais rápido de encontrar, a boxer cinza estava bem ao pé da porta ao lado de seus pés. Deu uma olhada geral no ambiente, era um apartamento com conceito aberto, de onde estava pode ver seu paletó na mesa de jantar na cozinha junto aos relatórios inacabados com que viera na intenção de examina-los e termina-los com Orihime.
Sua calça e camisa de botão estavam no chão. Com suas roupas estava o vestido rosa que a ruiva usara na noite anterior e pendurado no abajur próximo ao sofá, o sutiã branco de renda dela.
Suspirou cansado para si mesmo diante a bagunça do lugar. Haviam bebido muito. Inoue não era muito mais forte que ele para bebida, mas no momento em que se embriagava, tornava-se um tornado de energia pura. Enquanto ele dava vazão a tudo que queria falar e fazer sem se importar com as consequências, se transformava em seu velho eu da adolescência.
Ao lembrar-se desse fato sobre si mesmo, o moreno mentalmente se deu um tapa. Queria lembrar se não havia falado algo desnecessariamente intimo a amiga ruiva, sentimentos estranhos que havia vindo sentindo há um bom tempo, mas o que vinha em sua mente eram apenas as coisas sórdidas que havia feito com a mesma no pequeno sofá bege que estava a sua frente.
Sufocado por sentimentos e pensamentos confusos, decidiu que já era hora de sair daquele lugar, rapidamente buscou peça por peça de suas roupas e as vestiu.
Notas do autor: Não seja tímido(a) deixe seu comentário.
